Moçambique - Demographic and Health Survey - 2005

Publication date: 2005

INDICADORES PARA A CÚPULA MUNDIAL DA CRIANÇA MOÇAMBIQUE 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Residência Província ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Cabo Nam- Zam- Inham- Maputo Indicador Rural Urbana Niassa Delgado pula bézia Tete Manica Sofala bane Gaza Maputo Cidade Total ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Taxa de mortalidade infantil1 135 95 140 177 164 89 125 128 149 91 92 61 51 124 Taxa de mortalidade infanto-juvenil1 192 143 206 240 220 123 206 184 206 149 156 108 89 178 Prevalência de baixo peso 27.1 15.2 25.1 34.2 28.2 26.9 25.1 22.9 26.2 12.8 22.6 9.2 7.9 23.7 Prevalência de retardamento 45.7 29.2 47.0 55.6 42.1 47.3 45.6 39.0 42.3 33.1 33.6 23.9 20.6 41.0 Prevalência de subnutrição aguda 4.3 3.1 1.3 4.1 6.0 5.2 1.6 2.8 7.6 1.3 6.7 0.5 0.8 4.0 Uso de fontes de água potável melhoradas2 23.2 68.9 22.3 37.9 22.3 16.3 39.1 42.2 49.9 37.8 48.4 68.8 95.7 36.6 Uso de sanitas/latrinas melhoradas 36.3 77.5 71.7 55.9 35.8 17.9 53.2 46.6 29.5 60.5 63.5 88.1 98.7 48.3 Crianças chegam à quinta classe3 82.0 85.8 91.2 79.0 73.6 88.0 81.3 82.8 86.0 90.5 82.1 88.9 90.3 83.6 Taxa liquida de frequência da escola primária3 52.6 75.6 42.1 58.8 46.6 48.9 54.9 66.0 60.8 77.4 77.3 86.5 91.5 59.7 Proporção de crianças iniciando a escola primária3 15.2 35.5 8.4 21.9 11.5 10.9 16.2 14.9 15.2 35.2 40.9 50.0 58.5 20.8 Taxa de prevalência de uso de anticonceptivos (CPR) Entre mulheres unidas maritalmente 11.7 28.1 24.7 9.9 10.3 11.0 22.6 8.8 18.4 12.4 15.2 32.3 49.7 16.5 Entre todas as mulheres 11.1 30.5 23.2 9.8 10.0 9.7 20.7 9.5 18.1 14.7 15.2 37.4 48.7 18.2 Cuidados pré-natais4,5 78.9 97.1 81.3 88.6 86.1 57.9 85.8 90.1 82.4 92.6 97.2 99.9 99.5 84.6 Assistência/cuidados no parto5 34.2 80.7 47.0 31.4 38.2 32.1 46.8 55.9 51.0 49.0 60.6 85.2 89.2 47.7 Baixo peso à nascença6 13.2 14.3 11.0 17.9 18.9 10.0 14.5 14.4 14.7 10.5 10.7 14.4 13.1 14.0 Crianças que recebem suplemento em vitamina A4 43.4 65.0 36.5 47.8 46.7 49.8 46.8 56.0 42.4 41.7 54.7 62.2 77.0 49.8 Mães que recebem suplemento em vitamina A4 16.6 30.0 20.7 20.8 5.9 36.7 23.9 33.8 13.4 1.4 1.1 17.8 66.5 20.8 Mulheres grávidas com cegueira nocturna 4.9 6.2 4.2 4.5 8.2 8.0 1.6 2.7 4.6 5.6 1.8 4.1 5.1 5.3 Amamentação exclusiva (crianças dos 0-6 meses de idade) 32.1 24.6 40.8 39.5 7.3 33.9 5.6 49.7 55.2 42.9 48.4 22.9 18.3 30.0 Extensão da amamentadas Até aos 12-15 meses 96.1 89.5 97.6 100.0 98.2 91.6 98.3 87.5 95.1 91.6 94.7 89.0 84.9 94.2 Até aos 20-23 meses 70.3 45.1 79.4 77.6 76.6 46.3 70.7 49.3 56.2 68.5 63.4 46.2 36.6 63.0 Alimentação complementar oportuna (6-9 meses) 79.4 80.2 92.8 73.9 84.6 71.9 89.2 87.4 68.8 62.1 83.9 87.3 66.7 79.7 Cobertura da vacinação7 BCG 83.6 96.5 81.4 85.3 83.5 71.9 88.3 93.1 86.2 99.1 97.1 100.0 99.7 87.4 DPT 3 65.3 86.6 54.6 68.9 61.8 53.0 63.6 73.6 77.1 93.6 90.4 98.0 97.0 71.6 Polio 3 63.1 84.8 52.2 66.4 62.4 50.0 59.9 68.5 73.8 93.3 88.0 97.0 94.2 69.6 Sarampão 70.8 90.8 51.9 80.2 69.1 63.3 72.0 81.5 74.7 92.9 91.7 95.2 96.9 76.7 Pelo menos dois tétano4 53.8 64.6 56.1 59.3 59.0 46.9 54.2 52.7 54.5 67.8 70.7 57.8 62.3 57.2 Terapia de re-hidratação oral8 46.3 69.8 43.1 50.4 57.6 35.7 50.6 39.8 55.2 51.8 75.1 74.3 73.6 54.1 Controle caseiro de diarreia 27.6 43.2 25.3 15.0 34.4 31.1 22.7 49.3 21.7 31.0 48.4 48.8 42.9 32.8 Tratamento de ARI 52.8 59.8 45.2 64.2 48.5 43.3 62.2 79.8 58.9 54.9 59.6 55.2 54.6 55.4 Tratamento de doenças 46.1 58.0 38.3 51.8 51.7 35.3 52.0 60.2 54.8 46.9 56.3 48.9 51.4 50.0 Tratamento de malária 15.8 12.7 8.1 12.7 14.6 14.9 26.6 13.8 13.0 16.8 17.3 14.2 11.5 14.9 Crianças com menos de 15 anos de idade que não vivem com nenhum dos pais3 12.9 15.1 15.8 15.1 17.4 9.3 7.9 8.9 10.2 21.3 16.9 14.7 13.0 13.6 Orfãos (crianças de 0-15)3 9.4 11.2 7.3 8.1 8.6 9.3 9.3 10.6 14.0 11.5 14.8 10.8 9.4 9.9 Conhecimento sobre HIV/SIDA: Como prevenir9 38.0 57.6 37.1 18.7 39.5 25.5 63.0 59.4 38.9 39.1 69.7 73.0 64.5 45.2 Concepções erradas10 19.1 41.7 22.7 13.1 16.3 15.2 28.5 35.6 34.1 27.8 41.3 50.8 45.6 27.4 Transmissão da mãe para o filho 41.7 49.1 31.3 27.4 44.7 30.4 79.3 62.3 39.7 39.6 29.7 59.9 47.5 44.4 Onde fazer o teste do HIV 18.1 51.9 19.5 15.1 18.0 7.1 38.5 42.0 42.5 30.2 48.2 39.7 74.8 30.5 Mulheres que fizeram o teste de HIV 1.1 8.9 3.5 0.1 1.4 0.4 4.1 4.3 6.5 2.6 4.0 5.7 17.5 3.9 Atitude para com as pessoas com HIV/SIDA11 36.7 20.0 22.7 36.8 38.0 43.8 28.8 21.5 25.1 38.6 21.5 16.9 11.4 30.6 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 1Para o período de dez anos antes do inquérito 2Água canalizada, água de poço com cobertura, ou água engarrafada 3Baseado em crianças pertencentes aos agregados 4Para o último nado vivo nos cinco anos antes do inquérito 5Assistência pré-natal e de parto pelo médico, enfermeiro, parteira, auxiliar de parteira. 6Para crianças sem o registo do peso de nascimento, a proporção com o peso de nascimento baixo assume-se como sendo igual a proporção com o peso de nascimento baixo em cada categoria de tamanho de nascimento, entre crianças com o peso de nascimento registado. 7Vacinação em qualquer momento para crianças dos 12-23 meses de idade 8Inclui Sais de Re-hidratação Oral ou líquidos caseiros recomendados. Exclui líquidos acrescentados. 9Ter relações sexuais com apenas um parceiro que não tenha outros parceiros e usando preservativo sempre que tiverem relações sexuais 10Dizer que SIDA não pode ser transmitido através da picada do mosquito e que uma pessoa aparentemente saudável pode também ter o vírus da SIDA 11Expressam uma atitude de descriminação para as pessoas com HIV ou SIDA MOÇAMBIQUE Inquérito Demográfico e de Saúde 2003 Instituto Nacional de Estatística Maputo, Moçambique Ministério da Saúde Maputo, Moçambique MEASURE DHS+/ORC Macro (Assessoria) Junho 2005 Instituto Nacional de Estatística Ministério da Saúde O Inquérito Demográfico e de Saúde (IDS) em Moçambique faz parte dum programa internacional de inquéritos (MEASURE DHS+) desenvolvido pelo ORC Macro, através de um contrato com a USAID, com o propósito de apoiar aos governos e instituições privadas dos países em desenvolvimento na realização de inquéritos nacionais por amostragem, nas áreas de população e saúde. O Programa MEASURE DHS+ tem por objectivo: • Subsidiar a formulação de políticas e implementação de programas nas áreas de população e saúde; • Aumentar a base internacional de dados sobre população e saúde para acompanhamento e avaliação; • Aprimorar metodologia de inquérito por amostragem; e • Consolidar, na área de inquérito, a capacidade técnica da instituição executora no país participante do Programa. O Programa DHS teve início em 1984 e, desde então, já foram realizados inquéritos em mais de 70 países da América Latina, Caribe, África, Ásia e Leste Europeu. Informações adicionais sobre o Programa MEASURE DHS+ o IDS podem ser obtidas no seguintes endereços: Instituto Nacional de Estatística Avenida Ahmed Sekou Touré 21 C.P. 493, Maputo, Moçambique Telefone: (2581) 49.21.14 Fax: (2581) 49.27.13 Correo: info@ine.gov.mz Internet: www.ine.gov.mz Ministério da Saúde Avenida Salvador Allende C.P. 264, Maputo, Moçambique Telefone (2581) 42.71.31/4 Fax: (2581) 30.21.03 ORC Macro/DHS Program 11785 Beltsville Drive, Suite 300 Calverton, MD 20705, U.S.A. Telefone: (301) 572-0200 Fax: (301) 572-0999 Correo: reports@orcmacro.com Internet: www.measuredhs.com Contenido | iii CONTENIDO Página Lista de Quadros e Gráficos .vii Prefácio . xv Indicadores Básicos .xvii Mapa de Moçambique . xviii CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO 1.1 Descrição Geral do País . 1 1.2 Política de População e Programa de Planeamento Familiar . 8 1.3 Aspectos Metodológicos e Organização do Inquérito . 11 1.4 Taxas de Resposta . 12 CAPÍTULO 2 CARACTERÍSTICAS DA POPULAÇÃO E DOS AGREGADOS FAMILIARES 2.1 Características da Habitação. 15 2.2 Características Gerais da População dos Agregados. 19 CAPÍTULO 3 CARACTERÍSTICAS DA POPULAÇÃO ENTREVISTADA 3.1 Características Gerais . 31 3.2 Nível Educacional dos Inquiridos e Alfabetismo . 31 3.3 Exposição e Acesso aos Meios de Comunicação. 36 3.4 Emprego e Rendimentos . 38 3.5 Medidas da Emancipação da Mulher. 43 CAPÍTULO 4 FECUNDIDADE 4.1 Fecundidade Actual. 53 4.2 Diferenciais da Fecundidade . 54 4.3 Tendências da Fecundidade. 56 4.4 Fecundidade Acumulada . 57 4.5 Intervalos entre os Nascimentos . 57 4.6 Idade da Mulher ao Primeiro Nascimento. 59 4.7 Fecundidade das Adolescentes . 63 CAPÍTULO 5 CONTRACEPÇÃO 5.1 Conhecimento da Contracepção. 65 5.2 Conhecimento da Contracepção por Características Seleccionadas. 67 5.3 Uso Anterior da Contracepção. 68 5.4 Uso Actual de Métodos Contraceptivos. 70 5.5 Diferenciales no Uso de Métodos Contraceptivos . 72 5.6 Número de Filhos no Momento do Uso Inicial de Método Contraceptivo . 74 5.7 Fontes de Obtenção de Métodos Contraceptivos . 75 | Contenido iv Página 5.8 Intenção de Uso Futuro de Contraceptivos . 78 5.9 Exposição e Aceitação de Mensagens pelos Medios de Comunicaçao . 81 5.10 Contactos das Não Usuarias com os Provedores de Serviços de Planeamento Familiar . 82 5.11 Diálogo e Atitudes dos Casais em Relação ao Planeamento Familiar . 84 CAPÍTULO 6 OUTROS DETERMINANTES PRÓXIMOS DA FECUNDIDADE 6.1 Estado Civil . 87 6.2 Poligamia . 90 6.3 Idade na Primeira União . 91 6.4 Idade ao Primeiro Contacto Sexual. 92 6.5 Actividade Sexual Recente. 97 6.6 Amenorréia, Abstinência e Insusceptibilidade Pós-parto .100 6.7 Término da Exposição à Gravidez .101 CAPÍTULO 7 INTENÇÕES REPRODUTIVAS 7.1 Desejo de Ter Mais Filhos .103 7.2 Necessidade Insatisfeita e Procura de Planeamento Familiar.107 7.3 Número Ideal de Filhos e Filhos Existentes.110 7.4 Planeamento dos Nascimentos.112 7.5 Número Ideal de Filhos, Necessidade Insatisfeita e Estatuto da Mulher.114 CAPÍTULO 8 MORTALIDADE INFANTIL E MATERNA 8.1 Introdução .117 8.2 Metodología .117 8.3 Qualidade dos Dados .118 8.4 Níveis e Tendências da Mortalidade .118 8.5 Diferenciais da Mortalidade .119 8.6 Mortalidade Infantil e na Infância por Estatuto da Mulher .122 8.7 Mortalidade Perinatal .123 8.8 Grupos de Alto Risco Reprodutivo .124 8.9 Mortalidade Materna e Adulta .125 8.10 Estimação da Mortalidade Materna.128 CAPÍTULO 9 SAÚDE MATERNO-INFANTIL 9.1 Atenção Pré-natal.131 9.2 Assistência ao Parto.138 9.3 Cuidados Pós-parto.142 9.4 Cuidados de Saúde Reprodutiva por Estatuto da Mulher .144 9.5 Imunização Infantil.145 9.6 Infecções Respiratórias Agudas, Febre e Diarreia .150 9.7 Malária: Uso da Redes Mosquiteiras e Medicamentos Anti-malária .152 9.8 Diarreia: Prevalência e Tratamento.155 9.9 Cuidados da Saúde da Criança e Condições da Mulher.160 9.10 Problemas nos Cuidados da Saúde: Acesso e Tabaco.161 Contenido | v Página CAPÍTULO 10 AMAMENTAÇÃO DA CRIANÇA, NUTRIÇÃO INFANTIL E DA MÃE 10.1 Amamentação ao Peito e Suplementos Alimentares.165 10.2 Alimentos Suplementares.170 10.3 Quantidades de Micronutrientes entre Crianças e Mães .173 10.4 Estado Nutricional das Crianças.177 10.5 Estado Nutricional das Mulheres.182 CAPÍTULO 11 HIV/SIDA E OUTRAS DOENÇAS DE TRANSMISSÃO SEXUAL 11.1 Conhecimentos e Informação sobre SIDA .185 11.2 Debate sobre o HIV/SIDA com o Parceiro .190 11.3 Crenças sobre o HIV/SIDA.193 11.4 Aspectos Sociais do HIV/SIDA.195 11.5 Conhecimento sobre a Transmissão da Mãe para Filho .198 11.6 Teste de HIV e Aconselhamento .199 11.7 Negociação de Sexo Seguro, Atitudes, e Comunicação.202 11.8 Número de Parceiros Sexuais.203 11.9 Sexo de alto Risco e Uso de Preservativo .207 11.10 Comportamento Sexual Dos Jovens .210 11.11 Doenças de Transmissão Sexual e Circuncisão.218 APÊNDICE A DESENHO E COBERTURA DA AMOSTRA A.1 Introdução.227 A.2 Marco Amostral.227 A.3 Composição da Amostra.227 A.4 Selecção da Amostra.228 A.5 Resultados da Amostra.230 APÊNDICE B ESTIMATIVA DE ERROS DE AMOSTRAGEM .233 APÊNDICE C QUADROS DA QUALIDADE DOS DADOS .255 APÊNDICE D PESSOAL DO INQUÉRITO .263 APÊNDICE E QUESTIONAIROS .267 | Contenido vi Lista de Quadros e Gráficos | vii LISTA DE QUADROS E GRÁFICOS Página CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO Quadro 1.1 Indicadores económicos seleccionados para Moçambique . 5 Quadro 1.2 População e taxa de crescimento, 1950-2003 . 5 Quadro 1.3 Composição da população por idade, 1950-1997 . 6 Quadro 1.4 População por sexo e densidade demográfica . 7 Quadro 1.5 Taxas de resposta para o inquérito dos agregados familiares e inquérito das mulheres e de homens . 13 CAPÍTULO 2 CARACTERÍSTICAS DA POPULAÇÃO E DOS AGREGADOS FAMILIARES Quadro 2.1 Características das habitações . 16 Quadro 2.2 Bens duráveis do agregado familiar . 18 Quadro 2.3 Distribuição do agregados familiares de acordo com o índice de riqueza . 19 Quadro 2.4 População dos domicílios, por idade, residência e sexo . 21 Quadro 2.5 Composição dos agregados familiares. 22 Quadro 2.6.1 Nível de instrução da população dos agregados familiares: população feminina . 24 Quadro 2.6.2 Nível de instrução da população dos agregados familiares: população masculina . 25 Quadro 2.7 Taxas de frequência escolar. 26 Quadro 2.8 Taxas de repetição de classe e de desistências na escola primária . 28 Quadro 2.9.1 Crianças que vivem com os pais ou outras pessoas . 29 Quadro 2.9.2 Frequência escolar de crianças dos 10-14 anos por estatuto de orfandade e arranjo de residência . 30 Gráfico 2.1 Agregados sem Nenhuma Facilidade Sanitária e Agregados com Electricidade, por Área de Residência e Província . 17 Gráfico 2.2 Agregados com Água a uma Distância de 15 Minutos, e Agregados com Poços Sem Cobertura, por Área de Residência e Província . 17 Gráfico 2.3 Pirâmide da População. 20 Gráfico 2.4 Agregados Chefiados por Mulheres, por Área de Residência e Província . 22 Gráfico 2.5 Taxa de Frequência Escolar, por Idade e por Sexo . 27 CAPÍTULO 3 CARACTERÍSTICAS DA POPULAÇÃO ENTREVISTADA Quadro 3.1 Características seleccionadas das pessoas entrevistadas. 32 Quadro 3.2 Nível de instrução da população entrevistada . 33 Quadro 3.3 Alfabetismo . 34 Quadro 3.4.1 Acesso aos meios de comunicação de massa: mulheres. 36 Quadro 3.4.2 Acesso aos meios de comunicação de massa: homens . 37 Quadro 3.5 Trabalho dos entrevistados . 39 Quadro 3.6.1 Ocupação: mulheres . 40 Quadro 3.6.2 Ocupação: homens . 41 Quadro 3.7 Tipo de emprego dos inquiridos. 42 Quadro 3.8 Pessoa que decide sobre as receitas e proporção das despesas do agregado satisfeitas com os rendimentos . 44 Quadro 3.9 Controlo dos rendimentos pelas mulheres . 45 Quadro 3.10 Participação da mulher na tomada de decisões . 45 | Lista de Quadros e Gráficos viii Página Quadro 3.11.1 Participação da mulher na tomada de decisões por características: mulheres. 46 Quadro 3.11.2 Participação da mulher na tomada de decisões por características: homens . 47 Quadro 3.12.1 Atitude das mulheres em relação a agressão física às esposas. 49 Quadro 3.12.2 Atitude dos homens em relação a agressão física às esposas. 50 Quadro 3.13 Atitude da mulher em relação à recusa do acto sexual com o marido. 51 Gráfico 3.1 Inquiridos com Educação Secundária ou Mais, por Área de Residência e Província . 34 CAPÍTULO 4 FECUNDIDADE Quadro 4.1 Fecundidade actual. 53 Quadro 4.2 Fecundidade, nascidos vivos e gravidez por características seleccionadas. 55 Quadro 4.3 Tendência da fecundidade . 56 Quadro 4.4 Filhos nascidos vivos e filhos sobreviventes das todas as mulheres e das mulheres unidas . 58 Quadro 4.5 Intervalo entre os nascimentos . 59 Quadro 4.6.1 Idade ao nascimento do primeiro filho . 61 Quadro 4.6.2 Primeiro nascimento até a idade exacta de 20 anos . 61 Quadro 4.7 Idade mediana ao primeiro nascimento . 62 Quadro 4.8 Fecundidade e materninade na adolescência . 64 Gráfico 4.1 Taxa de Fecundidade por Idade para os Três anos Anteriores ao Inquérito, por Área de Residência . 54 Gráfico 4.2 Taxa Global de Fecundidade nos Três Anos Anteriores a Data do Inquérito, por Área de Residência, Província e Nível de Escolaridade . 56 Gráfico 4.3 Intervalos entre os Nascimentos com a Duração de 48 Meses ou Mais, por Área Residência, Província, e Nível de Escolaridade da Mãe. 60 Gráfico 4.4 Adolescentes que São Mães, ou Grávidas pela Primeira vez, por Área de Residência, Província, e Nível de Escolaridade . 63 CAPÍTULO 5 CONTRACEPÇÃO Quadro 5.1.1 Conhecimento de métodos contraceptivos: mulheres. 66 Quadro 5.1.2 Conhecimento de métodos contraceptivos: homens. 67 Quadro 5.2 Contracepção: conhecimento de métodos por características seleccionadas . 68 Quadro 5.3.1 Uso anterior de contracepção por idade: mulheres . 69 Quadro 5.3.2 Uso anterior de contracepção por idade: homens . 70 Quadro 5.4 Uso actual de métodos contraceptivos por idade . 71 Quadro 5.5 Uso actual de métodos contraceptivos por características seleccionadas . 72 Quadro 5.6 Uso actual de métodos contraceptivos por estatuto da mulher . 74 Quadro 5.7 Número de filhos quando do primeiro uso de método contraceptivo. 75 Quadro 5.8 Fonte de obtenção de métodos. 75 Quadro 5.9 Escolha informada . 77 Quadro 5.10.1 Uso futuro de contracepção por número de filhos vivos . 78 Quadro 5.10.2 Uso futuro de contracepção por área de residência e província . 79 Quadro 5.11 Razões para o não uso no futuro. 80 Quadro 5.12 Método contraceptivo preferido para uso futuro. 81 Quadro 5.13 Audiência de programas sobre planeamento familiar no rádio ou televisão. 82 Quadro 5.14 Contacto de mulheres não usuárias com fornecedores de planeamento familiar. 83 Lista de Quadros e Gráficos | ix Página Quadro 5.15 Discussão sobre planeamento familiar entre os casais . 84 Quadro 5.16 Percepção das esposas sobre a atitude dos esposos face ao planeamento familia r . 85 Gráfico 5.1 Uso de Contraceptivos entre as Mulheres em União Marital, por Área de Residência e Província, 1997 e 2003. 73 Gráfico 5.2 Fontes Públicas e Privadas dos Métodos Contraceptivos Modernos, 1997 e 2003 . 76 Gráfico 5.3 Intenção de Usar Contraceptivos entre Não-utilizadores, por Província . 79 CAPÍTULO 6 OUTROS DETERMINANTES PRÓXIMOS DA FECUNDIDADE Quadro 6.1.1 Estado civil actual por idade e sexo . 88 Quadro 6.1.2 Estado civil actual por características seleccionadas. 89 Quadro 6.2 Número de esposas e co-esposas . 90 Quadro 6.3 Idade na primeira união . 92 Quadro 6.4 Idade mediana na primeira união . 93 Quadro 6.5.1 Idade na primeira relação sexual das mulheres. 94 Quadro 6.5.2 Idade na primeira relação sexual dos homens . 95 Quadro 6.6.1 Idade mediana na primeira relação das mulheres . 95 Quadro 6.6.2 Idade mediana na primeira relação sexual dos homens por área de residência . 96 Quadro 6.6.3 Idade mediana na primeira relação sexual dos homens por características seleccionadas. 96 Quadro 6.7.1 Actividade sexual recente por características seleccionadas: mulheres. 98 Quadro 6.7.2 Actividade sexual recente por características seleccionadas: homens. 99 Quadro 6.8 Amenorréia, abstinência e insuscetibilidade pós-parto.100 Quadro 6.9 Duração mediana da insuscetibilidade pós-parto, por características seleccionadas.101 Quadro 6.10 Menopausa .102 Gráfico 6.1 Idade Mediana a Primeira Relação Sexual entre Mulheres, por Área de Residência, Província, e Nível de Escolaridade . 94 Gráfico 6.2 Duração Mediana da Insusceptibilidade Pós-parto por Área de Residência, Província, e Nível de Escolaridade.102 CAPÍTULO 7 INTENÇÕES REPRODUTIVAS Quadro 7.1.1 Intenções reprodutivas por número de filhos vivos .104 Quadro 7.1.2 Preferências reprodutivas por características seleccionadas .104 Quadro 7.2 Desejo de não ter mais filhos .106 Quadro 7.3 Necessidade insatisfeita e procura por contracepção entre mulheres casadas/em união .108 Quadro 7.4 Número ideal de filhos .111 Quadro 7.5 Número médio ideal de filhos por características seleccionadas.112 Quadro 7.6 Planeamento dos nascimentos .113 Quadro 7.7 Taxa global de fecundidade desejada e real.114 Quadro 7.8 Número médio ideal de filhos e necessidade insatisfeita por estatuto da mulher .115 | Lista de Quadros e Gráficos x Página Gráfico 7.1 Preferência de Fecundidade das Mulheres Casadas/em União.105 Gráfico 7.2 Desejo de Ter Outro Filho entre Mulheres Casadas/em União, por Área de Residência e Província .105 Gráfico 7.3 Componentes da Necessidade Insatisfeita para o Planeamento Familiar .109 Gráfico 7.4 Necessidade Insatisfeita para o Planeamento Familiar por Área de Residência, Província, e Nível de Escolaridade .109 CAPÍTULO 8 MORTALIDADE INFANTIL E MATERNA Quadro 8.1 Mortalidade infantil e na infância .119 Quadro 8.2 Mortalidade infantil e na infância por características sócio-económicas e demográficas.121 Quadro 8.3 Mortalidade infantil e na infância por estatuto da mulher .122 Quadro 8.5 Mortalidade perinatal.123 Quadro 8.6 Grupos de alto risco reprodutivo.125 Quadro 8.7 Cobertura da informação sobre os irmãos.127 Quadro 8.8 Taxa de mortalidade adulta .128 Quadro 8.9 Dados básicos para a estimação da mortalidade materna .128 Quadro 8.10 Estimativa directa da mortalidade materna .129 Gráfico 8.1 Evoluçaõ da Mortalidade Infantil, IDS 1997 e IDS 2003 .119 Gráfico 8.2 Taxas de Mortalidade Infantil nos Dez Anos que Antecederam ao Inquérito, por Área de Residência, Província e Nível de Escolaridade.120 Gráfico 8.3 Nascimentos nos Últimos Cinco Anos e Mulheres nas Categorias de Comportamento de Fecundidade de Alto Risco .126 CAPÍTULO 9 SAÚDE MATERNO INFANTIL Quadro 9.1 Assistência pré-natal .132 Quadro 9.2.1 Número de consultas pré-natais e período da gestação na primeira consulta, por residência .133 Quadro 9.2.2 Número de consultas pré-natais e período da gestação na primeira consulta, por província .134 Quadro 9.3 Tipos dos cuidados pré-natais.136 Quadro 9.4 Vacinação antitetânica .137 Quadro 9.5 Local do parto .139 Quadro 9.6 Assistência durante o parto.140 Quadro 9.7 Características do parto.142 Quadro 9.8 Cuidado pós-parto .143 Quadro 9.9 Cuidados de saúde reprodutiva por estatuto da mulher .146 Quadro 9.10 Vacinação por fonte de informação.146 Quadro 9.11 Vacinação por características seleccionadas .147 Quadro 9.12.1 Vacinação no primeiro ano de vida .149 Quadro 9.12.2 Vacinação no primeiro ano de vida por idade actual da criança.149 Quadro 9.13 Prevalência e tratamento das infecções respiratórias agudas e febre .151 Quadro 9.14.1 Posse de redes mosquiteiras (tratadas e não tratadas) .152 Quadro 9.14.2 Posse de redes mosquiteiras tratadas.153 Quadro 9.14.3 Uso de redes mosquiteiras por mulheres e crianças.153 Quadro 9.15 Uso de medicamentos específicos pelas crianças .154 Quadro 9.16 Meios de protecção contra mosquitos.155 Quadro 9.17 Tratamento de fezes das crianças.156 Lista de Quadros e Gráficos | xi Página Quadro 9.18 Prevalência da diarreia .157 Quadro 9.19 Conhecimiento do SRO .158 Quadro 9.20 Tratamento da diarreia .159 Quadro 9.21 Padrão de alimentação durante a diarreia .160 Quadro 9.22 Cuidados de saúde da criança e estatuto da mulher .161 Quadro 9.23 Problemas no acesso a cuidados de saúde.162 Quadro 9.24 Habito de fumar tabaco.163 Gráfico 9.1 Visitas de Cuidados Pré-natais e Meses de Gravidez no Período da Primeira Visita por Mulheres com Nados Vivos durante os Cinco Anos antes do Inquérito .134 Gráfico 9.2 Vacinação Antitetânica (Uma o Mais Doses) e Assistência Prê-natal por Profissionais de Saúde, por Área de Residência e Província .138 Gráfico 9.3 Assistência ao Parto por uma Parteira Tradicional e por um Profissional de Saúde, por Área de Residência e Província .141 Gráfico 9.4 Cobertura Vacinal em Qualquer Momento de Crianças entre 12-23 Meses de Idade, 1997 e 2003 .146 Gráfico 9.5 Crianças entre 12-23 Meses de Idade com Todas as Vacinas Completas em Qualquer Momento antes do Inquérito, por Área de Residência, Província, e Nível de Escolaridade da Mãe.148 CAPÍTULO 10 AMAMENTAÇÃO DA CRIANÇA NUTRIÇÃO INFANTIL E DA MÃE Quadro 10.1 Início da amamentação.166 Quadro 10.2 Condição da amamentação, por idade .169 Quadro 10.3 Duração mediana e frequência da amamentação .170 Quadro 10.4 Condição de amamentação e alimentação específica .171 Quadro 10.5 Frequência de alimentos consumidos por crianças nas últimas 24 horas .172 Quadro 10.6 Frequência de alimentos consumidos por crianças nos últimos sete dias .173 Quadro 10.7 Iodização do sal dos agregados familiares .174 Quadro 10.8 Quantidades de micronutrientes entre crianças.175 Quadro 10.9 Quantidades de micronutrientes entre as mães .176 Quadro 10.10 Estado nutricional das crianças menores de cinco anos por características demográficas.179 Quadro 10.11 Estado nutricional das crianças menores de cinco anos por características socio-económicas .180 Quadro 10.12 Situação nutricional das mães.183 Gráfico 10.1 Primeira Amamentação entre Crianças com Menos de Cinco Anos de Idade, por Área de Residência e Província .167 Gráfico 10.2 Micronutrientes Ingeridas por Crianças e por Mães, por Área de Residência e Província .177 Gráfico 10.3 Condição Nutricional de Crianças com Menos de Cinco Anos, de Acordo com a Idade .181 Gráfico 10.4 Crianças Menores de Cinco Anos Malnutridas ou com Baixo Peso, por Área de Residência e Província .181 Gráfico 10.5 Crianças Menores de Três Anos com Malnutrição Crónica, por Área de Residência e Província, 1997 e 2003.182 | Lista de Quadros e Gráficos xii Página CAPÍTULO 11 HIV/SIDA E OUTRAS DOENÇAS DE TRANSMISSÃO SEXUAL Quadro 11.1 Conhecimento de HIV/SIDA .186 Quadro 11.2.1 Conhecimento de número de meios de importância programática para evitar o HIV/SIDA .188 Quadro 11.2.2 Conhecimento de formas espefícas de evitar o HIV/SIDA.191 Quadro 11.2.3 Debate sobre HIV/AIDS com o parceiro .192 Quadro 11.3.1 Crenças sobre o SIDA: mulheres .194 Quadro 11.3.2 Crenças sobre o SIDA: homens .195 Quadro 11.4.1 Atitudes de aceitação em relação aos que vivem com HIV: mulheres .196 Quadro 11.4.2 Atitudes de aceitação em relação aos que vivem com HIV: homens .197 Quadro 11.5 Conhecimento sobre a prevenção da transmissão do HIV de mãe para filho.198 Quadro 11.6 População que fez teste de HIV e recebeu resultados.200 Quadro 11.7 Mulheres grávidas aconselhadas e testadas para o HIV.201 Quadro 11.8 Atitudes em relação a negociação para sexo seguro com o esposo ou parceiro .202 Quadro 11.9.1 Mulheres casadas e não casadas por número de parceiros sexuais .204 Quadro 11.9.2 Homens casados e não casados por número de parceiras sexuais .205 Quadro 11.9.3 Multiplos parceiros sexuais entre mulheres e homens sexualmente activos .207 Quadro 11.10 Sexo de alto risco e o uso de preservativo na última relação sexual de alto risco .209 Quadro 11.11 Sexo pago no ano anterior e uso de preservativo na última relação sexual paga.210 Quadro 11.12.1 Idade da primeira relação sexual entre jovens de ambos sexos, por idade .211 Quadro 11.12.2 Idade da primeira relação sexual entre jovens de ambos sexos, por características seleccionadas.211 Quadro 11.13 Conhecimento sobre a fonte de preservativo entre os jovens .212 Quadro 11.14 Uso de preservativo na primeira relação sexual entre os jovens .213 Quadro 11.15 Prevalência de relações sexuais antes do casamento no último ano e o uso de preservativo durante o sexo antes do casamento entre jovens de ambos sexos .214 Quadro 11.16 Contraste de idades nas relações sexuais .215 Quadro 11.17 Multiplos parceiros sexuais entre jovens de ambos sexos.216 Quadro 11.18 Sexo de alto risco e uso de preservativo na última relação sexual de alto risco, no ano anterior ao inquérito entre jovens de ambos sexos .217 Quadro 11.19.1 Conhecimento sobre os sintomas de DTS: mulheres.219 Quadro 11.19.2 Conhecimento sobre os sintomas de DTS: homens .220 Quadro 11.20 Declaração voluntária de doenças sexualmente transmitidas (DTS) e seus sintomas.221 Quadro 11.21 Fonte de tratamento ou aconselhamento em DTS.223 Quadro 11.22 Esforços para proteger os parceiros da infecções, entre homens e mulheres com DTS .224 Quadro 11.23 Circuncisão masculina .225 Gráfico 11.1 Entrevistados que Acreditam que Existem Formas de Evitar HIV/SIDA, por Área de Residência e Província .187 Gráfico 11.2 Conhecimento de Dois o Três Formas de Evitar o HIV/SIDA, por Área de Residência e Província .189 Gráfico 11.3 Mulheres e Homens Não Casados que Tiveram Relações Sexuais nos 12 Meses que Precedem o Inquérito, por Área de Residência e Província .206 Gráfico 11.4 Uso do Preservativo na Última Relação Sexual Extraconjugal, por Área de Residência e Província .208 Gráfico 11.5 Falta de Conhecimentos sobre os Sintomas Associados as DTS no Homen, por Sexo, de Acordo com a Área de Residência e Província .218 Lista de Quadros e Gráficos | xiii Página APÊNDICE A DESENHO E COBERTURA DA AMOSTRA Quadro A.1 Composição da amostra.229 Quadro A.2 Taxas de resposta por província e área de residéncia .232 APÊNDICE B ESTIMATIVA DE ERROS DE AMOSTRAGEM Quadro B.1 Variáveis seleccionadas para o cálculo dos erros de amostragem, Moçambique 2003 .236 Quadro B.2.1 Erros de amostragem para a população total do país, Moçambique 2003 .237 Quadro B.2.2 Erros de amostragem para a área rural, Moçambique 2003 .238 Quadro B.2.3 Erros de amostragem para área urbana, Moçambique 2003.239 Quadro B.2.4 Erros de amostragem para a Província de Niassa, Moçambique 2003.240 Quadro B.2.5 Erros de amostragem para a Província de Cabo Delgado, Moçambique 2003.241 Quadro B.2.6 Erros de amostragem para a Província de Nampula, Moçambique 2003 .242 Quadro B.2.7 Erros de amostragem para a Província de Zambézia, Moçambique 2003 .243 Quadro B.2.8 Erros de amostragem para a Província de Tete, Moçambique 2003 .244 Quadro B.2.9 Erros de amostragem para a Província de Manica, Moçambique 2003.245 Quadro B.2.10 Erros de amostragem para a Província de Sofala, Moçambique 2003 .246 Quadro B.2.11 Erros de amostragem para a Província de Inhambane, Moçambique 2003 .247 Quadro B.2.12 Erros de amostragem para a Província de Gaza, Moçambique 2003 .248 Quadro B.2.13 Erros de amostragem para a Província de Maputo, Moçambique 2003 .249 Quadro B.2.14 Erros de amostragem para Maputo Cidade, Moçambique 2003 .250 Quadro B.3 Erros de amostragem para a taxa global de fecundidade, Moçambique 2003.251 Quadro B.4.1 Erros de amostragem para a mortalidade neonatal, Moçambique 2003 .252 Quadro B.4.2 Erros de amostragem para a mortalidade pós-neonatal, Moçambique 2003 .252 Quadro B.4.3 Erros de amostragem para a mortalidade infantil, Moçambique 2003 .253 Quadro B.4.4 Erros de amostragem para a mortalidade pós-infantil, Moçambique 2003.253 Quadro B.4.5 Erros de amostragem para a mortalidade infanto-juvenil, Moçambique 2003 .254 Quadro B.5 Erros de amostragem para a mortalidade infantil e na infância, Moçambique 2003 .254 APÊNDICE C QUADROS DA QUALIDADE DOS DADOS Quadro C.1 Distribuição da população dos agregados familiares, por idade e sexo.257 Quadro C.2.1 Distribuição das mulheres elegíveis e entrevistadas, por idade .258 Quadro C.2.2 Distribuição dos homens elegíveis e entrevistados, por idade.259 Quadro C.3 Qualidade das informações .250 Quadro C.4 Nascimentos, por ano de nascimento .250 Quadro C.5 Idade ao morrer declarada em dias.260 Quadro C.6 Idade ao morrer declaradas em meses .260 Quadro C.7 Qualidade dos dados sobre peso e altura .261 Quadro C.8 Cobertura da informação antropométrica de mulheres.262 | Lista de Quadros e Gráficos xiv Prefácio | xv PREFÁCIO | Prefácio xvi Indicadores Básicos |xvii INDICADORES BÁSICOS 2003 Níveis de Fecundidade e Preferências Taxa global de fecundidade nos últimos 3 anos (número médio de filhos por mulher) .5.5 Percentagem de mulheres casadas ou em união marital de 15-19 anos com pelo menos 1 filho .64.1 Percentagem de mulheres casadas ou em união marital de 20-24 anos com pelo menos 1 filho .89.2 Mediana do intervalo inter genésico (em meses) .34.4 Percentagem de mulheres que não querem ter mais filhos (incluindo mulheres esterilizadas) .24.3 Percentagem de mulheres que querem ter filhos cedo .33.5 Percentagem de mulheres que querem ter filhos tarde .31.2 Mortalidade nos últimos 5 anos anteriores ao IDS (óbitos por 1,000 nascimentos) Taxa de mortalidade infantil .101 Taxa de mortalidade infanto-juvenil .153 Conhecimento e Uso de Contraceptivos entre as Todas Mulheres e as Actualmente Casadas Percentagem de mulheres casadas que conhecem algum método.91.3 Percentagem de mulheres casadas que conhecem pelo menos dois métodos modernos .82.3 Percentagem de todas mulheres que actualmente usam algum método.18.2 Percentagem de mulheres casadas que actualmente usam algum método .16.5 Percentagem de todas mulheres que actualmente usam um método moderno.14.2 Percentagem de mulheres casadas que usam métodos modernos .11.7 Cuidados Pré-natais para Mulheres com Filhos Nascidos nos Cinco Anos Anteriores a Data do IDS Percentagem de mulheres que tiveram consulta pré natal com um profissional de saúde .84.6 Percentagem de mulheres que receberam uma o mais doses vacina antitetânica .77.8 Percentagem de mulheres que receberam dois o mais doses vacina antitetânica .57.2 Percentagem de filho nascidos com assistência do pessoal de saúde.47.7 Percentagem de filhos nascidos numa unidade sanitária.47.6 Vacinações (cartão de saúde e declaração das mães) Percentagem de crianças de 12-23 meses que alguma vez receberam DPT3 .71.6 Percentagem de crianças de 12-23 meses que alguma vez receberam todas as vacinas1 .63.3 Percentagem de crianças de 12-23 meses que receberam DPT3 durante o 1º ano de vida .66.6 Percentagem de crianças de 12-23 meses que receberam todas as vacinas durante o 1º ano de vida.53.2 Tratamento para Crianças Menores de Cincos Anos de Idade com Sintomas de IRA e Diarreia nas Duas Semanas que Antecederam o IDS Percentagem de crianças com sintomas de IRA tratadas .51.4 Percentagem de crianças com diarreia que foram tratadas numa unidade sanitária .48.8 Percentagem de mães que conhecem SRO.87.0 Percentagem de crianças com diarreia que receberam Sais de Rehidratação Oral (SRO).48.5 Crianças com diarreia que receberam SRO e fluidos caseiros recomendados ou líquidos.70.5 Crianças com diarreia que receberam mais líquidos do que a situação normal .46.7 Crianças com diarreia que receberam mais sólidos que a situação normal.17.5 Amamentação da Criança e Estado Nutricional Percentagem de crianças menores de 4 meses exclusivamente amamentadas .38.3 Percentagem de crianças menores de 4 meses que só amamentaram e consumiram água .42.4 Percentagem de crianças menores de 3 anos que consumiram frutas e vegetais ricas em vitamina A.49.9 Percentagem de crianças de 6-59 meses que receberam suplementos de vitamina .49.8 Percentagem de mães com um filhos nascidos nos últimos 5 anos anteriores à data do IDS que receberam vitamina A pós parto.20.8 Percentagem de crianças menores de cincos anos com crescimento retardado (baixa para a idade).41.0 Percentagem de crianças menores de cincos anos com crescimento muito retardado .18.1 Percentagem de crianças menores de cincos anos com baixo peso .23.7 Percentagem de crianças menores de cincos anos com muito baixo peso.6.4 Conhecimento e Atitude em Relação ao SIDA Mulheres Homens Idade mediana a primeira relação sexual para entrevistados de 20-49 anos . 16.1 17.7 2 Percentagem de entrevistados que já ouviram falar do SIDA. 95.7 97.7 Percentagem de entrevistados que acreditam que existem formas de evitar o HIV/SIDA . 63.8 77.1 Percentagem de entrevistados que conhecem pelo menos dois métodos para evitar SIDA. 44.0 59.7 Percentagem de entrevistados que conhecem dois ou três meios de importância programática para evit ar o SIDA3 . 53.7 69.4 Percentagem de entrevistados que conhecem a camisinha como método para evitar o SIDA . 57.0 72.5 Percentagem de entrevistados que sabem que limitar o número de parceiros é um método para evitar o SIDA . 58.8 72.3 Percentagem de entrevistados casados com parceiros sexuais, excluindo as esposas ou parceiros habituais4 . 3.8 22.5 Percentagem de entrevistados não casados que têm parceiros sexuais3 . 54.2 68.4 Entrevistados que usaram camisinha durante a relação sexual mais recente com um parceiro ocasional. 23.4 32.6 ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 1Inclui BCG, Sarampo e três doses de DPT 2Homens de 20-64 anos de idade 3Métodos de importância programática são a abstinência sexual, uso da camisinha e limitação de parceiros sexuais 4Nos 12 meses anteriores à data do IDS | Mapa de Moçambique xviii MAPA DE MOÇAMBIQUE Introdução | 1 INTRODUÇÃO 1 Este relatório apresenta os resultados do segundo Inquérito Demográfico e de Saúde (IDS 2003) realizado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e pelo Ministério da Saúde (MISAU) com apoio técnico da Macro Internacional Inc. O IDS faz parte do programa mundial de Inquéritos Demográficos e de Saúde (DHS), que actualmente se encontram na sua quarta fase de execução, e em Moçambique se realizou pela segunda vez. Este tipo de inquéritos são realizados na base duma amostra de representatividade nacional, regional e de área de residência. Estão desenhados para administrar a informação sobre fecundidade, saúde materno-infantil e características sócio-económicas da população entrevistada. Na área da fecundidade, as informações recolhidas permitem avaliar os níveis e tendências da fecundidade, conhecimento e uso de métodos contraceptivos, amamentação e outros determinantes próximos desta variável demográfica, como a proporção de mulheres casadas e/ou em união e duração da amenorréia pós- parto. Investiga, ainda, intenções reprodutivas e necessidades não satisfeitas relacionadas com o planeamento familiar. Na área de saúde materno-infantil, recolhe-se a informação sobre a mortalidade materna, HIV/SIDA, DTS, gravidez, assistência pré-natal e ao parto. A nível da saúde da criança, os dados recolhidos permitem determinar as taxas e tendências da mortalidade infanto-juvenil, como também analisar os seus determinantes sócio-económicos, uma vez que são investigadas as principais causas de doenças predominantes na infância (diarreia e infecções respiratórias), imunização e estado nutricional. O inquérito regista, ainda, características sócio-económicas da população entrevistada, como: a educação; o acesso aos meios de comunicação; ocupação; religião; condições da habitação em relação a acesso a água, saneamento, electricidade, bens duráveis de consumo, número de divisões e material predominante na construção do pavimento. Além do inquérito sobre a população feminina foi também considerada uma sub-amostra de 30 por cento de agregados familiares seleccionados com o propósito de registar a percepção da população masculina sobre conhecimento, atitudes e práticas relacionadas com o planeamento familiar, intenções reprodutivas, conhecimento e comportamento sexual face ao HIV/SIDA. Com a realização do IDS em Moçambique foram obtidos dados fidedignos, representativos e de alta comparabilidade com outros países da região. O banco de dados do IDS é muito acessível, permitindo gerar indicadores para análise de tendências e mudanças na dinâmica demográfica moçambicana. 1.1 DESCRIÇÃO GERAL DO PAÍS Geografia Moçambique situa-se na faixa sul-oriental do Continente Africano, entre os paralelos 10°27' e 26°52' de latitude Sul e entre os meridianos 30°12' e 40°51' longitude Este. Ao Norte limita com a Tanzânia; ao Oeste com o Malawi, Zâmbia, Zimbabwe e Swazilândia; e ao Sul com a África do Sul. Toda a faixa Este, é banhada pelo Oceano Índico numa extensão de 2,470 km. Esta extensão tem um significado vital tanto para Moçambique como para os países vizinhos situados no interior, que têm ligação com o oceano através dos portos moçambicanos. A superfície do território Moçambicano é de 799,380 km2. | Introdução 2 O país está dividido em 11 províncias: ao Norte, estão as Províncias do Niassa, Cabo Delgado e Nampula, no Centro encontram-se as de Zambézia, Tete, Manica e Sofala e ao Sul, Inhambane, Gaza, Maputo e Maputo Cidade (Veja -se o Mapa 1). O território moçambicano, como toda a região Austral do Continente Africano, não apresenta grande variedade de paisagem. Da costa para o interior podem-se distinguir três tipos de relevos: · A planície do litoral que ocupa a grande parte do território (40 por cento). Esta é a região natural onde se observa a maior concentração da população; · Os planaltos com altitudes que variam entre 200 e 1.000 metros; · Os grandes planaltos e montanhas que ocupam uma pequena parte do território nacional, com altitudes superiores a 1.000 metros. Do ponto de vista da distribuição geográfica da população, já que não constituem uma superfície contínua, não oferecem grandes obstáculos para assentamentos humanos. História Moçambique adquiriu a actual configuração geográfica, representada no Mapa 1, em Maio de 1891, altura em que foi assinado o tratado Anglo-Português de partilha das zonas de influência em África. Tal tratado serviu para legitimar, entre as nações coloniais europeias, uma ocupação que no caso de Moçambique remonta do século XVI, período em que Portugal iniciou a ocupação da costa oriental de África. Moçambique tornou-se independente de Portugal em 1975, após dez anos de luta armada de libertação nacional movida pela FRELIMO (Frente de Libertação Nacional de Moçambique). A independência política de Moçambique foi negociada entre a Frelimo e o Governo português no acordo de Lusaka a 7 de Setembro de 1974. Neste acordo foi estabelecido um governo de transição chefiado por Joaquim Chissano, então Primeiro-Ministro, que governou o País até 25 de Junho de 1975, dia em que foi proclamada oficialmente a Independência de Moçambique. O primeiro governo moçambicano estabeleceu uma estratégia de transformação socialista da sociedade moçambicana, tendo levado acabo programas amplos na área de educação, saúde e habitação, até ao final dos anos 80. Reconhece-se, por exemplo, que as campanhas nacionais de imunização contra a varíola, tétano e sarampo, bem como a formação de pessoal especializado, tiveram uma contribuição importante para a redução da mortalidade infantil. Porém, os esforços de reconstrução nacional e melhoria do nível de vida da população moçambicana nos primeiros anos de Independência não se consolidaram e, em muitos casos, sofreram um colapso. Isto deve-se essencialmente por uma queda ascendente da economia e uma deterioração crescente da instabilidade político-militar e social. Esta situação continuou até ao ano de 1992 quando as forças políticas nacionais e internacionais, chegaram a um acordo com vista ao fim do conflito armado e à estabilização política de Moçambique, que culminou com assinatura do acordo de Roma, a 4 de Outubro de 1992, entre a Frelimo e a RENAMO (Resistência Nacional Moçambicana). Como resultado do fim da guerra e o estabelecimento da paz, o País começou com o processo da democratização. Assim, em Dezembro de 1994, realizaram-se as primeiras eleições gerais e multipartidárias, e seguindo-se as segundas também realizadas em Dezembro de 1999. Ambos os escrutinos foram ganhos pelo partido Frelimo. Os governos saídos nos dois processos eleitorais, estabeleceram um processo governamental na base de programas quinquenais, referentes aos períodos 1995-1999 e 2000-2004 que foram aprovados pelas Assembleias da República também saídos nos mesmos processos eleitorais. O ponto fundamental a destacar nos programas, é que o Governo propõe-se realizar acções que: Introdução | 3 resultem na garantia da paz, estabilidade e unidade nacionais, na redução dos níveis de pobreza absoluta, visando a sua erradicação a médio prazo, e na melhoria de vida do povo, com incidência na educação, saúde, desenvolvimento rural e emprego. A definição destas acções como objectivos principais do governo, resulta da constatação de que a paz e a estabilidade são as condições básicas para a reactivação da actividade económica e social. Só com o crescimento da produção interna será possível eliminar a pobreza e promover o desenvolvimento económico e humano auto-sustentado. Grande parte das características demográficas da população moçambicana só poderão ser devidamente compreendidas quando situadas no contexto mais amplo das transformações sociais, económicas e culturais ocorridas no País, tanto no período pré-colonial como durante as duas décadas que se seguiram à Independência política, em 1975. Como exemplo, refere-se à taxa de crescimento da população moçambicana que era relativamente baixa durante a primeira metade do século XX. Tal baixo crescimento populacional deveu-se à falta de condições adequadas de saúde e higiene que caracterizaram Moçambique durante a primeira metade do Século XX: até à década de 50, “A malária, doença do sono, lepra e bilharziose eram doenças endémicas, e um terço das crianças morriam durante a infância”.1 Porém, nas décadas 30 e 40 o Governo português criou unidades de combate à malária e à doença do sono; depois da Segunda Guerra Mundial, outras doenças foram adicionadas àquela lista de prioridades, tais como bilharziose, tuberculose e lepra. Se bem que os graves problemas de saúde da população moçambicana nunca foram adequadamente confrontados durante o período colonial, certamente que as acções de saúde pública com impacto mais amplo foram as causas mais directas do começo da diminuição da mortalidade a partir de 1950 (Newitt, 1995: 474-475). Esta mudança dum componente importante do crescimento da população, como é a mortalidade, originou a aceleração do ritmo de crescimento demográfico nas últimas décadas do período colonial. O outro exemplo, refere-se às migrações mais recentes, nomeadamente aos movimentos externos e internos da população, causados pelo conflito armado que assolou o País durante cerca de uma década e meia até a realização das eleições gerais e multipartidárias de Dezembro de 1994. Se bem que estes movimentos migratórios são fenómenos histórico-estruturais que sempre marcaram fortemente a evolução da população moçambicana, o conflito armado gerou fluxos migratórios muito específicos e, sem dúvida, com profundas implicações para o processo de urbanização, o estado e ritmo de crescimento da população, entre outros aspectos demográficos. Fontes diversas estimavam que por volta de 1990 mais de 100,000 pessoas teriam morrido como resultado directo do conflito armado; cerca de um milhão e meio de pessoas encontravam-se refugiadas nos países vizinhos e, dentro do país, um terço da população tinha sido forçado a deslocar-se das suas zonas habituais de residência. Este facto, terá levado com que a taxa de crescimento da população de Moçambique tivesse tido decréscimo. Por último, com estabelecimento do processo democrático e a prevalência de paz no País, o governo tem desenvolvido esforços para recuperar as infra-estruturas sócio-económicas, principalmente nas áreas de saúde e educação, desde 1994 o ano em que se realizaram as primeiras eleições gerais e multipartidárias. Estas acções têm levado paulatinamente ao melhoramento do nível de vida da população, que se não fosse o problema do HIV/SIDA, o País estaria a conhecer agora uma taxa de crescimento elevada do que aquela que se registou durante os princípios dos anos 90. Economia A despeito dos seus ricos recursos naturais e da sua posição estratégica na região da África Austral, Moçambique continua a ser um dos países mais pobres do mundo. Embora o país tem vindo a 1 Malyn Newitt. 1995. A History of Mozambique. Indiana University Press, p. 474. | Introdução 4 registar melhorias nos aspectos sociais, as carências em necessidades básicas dentro da população de Moçambique continuam enormes. Em 2000, registou-se uma subida do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0.346 em 1999 para 0.362, estando ainda muito longe de se atingir os níveis considerados satisfatórios.2 Esta imagem da posição de Moçambique a nível internacional é reveladora duma crise económica profunda e prolongada produzida por uma multiplicidade de factores. Primeiro, aquando da sua Independência política em 1975, Moçambique herdava um desenvolvimento dos recursos naturais fraco e uma grande pobreza de capital humano qualificado, mesmo quando comparado com outros países da África Austral. A economia de Moçambique tinha uma estrutura moldada para servir interesses coloniais; em particular, a economia nacional dependia fortemente das receitas provenientes dos serviços ferro- portuários e dos contractos de fornecimento de mão-de-obra barata para os países vizinhos. Segundo os dados do RDH97, em 1960 Moçambique tinha um rendimento per capita de 129 US dólares. Segundo, os anos que se seguiram à Independência foram caracterizados por uma recessão económica profunda. O Governo moçambicano introduziu mudanças radicais, incluindo a nacionalização e socialização dos principais meios de produção e infra-estruturas económicas e sociais. A agricultura, que absorve a maior parte dos recursos humanos do País, foi concebida como a base do desenvolvimento e a indústria o factor dinamizador; mas os esforços de reestruturação da economia, segundo moldes de economia socialista fortemente controlada pelo Estado, não conduziram à recuperação económica preconizada pelo Governo. Terceiro, na década de 80 para além de um conjunto de factores climáticos desfavoráveis, particularmente a seca e outras calamidades naturais, Moçambique viveu uma instabilidade política e militar com implicações dramáticas. A produção agro-pecuária decresceu para níveis alarmantes e a sobrevivência duma parte significativa da população passou a depender da ajuda alimentar externa. O conflito armado que assolou o País, durante cerca de uma década e meia, não só destruiu infra-estruturas económicas e sociais, como também não permitiu uma consolidação dos programas de saúde e de educação iniciados nos primeiros anos de Independência. No início da década de 90, o Banco Mundial classificou Moçambique como o país mais pobre do mundo, pois o seu rendimento per capita tinha decrescido para cerca de 80 US dólares. Contudo, a partir de meados da década de 80, o Governo iniciou um programa de reformas económicas e diálogo com as principais instituições económicas internacionais, nomeadamente o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, com vista a reactivar a economia de Moçambique. Em 1987, o Programa de Reabilitação Económica foi introduzido com o objectivo de i) reverter o declínio da produção, ii) garantir um nível mínimo de consumo e renda, especialmente para a população rural, iii) reduzir os desequilíbrios financeiros, iv) fortalecer a posição da balança de pagamentos e v) criar as condições para o crescimento económico. A década de 90 foi palco dum esforço ainda mais intenso e bem sucedido, não só em termos políticos como económicos. O compromisso do Governo com a reforma económica tem-se traduzido num crescente controle dos mecanismos económico-financeiros e a reactivação da produção nacional. Por exemplo, depois da taxa anual de inflação acumulada ter atingido 16.6 por cento em 1996, em 2002 diminuiu para cerca de 9 por cento (Veja -se o Quadro 1.1). A manutenção da tendência de recuperação e crescimento económico iniciado nos anos 90 tem permitido o melhoramento de vida da população de Moçambique. Os aspectos positivos da economia moçambicana mais recentes podem ser comprovados com vários estudos que têm sido efectuados por várias instituições. Por exemplo, a percentagem da população que vive abaixo da linha de pobreza diminuiu consideravelmente entre 1996-97 e 2002-03, ao passar de 69.4 para 54.1, respectivamente. 2 Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2001. Relatório de Desenvolvimento Humano 2001. New York: PNUD. Introdução | 5 Porém, os aspectos desfavoráveis e negativos da economia moçambicana ainda são muitos. Primeiro, tal como ficou claro no início desta secção, Moçambique continua a ser um dos países mais pobres do mundo. Segundo, o nível de qualificação dos recursos humanos é extre- mamente baixo. Terceiro, a estrutura não só económica mas também institucional, sobretudo administrativa, é extremamente débil. Quarto, Moçambique continua profundamente vulnerável e, sobretudo, dependente das ajudas internacionais. Dinâmica da População Evolução da população: histórica e actual Os dados demográficos disponíveis permitem descrever a evolução histórica da população moçambicana, pelo menos a partir em 1950. Para este ano, população total de Moçambique era cerca de 6.5 milhões de habitantes. Desde então, ela cresceu de forma acelerada, tendo atingido 7.6 milhões em 1960, 9.4 milhões em 1970, e 12.1 milhões em 1980. Como não se podia realizar censo populacional em 1990 por causa do conflito armado que assolava o País na altura, o Governo decidiu realizar em Outubro de 1991 o Inquérito Demográfico Nacional (IDN). Na base dos resultados deste inquérito, para esse ano estimou- se uma população total de 14.4 milhões de habitantes. Já em Agosto de 1997, praticamente cinco anos depois do fim do conflito armado, realizou-se o II Recenseamento Geral da População e Habitação do período pós-independência. De acordo com os resultados deste último Recen- seamento, a população de Moçambique para o ano de 1997 era de 16.1 milhões de habitantes (INE, 1997). Este último recenseamento, teve uma cobertura censal de aproximadamente 95 por cento, realizou-se num ambiente político e social de paz, pois teve lugar cerca de três anos depois das primeiras eleições gerais e multipartidárias de 1994. Esta evolução do tamanho da população de Moçambique sugere, por um lado, que a mesma duplicou, em relação a 1950, por volta na década de 80. Actualmente Moçambique ocupa o terceiro lugar entre os países mais populosos da África Austral depois da África do Sul e Tanzânia. Quadro 1.2 População e taxa de crescimento, 1950-2003 Evolução da população total por sexo e taxa de crescimento, Moçambique 1950-2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– População (em milhares) Taxa de ––––––––––––––––––––––––––– cresci- Data Total Homens Mulheres mento ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 1950 6,466 3,131 3,335 na 1955 6,954 3,368 3,585 1.5 1960 7,595 3,683 3,913 1.8 1965 8,407 4,081 4,326 2.0 1970 9,408 4,572 4,836 2.3 1975 10,627 5,171 5,456 2.4 1980 12,130 5,909 6,222 2.7 1991 14,420 6,977 7,443 2.6 1997 16,099 7,714 8,385 1.7 20031 18,514 8,916 9,598 2.4 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– na= Não se aplica 1Instituto Nacional de Estatística. 2004. Actualização das Pojecções da População Total e por Área de Residência. Maputo: Moçambique Quadro 1.1 Indicadores económicos seleccionados para Moçambique ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Indicadores 1996 2002 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Produto Interno Bruto 19,363 82,747 Taxa de crescimento (%) 6.4 8.3 Consumo Privado 11,297 43,019 Taxa de crescimento (%) 2.6 1.0 Consumo Público 2,318 6,335 Taxa de crescimento (%) 0.7 36.6 Formação Bruta de Capital 11,322 10,887 Taxa de crescimento (%) 4.6 10.6 Procura Interna 24,937 60,241 Taxa de crescimento (%) 3.3 14.1 Exportações de Bens e Serviços 5,411 10,581 Taxa de crescimento (%) 18.8 15.2 Procura Global 30,348 70,822 Taxa de crescimento (%) 6.0 8.7 Importações de Bens e Serviços 10,985 16,154 Taxa de crescimento (%) 5.3 10.8 Taxa de Câmbio (MT/US$) 11,140 23,181 Taxa de crescimento (%) 25.3 13.3 Deflator do Consumo Privado (%) 42.8 1.0 Salário Mínimo Mensal (1,000 MT) 244.9 814.6 Taxa de Inflação Acumulada (%) 16.6 9.0 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Fonte: Instituto Nacional de Estatística. 1996. Anuário Estatístico 1996-Moçambique. Maputo: Moçambique | Introdução 6 Por outro lado, entre 1950 e 1980, a taxa de crescimento passou de 1.5 por cento no período 1950-1955, para 1.8 por cento em 1960, 2.3 por cento em 1970, e 2.7 por cento em 1980. Sendo assim, a taxa de crescimento demográfica atingiu na década de 80 o nível mais elevado na história da população moçambicana das últimas cinco décadas e, talvez mesmo, em todo o século XX. O rápido crescimento populacional foi causado pelas elevadas taxas de natalidade numa altura em que a mortalidade começou a diminuir. Durante as décadas de 50 e 60 a taxa de natalidade manteve-se quase constante e a níveis elevados, na ordem dos 49 nascimentos por mil habitantes. Esta taxa sofreu ligeiras alterações ao reduzir sucessivamente para 48 por mil em 1970, 47 em 1980 e 45 por mil em 1990. Em contrapartida, no mesmo período a taxa de mortalidade observou um significativo declínio. Em 1950 registaram-se 32 óbitos em cada mil habitantes, tendo reduzido para 20 em 1990. O maior declínio da mortalidade, principalmente a infantil, registou-se nos primeiros cinco anos da Independência Nacional (1975-1980), como resultado das melhorias das condições de saúde, educação e habitação, entre outras. Porém, o mais surpreendente na evolução da população mais recente não é tanto a aceleração da taxa de crescimento entre 1950 e 1980, visto esta ser previsível desde que a diminuição da mortalidade iniciou sem ser acompanhada por uma redução similar da fecundidade. O que surpreendeu foram os fenómenos dramáticos que se registaram entre 1980 e 1997, os quais certamente contêm a resposta para a compreensão do tamanho da população de Moçambique significativamente abaixo de todas as estimativas e projecções que se fizeram. Tanto o INE como algumas instituições internacionais projectaram que a população moçambicana deveria rondar aos 18 milhões de habitantes à volta do ano de 1997. Mas os resultados do censo mostrou um número abaixo deste, 16 milhões de habitantes; e segundo as actuais projecções feitas pelo INE, a população de Moçambique para o ano de 2003 foi estimada em 18.5 milhões. Composição da população A evolução da estrutura da população pode ser resumida em três grandes grupos de idades: o grupo dos jovens (0-14 anos), o grupo dos potencialmente activos ou adultos (15-64), e o dos idosos (65 anos e mais). A evolução histórica da taxa de natalidade modelou uma estrutura da população bastante jovem, caracterizada por uma base muito larga e um achatamento no topo. O Quadro 1.3 mostra que entre 1950 e 1980 registou-se um aumento proporcional dos jovens. Em 1991 a população menor de 15 anos representava 45.6 por cento, os adultos (15-64 anos) 51.9 por cento e os idosos (acima dos 64 anos) 2.5 por cento. Ou seja, a população de Moçambique tem estado a rejuvenescer na sua base. Do mesmo modo, a proporção do grupo de idosos também tem diminuído ao longo das décadas, outra evidência do seu rejuvenescimento, neste caso no topo da pirâmide etária. Quadro 1.3 Composição da população por idade, 1950-1997 Composição da população total por sexo e grupos seleccionados de idade, Moçambique 1950-1997 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Grupo de idade 1950 1960 1970 1980 1991 1997 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 0-14 40.6 42.6 43.8 44.4 45.7 44.8 15-59 51.4 51.2 51.4 51.3 50.2 50.7 60+ 8.0 6.2 4.8 4.3 4.1 4.6 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Fonte: Direcção Nacional de Estatística/Unidade de População e Planificação. 1993. Relatório Nacional sobre População e Desenvolvimento Maputo: Moçambique Introdução | 7 Esta estrutura populacional, típica de um país menos desenvolvido, tem implicações sócio- económicas, pois a sua população é mais propensa ao consumo do que a produção devido a elevada proporção de dependentes. Segundo a projecções demográficas da população actualizadas com base nos dados do IDS 2003, a razão de dependência demográfica3 para o ano de 2003 é de 88.2 por cento, o que significa que havia 88 pessoas dependentes por cada 100 em idade produtiva. Em outras palavras, esta estrutura pressiona de forma preponderante os sectores chaves do desenvolvimento, principalmente a educação, saúde, emprego e habitação. Distribuição geográfica da população A população do País é predominantemente rural. Em 2003, 69.5 por cento da população total residia nas áreas rurais enquanto que a restante morava nas cidades consideradas urbanas. A capital do País acolhe 21 por cento do total da população urbana, o que demonstra um padrão de distribuição muito heterogéneo. Neste padrão é notável a acentuada concentração da população nas províncias do litoral e uma fraca densidade no interior do País. As Províncias de Zambézia e Nampula que ocupam 1/4 da superfície do território, agrupam quase 38 por cento da população total (Quadro 1.4). A região Norte que ocupa o segundo lugar quanto a extensão territorial com 293,287 km2, apresenta uma baixa densidade demográfica (20.5 hab./km2) do que as restantes regiões. A região Centro é a mais extensa do País com 335,411 km2 apresenta a densidade demográfica intermédia (23.2 hab./km2). Finalmente, a região Sul que ocupa a menor extensão territo- rial com 170,680 km2 apresenta a densidade demográfica mais elevada de todas as regiões (27.7 hab./km2). Actualmente, em consequên- cia da migração rural-urbano e da reclassificação territorial de 1986 que eleva para categoria urbano 23 cidades e 68 vilas, a população urbana do País é 30.5 por cento. Língua e Religião A diversidade linguística de Moçambique constitui uma das suas principais riquezas culturais, o que torna a sua população multilíngue. A língua oficial do País é o Português. De acordo com os resultados do Recenseamento Geral da População e Habitação de 1997, a língua portuguesa é falada por quase 40 por cento da população. Ainda segundo este o censo, 56 por cento da população de Moçambique é monolingue, ou seja, fala apenas uma língua, o português ou um idioma nacional. As línguas mais utilizadas na comunicação diária são as seguintes: Emakhuwa (26.1 por cento), Xichangana (11.3 por cento) Português (8.8 por cento), Elomwe (7.6 por cento) e outras línguas Moçambicanas (44.5 por cento). 3A razão de dependência é calculada pela expressão matemática: 100*(P0-14 + P65+)/P15-64 Quadro 1.4 População por sexo e densidade demográfica Distribuição da população e região por sexo e densidade demográfica, segundo regiões e províncias, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– População (em milhares) Densidade ––––––––––––––––––––––––––––––– demográfica Região/Província Total Homens Mulheres (hab/km2) ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Norte Niassa Cabo Delgado Nampula 6,003 946 1,553 3,504 2,961 464 753 1,744 3,042 482 800 1,760 20.5 7.3 18.8 42.9 Centro Zambézia Tete Manica Sofala 7,786 3,545 1,434 1,243 1,564 3,780 1,726 694 599 761 4,006 1,819 740 644 803 23.2 33.8 14.2 20.2 23.0 Sul Inhambane Gaza Maputo Maputo Cidade Total 4,723 1,320 1,251 990 1,162 18,514 2,174 585 549 469 571 8,916 2,549 735 702 521 591 9,598 27.7 19.2 16.5 38.5 1836.5 23.2 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Fonte: Instituto Nacional de Estatística. 2004. Actualização das Projecções da População Total e por Área de Residência. Maputo, Moçambique | Introdução 8 Mais de um terço do total de crentes do País é católica, 31.9 por cento, os muçulmanos ocupam o segundo lugar, representado 24 por cento; e logo a seguir vem os Ziones posicionado-se em terceiro lugar com 23.6 por cento. No entanto, convém mencionar também que 24 por cento da população do País não professa nenhuma religião ou crença. 1.2 POLÍTICA DE POPULAÇÃO E PROGRAMA DE PLANEAMENTO FAMILIAR Política de População Do ponto de vista demográfico, a população do País vem crescendo a ritmos cada vez mais acelerados, como resultado da manutenção de elevadas taxas da natalidade e da redução gradual da mortalidade. A percepção do Governo sobre esta matéria é que as questões populacionais e as do desenvolvimento sócio-económico estão estreitamente interligadas. Deste modo, o governo de Moçambique reconhecendo a importância da população no processo de desenvolvimento sócio- económico, decretou em Abril de 1999 através da resolução 5/99 o estabelecimento no País da Política da População (Conselho de Ministros, 1999). Esta política visa essencialmente para contribuir na manutenção de equilíbrio entre o crescimento económico e populacional. Ao estabelecer a política da população, o governo reconhece que o desenvolvimento de Moçambique só será possível e sustentável quando este considerar os seres humanos como os primeiros e últimos beneficiários desse desenvolvimento. Isto significa que a população é o elemento fundamental para o desenvolvimento do país, daí que, se considera que para um desenvolvimento sustentável do país, os recursos naturais, económicos, sociais e culturais devem ser utilizados duma forma apropriada e sustentável. Isto quer dizer, que o desenvolvimento sustentável pressupõe o melhoramento da qualidade de vida da população existente, sem no entanto comprometer a satisfação das necessidades das futuras gerações. Neste contexto, a política da população pretende influenciar os determinantes das variáveis demográficas, mortalidade, fecundidade e migração de forma que a sua dinâmica e tendências contribuam para o desenvolvimento harmonioso da economia e do próprio ser humano. Programa Nacional de Planeamento Familiar Em Moçambique, o Planeamento Familiar teve início em 1978, mas só em 1980 se desenvolveu como um programa nacional. Desde o seu início, o programa foi integrado no Programa de Saúde Materno-Infantil do Serviço Nacional de Saúde. A extensão a todos os distritos e à rede de Cuidados de Saúde Primários só foi possível com a introdução do Planeamento Familiar nos currículos de formação das parteiras, técnicos de medicina e médicos. Os seus objectivos foram, desde o início: i) proteger e melhorar a saúde materna, em particular das mulheres com alto risco reprodutivo e, ii) melhorar a saúde das crianças, promovendo um intervalo entre nascimentos sucessivos de, pelo menos, dois anos. Os Serviços de Planeamento Familiar estão sob a responsabilidade do Ministério da Saúde, através do Serviço Nacional de Saúde. Baseiam-se nos seguintes princípios: · Distribuição gratuita de métodos contraceptivos, incluindo a esterilização cirúrgica, sendo da livre escolha do utilizador. Integração dos serviços de Planeamento Familiar nos Serviços de Saúde Materno-Infantil a nível da rede de Cuidados de Saúde Primários existente no País, não estando, portanto, constituído como um programa vertical. As actividades educativas e de divulgação são realizadas com as utilizadoras das Unidades Sanitárias, em particular no atendimento pré-natal e pós-parto. · Aleitamento materno, como método preferido para amamentação do recém-nascido e como um meio indirecto de espaçamento dos nascimentos. Introdução | 9 · Envolvimento da comunidade com a participação de parteiras tradic ionais e agentes polivalentes elementares, a nível das aldeias. · Inclusão de Organizações não-Governamentais na produção, distribuição e divulgação de materiais de Planeamento Familiar. O programa tem como objectivo alcançar a cobertura de 20 por cento das mulheres em idade reprodutiva, priorizando as de elevado risco obstétrico, aumentar a proporção de mulheres com um intervalo maior que dois anos entre os nascimentos e reduzir a gravidez na adolescência. Programas e Prioridades de Saúde Desde a proclamação da Independência Nacional, em 1975, o Governo considerou a Saúde como um bem e condição essencial para o desenvolvimento sustentável, estando actualmente referido na Constituição da República (artigo 94) que todos os cidadãos têm direito à assistência médica e sanitária, nos termos da lei, e o dever de defender e promover a saúde. O Governo constatou que o estado de pobreza da população influencia grandemente no estado de saúde e que, embora se possam estabelecer mecanismos para atenuar a pobreza e melhorar o estado de Saúde da população, a solução da pobreza passa pelo desenvolvimento económico e social, pelo que, em última análise, a Saúde da comunidade resulta de um esforço de desenvolvimento multi-sectorial. Desta forma a Política de Saúde do Governo é a de conjugar os esforços empreendidos por diversos sectores que têm implicações na saúde pública. Assim, a política do Sector de Saúde diz respeito a um conjunto de actividades específicas que complementam as dos restantes sectores. O Governo, na sua política de saúde baseia -se na estratégia de Cuidados de Saúde Primários, de modo a poder prestar assistência à grande maioria da população, em particular os grupos mais vulneráveis, tendo conta a redução das elevadas taxas de mobilidade e mortalidade no País. A expansão e melhoria da qualidade e equidade no acesso aos cuidados de saúde, constitui uma das importantes estratégias globais da luta contra a pobreza das camadas mais vulneráveis da população, cujos objectivos principais são: · promover e prestar cuidados de saúde de boa qualidade e sustentáveis com equidade e eficácia, tornando-os acessíveis à população, nomeadamente aos grupos mais desfavorecidos. · Elevar o acesso e melhorar a qualidade dos cuidados de saúde da mulher. · Melhorar os cuidados de saúde infantil e infanto-juvenil. · Prevenir as principais endemias que afectam as crianças através de vacinações. · Melhorar a saúde e os conhecimentos sanitários dos jovens e adolescentes, através de saúde escolar. · Prevenir a infecção pelo HIV. · Atender os indivíduos vivendo com HIV/SIDA. · Reduzir o impacto do SIDA. · Reduzir a prevalência e incidência em falta de micronutrientes (Iodo, Vitamina A, Ferro) nas crianças e mulheres em idade fértil. · Diminuir a desnutrição protético-energétia. Para atingir os seus objectivos o Sector de Saúde previu a existência de um Sistema de Saúde subdividido em três sectores que se complementam: i) Sector público, o Serviço Nacional de Saúde, organizado por níveis de atenção de saúde, dispensando cuidados integrados de saúde; ii) Sector privado, podendo tratar-se de instituições com fins lucrativos ou não-lucrativos; iii) Sector comunitário que se pretende auto-sustentável, envolvendo as parteiras tradicionais e agentes polivalentes elementares, compreendendo os Postos de Saúde das aldeias. | Introdução 10 As principais metas do Componente: Expansão de acesso e melhoria dos cuidados de saúde materno-infantil e infanto-juvenil são: · Aumentar a cobertura e o acesso aos serviços básicos de saúde de boa qualidade, particularmente nas zonas rurais. · Reduzir a taxa de Mortalidade Materna Intra-hospitalar para menos de 100 por 100 000 nados vivos. · Cobrir cerca de 90 por cento das mulheres na consulta pré-natal, com identificação eficaz de casos de Alto Risco Obstétrico. · Aumentar actual cobertura de partos institucionais para 50 por cento. · Aumentar actual cobertura de consulta pós-parto para 50 por cento. · Aumentar a cobertura de mulheres protegidas com planeamento familiar para 12 por cento. · Reduzir a taxa de Mortalidade Infanto-Juvenil (menores de cinco anos) para menos de 200 por 1000 nados vivos. · Manter a cobertura de primeiras consultas de crianças entre 0-11 meses em 98 por cento (ou seja manter a cobertura de 1997). · Aumentar a cobertura de primeiras consultas de crianças entre 0-4 anos de 46 por cento para 60 por cento. · Assegurar que pelo menos 75 por cento das crianças nascidas nos próximos 10 anos tenham vacinação completa antes do primeiro ano (com 8 antigénios) especialmente nas zonas rurais. · Manter a cobertura nacional de 98 por cento na vacinação de crianças menores de 1 ano contra a Tuberculose. · Atingir a cobertura nacional de 98 por cento na vacinação de crianças de 0-23 meses contra a Pólio e DTP. · Atingir a cobertura nacional de 95 por cento na vacinação de crianças de 9-23 meses contra o Sarampo. · Tingir a cobertura de 60 por cento na vacinação de mulheres em idade fértil contra Tétano. · Criar serviços de saúde adequados às necessidades em saúde reprodutiva do adolescente. · Formar pessoal para trabalhar com adolescente no Planeamento Familiar, tratamento das complicações do aborto, prevenção e tratamento de HIV/SIDA. · Realizar acções preventivas essenciais de boa qualidade para 2.310.000 pessoas que reconhecem ter tido relações sexuais com parceiros irregulares. · Expandir a cobertura dos grupos mais vulneráveis: assegurar educação pelos pares para 1.250.000 pessoas vulneráveis. · Realizar campanhas de Educação, Informação e Comunicação sobre DTS/HIV/SIDA, inclusive representações teatrais para 3.900.000 pessoas. · Aumentar a disponibilidade de preservativos em locais frequentados por grupos de alto risco, · Criar 6 Gabinetes para Aconselhamento e Teste Voluntário e Confidencial nas cidades de Maputo, Chimoio, Beira, Nampula, Tete e Quelimane. · Providenciar acesso a cuidados essenciais de saúde: 30.000 cuidados clínicos e 9.500 cuidados domiciliares para pessoas vivendo com HIV/SIDA, assim como para as suas famílias, · Criar 8 unidades para hospitalização de dia em Maputo, Beira, Chimoio, Nampula, Quelimane e Tete. · Assegurar apoio psíquico-médico-social em todos os centros de saúde das capitais distritais nos corredores do Sul, Centro e Norte. · Garantir o acesso aos testes voluntários e confidenciais para 32,000 pessoas vivendo com o HIV, · Garantir a distribuição de 4,500,000 preservativos para pessoas vivendo com HIV. · Garantir o acesso ao crédito para actividades geradoras de rendimentos para 13.500 pessoas vivendo com HIV/SIDA, ou pertencendo a sua família, por ano. · Distribuir cápsulas de Vitamina A para todas as crianças de 6-59 meses que frequentam as consultas. Introdução | 11 · Aumentar o consumo dos alimentos ricos em Vitamina A. · Investigar a viabilidade e fortificação de açúcar com Vitamina A. · Continuação de distribuição de cápsulas para o grupo alvo (crianças de idade escolar e mulheres nos distritos afectados). · Promover a disponibilidade e o consumo do sal Iodado. · Investigar as possibilidades de fortificação de alimentos com ferro. · Diminuir as taxas de crescimento insuficiente, baixo peso ao nascer e melhorar a educação nutricional nas Unidades sanitárias e nas comunidades. · Aumentar a cobertura e melhorar o tratamento de crianças com desnutrição grave. 1.3 ASPECTOS METODOLÓGICOS E ORGANIZAÇÃO DO INQUÉRITO Questionários Para a recolha de dados, adoptou-se metodologia de entrevistas aos agregados familiares, aplicando-se três tipos de questionários: · Questionário de Agregados Familiares · Questionário de Mulheres · Questionário de Homens. Os questionários tiveram como base o modelo utilizado pelos Inquéritos Demográficos e de Saúde na quarta fase. Para além disso, foram contextualizados e acrescidos questões específicas para satisfazer as necessidades do País. É de referir que estes instrumentos foram devidamente pré-testados em Maputo Cidade e nas áreas rurais circunvizinhas em Junho de 2003. Desenho da Amostra A amostra foi desenhada para ser representativa a nível nacional, provincial e por área de residência, urbano-rural, abrangendo somente a população residente em agregados familiares. Foi excluída da amostra a população que residia em instituições residenciais colectivas, como hotéis, hospitais, quartéis militares, etc. e os sem casa/habitação. Tendo em conta a necessidade de obter indicadores de níveis de fecundidade, mortalidade infanto-juvenil, a prevalência de uso de contraceptivos, etc. Nos domínios acima mencionados, estimou-se que o tamanho da amostra devia permitir obter 11,200 entrevistas completas de mulheres de 15 a 49 anos e em um terço de agregados familiares seleccionados foram também entrevistados os homens de 15 a 64 anos. O IDS03 foi uma sub amostra do Inquérito aos Agregados Familiares (IAF) realizado pelo INE entre 2002/03. O IAF era constituído por 858 UPA´s (Unidades Primárias de Amostragem) elaboradas a partir dos resultados do censo populacional de 1997. Por seu turno, o IDS 2003 era composto por um total de 604 UPA’s (229 em áreas urbanas e 375 em áreas rurais) e com 52 UPA´s por província, com a excepção das Províncias de Nampula e Zambézia com 68 UPA´s e AE´s, devido ao peso das suas populações no total do País. Nas AEs abrangidas, procedeu-se a uma actualização dos agregados familiares através da listagem. A partir desta lista foram seleccionados os 24 agregados familiares a inquirir por UPA. O Apêndice A é dedicado à descrição detalhada do desenho da amostra, incluindo a alocação da amostra por domínio e procedimentos para a selecção em cada estágio. | Introdução 12 Treinamento do Pessoal do Inquérito A fim de assegurar a uniformidade da formação e dos procedimentos de trabalho de campo, todo o pessoal de campo foi formado ao mesmo tempo por técnicos do INE e da ORC Macro. As equipas receberam treinamento teórico-prático durante três semanas e meia, através de aulas expositoras, dinâmica de grupo, dramatização, exercícios e prática de campo. O curso decorreu de 28 de Julho a 23 de Agosto de 2003, onde participaram 80 mulheres e 40 homens. Dada a diversidade étnica e linguística de Moçambique, todos os participantes eram originários das províncias onde deveriam trabalhar e falavam correctamente os idiomas predominantes nessas zonas. Recolha de Dados A actividade de recolha de dados teve início em Agosto de 2003, tendo terminado em Dezembro de 2004. Em cada província, o trabalho de campo foi realizado por uma equipa que era constituída por 8 pessoas: uma controladora, um supervisor, quatro inquiridoras e um inquiridor, além do motorista. Processamento de Dados A entrada de dados começou em Setembro de 2003, três semanas após o início da recolha, tendo terminado em Fevereiro de 2004. As actividades de processamento do inquérito envolveram processos manuais e automáticos: recepção e verificação dos questionários, crítica (revisão e codificação), digitação, edição e análise de inconsistências. Este trabalho envolveu um responsável pelo processamento, um programador, cinco supervisores, cinco críticos de dados e trinta digitadores. Para a entrada de dados usou-se o software interactivo CSPRO (Census and Survey Processing System), para micro-computadores, programa desenhado especialmente para agilizar a digitação dos dados, crítica, obtenção de frequências e tabulações. CSPRO é a combinação de interfaces de IMPS e ISSA no ambiente Windows. Este programa permite verificar interactivamente os intervalos das variáveis, detectar inconsistências e controlar o fluxo interno dos dados durante a digitação dos questionários. Supervisão e Controle de Qualidade O trabalho de campo contou com estreita supervisão e controle de qualidade por parte dos técnicos centrais e provinciais, tanto do INE como do MISAU e do Consultor Residente da Macro. Além disso, durante a recolha de dados foi estabelecido um rigoroso controle a nível de cada equipa sobre o processo de recolha, mediante a detecção de erros por parte da crítica de campo, o que permitiu a correcção imediata ainda no terreno. A nível da coordenação central, os críticos de dados fizeram revisão adicional dos questionários e os problemas encontrados eram comunicados às respectivas equipas. O processamento interactivo e por lotes de informação através do programa CSPro permitiu, ainda, a nível central, a obtenção periódica de resultados parciais, para análise dos dados recolhidos até dado momento, mediante a produção de quadros para acompanhamento e controle de qualidade. Os resultados dessas tabulações foram reportados em retro alimentação às inquiridoras, assegurando a qualidade dos dados. 1.4 TAXAS DE RESPOSTA O número de agregados familiares seleccionados, ocupados e entrevistados, assim como o número de pessoas elegíveis que responderam à entrevista (mulheres e homens) e a taxa de respostas do país inteiro (11 províncias) são ilustrados no Quadro 1.5. Resultados detalhados por razões da falta de resposta são incluídos no Quadro A.2 no Apêndice A. Introdução | 13 Dos 12,315 agregados entrevistados no inquérito foi identificado um total de 13,657 mulheres elegíveis. Foram feitas entrevistas a 12,418 destas mulheres, significando que a taxa de resposta foi de 91 por cento. Dos 3,599 homens elegíveis identificados na sub-amostra de casas seleccionadas para o inquérito masculino, foram entrevistados 2,900 com sucesso, dando uma taxa de respostas de 81 por cento. As taxas de resposta são mais baixas para a amostra urbana do que a rural, especialmente para homens (75 por cento). A razão principal de não resposta entre homens e mulheres elegíveis foi a de não se ter encontrado os indivíduos em casa, apesar de ter se visitado várias vezes a mesma casa. A baixa taxa de resposta nos homens reflecte as ausências mais frequentes e mais longas de homens em casa, principalmente relacionadas ao emprego e estilo de vida. Quadro 1.5 Taxas de resposta para o inquérito dos agregados familiares e inquérito das mulheres e de homens Número de agregados familiares, número de mulheres e homens elegíveis e entrevistados, e taxas de resposta por área de residência e província, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Agregados familares Muheres Homens –––––––––––––––––––––––––––––––––– –––––––––––––––––––––––– ––––––––––––––––––––––––– Número de Número Número agregados Agre- Agregados Taxa de Mulheres Taxa de Homens Taxa Residência seleccio - gados entre- de mulheres entrevis- de homens entre- de e província nados ocupados vistados resposta elegíveis tadas resposta elegíveis vistados resposta ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Residência Rural 8,983 8,435 7,719 96.4 7,525 7,038 93.5 1,851 1,585 85.6 Urbana 5,492 5,232 4,596 92.3 6,132 5,380 87.7 1,748 1,315 75.2 Província Niassa 1,248 1,154 994 92.5 888 819 92.2 252 192 76.2 Cabo Delgado 1,241 1,182 1,083 96.3 963 899 93.4 288 254 88.2 Nampula 1,632 1,524 1,355 93.8 1,292 1,217 94.2 444 378 85.1 Zambézia 1,632 1,565 1,370 92.9 1,210 1,135 93.8 353 281 79.6 Tete 1,248 1,191 1,137 99.0 1,154 1,115 96.6 291 251 86.3 Manica 1,248 1,173 1,016 92.4 1,238 1,094 88.4 362 270 74.6 Sofala 1,240 1,140 1,083 97.7 1,303 1,220 93.6 363 322 88.7 Inhambane 1,248 1,182 1,114 98.6 1,199 1,125 93.8 216 176 81.5 Gaza 1,242 1,181 1,112 98.5 1,324 1,273 96.1 238 215 90.3 Maputo 1,248 1,179 1,015 90.9 1,340 1,125 84.0 281 182 64.8 Maputo Cidade 1,248 1,196 1,036 91.3 1,746 1,396 80.0 511 379 74.2 Total 14,475 13,667 12,315 94.8 13,657 12,418 90.9 3,599 2,900 80.6 | Introdução 14 Características da População e dos Agregados Familiares | 15 CARACTERÍSTICAS DA POPULAÇÃO E DOS AGREGADOS FAMILIARES 2 O IDS 2003 recolheu a informação sobre as características demográficas e sócio-económicas mais importantes de cada um dos residentes habituais nos agregados familiares seleccionados, assim como dos visitantes que aí passaram à noite anterior à entrevista. Através do questionário de agregado familiar, foram registadas as seguintes informações: relação de parentesco com o chefe do agregado familiar, condição de residência, sexo, idade, grau de escolaridade, sobrevivência dos parentes, posse de bens duráveis, entre outras. O comportamento demográfico das mulheres e dos homens tem sido geralmente influenciado por diversos factores sociais, culturais e económicos. Por isso, a descrição das características sócio-culturais e económicas da população entrevistada é importante, por um lado, porque permite contextualizar os dados apresentados nos capítulos que constituem este relatório. Por outro lado, a análise das características dos agregados entrevistados permite avaliar o nível de representatividade da amostra, bem como a qualidade dos dados recolhidos. Neste capítulo, apresentam-se as características da população entrevistada, assim como dos seus respectivos agregados familiares. O capítulo está dividido em duas partes. A primeira parte dedica-se às características da habitação e ambiente em que vivem os entrevistados. A segunda parte descreve as características gerais da população em termos da sua composição por idades, sexo, residência, tamanho dos agregados, relações de parentesco, adopção, e nível educacional das mulheres e homens entrevistados. 2.1 CARACTERÍSTICAS DA HABITAÇÃO O IDS 2003 recolheu informações sobre as condições físicas de habitação onde residem os agregados familiares com o objectivo de conhecer as condições sócio-económicas em que vivem os entrevistados. O acesso à electricidade, o tipo de abastecimento de água, o tempo que as pessoas levam para ir tirar a água e voltar, as instalações sanitárias, tipo do pavimento e o número de pessoas por quarto ou divisão uilizada para dormir. Estes indicadores são importantes para as condições de saúde e bem estar dos membros de agregados familiares, particularmente para as crianças. A seriedade da maioria das doenças que ocorrem nas crianças, tal como diarreia pode ser reduzida através da higiene e pelo uso de práticas e meios sanitários apropriados. O Quadro 2.1 apresenta as principais características das habitações, segundo área de residência e província . Os Gráficos 2.1 e 2.2 resumem o acesso a serviços básicos: electricidade e facilidades sanitárias (Gráfico 2.1) e água potável (Gráfico 2.2). · Um quarto dos agregados familiares nas áreas urbanas tem energia eléctrica comparado a apenas 1 por cento nas áreas rurais. Em todas as províncias, com excepção de duas (Maputo Cidade e Maputo Província), apenas 2 a 8 por cento de agregados familiares tem energia eléctrica. A Cidade de Maputo tem mais de 52 por cento por cento de agregados familiares que utilizam a energia eléctrica, seguida pela a Província de Maputo com 21 por cento de agregados familiares com a energia eléctrica. · As três principais fontes de água em Moçambique são: poços públicos sem cobertura (41 por cento), poços públicos cobertos (15 por cento), e rios e lagos/lagoas (16 por cento). Quatro a seis em cada dez famílias, nas Províncias de Niassa, Cabo Delgado, Nampula, Zambézia e Inhambane, | Características da População e dos Agregados Familiares 16 obtêm água dos poços públicos sem cobertura. A água canalizada é mais comum em Maputo Cidade e Maputo Província. · Para além da fraca disponibilidade de água potável em muitas das províncias, em todas, exceptuando três (Maputo Cidade, Maputo Província e Sofala), a proporção de agregados com fontes de água a menos de 15 minutos oscila entre os 19 e 38 por cento. · Mais de metade de agregados familiares em Moçambique não tem algum tipo de infra-estrutura sanitária (51 por cento). Nas áreas rurais e nas Províncias de Nampula, Zambézia e Sofala, entre 64 a 82 por cento de agregados familiares não tem nenhuma infra-estrutura sanitária. · A maioria de habitações em Moçambique apresentam o piso feito de terra batida. Porém, mais de metade de agregados urbanos, e a maioria de agregados em Maputo Província (69 por cento) e Maputo Cidade (78 por cento) tem o chão das casas cimentado. Quadro 2.1 Características das habitações Distribuição percentual dos agregados familiares por principais características das habitações, segundo área de residência e província, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Residência Província ––––––––––––– ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Cabo Nam- Zam- Inham- Maputo Característica Rural Urbana Niassa Delgado pula bézia Tete Manica Sofala bane Gaza Maputo Cidade Total ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Electricidade 1.1 25.0 3.0 1.5 5.1 2.9 4.9 5.1 6.8 6.2 8.2 21.4 52.1 8.1 Fonte de água para beber Dentro de casa 0.3 17.3 1.1 1.2 0.4 0.8 3.4 1.9 6.9 3.1 2.3 23.8 39.8 5.3 Dentro da casa do vizinho 0.4 22.4 1.2 1.7 6.3 1.3 2.0 3.2 14.9 5.6 5.4 23.6 28.4 6.8 Fonte pública 4.4 19.4 4.7 10.8 10.5 7.3 3.8 13.2 8.4 2.7 3.6 8.1 26.8 8.8 Em terreno próprio 1.6 3.2 2.1 1.7 1.0 2.5 0.3 6.5 1.4 3.0 1.3 4.4 0.8 2.1 Terreno do vizinho 2.0 6.7 4.3 3.2 2.8 1.9 0.4 10.7 2.1 2.5 3.8 8.5 2.2 3.3 Poço público aberto 51.6 15.9 39.7 44.9 59.1 57.6 31.1 18.5 29.8 48.1 31.1 8.7 0.1 41.1 Poço público coberto 17.5 9.4 15.2 24.3 5.2 6.9 29.8 23.9 19.5 20.7 35.5 13.2 0.7 15.1 Rio/Lago/Lagoa 20.5 3.8 26.5 8.3 14.7 21.4 27.7 21.6 16.0 8.0 13.8 7.3 0.0 15.6 Água da chuva 0.7 0.3 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.1 5.7 1.6 0.0 0.0 0.6 Outra 1.1 1.5 5.0 3.6 0.0 0.2 1.5 0.5 0.8 0.6 1.6 2.2 1.1 1.2 Sem informação 0.1 0.0 0.1 0.3 0.0 0.1 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.1 Total 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 Tempo gasto até à fonte de água Percentagem <15 minutos 25.0 61.6 35.1 27.9 33.3 27.2 19.0 37.9 47.3 30.7 22.8 59.4 91.9 35.7 Tempo médio até à fonte 29.1 9.3 19.4 29.1 19.6 29.2 29.2 19.1 14.4 29.1 29.4 9.3 4.1 19.6 Tipo de infra-estrutura sanitária Nenhuma 63.0 21.6 24.8 41.9 63.7 82.1 46.6 51.7 70.1 39.2 36.3 11.3 0.5 50.9 Retrete com autoclismo 0.2 7.5 0.3 0.1 0.6 0.5 2.2 0.9 3.8 0.4 0.5 7.1 21.1 2.3 Latrina 36.0 65.5 70.8 55.8 35.0 17.1 50.8 45.1 24.6 60.0 62.9 74.9 64.2 44.6 Retrete sem autoclismo 0.1 4.5 0.5 0.0 0.2 0.3 0.2 0.6 1.1 0.1 0.1 6.0 13.4 1.4 Outro 0.7 0.9 3.2 2.1 0.5 0.0 0.1 1.7 0.5 0.3 0.2 0.7 0.8 0.7 Sem informação 0.0 0.0 0.3 0.1 0.0 0.0 0.1 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 Total 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 Tipo de material do piso Terra batida 90.2 41.0 96.2 92.4 77.9 96.2 92.2 85.9 70.1 69.2 57.4 23.6 5.1 75.8 Madeira simples 0.0 0.1 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.5 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 Adobe 3.1 2.4 0.0 0.7 11.2 0.9 0.0 0.2 1.5 0.3 0.0 3.1 0.0 2.9 Parquete 0.0 3.4 0.0 0.0 0.0 0.1 0.1 0.3 2.0 0.0 0.0 2.8 12.9 1.0 Bloco 0.1 0.9 0.0 0.1 0.0 0.0 0.0 0.2 0.0 0.2 0.2 1.2 3.7 0.3 Cimento 6.6 52.2 3.7 6.7 10.9 2.7 7.6 12.9 25.9 30.3 42.4 69.2 78.3 20.0 Outro 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.1 0.1 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 Total 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 Número de agregados 8,710 3,605 642 1,248 2,524 2,270 1,054 691 769 1,056 606 814 642 12,315 Características da População e dos Agregados Familiares | 17 Gráfico 2.2 Agregados com Água a uma Distância de 15 Minutos, e Agregados com Poços Sem Cobertura, por Área de Residência e Província 9 31 48 30 19 31 58 59 45 40 16 52 41 92 59 23 31 47 38 19 27 33 28 35 62 25 36 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Maputo Cidade Maputo Gaza Inhambane Sofala Manica Tete Zambézia Nampula Cabo Delgado Niassa PROVÍNCIA Urbana Rural RESIDÊNCIA Total Percentagem de agregados Água < 15 minutos Poços Sem Cobertura Gráfico 2.2 Agregados com Água a uma Distância de 15 Minutos, e Agregados com Poços Sem Cobertura, por Área de Residência e Província 9 31 48 30 19 31 58 59 45 40 16 52 41 92 59 23 31 47 38 19 27 33 28 35 62 25 36 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Maputo Cidade Maputo Gaza Inhambane Sofala Manica Tete Zambézia Nampula Cabo Delgado Niassa PROVÍNCIA Urbana Rural RESIDÊNCIA Total Percentagem de agregados Água < 15 minutos Poços Sem Cobertura Gráfico 2.1 Agregados sem Nenhuma Facilidade Sanitária e Agregados com Electricidade, por Área de Residência e Província 52 21 8 6 7 5 5 3 5 2 3 25 1 8 1 11 36 39 70 52 47 82 64 42 25 22 63 51 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Maputo Cidade Maputo Gaza Inhambane Sofala Manica Tete Zambézia Nampula Cabo Delgado Niassa PROVÍNCIA Urbana Rural RESIDÊNCIA Total Percentagem de agregados Nenhuma facilidade sanitária Electricidade Gráfico 2.1 Agregados sem Nenhuma Facilidade Sanitária e Agregados com Electricidade, por Área de Residência e Província 52 21 8 6 7 5 5 3 5 2 3 25 1 8 1 11 36 39 70 52 47 82 64 42 25 22 63 51 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Maputo Cidade Maputo Gaza Inhambane Sofala Manica Tete Zambézia Nampula Cabo Delgado Niassa PROVÍNCIA Urbana Rural RESIDÊNCIA Total Percentagem de agregados Nenhuma facilidade sanitária Electricidade | Características da População e dos Agregados Familiares 18 Bens de Consumo Duráveis Além dos serviços básicos analisados anteriormente, como indicadores de bem estar da população, o IDS 2003 recolheu também informação adicional sobre bens de consumo duráveis existentes nos agregados familiares. A disponibilidade de bens de consumo duráveis é um indicador que pode indicar o nível sócio-económico de agregados familiares, e cada tipo de bem tem o seu benefício particular. A existência de alguns bens duráveis, indica também o acesso aos meios de comunicação de massa (TV, rádio) e a exposição às inovações tecnológicas (veja os Quadros 2.8.1 e 2.8.2). No IDS 2003 foi recolhida a informação sobre a posse de geleiras ou congeladores, para avaliar a conservação dos alimentos, e a informação sobre os meios de transporte (bicicleta, mota, carro) como um indicador de acesso aos serviços que ficam distantes do local de residência. Também foi recolhida a informação sobre a disponibilidades de outros itens incluídos no inquérito. O Quadro 2.2 apresenta a disponibilidade de bens de consumo duráveis por área de residência e província. · O rádio é o bem de consumo durável mais predominante nos agregados familiares do País (53 por cento), seguindo-se a bicicleta com 33 por cento. Por outro lado, os dados mostram que 37 por cento de agregados familiares em Moçambique não possuem nenhum bem durável e as percentagens mais elevadas se encontram nas áreas rurais, Províncias de Inhambane, Gaza e Cabo Delgado. O Índice de Riqueza Para além das características padrão, muitos dos resultados neste relatório são apresentados por quintís de riqueza, um indicador de estatuto económico dos agregados familiares. Este é índice de riqueza desenvolvido recentemente e que foi testado em vários países na análise das desigualdades de rendimentos entre os agregados familiares, uso de serviços de saúde, e de condições de saúde. É um indicador do nível da riqueza que é consistente com as medidas de despesas e rendimentos (Rutstein e Johnson, 2004).4 4Para uma descrição detalhada de procedimentos e limitações, bem como os resultados de uma analise extensiva de IDS 1997, ver D. R. Gwatkin, S. Rutstein, K. Johnson, R. P. Pande and A. Wagstaff. Socio-Economic Differences in Health, Nutrition and Population in Moçambique. The World Bank, May 2000. Quadro 2.2 Bens duráveis do agregado familiar Percentagem de agregados familiares que possuem bens de consumo duráveis, por área de residência e província, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Residência Província ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Cabo Nam- Zam- Inham- Maputo Ben durável Rural Urbana Niassa Delgado pula bézia Tete Manica Sofala bane Gaza Maputo Cidade Total ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Rádio 47.3 67.3 49.6 43.4 55.4 41.9 55.4 68.5 66.9 45.2 47.7 60.5 78.9 53.2 Televisão 0.7 27.6 2.3 1.3 4.7 1.6 3.6 5.4 9.5 6.9 4.7 28.2 61.3 8.6 Telefone 0.1 5.5 0.3 0.1 0.6 0.3 0.9 1.1 1.7 1.3 0.7 3.7 15.5 1.6 Geleira 0.4 19.3 0.6 0.7 3.0 1.1 3.5 3.2 6.2 3.8 5.2 17.1 46.1 5.9 Bicicleta 37.0 22.1 53.5 31.6 31.6 44.2 43.7 45.0 39.4 14.4 17.9 10.8 8.2 32.6 Motorizada 0.5 2.4 0.7 0.7 1.2 0.6 1.0 0.9 0.7 1.0 3.0 1.6 1.8 1.1 Carro pessoal 0.5 6.0 0.7 0.2 0.5 0.3 1.2 2.1 1.5 1.9 4.0 4.4 18.5 2.1 Nenhum 41.7 26.2 32.2 45.3 36.8 43.6 33.3 24.1 24.5 50.4 45.5 34.0 14.8 37.1 Número de agregados familiares 8,710 3,605 642 1,248 2,524 2,270 1,054 691 769 1,056 606 814 642 12,315 Características da População e dos Agregados Familiares | 19 O índice de riqueza foi construído usando os dados dos activos dos agregados e a técnica de análise de “componentes principais”. A informação sobre os activos foi recolhida no IDS junto dos Agregados Familiares e abrange informações sobre a posse de vários bens duráveis pelos agregados familiares, desde o televisor, a bicicleta, carro, bem como as características das habitações, tais como electricidade, fontes de água potável, tipos de infra-estruturas sanitárias, e tipos do material usado no chão das casas (ver a Secção 2.2 a seguir). Foi atribuído um peso (factor de pontuação) a cada um dos activos, gerado através da análise de componentes principais, e as pontuações resultantes dos activos foram padronizadas, assumindo-se uma distribuição normal com média zero e desvio padrão de um (Gwatkin et al., 2000). Seguidamente, foi atribuído a cada família um peso para cada activo, e a pontuação foi somada para cada agregado familiar; os individuais foram posicionados de acordo com a pontuação total do agregado familiar onde residem. O número total de pessoas nos agregado familiar incluídos na amostra (57,127 pessoas, Quadro 2.4 abaixo) foi depois dividido em quintís de riqueza de um (mais baixo) a 5 (mais alto). O Quadro 2.3 mostram a distribuição percentual dos agregados familiares por quintís de riqueza, segundo áreas de residência e províncias. A distribuição dos agregados em quintís não produz exactamente os 20 por cento em cada um deles porque as pessoas, nos agregados, foram divididos em quintís. A distribuição da população de facto de 6 ou mais anos de idade dentro dos agregados familiares em quintís de riqueza é representada nos Quadros 2.6.1 e 2.6.2 abaixo. · Como era de esperar, oito em cada dez agregados nas áreas urbanas comparados com apenas um em cada seis agregados das áreas rurais estão nos dois quintís mais altos do índice de riqueza. · Os agregados familiares nas Províncias de Zambézia e Tete tem menor probabilidade de estarem nos dois quintís de maior riqueza (quarto e mais alto), enquanto que os agregados da Província de Maputo e Cidade de Maputo têm maior probabilidade de se posicionarem nesses quintís. 2.2 CARACTERÍSTICAS GERAIS DA POPULAÇÃO DOS AGREGADOS População por Área de Residência, segundo Idade e Sexo Os dados de membros dos agregados familiares e dos indivíduos entrevistados, tanto mulheres como homens, referem-se à população de facto. Isto é, aos residentes habituais e visitantes que passaram à noite anterior à data da entrevista na unidade de habitação seleccionada. O agregado familiar foi definido como sendo uma pessoa ou grupo de pessoas que vivem juntas e que partilham a mesma fonte de alimentação. Quadro 2.3 Distribuicão dos agregados familiares de acordo com o índice de riqueza Distribuição percentual dos agregados familiares por quintís de riqueza, segundo área de residência e província, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Residência Província ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Cabo Nam- Zam- Inham- Maputo Quintil de riqueza Rural Urbana Niassa Delgado pula bézia Tete Manica Sofala bane Gaza Maputo Cidade Total ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Mais baixo 26.8 3.6 13.7 11.3 24.1 40.6 16.8 20.6 23.5 11.4 11.9 1.7 0.0 20.0 Segundo 30.0 7.4 18.7 26.8 26.6 32.6 27.0 22.5 24.3 23.4 16.5 4.5 0.1 23.4 Médio 25.8 9.8 39.9 32.2 23.2 16.5 35.8 19.3 10.4 20.8 18.9 7.1 0.4 21.1 Quarto 15.9 29.5 24.1 25.5 16.2 7.2 14.9 26.1 17.1 34.8 41.1 33.6 7.0 19.9 Mais elevado 1.5 49.6 3.5 4.2 9.9 3.1 5.5 11.5 24.7 9.6 11.6 53.0 92.5 15.6 Total 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 Número de agregados 8,710 3,605 642 1,248 2,524 2,270 1,054 691 769 1,056 606 814 642 12,315 | Características da População e dos Agregados Familiares 20 No Quadro 2.4 apresenta-se a distribuição da população por idade, sexo e área de residência a partir das informações obtidas de 57,147 pessoas entrevistadas nos agregados familiares e no Gráfico 2.3 apresenta-se a pirâmide da população total. A estrutura etária da população mostra a história passada da população e também as suas tendências futuras. É também um instrumento para testar a qualidade dos dados recolhidos em relação à idade reportada. Num país com elevada taxa de fecundidade, a estrutura etária mostra uma larga percentagem no primeiro grupo de idade (<5 anos) de ambos os sexos. As percentagens declinam progressivamente com o aumento da idade. Normalmente, o número de homens é superior ao das mulheres nos primeiros agrupamentos de 5 anos de idade e um padrão inverso é observado nas idades mais avançadas. · No IDS 2003, um terço da população dos agregados familiares era rural e dois terços urbana. No total, a população dos agregados familiares é 48 por cento masculina e 52 por cento feminina. Nas áreas rurais e urbanas há também mais mulheres que homens. · Quase a metade (48 por cento) da população é constituída por crianças com menos de 15 anos. 46 por cento da população feminina e metade da população masculina são crianças com menos de 15 anos. Há também mais população feminina no grupo de idade dos 20-24 anos uma vez que há relativamente poucos homens. Gráfico 2.3 Pirâmide da População 10 8 6 4 2 0 2 4 6 8 10 0-4 5-9 10-14 15-19 20-24 25-29 30-34 35-39 40-44 45-49 50-54 55-59 60-64 65-69 70-74 75-79 80+ Percentagem Homens Mulheres Gráfico 2.3 Pirâmide da População 10 8 6 4 2 0 2 4 6 8 10 0-4 5-9 10-14 15-19 20-24 25-29 30-34 35-39 40-44 45-49 50-54 55-59 60-64 65-69 70-74 75-79 80+ Percentagem Homens Mulheres Características da População e dos Agregados Familiares | 21 Composição dos Agregados Familiares Os tipos de organização familiar em que vivem os indivíduos duma certa sociedade, assim como as implicações que daí advêm, podem ser analisados considerando a composição dos agregados familiares. Por exemplo, a distribuição dos recursos financeiros disponíveis para os seus membros, a estrutura das despesas, a propensão à poupança, entre outros aspectos, estão intrinsecamente relacionados com a composição dos agregados familiares. O tamanho do agregado familiar e o sexo do seu chefe, por exemplo, estão fortemente associados com os níveis de bem estar. Nos casos em que as mulheres são chefes de família, verifica-se normalmente que os recursos financeiros são limitados. Igualmente, o tamanho do agregado afecta o bem estar dos seus membros. Onde o tamanho do agregado é grande, o congestionamento pode levar a problemas de saúde. Para fins deste inquérito, definiu-se por agregado familiar como um conjunto de pessoas que vivem e comem habitualmente em comum, independentemente de estarem ou não ligadas por laços de parentesco. Por chefe de agregado familiar entendeu-se como sendo a pessoa que, dentro do mesmo, toma as decisões principais e reconhecido como tal pelos outros membros. Neste inquérito, o questionário de agregado familiar estava desenhado para ser respondido pelo chefe de agregado familiar. O Quadro 2.5 apresenta a distribuição percentual dos agregados familiares de acordo com o sexo do chefe e respectivos tamanhos, por área de residência e província. A percentagem de agregados chefiados por mulheres é apresentada no Gráfico 2.4 por área de residência e província. · Cerca de 26 por cento de agregados familiares em Moçambique são chefiados por mulheres. As percentagens de agregados chefiados por mulheres são mais elevadas nas Províncias de Gaza e Inhambane, onde as médias são quase duas vezes da média total do País (54 e 46 por cento, respectivamente). · O tamanho de agregado familiar é quase de 5 pessoas por agregado e é mais elevado nas áreas urbanas (5.6) que rurais (4.5). A Cidade de Maputo apresenta o tamanho de agregado familiar mais alto do País (6.4) seguido da Província de Manica com 6.1 membros por agregado. Quadro 2.4 População dos domicílios, por idade, residência e sexo Distribuição percentual da população de facto dos domicílios, segundo a residência e sexo, por grupos de idade, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Residência rural Residência urbana Total ––––––––––––––––––––––– –––––––––––––––––––––– ––––––––––––––––––––––– Idade Mascu- Femi- Mascu- Femi Mascu- Femi em anos lino nino Total lino nino Total lino nino Total ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– <5 19.5 17.6 18.5 14.7 15.5 15.1 17.8 16.9 17.4 5-9 18.4 16.8 17.6 14.6 14.4 14.5 17.1 16.0 16.5 10-14 14.9 12.4 13.6 13.9 13.7 13.8 14.6 12.8 13.7 15-19 8.8 7.1 7.9 14.9 12.1 13.4 10.8 8.8 9.8 20-24 5.4 8.0 6.7 10.3 9.8 10.1 7.0 8.6 7.8 25-29 5.8 7.9 6.9 6.9 7.5 7.2 6.2 7.7 7.0 30-34 5.3 6.2 5.7 4.8 5.9 5.4 5.1 6.1 5.6 35-39 4.2 4.7 4.5 4.4 5.1 4.8 4.3 4.8 4.6 40-44 3.7 3.7 3.7 3.9 4.2 4.1 3.8 3.9 3.8 45-49 3.1 3.3 3.2 3.3 3.0 3.2 3.2 3.2 3.2 50-54 3.0 4.0 3.5 2.5 3.1 2.8 2.9 3.7 3.3 55-59 2.0 2.3 2.2 1.7 1.7 1.7 1.9 2.1 2.0 60-64 2.2 2.3 2.2 1.6 1.5 1.6 2.0 2.0 2.0 65-69 1.7 1.6 1.6 1.1 1.0 1.0 1.5 1.4 1.4 70-74 1.2 1.1 1.1 0.5 0.7 0.6 0.9 1.0 1.0 75-79 0.5 0.5 0.5 0.4 0.3 0.4 0.4 0.4 0.4 80 + 0.5 0.4 0.4 0.3 0.5 0.4 0.4 0.4 0.4 Total 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 Número 18,151 19,818 37,969 9,282 9,896 19,178 27,433 29,714 57,147 | Características da População e dos Agregados Familiares 22 28 34 54 4 6 23 23 23 21 21 22 22 27 26 0 10 20 30 40 50 60 Percentagem de agregados Maputo Cidade Maputo Gaza Inhambane Sofala Manica Tete Zambézia Nampula Cabo Delgado Niassa PROVÍNCIA Urbana Rural Gráfico 2.4 Agregados Chefiados por Mulheres, por Área de Residência e Província 28 34 54 4 6 23 23 23 21 21 22 22 27 26 0 10 20 30 40 50 60 Percentagem de agregados Maputo Cidade Maputo Gaza Inhambane Sofala Manica Tete Zambézia Nampula Cabo Delgado Niassa PROVÍNCIA Urbana Rural Gráfico 2.4 Agregados Chefiados por Mulheres, por Área de Residência e Província Quadro 2.5 Composição dos agregados familiares Distribuição percentual dos agregados familiares chefiados por mulheres e número de moradores habituais, segundo área de residência e província, Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Residência Província ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Cabo Nam- Zam- Inham- Maputo Característica Rural Urbana Niassa Delgado pula bézia Tete Manica Sofala bane Gaza Maputo Cidade Total –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Chefe do agregado familiar mulher 26.3 26.7 21.6 21.5 20.8 21.4 23.2 23.0 22.7 45.5 53.6 33.7 28.0 26.4 Número de moradores habituais 0 0.1 0.1 0.2 0.1 0.0 0.3 0.0 0.0 0.0 0.1 0.0 0.0 0.0 0.1 1 7.1 5.7 7.0 8.5 4.3 6.3 5.6 4.5 5.0 12.1 13.4 7.9 3.6 6.7 2 13.7 8.8 14.6 14.5 12.7 14.6 9.6 7.5 8.9 13.7 14.6 10.3 6.9 12.3 3 17.0 10.8 17.1 19.3 16.9 17.2 15.3 10.0 12.1 14.0 12.7 11.7 9.4 15.2 4 16.8 14.1 16.1 17.5 17.6 18.0 17.0 14.1 13.9 13.4 12.5 15.0 11.2 16.0 5 15.5 13.4 14.5 14.4 16.9 15.8 16.9 14.4 14.8 12.9 12.8 12.6 10.6 14.9 6 11.5 13.8 13.0 11.6 12.3 12.0 13.8 11.1 12.9 10.5 9.6 12.8 14.8 12.2 7 8.2 11.4 8.7 5.7 9.2 9.0 9.4 11.3 11.7 8.4 7.6 9.9 13.0 9.2 8 4.0 7.5 4.7 3.5 4.4 3.6 5.6 7.9 6.7 5.2 3.9 6.9 8.4 5.0 9+ 6.0 14.5 4.0 4.9 5.7 3.3 6.8 19.3 14.0 9.7 12.9 13.0 22.0 8.5 Total 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 Mulheres 8,710 3,605 642 1,248 2,524 2,270 1,054 691 769 1,056 606 814 642 12,315 Número médio de moradores 4.5 5.6 4.4 4.3 4.7 4.3 4.9 6.1 5.6 4.7 4.9 5.3 6.4 4.9 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Quadro é baseado em a população de jure, isto é, aos residentes habituais. Características da População e dos Agregados Familiares | 23 Nível de Escolaridade e Frequência Escolar A escolaridade da população é um dos factores sociais frequentemente usado na análise sócio- demográfica, por causa da influência que exerce sobre a conduta reprodutiva, as atitudes e prática em relação ao planeamento familiar, o cuidado pela saúde das crianças, hábitos de higiene e alimentação, bem como na procura de assistência em caso de doença. O nível de escolaridade tem influência também na receptividade das mensagens de medicina preventiva, principalmente as que se dirigem à mulher. Além do nível de escolaridade, também é importante a análise dos níveis de frequência escolar por parte da população maior de 6 anos de idade. Os Quadros 2.6.1e 2.6.2 mostram os níveis de escolaridade alcançados por sexo, segundo áreas de residência e províncias. O sistema de educação em Moçambique tem três níveis. O primeiro nível, educação primária para estudantes de 6-12 anos de idade tem dois ciclos: primário EP1 que vai da primeira à quinta classe, e o primário EP2 que vai da sexta à sétima classe. O segundo nível, o secundário, é da oitava a décima segunda classe para estudantes com idade compreendida entre 13-17 anos. Este também tem dois ciclos: secundário ESG1 e ESG2. A educação universitária prepara especialistas de alto nível. Estudantes que completam o nível de educação secundário podem ingressar na universidade. · Mais de quatro em cada dez mulheres (44 por cento) não estudaram. A probabilidade dos homens não estudar é quase metade das mulheres (25 por cento). A disparidade na escolaridade é ainda maior por área de residência, tanto entre as mulheres como entre os homens. Mais de metade das mulheres rurais não frequentaram a escola, comparado com apenas um quarto das mulheres que vivem nas áreas urbanas. Apesar de o nível educacional entre homens ser maior, os homens nas áreas rurais são três vezes prováveis de serem analfabetos do que os homens nas áreas urbanas. · Os resultados sobre a proporção de homens e mulheres analfabetas por idade, torna-se claro que houve algum progresso na educação nas últimas décadas. Por exemplo, a taxa de mulheres que frequentaram a escola cresceu de 17 por cento entre as mulheres dos 60-64 anos de idade para 56 por cento entre as de 25-29 anos de idade, e gradualmente aumenta para quase 80 por cento entre as mulheres dos 10-14 anos de idade. Um padrão similar pode ser observado para os homens, 54 por cento dos homens com 60-64 anos de idade e 85 por cento dos com idades de 10-14 anos frequentaram a escola. Isto mostra claramente que as mulheres não foram escolarizadas no passado e a discriminação sexual continua. · Um pouco mais que a metade das mulheres em Niassa, Nampula, Zambézia, e Tete não é escolarizada. Os homens nestas províncias têm menor probabilidade de frequentar a escola do que os homens das outras províncias. Não é de admirar que haja uma correlação positiva entre a educação e o índice de riqueza. Por exemplo, cinco ou seis em cada dez mulheres nos três quintís mais baixos são analfabetas e a média dos anos de escolaridade cresce dos 0 anos para o quintil mais baixo para 3.6 anos para os homens no quintil mais elevado. | Características da População e dos Agregados Familiares 24 Quadro 2.6.1 Nível de instrução da população dos agregados familiares: população feminina Distribuição percentual da população de facto feminina dos agregados familiares, de 6 anos de idade ou mais, segundo nível de escolaridade frequentado ou completado, por características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nível mais elevado frequentado ou completado –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Sem Primário Secundário Secun- Secun- Não sabe/ Número Número esco- não Primário não dário dário sem infor- de de anos Característica laridade completo completo1 completo completo2 u mais mação Total mulheres estudados ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 6-9 50.0 48.4 0.0 0.0 0.0 0.0 1.6 100.0 3,940 0.0 10-14 20.7 77.8 0.2 0.9 0.0 0.0 0.4 100.0 3,815 1.0 15-19 24.0 60.4 1.9 13.5 0.0 0.0 0.1 100.0 2,610 1.6 20-24 37.6 48.3 3.4 9.6 0.6 0.4 0.2 100.0 2,551 0.8 25-29 44.0 43.9 4.5 5.8 0.9 0.4 0.4 100.0 2,295 0.0 30-34 42.3 49.7 1.8 4.1 1.1 0.5 0.4 100.0 1,810 0.3 35-39 43.9 46.7 2.5 5.1 1.1 0.0 0.6 100.0 1,441 0.1 40-44 49.3 44.4 1.4 3.8 0.6 0.2 0.2 100.0 1,155 0.0 45-49 65.2 31.3 0.3 1.9 0.4 0.2 0.7 100.0 962 0.0 50-54 75.7 22.4 0.3 0.7 0.2 0.1 0.8 100.0 1,097 0.0 55-59 79.2 19.6 0.1 0.6 0.1 0.0 0.5 100.0 634 0.0 60-64 82.7 16.5 0.0 0.2 0.0 0.0 0.6 100.0 598 0.0 65+ 86.1 12.1 0.0 0.1 0.0 0.0 1.6 100.0 954 0.0 Não sabe/faltante * * * * * * * * 9 * Residência Rural 54.9 43.1 0.6 0.7 0.0 0.0 0.7 100.0 15,742 0.0 Urbana 24.2 60.0 3.0 10.9 1.0 0.4 0.5 100.0 8,128 1.4 Província Niassa 56.3 39.5 0.6 2.0 0.1 0.1 1.5 100.0 1,033 0.0 Cabo Delgado 46.4 50.5 0.8 1.1 0.1 0.0 1.1 100.0 2,001 0.0 Nampula 52.9 43.2 0.7 2.2 0.2 0.0 0.8 100.0 4,519 0.0 Zambézia 56.9 40.2 0.6 1.4 0.2 0.0 0.8 100.0 4,002 0.0 Tete 50.7 45.0 0.9 2.8 0.1 0.0 0.5 100.0 1,985 0.0 Manica 43.8 51.4 1.4 2.8 0.2 0.0 0.4 100.0 1,599 0.0 Sofala 49.1 44.8 1.2 4.1 0.4 0.0 0.4 100.0 1,648 0.0 Inhambane 39.2 54.9 1.8 3.5 0.1 0.0 0.5 100.0 2,163 0.0 Gaza 36.7 58.1 1.7 3.1 0.1 0.0 0.2 100.0 1,360 0.1 Maputo 20.5 64.9 4.1 9.4 0.8 0.2 0.2 100.0 1,822 1.9 Maputo Cidade 10.8 61.6 3.9 19.2 2.0 1.7 0.7 100.0 1,740 2.8 Quintil de riqueza Mais baixo 61.0 37.7 0.3 0.1 0.0 0.0 0.8 100.0 4,777 0.0 Segundo 61.2 37.5 0.3 0.4 0.0 0.0 0.6 100.0 4,810 0.0 Médio 52.5 45.5 0.5 0.7 0.0 0.0 0.8 100.0 4,697 0.0 Quarto 35.8 60.2 1.4 2.0 0.0 0.0 0.5 100.0 4,673 0.2 Mais elevado 12.3 63.2 4.5 17.1 1.7 0.7 0.5 100.0 4,913 2.6 Total 44.4 48.9 1.4 4.1 0.4 0.1 0.7 100.0 23,870 0.0 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: A distribuição percentual baseada em menos de 25 casos não ponderados não é apresentada (*). 1Completou 7 anos o nível primário 2Completou 5 anos o nível secundário Características da População e dos Agregados Familiares | 25 O Quadro 2.7 apresenta as taxas liquida e bruta de frequência escolar por nível de escolaridade, sexo, área de residência, e província. A taxa liquida de frequência (TLF) é um indicador de participação escolar entre a população oficialmente considerada em idade escolar, enquanto que a taxa bruta de frequência (TBF) é um indicador de participação escolar de todos com idades compreendidas entre os 5 e os 24 anos. A diferença entre as taxas mostra a incidência de frequência de maiores e de menores de idade. Considera-se que uma criança frequenta a escola se durante o ano escolar em curso tiver frequentado a escola a qualquer momento. As taxas de frequência escolar por idade e sexo estão representadas no Gráfico 2.5. · As taxas líquida e bruta de escolarização indicam que o País ainda está longe de atingir todo da população escolar, pois a taxa líquida neste momento é de 60 por cento e a bruta é de 95 por cento. · As taxas de escolarização tendem a ser mais elevadas nas áreas urbanas que nas rurais, são baixas nas Províncias de Niassa, Nampula e Zambézia e são muito elevadas na Cidade de Maputo e Maputo Província. Quadro 2.6.2 Nível de instrução da população dos agregados familiares: população masculina Distribuição percentual da população de facto masculina dos agregados familiares, de 6 anos de idade ou mais, segundo nível de escolaridade frequentado ou completado, por características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nível mais elevado frequentado ou completado ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Sem Primário Secundário Secun- Secun- Não sabe/ Número Número esco- não Primário não dário dário sem infor- de de anos Característica laridade completo completo 1 completo completo 2 u mais mação Total homens estudados ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 6-9 44.8 54.2 0.0 0.0 0.0 0.0 1.0 100.0 3,873 0.0 10-14 14.7 83.8 0.1 1.0 0.0 0.0 0.3 100.0 3,993 1.3 15-19 10.8 69.7 2.1 17.2 0.1 0.0 0.1 100.0 2,970 2.5 20-24 15.0 52.9 6.1 23.1 1.9 0.8 0.1 100.0 1,931 3.6 25-29 21.6 53.1 7.1 13.3 2.7 1.0 1.2 100.0 1,693 3.3 30-34 23.3 55.1 7.0 10.8 2.4 0.9 0.6 100.0 1,406 2.9 35-39 16.9 60.0 6.7 11.1 2.9 1.0 1.4 100.0 1,181 3.4 40-44 19.9 57.4 5.5 10.9 3.3 1.6 1.5 100.0 1,030 3.3 45-49 23.0 62.0 4.3 6.7 1.9 0.7 1.3 100.0 877 2.8 50-54 35.3 55.8 3.3 2.7 0.8 0.3 1.8 100.0 785 1.5 55-59 38.0 54.5 1.2 4.1 0.1 0.3 1.8 100.0 523 1.0 60-64 46.1 49.4 0.6 2.3 0.4 0.1 1.0 100.0 547 0.2 65+ 60.2 37.1 0.9 0.3 0.0 0.0 1.5 100.0 905 0.0 Residência Rural 32.8 61.7 1.9 2.6 0.2 0.0 0.8 100.0 14,041 0.6 Urbana 11.8 61.5 4.6 17.8 2.5 1.1 0.8 100.0 7,679 2.9 Província Niassa 38.1 51.1 1.8 6.0 0.9 0.2 1.9 100.0 1,025 0.2 Cabo Delgado 26.6 63.7 2.6 4.4 0.6 0.1 2.0 100.0 1,915 0.6 Nampula 33.1 57.3 1.9 6.3 0.7 0.1 0.6 100.0 4,473 0.7 Zambézia 34.3 58.8 2.4 3.6 0.2 0.1 0.5 100.0 3,771 0.6 Tete 30.2 59.4 2.2 6.2 0.9 0.1 1.0 100.0 1,793 1.0 Manica 18.3 65.8 4.0 10.9 0.6 0.0 0.3 100.0 1,453 1.7 Sofala 21.4 64.8 3.2 8.8 1.3 0.3 0.1 100.0 1,540 1.7 Inhambane 20.2 68.8 2.9 7.4 0.5 0.0 0.3 100.0 1,703 1.5 Gaza 21.3 69.8 2.2 6.0 0.5 0.0 0.2 100.0 898 1.4 Maputo 6.8 68.5 5.1 16.4 1.8 0.9 0.4 100.0 1,604 3.1 Maputo Cidade 3.4 60.8 5.1 21.1 4.3 3.3 2.0 100.0 1,547 3.7 Quintil de riqueza Mais baixo 37.6 59.1 1.6 0.8 0.1 0.0 0.8 100.0 4,055 0.0 Segundo 37.7 58.8 1.2 1.8 0.0 0.0 0.5 100.0 4,152 0.2 Médio 29.7 64.0 2.4 2.9 0.1 0.0 0.9 100.0 4,426 0.9 Quarto 19.1 67.9 3.5 8.1 0.5 0.0 0.9 100.0 4,409 1.8 Mais elevado 5.7 58.1 5.2 24.5 3.9 1.8 0.9 100.0 4,679 3.6 Total 25.4 61.6 2.9 8.0 1.0 0.4 0.8 100.0 21,720 1.3 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 1Completou 7 anos o nível primário 2Completou 5 anos o nível secundário | Características da População e dos Agregados Familiares 26 Quadro 2.7 Taxas de frequência escolar Taxas líquidas de frequência (TLF) e taxa bruta de frequência (TBF) para os membros do agregado familiar por sexo e nível de escolaridade, de acordo com características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Taxa liquida de frequência1 Taxa bruta de frequência2 Índice de –––––––––––––––––––––––––––– –––––––––––––––––––––––––––– Paridade Característica Masculino Feminino Total Masculino Feminino Total de Género3 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– PRIMÁRIO –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Residência Rural 57.0 48.1 52.6 91.8 70.3 81.2 0.8 Urbana 76.2 75.0 75.6 132.4 119.3 125.6 0.9 Província Niassa 44.3 39.8 42.1 72.4 60.4 66.5 0.8 Cabo Delgado 61.2 56.1 58.8 104.9 89.4 97.5 0.9 Nampula 50.2 43.1 46.6 88.3 69.0 78.6 0.8 Zambézia 53.4 44.5 48.9 86.0 63.5 74.7 0.7 Tete 60.0 50.3 54.9 92.3 71.3 81.4 0.8 Manica 69.3 62.8 66.0 123.2 97.2 109.9 0.8 Sofala 64.7 57.4 60.8 116.2 82.9 98.6 0.7 Inhambane 77.8 77.0 77.4 117.8 112.9 115.5 1.0 Gaza 77.7 77.0 77.3 119.5 113.9 116.7 1.0 Maputo 87.0 86.0 86.5 141.7 129.4 135.4 0.9 Maputo Cidade 91.5 91.6 91.5 153.7 153.6 153.6 1.0 Quintil de riqueza Mais baixo 51.6 39.1 45.3 77.5 52.9 65.1 0.7 Segundo 51.3 44.1 47.8 85.8 64.0 75.2 0.7 Médio 56.6 49.3 53.0 94.4 75.2 84.8 0.8 Quarto 71.6 67.9 69.8 122.5 109.3 116.1 0.9 Mais elevado 88.1 87.4 87.7 149.9 136.0 142.5 0.9 Total 62.7 56.7 59.7 103.8 85.9 94.9 0.8 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– SECUNDÁRIO –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Residência Rural 2.3 1.4 1.9 7.7 2.5 5.4 0.3 Urbana 17.6 13.6 15.6 51.1 38.5 45.0 0.8 Província Niassa 5.6 1.8 4.0 22.0 7.9 15.9 0.4 Cabo Delgado 3.4 0.0 1.8 14.8 4.7 10.1 0.3 Nampula 7.1 4.3 5.9 20.0 11.4 16.2 0.6 Zambézia 5.1 2.3 3.8 15.4 6.5 11.4 0.4 Tete 5.7 6.6 6.1 15.9 13.7 14.9 0.9 Manica 7.1 2.8 5.0 37.3 9.6 23.8 0.3 Sofala 7.0 5.3 6.2 19.7 14.0 17.1 0.7 Inhambane 9.9 8.6 9.3 21.3 17.1 19.3 0.8 Gaza 5.9 5.9 5.9 15.3 14.2 14.8 0.9 Maputo 18.7 14.0 16.4 46.7 38.9 43.0 0.8 Maputo Cidade 20.1 21.8 21.0 61.9 63.3 62.7 1.0 Quintil de riqueza Mais baixo 1.2 0.1 0.7 3.2 0.3 1.8 0.1 Segundo 1.9 1.2 1.6 7.6 2.1 5.1 0.3 Médio 3.5 0.4 2.1 9.0 1.6 5.7 0.2 Quarto 6.7 3.4 5.2 21.8 8.6 15.8 0.4 Mais elevado 22.6 20.5 21.6 65.4 56.3 61.0 0.9 Total 8.4 6.7 7.6 25.0 18.1 21.8 0.7 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 1A taxa liquida de frequência (TLF) para a escola primária é a percentagem da população em idade escolar primária (6- 12 anos) que frequenta o ensino primário. A TLF para o ensino secundário é a percentagem da população que frequenta o ensino secundário entre todos com idade escolar secundária (13-17 anos). Por definição a TLF não pode exceder os 100 por cento. 2A taxa bruta de frequência (TBF) para o ensino primário é o número total dos estudantes da escola primária, expresso como percentagem da população oficialmente considerada em idade de frequentar a escolar primária. A TBF para a escola secundaria é o número total de estudantes frequentando a escola secundária, expresso como uma percentagem da população oficialmente considerada em idade de frequentar a escola secundária. Se houver um número significativo de estudantes maiores e menores de idade num dado nível de ensino, a TBF pode exceder os 100 por cento. 3O Índice de Paridade de Género (IPG) é a razão entre a TBF para o sexo feminino e a TBF para o sexo masculino Características da População e dos Agregados Familiares | 27 Gráfico 2.5 Taxa de Frequência Escolar, por Idade e por Sexo 7 27 49 62 78 76 82 78 83 78 75 68 65 51 45 34 36 19 16 11 5 24 45 55 70 69 77 73 74 71 62 53 45 29 24 14 17 10 10 7 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 Id ad ee Percentagem de população Mulheres Homens Gráfico 2.5 Taxa de Frequência Escolar, por Idade e por Sexo 7 27 49 62 78 76 82 78 83 78 75 68 65 51 45 34 36 19 16 11 5 24 45 55 70 69 77 73 74 71 62 53 45 29 24 14 17 10 10 7 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 Id ad ee Percentagem de população Mulheres Homens Índice de Paridade de Género (IPG) da TBF é também apresentado no Quadro 2.7. Este índice, calculado como a razão da TBF do sexo feminino para o masculino nos níveis primário e secundário, indica a magnitude da diferença do género nas taxas de frequência. Se não houver diferença de género, o IPG vai ser igual a um, enquanto que, quanto maior for a desigualdade a favor do sexo masculino, mais próximo do zero estará o IPG. Se a diferença de género favorecer ao sexo feminino, o IPG vai ser maior que um. · Os dados mostram que existem ligeira diferença na frequença escolar entre a população feminina e masculina, principalmente nas províncias do Centro e Norte do País, onde as taxas líquida e bruta da população masculina são elevadas que as das raparigas, daí que o índice de paridade destas duas regiões do País seja menor que um. As taxas de repetição de classe e de desistências indicadas no Quadro 2.8, descrevem o fluxo de estudantes no sistema escolar. Nos países com uma política de passagem automática de classe, onde os alunos quase sempre passam de uma classe para outra no fim do ano lectivo, as taxas de repetições podem ser próximas de zero. As taxas de repetição e de desistências variam frequentemente entre as classes, o que significa que há níveis no sistema escolar onde os estudantes não passam de uma classe para outra regularmente. | Características da População e dos Agregados Familiares 28 Quadro 2.8 Taxas de repetição e de desistências na escola primária Taxas de repetição e de desistência dos membros do agregado familiar com idades de 5-24 anos por classe, segundo características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Classe ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Característica 1 2 3 4 5 6 7 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– TAXA DE REPETIÇÃO1 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Sexo Masculino 24.9 12.8 13.6 10.9 9.8 12.8 20.1 Feminino 26.6 12.7 15.5 14.0 11.9 15.5 22.3 Residência Rural 27.1 11.6 13.2 12.2 7.9 12.6 22.0 Urbana 22.4 14.7 16.0 12.1 12.5 14.6 20.7 Província Niassa 28.2 13.5 16.2 16.8 10.0 10.5 13.8 Cabo Delgado 27.8 9.2 5.4 10.5 7.6 [ 1.6 * Nampula 23.3 8.5 5.4 1.3 6.4 12.5 * Zambézia 25.1 7.4 11.8 10.5 5.3 17.4 [ 11.9 Tete 13.2 4.8 7.6 3.1 7.8 2.0 16.2 Manica 20.4 14.2 18.3 12.3 8.7 12.3 19.1 Sofala 26.1 4.9 12.6 11.6 1.5 12.1 [ 23.9 Inhambane 36.5 24.8 17.3 16.3 12.6 20.9 27.7 Gaza 24.9 19.4 12.9 18.6 16.9 9.6 12.1 Maputo 36.0 22.8 25.9 17.4 16.2 14.1 27.9 Maputo Cidade 24.3 23.2 30.0 25.8 19.8 20.6 25.8 Quintil de riqueza Mais baixo 30.4 10.3 15.8 12.1 7.7 4.1 25.7 Segundo 24.6 10.7 12.6 14.9 9.7 17.0 18.2 Médio 21.9 11.8 9.7 9.9 8.0 9.2 28.1 Quarto 27.1 12.2 15.0 10.2 9.0 11.9 20.2 Mais elevado 24.3 17.4 17.4 13.9 13.3 16.4 20.5 Total 25.7 12.7 14.4 12.2 10.6 13.9 21.0 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– TAXA DE DESISTÊNCIA2 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Sexo Masculino 2.8 2.6 3.7 3.0 7.7 9.3 12.4 Feminino 3.8 4.1 4.6 5.2 9.8 7.5 12.4 Residência Rural 3.6 3.1 4.6 4.9 11.7 9.3 20.7 Urbana 2.5 3.8 3.5 2.8 6.3 8.2 10.0 Província Niassa 4.0 1.3 0.7 0.9 6.7 1.8 3.9 Cabo Delgado 7.0 4.2 3.0 4.8 13.5 11.4 * Nampula 5.9 8.1 9.7 2.4 6.7 11.4 20.4 Zambézia 2.2 1.1 2.4 5.0 10.4 4.4 16.3 Tete 3.2 1.6 7.9 6.0 14.2 2.9 7.1 Manica 2.8 2.9 3.1 6.8 11.8 13.4 15.2 Sofala 3.3 3.8 3.9 1.7 5.6 5.8 2.5 Inhambane 0.7 0.4 2.8 4.1 9.0 6.4 9.6 Gaza 2.0 4.3 2.8 6.4 11.2 12.0 30.8 Maputo 1.0 3.3 2.5 2.0 6.0 9.4 6.7 Maputo Cidade 0.4 1.6 2.3 3.1 5.2 8.4 16.1 Quintil de riqueza Mais baixo 3.7 2.9 5.7 6.6 14.3 16.7 2.3 Segundo 4.9 2.8 5.5 3.2 13.6 10.1 29.6 Médio 4.3 3.9 4.3 6.3 12.6 8.5 12.4 Quarto 1.4 5.0 4.8 3.2 12.1 7.8 17.9 Mais elevado 2.2 1.8 1.8 2.5 2.6 8.1 9.3 Total 3.3 3.3 4.1 3.9 8.5 8.6 12.4 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Percentagem precedida por parêntese está baseada em 25-49 casos não ponderados. Percentagem baseada em menos de 25 casos não ponderados não é apresentada (*). 1A taxa de repetição é a percentagem dos estudantes que frequentaram uma classe no ano anterior e que estão a repetir essa mesma classe no ano lectivo corrente 2A taxa de desistência é a percentagem de estudantes que frequentaram uma certa classe no ano escolar anterior e que no ano em curso não estão a frequentar a escola Características da População e dos Agregados Familiares | 29 · As taxas de repetição mais elevadas observam-se na primeira e última classes (26 e 21 por cento, respectivamente). Nas restantes classes, cerca de um em cada 10 alunos repete a classe. As taxas de repetição para as mulheres são ligeiramente mais elevadas que as dos homens. · Em geral, as maiores taxas de repetição observam-se nas Províncias de Maputo, Inhambane e Maputo cidade. · As taxas de desistência aumentam das classes mais baixas para as mais elevadas, sendo 3 por cento para a primeira classe e 12 por cento para a sétima. No geral elas são mais elevadas para a o sexo feminino e na população rural. · As provincias de Gaza, Nampula e Manica têm as taxas de desistência mais elevadas. Por exemplo, em Gaza, 30 por cento dos estudantes da sétima classe não passam para o ano seguinte, em comparação com apenas 3 por cento de Sofala, província com os níveis de desistência mais baixos. Presença dos Pais nos Agregados Familiares O Quadro 2.9.1 apresenta a distribuição percentual das crianças menores de 15 anos, segundo a condição de sobrevivência e residência dos pais. O Quadro 2.9.1 também inclui a percentagem de crianças que não vivem com nenhum dos seus pais e a percentagem daqueles que perderam um ou ambos pais. Este indicador é, às vezes usado para analisar a situação de orfandade. Não se faz distinção entre a adopção de curto e longo prazo. Esta informação é relevante para análises da saúde e comportamento social futuro destas crianças. Quadro 2.9.1 Crianças que vivem com os pais ou outras pessoas Distribuição percentual de menores de 15 anos que vivem com os pais ou com outras pessoas, por a situação de sobrevivência dos pais, segundo características seleccionadas, Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Orfandade Criança vive com: ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– –––––––––––––––––––––––––––––––––––– Sem infor- Vive com ambos, mãe ou pai Não mação Mãe, –––––––––––––––––––––– vive Ambos Ambos da pai, Vive com Vive Vive com Número pais Mãe Pai pais mãe ou ambos ambos com com mãe de Característica vivos falecida falecido falecidos pai Total falecidos1 pais mãe pai ou pai Total crianças –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 0-1 97.8 0.3 1.6 0.0 0.3 100.0 1.9 74.5 23.9 0.6 1.1 100.0 4,226 2-4 95.0 0.8 3.2 0.3 0.6 100.0 4.4 68.1 22.0 2.4 7.6 100.0 5,920 5-9 88.8 2.7 6.3 1.2 0.8 100.0 10.4 59.3 20.7 4.5 15.5 100.0 9,743 10-14 81.3 4.7 10.3 2.6 1.1 100.0 17.6 50.1 20.8 6.9 22.2 100.0 8,025 Sexo Masculino 89.3 2.5 6.3 1.2 0.8 100.0 10.0 61.6 21.2 4.6 12.5 100.0 13,889 Feminino 89.4 2.5 5.9 1.3 0.7 100.0 9.9 60.0 21.7 3.6 14.6 100.0 14,025 Residência Rural 89.9 2.5 5.6 1.2 0.8 100.0 9.4 63.9 20.0 3.2 12.9 100.0 19,329 Urbana 88.1 2.5 7.2 1.4 0.8 100.0 11.2 54.0 24.8 6.2 15.1 100.0 8,585 Província Niassa 91.7 3.2 3.1 0.8 1.1 100.0 7.3 65.0 17.7 1.5 15.8 100.0 1,439 Cabo Delgado 91.2 2.1 5.2 0.8 0.7 100.0 8.1 56.9 24.4 3.6 15.1 100.0 2,345 Nampula 90.9 2.5 5.2 0.9 0.5 100.0 8.6 59.4 18.7 4.6 17.4 100.0 5,633 Zambézia 90.3 2.4 5.5 1.4 0.5 100.0 9.3 72.7 14.9 3.1 9.3 100.0 4,895 Tete 90.5 1.9 5.4 1.9 0.2 100.0 9.3 76.5 13.1 2.4 7.9 100.0 2,556 Manica 89.2 2.6 6.0 2.0 0.2 100.0 10.6 71.2 15.7 4.2 8.9 100.0 2,081 Sofala 85.6 3.0 8.8 2.0 0.5 100.0 14.0 65.6 19.5 4.7 10.2 100.0 2,027 Inhambane 86.4 3.0 7.5 0.8 2.3 100.0 11.5 39.4 33.3 6.0 21.3 100.0 2,315 Gaza 84.4 2.5 10.3 1.7 1.1 100.0 14.8 35.5 44.9 2.7 16.9 100.0 1,376 Maputo 87.6 2.8 7.1 0.8 1.8 100.0 10.8 50.2 28.4 6.8 14.7 100.0 1,763 Maputo Cidade 89.8 2.1 6.4 0.8 1.0 100.0 9.4 50.4 29.6 7.0 13.0 100.0 1,484 Quintil de riqueza Mais baixo 92.0 1.6 5.0 0.9 0.5 100.0 7.5 69.9 19.8 3.0 7.3 100.0 6,219 Segundo 89.0 2.3 6.5 1.4 0.8 100.0 10.2 60.4 21.8 3.6 14.2 100.0 5,499 Médio 89.7 2.6 5.8 1.3 0.6 100.0 9.7 65.7 18.8 3.0 12.5 100.0 5,851 Quarto 87.1 3.5 6.8 1.3 1.3 100.0 11.8 51.2 24.8 4.6 19.4 100.0 5,464 Mais elevado 88.4 2.7 6.6 1.6 0.8 100.0 10.9 54.5 22.7 7.1 15.7 100.0 4,880 Total 89.4 2.5 6.1 1.3 0.8 100.0 9.9 60.8 21.5 4.1 13.6 100.0 27,914 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 1 Corresponde ao Indicador 14.4 do UNAIDS “Prevalência de orfandade — de mãe, de pai, ou de ambos” | Características da População e dos Agregados Familiares 30 Quadro 2.9.2 Frequência escolar de crianças dos 10-14 anos por estatuto de orfandade e arranjo de residência Percentagem de jure de crianças com 10-14 anos de idade que estão frequentar a escola actualmente, por situação de orfandade e arranjo de residência, segundo características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Ambos pais vivos, Ambos pais vivos, vive com ambos, não vive com Mãe, pai, mãe ou pai mãe ou pai Mãe falecida Pai falecido Ambos falecidos ambos falecidos –––––––––––––– –––––––––––––– –––––––––––––– –––––––––––––– ––––––––––––– –––––––––––––– Frequenta Frequenta Frequenta Frequenta Frequenta Frequenta a a a a a a Característica escola Número escola Número escola Número escola Número escola Número escola Número ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Sexo Masculino 81.5 2,891 75.6 460 62.7 172 76.8 425 72.6 95 71.7 692 Feminino 75.0 2,624 68.7 553 61.4 203 74.3 401 54.0 112 66.7 716 Residência Rural 73.3 3,730 66.7 605 52.3 250 70.4 524 57.2 140 62.6 914 Urbana 89.1 1,785 79.6 408 81.3 126 84.6 302 73.8 67 81.3 494 Província Niassa 59.9 294 60.3 57 * 23 74.0 27 * 9 43.2 58 Cabo Delgado 75.8 457 77.3 91 [ 74.5 30 81.1 54 * 16 76.0 100 Nampula 70.3 995 60.6 286 52.1 86 58.3 148 * 21 57.6 256 Zambézia 70.7 1,128 62.6 120 [ 53.1 60 65.6 130 [ 41.3 40 57.7 231 Tete 73.6 527 63.7 55 * 20 59.1 57 [ 47.0 30 52.2 107 Manica 87.4 422 79.4 30 74.2 30 79.3 60 [ 85.9 26 79.2 116 Sofala 81.4 390 78.8 50 [ 68.7 36 80.4 79 [ 76.1 26 76.5 141 Inhambane 91.7 396 84.7 136 [ 79.5 33 89.2 99 * 9 85.4 141 Gaza 92.4 224 78.7 53 [ 89.1 16 87.1 68 * 14 83.0 97 Maputo 95.7 338 88.8 76 [ 69.6 24 90.2 48 * 9 77.6 81 Maputo Cidade 97.5 344 88.1 59 [ 89.7 17 95.5 56 * 8 90.9 81 Quintil de riqueza Mais baixo 71.3 1,140 47.2 86 44.2 61 65.3 126 [ 59.8 32 58.6 220 Segundo 66.4 1,089 63.5 199 50.7 63 62.0 182 [ 56.0 47 57.7 291 Médio 72.1 1,159 57.0 174 62.6 67 70.6 171 [ 56.4 49 65.7 287 Quarto 85.7 1,079 80.0 283 58.9 105 85.9 176 65.6 41 73.4 322 Mais elevado 98.1 1,048 87.0 270 88.3 79 91.8 172 77.9 38 87.5 289 Total 78.4 5,515 71.9 1,013 62.0 376 75.6 826 62.6 207 69.2 1,409 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Percentagem precedida por parêntese está baseada em 25-49 casos não ponderados. Percentagem baseada em menos de 25 casos não ponderados não é apresentada (*). Existem muito poucos casos de “órfãos duplos” para calcular o Indicador do UNAIDS relativo à razão de órfãos/não-orfãos que frequentam a escola. · Em Moçambique 10 por cento dos menores de 15 anos são órfãos de pai e mãe. A orfandade é mais elevada entre as crianças de 5 a 14 anos de idade, é mais frequente nas crianças que vivem nas áreas urbanas que as das áreas rurais. · Entre as províncias destacam-se as Províncias de Gaza, onde 15 por cento de crianças são órfãos de pai e mãe e Sofala com 14 por cento. A frequência escolar de crianças dos 10-14 anos de idade é apresentada no Quadro 2.9.2 por estatuto de orfandade e tipo de arranjo para residência alternativa, de acordo com características seleccionadas. · As criancas que têm ambos os pais vivos mas que nao vivem com eles, têm uma menor probabilidade de frequentar a escola em comparacao com aqueles que vivem com os pais (72 e 78 por cento respectivamente), se bem que a diferença é mínima em Niassa, Cabo Delgado e Sofala. · Os níveis de frequência escolar são muito menores entre os orfãos de mães em comparação com os orfãos de pais (62 e 76 por cento, respectivamente). · As menores taxas de frequência, independentimente do estado de orfandade, observam se em Niassa, embora as provincias de Nampula, Zambézia e Tete apresentem também taxas relativamente baixas. Características da População Entrevistada | 31 CARACTERÍSTICAS DA POPULAÇÃO ENTREVISTADA 3 Este capítulo descreve as características dos inquiridos, nomeadamente mulheres em idade reprodutiva e inquiridos do sexo masculino. A informação sobre as características dos inquiridos é importante, porque, permite uma melhor compreensão das questões de reprodução e de saúde, e também servem como indicadores da condição da mulher e da sua emancipação. As principais características demográficas e sócio-económicas que serão usadas em capítulos subsequentes na análise da variação da reprodução e saúde, são : a idade a data do inquérito, estado civil, área de residência, província, quintís de riqueza, e o nível de educaçãol, entre outros. 3.1 CARACTERÍSTICAS GERAIS A descrição e caracterização específica da população entrevistada é importante na medida em que permite a contextualização dos dados apresentados nos capítulos seguintes deste relatório. O Quadro 3.1 apresenta a distribuição percentual de mulheres e de homens entrevistados, segundo a idade, nível de escolaridade, estado civil, província, área de residência e religião. Os dados apresentados correspondem aos resultados ponderados e não ponderados. Em relação à idade, fez-se duas perguntas às mulheres e aos homens durante a entrevista individual: “Em que mês e ano nasceu?” e “Quantos anos completos tem?” Os inquiridores foram formados em técnicas de pesquisa para situações em que os inquiridos não soubessem a sua idade ou data de nascimento; e como último recurso, os inquiridores foram instruídos a estimar a idade dos inquiridos. · Uma pequena proporção da população (menos de 1 por cento) frequentou o ensino superior e só 7 por cento de mulheres e 14 por cento de homens têm nível secundário. Quatro entre dez mulheres e dois entre dez homens, nunca frequentaram a escola. · A percentagem de homens não casados é duas vezes superior à de mulheres que nunca se casaram (31 por cento contra 16 por cento). Não se registaram diferenças significativas entre a percentagem de homens casados e a dos que estão em uma união consensual, enquanto que, entre as mulheres, 55 por cento informaram que estavam numa união consensual e 16 por cento eram casadas. · Quase dois terços das mulheres e homens vivem em áreas rurais (63 e 59 por cento, respectivamente). A população da Zambézia é maioritariamente rural (90 por cento) enquanto que em Sofala a população está dividida quase igualmente entre áreas rurais e urbanas. Como era de esperar, em Maputo Província uma grande proporção da população vive em áreas urbanas (68 por cento de mulheres e 78 por cento de homens). 3.2 NÍVEL EDUCACIONAL DOS INQUIRIDOS E ALFABETISMO Importa apresentar as relações existentes entre as variáveis e as características seleccionadas apresentados nos quadros anteriores, o Quadro 3.2 mostra a distribuição dos homens e das mulheres por nível educacional, de acordo com características seleccionadas. As diferenças são de particular importância na composição educacional dos inquiridos dos diferentes grupos etários, províncias, e áreas de residência rural e urbana. O Gráfico 3.1 resume as diferenças nos níveis educacionais. · Entre as mulheres em idade reprodutiva, 15-49 anos e os homens de 15 a 64 anos, verifica-se que as gerações mais jovens apresentam níveis de escolarização mais altos do que as mais velhas. Por exemplo, o número de anos estudados, que é a média de anos em, que as pessoas estiveram na escola, entre as mulheres de 15 a 19 anos é 3.3 contra quase zero (0) anos entre as mulheres de 45 a | Características da População Entrevistada 32 49 anos. Os homens mais novos, isto é, entre 15-19 ou 20-24 anos de idade têm em média 4.4 anos de escolaridade contra apenas 0.8 anos de escolaridade entre os homens mais velhos. Os inquiridos das áreas rurais tem maior probabilidade de terem um nível educacional mais baixo que os da área urbana. Por exemplo nas áreas rurais 54 por cento de mulheres não frequentaram a escola. Nas zonas urbanas a proporção situa-se em 19 por cento. As proporções correspondentes aos homens são de 24 e 27 por cento, respectivamente. Quadro 3.1 Características seleccionadas das pessoas entrevistadas Distribuição percentual das mulheres 15-49 e dos homens 15-64 entrevistados, segundo características seleccionadas, Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Mulheres Homens –––––––––––––––––––––––––––––––––––– –––––––––––––––––––––––––––––––––––– Número Número Percentagem Número não- Percentagem Número não- Característica ponderada ponderado ponderado ponderada ponderado ponderado –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 19.8 2,454 2,644 23.2 673 681 20-24 19.8 2,456 2,494 13.9 404 437 25-29 17.9 2,224 2,165 13.0 378 378 30-34 14.4 1,792 1,661 11.3 329 317 35-39 11.4 1,411 1,383 9.1 265 267 40-44 9.1 1,126 1,157 7.6 221 220 45-49 7.7 954 914 7.6 221 204 50-54 na na na 6.1 176 167 55-59 na na na 4.3 124 117 60-64 na na na 3.8 111 112 Estado civil Solteira(o) 15.8 1,961 2,261 31.4 911 974 Casada(o) 15.5 1,926 1,768 32.8 950 723 União consensual 54.8 6,810 6,609 30.8 894 1,057 Divorciada(o)/separada(o) 13.0 1,609 1,678 4.8 139 138 Viúva(o) 0.9 112 102 0.2 6 8 Residência Rural 63.4 7,870 7,038 58.8 1,705 1,585 Urbana 36.6 4,548 5,380 41.2 1,195 1,315 Província Niassa 3.8 476 819 4.0 116 192 Cabo Delgado 8.6 1,071 899 9.4 274 254 Nampula 19.4 2,403 1,217 23.9 693 378 Zambézia 15.3 1,906 1,135 16.0 463 281 Tete 8.3 1,025 1,115 7.6 222 251 Manica 6.5 809 1,094 6.6 192 270 Sofala 7.0 865 1,220 7.8 226 322 Inhambane 8.8 1,088 1,125 5.7 164 176 Gaza 5.4 666 1,273 3.1 90 215 Maputo 8.5 1,050 1,125 6.8 197 182 Maputo Cidade 8.5 1,059 1,396 9.0 261 379 Nível de escolaridade Nenhum 41.1 5,100 4,491 17.3 501 413 Primário 51.1 6,347 6,713 66.9 1,940 1,964 Secundário 7.6 940 1,172 15.1 437 494 Superior 0.2 30 42 0.7 21 29 Quintil de riqueza Mais baixo 22.7 2,814 2,347 22.7 660 553 Segundo 17.4 2,166 1,897 16.7 483 421 Médio 18.8 2,333 2,183 18.2 528 515 Quarto 18.1 2,251 2,618 16.9 489 560 Mais elevado 23.0 2,854 3,373 25.5 741 851 Religião Católica 30.3 3,763 3,373 32.8 951 873 Muçulmana 18.8 2,335 1,719 19.9 577 686 Sião/Zione 8.8 1,087 1,420 22.1 640 484 Protestante/Evangélica 27.2 3,375 3,899 6.3 184 241 Outra 0.4 55 59 0.1 2 4 Sem religião 14.5 1,800 1,942 18.8 546 610 Total 100.0 12,418 12,418 100.0 2,900 2,900 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Os níveis de educação, refere-se aos níveis mais elevados frequentados, tenham sido completados ou não. na = Não aplicável Características da População Entrevistada | 33 Quadro 3.2 Nível de instrução da população entrevistada Distribuição percentual da população entrevistada, por nível de escolaridade e sexo, segundo características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nível mais elevado frequentado ou completado –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Sem Primário Secundário Supe- Número Número esco- não Primário não Secundário rior de de anos Característica laridade completo completo1 completo completo2 e mais Total pessoas estudados ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– MULHERES ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 23.5 59.8 3.7 12.9 0.1 0.0 100.0 2,454 3.3 20-24 37.3 48.8 3.7 9.3 0.5 0.4 100.0 2,456 1.5 25-29 44.7 44.1 4.3 5.9 0.7 0.2 100.0 2,224 0.4 30-34 43.2 49.6 1.9 3.6 1.1 0.6 100.0 1,792 0.5 35-39 44.3 47.3 2.4 4.9 1.1 0.0 100.0 1,411 0.3 40-44 51.5 43.2 1.1 3.6 0.3 0.2 100.0 1,126 0.0 45-49 66.4 30.6 0.5 1.7 0.5 0.3 100.0 954 0.0 Residência Rural 53.8 43.8 1.3 1.1 0.0 0.0 100.0 7,870 0.0 Urbana 19.1 55.8 5.8 17.1 1.6 0.7 100.0 4,548 4.0 Província Niassa 52.8 41.8 1.4 3.7 0.0 0.2 100.0 476 0.0 Cabo Delgado 43.0 54.0 1.1 1.7 0.2 0.0 100.0 1,071 0.0 Nampula 51.8 42.6 2.0 3.4 0.2 0.0 100.0 2,403 0.0 Zambézia 56.0 39.7 1.8 2.2 0.3 0.0 100.0 1,906 0.0 Tete 49.7 43.4 1.8 4.9 0.3 0.0 100.0 1,025 0.0 Manica 43.8 48.3 2.9 4.8 0.2 0.0 100.0 809 0.9 Sofala 50.2 40.2 2.3 6.6 0.8 0.0 100.0 865 0.0 Inhambane 34.7 54.8 4.1 6.2 0.1 0.0 100.0 1,088 2.1 Gaza 27.5 63.2 3.0 6.2 0.2 0.0 100.0 666 2.6 Maputo 14.9 63.7 6.1 13.8 1.4 0.1 100.0 1,050 4.1 Maputo Cidade 5.8 52.8 6.8 28.9 3.1 2.5 100.0 1,059 5.4 Quintil de ri queza Mais baixo 64.4 34.9 0.7 0.1 0.0 0.0 100.0 2,814 0.0 Segundo 57.8 40.8 0.8 0.6 0.0 0.0 100.0 2,166 0.0 Médio 50.5 47.4 0.7 1.3 0.0 0.0 100.0 2,333 0.0 Quarto 27.5 65.5 3.6 3.3 0.0 0.0 100.0 2,251 2.3 Mais elevado 8.4 53.9 8.0 26.2 2.6 1.1 100.0 2,854 5.1 Total 41.1 48.2 2.9 7.0 0.6 0.2 100.0 12,418 1.0 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– HOMENS ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 7.3 68.5 5.4 18.8 0.0 0.0 100.0 673 4.3 20-24 11.6 54.2 5.9 23.3 3.2 1.9 100.0 404 4.5 25-29 18.1 56.7 6.5 14.8 2.5 1.4 100.0 378 3.8 30-34 18.9 60.5 8.7 8.4 2.6 0.9 100.0 329 3.4 35-39 13.4 64.9 9.9 9.3 2.0 0.4 100.0 265 3.6 40-44 15.4 60.1 4.9 12.9 5.6 1.1 100.0 221 3.7 45-49 20.6 63.6 8.7 5.8 1.0 0.3 100.0 221 2.5 50-54 37.3 55.4 3.0 2.6 1.6 0.1 100.0 176 1.2 55-59 42.8 51.6 0.0 4.6 0.0 1.0 100.0 124 0.5 60-64 37.3 57.7 1.4 2.5 1.1 0.0 100.0 111 0.8 Residência Rural 24.3 66.6 3.9 4.6 0.5 0.0 100.0 1,705 2.2 Urbana 7.2 52.6 9.1 25.4 3.8 1.8 100.0 1,195 5.2 Província Niassa 15.6 64.9 4.0 13.9 1.4 0.3 100.0 116 2.8 Cabo Delgado 21.4 67.2 4.1 6.4 0.6 0.3 100.0 274 2.5 Nampula 19.2 62.9 5.5 10.8 1.6 0.0 100.0 693 2.5 Zambézia 31.8 55.2 6.2 6.3 0.4 0.0 100.0 463 2.3 Tete 24.5 61.8 2.2 9.6 2.0 0.0 100.0 222 2.8 Manica 6.4 69.9 5.6 17.4 0.8 0.0 100.0 192 4.5 Sofala 9.3 62.6 10.0 15.0 2.5 0.5 100.0 226 4.4 Inhambane 19.3 59.9 6.0 13.4 1.3 0.0 100.0 164 3.5 Gaza 14.8 70.4 2.7 10.4 1.6 0.1 100.0 90 3.0 Maputo 4.3 51.6 11.1 29.9 1.2 1.9 100.0 197 5.6 Maputo Cidade 1.0 51.5 8.2 25.1 8.2 5.8 100.0 261 5.8 Quintil de riqueza Mais baixo 36.5 59.2 3.4 0.9 0.0 0.0 100.0 660 1.2 Segundo 23.5 69.6 3.1 3.5 0.2 0.0 100.0 483 2.0 Médio 15.9 71.4 6.6 5.3 0.8 0.0 100.0 528 3.0 Quarto 8.9 65.6 6.7 17.3 1.6 0.0 100.0 489 4.2 Mais elevado 2.7 45.7 9.7 33.4 5.6 2.9 100.0 741 6.1 Total 17.3 60.8 6.1 13.2 1.9 0.7 100.0 2,900 3.5 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 1Completou 8 anos o nível primário 2Completou 4 anos o nível secundário | Características da População Entrevistada 34 Gráfico 3.1 Inquiridos com Educação Secundária ou Mais, por Área de Residência e Província 6 8 6 3 2 1 2 6 4 3 4 6 2 5 2 2 2 9 2 5 2 8 58 18 3 5 6 1 4 0 2 1 18 18 18 11 7 10 6 9 4 1 6 19 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Maputo Cidade Maputo Gaza Inhambane Sofala Manica Tete Zambézia Nampula Cabo Delgado Niassa PROVÍNCIA Urbana Rural RESIDÊNCIA Total Percentagem de inquiridos Mulheres Homens Gráfico 3.1 Inquiridos com Educação Secundária ou Mais, por Área de Residência e Província 6 8 6 3 2 1 2 6 4 3 4 6 2 5 2 2 2 9 2 5 2 8 58 18 3 5 6 1 4 0 2 1 18 18 18 11 7 10 6 9 4 1 6 19 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Maputo Cidade Maputo Gaza Inhambane Sofala Manica Tete Zambézia Nampula Cabo Delgado Niassa PROVÍNCIA Urbana Rural RESIDÊNCIA Total Percentagem de inquiridos Mulheres Homens · Nas Províncias de Niassa, Nampula, Zambézia e Sofala, 50 por cento ou mais das mulheres, não são escolarizadas. Por outro lado, na Cidade e Província de Maputo, 85 por cento das mulheres tem algum nível de escolaridade (Quadro 3.2). Em todas as províncias, a proporção de homens não escolarizados é menor que a das mulheres. Sendo os valores extremos de 24.5 e 1.0 por cento nas Províncias de Tete e Cidade de Maputo, respectivamente. · Existe uma correlação positiva entre os níveis de riqueza e de educação. Quanto maior for o nível de riqueza do inquirido, maior é a probabilidade de ter sido escolarizado e de ter mais anos estudados. Nos Inquéritos Demográficos e de Saúde (IDS), três variáveis podem fornecer informação sobre a alfabetização através das seguintes procedimentos: 1) os inquiridos foram pedidos para ler uma frase simples; 2) perguntou-se aos inquiridos se teriam participado em algum curso de alfabetização; e 3) por último, indagou-se sobre o seu nível mais alto de escolaridade completado. Apesar de análise de alfabetização ser complexa, uma triangulação da informação obtida através das três perguntas, pode-se chegar a uma compreensão sobre as pessoas ou entrevistados que são alfabetizados. O grau de alfabetização, é em grande medida reconhecido como sendo um factor que beneficia tanto os indivíduos como a sociedade em geral, particularmente entre mulheres, porque, o seu elevado nível de alfabetização está associado com resultados positivos no campo de saúde. O Quadro 3.3 apresenta o nível de alfabetização e a habilidade dos inquiridos de ler uma parte ou toda a frase. As perguntas para avaliar o nível de alfabetização foram feitas apenas aos inquiridos que não frequentaram a escola ou que frequentaram apenas o primeiro ciclo da escola primária. Assume-se que os inquiridos que frequentaram o ensino primário do segundo grau são alfabetizados. Características da População Entrevistada | 35 Quadro 3.3 Alfabetismo Distribuição percentual da população entrevistada, por nível de escolaridade e nível de alfabetização, e percentagem de alfabetizados, segundo sexo e características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Segundo Sem escolaridade ou primeiro ciclo escola Primaria ciclo –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– escola Só Não há cartão Primária/ Leu leu Não no Número Percentagem ou toda parte consegue idioma Sem de de alfa- Característica Superior frase da frase ler requerido informação Total pessoas betizados1 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– MULHERES ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 34.1 15.7 6.5 43.0 0.2 0.5 100.0 2,454 56.3 20-24 21.5 13.0 6.4 58.5 0.5 0.1 100.0 2,456 40.9 25-29 17.6 11.9 5.6 63.9 0.8 0.2 100.0 2,224 35.1 30-34 13.6 12.1 5.9 67.8 0.5 0.1 100.0 1,792 31.6 35-39 12.0 13.3 7.1 66.8 0.6 0.2 100.0 1,411 32.4 40-44 8.9 11.3 7.0 72.4 0.4 0.0 100.0 1,126 27.2 45-49 3.5 7.7 5.3 82.4 1.2 0.0 100.0 954 16.4 Residência Rural 5.7 10.1 5.8 77.7 0.6 0.1 100.0 7,870 21.6 Urbana 40.8 17.2 6.9 34.2 0.5 0.3 100.0 4,548 64.9 Província Niassa 9.1 3.5 4.0 83.4 0.0 0.1 100.0 476 16.6 Cabo Delgado 6.2 5.3 4.0 84.5 0.0 0.0 100.0 1,071 15.5 Nampula 10.3 8.0 5.8 75.4 0.5 0.1 100.0 2,403 24.1 Zambézia 7.0 7.1 5.9 78.1 1.6 0.4 100.0 1,906 19.9 Tete 11.4 9.6 6.1 72.9 0.0 0.1 100.0 1,025 27.1 Manica 18.0 18.1 3.8 57.8 2.3 0.1 100.0 809 39.9 Sofala 17.9 9.5 6.2 66.0 0.2 0.1 100.0 865 33.7 Inhambane 18.1 27.7 8.2 45.2 0.0 0.7 100.0 1,088 54.1 Gaza 21.1 25.0 9.1 44.7 0.0 0.0 100.0 666 55.3 Maputo 39.9 21.4 9.0 29.2 0.3 0.3 100.0 1,050 70.3 Maputo Cidade 60.6 14.7 6.7 17.7 0.1 0.1 100.0 1,059 82.0 Quintil de riqueza Mais baixo 1.8 6.0 4.4 87.2 0.6 0.0 100.0 2,814 12.2 Segundo 3.7 8.0 5.2 82.6 0.4 0.2 100.0 2,166 16.8 Médio 5.5 11.6 6.2 76.0 0.5 0.1 100.0 2,333 23.4 Quarto 19.6 21.3 9.2 48.9 0.6 0.3 100.0 2,251 50.2 Mais elevado 56.2 17.0 6.5 19.4 0.6 0.4 100.0 2,854 79.7 Total 18.6 12.7 6.2 61.8 0.5 0.2 100.0 12,418 37.5 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– HOMENS ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 48.4 21.6 7.1 22.8 0.0 0.1 100.0 673 77.1 20-24 47.0 16.5 8.1 28.5 0.0 0.0 100.0 404 71.5 25-29 36.5 21.7 5.0 36.6 0.1 0.0 100.0 378 63.3 30-34 32.9 24.8 9.2 32.7 0.3 0.0 100.0 329 66.9 35-39 30.4 35.1 9.5 24.2 0.0 0.9 100.0 265 74.9 40-44 32.4 29.0 9.8 28.3 0.4 0.0 100.0 221 71.2 45-49 22.7 27.4 9.6 40.0 0.0 0.3 100.0 221 59.7 50-54 12.2 17.7 14.3 54.5 0.0 1.3 100.0 176 44.2 55-59 8.4 28.9 8.5 50.1 4.1 0.0 100.0 124 45.9 60-64 5.3 29.9 14.2 49.1 1.6 0.0 100.0 111 49.3 Residência Rural 17.9 26.8 10.4 44.3 0.3 0.3 100.0 1,705 55.1 Urbana 58.3 19.7 6.0 15.5 0.4 0.1 100.0 1,195 84.0 Província Niassa 28.0 19.0 8.0 44.6 0.0 0.4 100.0 116 55.0 Cabo delgado 24.5 20.0 8.9 46.7 0.0 0.0 100.0 274 53.3 Nampula 28.5 18.7 9.3 42.8 0.6 0.2 100.0 693 56.5 Zambézia 22.1 25.5 7.9 43.6 0.5 0.5 100.0 463 55.4 Tete 24.7 17.0 15.6 42.6 0.0 0.0 100.0 222 57.4 Manica 45.5 34.2 9.1 11.0 0.0 0.3 100.0 192 88.7 Sofala 42.7 32.4 5.2 19.2 0.1 0.3 100.0 226 80.3 Inhambane 25.6 39.9 6.3 27.2 1.0 0.0 100.0 164 71.8 Gaza 20.5 35.7 5.9 37.7 0.3 0.0 100.0 90 62.0 Maputo 63.2 21.9 6.4 7.8 0.7 0.0 100.0 197 91.5 Maputo Cidade 68.2 19.6 8.4 3.9 0.0 0.0 100.0 261 96.1 Quintil de riqueza Mais baixo 11.3 23.1 8.6 56.5 0.2 0.4 100.0 660 43.0 Segundo 16.1 27.7 9.7 44.8 1.3 0.3 100.0 483 53.6 Médio 22.1 29.6 11.8 36.4 0.1 0.1 100.0 528 63.5 Quarto 42.4 26.0 9.2 22.0 0.3 0.2 100.0 489 77.6 Mais elevado 71.0 16.7 5.1 7.1 0.1 0.1 100.0 741 92.7 Total 34.5 23.9 8.6 32.5 0.3 0.2 100.0 2,900 67.0 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 1Inquiridos que frequentaram pelo menos o segundo ciclo da escola primária e inquiridos que leu uma parte, ou toda a frase. O denominador exclui inquiridos sem cartão no idioma e inquiridos que são cegas/deficientes visuais. | Características da População Entrevistada 36 · A nível nacional, entre as mulheres de 15-49 anos de idade 62 por cento não sabem ler em nenhum idioma e entre homens de 15-64 anos esta percentagem é de 33 por cento. Nas Províncias de Niassa, Cabo Delgado, Nampula e Zambézia a proporção de mulheres que não sabem ler é superior a 70 por cento, contra apenas 18 por cento de mulheres de Maputo Cidade. · Para homens, em todas províncias a percentagem dos que não sabem ler não atinge 50 por cento e nas Províncias de Maputo e Maputo Cidade é inferior a 10 por cento. 3.3 EXPOSIÇÃO E ACESSO AOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO O acesso à leitura e aos meios de comunicação de massa é de grande importância, não só em termos de informação em geral, mas também quando se tem em vista atingir a população com mensagens sobre saúde, saneamento ambiental e planeamento familiar através dos mídias. Assim, no IDS 2003, perguntou-se às mulheres e aos homens se liam habitualmente jornais ou revistas, se assistiam à televisão pelo menos uma vez por semana e se ouviam a rádio diariamente. Os resultados destas questões são apresentados nos Quadros 3.4.1 e 3.4.2. Quadro 3.4.1 Acesso aos meios de comunicação de massa: mulheres Percentagem de mulheres que lêem jornal, assistem à televisão, ou ouvem rádio pelo menos uma vez por semana, por características seleccionadas, Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Acesso a meio de comunicação pelo menos uma vez por semana Número –––––––––––––––––––––––––––––– de Característica Jornal1 Televisão Rádio Todos Nenhum mulheres ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 6.2 24.3 52.8 4.1 42.2 2,454 20-24 4.2 15.0 45.2 2.8 51.6 2,456 25-29 3.7 14.0 48.3 2.4 48.6 2,224 30-34 3.1 10.9 43.9 1.8 53.3 1,792 35-39 3.1 11.8 44.8 2.4 53.1 1,411 40-44 2.7 10.9 42.4 2.0 55.1 1,126 45-49 1.8 7.9 40.3 1.2 57.1 954 Residência Rural 0.4 1.9 36.9 0.1 62.6 7,870 Urbana 9.9 37.0 62.8 6.9 29.2 4,548 Província Niassa 3.4 6.6 53.9 2.1 45.1 476 Cabo Delgado 1.3 7.8 44.4 0.8 52.6 1,071 Nampula 2.8 9.2 46.8 1.5 51.6 2,403 Zambézia 0.6 2.6 18.9 0.5 80.8 1,906 Tete 1.0 6.3 44.7 0.6 54.2 1,025 Manica 2.6 10.0 51.9 1.6 47.0 809 Sofala 3.1 10.2 54.6 2.2 43.1 865 Inhambane 3.4 14.9 47.2 2.0 50.6 1,088 Gaza 1.9 7.1 50.7 0.9 48.1 666 Maputo 8.4 35.3 64.9 6.2 30.2 1,050 Maputo Cidade 17.0 59.8 62.6 12.2 19.0 1,059 Nível de escolaridade Nenhum 0.0 2.4 33.9 0.0 65.4 5,100 Primário 3.2 16.5 52.0 1.8 44.4 6,347 Secundário 27.5 67.7 75.2 20.6 10.5 940 Superior [ 81.0 [ 89.3 [ 72.6 [ 58.8 [ 5.1 30 Quintil de riqueza Mais baixo 0.0 0.4 20.9 0.0 79.0 2,814 Segundo 0.2 1.0 32.2 0.1 67.4 2,166 Médio 0.5 1.9 49.4 0.1 50.0 2,333 Quarto 2.4 9.8 57.1 1.1 41.1 2,251 Mais elevado 14.5 53.8 71.4 10.4 16.8 2,854 Religião Católica 5.2 15.6 45.5 3.5 51.1 3,763 Muçulmana 3.2 11.0 45.7 2.0 51.8 2,335 Sião/Zione 1.4 15.6 49.8 0.9 47.1 1,087 Protestante/Evangélica 4.8 18.7 49.6 3.2 46.5 3,375 Outra 2.1 6.2 42.4 0.0 56.2 55 Sem religião 2.0 10.2 41.3 1.5 56.2 1,800 Total 3.9 14.8 46.4 2.6 50.4 12,418 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Percentagem precedida por parêntese está baseada em 25-49 casos não ponderados. 1O denominador incluí mulheres que não podem ler, e aquelas que são cegas/deficientes visuais, mas o numerador exclui-os Características da População Entrevistada | 37 · A exposição a qualquer um dos três meios de comunicação considerados nos Quadros 3.4.1 e 3.4.2 é mais baixa para as mulheres que para os homens. Quase a metade das mulheres e um quinto dos homens não estão expostos a estes meios de comunicação. É de certo modo surpreendente que três quartos dos homens ouvem rádio pelo menos uma vez por semana enquanto pouco menos de metade das mulheres também o fazem. Do mesmo modo, o acesso semanal a televisão é também 50 por cento mais alto entre homens que entre mulheres. Cerca de 12 por cento dos homens e 4 por cento das mulheres dizem que lêem jornal pelo menos uma vez por semana. · As mulheres e os homens mais jovens estão mais expostos aos diferentes tipos de meios de comunicação do que as mulheres e os homens nas idades mais velhas. Devido ao baixo nível de escolaridade e à falta de acesso aos meios de comunicação electrónicos, a mulher rural é duas vezes menos exposta aos meios de comunicação do que a mulher da área urbana. Quadro 3.4.2 Acesso aos meios de comunicação de massa: homens Percentagem de homens que lêem jornal, assistem à televisão, ou ouvem rádio pelo menos uma vez por semana, por características seleccionadas, Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Acesso a meio de comunicação pelo menos uma vez por semana Número –––––––––––––––––––––––––––––– de Característica Jornal1 Televisão Rádio Todos Nenhum homens ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 13.1 35.8 77.9 8.8 17.0 673 20-24 19.8 29.6 76.5 11.5 19.3 404 25-29 9.5 21.0 72.7 5.8 23.7 378 30-34 11.2 15.5 78.1 7.3 21.1 329 35-39 10.8 15.1 75.1 5.3 21.5 265 40-44 12.9 21.7 76.3 9.1 22.6 221 45-49 8.2 13.7 72.9 5.9 26.9 221 50-54 3.6 8.1 69.1 2.0 29.3 176 55-59 5.2 14.8 69.9 3.9 29.1 124 60-64 3.9 9.3 68.4 3.9 30.8 111 Residência Rural 2.2 3.1 68.1 0.4 31.2 1,705 Urbana 24.8 50.1 84.9 17.1 9.0 1,195 Província Niassa 14.2 10.5 73.1 7.5 25.6 116 Cabo delgado 2.3 11.8 65.3 1.8 34.1 274 Nampula 11.7 15.8 74.4 7.0 22.8 693 Zambézia 3.9 5.2 71.5 1.2 26.7 463 Tete 2.6 8.6 80.7 1.6 17.9 222 Manica 14.1 17.2 90.3 6.4 9.0 192 Sofala 4.8 30.7 75.0 3.3 22.0 226 Inhambane 12.2 19.4 51.5 8.0 44.6 164 Gaza 3.4 13.0 59.2 2.3 40.3 90 Maputo 22.1 50.1 88.4 12.3 5.1 197 Maputo Cidade 38.6 80.3 88.1 30.8 3.0 261 Nível de escolaridade Nenhum 0.0 1.2 59.1 0.0 40.9 501 Primário 7.6 18.5 76.3 3.9 21.3 1,940 Secundário 38.0 60.9 87.8 28.2 4.7 437 Superior [ 85.7 [ 95.9 [ 76.1 [ 62.5 [ 0.0 21 Quintil de riqueza Mais baixo 1.6 0.7 58.2 0.0 41.7 660 Segundo 2.9 3.5 62.6 0.3 35.4 483 Médio 3.4 4.2 79.0 0.3 20.0 528 Quarto 10.5 22.1 84.3 6.2 12.5 489 Mais elevado 32.4 67.5 89.2 24.0 3.5 741 Religião Católica 14.3 21.4 78.2 8.9 18.5 951 Muçulmana 10.7 29.1 73.7 7.7 23.5 577 Sião/Zione 11.9 18.5 67.9 7.1 29.0 640 Protestante/Evangélica 6.7 23.7 78.4 4.5 19.4 184 Outra * * * * * 2 Sem religião 8.6 21.5 78.2 5.2 19.4 546 Total 11.5 22.5 75.0 7.3 22.0 2,900 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Percentagem precedida por parêntese está baseada em 25-49 casos não ponderados. Percentagem baseada em menos de 25 casos não ponderados não é apresentada (*). 1O denominador incluí homens que não podem ler, e aqueles que são cegas/deficientes visuais, mas o numerador exclui-os | Características da População Entrevistada 38 3.4 EMPREGO E RENDIMENTOS Tal como a educação, o emprego pode também ser um factor de emancipação da mulher, especialmente quando a mulher estiver na posição de poder controlar os seus rendimentos. Devido à importância que a actividade laboral tem na saúde da mulher e dos seus filhos, assim como pelas relações que tem com as questões demográficas, especialmente aquelas vinculadas com aspectos de reprodução. O inquérito indagou sobre o trabalho realizado por elas nos 12 meses anteriores à data da entrevista. Porém, a medição do emprego nas condições de Moçambique torna-se uma tarefa difícil. A dificuldade resulta principalmente do facto de alguns dos trabalhos feitos pela mulher, especialmente os trabalhos nas machambas familiares, negócios familiares ou no sector informal, muitas vezes não são considerados como emprego pelas próprias mulheres, e portanto não são reportados como tal. Para não subestimar o emprego das mulheres, fez-se uma série de perguntas as inquiridas para extrair uma resposta sobre o estatuto do seu emprego habitual nos últimos 12 meses anteriores ao inquérito. Considera-se mulheres empregadas as que afirmam que estavam habitualmente a trabalhar e as que tinham trabalhado em algum momento durante os 12 meses anteriores ao inquérito. Foi também obtida a informação adicional através do tipo do trabalho que as mulheres faziam, se elas trabalham continuamente ao longo de todo o ano, para quem trabalhavam na ocupação principal, e a forma como recebiam os seus rendimentos. Às mulheres que recebiam os seus rendimentos em dinheiro, perguntou-se sobre o grau de controle desses rendimentos e a sua percepção sobre a proporção relativa do seu rendimento usado para fazer face às despesas do agregado familiar. Os homens também foram inquiridos sobre o seu emprego. O Quadro 3.5 apresenta a distribuição percentual dos inquiridos por estatuto de emprego, de acordo com as características seleccionadas. Os Quadros 3.6.1 e 3.6.2 apresentam a distribuição dos inquiridos actualmente empregues por tipo de ocupação, de acordo com as características seleccionadas. O Quadro 3.7 apresenta o tipo de rendimento, tipo de empregador, e a continuidade do emprego dos entrevistados que trabalhavam tinham, de acordo com o tipo de emprego (trabalho agrícola e não agrícola). · Um quarto dos inquiridos masculinos e femininos não esteve empregado nos últimos 12 meses anteriores ao inquérito. Porém, seis em cada dez homens e mais de sete em cada dez mulheres eram empregadas na altura do inquérito (Quadro 3.5.1). Os inquiridos da área rural têm maior probabilidade de estarem empregados do que os da área urbana. O emprego e a educação estão negativamente relacionados tanto para os homens como para as mulheres, o que pode se supor que a maior parte das actividades mencionadas pertencem ao sector primário onde se encontra empregada a maioria da população não escolarizada. Também a probabilidade de uma pessoa estar empregada decresce à medida em que o índice de riqueza aumenta. · Os inquiridos solteiros, mais jovens e os que não têm filhos têm menor probabilidade de estar empregados, se comparados com os inquiridos de outros estados civis. A razão mais provável para o desemprego destes grupos é que alguns destes inquiridos devem estar ainda a estudar. · O desemprego, tanto entre os homens como entre as mulheres, é mais alto na Província de Maputo e na Cidade de Maputo. Mais de 80 por cento das mulheres e 70 por cento dos homens estão actualmente a trabalhar nas Províncias de Niassa, Zambézia e Inhambane. Além disso, nas Províncias de Cabo Delgado, Manica e Sofala, mais de 70 por cento dos homens estão actualmente a trabalhar. · Muitos dos que trabalharam durante os 12 meses anteriores ao inquérito trabalharam na agricultura oito em cada dez mulheres e seis em cada dez homens (Quadros 3.6.1 e 3.6.2). Um em cada sete homens fazia trabalhos manuais especializados e quase a mesma proporção de mulheres estava envolvida no comércio e serviços. Entre os homens, 11 por cento estavam envolvidos no comércio e serviços. Em Moçambique, apenas 7 por cento de homens e 2 por cento de mulheres faziam trabalhos profissionais e de negócio. Características da População Entrevistada | 39 Quadro 3.5 Trabalho dos entrevistados Distribuição percentual dos entrevistados segundo se trabalhou nos últimos 12 meses e se trabalha actualmente, por características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Mulheres Homens –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Trabalhou nos Trabalhou nos últimos 12 meses Não últimos 12 meses Não Não ––––––––––––––––––– trabalho ––––––––––––––––––– trabalho sabe/ Trabalha Não nos Número Trabalha Não nos não Número actual- trabalha últimos de actual- trabalha últimos res- de Característica mente actualmente 12 meses Total mulheres mente actualmente 12 meses pondeu Total homens ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 47.9 2.7 49.3 100.0 2,454 22.9 5.8 69.6 1.7 100.0 673 20-24 69.1 3.7 27.2 100.0 2,456 57.9 13.0 28.2 0.9 100.0 404 25-29 76.0 3.0 21.0 100.0 2,224 78.7 15.5 5.8 0.0 100.0 378 30-34 80.4 2.0 17.4 100.0 1,792 76.4 19.0 4.5 0.1 100.0 329 35-39 82.7 2.4 14.8 100.0 1,411 74.2 21.5 3.8 0.5 100.0 265 40-44 81.7 2.1 16.2 100.0 1,126 83.6 12.1 4.3 0.0 100.0 221 45-49 85.7 1.0 13.4 100.0 954 76.7 19.0 4.4 0.0 100.0 221 50-54 na na na na na 78.6 16.3 5.0 0.0 100.0 176 55-59 na na na na na 55.5 26.5 18.0 0.0 100.0 124 60-64 na na na na na 68.2 10.3 21.4 0.0 100.0 111 Estado civil Solteira(o) 39.2 4.5 56.1 100.0 1,961 29.2 6.2 63.1 1.4 100.0 911 Casada(o)/união consensual 78.1 1.9 20.0 100.0 8,736 76.1 18.4 5.3 0.2 100.0 1,844 Alguma vez unida(o) 76.7 4.4 18.8 100.0 1,721 68.3 9.9 21.8 0.0 100.0 145 Número de filhos 0 50.3 4.0 45.7 100.0 2,816 35.4 8.4 55.0 1.3 100.0 1,047 1-2 73.1 2.6 24.2 100.0 4,265 77.3 13.9 8.7 0.1 100.0 636 3-4 82.4 2.0 15.6 100.0 3,029 74.0 21.3 4.5 0.2 100.0 528 5+ 81.4 1.9 16.7 100.0 2,308 74.9 17.8 7.1 0.2 100.0 689 Residência Rural 83.5 1.3 15.2 100.0 7,870 69.8 15.4 14.6 0.3 100.0 1,705 Urbana 51.3 5.0 43.6 100.0 4,548 48.5 12.5 38.1 1.0 100.0 1,195 Província Niassa 85.8 1.0 13.1 100.0 476 73.1 1.6 24.1 1.1 100.0 116 Cabo Delgado 58.9 1.0 40.0 100.0 1,071 78.4 5.9 15.2 0.5 100.0 274 Nampula 75.9 1.1 23.0 100.0 2,403 44.6 30.4 24.6 0.4 100.0 693 Zambézia 80.6 1.2 18.2 100.0 1,906 69.0 17.1 12.8 1.1 100.0 463 Tete 73.9 1.3 24.8 100.0 1,025 73.8 3.2 21.2 1.8 100.0 222 Manica 76.9 1.9 21.3 100.0 809 56.3 7.8 35.9 0.0 100.0 192 Sofala 75.9 0.1 23.9 100.0 865 76.9 1.7 21.4 0.0 100.0 226 Inhambane 82.5 0.6 16.9 100.0 1,088 71.7 7.5 20.7 0.0 100.0 164 Gaza 87.6 0.4 12.0 100.0 666 68.5 6.7 24.8 0.0 100.0 90 Maputo 54.5 8.3 37.2 100.0 1,050 52.6 12.2 35.3 0.0 100.0 197 Maputo Cidade 39.9 12.9 47.0 100.0 1,059 42.6 13.3 43.3 0.8 100.0 261 Nível de escolaridade Nenhum 82.1 1.2 16.7 100.0 5,100 74.2 18.8 7.0 0.0 100.0 501 Primário 68.0 3.4 28.6 100.0 6,347 60.5 14.8 24.0 0.7 100.0 1,940 Secundário 41.3 5.3 53.4 100.0 940 47.4 6.6 45.3 0.7 100.0 437 Superior [ 68.0 [ 10.3 [ 21.7 100.0 30 [ 77.4 [ 0.7 [ 21.9 [ 0.0 [ 100.0 21 Quintil de riqueza Mais baixo 94.8 1.0 4.1 100.0 2,814 68.7 22.6 8.5 0.3 100.0 660 Segundo 76.2 1.0 22.9 100.0 2,166 63.0 17.4 19.2 0.4 100.0 483 Médio 79.9 1.1 19.0 100.0 2,333 70.3 11.5 17.7 0.5 100.0 528 Quarto 62.1 2.7 35.2 100.0 2,251 53.4 11.3 34.2 1.1 100.0 489 Mais elevado 46.6 6.7 46.5 100.0 2,854 51.2 8.4 39.7 0.7 100.0 741 Religião Católica 72.1 2.0 25.9 100.0 3,763 59.9 17.3 22.4 0.4 100.0 951 Muçulmana 67.6 1.3 31.0 100.0 2,335 63.9 8.3 27.3 0.4 100.0 577 Sião/Zione 75.7 4.7 19.5 100.0 1,087 55.3 19.1 25.0 0.6 100.0 640 Protestante/Evangélica 70.7 3.7 25.5 100.0 3,375 67.8 8.9 23.1 0.2 100.0 184 Outra 82.9 5.5 11.5 100.0 55 * * * * * 2 Sem religião 75.6 2.4 22.0 100.0 1,800 64.3 10.8 23.7 1.2 100.0 546 Total 71.7 2.6 25.6 100.0 12,418 61.0 14.2 24.3 0.6 100.0 2,900 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Percentagem precedida por parêntese está baseada em 25-49 casos não ponderados. A distribuição percentual baseada em menos de 25 casos não ponderados não é apresentada (*). na = Não se aplica | Características da População Entrevistada 40 · A proporção de homens que trabalham na agricultura aumenta com a idade, mas entres as mulheres as diferenças na incidência do emprego na agricultura por idade são menores. Como era de esperar, quase todas as mulheres e oito em cada dez homens, nas áreas rurais, estão envolvidos na actividade agrícola. Em contra partida, quatro em cada dez mulheres nas áreas urbanas trabalham na agricultura e a mesma proporção dedica-se ao comércio ou à prestação de serviços. Quadro 3.6.1 Ocupação: mulheres Distribuição percentual das mulheres empregadas nos 12 meses antes do inquérito por ocupação, segundo características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Não Não Profissional/ Vendas Especia- espe- sabe/ Número técnico/ Escri- e lizado cializado Serviços Agri- sem infor- de Característica administrativo tório serviços manual manual domésticos cultura mação Total mulheres ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 0.3 0.1 13.8 0.8 0.1 4.0 76.9 4.0 100.0 1,243 20-24 1.3 0.4 13.1 0.8 0.4 3.1 80.7 0.2 100.0 1,788 25-29 1.8 1.0 14.1 0.7 0.2 1.9 80.1 0.1 100.0 1,757 30-34 2.1 1.0 15.2 1.0 0.2 1.7 78.9 0.0 100.0 1,478 35-39 3.7 1.4 16.5 1.3 0.4 1.3 75.4 0.0 100.0 1,202 40-44 2.5 1.8 14.7 1.9 0.8 1.7 76.7 0.0 100.0 943 45-49 1.9 1.3 12.0 1.3 0.7 1.1 81.5 0.2 100.0 827 Estado civil Solteira 2.9 2.6 25.7 0.9 0.8 8.9 52.3 5.9 100.0 858 Casada/união consensual 1.6 0.7 11.1 0.8 0.2 0.6 84.9 0.1 100.0 6,982 Alguma vez unida 2.7 1.0 22.7 2.1 1.0 6.2 64.2 0.0 100.0 1,397 Número de filhos 0 1.9 1.3 15.6 1.2 0.3 5.0 71.4 3.3 100.0 1,528 1-2 2.1 0.9 14.9 1.1 0.3 2.3 78.2 0.1 100.0 3,231 3-4 1.6 1.1 14.0 1.2 0.2 1.3 80.5 0.0 100.0 2,556 5+ 1.7 0.4 12.3 0.7 0.6 0.9 83.3 0.1 100.0 1,923 Residência Rural 0.6 0.1 3.8 0.6 0.1 0.3 94.1 0.5 100.0 6,676 Urbana 5.3 3.2 41.3 2.3 1.1 7.2 38.7 0.9 100.0 2,562 Província Niassa 1.0 0.3 1.9 0.5 0.3 0.2 95.8 0.0 100.0 413 Cabo Delgado 1.8 0.3 7.3 0.4 0.1 0.0 89.8 0.3 100.0 642 Nampula 0.4 0.2 10.9 0.6 0.1 0.1 87.7 0.0 100.0 1,851 Zambézia 1.5 0.2 2.9 0.1 0.0 0.2 95.1 0.0 100.0 1,559 Tete 1.7 0.3 7.6 1.9 0.0 0.4 88.0 0.1 100.0 771 Manica 1.4 0.4 17.2 0.4 0.1 1.3 79.1 0.2 100.0 637 Sofala 0.8 1.2 10.7 1.3 0.3 1.0 84.6 0.0 100.0 657 Inhambane 1.7 0.6 15.2 3.0 0.6 2.5 70.9 5.5 100.0 905 Gaza 2.1 0.2 9.3 0.3 0.2 1.4 86.6 0.0 100.0 586 Maputo 3.4 2.2 38.9 1.9 1.4 8.3 43.9 0.1 100.0 659 Maputo Cidade 8.6 7.9 58.4 2.5 2.0 16.6 3.7 0.3 100.0 558 Nível de escolaridade Nenhum 0.1 0.0 4.8 0.4 0.2 0.7 93.9 0.0 100.0 4,248 Primário 0.8 0.3 21.0 1.3 0.5 3.5 71.7 0.8 100.0 4,528 Secundário 26.6 15.3 36.9 4.1 1.2 2.5 9.4 4.0 100.0 438 Superior [ 78.4 [ 21.6 [ 0.0 [ 0.0 [ 0.0 [ 0.0 [ 0.0 [ 0.0 [ 100.0 24 Quintil de riqueza Mais baixo 0.0 0.0 0.5 0.0 0.0 0.0 99.4 0.0 100.0 2,697 Segundo 0.4 0.0 4.2 0.5 0.3 0.2 94.4 0.2 100.0 1,671 Médio 0.2 0.0 3.7 0.9 0.1 0.1 94.6 0.4 100.0 1,889 Quarto 2.0 0.3 26.0 1.7 0.3 2.5 65.3 1.9 100.0 1,457 Mais elevado 8.6 5.4 51.2 3.2 1.5 10.6 18.4 1.1 100.0 1,523 Religião Católica 3.1 1.8 10.9 1.2 0.2 1.2 80.8 0.7 100.0 2,789 Muçulmana 1.0 0.4 9.8 0.7 0.1 0.3 87.5 0.2 100.0 1,610 Sião/Zione 0.6 0.2 21.4 0.2 0.4 5.7 70.8 0.7 100.0 874 Protestante/Evangélica 1.5 1.0 21.0 1.6 0.7 3.4 70.0 0.9 100.0 2,510 Outra 0.7 0.0 8.9 0.0 0.0 0.0 89.2 1.1 100.0 49 Sem religião 1.7 0.3 9.6 0.7 0.5 2.1 84.8 0.3 100.0 1,404 Total 1.9 0.9 14.2 1.0 0.4 2.2 78.8 0.6 100.0 9,237 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Percentagem precedida por parêntese está baseada em 25-49 casos não ponderados. Características da População Entrevistada | 41 · Cerca de 80 por cento de homens nas áreas rurais trabalham na agricultura e 6 por cento fazem trabalhos manuais especializados, e os restantes dedicam-se ao comércio e serviços. A ocupação mais comum na áreas urbanas é o trabalho manual especializado. Com efeito, um terço de homens que trabalharam durante os 12 meses que antecederam o inquérito fizeram este tipo de trabalhos. Vinte e dois por cento estavam envolvidos na actividade comercial e de serviços. Quadro 3.6.2 Ocupação: homens Distribuição percentual dos homens empregados nos 12 meses antes do inquérito por ocupação, segundo características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Não Não Profissional/ Vendas Especia- espe- sabe/ Número técnico/ Escri- e lizado cializado Serviços Agri- sem infor- de Característica administrativo tório Serviços manual manual domésticos cultura mação Total homens ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 0.5 0.9 14.8 20.3 2.7 11.4 49.4 0.1 100.0 193 20-24 6.0 2.7 16.0 16.7 4.2 3.0 50.7 0.6 100.0 286 25-29 7.4 1.5 15.3 15.0 1.2 3.1 56.5 0.0 100.0 356 30-34 8.3 1.3 10.3 15.8 0.7 0.1 62.9 0.6 100.0 313 35-39 6.4 3.1 13.0 14.3 1.1 1.0 59.4 1.8 100.0 253 40-44 11.7 3.0 4.5 16.9 2.5 0.6 60.5 0.3 100.0 211 45-49 10.3 3.1 7.2 13.0 4.6 1.1 60.8 0.0 100.0 211 50-54 3.3 0.4 6.7 10.1 3.2 0.4 75.9 0.0 100.0 167 55-59 2.8 1.3 2.0 18.7 1.7 0.0 73.6 0.0 100.0 102 60-64 1.3 2.1 9.7 6.6 0.0 1.9 78.2 0.0 100.0 87 Estado civil Solteiro 5.0 3.5 15.9 25.2 3.5 10.9 35.9 0.0 100.0 323 Casado/união consensual 6.8 1.7 9.9 12.7 1.9 0.8 65.8 0.5 100.0 1,744 Alguma vez unido 6.5 2.4 14.7 25.3 4.1 1.8 45.2 0.0 100.0 113 Número de filhos 0 6.2 2.7 15.8 18.5 2.4 8.0 46.0 0.3 100.0 458 1-2 5.8 1.4 10.8 15.9 2.2 1.3 62.6 0.1 100.0 580 3-4 7.0 2.2 11.1 13.4 1.1 0.3 64.3 0.5 100.0 503 5+ 7.1 1.9 7.7 13.5 3.0 0.7 65.4 0.7 100.0 639 Residência Rural 3.9 0.6 5.6 6.1 1.3 0.7 81.4 0.3 100.0 1,452 Urbana 11.9 4.7 21.7 33.2 4.1 5.4 18.4 0.6 100.0 728 Província Niassa 3.2 1.0 3.3 6.6 0.7 0.8 84.2 0.2 100.0 87 Cabo Delgado 4.7 1.1 5.4 11.6 0.1 0.8 76.3 0.0 100.0 231 Nampula 5.9 1.2 11.5 7.7 1.9 3.9 67.8 0.0 100.0 520 Zambézia 4.4 1.6 4.7 5.2 1.5 1.2 79.9 1.5 100.0 399 Tete 5.4 1.2 11.3 10.2 2.5 0.8 68.5 0.0 100.0 171 Manica 6.0 3.0 17.2 22.2 1.5 2.5 46.8 0.8 100.0 123 Sofala 5.1 1.1 14.9 16.6 1.2 8.3 52.9 0.0 100.0 178 Inhambane 9.7 0.8 13.5 18.6 3.3 0.9 53.2 0.0 100.0 130 Gaza 2.3 1.3 13.5 23.9 3.3 0.7 54.7 0.2 100.0 68 Maputo 8.3 7.6 16.4 46.8 8.0 0.5 12.5 0.0 100.0 128 Maputo Cidade 20.9 5.4 21.8 43.2 4.5 1.0 2.2 1.0 100.0 146 Nível de escolaridade Nenhum 0.9 0.0 3.6 5.1 1.3 1.5 87.6 0.0 100.0 466 Primário 2.2 1.2 12.4 17.4 2.6 2.8 61.0 0.4 100.0 1,461 Secundário 38.5 10.2 17.5 22.7 2.1 1.1 6.3 1.6 100.0 236 Superior * * * * * * * * * 17 Quintil de riqueza Mais baixo 0.7 0.7 4.5 2.3 0.9 0.4 90.5 0.0 100.0 602 Segundo 2.6 0.3 5.4 5.0 1.9 0.0 83.7 1.1 100.0 389 Médio 4.6 0.0 9.7 8.6 1.9 0.0 75.1 0.0 100.0 432 Quarto 9.3 3.6 17.7 28.1 3.5 6.2 31.1 0.6 100.0 316 Mais elevado 18.0 6.1 21.3 39.0 3.7 6.4 5.0 0.6 100.0 441 Religião Católica 9.6 2.4 10.0 10.6 1.4 2.2 63.1 0.8 100.0 734 Muçulmana 6.5 2.7 12.4 20.7 3.5 2.0 52.1 0.2 100.0 417 Sião/Zione 5.8 1.5 9.5 12.2 1.8 1.3 67.8 0.0 100.0 476 Protestante/Evangélica 3.3 0.2 20.2 23.5 2.0 2.0 48.9 0.0 100.0 141 Sem religião 3.2 1.8 10.1 18.4 3.0 4.1 59.0 0.5 100.0 410 Total 6.5 2.0 11.0 15.2 2.2 2.3 60.3 0.4 100.0 2,180 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: A distribuição percentual baseada em menos de 25 casos não ponderados não é apresentada (*). | Características da População Entrevistada 42 · Em todas as províncias, exceptuando duas, as mulheres, estão principalmente envolvidas na actividade agrícola, seguida pelo comércio e serviços. Na Cidade de Maputo, a maioria de mulheres que trabalhou nos 12 meses anteriores ao inquérito esta no comércio e serviços (58 por cento). Apesar de a ocupação mais comum das mulheres na Província de Maputo ser agricultura (44 por cento), uma proporção muito alta está no comércio e serviços (39 por cento). · Quase metade de homens que frequentaram o nível secundário exercem trabalhos profissionais, técnicos (39 por cento) ou serviços de escritório (10 por cento) e mais de um quinto estão envolvidos em trabalhos manuais especializados. · Mais de metade de mulheres que trabalham na agricultura não é paga, nem em dinheiro nem em géneros. Esta proporção é mais alta entre os homens. Nas áreas rurais, 86 por cento de mulheres que fazem trabalhos não-agrícolas, recebem em dinheiro e entre os homens esta percentagem é quase 80 por cento. Nas áreas urbanas, as percentagens são de 89 por cento para os homens e 94 por cento para as mulheres. · Mais que a metade das mulheres rurais que fazem trabalhos agrícolas são trabalhadoras por conta própria, isto é, estão na situação de auto-emprego e as restantes trabalham para um membro de família. Seis em cada dez mulheres envolvidas em trabalhos não-agrícolas nas áreas rurais trabalham por conta própria. As restantes, mais de quinto trabalham para pessoa não membro da família. Quadro 3.7 Tipo de emprego dos inquiridos Distribuição percentual das mulheres e dos homens empregados nos 12 meses que antecederam o inquérito por tipo de rendimento; e distribuição percentual das mulheres por tipo de empregador, e a continuidade do emprego, de acordo com o tipo de trabalho (trabalho agrícola e não-agrícola) e área de residência, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Residência rural Residência urbana Total ––––––––––––––––––––––– ––––––––––––––––––––––––––– –––––––––––––––––––––––––––– Trabalho Trabalho Trabalho Trabalho não- Trabalho não- Trabalho não- Característica agrícola agrícola Total agrícola agrícola Total agrícola agrícola Total ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– MULHERES ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Tipo de rendimento Apenas em dinheiro 1.0 86.2 5.5 4.2 94.0 58.5 1.4 92.5 20.2 Dinheiro e géneros 8.9 7.1 8.8 3.4 0.6 1.7 8.1 1.8 6.8 Apenas em género 39.4 1.6 37.2 41.3 0.2 16.1 39.6 0.5 31.3 Não pago 50.7 5.1 48.1 51.1 5.2 23.0 50.8 5.2 41.1 Sem informação 0.0 0.0 0.5 0.1 0.0 0.7 0.0 0.0 0.5 Total 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 Tipo de empregador Membro da família 45.8 16.8 44.0 38.1 11.3 21.6 44.7 12.3 37.8 Não-membro da família 0.6 21.7 1.7 2.1 33.7 21.3 0.8 31.4 7.2 Conta própria 53.6 61.5 53.7 59.7 54.9 56.3 54.4 56.1 54.4 Sem informação 0.1 0.0 0.6 0.0 0.2 0.8 0.1 0.2 0.6 Total 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 Continuida de de emprego Todo o ano 49.4 69.5 50.3 46.4 76.6 64.4 49.0 75.3 54.2 Sazonal 47.7 8.5 45.4 49.2 2.9 20.8 47.9 4.0 38.6 Ocasional 2.8 21.7 3.8 4.2 20.5 14.1 2.9 20.7 6.6 Sem informação 0.1 0.3 0.6 0.2 0.0 0.7 0.1 0.1 0.6 Total 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 Número de mulheres 6,283 358 6,676 993 1,547 2,562 7,276 1,905 9,237 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– HOMENS ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Tipo de rendimento Apenas em dinheiro 12.3 79.9 24.9 20.0 88.9 76.0 13.1 86.1 42.0 Dinheiro e géneros 12.8 5.2 11.4 8.6 0.9 2.3 12.4 2.3 8.4 Apenas em género 19.5 2.2 16.3 12.2 0.5 2.7 18.8 1.1 11.7 Não pago 55.1 10.2 46.7 58.6 9.1 18.4 55.5 9.5 37.2 Sem informação 0.3 2.4 0.7 0.6 0.5 0.6 0.3 1.1 0.7 Total 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 Número de homens 1,181 266 1,452 134 590 728 1,315 856 2,180 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: A informação não está representada por omissão de dados sobre o tipo de emprego (56 mulheres e 9 homens). Características da População Entrevistada | 43 3.5 MEDIDAS DA EMANCIPAÇÃO DA MULHER Decisões no Uso dos Rendimentos Às mulheres empregadas que recebiam em dinheiro perguntou-se sobre quem é que tomava a decisão em relação ao uso dos seus rendimentos. Além disso, perguntou-se também sobre a sua percepção sobre a proporção das despesas do agregado satisfeitas com os seus rendimentos. Os resultados são apresentados no Quadro 3.8 segundo características seleccionadas. Por outro lado, o Quadro 3.9 mostra como o controle dos próprios rendimentos varia por estado civil, de acordo com a proporção das despesas do agregado pagas pelos seus rendimentos. No Quadro 3.9, considera-se casadas as mulheres separadas mas não divorciadas, pois os maridos podem ainda controlar os seus rendimentos. · Do total das mulheres que trabalharam nos últimos 12 meses anteriores ao inquérito, 61 por cento decidem sozinhas sobre como utilizar as receitas. Por estado civil, verifica-se que entre as solteiras, 79 por cento decidem sozinhas contra 44 por cento das casadas. · Entre as mulheres casadas ou em união marital que trabalharam nos últimos 12 meses que antecederam o inquérito e tiveram o rendimento em dinheiro, os seus rendimentos são geridos por elas próprias (44 por cento), por elas com o marido (38 por cento) e apenas pelo marido (17 por cento) Tomada de Decisões no Agregado Familiar Além da informação sobre a educação da mulher, situação de emprego, e o controlo dos rendimentos, foi também obtida a informação sobre algumas medidas directas da autonomia e do estatuto da mulher. Foram feitas perguntas sobre a participação da mulher na tomada de decisões no agregado familiar, sobre a sua opinião em relação a agressão física pelo marido, e a sua opinião sobre a recusa de manter relações sexuais com o seu marido. Estes dados dão alguma indicação sobre o controle que a mulher tem sobre o seu estado físico e suas atitudes em relação ao papel do género, ambos factores relevantes para entender o comportamento da saúde e demográfico da mulher. Para fazer a avaliação da autonomia da mulher na tomada de decisão, procurou-se a informação sobre a participação da mulher em cinco diferentes tipos de decisões no agregado familiar: nos cuidados de saúde dos inquiridos, a decisão sobre as grandes e pequenas compras para o agregado, nas visitas aos familiares ou amigos, e a decisão sobre a ementa para as refeições no dia -a-dia. O Quadro 3.10 mostra a distribuição percentual das mulheres de acordo com quem no agregado familiar tema normalmente a última palavra em cada um dos diferentes tipos de decisões. As mulheres que têm a última palavra nas diferentes decisões do agregado familiar quer sozinhas quer junto com os maridos ou uma outra pessoa tem uma maior autonomia na tomada de decisão que as mulheres que não participam na última palavra. O Quadro 3.11.1 mostra que a participação na tomada de decisão varia por características seleccionadas das mulheres para cada tipo de decisão. · A percentagem de mulheres que não tomam nenhuma das decisões acima referidas, vai diminuindo quanto mais velhas forem (de 46 por cento no grupo de mulheres de 15-19 anos para 3 por cento nas de 45-49 anos de idade), o que significa que a percentagem de mulheres que afirmaram ter última palavra, para todo o tipo de decisões, é mais alta nas mulheres mais velhas que nas mais novas. | Características da População Entrevistada 44 Quadro 3.8 Pessoa que decide sobre as receitas e proporção das despesas do agregado satisfeitas com os rendimentos Distribuição percentual das mulheres que trabalharam nos últimos 12 meses com remuneração, por pessoa que decide como utilizar, e por proporção das despesas do agregado satisfeitas com os rendimentos, segundo características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Pessoa que decide Proporção das despesas do agregado como utilizar as receitas satisfeitas com os rendimentos ––––––––––––––––––––––––––––– –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– A Junto com Quase Menos Metade Sem Número entre- alguém Alguém nada/ de ou infor- de Característica vistada mais1 mais2 Total nada metade mais Toda mação Total mulheres ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 55.8 21.5 22.7 100.0 11.4 9.0 57.2 22.2 0.3 100.0 276 20-24 63.9 21.9 14.2 100.0 7.1 10.7 60.9 20.5 0.7 100.0 448 25-29 56.5 28.1 15.4 100.0 4.6 9.9 62.0 23.1 0.3 100.0 475 30-34 60.6 28.5 10.9 100.0 2.9 8.6 57.5 30.0 1.0 100.0 436 35-39 63.3 26.3 10.4 100.0 2.0 7.1 58.5 32.1 0.3 100.0 371 40-44 66.7 27.0 6.3 100.0 2.6 5.8 46.0 45.5 0.2 100.0 275 45-49 65.4 26.2 8.4 100.0 1.8 4.9 51.9 41.4 0.0 100.0 214 Estado civil Casada/união consensual 44.4 38.0 17.5 100.0 2.3 8.2 61.6 27.4 0.5 100.0 1,579 Alguma vez unida 97.3 2.0 0.7 100.0 6.2 5.2 51.2 36.8 0.5 100.0 572 Solteira 79.1 9.1 11.8 100.0 12.8 14.8 48.1 24.0 0.3 100.0 346 Número de filhos 0 64.6 20.0 15.3 100.0 11.0 11.0 57.6 20.5 0.0 100.0 447 1-2 61.3 24.9 13.7 100.0 4.6 8.8 59.3 26.7 0.6 100.0 926 3-4 58.4 28.0 13.5 100.0 2.5 8.6 57.4 30.7 0.8 100.0 662 5+ 62.4 29.7 7.9 100.0 1.8 4.9 53.2 40.0 0.1 100.0 462 Residência Rural 44.3 35.3 20.4 100.0 2.1 5.3 65.4 26.9 0.3 100.0 955 Urbana 71.9 19.9 8.2 100.0 6.3 10.3 52.3 30.5 0.6 100.0 1,541 Província Niassa 58.5 25.0 16.5 100.0 4.1 3.5 67.3 25.1 0.0 100.0 19 Cabo Delgado 47.3 47.2 5.5 100.0 0.0 8.4 55.0 35.5 1.1 100.0 125 Nampula 45.0 30.4 24.6 100.0 0.5 8.3 66.4 24.1 0.7 100.0 393 Zambézia 50.5 41.4 8.2 100.0 7.9 11.9 46.2 34.0 0.0 100.0 123 Tete 40.3 34.4 25.3 100.0 0.1 2.9 69.2 27.6 0.2 100.0 321 Manica 54.6 30.9 14.5 100.0 1.8 17.7 74.3 4.3 1.9 100.0 186 Sofala 69.5 21.9 8.6 100.0 5.1 11.7 52.4 30.7 0.0 100.0 103 Inhambane 78.3 14.6 7.1 100.0 4.5 7.4 66.1 22.0 0.0 100.0 249 Gaza 80.7 15.1 4.2 100.0 5.5 15.8 44.9 32.1 1.6 100.0 80 Maputo 73.3 13.8 12.8 100.0 5.9 5.9 48.6 39.0 0.5 100.0 380 Maputo Cidade 73.9 22.7 3.4 100.0 11.0 8.4 44.9 35.7 0.0 100.0 516 Nível de escolaridade Nenhum 47.1 34.1 18.7 100.0 2.1 3.9 59.7 34.2 0.1 100.0 632 Primário 65.5 22.3 12.2 100.0 5.0 9.6 56.8 27.8 0.7 100.0 1,475 Secundário 70.2 23.9 6.0 100.0 7.0 11.0 56.4 25.5 0.1 100.0 367 Superior [ 47.1 [ 47.0 [ 5.9 [ 100.0 [ 17.0 [ 13.2 [ 42.5 [ 27.4 [ 0.0 [ 100.0 23 Quintil de riqueza Mais baixo 35.5 35.9 28.7 100.0 1.1 2.4 64.8 31.7 0.0 100.0 233 Segundo 42.8 39.6 17.6 100.0 1.3 4.1 65.4 29.0 0.2 100.0 253 Médio 41.4 36.7 22.0 100.0 1.4 5.2 70.7 21.9 0.7 100.0 294 Quarto 71.4 18.8 9.8 100.0 2.7 10.2 55.3 30.5 1.4 100.0 532 Mais elevado 70.9 21.2 7.9 100.0 7.8 10.5 51.8 29.8 0.1 100.0 1,184 Religião Católica 58.0 28.8 13.2 100.0 4.1 7.3 57.9 30.5 0.1 100.0 713 Muçulmana 51.8 32.4 15.8 100.0 1.6 9.2 62.7 26.1 0.4 100.0 301 Sião/Zione 72.7 15.3 12.1 100.0 7.4 7.0 51.9 33.2 0.5 100.0 273 Protestante/Evangélica 63.9 24.0 12.1 100.0 5.0 8.9 55.9 29.3 0.9 100.0 885 Sem religião 60.8 27.1 12.0 100.0 5.5 10.2 59.9 24.3 0.1 100.0 317 Total 61.4 25.8 12.9 100.0 4.7 8.4 57.3 29.1 0.5 100.0 2,496 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Percentagem precedida por parêntese está baseada em 25-49 casos não ponderados. 1Junto com o esposo/companheiro ou junto com alguém mais 2Inclui o esposo/companheiro Características da População Entrevistada | 45 As mulheres podem ter palavra em algumas decisões, mas não ter em outras. Para avaliar o grau geral de autonomia na tomada de decisão pela mulher, somou-se o número total de decisões nas quais ela participa (i.e., ela sozinha tem a última palavra ou em conjunto com o marido ou uma outra pessoa). O número total das decisões onde uma mulher participa é a medida da sua emancipação/ ”empowerment”. O Quadro 3.11.1, inclui a percentagem das mulheres que dizem que elas sozinhas ou acompanhadas tem a decisão final em todas as decisões especificadas. A participação do homem na tomada de decisões é apresentada no quadro 3.11.2. · Por estado civil, nota-se que apenas 10 por cento das mulheres solteiras tomam todas as decisões mencionadas contra 28 por cento das mulheres casadas ou unidas maritalmente. · Em todas as decisões descriminadas as mulheres sem emprego apresentam percentagens mais baixas de participação na tomada de decisões que as que tem emprego. Por exemplo, a percentagem de mulheres sem emprego que tomaram todas as decisões é de 19 por cento contra 44 por cento das mulheres com emprego pago em dinheiro e 32 por cento para as que tem emprego não pago em dinheiro. · A percentagem de homens que acham que as mulheres participam na tomada de todas as decisões mencionadas é inferior que a indicada pelas próprias mulheres, 23 por cento (Quadro 3.11.1) contra 30 por cento (Quadro 3.11.2). Esta situação se verifica em quase todas as decisões descriminadas. Quadro 3.9 Controlo dos rendimentos pelas mulheres Distribuição percentual das mulheres que tiveram o rendimentos em dinheiro nos últimos 12 meses por pessoa que decide como o rendimento é usado, segundo com o estado civil e a proporção das despesas do agregado satisfeitas pelos rendimentos, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Mulheres actualmente casada/união consensual Mulheres não-unidas ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– ––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Junto com o Junto Junto Proporção das A esposo/ com Esposo Número A com Número despesas sat isfeitas entre- compa- alguém compa- Alguém de entre- alguém Alguém de pelos rendimentos vistada nheiro mais nheiro mais Total mulheres vistada mais mais Total mulheres ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Quase nada/nada 67.9 26.3 0.0 5.8 0.0 100.0 37 89.7 4.2 6.2 100.0 80 Menos de metade 61.4 24.3 0.5 13.8 0.0 100.0 129 93.8 1.9 4.3 100.0 81 Metade ou mais 41.3 38.4 0.2 19.4 0.7 100.0 972 88.8 5.6 5.7 100.0 459 Todo 44.7 40.4 0.7 14.2 0.0 100.0 433 92.3 4.2 3.5 100.0 294 Total 44.4 37.7 0.3 17.1 0.4 100.0 1,579 90.5 4.7 4.9 100.0 918 Quadro 3.10 Participação da mulher na tomada de decisões Distribuição percentual das mulheres por pessoa que tem a última palavra na tomada de decisões especificas, de acordo com o estado civil actual e o tipo de decisão, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Mulheres actualmente casadas/união consensual Mulheres não-unidas –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– –––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Junto Não Não com o Junto decisões/ Junto decisões/ A esposo/ com Esposo/ não A com não entre- compa- alguém compa- Alguém se- entre- alguém Alguém se- Tipo de decisão visitada nheiro mais nheiro mais aplica Total visitada mais mais aplica Total ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nos cuidados de saúde da mulher 40.8 20.9 1.2 32.1 4.9 0.2 100.0 50.2 6.6 42.9 0.2 100.0 Fazer grandes compras 4.7 32.2 0.6 57.5 4.0 0.9 100.0 32.5 6.2 58.1 3.0 100.0 Compras das necessidades diárias 35.4 22.0 2.6 35.3 4.4 0.2 100.0 36.7 7.5 54.4 1.3 100.0 Visitas a familiares ou amigos 19.2 44.2 0.9 32.1 3.2 0.3 100.0 45.0 6.9 46.9 1.1 100.0 Ementa para as refeições no dia-a-dia 71.1 9.5 3.9 11.5 3.7 0.2 100.0 39.5 10.5 48.5 1.4 100.0 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: A informação é baseada em mulheres que já tiveram filhos (8,736 mulheres casadas e 3,682 mulheres não-unidas). | Características da População Entrevistada 46 Quadro 3.11.1 Participação da mulher na tomada de decisões por características: mulher Percentagem de mulheres que afirma que elas sozinhas ou junto com os maridos ou alguém mais tem a última palavra em decisões específicas, por características seleccionadas, Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Sozinhas ou junto com os maridos ou alguém mais tem a última palavra em: –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Em fazer Sobre a Nos Em fazer compras das ementa Todas cuidados grandes necessidades Nas para as as Nenhuma de saúde compras diárias visitas refeições decisões das Número da para o para a familiares no espe- decisões de Característica mulher agregado a família ou amigos dia-a-dia cificas especificas mulheres –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 37.7 15.2 24.4 31.8 38.1 11.4 45.7 2,454 20-24 59.5 33.4 50.3 56.2 71.5 25.8 15.7 2,456 25-29 64.1 39.0 59.8 64.3 83.4 30.8 8.5 2,224 30-34 68.8 43.7 66.6 70.0 86.3 34.2 5.4 1,792 35-39 70.6 52.5 69.6 74.9 88.7 41.4 4.5 1,411 40-44 70.9 52.9 73.1 78.6 88.8 42.4 4.9 1,126 45-49 78.0 55.0 74.6 78.6 92.0 48.9 2.7 954 Estado civil Solteira 34.2 12.0 17.1 26.1 24.2 9.7 55.1 1,961 Casada/união consensual 62.8 37.5 60.1 64.4 84.5 28.0 8.0 8,736 Alguma vez unida 82.7 69.3 75.1 81.4 79.3 64.2 9.2 1,721 Número de filhos 0 40.5 18.8 28.9 36.2 43.0 13.7 40.6 2,816 1-2 62.7 39.3 58.1 62.7 77.2 30.9 11.9 4,265 3-4 70.4 45.8 65.5 70.2 87.5 37.6 5.8 3,029 5+ 70.7 48.1 69.2 74.4 89.7 38.8 4.7 2,308 Residência Rural 62.5 37.6 55.1 63.4 78.2 30.8 13.4 7,870 Urbana 58.6 38.3 55.8 56.1 67.4 29.0 19.5 4,548 Província Niassa 59.9 49.4 62.4 71.9 82.3 46.9 14.3 476 Cabo Delgado 71.2 40.2 56.4 79.7 84.3 31.3 8.4 1,071 Nampula 66.8 32.4 51.7 66.5 73.9 23.6 9.6 2,403 Zambézia 75.3 52.1 67.9 72.7 84.9 48.4 10.7 1,906 Tete 71.6 31.6 44.6 59.4 74.3 29.0 13.7 1,025 Manica 46.8 33.6 57.5 46.9 75.9 24.1 15.7 809 Sofala 47.9 34.1 39.0 44.8 64.3 22.9 25.1 865 Inhambane 35.6 34.3 55.4 50.8 69.4 20.6 23.8 1,088 Gaza 55.1 24.4 54.6 44.3 70.8 18.8 21.4 666 Maputo 62.7 47.3 68.0 58.6 74.9 41.3 19.3 1,050 Maputo Cidade 52.3 32.4 47.0 49.0 55.7 20.7 24.0 1,059 Nível de escolaridade Nenhum 65.0 40.2 57.4 65.5 81.3 33.0 10.0 5,100 Primário 59.1 36.4 55.1 58.5 71.7 28.5 18.1 6,347 Secundário 51.7 35.9 46.2 48.7 53.9 25.5 28.8 940 Superior [ 84.4 [ 36.8 [ 55.5 [ 73.1 [ 60.6 [ 33.8 [ 13.6 30 Quintil de riqueza Mais baixo 67.7 40.8 59.7 66.1 81.3 35.1 10.4 2,814 Segundo 61.4 36.6 52.9 61.8 78.7 29.3 13.6 2,166 Médio 63.0 36.9 54.2 64.8 78.0 30.4 12.4 2,333 Quarto 56.6 36.6 54.4 59.0 70.5 28.1 18.9 2,251 Mais elevado 56.1 37.8 54.7 52.4 63.9 27.1 22.3 2,854 Tipo de emprego Sem emprego 48.9 26.7 40.0 47.1 57.3 19.0 27.9 3,496 Com pagamento em dinheiro 69.7 54.7 72.7 71.2 83.8 43.6 7.5 2,266 Sem pagamento em dinheiro 65.0 38.3 57.9 64.8 80.5 31.6 11.3 6,595 Não sabe/sem informação 15.7 11.7 16.5 14.6 18.5 8.3 77.3 61 Religião Católica 65.6 40.6 56.8 64.6 74.4 33.3 14.5 3,763 Muçulmana 66.5 37.1 54.2 70.7 79.0 29.1 9.3 2,335 Sião/Zione 55.8 37.8 60.1 54.6 76.4 29.0 15.4 1,087 Protestante/Evangélica 56.1 37.7 54.7 55.1 70.8 29.0 20.0 3,375 Outra 64.9 53.9 72.5 65.5 90.1 49.4 7.7 55 Sem religião 56.9 33.2 52.0 53.5 72.6 27.0 18.1 1,800 Total 61.1 37.9 55.4 60.7 74.3 30.1 15.6 12,418 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Percentagem precedida por parêntese está baseada em 25-49 casos não ponderados. Características da População Entrevistada | 47 Quadro 3.11.2 Participação da mulher na tomada de decisões por característica: homens Percentagem de homens que afirma que as mulheres sozinhas ou junto com os maridos deve ter a última palavra em decisões específicas, por características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Mulheres sozinhas ou junto com os maridos deve ter a última palavra em: ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Em fazer Sobre a Em fazer compras das ementa Que fazer grandes necessidades Nas para as com o Todas Nehuma compras diárias visitas refeições dinheiro Quantas as das Número para o para a familiares no que crianças decisões decisões de Característica agregado a família ou amigos dia-a-dia ela ganha ter especificas especificas homens ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 32.8 54.1 46.4 80.4 52.5 54.2 14.2 13.8 673 20-24 37.5 51.8 49.1 78.7 53.6 57.5 18.6 13.2 404 25-29 31.9 44.6 42.2 74.6 56.4 56.9 15.1 15.2 378 30-34 27.3 40.5 40.6 69.1 46.9 54.3 13.0 21.3 329 35-39 27.2 43.2 38.1 74.8 49.2 54.0 13.7 15.8 265 40-44 37.9 53.0 40.6 71.1 45.2 57.6 15.0 16.0 221 45-49 41.7 46.6 54.4 77.4 60.9 58.7 23.0 14.0 221 50-54 32.5 47.1 49.3 78.3 57.6 62.4 17.2 14.3 176 55-59 28.9 41.4 36.7 70.4 53.2 50.9 18.9 23.8 124 60-64 26.9 41.8 50.5 81.6 50.1 54.3 14.4 17.0 111 Estado civil Solteiro 37.0 58.9 50.8 81.7 56.3 57.1 18.3 12.5 911 Casado/união consensual 30.4 41.6 41.7 73.4 50.5 55.6 14.4 17.2 1,844 Alguma vez unido 37.8 59.4 48.7 76.6 55.8 53.2 19.7 16.7 145 Número de filhos 0 35.0 56.1 48.1 80.5 53.4 55.5 17.0 13.8 1,047 1-2 31.3 44.2 44.2 72.6 54.9 57.9 14.9 17.5 636 3-4 31.1 42.7 44.6 72.5 52.1 55.1 17.1 18.4 528 5+ 32.4 43.0 41.0 75.6 49.5 55.6 14.1 14.9 689 Residência Rural 23.3 34.5 36.5 68.8 46.3 51.1 9.5 19.9 1,705 Urbana 46.5 67.0 57.0 86.6 61.5 62.9 24.9 9.7 1,195 Província Niassa 20.8 44.2 35.4 80.7 61.3 61.2 13.8 8.8 116 Cabo delgado 4.4 7.4 20.7 33.5 20.8 23.1 2.3 63.5 274 Nampula 23.9 43.8 47.7 72.6 49.7 58.1 9.9 18.4 693 Zambézia 18.6 22.7 35.2 69.4 66.1 71.1 5.3 7.3 463 Tete 20.1 20.6 14.8 51.3 22.5 25.5 5.1 40.6 222 Manica 23.4 67.5 29.8 91.2 27.8 43.1 5.9 4.3 192 Sofala 59.8 61.7 60.7 96.8 50.0 62.9 24.0 0.5 226 Inhambane 71.3 78.8 67.5 94.2 73.3 71.8 48.6 1.6 164 Gaza 59.8 68.9 50.5 99.5 63.4 39.4 18.9 0.5 90 Maputo 60.8 99.7 83.2 99.4 86.5 78.2 41.5 0.0 197 Maputo Cidade 56.9 78.6 62.3 95.3 69.1 64.0 34.0 2.9 261 Nível de escolaridade Nenhum 16.9 25.9 29.3 63.8 45.1 48.9 6.4 24.8 501 Primário 31.7 47.2 44.1 76.6 50.2 53.8 13.8 15.9 1,940 Secundário 54.1 73.8 64.2 87.1 69.3 72.1 33.3 5.2 437 Superior [ 81.7 [ 99.1 [ 86.3 [ 100.0 [ 100.0 [ 93.5 [ 72.9 [ 0.0 21 Quintil de riqueza Mais baixo 20.4 26.0 29.9 69.6 46.9 54.4 6.7 16.3 660 Segundo 20.1 32.3 35.9 64.9 40.2 46.9 8.0 26.1 483 Médio 21.2 34.4 36.6 69.0 43.4 45.8 7.0 22.6 528 Quarto 39.6 61.6 51.4 79.0 59.0 59.4 21.5 13.7 489 Mais elevado 56.2 78.3 65.7 92.6 68.0 68.3 31.8 4.7 741 Tipo de emprego Sem emprego 30.7 47.7 44.8 76.0 51.4 52.1 14.5 17.0 1,126 Com pagamento em dinheiro 39.5 52.4 46.0 75.3 51.0 53.9 21.3 19.4 943 Sem pagamento em dinheiro 28.2 42.8 43.7 77.2 55.9 63.9 11.7 9.7 815 Religião Católica 33.4 44.5 44.8 74.8 57.2 62.7 16.4 13.8 951 Muçulmana 45.7 59.5 50.1 85.4 60.4 62.5 23.2 7.1 577 Sião/Zione 19.1 33.9 37.0 60.8 40.6 45.1 8.5 32.6 640 Protestante/Evangélica 43.8 67.0 51.9 88.0 57.6 56.9 21.1 5.9 184 Sem religião 30.8 51.6 46.5 82.8 48.5 49.5 14.2 11.8 546 Total 32.8 47.9 44.9 76.2 52.6 56.0 15.9 15.7 2,900 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Percentagem precedida por parêntese está baseada em 25-49 casos não ponderados. Percertagem baseada em menos de 25 casos não ponderados não é apresentada (16 homens sem informação para tipo de emprego). | Características da População Entrevistada 48 Aceitação e Razões para Bater na Esposa O Quadro 3.12.1 mostra a atitude das mulheres em relação à agressão do marido devido a cinco razões específicas: ela queimou a comida, não aprontou a refeição a tempo, discutiu com o marido, saiu de casa sem despedir do marido, não tomou conta das crianças, recusou-se a ter relações sexuais com o marido. As mulheres que acreditam que um marido tem o direito de agredir fisicamente a sua esposa por alguma razão, crêem normalmente que elas próprias devem estar numa condição tanto absoluta como relativamente abaixo do homem. Tal percepção pode actuar como barreira no acesso aos cuidados de saúde para elas mesmas e para as suas crianças, e pode, inclusivamente, afectar a sua atitude em relação ao uso de métodos contraceptivos, podendo, no geral, influenciar o seu bem estar. A atitude dos homens em relação a agressão física às mulheres está representada no Quadro 3.12.2. · Em relação as razões descriminadas, 54 por cento das mulheres indicaram pelo menos uma razão como admissível para ser agredida pelo marido (Quadro 3.12.1). Pelo contrario, a percentagem de homens que indicaram pelo menos uma razão justificável para o marido agredir a sua esposa é de 42 por cento (Quadro 3.12.2). Em quase todas as categorias de resposta, as mulheres apresentam percentagens mais elevadas que as dos homens. · A nível de províncias, Maputo Cidade apresenta a menor percentagem (31 por cento) de mulheres que encontraram pelo menos uma razão justificável para um homem agredir sua esposa contra mais de 60 por cento nas Províncias de Inhambane, Tete e Nampula (Quadro 3.12.1). A Atitude em Relação à Recusa do Acto Sexual com o Marido O grau de controle exercido pelas mulheres sobre quando e com quem deve ter relações sexuais tem importantes implicações sobre aspectos demográficos e o estado de saúde da mulher. O IDS 2003 incluiu uma pergunta sobre se o inquirido acha que é justificável que uma esposa se recusar a manter relações sexuais com o seu marido sob quatro circunstâncias: ela está cansada ou não está com vontade, acaba de dar à luz, ela sabe que o seu marido teve sexo com outra mulher, ela sabe que o seu marido tem uma doença de transmissão sexual (DTS). Estas quatro circunstâncias para as quais as opiniões das mulheres são investigadas foram escolhidas porque combinam de forma efectiva com as questões de direitos e consequências para a saúde da mulher. Os Quadros 3.13.1 e 3.13.2 mostram a percentagem dos inquiridos que afirmam ser justificável que as mulheres recusem fazer sexo com os seus maridos por razões especificas, segundo características seleccionadas. Os Quadros também mostram como as opiniões das mulheres na recusa ao sexo com os seus maridos varia dependendo da sua autonomia na tomada de decisão e suas atitudes em relação à agressão às esposas pelos maridos. · Mais de 50 por cento das mulheres, acham que as mulheres tem o direito de recusar de manter relações sexuais com os seus maridos se estiverem nas situações seleccionadas. A percentagem mais alta refere-se a situação em que a mulher recusa de ter relações sexuais por saber que o marido manteve relações sexuais com outra mulher (84 por cento), superando inclusive a situação em que a mulher sabe que o seu marido tem uma doença de transmissão sexual (63 por cento). · O acesso ao emprego parece ter uma relação directa com a possibilidade de a mulher recusar de manter relações sexuais nas situações em que ela achar conveniente. Assim por exemplo, a percentagem de mulheres sem emprego que acham que se justifica recusar manter relações sexuais nos casos mencionados é inferior a das mulheres com emprego pago em dinheiro. As mulheres que acham que se justifica recusar manter relações sexuais com o marido quando estiverem cansadas ou estiverem sem vontade, para as com emprego a percentagem é de 85 contra 77 das mulheres sem emprego. Características da População Entrevistada | 49 Quadro 3.12.1 Atitude das mulheres em relação a agressão física às esposas Percentagem das mulheres que afirmam ser justificável bater na esposa por razões especificas, por características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Marido tem direito de agredir fisicamente a sua esposa se ela: Percentagem ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– que Sair Não Recusar-se aceita de casa tomar a ter pelo menos Discutir sem conta relações uma Número Queimar com informar das sexuais com razão de Característica a comida o marido o marido crianças o marido especifica mulheres ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 24.7 33.2 35.7 38.4 29.1 54.8 2,454 20-24 25.0 34.4 37.4 38.0 34.7 55.2 2,456 25-29 21.5 34.0 37.6 38.1 35.4 54.1 2,224 30-34 24.2 31.5 35.9 38.5 36.5 54.8 1,792 35-39 22.2 31.4 35.0 35.7 34.9 49.7 1,411 40-44 22.0 33.4 38.4 39.4 36.9 54.4 1,126 45-49 25.9 33.6 39.0 38.9 38.0 54.6 954 Estado civil Solteira 21.3 28.1 30.3 35.0 22.2 48.1 1,961 Casada/união consensual 24.7 34.8 38.7 39.1 37.4 55.8 8,736 Alguma vez unida 21.5 30.9 34.8 36.7 33.2 52.6 1,721 Número de filhos 0 22.4 31.2 34.4 36.9 28.4 52.5 2,816 1-2 24.1 34.4 37.9 39.1 35.1 55.8 4,265 3-4 23.9 34.1 37.3 38.3 36.8 54.3 3,029 5+ 24.1 32.3 37.2 37.4 37.6 52.9 2,308 Residência Rural 27.3 36.4 40.6 41.2 39.5 57.5 7,870 Urbana 17.4 27.6 30.4 32.7 25.6 48.2 4,548 Província Niassa 22.2 24.8 21.1 20.1 43.5 55.3 476 Cabo Delgado 14.5 27.2 29.0 29.5 27.0 50.3 1,071 Nampula 28.5 34.0 44.8 44.9 43.3 62.0 2,403 Zambézia 26.5 31.2 36.3 34.8 29.3 41.5 1,906 Tete 53.4 60.9 56.1 61.4 50.3 67.5 1,025 Manica 24.1 31.9 39.3 35.7 40.5 58.6 809 Sofala 11.4 32.9 27.3 30.7 25.0 47.1 865 Inhambane 16.8 39.9 41.3 48.3 42.5 68.5 1,088 Gaza 17.7 21.2 36.9 42.7 27.6 58.8 666 Maputo 25.9 36.4 38.6 35.7 35.0 57.3 1,050 Maputo Cidade 7.3 16.5 15.5 19.7 10.2 30.5 1,059 Nível de escolaridade Nenhum 27.2 36.6 41.0 40.7 40.5 57.2 5,100 Primário 22.6 32.4 35.7 37.9 32.5 54.2 6,347 Secundário 12.5 21.3 22.4 26.8 15.6 38.6 940 Superior [ 0.0 [ 0.0 [ 1.8 [ 1.8 [ 0.0 [ 1.8 30 Quintil de riqueza Mais baixo 25.9 33.5 37.8 37.4 36.5 53.3 2,814 Segundo 28.1 37.5 41.2 42.8 41.1 59.2 2,166 Médio 29.6 38.9 42.3 42.5 41.2 59.0 2,333 Quarto 21.8 33.1 37.3 40.5 34.4 57.2 2,251 Mais elevado 14.8 25.0 27.8 29.7 21.8 44.6 2,854 Tipo de emprego Sem emprego 21.5 33.3 37.2 38.7 29.1 53.4 3,496 Com pagamento em dinheiro 23.5 33.7 35.7 39.6 34.6 53.8 2,266 Sem pagamento em dinheiro 25.0 33.1 37.1 37.3 37.3 54.7 6,595 Não sabe/sem informação 16.4 22.1 30.4 35.1 19.5 47.6 61 Religião Católica 24.5 31.7 35.9 36.7 31.5 50.7 3,763 Muçulmana 21.5 31.0 37.1 36.7 38.2 56.9 2,335 Sião/Zione 22.8 35.3 39.5 40.7 36.6 60.7 1,087 Protestante/Evangélica 21.3 31.6 34.5 36.4 31.5 50.9 3,375 Outra 35.8 46.5 47.3 42.0 44.4 72.0 55 Sem religião 29.5 40.3 41.0 44.4 39.5 59.2 1,800 Número de decisões nas quais a mulher tem a última palavra1 0 27.6 37.1 40.6 45.1 31.7 57.8 1,937 1-2 25.5 39.4 43.2 43.3 39.9 60.7 3,293 3-4 18.8 28.1 32.2 32.3 31.8 49.4 3,448 5 24.6 30.3 33.5 35.2 33.4 50.7 3,740 Total 23.7 33.2 36.8 38.1 34.4 54.1 12,418 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Percentagem precedida por parêntese está baseada em 25-49 casos não ponderados. 1A entrevistada ou junto com alguém mais. O Quadro 3.10 mostra os diferentes tipos de decisões | Características da População Entrevistada 50 Quadro 3.12.2 Atitude dos homens em relação a agressão física às esposas Percentagem dos inquiridos que afirmam ser justificável bater na esposa por razões especificas, por características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Marido tem direito de agredir fisicamente a sua esposa se ela: Percentagem ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– que Sair Não Recusar-se aceitam de casa tomar a ter pelo menos Discutir sem conta relações uma Número Queimar com informar das sexuais com razão de Característica a comida o marido o marido crianças o marido especifica homens ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 11.1 24.1 30.7 32.6 21.1 52.8 673 20-24 6.8 21.3 25.9 26.0 14.0 44.0 404 25-29 7.2 23.9 22.8 23.4 17.9 39.3 378 30-34 10.0 22.5 25.1 24.5 14.7 38.8 329 35-39 6.2 20.5 24.9 23.2 18.8 41.4 265 40-44 9.7 20.2 24.8 26.5 18.0 39.9 221 45-49 3.7 11.1 16.3 14.9 13.0 25.3 221 50-54 5.3 15.6 30.2 21.4 22.4 39.7 176 55-59 1.6 15.2 13.4 14.0 12.6 26.1 124 60-64 7.1 25.2 23.1 22.2 17.1 36.2 111 Estado civil Solteiro 10.6 23.5 29.2 31.2 18.9 50.6 911 Casado/união consensual 6.6 19.6 23.5 22.3 16.7 37.4 1,844 Alguma vez unido 6.4 23.5 22.8 20.9 17.7 37.8 145 Número de filhos 0 9.5 23.7 28.0 30.2 19.2 49.1 1,047 1-2 9.0 21.1 25.1 22.8 16.9 39.6 636 3-4 5.2 19.1 24.4 23.2 15.7 36.5 528 5+ 6.3 18.5 21.8 20.6 16.8 35.7 689 Residência Rural 9.0 23.5 25.3 24.7 19.2 41.6 1,705 Urbana 6.2 17.6 25.1 25.5 14.9 41.5 1,195 Província Niassa 8.4 11.6 17.4 15.3 7.2 24.2 116 Cabo Delgado 10.7 23.5 34.3 22.7 22.9 41.8 274 Nampula 8.0 13.9 26.5 19.4 22.2 40.2 693 Zambézia 10.0 25.3 31.6 31.2 17.8 43.0 463 Tete 8.0 26.0 12.1 23.0 15.2 38.6 222 Manica 13.4 34.3 22.8 39.6 23.5 59.2 192 Sofala 4.1 29.6 25.1 32.3 16.5 53.9 226 Inhambane 3.7 23.0 20.4 26.9 12.1 38.7 164 Gaza 11.6 37.7 23.6 29.5 23.4 52.6 90 Maputo 0.1 6.5 18.3 7.8 6.4 23.7 197 Maputo Cidade 6.6 17.0 26.8 30.7 11.3 40.1 261 Nível de escolaridade Nenhum 6.8 21.5 26.1 24.7 18.6 38.2 501 Primário 8.8 22.4 27.4 26.4 19.1 44.8 1,940 Secundário 5.3 15.5 15.9 20.4 9.7 32.8 437 Superior * * * * * * 21 Quintil de riqueza Mais baixo 7.7 23.2 26.2 25.4 21.5 42.6 660 Segundo 13.8 26.4 26.5 30.7 19.1 46.3 483 Médio 5.0 21.4 24.5 21.3 17.9 39.1 528 Quarto 7.6 19.8 25.0 24.8 17.2 42.5 489 Mais elevado 6.3 16.3 24.2 23.7 12.6 38.6 741 Tipo de emprego Sem emprego 7.0 20.4 25.8 27.5 16.0 42.3 1,126 Com pagamento em dinheiro 8.0 18.5 20.5 23.5 14.0 36.3 943 Sem pagamento em dinheiro 8.5 24.3 29.6 22.8 23.5 46.0 815 Sem informação * * * * * * 16 Sem Religião Católica 8.0 21.6 28.0 24.4 18.1 42.5 951 Muçulmana 6.6 19.2 24.4 24.9 14.1 40.7 577 Sião/Zione 9.1 17.7 25.7 22.3 19.9 37.5 640 Protestante/Evangélica 7.5 24.2 24.2 25.4 16.2 44.3 184 Sem religião 7.3 25.0 21.2 29.2 17.5 44.5 546 Número de decisões nas quais a mulher tem a última palavra1 0 * * * * * * 10 1-2 10.3 20.6 30.9 31.5 15.2 48.1 99 3-4 8.2 22.0 27.0 25.8 17.6 46.8 1,137 5-6 7.5 20.5 23.8 24.2 17.6 37.7 1,654 Total 7.8 21.1 25.2 25.0 17.5 41.5 2,900 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Percentagem baseada em menos de 25 casos não ponderados não é apresentada. 1A entrevistada ou junto com alguém mais. O Quadro 3.10 mostra os diferentes tipos de decisões. Características da População Entrevistada | 51 Quadro 3.13 Atitude da mulher em relação à recusa do acto sexual com o marido Percentagem de mulheres crêem que uma esposa tem o direito de recusar relações sexuais com o marido por razões especificas, segundo características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Esposa tem o direito de recusar relações sexuais com o marido quando: –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Ela sabe Ela sabe que Ela que o o seu marido está Ela seu marido tem uma Todas Nenhuma cansada acaba teve sexo doença de as das Número ou não está de dar com outra transmissão razões razões de Característica com vontade à luz mulher sexual especificas especificas mulheres ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 76.4 54.9 74.3 59.7 41.1 14.5 2,454 20-24 80.6 53.4 85.8 64.4 44.0 8.7 2,456 25-29 82.2 54.7 86.7 65.0 44.1 7.2 2,224 30-34 77.1 51.0 84.2 60.7 41.1 9.1 1,792 35-39 79.7 51.3 86.1 64.0 43.8 8.9 1,411 40-44 83.5 56.3 89.2 68.5 47.9 5.6 1,126 45-49 80.7 49.2 87.9 58.3 41.6 7.8 954 Estado civil Solteira 75.6 57.5 72.1 62.3 43.1 15.2 1,961 Casada/união consensual 79.9 51.9 86.3 62.7 42.8 8.3 8,736 Alguma vez unida 83.5 55.7 85.7 64.4 45.3 7.7 1,721 Número de filhos 0 75.1 53.0 71.6 59.1 39.6 14.7 2,816 1-2 81.8 54.3 87.5 64.7 44.0 7.5 4,265 3-4 80.6 53.0 87.4 63.4 45.2 8.1 3,029 5+ 80.4 52.1 88.0 63.6 43.4 7.6 2,308 Residência Rural 78.7 52.1 85.2 62.5 43.4 9.7 7,870 Urbana 81.5 55.3 81.8 63.5 42.7 8.7 4,548 Província Niassa 83.8 64.7 92.1 75.1 57.8 4.8 476 Cabo Delgado 70.7 36.9 75.6 60.4 29.1 19.9 1,071 Nampula 68.6 38.5 72.9 44.1 29.1 19.3 2,403 Zambézia 67.5 64.9 82.5 72.9 57.4 13.2 1,906 Tete 85.2 67.4 92.0 68.2 54.7 2.8 1,025 Manica 90.8 43.0 95.0 48.2 31.9 1.4 809 Sofala 89.5 66.8 94.5 78.4 60.3 2.6 865 Inhambane 92.1 53.9 90.7 67.7 43.7 2.4 1,088 Gaza 89.4 50.4 89.7 66.7 39.0 1.9 666 Maputo 91.7 50.7 86.1 58.1 37.0 3.9 1,050 Maputo Cidade 81.8 64.2 79.2 75.2 48.8 6.0 1,059 Nível de escolaridade Nenhum 77.1 50.1 85.5 60.6 42.0 9.5 5,100 Primário 80.8 53.8 82.5 63.0 42.8 9.9 6,347 Secundário 86.3 66.5 86.2 73.8 51.3 4.1 940 Superior [ 82.3 [ 73.0 [ 74.4 [ 84.9 [ 65.2 [ 13.1 30 Quintil de riqueza Mais baixo 76.0 51.8 84.3 63.2 45.4 11.7 2,814 Segundo 76.2 50.8 83.6 60.6 42.3 11.5 2,166 Médio 78.8 51.7 85.0 59.7 42.2 9.8 2,333 Quarto 82.9 52.0 84.3 63.0 41.0 8.0 2,251 Mais elevado 84.3 58.8 82.8 66.8 44.2 6.0 2,854 Tipo de emprego Sem emprego 76.9 54.1 77.4 62.9 40.8 11.1 3,496 Com pagamento em dinheiro 85.2 58.3 87.5 68.8 46.4 5.2 2,266 Sem pagamento em dinheiro 79.3 51.1 86.4 60.8 43.3 9.7 6,595 Sem informação 75.2 59.6 69.6 70.6 42.2 15.6 61 Religião Católica 77.3 55.1 84.1 64.2 45.4 10.5 3,763 Muçulmana 70.3 43.8 73.9 55.1 34.8 18.2 2,335 Sião/Zione 89.2 52.0 88.7 64.2 41.0 2.3 1,087 Protestante/Evangélica 84.4 58.0 86.9 66.3 46.7 6.0 3,375 Outra 73.2 61.0 90.2 60.8 39.5 1.4 55 Sem religião 82.8 53.5 88.4 63.1 44.2 6.0 1,800 Número de decisões nas quais a mulher tem a última palavra1 0 80.0 61.1 77.9 65.8 44.9 10.5 1,937 1-2 78.5 50.0 85.3 60.2 39.9 8.3 3,293 3-4 80.9 51.5 82.4 61.7 42.4 10.7 3,448 5 79.6 53.8 87.4 64.8 45.9 8.3 3,740 Número de razões que justifi cam que o marido bata na muher2 0 73.1 52.8 77.9 63.0 44.5 14.8 5,698 1-2 83.7 48.3 86.5 61.6 37.2 6.1 2,658 3-4 86.5 52.3 89.7 61.8 39.4 4.0 2,394 5 86.0 64.1 92.5 66.3 53.6 3.3 1,668 Total 79.7 53.3 84.0 62.9 43.2 9.3 12,418 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Percentagem precedida por parêntese está baseada em 25-49 casos não ponderados. 1A entrevistada ou junto com alguém mais. O Quadro 3.10 mostra os diferentes tipos de decisões. 2O Quadro 3.12.1 mostra os diferentes tipos de decisões | Características da População Entrevistada 52 Fecundidade | 53 FECUNDIDADE 4 A fecundidade é uma das variáveis demográficas utilizadas para avaliar a tendência do crescimento vegetativo da população, razão pela qual o IDS recolheu informação detalhada sobre o comportamento reprodutivo da mulher Moçambicana. Para cada entrevistada recolheu-se dados sobre a história de nascimentos, quer dizer, o número de filhos nascidos vivos, data de nascimento e sexo de cada um dos filhos, sua condição de sobrevivência no momento da entrevista e idade ao morrer dos já falecidos. Esta informação permite obter estimativas directas dos níveis actuais, padrão e as tendências da fecundidade, bem como a análise de fecundidade completada - número de crianças nascidas de mulheres do grupo etário 40-49 anos de idade. Estas medidas de fecundidade são analisadas a luz de algumas características sócio-demográficas seleccionadas. Neste capítulo faz-se a análise da fecundidade actual, estimada através das taxas gerais e específicas de fecundidade, e das tendências da fecundidade nos últimos vinte anos (1983-2003). Mais adiante relacionam-se as medidas de fecundidade com alguns dos seus determinantes segundo características seleccionadas das entrevistadas, tais como área de residência, província, nível de escolaridade e quintís de riqueza. Analisa-se, ainda, a fecundidade acumulada ou de coortes, em termos do número médio de filhos nascidos vivos e sobreviventes de todas as mulheres, bem como das mulheres alguma vez casadas ou em união marital; examinam-se duas variáveis chaves no estudo da fecundidade: os intervalos entre os nascimentos e a idade ao primeiro nascimento; e finalmente analisa-se a fecundidade das adolescentes a luz de algumas caracteristicas seleccionadas (idade, área de residência, província, escolaridade e quintís de riqueza). 4.1 FECUNDIDADE ACTUAL A estimativa da fecundidade actual está referida aos três anos precedentes ao inquérito, cobrindo aproximadamente os anos calendário 2001-2003, pelo que os resultados obtidos estão centrados ao ano 20025. São calculadas taxas relativas a três anos para fornecer a informação mais recente. As estimativas do nível de fecundidade actual tem relevância na definição de políticas e programas para a população. As estimativas da fecundidade apresentadas nesta secção baseiam-se nas histórias reprodutivas relatadas pelas mulheres de 15-49 anos de idade entrevistadas no âmbito do IDS. Com base nas histórias de nascimentos estimou-se a fecundidade retrospectiva (número médio de filhos nascidos vivos) e a fecundidade actual (taxas específicas de fecundi- dade). O Quadro 4.1 apresenta as taxas específicas de fecundidade por área de residência (veja Gráfico 4.1). Um indicador sintético do nível de fecundidade que facilita as comparações é a taxa global de fecundidade (TGF). Este indicador pode interpretar-se como o número médio de filhos que teriam as mulheres durante toda a sua vida reprodutiva, se as condições de fecundidade se mantivessem constantes. 5O trabalho de campo decorreu entre Agosto de 2003 e Dezembro de 2004 Quadro 4.1 Fecundidade actual Taxas específicas de fecundidade e taxa global de fecundidade para os três anos anteriores ao inquérito, por área de residência, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Área de residência –––––––––––––––– Idade/taxa Rural Urbana Total ––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 207 143 179 20-24 266 209 246 25-29 242 190 226 30-34 216 139 191 35-39 159 126 148 40-44 83 59 75 45-49 55 16 43 Taxa TGF 6.1 4.4 5.5 TFG 214 156 193 TBN 49 31 40 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: As taxas referem-se ao período de 1-36 meses anterior à entrevista. As taxas para o grupo 45-49 anos podem apresentar ligeiro viés devido ao efeito dos valores truncados. TGF: Taxa global de fecundidade expressada por mulher. TFG: Taxa de fecundidade geral (nascimentos divididos por número de mulheres 15-44) expressada por 1,000 mulheres. TNB: Taxa bruta da natalidade. | Fecundidade 54 · A taxa global de fecundidade para o total do País é de 5.5 filhos por mulher, isto é, se a fecundidade permanecesse constante em Moçambique, as mulheres teriam, em média, 5.5 crianças até ao fim da sua vida reprodutiva · Esta taxa global de fecundidade é, aproximadamente, igual à que foi calculada no IDS de 1997. Porém, a fecundidade nas áreas rurais é actualmente mais alta do que estava em 1997 (6.2 contra 5.8) e fecundidade urbana é mais baixa (4.4 contra 5.1). Os numeradores das taxas específicas de fecundidade apresentadas no Quadro 4.1 foram calculados isolando os nados vivos que ocorreram num período de 1 a 36 meses anteriores ao inquérito (determinados a partir da data da entrevista e da data do nascimento da criança) e classificando-os por idade ? em grupos quinquenais de idade? da mãe à altura do parto (determinada a partir da data do nascimento da mãe). O denominador da taxa é o número dos anos vividos pelas mulheres em cada grupo especificado de cinco anos de idade, durante o período de 1 a 36 meses anteriores ao inquérito. A soma das taxas de fecundidade dum grupo etário específico (isto é, a taxa global de fecundidade ou TGF), sumariza o nível actual de fecundidade. O numerador para a taxa de fecundidade geral (TFG) é o número total de nascimentos ocorridos no período de referência, entre as mulheres com idade compreendida entre os 15-49 anos de idade. A taxa bruta de natalidade (TBN) é calculada somando o produto das taxas específicas de fecundidade multiplicadas pela proporção de mulheres num grupo específico e dividido por total da população (masculina e feminina) listada nos agregados familiares incluídos na amostra. 4.2 DIFERENCIAIS DA FECUNDIDADE No Quadro 4.2 compara-se a Taxa Global de Fecundidade e o número médio de filhos nascidos vivos por mulheres de 40-49 anos e se ilustra os diferenciais por nível de escolaridade, área de residência e províncias. Desta forma é possível identificar onde há evidências de reduções mais importantes nos níveis de fecundidade. No Quadro 4.2 apresenta-se também dados sobre a gravidez em curso, quer dizer, a percentagem de mulheres que à data da entrevista se encontravam grávidas. O Gráfico 4.2 resume os diferenciais por local de residência e nível de escolaridade. Gráfico 4.1 Taxa de Fecundidade por Idade para os Três Anos Anter iores ao Inquér i to , por Área de Residência 0 50 100 150 200 250 300 15-19 20-24 25-29 30-34 35-39 40-44 45-49 Idade da mulher T ax a (p o r 1, 00 0 m u lh er es ) R U R A L T O T A L U R B A N A Gráfico 4.1 Taxa de Fecundidade por Idade para os Três Anos Anter iores ao Inquér i to , por Área de Residência 0 50 100 150 200 250 300 15-19 20-24 25-29 30-34 35-39 40-44 45-49 Idade da mulher T ax a (p o r 1, 00 0 m u lh er es ) R U R A L T O T A L U R B A N A Fecundidade | 55 Nas mulheres que chegam ao final do período reprodutivo (45-49 anos), a média de filhos pode equiparar-se à descendência média final. Numa população onde os níveis de fecundidade permanecem constantes, esta média deve aproximar-se a TGF. Contudo, numa população onde os níveis de fecundidade baixam, a TGF é inferior à média de filhos tidos pelas mulheres de 45-49 anos. Embora esta comparação possa fornecer uma indicação da alteração da fecundidade, a abordagem é as vezes vulnerável a uma sub-estimação da paridade por parte das mulheres mais velhas. · As Províncias de Niassa, Tete, e Manica têm os níveis mais altos de fecundidade, com uma taxa global de aproximadamente 7 crianças por mulher. A taxa global de fecundidade em Niassa (7.2) é extremamente alta e excede a paridade de mulheres de 40-49 anos idade em cerca de meia criança. Um nível de fecundidade actual mais alto que a paridade de mulheres ao término da idade de reprodução também foi observado em 1997 em várias províncias e requer um estudo adicional, desde que possa ser uma indicação de mudanças importantes na fecundidade de grupos particulares. · Em várias províncias, o nível de fecundidade é duas vezes superior ao nível observado na Cidade de Maputo. Isto insinua uma diferença de cerca de três crianças. A fecundidade na Zambézia e em Manica não diminuiu durante décadas, como indica a comparação da taxa de fecundidade total e o número de crianças já nascidas de mulheres com idade entre 40-49 anos. · Como era de esperar o nível de fecundidade diminui rapidamente com a escolaridade. Assim, o nível de fecundidade é mais alto entre as mulheres sem nenhum nível de escolaridade (6.3) contra apenas 2.9 entre as mulheres que têm o nível secundário. O nível de fecundidade tende a ser alto entre as mulheres dos primeiros três quintís do que as do quintil mais alto. · Do total das entrevistadas, 10 por cento se encontravam grávidas, variando por área de residência, província e nível de escolaridade. A percentagem de mulheres grávidas em Manica, Sofala, e Niassa é três vezes superior à de mulheres grávidas em Maputo Cidade (cerca de 14 por cento contra 4.9 por cento). Quadro 4.2 Fecundidade, nascidos vivos e gravidez por características seleccionadas Taxa global de fecundidade para os três anos anteriores ao inquérito, número médio de filhos nascidos vivos para mulheres de 40-49 anos de idade, e percentagem de mulheres actualmente grávidas por área de residência, segundo características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Residência rural Residência urbana Total ––––––––––––––––––––––––– ––––––––––––––––––––––––– –––––––––––––––––––––––––– Taxa Percen- Taxa Percen- Taxa Percen- global Média tagem global Média tagem global Média tagem de de fecun - nascidos de mulheres de fecun - nascidos de mulheres de fecun - nascidos mulheres didade vivos actualmente dade vivos actualmente dade vivos actualmente Característica TGF 40-49 grávidas TGF 40-49 grávidas TGF 40-49 grávidas ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Província Niassa 7.6 6.6 14.6 5.8 6.6 10.6 7.2 6.6 13.6 Cabo Delgado 6.2 6.3 7.5 4.5 6.2 12.0 5.9 6.3 8.5 Nampula 6.5 6.9 10.7 5.5 6.1 7.6 6.2 6.7 9.6 Zambézia 5.4 5.4 11.2 4.8 6.0 10.3 5.3 5.5 11.1 Tete 7.2 7.6 14.7 5.6 6.9 7.1 6.9 7.5 13.5 Manica 6.7 6.5 14.6 6.1 7.2 12.7 6.6 6.7 13.9 Sofala 7.4 6.9 14.6 4.2 5.9 13.1 6.0 6.4 13.9 Inhambane 5.3 5.8 8.7 3.5 4.5 4.0 4.9 5.6 7.6 Gaza 5.6 5.7 10.6 4.8 5.8 8.2 5.4 5.7 9.9 Maputo 4.7 5.3 7.5 3.8 5.6 5.5 4.1 5.5 6.1 Maputo Cidade na na na 3.2 4.8 4.9 3.2 4.8 4.9 Nível de escolaridade Nenhum 6.4 6.4 11.4 5.6 6.1 8.2 6.3 6.3 10.9 Primário 5.9 6.2 11.1 4.5 5.7 8.4 5.3 6.0 9.9 Secundário 4.2 3.4 7.1 2.8 4.2 5.4 2.9 4.1 5.6 Quintil de riqueza Mais baixo 6.4 6.4 11.8 5.4 5.0 12.9 6.3 6.3 11.9 Segundo 6.2 6.2 12.3 5.5 6.4 13.8 6.1 6.3 12.5 Médio 6.3 6.4 11.3 6.5 5.8 10.6 6.3 6.3 11.2 Quarto 5.5 6.2 7.9 4.9 6.4 8.7 5.2 6.3 8.3 Mais elevado 4.4 5.0 9.6 3.7 5.2 6.1 3.8 5.2 6.3 Total 6.1 6.3 11.2 4.4 5.7 7.7 5.5 6.1 9.9 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– na = Não se aplica | Fecundidade 56 4.3 TENDÊNCIAS DA FECUNDIDADE O Quadro 4.3 provê informação adicional sobre as tendências da fecundidade em Moçambique, através da análise da história de nascimentos recolhidos no IDS. As taxas de fecundidade apresentadas referem-se aos períodos quinquenais precedentes ao inquérito. Deve-se assinalar que as taxas entre parênteses estão parcialmente completas, pois não reflectem a experiência de todas as mulheres dos grupos quinquenais que se mostram no quadro mencionado. Para observar a experiência completa do grupo 45-49 anos dever-se-ia contar com a informação das mulheres de 50-54 anos. As taxas globais de fecundidade podem ser calculadas a partir das taxas específicas, mas, apenas acumulando as idades não afectadas pelo truncamento. · Duma forma geral, os dados mostram que a fecundidade observou uma tendência decrescente nos últimos vinte anos anteriores ao inquérito. Esta situação é notória nas coortes das mulheres de 25- 29 e de 30-34 anos, onde as taxas específicas baixaram de 272 e 251 há 15-19 anos anteriores à entrevista para 235 e 191, repectivamente, nos últimos 5 anos anteriores ao inquérito. Nas outras coortes não foram registadas tendências uniformes, isto é, as taxas específicas nalguns casos subiram e noutros baixaram. Quadro 4.3 Tendência da fecundidade Taxas específicas de fecundidade por idade para períodos quinquenais anteriores ao inquérito, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Anos anteriores ao inquérito Idade da mãe ––––––––––––––––––––––––––––– ao nascimento 0-4 5-9 10-14 15-19 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 15-19 185 185 172 175 20-24 252 280 261 266 25-29 235 261 256 272 30-34 191 224 236 [ 251 35-39 142 170 [ 194 na 40-44 76 [ 136 na na 45-49 [ 47 na na na ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– [ = Taxas truncadas na = Não se aplica Gráfico 4.2 Taxa Global de Fecundidade nos Três Anos Anteriores à Data do Inquérito, por Área de Residência, Província e Nível de Escolaridade 2.9 5.3 6.3 3.2 4.1 5.4 4.9 6.0 6.6 6.9 5.3 6.2 5.9 7.2 4.4 6.1 5.5 0 1 2 3 4 5 6 7 8 Secúndário Primário Nemhum NÍVEL DE ESCOLARIDADE Maputo Cidade Maputo Gaza Inhambane Sofala Manica Tete Zambézia Nampula Cabo Delgado Niassa PROVÍNCIA Urbana Rural ÁREA DE RESIDÊNCIA TOTAL Taxa global de fecundidade (número de filhos por mulher) Gráfico 4.2 Taxa Global de Fecundidade nos Três Anos Anteriores à Data do Inquérito, por Área de Residência, Província e Nível de Escolaridade 2.9 5.3 6.3 3.2 4.1 5.4 4.9 6.0 6.6 6.9 5.3 6.2 5.9 7.2 4.4 6.1 5.5 0 1 2 3 4 5 6 7 8 Secúndário Primário Nemhum NÍVEL DE ESCOLARIDADE Maputo Cidade Maputo Gaza Inhambane Sofala Manica Tete Zambézia Nampula Cabo Delgado Niassa PROVÍNCIA Urbana Rural ÁREA DE RESIDÊNCIA TOTAL Taxa global de fecundidade (número de filhos por mulher) Fecundidade | 57 4.4 FECUNDIDADE ACUMULADA Nesta secção examina-se o número médio de filhos tidos por mulher, indicador frequentemente usado na análise do comportamento reprodutivo da população. Nas mulheres de maior idade, este indicador expressa a fecundidade acumulada nos últimos 20 ou 25 anos, quer dizer, mostra aproximadamente a descendência média completa dessa coorte, sendo, portanto, de limitada relevância para a situação actual. A distribuição percentual de todas as mulheres entrevistadas e das actualmente casadas ou em união marital pelo número de filhos nascidos vivos está apresentada no Quadro 4.4. Esta informação, juntamente com o número de filhos sobreviventes, é usada para estimativas indirectas dos níveis e tendências da mortalidade. Uma vez que as estimativas directas da mortalidade infantil e na infância podem ser calculadas a partir dos dados da história de nascimentos recolhidos pelo inquérito, estas são apresentadas no Capítulo 8 do presente relatório. Os resultados, apresentados no Quadro 4.4, para as mulheres mais novas que estão actualmente casadas diferem dos das restantes devido ao elevado número de mulheres solteiras com baixa fecundidade. Embora sejam mínimas, as diferenças nas idades mais avançadas reflectem geralmente o impacto da dissolução marital. A distribuição da paridade para as mulheres mais velhas, em união conjugal, também fornece uma medida da infertilidade primária. Uma opção voluntária de não fazer filhos é rara nos países subdesenvolvidos, e muitas vezes quando as mulheres casadas não têm filhos é porque não são capazes de conceber ou suster uma gravidez. A percentagem de mulheres sem filhos nas mulheres casadas no fim da idade reprodutiva, geralmente oscila entre 2 a 5 por cento. · Apenas 20 por cento do total de mulheres (9 por cento de mulheres casadas) não têm filhos. Entre todas as mulheres entrevistadas, a proporção de mulheres sem filhos diminui drasticamente com a idade: de 66 por cento entre mulheres dos 15-19 anos para somente 18 por cento de mulheres com 20-24 anos de idade (de 36 para 11 por cento entre as mulheres casadas, nas mesmas faixas etárias). · Em média, no País, as mulheres deram à luz três crianças até aos 29 anos, quatro crianças até aos 34, e 6.5, em média, no últimos anos de sua fecundidade. Entre as mulheres casadas ou em união, a média de filhos nascidos vivos é cerca de três. 4.5 INTERVALOS ENTRE OS NASCIMENTOS O intervalo entre os nascimentos, definido também como espaçamento das gravidezes ou período inter genésico, tem sido utilizado como um importante indicador da condição de sobrevivência de crianças. É sabido que intervalos curtos entre os nascimentos estão associados a riscos mais elevados de mortalidade infantil e na infância. O Quadro 4.5 mostra a distribuição percentual de nascimentos para os cinco anos precedentes à data do inquérito por número de meses decorridos entre um nascimento e outro, segundo características demográficas das mães. No Quadro 4.5 apresenta-se também o intervalo mediano, isto é, o valor no qual ocorreram 50 por cento dos nascimentos. A prevalência de intervalos entre partos com uma duração de 48 meses ou mais é apresentada, isoladamente, no Gráfico 4.3, segundo área de residência, província, e nível educacional da mãe. · Na maioria das províncias, só uma proporção pequena de nascimentos (18-28 por cento) ocorreram depois de quatro anos ou mais de intervalo, enquanto que, na Cidade de Maputo, a percentagem é de 43 por cento e na Província de Maputo é de 33 por cento. Em geral, 55 por cento de mulheres têm um intervalo entre partos inferior a 36 meses. | Fecundidade 58 · O intervalo mediano entre os nascimentos é de 34.4 meses a nível nacional, 36.3 nas áreas urbanas e 33.9 nas áreas rurais. O intervalo entre os nascimentos mudou pouco desde 1997 e não varia muito por província, exceptuando a Província de Maputo com uma mediana de 40 meses e Maputo Cidade com 44. · Embora a duração do intervalo médio entre os nascimentos geralmente aumente com a escolarização, os resultados mostram pequena diferença entre mulheres sem educação e aquela s com nível de escolaridade primário; porém, para mulheres com ensino secundário, o intervalo mediano entre os nascimento é de 45 meses. Quadro 4.4 Filhos nascidos vivos e filhos sobreviventes das todas as mulheres e das mulheres unidas Distribuição percentual de todas as mulheres e das mulheres unidas por número de filhos nascidos vivos e número médio de filhos nascidos vivos e sobreviventes, segundo idade e província, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Média Média Filhos nascidos vivos Número de filhos de filhos –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– de nascidos sobre- Característica 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10+ Total mulheres vivos viventes ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– TODAS AS MULHERES ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 66.0 26.4 6.4 0.8 0.3 0.0 0.0 0.1 0.0 0.0 0.0 100.0 2,454 0.43 0.36 20-24 17.7 29.7 30.3 15.1 5.6 1.0 0.3 0.2 0.0 0.0 0.0 100.0 2,456 1.67 1.39 25-29 7.2 12.6 18.9 24.7 18.6 11.0 4.4 2.2 0.1 0.2 0.0 100.0 2,224 2.99 2.42 30-34 5.6 9.1 9.8 13.8 16.7 20.0 12.1 7.8 2.6 1.5 0.9 100.0 1,792 4.08 3.26 35-39 4.2 5.8 8.6 8.9 11.2 18.3 14.3 11.4 7.6 6.2 3.5 100.0 1,411 5.05 3.98 40-44 3.3 4.6 6.9 8.7 10.8 13.4 10.5 11.9 12.7 7.5 9.9 100.0 1,126 5.75 4.40 45-49 3.1 4.8 4.9 6.1 7.1 12.3 10.0 11.1 12.0 9.7 19.0 100.0 954 6.52 4.78 Província Niassa 15.5 14.9 14.6 11.6 10.6 9.4 7.7 4.8 3.6 2.6 4.7 100.0 1,547 3.51 2.56 Cabo Delgado 17.0 15.6 15.0 11.7 8.3 9.2 8.4 4.4 2.5 3.0 4.8 100.0 1,071 3.39 2.42 Nampula 17.3 15.0 12.5 9.1 9.2 11.2 7.0 6.5 3.8 4.4 3.9 100.0 2,403 3.62 2.65 Zambézia 12.5 16.2 15.3 17.0 11.2 10.8 6.2 5.0 2.4 1.3 2.2 100.0 1,906 3.23 2.74 Tete 16.5 13.5 11.7 10.9 10.2 10.3 6.1 6.1 6.7 3.7 4.3 100.0 1,025 3.76 2.87 Manica 20.0 14.0 13.4 12.6 10.0 9.6 6.3 5.1 4.0 2.0 3.0 100.0 809 3.22 2.57 Sofala 20.2 14.0 14.0 12.2 10.8 9.0 6.0 5.0 3.7 1.6 3.6 100.0 865 3.20 2.41 Inhambane 21.0 19.0 14.4 13.1 9.3 8.2 4.1 3.8 3.1 2.1 1.8 100.0 1,088 2.79 2.23 Gaza 22.0 19.0 15.6 11.8 8.5 8.3 5.4 2.6 3.9 1.7 1.0 100.0 666 2.70 2.19 Maputo 27.4 18.8 15.8 10.7 9.3 5.7 4.4 3.0 1.9 1.6 1.2 100.0 1,050 2.38 2.09 Maputo Cidade 35.7 18.6 14.0 9.1 6.9 6.4 3.8 3.2 0.9 0.5 1.0 100.0 1,059 2.00 1.80 Total 19.6 16.1 14.0 11.8 9.7 9.3 5.9 4.8 3.3 2.4 2.9 100.0 12,418 3.14 2.47 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– MULHERES CASADAS OU EM UNIÃO MARITAL ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 35.9 47.4 13.9 1.9 0.9 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 100.0 936 0.84 0.69 20-24 10.8 26.7 34.8 18.3 7.3 1.4 0.4 0.3 0.0 0.0 0.0 100.0 1,747 1.92 1.59 25-29 5.5 10.3 18.0 25.0 20.3 12.8 5.2 2.4 0.2 0.3 0.0 100.0 1,812 3.19 2.58 30-34 5.2 7.3 8.5 13.2 17.1 20.5 13.6 8.8 3.0 1.7 1.1 100.0 1,495 4.28 3.41 35-39 3.4 5.5 8.8 7.2 11.4 18.5 14.3 11.6 8.5 6.7 4.1 100.0 1,158 5.21 4.11 40-44 3.3 4.2 6.3 7.5 10.7 12.4 10.1 13.1 13.4 7.6 11.4 100.0 872 5.95 4.54 45-49 2.3 3.8 4.4 5.3 5.3 12.2 10.0 9.9 13.6 11.7 21.4 100.0 715 6.91 5.03 Total 9.0 15.3 15.8 13.5 11.7 11.1 7.2 5.7 4.1 3.0 3.6 100.0 8,736 3.72 2.92 Fecundidade | 59 Quadro 4.5 Intervalo entre os nascimentos Distribuição percentual dos nascimentos nos cinco anos anteriores ao inquérito, segundo o intervalo desde o nascimento anterior e mediana do intervalo, segundo características seleccionadas, Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Número de meses do nascimento anterior Mediana Número –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– do intervalo de Característica 7-17 18-23 24-35 36-47 48+ Total (meses) nascimentos –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 13.3 22.1 47.8 13.8 3.1 100.0 27.2 211 20-29 5.6 12.5 42.5 22.7 16.7 100.0 32.9 4,189 30-39 4.5 9.4 36.3 20.8 29.1 100.0 36.0 3,062 40-49 2.7 9.5 26.9 22.8 38.1 100.0 41.3 841 Ordem de nascimento 2-3 4.8 11.7 39.4 22.4 21.7 100.0 34.2 3,637 4-6 5.3 11.0 39.0 21.2 23.5 100.0 34.4 3,246 7+ 5.3 10.9 36.7 21.6 25.5 100.0 35.1 1,421 Sexo do filho anterior Masculino 5.2 10.5 37.5 23.3 23.5 100.0 34.9 4,022 Feminino 5.0 12.0 40.0 20.4 22.7 100.0 34.1 4,282 Sobrevivência do filho anterior Vivo 3.0 9.2 39.7 23.0 25.1 100.0 35.4 6,869 Falecido 14.9 21.1 34.5 16.3 13.3 100.0 28.3 1,435 Residência Rural 5.5 12.1 39.8 21.6 21.0 100.0 33.9 6,092 Urbana 4.0 8.9 36.0 22.4 28.7 100.0 36.3 2,211 Província Niassa 6.6 13.4 40.8 21.5 17.6 100.0 32.8 427 Cabo Delgado 6.1 11.4 41.4 21.7 19.3 100.0 33.8 776 Nampula 5.7 13.1 41.8 18.9 20.5 100.0 32.7 1,845 Zambézia 5.4 15.3 34.2 20.5 24.6 100.0 34.2 1,293 Tete 8.2 11.1 43.0 20.2 17.6 100.0 33.1 886 Manica 2.9 8.6 41.8 24.3 22.4 100.0 34.9 654 Sofala 4.0 11.2 41.2 22.8 20.9 100.0 34.0 625 Inhambane 3.8 7.2 37.5 25.8 25.7 100.0 36.4 613 Gaza 2.6 8.2 37.5 24.1 27.5 100.0 36.5 392 Maputo 3.0 5.0 28.6 30.0 33.3 100.0 40.0 464 Maputo Cidade 2.1 8.3 27.7 19.1 42.8 100.0 43.5 328 Nível de escolaridade Nenhum 5.2 13.1 39.2 20.4 22.1 100.0 33.7 4,042 Primário 5.2 9.9 39.3 23.0 22.7 100.0 34.7 4,037 Secundário 1.6 4.5 22.1 25.9 45.8 100.0 45.0 219 Superior * * * * * * * 6 Quintil de riqueza Mais baixo 6.0 14.3 38.5 21.3 20.0 100.0 33.4 2,286 Segundo 4.9 11.0 39.6 23.7 20.7 100.0 34.4 1,673 Médio 5.5 11.9 43.4 18.6 20.7 100.0 32.7 1,872 Quarto 4.7 8.8 40.5 22.2 23.8 100.0 34.8 1,296 Mais elevado 3.3 7.6 29.0 24.8 35.3 100.0 39.2 1,177 Total 5.1 11.3 38.8 21.8 23.1 100.0 34.4 8,304 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Os nascimentos de ordem 1 foram excluídos. O intervalo para nascimentos múltiplos é o número de meses desde a gravidez anterior que resultou no nascimento de nado vivo. Indicador baseado em menos de 25 casos não ponderados não é apresentado (*). 4.6 IDADE DA MULHER AO PRIMEIRO NASCIMENTO A idade em que as mulheres entram para a vida reprodutiva tem implicações demográficas importantes, assim como consequências para a mãe e a criança. A experiência de muitos países mostra que o início tardio da vida reprodutiva das mulheres, que reflecte um aumento da idade ao primeiro casamento, tem contribuído grandemente para o declínio da fecundidade. O Quadro 4.6.1 mostra a distribuição percentual das mulheres por idade à altura do primeiro filho, de acordo com a idade à altura do inquérito. Também é mostrada a idade mediana ao primeiro nascimento segundo área de residência e idade actual. · Como seria de esperar, as mulheres das áreas rurais começam a ter filhos mais cedo que as das áreas urbanas, por isso as percentagens das mulheres das áreas rurais que tiveram o primeiro filho até a idade exacta de 20 anos são mais elevadas para qualquer grupo de idade em todas as colunas de idade específica. | Fecundidade 60 · Exceptuando as mulheres do grupo etário dos 45-49 anos da área rural, a percentagem das mulheres que tiveram o primeiro filho com a idade exacta de 20 anos ultrapassa a metade. A proporção de mulheres menores de 20 anos que são mães é também uma medida da magnitude da fecundidade dos adolescentes, a qual representa um dos principais problemas sociais e de saúde da maior parte dos países. O Quadro 4.6.2 apresenta a percentagem de mulheres que tiveram o primeiro filho até a idade exacta de 20 anos, segundo área de residência, província e idade actual. · Os resultados indicam que a reprodução começa relativamente cedo em Moçambique. A idade média é um pouco inferior a 19 anos e parece ter diminuído nos últimos 15 anos, de 19.2 anos para mulheres de 30 anos ou mais velhas para 18.6 anos para mulheres com idade entre 20-24 anos. · O declínio ocorreu essencialmente nas áreas rurais: de 20.2 anos para as mulheres de 45-49 anos a 18.2 anos para mulheres de 20-24 anos. · Esta mudança na idade do início da reprodução é reflectida nas elevadas proporções de mulheres mais jovens que dão à luz na idade 20: metade de mulheres com 40-44 anos de idade deu à luz com 20 anos de idade, enquanto que a percentagem de mulheres dos 25-29 anos de idade é de 64 por cento de e mulheres entre 20-24 anos é de 68 por cento. A mudança foi notável em Niassa, Zambézia, Cabo Delgado, e Nampula. Em Niassa por exemplo, 89 por cento de mulheres com idade de 20-24 tinha dado à luz na idade dos 20, comparada com 54 por cento de mulheres com idades entre 40-44 anos. · Por outro lado, na Cidade de Maputo proporções menores de mulheres mais jovens estão dando à luz na idade de 20, 46 por cento de mulheres com idade 20-24 tinha dado à luz na idade dos 20, comparada com 62 por cento de mulheres entre a idade 40-44. Gráfico 4.3 Intervalo entre os Nascimentos com a Duração de 48 Meses ou Mais, por Área de Residência, Província e Nível de Escolaridade da Mãe 46 23 22 43 33 28 26 21 22 18 25 21 19 18 29 21 23 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 Secundário Primário Nenhum NÍVEL DE ESCOLARIDADE Maputo Cidade Maputo Gaza Inhambane Sofala Manica Tete Zambézia Nampula Cabo Delgado Niassa PROVÍNCIA Urbana Rural ÁREA DE RESIDÊNCIA TOTAL Percentagem de nascimentos nos 5 anos anteriores ao IDS Gráfico 4.3 Intervalo entre os Nascimentos com a Duração de 48 Meses ou Mais, por Área de Residência, Província e Nível de Escolaridade da Mãe 46 23 22 43 33 28 26 21 22 18 25 21 19 18 29 21 23 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 Secundário Primário Nenhum NÍVEL DE ESCOLARIDADE Maputo Cidade Maputo Gaza Inhambane Sofala Manica Tete Zambézia Nampula Cabo Delgado Niassa PROVÍNCIA Urbana Rural ÁREA DE RESIDÊNCIA TOTAL Percentagem de nascimentos nos 5 anos anteriores ao IDS Fecundidade | 61 Quadro 4.6.1 Idade ao nascimento do primeiro filho Percentagem de mulheres que deram parto por idade exacta específica e idade mediana ao primeiro filho, por idade actual, segundo a área de residência, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Percentagem de mulheres que deram Percentagem Idade parto por idade exacta específica: de Número mediana Residência/ –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– mulheres de ao primero idade actual 15 18 20 22 25 sim filhos mulheres nascimento ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Área rural 15-19 6.3 na na na na 59.5 1,302 a 20-24 12.3 46.6 73.9 na na 12.0 1,513 18.2 25-29 10.5 42.5 66.7 82.1 92.2 5.8 1,522 18.6 30-34 13.1 39.9 57.1 72.0 86.9 4.9 1,204 19.1 35-39 12.8 37.6 54.1 69.0 84.5 3.7 929 19.6 40-44 13.6 38.0 55.1 68.0 83.9 3.2 740 19.3 45-49 10.2 32.7 48.0 63.1 77.9 3.2 661 20.3 Área urbana 15-19 2.9 na na na na 73.2 1,152 a 20-24 5.7 34.9 58.5 na na 26.8 943 19.3 25-29 6.3 32.6 59.3 76.8 86.5 10.1 702 19.1 30-34 11.0 36.5 58.0 76.9 87.3 7.0 588 19.2 35-39 10.5 40.9 65.7 80.5 87.6 5.2 482 18.6 40-44 11.2 40.1 63.8 76.6 90.5 3.6 386 18.7 45-49 8.5 38.1 56.1 73.5 84.3 3.1 294 19.4 Total 15-19 4.7 na na na na 66.0 2,454 a 20-24 9.8 42.1 68.0 na na 17.7 2,456 18.6 25-29 9.2 39.4 64.4 80.4 90.4 7.2 2,224 18.8 30-34 12.4 38.8 57.4 73.6 87.0 5.6 1,792 19.2 35-39 12.0 38.7 58.1 72.9 85.6 4.2 1,411 19.2 40-44 12.8 38.7 58.1 70.9 86.2 3.3 1,126 19.0 45-49 9.7 34.4 50.5 66.3 79.9 3.1 954 19.9 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– na = Não se aplica a = Omitido porque menos de 50 por cento das mulheres tiveram o primeiro nascimento antes do começo do grupo etário (15 anos). Quadro 4.6.2 Primeiro nascimento até a idade exacta de 20 anos Percentagem de mulheres que tiveram o seu primeiro nascimento até idade exacta de 20 anos por idade actual, segundo área de residência e província, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade actual Residência ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– e província 20-24 25-29 30-34 35-39 40-44 45-49 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Residnce Rural 73.9 66.7 57.1 54.1 55.1 48.0 Urban 58.5 59.3 58.0 65.7 63.8 56.1 Província Niassa 89.1 70.2 56.0 59.5 54.0 30.8 Cabo Delgado 72.8 68.3 72.5 65.9 56.8 63.9 Nampula 72.5 71.3 55.0 62.1 58.8 63.7 Zambézia 79.3 68.5 56.2 43.3 55.9 30.1 Tete 70.2 62.0 56.2 60.7 59.1 57.2 Manica 70.1 60.5 56.2 56.7 59.0 41.8 Sofala 57.4 68.7 62.4 59.4 57.5 36.6 Inhambane 68.4 63.8 53.1 54.3 58.9 51.6 Gaza 60.8 53.1 47.0 51.5 58.5 44.7 Maputo 57.0 56.1 56.5 63.2 57.5 59.4 Maputo Cidade 46.4 46.4 57.8 71.2 62.1 53.7 Total 68.0 64.4 57.4 58.1 58.1 50.5 Número de mulheres 2,456 2,224 1,792 1,411 1,126 954 | Fecundidade 62 O Quadro 4.7 faz o resumo da idade mediana na altura do primeiro parto para diferentes coortes e compara a idade da entrada à fase de maternidade para diferentes subgrupos da população. As medianas para o coorte 15-19 anos não foram determinadas porque cerca de metade das mulheres ainda não são mães. · A idade mediana ao nascimento do primeiro filho entre as mulheres dos 20-49 anos é de 18.9. · Existem diferenças importantes entre as províncias, por exemplo, na Zambézia e Niassa as idades medianas são 22.5 e 22, respectivamente, enquanto que em Nampula a idade mediana é de 18.2. · Ao comparar as mulheres do grupo etário 45-49 com as mulheres do 20-24, deduz-se que a idade mediana está a diminuir (19.9 contra 18.6). Esta diminuição é mais notória na área rural, pois a idade mediana na área urbana é mais ou menos constante. · Da mesma comparação pode-se concluir que há diminuições importantes em Niassa, Zambézia e Manica, e também nos quintís pobres: mais baixo, segundo e médio. Quadro 4.7 Idade mediana ao primeiro nascimento Idade mediana ao primeiro nascimento das mulheres 20-49 anos, por idade actual e segundo características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade actual Mulheres ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 20-49 Característica 20-24 25-29 30-34 35-39 40-44 45-49 anos ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Residência Rural 18.2 18.6 19.1 19.6 19.3 20.2 18.8 Urbana 19.3 19.1 19.2 18.6 18.7 19.4 19.1 Província Niassa 17.4 18.5 19.4 19.2 19.8 22.0 18.8 Cabo Delgado 18.3 18.5 17.8 17.8 18.9 18.6 18.3 Nampula 18.1 18.0 19.0 18.6 18.2 18.2 18.3 Zambézia 17.6 18.4 19.3 20.9 19.4 22.5 18.9 Tete 18.7 18.9 19.3 19.3 18.8 19.0 19.0 Manica 18.1 18.5 19.4 18.9 19.3 21.3 18.8 Sofala 19.4 18.6 18.6 19.0 19.4 21.0 19.1 Inhambane 18.7 19.1 19.5 19.5 18.8 19.8 19.1 Gaza 19.1 19.7 20.1 19.9 18.9 20.2 19.6 Maputo 19.6 19.6 19.6 18.5 19.3 19.1 19.5 Maputo Cidade a 20.5 19.2 18.8 18.8 19.7 19.7 Nível de escolaridade Nenhum 18.2 18.6 19.6 19.6 19.1 20.1 19.0 Primário 18.3 18.7 18.7 18.8 18.8 19.3 18.6 Secundário a 22.1 21.0 20.1 20.3 21.6 20.91 Superior * * * * * * * Quintil de riqueza Mais baixo 18.0 18.4 19.1 20.9 20.1 20.8 18.8 Segundo 18.2 18.8 19.5 18.9 19.4 20.1 18.9 Médio 18.4 18.6 18.9 19.1 18.8 20.6 18.8 Quarto 18.5 18.8 19.1 18.5 18.0 18.8 18.7 Mais elevado 19.7 19.5 19.2 18.9 19.3 19.7 19.4 Total 18.6 18.8 19.2 19.2 19.0 19.9 18.9 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Mediana baseada em menos de 25 casos não ponderados não é apresentada (*). a = Omitido porque menos de 50 por cento das mulheres tiveram o primeiro nascimento antes do começo do grupo etário. 1Mulheres 25-49 anos Fecundidade | 63 Gráfico 4.4 Adolescentes que São Mães, ou Grávidas pela Primeira vez, por Área de Residência, Província, e Nível de Escolaridade 16 38 62 20 32 37 37 49 45 43 47 48 48 59 32 49 41 0 10 20 30 40 50 60 70 Secundário Primário Nenhum ESCOLARIDADE Maputo Cidade Maputo Gaza Inhambane Sofala Manica Tete Zambézia Nampula Cabo Delgado Niassa PROVÍNCIA Urbana Rural RESIDÊNCIA Total Percentagem de adolescentes 4.7 FECUNDIDADE DAS ADOLESCENTES Em Moçambique, a união conjugal e a maternidade precoces têm merecido uma atenção muito especial do Governo, pois tanto as gravidezes não desejadas como os abortos têm consequências sociais, psicológicas, morais e económicas, e principalmente para a saúde das próprias adolescentes. A maternidade precoce particularmente para os adolescentes jovens (os menores de 20 anos de idade) tem consequências demográficas, sócio-económicas e sócio-culturais negativas. As mães adolescentes são mais susceptíveis de sofrerem sérias complicações durante o parto, o que pode levar a invalidez e até mesmo a morte tanto delas próprias como dos seus bebés. Além disso, o progresso sócio-económico das mães adolescentes na área educacional e no acesso a oportunidades de emprego pode ser reduzido. No Quadro 4.8 apresenta-se a distribuição percentual de adolescentes que são mães ou que no momento entrevista encontravam-se grávidas pela primeira vez. Os resultados por área de residência, nível de escolaridade e a idade das adolescentes são comparados no Gráfico 4.4. | Fecundidade 64 · No país, quatro em cada dez adolescentes são mães ou estavam grávidas do primeiro filho à data do inquérito. Esta proporção eleva-se para cerca da metade das adolescentes que residem na área rural. · Em termos de províncias, Niassa destaca-se com cerca de 60 por cento, en comparación con apenas el 20 por cento en Maputo Cidade. No concernente ao nível de escolaridade, entre as adolescentes sem nenhum nível de escolaridade, 62 por cento já são mães ou, pelo menos, estavam grávidas do primeiro filho à altura do inquérito. Quadro 4.8 Fecundidade e materninade na adolescência Percentagem de adolescentes de 15-19 anos que já são mães ou estão grávidas do primeiro filho, por características seleccionadas, Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Percentagem que: ––––––––––––––––––– Total Número Já Estão alguma de são grávidas vez adoles- Característica mães do 1o filho grávidas centes –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15 6.0 6.2 12.2 465 16 14.2 6.9 21.1 479 17 28.5 7.6 36.2 441 18 50.6 8.3 58.9 573 19 65.2 5.7 70.9 496 Residência Rural 40.5 8.5 49.0 1,302 Urbana 26.8 5.2 32.0 1,152 Província Niassa 55.2 4.0 59.2 91 Cabo Delgado 43.7 4.0 47.7 188 Nampula 40.2 8.1 48.2 458 Zambézia 41.9 4.7 46.6 249 Tete 34.1 9.1 43.2 195 Manica 33.0 11.7 44.7 176 Sofala 38.4 10.5 48.8 174 Inhambane 30.6 6.3 36.9 231 Gaza 29.0 8.1 37.1 142 Maputo 24.2 7.3 31.5 255 Maputo Cidade 16.8 3.4 20.2 295 Nível de escolaridade Nenhum 51.1 10.7 61.9 577 Primário 32.1 6.2 38.4 1,559 Secundário 12.2 3.8 16.0 317 Quintil de riqueza Mais baixo 48.5 12.0 60.5 408 Segundo 38.3 10.6 48.9 338 Médio 40.5 4.1 44.6 390 Quarto 35.5 6.6 42.0 550 Mais elevado 20.1 4.5 24.6 768 Total 34.0 7.0 41.0 2,454 Contracepção | 65 CONTRACEPÇÃO 5 O presente capítulo versa sobre três assuntos fundamentais: o nível de conhecimento dos entrevistados sobre métodos contraceptivos, que permite avaliar as pré-condições para a prática do planeamento familiar; o uso actual e o uso anterior da contracepção, que possibilitam a identificação dos segmentos da população mais carentes de serviços. Inclui-se também neste tema o nível de divulgação do planeamento familiar pelos mídia e a sua aceitabilidade; e ainda, as intenções de uso da contracepção e as atitudes dos cônjuges em relação ao planeamento familiar, que permitem a detecção de problemas de comunicação prevalecentes. Atenção especial é dada aos entrevistados que não usam métodos contraceptivos, na perspectiva de conhecer a sua intenção de uso no futuro. A título de conclusão, o capítulo termina com a análise da posição dos inquiridos face à disseminação de informação sobre planeamento familiar através dos mídia (meios de comunicação de massas) e do grau de acesso dos inquiridos a esses meios de comunicação. Os tópicos acima mencionados são de grande utilidade para os fazedores de políticas, decisores e gestores de programas, sob diversas formas. De notar que os níveis do uso dos contraceptivos constituem o critério mais óbvio e mais aceite na avaliação do sucesso dos programas de saúde reprodutiva, especialmente quando há resultados de inquéritos anteriores que ilustrem o progresso. Para uma melhor análise, os determinantes do uso dos contraceptivos foram divididos em dois tipos: os que promovem o uso e os que oferecem obstáculos para o uso. Os factores de promoção de uso incluem o desejo do casal em adiar ou parar com a reprodução. Os obstáculos para o uso, conforme a percepção dos potenciais utilizadores, incluem i) a falta de conhecimento dos métodos, ii) a desaprovação do método contraceptivo, iii) a ignorância sobre as fontes de aconselhamento e de obtenção dos métodos e iv) a crença de que o uso de certos métodos apresenta barreiras. Existe ainda uma série de outros obstáculos que provavelmente possam influenciar o uso inicial de um método ou então a sustentabilidade do método adoptado. Estes incluem: má experiência com o método e respectiva fonte de obtenção e insucesso no uso de determinado método. A importância relativa dos factores de promoção e de desencorajamento na decisão sobre o uso de métodos contraceptivos tem sido matéria controversa. Na realidade, os dois tipos de factores não podem ser considerados independentemente um do outro, dado que a redução ou eliminação dos obstáculos encontrados no uso de um método podem reforçar a promoção de seu uso e vice versa. 5.1 CONHECIMENTO DA CONTRACEPÇÃO Admitindo que o conhecimento de métodos específicos é uma pré condição para o seu uso, a determinação do nível de conhecimento sobre os métodos contraceptivos constituiu um dos principais objectivos do IDS 2003. A informação sobre conhecimento de métodos contraceptivos foi recolhida solicitando-se à população entrevistada que mencionasse as formas ou métodos através dos quais um casal pode adiar ou evitar uma gravidez. Caso os entrevistados não fizessem menção espontânea de algum método, o(a) inquiridor(a) descrevia os métodos e indagava se eram do conhecimento do entrevistado. Oito métodos modernos foram descritos no questionário —pílula, DIU, preservativo masculino (camisinha), injecções contraceptivas, métodos vaginais (diafragma, espuma, gel, óvulos), esterilização feminina e masculina e método de amenorreia por lactância. E dois métodos tradicionais foram descritos —abstinência sexual periódica e coito interrompido. Registaram-se ainda outros métodos, denominados “métodos folclóricos.” | Contracepção 66 Os Quadro 5.1.1 e 5.1.2 apresentam a percentagem de mulheres e de homens, respectivamente, segundo conhecimento dos diversos métodos contraceptivos, assim como o número médio de métodos conhecidos. De referir que o conhecimento de algum método contraceptivo moderno constituiria melhor indicador sumário do conhecimento sobre métodos, ao invés do conhecimento de qualquer método, devido à sua maior relevância para os programas de promoção do acesso à contracepção, que são normalmente confinados a métodos modernos. · O conhecimento dos métodos é relativamente alto: 92 por cento das mulheres informaram estarem familiarizadas com algum método e 91 por cento, com algum método moderno. Oitenta e três por cento de mulheres conhecem pelo menos dois métodos modernos. Para os homens, as cifras são relativamente mais elevadas que as das mulheres. · Os métodos geralmente mais conhecidos pelas mulheres são a pílula, o preservativo masculino e injecções. Somente 51 por cento das mulheres revelaram familiaridade com o DIU e apenas 40 por cento conhecem a esterilização feminina. No concernente aos homens, embora os 3 métodos mais conhecidos sejam os mesmos que as mulheres mencionaram, o preservativo masculino ocupa o primeiro lugar (95 por cento). · A esterilização masculina, o diafragma o gel e espermicidas são os métodos menos conhecidos, tanto pelas mulheres como pelos homens. · E média, os entrevistados conhecem pelo menos 4 métodos contraceptivos. Há que ressaltar, no entanto, que a média de métodos conhecidos pelos entrevistados solteiros e sem experiência sexual é inferior a três. · Os métodos tradicionais tendem a ser menos conhecidos que os modernos. Quadro 5.1.1 Conhecimento de métodos contraceptivos: mulheres Percentagem das mulheres em geral e das mulheres actualmente casadas ou unidas maritalmente que conhecem métodos, por área de residência, Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Residência Residência Total do país rural urbana ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– –––––––– ––––––––– Não unidas com experiência sexual –––––––––––––––––– Não Sexual- unidas Todas Sexual- mente sem as Mulheres mente não experiência Mulheres Mulheres Método contraceptivo mulheres unidas activas1 activas sexual2 unidas unidas –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Conhece algum método 92.4 92.4 96.8 95.3 78.3 90.2 97.7 Conhece pelo menos dois modernos 82.6 82.3 90.7 88.0 59.2 77.5 94.3 Métodos modernos 90.8 90.4 96.4 94.2 77.9 87.5 97.4 Esterilização feminina 40.0 40.3 48.2 43.2 15.0 33.3 57.4 Esterilização masculina 8.0 7.9 11.4 9.0 2.5 5.6 13.5 Pílula 79.9 79.7 89.5 84.6 56.0 74.1 93.3 DIU 51.2 49.0 70.6 57.9 31.0 38.1 75.7 Injecções 78.4 78.3 86.7 84.2 50.4 72.8 91.7 Camisinha 78.4 76.1 90.5 83.4 74.6 70.7 89.4 Diafragma 5.5 4.4 12.6 7.4 4.4 2.3 9.4 Espermicidas, Gel 3.6 2.8 9.0 4.1 3.1 1.1 6.9 Amenorrea por amamentação 45.2 50.4 37.8 39.3 7.9 49.6 52.4 Tradicionais 48.8 50.0 56.3 50.2 17.1 45.9 60.1 Abstinência periódica 33.7 32.8 44.9 38.1 15.1 27.4 46.1 Coito interrompido 20.7 19.0 35.2 25.1 7.4 13.5 32.7 Outro 17.9 21.0 13.1 12.7 1.4 21.9 18.6 Média de métodos 4.6 4.6 5.5 4.9 2.7 4.1 5.9 Número de mulheres 12,418 8,736 1,065 1,916 706 6,199 2,537 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 1Tiveram relações sexuais no mês anterior ao IDS 2Não tiveram relações sexuais no mês anterior ao IDS Contracepção | 67 5.2 CONHECIMENTO DA CONTRACEPÇÃO POR CARACTERÍSTICAS SELECCIONADAS O Quadro 5.2 mostra a percentagem de homens e mulheres casados(as)/unidos(as) maritalmente que conhecem algum método contraceptivo e pelo menos um método moderno, segundo características sócio-demográficas seleccionadas. Da análise do quadro constata-se que: · Embora em alguns casos as diferenças entre grupos etários distintos não pareçam significativas, entre as mulheres, nota-se que as adolescentes (15-19 anos) apresentam menor percentagem das que conhecem métodos contraceptivos. · Os entrevistados da área urbana tendem a demonstrar maior conhecimento de métodos, comparativamente aos da área rural, tanto entre homens como entre mulheres. · Analisando os dados por localização geográfica dos inquiridos, constata-se que, para mulheres, o conhecimento de pelo menos um método em Gaza, Maputo Província, Maputo Cidade e Tete é quase universal. No entanto, para os homens, não só se destacam estas quatro províncias, como também as de Nampula, Manica e Sofala. De salientar que algumas das províncias em destaque apresentam 100 por cento de homens que conhecem algum método contraceptivo. · Exceptuando o caso de Niassa (apenas em relação ao conhecimento de algum método) e de Cabo Delgado, dum modo geral, a percentagem de homens que conhecem métodos é superior à de mulheres nas diversas províncias. · O conhecimento de métodos tende a aumentar com a elevação do nível de escolaridade e de bem estar. Quadro 5.1.2 Conhecimento de métodos contraceptivos: homens Percentagem dos homens em geral e dos homens actualmente casados ou unidos maritalmente que conhecem métodos, por área de residência Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Residência Residência Total do país rural urbana ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– –––––––– ––––––––– Não unidos com experiência sexual –––––––––––––––––– Não Sexual- unidos Todos Sexual- mente sem os Homens mente não experiência Homens Homens Método contraceptivo homens unidos activos1 activos sexual2 unidos unidos –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Conhece algum método 96.1 95.2 99.5 97.9 93.4 93.3 99.7 Conhece pelo menos dois modernos 84.1 86.5 86.0 84.3 59.8 81.8 97.4 Métodos modernos 95.9 95.0 99.5 97.9 93.4 93.0 99.4 Esterilização feminina 42.3 46.3 38.4 38.9 22.2 40.5 59.9 Esterilização masculina 16.3 19.3 12.0 12.7 7.2 16.0 26.8 Pílula 73.2 75.4 78.1 71.3 48.6 70.0 87.9 DIU 26.8 26.2 37.9 25.7 10.6 16.4 48.9 Injecções 68.6 72.1 67.4 68.9 41.8 66.2 85.6 Camisinha 94.8 93.3 99.2 97.6 93.1 90.9 98.9 Diafragma 5.2 4.7 6.0 8.3 1.8 2.8 9.2 Espermicidas, Gel 4.9 5.2 4.7 4.9 2.2 2.9 10.7 Amenorrea por amamentação 41.5 52.9 26.0 25.8 6.3 49.6 60.5 Tradicionais 59.0 66.6 57.1 48.7 16.4 59.8 82.5 Abstinência periódica 53.8 62.0 49.3 42.1 14.5 56.0 76.0 Coito interrompido 32.4 34.5 37.9 29.6 7.3 25.0 56.6 Outro 3.6 5.0 1.6 1.1 0.0 4.4 6.5 Média de métodos 4.6 5.0 4.6 4.3 2.6 4.4 6.3 Número de homens 2,900 1,844 463 369 225 1,287 557 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 1Tiveram relações sexuais no mês anterior ao IDS 2Não tiveram relações sexuais no mês anterior ao IDS | Contracepção 68 5.3 USO ANTERIOR DA CONTRACEPÇÃO A todos os entrevistados que afirmaram conhecer algum método contraceptivo, quer se tratasse de um método moderno, tradicional ou folclórico, se indagou se alguma vez o tinham utilizado. Os Quadros 5.3.1 e 5.3.2 mostram a percentagem de mulheres e homens, respectivamente, que alguma vez fizeram planeamento familiar, por método utilizado, segundo grupos quinquenais de idade. · Mais de 50 por cento do total de mulheres afirmaram ter já usado algum método contraceptivo. A percentagem de homens que já usaram algum método contraceptivo é de 48 por cento, portanto, ligeiramente inferior à de mulheres. Quadro 5.2 Contracepção: conhecimento de métodos por características seleccionadas Percentagem de mulheres e homens actualmente casadas(os)/unidas(os) maritalmente que conhecem qualquer método contraceptivo e métodos modernos, por características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Mulheres Homens –––––––––––––––––––––––––––––––––––– ––––––––––––––––––––––––––––––––––– Conhecem Conhecem Número Conhecem Conhecem Número qualquer método de qualquer método de Característica método moderno1 mulheres método moderno1 homens ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 88.4 86.8 936 [ 93.3 [ 93.3 33 20-24 91.9 90.6 1,747 97.4 97.4 196 25-29 92.7 90.8 1,812 93.7 93.7 293 30-34 94.2 92.1 1,495 95.0 95.0 281 35-39 93.4 90.7 1,158 95.9 95.9 247 40-44 93.3 91.3 872 97.5 96.9 209 45-49 91.3 87.8 715 94.1 94.1 207 50-54 na na na 93.9 93.1 168 55-59 na na na 95.5 95.0 108 60-64 na na na 94.6 93.1 103 Residência Rural 90.2 87.5 6,199 93.3 93.0 1,287 Urbana 97.7 97.4 2,537 99.7 99.4 557 Província Niassa 94.2 79.4 387 92.4 92.4 82 Cabo Delgado 95.0 94.7 851 90.3 88.3 202 Nampula 94.7 94.6 1,898 99.8 99.8 460 Zambézia 81.0 75.1 1,430 84.8 84.8 381 Tete 99.7 99.6 771 100.0 100.0 151 Manica 87.2 87.2 617 100.0 100.0 99 Sofala 86.6 82.7 617 99.8 99.8 129 Inhambane 91.4 91.1 724 97.0 97.0 106 Gaza 99.9 99.9 426 100.0 100.0 50 Maputo 99.5 99.4 552 100.0 99.3 81 Maputo Cidade 99.9 99.9 462 100.0 100.0 103 Nível de escolaridade Nenhum 87.5 84.4 4,212 88.2 88.1 412 Primário 96.5 95.6 4,147 96.8 96.5 1,238 Secundário 100.0 100.0 362 100.0 100.0 186 Superior * * 16 * * 9 Quintil de riqueza Mais baixo 86.2 81.3 2,265 90.0 89.9 541 Segundo 87.9 86.4 1,660 95.0 94.3 357 Médio 94.3 92.4 1,857 96.8 96.8 392 Quarto 97.0 96.9 1,457 98.6 98.6 245 Mais elevado 99.7 99.6 1,498 100.0 99.5 309 Total 92.4 90.4 8,736 95.2 95.0 1,844 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Percentagem precedida por parêntese está baseada em 25-49 casos não ponderados. Percentagem baseada em menos de 25 casos não ponderados não é apresentada (*). na = Não se aplica 1Esterilização feminina, esterilização masculina, pílula, DIU, injecções, implantes, preservativo masculino, preservativo feminino, diafragma, espuma ou gel, método de amenorreia por lactância e contracepção de emergência Contracepção | 69 · As pessoas sexualmente activas mas não unidas, independentemente do sexo, apresentam maior percentagem dos que usam métodos, comparativamente às unidas (68 por cento de mulheres e 63 por cento de homens, sexualmente activos e não unidos usam algum método, contra 57 por cento e 51 por cento de mulheres e homens unidos, respectivamente). · Embora de um modo geral os métodos tradicionais sejam menos usados que os modernos, os homens revelam maior tendência de uso de métodos tradicionais, comparativamente às mulheres, pois a percentagem destas que usam algum método tradicional (18 por cento) é metade da dos homens nas mesmas circunstâncias (36 por cento). Enquanto entre as mulheres o uso de algum método tradicional é mais frequente nas sexualmente activas e não unidas, entre os homens, dá-se o contrário: o uso de algum método tradicional é mais frequente entre os casados/unidos. Quadro 5.3.1 Uso anterior de contracepção por idade: mulheres Percentagem de mulheres que já usaram algum método contraceptivo por tipo de método, segundo estado civil e idade, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Método moderno Método tradicional –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– –––––––––––––––––––––– Algum Esteri- Amenor- Algum Absti- Coito método lização Esper- reia por método nência inter- Número Algum mo- femi- Injec- Con- Dia- micidas/ ama- tradi- perió- rompi- de Idade método derno nina Pílula DIU ções dom fragma Gel mentação cional dica do Outro mulheres ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– TODAS AS MULHERES ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 15-19 32.2 28.7 0.0 8.1 0.3 1.4 18.2 0.1 0.0 7.4 10.8 8.4 2.3 1.2 2,454 20-24 55.0 48.5 0.0 21.2 0.5 8.6 16.6 0.0 0.0 21.4 17.7 13.6 3.7 3.0 2,456 25-29 60.2 52.8 0.4 20.0 1.4 14.7 9.9 0.0 0.3 27.7 18.6 14.1 2.5 4.0 2,224 30-34 60.4 53.6 0.5 17.1 3.3 18.1 7.9 0.1 0.1 29.9 20.4 14.5 3.7 4.9 1,792 35-39 64.7 56.0 1.4 21.5 5.9 22.6 7.6 0.1 0.4 30.4 22.5 16.2 2.9 5.2 1,411 40-44 61.1 52.8 2.8 17.5 5.0 23.4 4.6 0.1 0.2 30.7 21.1 14.4 2.5 6.5 1,126 45-49 60.5 49.8 2.3 10.8 3.3 15.0 2.1 0.1 0.1 34.8 21.5 13.0 1.7 8.1 954 Total 54.3 47.4 0.7 16.7 2.3 13.0 11.2 0.1 0.1 23.9 18.1 13.1 2.9 4.1 12,418 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– MULHERES ACTUALMENTE UNIDAS ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 15-19 34.7 28.5 0.0 8.4 0.1 2.0 9.2 0.0 0.0 15.0 12.8 9.7 1.5 2.4 936 20-24 52.4 45.5 0.0 18.4 0.4 9.1 9.4 0.0 0.0 24.9 15.1 11.1 2.6 3.2 1,747 25-29 59.5 51.6 0.5 17.8 1.3 13.4 6.7 0.0 0.3 29.3 19.2 14.5 2.2 4.3 1,812 30-34 60.0 52.8 0.4 15.8 2.4 16.8 5.5 0.0 0.2 31.9 19.4 13.6 2.9 4.9 1,495 35-39 65.3 56.1 1.5 20.8 5.7 22.3 6.1 0.1 0.5 31.6 22.6 16.2 2.7 5.2 1,158 40-44 61.5 53.8 3.3 16.9 5.0 24.4 3.5 0.0 0.2 31.5 20.3 13.0 2.4 7.0 872 45-49 63.2 52.3 1.9 8.6 2.7 14.9 0.8 0.2 0.0 38.5 21.2 12.6 0.8 8.3 715 Total 56.8 49.0 0.9 16.1 2.2 14.3 6.4 0.0 0.2 28.6 18.5 13.1 2.3 4.7 8,736 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– MULHERES SEXUALMENTE ACTIVAS NÃO UNIDAS 1 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 15-19 53.6 51.0 0.0 16.4 0.7 2.6 44.6 0.2 0.0 2.5 16.9 12.9 6.0 1.1 403 20-24 77.5 73.2 0.0 45.7 1.8 9.4 53.3 0.0 0.0 6.7 30.3 23.9 10.8 2.8 259 25-29 74.9 72.0 0.0 44.5 4.9 28.6 43.2 0.0 0.0 17.2 16.9 12.4 5.0 3.4 147 30-34 75.0 75.0 2.2 34.4 11.1 30.8 42.1 1.4 0.0 21.8 34.8 27.0 17.1 2.3 100 35-39 72.8 71.0 1.2 33.9 14.2 36.9 26.6 0.0 0.0 25.5 26.6 15.2 6.2 7.7 65 40-44 83.7 71.3 0.0 34.2 15.5 33.1 24.6 1.9 0.0 39.3 36.5 33.8 3.6 8.2 63 45-49 [60.0 [54.4 [3.4 [29.4 [14.1 [19.1 [ 5.5 [0.0 [1.2 [31.1 [20.3 [ 8.7 [6.6 [8.3 29 Total 67.5 64.1 0.4 31.6 4.6 14.8 42.9 0.3 0.0 11.7 23.7 18.1 8.0 3.0 1,065 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Percentagem precedida por parêntese está baseada em 25-49 casos não ponderados. 1Mulheres que tiveram relações sexuais durante o mês ante do inquérito | Contracepção 70 5.4 USO ACTUAL DE MÉTODOS CONTRACEPTIVOS O nível actual de uso da contracepção pode ser um importante indicador para a avaliação do impacto dos programas de planeamento familiar. Além disso, pode ser utilizado para estimar a redução da fecundidade que é atribuível à contracepção. O Quadro 5.4 apresenta a proporção de mulheres que actualmente usam contraceptivos, segundo idade. Tendo em conta que os dados das mulheres que nunca se casaram (incluídas na categoria de “todas as mulheres”) são provavelmente menos seguros e que, em certos casos, o significado do actual uso não é claro quando a relação sexual é esporádica, situação que é frequente em mulheres solteiras, a interpretação centrar-se-á nas mulheres actualmente casadas. Em princípio, e de esperar um padrão de U-invertido de prevalência por idade para a amostra das actualmente casadas, pois o uso é normalmente mais baixo entre jovens de sexo feminino (porque estão na fase de constituir família) e entre mulheres adultas (algumas das quais já não reproduzem) do que entre as de idade intermédia. Quadro 5.3.2 Uso anterior de contracepção por idade: homens Percentagem de homens que já usaram algum método contraceptivo por tipo de método, segundo estado civil e idade, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Métodos moderno Método tradicional ––––––––––––––––––––––––– ––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Algum Este- Algum Coito Número Algum método rilização Con- método Abstinência inter- de Idade método moderno mascu lina dom tradicional periódica rompido Outro homens ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– TODOS OS HOMENS ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 15-19 31.1 26.4 0.1 26.2 10.0 7.2 4.2 0.0 673 20-24 58.9 45.6 0.3 45.3 36.7 29.4 15.7 0.3 404 25-29 54.8 37.5 0.0 37.5 38.6 34.5 12.9 0.5 378 30-34 47.2 22.3 0.3 22.2 40.7 37.0 12.1 0.5 329 35-39 50.0 20.4 0.0 20.4 43.8 41.1 8.5 0.3 265 40-44 53.6 24.8 0.0 24.8 47.6 41.8 11.0 0.9 221 45-49 56.6 16.2 0.0 16.2 52.2 50.6 10.8 4.6 221 50-54 54.9 10.0 1.9 9.5 51.6 49.9 9.9 1.4 176 55-59 46.6 6.1 0.0 6.1 46.0 44.3 8.2 0.0 124 60-64 47.8 5.6 0.0 5.6 45.5 43.4 4.5 2.0 111 Total 48.0 25.9 0.2 25.8 35.5 31.8 9.8 0.8 2,900 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– HOMENS ACTUALMENTE UNIDOS ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 15-19 [ 51.1 [ 21.6 [ 0.0 [ 21.6 [ 33.7 [ 32.0 [ 4.7 [ 0.0 33 20-24 51.9 31.9 0.5 31.4 39.2 37.0 12.4 0.5 196 25-29 49.5 29.0 0.0 29.0 38.2 34.9 12.3 0.7 293 30-34 46.0 19.5 0.3 19.4 40.6 37.1 10.7 0.6 281 35-39 48.7 19.7 0.0 19.7 42.7 39.8 8.8 0.3 247 40-44 52.0 22.5 0.0 22.5 46.2 40.2 11.0 1.0 209 45-49 57.3 16.3 0.0 16.3 52.6 50.9 11.5 4.9 207 50-54 55.6 10.5 2.0 9.9 52.2 50.4 10.0 1.4 168 55-59 46.0 6.4 0.0 6.4 45.4 43.8 8.2 0.0 108 60-64 47.1 6.0 0.0 6.0 44.6 42.3 4.9 2.2 103 Total 50.5 20.0 0.3 19.9 43.8 40.8 10.4 1.2 1,844 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– HOMENS SEXUALMENTE ACTIVOS NÃO UNIDOS1 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Total 62.6 54.8 0.2 54.6 29.7 22.6 13.4 0.0 463 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Homens não foram indagados sobre métodos sob controle da mulher, tais como pílula ou DIU. Percentagem precedida por parêntese está baseada em 25-49 casos não ponderados. 1Homens que tiveram relações sexuais durante o mês anterior ao inquérito Contracepção | 71 As informações contidas no Quadro 5.4 permitem, ainda, examinar variações no uso de métodos entre as actuais usuárias da contracepção nos vários subgrupos. · Cerca de 17 por cento de mulheres casadas estão usando um método contraceptivo, dentre as quais, 12 por cento usam um método moderno. Os métodos geralmente usados são a pílula e injecções (cerca de 5 por cento). Percentagem similar (aproximadamente 5 por cento) de mulheres afirmaram estar a usar métodos tradicionais. · A taxa de prevalência de 17 por cento representa um aumento notável de 11 pontos desde 1997, que é principalmente devido ao aumento do uso da pílula e injecções. · Dum modo geral, os métodos modernos são mais usados que os tradicionais. Dentre os métodos tradicionais, o mais frequente é a abstinência periódica. Quadro 5.4 Uso actual de métodos contraceptivos por idade Percentagem de todas as mulheres, das mulheres actualmente unidas e das mulheres sexualmente activas não unidas por método contraceptivo actualmente usado, segundo estado civil e idade, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Método moderno Método tradicional –––––––––––––––––––––––––––––––––––– –––––––––––––––––––––––––– Algum Este- Algum Absti- Coito Número método rilização método nência inter- Não de Algum mo- femi- Injec- Con- tradi- perió- rompi- usando mulhe- Característica método derno nina Pílula DIU ções dom cional dica do Outro método res ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– TODAS AS MULHERES ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 15-19 16.6 14.1 0.0 4.6 0.1 0.3 9.2 2.5 1.8 0.0 0.7 83.4 2,454 20-24 20.7 16.9 0.0 8.2 0.1 2.8 5.8 3.8 3.0 0.1 0.6 79.3 2,456 25-29 18.3 13.7 0.4 6.6 0.0 4.8 1.8 4.6 3.4 0.1 1.1 81.7 2,224 30-34 17.6 12.0 0.5 4.4 0.2 5.8 1.1 5.7 3.8 0.3 1.5 82.4 1,792 35-39 19.9 15.9 1.4 5.5 0.2 7.6 1.3 4.0 2.7 0.4 0.9 80.1 1,411 40-44 20.4 15.4 2.8 3.9 0.2 7.2 1.3 4.9 2.3 0.3 2.4 79.6 1,126 45-49 11.5 8.8 2.3 1.3 0.5 4.2 0.4 2.7 1.2 0.0 1.6 88.5 954 Total 18.2 14.2 0.7 5.4 0.1 4.2 3.7 4.0 2.7 0.2 1.1 81.8 12,418 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– MULHERES ACTUALMENTE UNIDAS ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 15-19 11.0 6.8 0.0 4.3 0.0 0.5 1.9 4.3 3.0 0.0 1.3 89.0 936 20-24 15.4 11.7 0.0 6.6 0.0 2.9 2.2 3.7 3.0 0.0 0.6 84.6 1,747 25-29 16.2 11.1 0.5 5.5 0.0 4.5 0.6 5.2 3.7 0.1 1.4 83.8 1,812 30-34 17.5 11.5 0.4 4.4 0.1 6.1 0.4 6.0 3.8 0.4 1.8 82.5 1,495 35-39 20.1 15.6 1.5 5.8 0.2 7.1 1.1 4.4 3.0 0.5 1.0 79.9 1,158 40-44 22.2 16.3 3.3 3.8 0.2 8.1 0.8 5.9 2.7 0.3 2.9 77.8 872 45-49 11.7 8.4 1.9 1.0 0.6 4.9 0.0 3.2 1.4 0.0 1.8 88.3 715 Total 16.5 11.7 0.9 4.9 0.1 4.8 1.1 4.7 3.1 0.2 1.4 83.5 8,736 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– MULHERES SEXUALMENTE ACTIVAS NÃO UNIDAS 1 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 15-19 42.1 39.9 0.0 10.9 0.3 0.2 28.5 2.2 1.3 0.0 0.9 57.9 403 20-24 55.5 50.3 0.0 24.5 0.5 3.6 21.6 5.2 2.7 1.0 1.6 44.5 259 25-29 44.6 43.9 0.0 22.5 0.0 8.4 12.9 0.7 0.7 0.0 0.0 55.4 147 30-34 39.3 32.9 2.2 10.1 1.4 10.5 8.7 6.4 6.4 0.0 0.0 60.7 100 35-39 34.5 32.0 1.2 8.0 0.0 19.3 3.5 2.5 2.5 0.0 0.0 65.5 65 40-44 30.0 26.8 0.0 10.7 1.3 4.2 10.6 3.2 2.1 0.0 1.1 70.0 63 45-49 [ 22.3 [ 22.3 [ 3.4 [ 10.5 [ 0.0 [ 8.4 [ 0.0 [ 0.0 [ 0.0 [ 0.0 [ 0.0 [ 77.7 29 Total 43.7 40.6 0.4 15.5 0.4 4.8 19.5 3.1 2.1 0.2 0.8 56.3 1,065 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Nos casos em que se usou mais de um método, apenas o mais eficiente foi considerado nas tabulações. Percentagem precedida por parêntese está baseada em 25-49 casos não ponderados. 1Mulheres que tiveram relações sexuais durante o mês anterior ao inquérito | Contracepção 72 5.5 DIFERENCIAIS NO USO DE MÉTODOS CONTRACEPTIVOS O Quadro 5.5 apresenta a proporção de mulheres casadas/unidas maritalmente que actualmente usam métodos contraceptivos, segundo características sócio-demográficas seleccionadas, a saber: área de residência, província, nível de instrução e de riqueza e número de filhos vivos. As informações contidas no Quadro 5.5 permitem, ainda, examinar variações na combinação de métodos entre as actuais usuárias da contracepção. Mudanças nos níveis de uso de métodos contraceptivos entre 1997 e 2003 são apresentadas no Gráfico 5.1, por área de residência e província. · As mulheres das áreas urbanas têm maior probabilidade de usar os métodos contraceptivos do que as das rurais —29 por cento contra 12 por cento, respectivamente, usam algum método. · Observam-se diferenças significativas entre as províncias. Como era de esperar, o nível mais elevado de uso regista-se na Cidade de Maputo, onde 50 por cento de mulheres casadas afirmaram usar algum método contraceptivo. O nível mais baixo de uso é revelado pelas mulheres das Províncias de Manica (9 por cento), Cabo Delgado (10 por cento), Nampula (11 por cento) e Zambézia (11 por cento). · O nível de uso de métodos contraceptivos aumenta consideravelmente com a elevação do nível de escolaridade, da idade e do número de crianças vivas. Entre mulheres com nível secundário, o nível de uso de algum método atinge 55 por cento. · As mulheres do quintil de riqueza mais alto são as que apresentam maior prevalência de uso de métodos contraceptivos. Quadro 5.5 Uso actual de métodos contraceptivos por características seleccionadas Percentagem de mulheres casadas/unidas por método contraceptivo usado actualmente, segundo características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Método moderno Método tradicional ––––––––––––––––––––––––––––––––––– ––––––––––––––––––––––––– Algum Esteri- Algum Abssti- Coito in- Não Número Algum mo- lização Injec- Con- tradi- nência pe- terrom- usando de mu- Característica método derno feminina Pílula DIU ções dom cional riódica pido Outro método lheres ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Residência Rural 11.7 7.0 0.5 2.7 0.0 3.4 0.4 4.7 2.9 0.2 1.6 88.3 6,199 Urbana 28.1 23.2 1.7 10.3 0.4 8.1 2.6 4.9 3.7 0.2 1.0 71.9 2,537 Província Niassa 24.7 5.8 0.4 3.3 0.0 2.0 0.2 18.9 15.4 0.5 3.0 75.3 387 Cabo Delgado 9.9 4.5 0.1 2.7 0.1 0.9 0.7 5.4 4.8 0.0 0.6 90.1 851 Nampula 10.3 7.2 0.2 2.8 0.0 3.2 1.0 3.1 1.4 0.3 1.5 89.7 1,898 Zambézia 11.0 9.2 0.9 3.5 0.0 4.8 0.0 1.8 0.0 0.0 1.8 89.0 1,430 Tete 22.6 14.3 1.0 5.0 0.2 7.6 0.5 8.4 4.6 0.6 3.2 77.4 771 Manica 8.8 7.9 0.1 3.5 0.0 3.3 1.0 0.9 0.2 0.1 0.7 91.2 617 Sofala 18.4 7.5 0.0 3.0 0.0 3.9 0.6 10.9 9.9 0.0 1.1 81.6 617 Inhambane 12.4 11.3 1.3 4.2 0.0 4.6 1.2 1.2 0.0 0.2 1.0 87.6 724 Gaza 15.2 14.4 1.1 6.5 0.0 5.4 1.4 0.7 0.2 0.2 0.4 84.8 426 Maputo 32.3 30.2 2.7 14.0 0.2 11.3 2.0 2.1 1.0 0.5 0.6 67.7 552 Maputo Cidade 49.7 39.2 4.0 16.8 1.7 10.7 6.0 10.6 9.0 0.2 1.4 50.3 462 Nível de escolaridade Nenhum 9.3 4.7 0.5 1.7 0.0 2.4 0.1 4.5 3.1 0.1 1.4 90.7 4,212 Primário 20.4 15.6 1.1 6.4 0.1 6.7 1.4 4.7 3.0 0.2 1.5 79.6 4,147 Secundário 53.8 47.4 1.6 25.0 2.2 9.7 8.8 6.4 4.1 1.5 0.8 46.2 362 Superior * * * * * * * * * * * * 16 Quintil de riqueza Mais baixo 8.9 3.9 0.2 1.2 0.0 2.4 0.1 5.0 2.9 0.0 2.0 91.1 2,265 Segundo 10.0 5.1 0.2 2.4 0.0 2.4 0.1 4.9 3.4 0.2 1.3 90.0 1,660 Médio 13.4 8.5 0.7 3.4 0.0 3.8 0.6 4.9 3.1 0.1 1.7 86.6 1,857 Quarto 15.1 11.8 1.2 4.8 0.0 4.7 1.1 3.3 2.2 0.3 0.7 84.9 1,457 Mais elevado 40.2 34.8 2.4 15.3 0.7 12.2 4.2 5.4 4.0 0.4 1.0 59.8 1,498 Número de filhos 0 2.2 1.7 0.1 0.3 0.0 0.2 1.2 0.4 0.4 0.0 0.1 97.8 1,060 1-2 15.1 10.6 0.2 6.4 0.1 2.1 1.8 4.5 3.3 0.0 1.2 84.9 3,169 3-4 19.5 14.0 1.0 5.6 0.3 6.4 0.7 5.5 3.8 0.1 1.6 80.5 2,510 5+ 22.3 15.8 2.0 4.1 0.0 9.3 0.4 6.5 3.4 0.7 2.4 77.7 1,997 Total 16.5 11.7 0.9 4.9 0.1 4.8 1.1 4.7 3.1 0.2 1.4 83.5 8,736 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Nos casos em que se usou mais de um método, apenas o mais eficiente foi considerado nas tabulações. Percentagem baseada em menos de 25 casos não ponderados não é apresentada (*). Contracepção | 73 · Mudanças substanciais no uso são observadas em Sofala, Gaza, Cabo Delgado e Nampula, onde se verificou aumento de 2 por cento a 10 por cento ou mais (15 por cento em Gaza e 18 por cento em Sofala). · A área rural evidencia mudanças mais significativas nos níveis de uso de métodos contraceptivos, comparativamente à urbana. A capacidade de uma mulher controlar a sua fertilidade e a escolha de método contraceptivo são afectadas pelo seu estatuto e pela imagem que tem de si própria. Uma mulher que sente que não é capaz de controlar alguns aspectos da sua vida, sentir-se-á, provavelmente, incapaz fazer algo e tomar decisões sobre a sua fecundidade. Ela pode até sentir-se obrigada a escolher métodos que sejam menos evidentes (que não dêem nas vistas) ou que não dependam da cooperação do marido. O uso actual de contraceptivos segundo estatuto da mulher, medido pelo número de decisões em que a mulher tem a última palavra e o número de razões para a recusa da relação sexual, é apresentado no Quadro 5.6. · Quanto maior for o número de decisões nas quais a mulher tem a última palavra, maior é a prevalência do uso de método contraceptivo. · A prevalência de uso de método contraceptivo aumenta também com o incremento do número de razões apresentadas pela mulher para recusa de sexo com o seu marido. · Em contrapartida, o número de razões que justificam que o marido bata na mulher apresentam uma relação negativa como uso de contraceptivos: as mulheres que menos razões apresentam tendem a manifestar maior prevalência de uso de métodos contraceptivos. Gráfico 5.1 Uso de Contraceptivos entre as Mulheres em União Marital, por Área de Residência e Província, 1997 e 2003 50 32 15 12 18 9 23 11 10 10 25 28 12 17 30 14 2 7 2 6 9 5 2 1 8 18 3 6 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 Maputo Cidade Maputo Gaza Inhambane Sofala Manica Tete Zambézia Nampula Cabo Delgado Niassa PROVÍNCIA Urbana Rural ÁREA DE RESIDÊNCIA TOTAL Percentagem de mulheres em união marital usando contraceptivos 1997 2003 Gráfico 5.1 Uso de Contraceptivos entre as Mulheres em União Marital, por Área de Residência e Província, 1997 e 2003 50 32 15 12 18 9 23 11 10 10 25 28 12 17 30 14 2 7 2 6 9 5 2 1 8 18 3 6 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 Maputo Cidade Maputo Gaza Inhambane Sofala Manica Tete Zambézia Nampula Cabo Delgado Niassa PROVÍNCIA Urbana Rural ÁREA DE RESIDÊNCIA TOTAL Percentagem de mulheres em união marital usando contraceptivos 1997 2003 | Contracepção 74 5.6 NÚMERO DE FILHOS NO MOMENTO DO USO INICIAL DE MÉTODO CONTRACEPTIVO O planeamento familiar é geralmente mais utilizado quando os casais já têm o número de filhos que desejam. No entanto, há que considerar que os métodos contraceptivos são também usados como um meio para espaçar os nascimentos e que as mulheres mais jovens utilizam-nos para atrasar o aparecimento da primeira criança, facto frequentemente associado ao aumento da escolarização feminina. Além disso, as jovens solteiras fazem planeamento familiar para evitar gravidezes não desejadas. Para permitir exploração deste tópico, no IDS 2003 inquiriu-se às entrevistadas que alguma vez usaram métodos contraceptivos sobre o número de filhos vivos que possuíam na altura em que usaram pela primeira vez um método contraceptivo. Os resultados obtidos (vide o Quadro 5.7) permitem examinar as mudanças que ocorreram nas coortes das mulheres entrevistadas (indicadas pelas diferenças entre os grupos etários), quanto à primeira utilização da contracepção. Os dados do referido quadro evidenciam o seguinte: · Os adolescentes (15-19 anos) na sua maioria, iniciam o uso de contraceptivos antes de ter filhos (59 por cento). Contudo, mais de um terço iniciou quando tinha já um filho. · Grande parte das mulheres começa a usar métodos contraceptivos quando tem um filho (cerca de 61 por cento) · Cerca de um quinto de mulheres com idade igual ou superior a 35 anos principiaram o uso de métodos contraceptivos quando tinham já quatro ou mais filhos. Quadro 5.6 Uso actual de métodos contraceptivos por estatuto da mulher Percentagem de mulheres actualmente unidas por método contraceptivo actualmente usado, segundo indicadores seleccionados do estatuto da mulher, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Método mode rno Método tradicional –––––––––––––––––––––––––––––––––––– –––––––––––––––––––––––––– Algum Esterili- Algum Absti- Coito Número método zacão método nência inter- Não de Indicador do Algum mo- femi- Injec- Con- tradi- perió- rompi- usando mulhe- estatuto da mulher método derno nina Pílula DIU ções dom cional dica do Outro método res ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Número de decisões nas quais a mulher tem a última palavra1 0 10.3 5.9 0.6 2.0 0.0 2.1 1.2 4.4 3.1 0.1 1.1 89.7 697 1-2 13.5 9.3 0.7 3.9 0.0 3.6 1.0 4.2 2.5 0.3 1.4 86.5 2,529 3-4 17.7 13.1 0.9 5.3 0.2 5.6 1.0 4.6 3.1 0.2 1.4 82.3 3,064 5 19.6 14.2 1.0 6.3 0.1 5.6 1.1 5.5 3.7 0.1 1.6 80.4 2,445 Número de razões para a recusa do sexo com o marido 2 0 9.7 7.9 0.0 4.4 0.2 2.3 0.9 1.9 0.2 0.4 1.2 90.3 726 1-2 15.0 10.4 0.8 4.2 0.1 4.2 1.1 4.6 2.4 0.1 2.0 85.0 2,569 3-4 18.0 12.8 1.0 5.3 0.1 5.3 1.1 5.2 3.8 0.2 1.2 82.0 5,442 Número de razões que justificam que o marido bata na mulher3 0 18.4 13.2 1.0 5.7 0.2 5.0 1.3 5.2 3.4 0.2 1.6 81.6 3,865 1-2 15.9 11.0 0.6 3.9 0.1 5.2 1.2 4.9 3.4 0.1 1.4 84.1 1,848 3-4 14.0 10.6 0.9 5.0 0.1 3.8 1.0 3.4 2.5 0.2 0.7 86.0 1,749 5 14.9 9.9 0.7 4.1 0.0 4.7 0.3 5.0 2.6 0.4 2.0 85.1 1,274 Total 16.5 11.7 0.9 4.9 0.1 4.8 1.1 4.7 3.1 0.2 1.4 83.5 8,736 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Se é usado mais de um método, nesta tabulação apenas é considerado o mais efectivo 1A entrevistada ou junto com alguém mais. O Quadro 3.10 mostra os diferentes tipos de decisões. 2O Quadro 3.12.1 mostra os diferentes tipos de decisões 3O Quadro 3.13 mostra os diferentes tipos de razões Contracepção | 75 5.7 FONTES DE OBTENÇÃO DE MÉTODOS CONTRACEPTIVOS No IDS foi colhida informação sobre a fonte de obtenção dos métodos contraceptivos modernos, informação importante para os gestores do programa de Saúde Reprodutiva. A todas as mulheres que afirmaram estar actualmente a usar um método contraceptivo moderno perguntou- se onde o tinham adquirido da última vez. Tendo em consideração que, em muitos casos, as mulheres não sabem exactamente em que categoria está a fonte que elas usam (ex: hospitais do governo, centros de saúde privados, etc), os inquiridores foram instruídos a escrever o nome da fonte mais recente. Os resultados são apresentados no Quadro 5.8 e resumidos no Gráfico 5.2. · Com excepção do preservativo, a maior parte dos métodos modernos são adquiridos em unidades sanitárias do sector público. · Apenas 25 por cento das mulheres obtiveram o preservativo através de fontes ligadas ao sector público e somente 10 por cento o adquiriram através do sector privado. Mais de 60 por cento das mulheres o conseguiram por outras fontes, especialemte através dos seus parceiros (cerca de 42 por cento) · A esterilização feminina é geralmente feita em sector público, principal- mente em hospitais públicos: apenas em 5 por cento dos casos foi feita em Quadro 5.7 Número de filhos quando do primeiro uso de método contraceptivo Distribuição percentual das mulheres que já usaram algum método contraceptivo, por número de filhos na época do primeiro uso de métodos, segundo idade actual, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Número de filhos na época do primeiro uso de métodos Sem Número ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– infor- de Idade actual 0 1 2 3 4+ mação Total mulheres ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 15-19 58.9 37.2 3.1 0.2 0.0 0.6 100.0 790 20-24 23.1 63.5 10.1 2.4 0.9 0.1 100.0 1,352 25-29 8.9 67.5 13.0 5.7 4.6 0.3 100.0 1,339 30-34 4.9 64.7 10.4 8.1 11.2 0.8 100.0 1,082 35-39 3.0 59.9 9.3 7.6 20.1 0.1 100.0 914 40-44 1.5 60.8 7.9 6.2 23.5 0.0 100.0 689 45-49 1.1 66.0 5.8 3.8 22.6 0.7 100.0 577 Total 14.7 60.8 9.2 4.9 9.9 0.3 100.0 6,744 Quadro 5.8 Fonte de obtenção de métodos Distribuição percentual de usuárias actuais de métodos modernos por método específico, segundo a mais recente fonte de obtenção, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Esteri- Total lizacão Injec- Con- métodos Fonte de obtenção feminina Pílula ções dom modernos ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Sector público 93.9 78.3 91.4 25.0 69.0 Hospital central 29.8 1.6 0.1 1.2 2.7 Hospital provincial/geral 36.3 5.1 5.4 1.1 5.9 Hospital rural 22.8 4.3 4.3 1.9 4.6 Centro/posto de saúde 5.0 65.3 79.8 19.2 54.2 Brigadas moveis 0.0 1.0 0.3 1.4 0.9 Outro público 0.0 0.8 1.4 0.3 0.8 Sector médico privado 1.6 15.5 6.6 10.1 10.7 Hospital 0.9 0.2 0.4 0.0 0.2 Clinica 0.7 0.6 1.1 0.4 0.8 Médico 0.0 0.0 0.3 0.1 0.1 Enfermeiro 0.0 2.3 4.5 0.0 2.2 Farmácia 0.0 12.2 0.4 9.3 7.2 Outro médico privado 0.0 0.1 0.0 0.3 0.1 Outras fontes 0.0 4.7 1.3 63.2 18.8 Dumba Nengue1 0.0 1.0 0.3 3.1 1.3 Igreja 0.0 0.1 0.0 0.0 0.0 Amigos/familiares 0.0 1.5 0.4 7.7 2.7 Curandeiro 0.0 0.0 0.0 0.2 0.1 Parceiro 0.0 0.7 0.3 41.5 11.3 No bairro 0.0 0.2 0.4 0.3 0.3 Barraca 0.0 0.8 0.0 6.2 1.9 Loja 0.0 0.2 0.0 1.9 0.6 Bar, Discoteca 0.0 0.0 0.0 0.3 0.1 Serviços de Adolescentes 0.0 0.3 0.0 2.0 0.6 Outra fonte 0.2 0.0 0.0 1.0 0.3 Sem informação 4.4 1.5 0.7 0.7 1.2 Total 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 Número de mulheres 90 674 515 464 1,762 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Total inclui 18 usuárias de DIU. 1Dumba Nengue: é um tipo de mercado praticado nas ruas. Literalmente, dumba significa confiar e nengue quer dizer pernas. O sentido dado ao termo dumba nengue é confiar nas próprias pernas. Esta expressão surgiu na altura em que a polícia não permitia a criação de mercados informais nas ruas. | Contracepção 76 Gráfico 5.2 Fontes Públicas e Privadas dos Métodos Contraceptivos Modernos, 1997 e 2003 71 93 34 99 78 91 25 94 18 2 30 1 16 7 10 2 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Pílula Injeções Condom Esterilização Feminina Percentagem Sector Público 1997 Sector Público 2003 Sector Privado 1997 Sector Privado 2003 Gráfico 5.2 Fontes Públicas e Privadas dos Métodos Contraceptivos Modernos, 1997 e 2003 71 93 34 99 78 91 25 94 18 2 30 1 16 7 10 2 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Pílula Injeções Condom Esterilização Feminina Percentagem Sector Público 1997 Sector Público 2003 Sector Privado 1997 Sector Privado 2003 Centro de Saúde, tendo os restantes ocorrido em hospitais centrais, gerais ou provinciais e rurais. · O Centro de Saúde e Posto de Saúde são as fontes mais frequentes de obtenção da pílula (65 por cento), seguindo-se-lhes a farmácia (12 por cento). Para a obtenção de injecção, o Centro e Posto de Saúde continuam em primeiro plano (cerca de 80 por cento) · A obtenção da pílula por via do sector público tende a aumentar em detrimento da sua aquisição através do sector privado. · Embora as diferenças não sejam muito gritantes, a consecução de injecções contraceptivas no sector privado denota estar a ganhar campo de 1997 a 2003. · Comportamento específico denotam as fontes de obtenção do preservativo, pois tanto as públicas como as privadas vão perdendo campo, a favor cuja aquisição em outras fontes. A escolha informada do método contraceptivo é um aspecto muito essencial para os programas de Saúde Reprodutiva. Os usuários devem ser informados sobre os métodos contraceptivos que podem ser usados e sobre os respectivos efeitos colaterais, assim como sobre o que fazer caso deparem com algum desses efeitos ou com alguns problemas. Todos os provedores das esterilizações devem informar aos potenciais usuários que a esterilização é um método permanente e irreversível. Os provedores familiares devem também informar a todos os usuários dos métodos sobre as características e riscos dos métodos que se propõem a usar. Essa informação não só ajuda aos usuários a lidar com efeitos colaterais, como também contribui para a redução da descontinuidade no uso de métodos contraceptivos. Os usuários dos métodos temporários devem também ser informados sobre as alternativas de métodos disponíveis. Contracepção | 77 Com vista a melhorar as políticas e práticas inerentes aos programas de Saúde Reprodutiva, os consentimentos informados devem ser analisados por tipo de método e tipo de provedor. É também importante verificar se existem diferenças por área de residência ou nível de educação do usuário. O Quadro 5.9 apresenta resultados da análise feita à informação recolhida no âmbito do IDS, segundo método específico, fonte inicial do método e características socio-demográficas seleccionadas. · Apenas parte dos usuários declarou ter sido informada sobre os efeitos colaterais ou problemas inerentes ao método usado. Em relação às mulheres esterilizadas, apenas 30 por cento foi informada. A percentagem de mulheres informadas ascende ao dobro quando se trata de Pílula e Injecções, que são os métodos mais frequentemente usados. · Os Centros e Postos de Saúde denotam ter maior preocupação em informar os usuários sobre os efeitos colaterais e problemas com os métodos (citados por 64 por cento das usuárias) compara- tivamente aos hospitais (38 a 46 por cento das usuárias). · A percentagem de mulheres que são informadas sobre os efeitos colaterais e problemas com o método usado é mais elevada que a das que são elucidadas sobre o que fazer caso deparem com esses efeitos, o que significa que nem todas as que recebem informação sobre os efeitos colaterais são advertidas sobre os procedimentos face à sua ocorrência. · As mulheres das zonas rurais tendem a ser mais informadas sobre os efeitos colaterais e possíveis procedimentos caso ocorram do que as das urbanas. As razões por detrás desta constatação só podem vir a lume através de estudos mais aprofundados. · Um exame aos dados por província deixa patente que em Niassa e Manica existe preocupação em informar as mulheres sobre os efeitos colaterais e problemas, assim como sobre os procedimentos para enfrentá-los, pois a percentagem de mulheres em ambos os Quadro 5.9 Escolha informada Entre os usuários actuais de métodos contraceptivos modernos específicos que adoptaram o método nos cinco anos anteriores ao inquérito, percentagem dos que foram informados sobre os efeitos colaterais do método actualmente usado, percentagem dos que foram informados sobre o que fazer se depararem com os efeitos colaterais e percentagem dos que foram informados sobre outros métodos contraceptivos que podem ser usados, por método específico, primeira fonte do método e características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Tipo de informação ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Sobre os Sobre o que efeitos fazer caso Sobre colaterais ou ocorram outros métodos Método e fonte/ problemas com os efeitos que poderiam característica o método usado1 colaterias1 ser usados2 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Método Esterilização feminina 30.3 27.8 19.8 Pílula 60.1 55.4 68.5 Injecções 61.1 57.9 70.6 Outro na na 25.7 Fonte de obtenção 3 Sector público 59.8 56.1 66.7 Hospital central [ 38.7 [ 36.3 [ 25.6 Hospital provincial/geral 41.2 35.2 52.8 Hospital rural 45.6 45.2 46.1 Centro/posto de saúde 64.0 60.1 71.9 Sector médico privado 55.5 50.0 61.8 Enfermeiro [ 55.0 [ 50.1 [ 59.4 Farmácia 55.8 [ 49.3 63.6 Outro * * * Outro 30.0 27.3 29.2 Amigos, familiares * * 29.0 Parceiro * * [ 29.4 Residência Rural 64.3 61.8 44.9 Urbana 54.2 49.5 54.2 Província Niassa 77.2 75.3 47.6 Cabo Delgado [ 76.2 [ 67.4 47.9 Nampula 48.5 48.5 28.5 Zambézia 51.6 51.1 45.9 Tete 74.1 66.3 78.4 Manica 76.2 74.5 73.5 Sofala 66.5 62.7 55.1 Inhambane 51.7 49.9 58.3 Gaza 51.6 50.6 69.6 Maputo 54.9 53.0 58.2 Maputo Cidade 55.9 46.7 61.2 Nível de escolaridade Nenhum 59.8 59.6 38.4 Primário 57.7 52.7 52.6 Secundário 57.5 53.8 61.9 Quintil de riqueza Mais baixo 59.3 59.4 34.8 Segundo 59.3 53.8 38.5 Médio 69.0 63.7 46.2 Quarto 57.8 57.1 54.5 Mais elevado 54.9 49.9 60.1 Total 58.0 54.2 49.0 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Percentagem precedida por parêntese está baseada em 25-49 casos não ponderados. Percentagem baseada em menos de 25 casos não ponderados não é apresentada (*). na = Não se aplica 1Entre os usuários de esterilização feminina, comprimidos, IUD, injectáveis e implantes 2Entre os usuários de esterilização feminina, pílula, DIU, injectáveis, espuma ou gel, e método de amenorreia por lactância 3Fonte no início do actual uso | Contracepção 78 casos é igual ou superior a 75 por cento. Cabo Delgado e Tete são as subsequentes na lista das províncias com maior percentagem de usuárias informadas a esse respeito. No que concerne à informação sobre alternativas de métodos a serem usados, a Província de Tete lidera a lista de províncias com maior percentagem de mulheres informadas, seguindo-se-lhe a Província de Manica. Estas duas província são as únicas com uma percentagem de mulheres informadas sobre alternativas de métodos que excede os 70 por cento. · Embora as diferenças não sejam significativas, o nível de escolaridade tende a revelar uma relação negativa com o nível de informação das usuárias sobre os efeitos colaterais e procedimentos face à sua ocorrência. Em contrapartida, à medida que se eleva o nível de escolaridade, aumenta a percentagem de mulheres informadas sobre as alternativas de métodos a usar. 5.8 INTENÇÃO DE USO FUTURO DE CONTRACEPTIVOS A intenção de usar contracepção no futuro dá-nos uma previsão da procura potencial pelos serviços e é um bom indicador da atitude dos não utilizadores em relação à contracepção. Aos respondentes, homens e mulheres, que não utilizavam métodos contraceptivos, foi indagada a sua intenção de utilizar métodos contraceptivos nos próximos 12 meses ou mais tarde, informação que pode permitir uma melhor previsão a curto prazo. Dado que a intenção de utilizar contracepção está associada ao número de filhos que o respondente já tem, os dados do Quadro 5.10.1 apresentam estes subgrupos, para as pessoas actualmente em união. O Quadro 5.10.2 apresenta dados sobre a intenção de utilizar contracepção no futuro de contracepção por residência e província (veja Gráfico 5.3). · A pretensão de uso futuro de métodos contraceptivos tende a aumentar com o incremento do número de filhos. · Mais de três quartos de mulheres em Maputo (79 por cento) e Gaza (76 por cento) demonstraram pretensão de usar um método contraceptivo no futuro. Estas duas províncias são as que apresentam as cifras mais elevadas. · Contrariamente, a Província da Zambézia é a que aparece com menor percentagem de mulheres com pretensão de uso futuro de método contraceptivo (14 por cento). É também esta província que revela maior percentagem de mulheres com dúvida se vão ou não usar futuramente métodos contraceptivos (24 por cento). · As Províncias de Nampula e Zambézia lideram a lista das províncias com maior percentagem de mulheres que não pretendem usar método contraceptivo no futuro, com 63 e 60 por cento, respectivamente, de mulheres nessa situação. Quadro 5.10.1 Uso futuro de contracepção por número de filhos vivos Distribuição percentual das mulheres actualmente casadas/unidas que não estão a usar nenhum método contraceptivo por a intenção de uso no futuro, segundo número de filhos vivos, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Número de filhos vivos1 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Intenção de uso no futuro 0 1 2 3 4+ Total ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Pretende usar 25.4 40.0 44.1 43.4 43.0 40.4 Em dúvida 12.4 11.9 12.1 10.8 10.4 11.3 Não pretende usar 62.0 47.6 43.6 45.6 45.8 47.7 Não responderam 0.3 0.5 0.2 0.3 0.9 0.5 Total 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 Número de mulheres 814 1,284 1,150 998 2,261 6,507 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 1Inclui gravidez actual Contracepção | 79 Gráfico 5.3 Intenção de Usar Contraceptivos entre Não-utilizadores, por Província 66 7 9 7 6 49 3 8 52 6 8 14 24 27 27 17 19 43 55 40 3 2 60 63 5 0 56 37 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Maputo Cidade Maputo Província Gaza Inhambane Sofala Manica Tete Zambézia Nampula Cabo Delgado Niassa Percentagem de mulheres Pretende usar Em dúvida Não pretende usar Gráfico 5.3 Intenção de Usar Contraceptivos entre Não-utilizadores, por Província 66 7 9 7 6 49 3 8 52 6 8 14 24 27 27 17 19 43 55 40 3 2 60 63 5 0 56 37 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Maputo Cidade Maputo Província Gaza Inhambane Sofala Manica Tete Zambézia Nampula Cabo Delgado Niassa Percentagem de mulheres Pretende usar Em dúvida Não pretende usar Quadro 5.10.2 Uso futuro de contracepção por área de residência e província Distribuição percentual das mulheres actualmente casadas/unidas que não estão a usar nenhum método contraceptivo, por intenção de uso no futuro, segundo área de residência e província, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Não Não Número Residência/ Pretende Em pretende respon- de província usar dúvida usar deram Total mulheres ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Residência Rural 36.9 13.2 49.3 0.5 100.0 4,812 Urbana 50.4 5.8 43.3 0.6 100.0 1,694 Província Niassa 27.0 16.8 55.6 0.6 100.0 257 Cabo Delgado 37.4 12.5 49.6 0.5 100.0 639 Nampula 24.1 11.8 63.4 0.6 100.0 1,211 Zambézia 14.0 24.3 60.4 1.3 100.0 1,234 Tete 67.6 0.5 31.9 0.0 100.0 567 Manica 51.7 8.1 40.1 0.1 100.0 553 Sofala 38.1 6.3 55.1 0.5 100.0 488 Inhambane 49.1 7.6 43.2 0.1 100.0 630 Gaza 76.4 4.7 18.9 0.0 100.0 355 Maputo 79.4 3.3 17.4 0.0 100.0 340 Maputo Cidade 65.5 6.6 27.1 0.7 100.0 231 Total 40.4 11.3 47.7 0.5 100.0 6,507 | Contracepção 80 O Quadro 5.11 apresenta os argumentos apresentados pelos respondentes de ambos os sexos que não tencionam utilizar método contraceptivo no futuro. Os respondentes que declararam querer utilizar método contraceptivo posteriormente foram inquiridos sobre o método contraceptivo preferido para futura utilização. O Quadro 5.12 fornece algumas indicações das preferências das mulheres pelo método a usar no futuro. A informação contida neste quadro deve ser interpretada com cautela pois há duas condições nela implicadas: intenção para o uso e método preferido se a intenção for seguida. · As razões relacionadas com a fecundidade estão em primeiro na alegações para o não uso de métodos no futuro (cerca de 76 por cento), seguindo-se-lhes, por ordem decrescente de frequência, as de oposição ao uso (10 por cento), as relacionadas com o método (quase 9 por cento) e, finalmente, a falta de conhecimento (4 por cento). · As mulheres mais jovens (15-29 anos) declararam que não pretendiam usar métodos contraceptivos no futuro porque queriam mais filhos (65 por cento). Para as dos 30 aos 49 anos, grande parte aludiu ao facto de querer ter mais filhos (39 por cento) e uma proporção considerável argumentou que era difícil engravidar ou era estéril (28 por cento). A menopausa e a reduzida frequência de relações sexuais foram as razoes relacionadas com a fecundidade apontadas com menor frequência. · De notar que as razões ligadas à oposição ao uso têm mais peso para as mulheres com idade inferior a 30 anos (cerca de 13 por cento), comparativamente às de 30 a 49 anos (aproximadamente 9 por cento). · Não parecem existir diferenças significativas entre a percentagem de mulheres dos 15-29 anos que não usam métodos contraceptivo porque se opõem ao uso e a das que não usam porque os companheiros não gostam. Em contrapartida, para mulheres com 30 a 49 anos, a percentagem das que não usam por oposição ao uso é duas vezes superior à das que não usam porque o companheiro não gosta. Quadro 5.11 Razões para o não uso no futuro Distribuição percentual das mulheres que não estão a utilizar nenhum método contraceptivo e que não têm intenção de utilizar no futuro, por o principal motivo para não usar contracepção, segundo idade, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade –––––––––––––––– Razão para o não uso 15-29 30-49 Total ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Razões relacionadas à fecundidade 74.0 77.0 75.8 Sexo pouco frequente/sem vida sexual 2.9 4.5 3.8 Menopausa/histerectomia 0.0 5.1 3.1 Difícil engravidar/estéril 6.6 28.3 19.5 Quer mais filhos 64.6 39.1 49.4 Oposição ao uso 12.7 8.6 10.3 Opõe-se planeamento familiar 6.1 4.8 5.3 Companheiro não gosta 5.9 2.4 3.8 Outros não gostam 0.0 0.0 0.0 Religião 0.7 1.4 1.2 Falta de conhecimento 5.9 2.8 4.1 Não conhece método 4.3 1.9 2.9 Não conhece fonte 1.6 1.0 1.2 Razões relacionadas com o método 6.3 10.2 8.6 Problemas de saúde 0.8 3.0 2.1 Efeitos colaterais 1.6 2.6 2.2 Dificuldade obtenção 0.5 0.8 0.7 Custo 0.5 0.1 0.3 Inconveniente, não gosta 2.4 2.7 2.6 Interfere com organismo 0.5 1.0 0.8 Outra razão 0.4 0.4 0.4 Não sabe 0.6 0.7 0.7 Sem informação 0.0 0.2 0.1 Total 100.0 100.0 100.0 Número de mulheres 1,255 1,851 3,106 Contracepção | 81 Quadro 5.12 Método contraceptivo preferido para uso futuro Distribuição percentual das mulheres actualmente unidas que não estão a usar métodos contraceptivos, mas têm intenção de usá-los no futuro, por método preferido, segundo idade e área de residência, Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade Residência ––––––––––––––– ––––––––––––––– Método preferido 15-29 30-49 Rural Urbana Total –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Esterilização feminina 0.9 5.5 2.7 2.7 2.7 Esterilização masculina 0.0 0.0 0.0 0.1 0.0 Pílula 47.6 26.8 37.4 44.0 39.6 DIU 2.0 2.3 1.6 3.2 2.1 Injecções 37.6 49.5 43.4 39.6 42.2 Camisinha 1.9 1.4 1.5 2.0 1.7 Diafragma 0.0 0.0 0.0 0.1 0.0 Amenorréia por amamentação 1.9 2.3 2.9 0.5 2.1 Abstinência periódica 1.3 2.0 1.7 1.4 1.6 Coito interrompido 0.0 0.1 0.1 0.0 0.0 Outro 2.0 3.6 3.0 1.7 2.6 Em dúvida 4.7 6.4 5.7 4.8 5.4 Total 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 Número de mulheres 1,617 1,014 1,778 854 2,631 · Dentre as razões relacionadas com o método, os problemas de saúde, a inconveniência de usá-lo e os efeitos colaterais são as razões mais frequentes entre as mulheres de 30 anos e mais. Para as mais novas, a principal razão relacionada com o método é a inconveniência do seu uso, estando em segundo plano os efeitos colaterais do método. 5.9 EXPOSIÇÃO E ACEITAÇÃO DE MENSAGENS PELOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO No IDS tentou-se avaliar o impacto das mensagens sobre planeamento familiar disseminadas pelos meios de comunicação social. Para tal, entrevistados de ambos os sexos foram indagados se nos seis meses anteriores à entrevista teriam ouvido ou visto alguma mensagem sobre planeamento familiar na rádio ou televisão, nos jornais ou revista, cartazes ou brochuras. Os resultados podem ser observados no Quadro 5.13. · A maior parte dos entrevistados declarou não ter ouvido nem visto nenhuma informação sobre planeamento por via dos meios de comunicação de massas (mais de metade de homens e de mulheres). · Dos entrevistados que tiveram informação através dos meios de comunicação, 45 por cento de mulheres e 43 por cento de homens declararam ter ouvido através do rádio. De referir que este é o meio mais frequente e mais viável, tanto para a área urbana como para a rural · A seguir ao rádio, a televisão é o meio mais frequente (citado por 15 por cento de mulheres e 23 por cento de homens), ficando o jornal e revista em último plano como meios de transmissão de informação sobre planeamento familiar. · Enquanto que para as mulheres a aquisição de informação sobre planeamento familiar por via dos meios de comunicação de massas é mais frequente na área urbana que na rural, para os homens, a percentagem dos que recebem informação por essa via tende a ser ligeiramente mais alta na área rural que na urbana, embora no caso do rádio e da televisão as diferenças não pareçam significativas. · A Província de Tete (cerca de 70 por cento) apresenta percentagem mais elevada de mulheres que adquirem informação através do rádio, enquanto a de Zambézia (28 por cento) ostenta a mais baixa. No que concerne à informação televisiva, maior percentagem de mulheres é registada em Maputo Cidade (48 por cento, aproximadamente) e as menores em Niassa (6 por cento), Zambézia (7 por cento) e Manica (7 por cento). | Contracepção 82 · Surpreendentemente, para o caso dos homens, a Província de Tete apresenta a percentagem mais elevada em relação a todos os meios de comunicação apresentados no quadro. · Embora se registem algumas variações entre os homens, a percentagem de entrevistados que adquiriram informação sobre planeamento familiar através dos meios de comunicação seleccionados tende a aumentar à medida que se eleva o nível de escolaridade. 5.10 CONTACTOS DAS NÃO USUÁRIAS COM OS PROVEDORES DE SERVIÇOS DE PLANEAMENTO FAMILIAR Um método importante para a divulgação do planeamento familiar é o aproveitamento, pelos trabalhadores da rede de Cuidados de Saúde Primários, de todos os contactos das mulheres em idade fértil com as unidades sanitárias, para informar e promover a utilização de métodos contraceptivos. No IDS 2003, indagou-se às respondentes não usuárias de planeamento familiar se tinham visitado alguma Quadro 5.13 Audiência de programas sobre planeamento familiar no rádio ou televisão Distribuição percentual de mulheres e homens, por condição de audição de alguma mensagem sobre planeamento familiar no rádio ou na televisão, ou leitura no jornal/revista nos seis meses anteriores à entrevista, segundo características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Mulheres Homens –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Número Número Jornal/ Em de Jornal/ Em de Característica Rádio Televisão revista nenhum mulheres Rádio Televisão revista nenhum homens ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 40.8 17.8 11.0 55.0 2,454 35.6 20.5 17.0 62.0 673 20-24 46.1 16.6 9.5 51.4 2,456 43.2 24.7 22.0 55.2 404 25-29 47.2 13.7 8.6 50.6 2,224 46.4 26.7 24.5 52.6 378 30-34 46.8 13.6 8.0 51.4 1,792 51.9 25.3 25.4 46.9 329 35-39 47.9 14.1 10.1 50.9 1,411 51.3 29.3 29.3 47.1 265 40-44 44.3 11.8 6.0 54.4 1,126 49.6 29.5 24.3 48.5 221 45-49 45.5 10.9 7.1 52.6 954 44.2 22.3 23.5 54.1 221 50-54 na na na na na 34.9 16.8 20.4 62.0 176 55-59 na na na na na 30.6 13.3 14.4 67.7 124 60-64 na na na na na 45.6 23.6 23.0 53.4 111 Residência Rural 39.9 5.2 3.8 59.9 7,870 43.7 24.3 24.5 56.1 1,705 Urbana 54.7 31.2 17.9 39.1 4,548 42.4 22.8 18.7 53.6 1,195 Província Niassa 43.3 6.2 4.7 55.8 476 17.5 6.0 8.2 80.2 116 Cabo Delgado 33.2 8.4 3.9 66.1 1,071 28.0 22.5 17.7 71.5 274 Nampula 54.9 12.4 11.3 43.8 2,403 39.3 10.1 10.2 57.7 693 Zambézia 28.0 6.7 6.1 71.7 1,906 70.2 54.6 55.4 29.8 463 Tete 69.8 13.8 9.1 29.6 1,025 80.8 67.1 68.6 18.4 222 Manica 31.2 6.9 4.1 68.4 809 42.9 11.2 7.0 55.9 192 Sofala 54.4 11.1 6.5 44.3 865 29.3 8.6 7.7 70.4 226 Inhambane 34.1 12.1 4.9 63.9 1,088 23.5 10.1 6.8 74.3 164 Gaza 46.7 8.0 3.0 52.4 666 28.2 4.7 6.1 68.5 91 Maputo 53.9 28.6 10.5 42.5 1,050 32.4 15.1 10.0 64.9 197 Maputo Cidade 50.2 47.7 28.1 35.0 1,059 38.7 20.8 13.9 57.4 261 Nível de escolaridade Nenhum 38.2 4.6 3.3 61.5 5,100 39.1 30.1 30.4 60.8 502 Primário 49.5 16.8 9.4 48.5 6,347 41.6 19.6 18.4 57.3 1,940 Secundário 56.4 53.9 35.9 28.6 940 54.2 33.0 27.9 39.2 437 Superior [ 37.5 [ 77.2 [ 46.0 [ 18.6 [ 30 [ 53.5 [ 50.1 [ 50.4 [ 36.8 22 Quintil de riqueza Mais baixo 30.4 3.5 3.0 69.5 2,814 41.5 29.2 30.3 58.5 660 Segundo 36.4 4.7 3.8 63.4 2,166 44.5 25.3 25.1 55.4 483 Médio 50.5 6.2 4.6 49.3 2,333 40.9 18.8 17.5 58.8 528 Quarto 51.6 11.7 7.8 47.1 2,251 41.7 13.2 15.7 54.8 489 Mais elevado 57.8 42.7 23.3 33.3 2,854 46.4 28.0 20.4 49.3 741 Total 45.3 14.7 9.0 52.3 12,418 43.2 23.7 22.1 55.1 2,900 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Percentagem precedida por parêntese está baseada em 25-49 casos não ponderados. na = Não se aplica Contracepção | 83 unidade sanitária nos 12 meses anteriores ao inquérito, por qualquer motivo. Em caso afirmativo, procurou-se saber se algum trabalhador de saúde lhes teria falado sobre planeamento familiar. Assim, foi possível estimar (Vide Quadro 5.14) a extensão das “oportunidades perdidas” de educação em matéria de planeamento familiar, isto é, contactos entre os não utilizadores e os trabalhadores de saúde que não foram aproveitados para promoção do planeamento familiar. · Das mulheres que foram visitadas por um trabalhador de saúde, apenas 6 por cento confirmaram ter recebido informação sobre planeamento familiar aquando da visita do referido trabalhador. A Província de Gaza apresenta percentagem mais elevada (12 por cento), comparativamente às restantes províncias. Esta província expressa também maior percentagem de mulheres que visitaram estabelecimento de saúde e foram informadas sobre planeamento familiar (42 por cento). · O nível de escolaridade dos entrevistados tende a revelar uma relação positiva com a aquisição de informação sobre planeamento familiar, tanto durante as visitas dos profissionais de saúde aos entrevistados não usuários como quando estes vão às unidades sanitárias. Quadro 5.14 Contacto de mulheres não usuárias com fornecedores de planeamento familiar Percentagem de mulheres que não usam métodos contraceptivos que foram visitadas por um trabalhador de saúde que falou sobre planeamento familiar, percentagem das que efectuaram uma visita à Unidade Sanitária nos 12 meses anteriores à entrevista e receberam mensagem sobre planeamento familiar e percentagem das que visitaram uma Unidade Sanitária mas não foram informados sobre o planeamento familiar, por características seleccionadas, Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Mulheres que Não falou de foram visitadas Visitou uma Unidade Sanitária planeamento por trabalhador de –––––––––––––––––––––––––– familiar nem com saúde para falar Falaram-lhe de Não lhe falaram trabalhador de saúde Número de planeamento planeamento de planeamento nem numa visita à de Característica familiar familiar familiar unidade sanitária mulheres –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 5.7 11.0 28.0 85.1 1,934 20-24 4.9 25.3 29.1 72.3 1,703 25-29 5.6 24.2 29.0 73.7 1,599 30-34 6.3 19.9 29.9 77.6 1,307 35-39 6.2 18.0 31.9 78.0 1,018 40-44 6.3 17.9 31.6 79.6 856 45-49 4.8 12.3 26.3 85.3 822 Residência Rural 4.7 17.0 27.6 80.8 6,250 Urbana 7.7 22.3 32.6 73.4 2,989 Província Niassa 5.3 12.8 30.6 86.5 330 Cabo Delgado 5.7 18.8 35.3 77.8 815 Nampula 6.4 21.3 20.4 75.4 1,592 Zambézia 5.1 10.0 22.7 87.4 1,677 Tete 4.9 24.9 24.1 73.0 780 Manica 1.3 19.8 20.1 79.4 723 Sofala 4.7 18.9 38.2 79.0 692 Inhambane 4.2 10.8 45.5 86.3 924 Gaza 11.7 41.8 37.0 53.8 558 Maputo 6.1 24.3 33.3 73.8 608 Maputo Cidade 9.3 14.7 33.8 78.7 542 Nível de escolaridade Nenhum 4.5 15.0 28.2 82.8 4,143 Primário 6.4 22.0 28.9 74.9 4,663 Secundário 8.7 20.2 42.0 74.7 421 Superior * * * * 12 Quintil de riqueza Mais baixo 4.2 13.8 24.3 84.1 2,306 Segundo 4.9 15.6 29.2 81.5 1,752 Médio 5.6 20.2 27.9 77.2 1,785 Quarto 6.4 23.5 32.6 74.1 1,744 Mais elevado 7.6 22.2 34.1 73.3 1,652 Total 5.7 18.7 29.3 78.4 9,239 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Percentagem baseada em menos de 25 casos não ponderados não é apresentada (*). | Contracepção 84 5.11 DIÁLOGO E ATITUDES DOS CASAIS EM RELAÇÃO AO PLANEAMENTO FAMILIAR Embora o diálogo entre marido e mulher sobre o uso de métodos contraceptivos não seja uma condição prévia necessária para a adopção de certos métodos, as atitudes em relação ao planeamento familiar são essenciais para a sua utilização. Com efeito, a expansão do programa será mais fácil se a atitude dos casais for favorável ao planeamento familiar. Em contrapartida, quando, por motivos culturais ou outros, há uma reprovação generalizada do programa, esta constitui uma barreira importante e sensível para a adopção de métodos contraceptivos. Para avaliar as atitudes existentes na população foram feitas várias perguntas aos respondentes de ambos os sexos, actualmente casados ou maritalmente unidos e em que a mulher não tivesse sido esterilizada. Às mulheres em tal situação perguntou-se qual era a frequência da troca de opinião com o cônjuge sobre contracepção e qual a percepção delas sobre a atitude do cônjuge em relação ao planeamento familiar. Dos homens procurou-se saber se estavam a favor ou contra o planeamento familiar e, caso tivessem dialogado com alguém sobre o planeamento familiar, com quem conversaram. O Quadro 5.15 apresenta, para as mulheres actualmente casadas que conhecem um método contraceptivo, a frequência com que elas conversaram com os esposos sobre planeamento familiar, no ano anterior ao IDS, segundo idade. Os resultados sobre a aprovação do planeamento familiar pelas mulheres e sua percepção em relação às atitudes dos seus maridos no que diz respeito ao planeamento familiar são apresentados no Quadro 5.16, de acordo com características seleccionadas. · Os dados contidos no Quadro 5.15 mostram que a maior parte das mulheres não dialoga com seus esposos sobre planeamento familiar (57 por cento). Contudo, mais de um terço das mulheres (38 por cento) afirmaram ter conversado algumas vezes e cerca de 5 por cento declararam que o faziam frequentemente. · Dentre as mulheres mais jovens (15-19 anos) e dentre as que estão na fase terminal da reprodução (45-49 anos), os diálogos com os cônjuges parecem ser menos frequentes. · Grande parte dos casais denota estar a favor do planeamento familiar (49 por cento). No entanto, uma percentagem considerável de mulheres não sabe qual é a atitude do seu esposo em relação ao planeamento familiar. · A Província de Tete apresenta percentagem mais elevada de casais que concordam com o planeamento familiar (87 por cento), enquanto que as de Cabo Delgado e Inhambane apresentam as mais baixas (30 e 33 por cento, respectivamente). Quadro 5.15 Discussão sobre planeamento familiar entre os casais Distribuição percentual das mulheres actualmente casadas/unidas e não esterilizadas que conhecem um método contraceptivo, por número de vezes que discutiram planeamento familiar com o esposo ou companheiro nos 12 meses anteriores ao inquérito, segundo a idade actual, Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Número de vezes que discutiu planeamento familiar ––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Número Uma ou Mais Sem infor- de Idade Nunca duas vezes frequente mação Total mulheres –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 15-19 62.7 33.6 3.2 0.5 100.0 828 20-24 53.4 41.4 5.0 0.2 100.0 1,605 25-29 54.6 39.1 6.3 0.0 100.0 1,680 30-34 56.6 37.3 5.9 0.2 100.0 1,408 35-39 51.7 41.4 6.6 0.3 100.0 1,082 40-44 59.5 34.8 5.5 0.2 100.0 814 45-49 70.5 26.0 2.7 0.8 100.0 653 Total 56.9 37.5 5.3 0.2 100.0 8,068 Contracepção | 85 Quadro 5.16 Percepção das esposas sobre a atitude dos esposos face ao planeamento familiar Distribuição percentual das mulheres casadas/unidas maritalmente e não esterilizadas que conhecem métodos contraceptivos, por atitude do esposo em relação ao planeamento familiar (PF) e percepção que a mulher tem sobre a atitude do esposo face ao planeamento familiar, segundo características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Mulher aprova PF Mulher desaprova PF Qualquer aprova PF ––––––––––––––––––––––––– ––––––––––––––––––––––––––– ––––––––––––––– Esposo Não Esposo Não Mulher aprova Esposo conhece desaprova conhece não Número (ambos desa- atitude Esposo (ambos re - a atitude está Esposa Esposo de Característica aprovam) prova do esposo aprova provam) do esposo segura Total aprova aprova1 mulheres ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 46.4 6.8 22.7 1.0 7.8 3.9 11.3 100.0 76.0 49.3 828 20-24 52.2 8.7 17.5 1.4 6.4 2.6 11.2 100.0 78.4 54.5 1,605 25-29 49.7 9.6 19.5 1.4 7.6 2.5 9.7 100.0 78.8 52.2 1,680 30-34 49.4 9.6 16.3 1.9 8.7 3.4 10.7 100.0 75.4 52.6 1,408 35-39 51.7 9.8 16.8 1.2 6.0 2.3 12.3 100.0 78.3 53.5 1,082 40-44 49.5 9.5 17.8 1.2 7.6 3.5 10.8 100.0 76.8 52.3 814 45-49 40.5 5.9 25.8 1.8 9.1 3.1 13.8 100.0 72.1 43.9 653 Residência Rural 45.8 8.5 19.9 1.4 8.1 3.4 13.0 100.0 74.1 48.5 5,590 Urbana 57.3 9.8 16.6 1.4 6.1 1.9 6.9 100.0 83.7 59.7 2,478 Província Niassa 45.5 4.3 20.4 0.2 1.5 2.0 26.0 100.0 70.3 48.5 365 Cabo Delgado 30.2 5.7 19.2 2.8 19.6 6.2 16.3 100.0 55.1 34.2 809 Nampula 46.4 7.0 23.8 2.0 7.4 2.1 11.3 100.0 77.2 49.2 1,798 Zambézia 37.8 8.6 14.7 2.0 8.3 5.2 23.3 100.0 61.1 42.6 1,159 Tete 86.8 3.5 5.2 1.4 1.3 0.4 1.3 100.0 95.6 89.3 769 Manica 51.2 12.9 24.9 0.2 4.4 1.4 5.0 100.0 89.0 51.7 538 Sofala 54.1 13.1 15.7 0.2 4.8 2.6 9.6 100.0 82.9 54.9 534 Inhambane 32.5 15.5 19.1 2.3 19.1 5.4 6.0 100.0 67.1 35.6 662 Gaza 43.1 14.7 35.4 0.4 2.1 2.0 2.3 100.0 93.3 43.5 426 Maputo 67.3 9.0 16.9 0.0 1.9 1.2 3.7 100.0 93.2 67.6 549 Maputo Cidade 64.3 10.1 14.3 0.5 1.3 0.8 8.8 100.0 88.6 66.9 462 Nível de escolaridade Nenhum 42.8 7.5 20.7 1.7 8.7 3.4 15.3 100.0 71.0 46.0 3,687 Primário 52.2 10.2 18.4 1.3 7.0 2.8 8.2 100.0 80.7 54.4 4,003 Secundário 82.2 7.8 6.8 0.7 1.5 0.0 0.9 100.0 96.9 83.2 362 Superior * * * * * * * * * * 16 Quintil de riqueza Mais baixo 41.7 7.6 19.2 0.9 9.0 4.0 17.5 100.0 68.6 44.4 1,952 Segundo 40.9 9.1 23.9 1.9 9.4 2.8 12.0 100.0 73.9 44.0 1,458 Médio 50.0 7.0 18.4 1.7 7.5 3.3 12.1 100.0 75.4 53.1 1,752 Quarto 48.8 10.7 20.7 2.0 7.8 3.0 7.0 100.0 80.2 51.3 1,413 Mais elevado 67.1 10.7 12.2 0.8 3.2 1.2 4.8 100.0 90.0 68.9 1,492 Total 49.3 8.9 18.9 1.4 7.5 2.9 11.1 100.0 77.0 51.9 8,068 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: A distribuição percentual baseada em menos de 25 casos não ponderados não é apresentada (*). 1Inclui mulheres da categoria "mulher não está segura" mas que conhecem a atitude do esposo/companheiro · O nível de escolaridade parece influir positivamente na atitude dos casais em relação ao planeamento familiar, posto que à medida que aumenta o nível educacional, sobe a percentagem de casais que aprovam o planeamento familiar. · Em Gaza, quase um quarto das mulheres (25 por cento) manifestou não conhecer a atitude dos seus cônjuges face ao planeamento familiar. | Contracepção 86 Outros Determinantes Próximos da Fecundidade | 87 OUTROS DETERMINANTES PRÓXIMOS DA FECUNDIDADE 6 Neste capítulo são analisados os principais factores (para além da contracepção), que influenciam a probabilidade da mulher engravidar, geralmente conhecidos por determinantes próximos da fecundidade: nupcialidade, relacionamento sexual, amenorréia pós-parto, a abstinência sexual e infertilidade. O capítulo começa por descrever a formação de uniões matrimoniais, em seguidadescreveas medidas directas, tanto do início da exposição ao risco de gravidez como do nível de exposição: idade na primeira relação sexual e frequência de relações sexuais. Em populações africanas como a de Moçambique, o início da actividade sexual não depende necessariamente do início da primeira união matrimonial, quer tal união se tenha consumado através de casamento oficial ou de união de facto. Assim, o primeiro nascimento pode preceder a primeira união. Do mesmo modo, uma proporção significativa de nascimentos ocorre fora do contexto do casamento ou mesmo de uniões de facto. Por isso, o conceito de exposição ao risco de gravidez é considerado dentro do marco de exposição a relações sexuais dentro ou fora do casamento e da capacidade biológica da mulher de conceber e dar à luz uma criança. Finalmente, analisam-se os períodos de infertilidade pós-parto em distintos grupos populacionais, produzidos quer pela amenorréia pós-parto e assim como pela abstinência pós-parto. Estes meios, na ausência de métodos contraceptivos, podem ser vistos como os determinantes próximos mais importantes da exposição ao risco de gravidez e dos intervalos entre nascimentos. 6.1 ESTADO CIVIL O casamento, formal ou informal, é um indicador da exposição da mulher à probabilidade de engravidar. A idade precoce da primeira união encontra-se frequentemente associada a níveis de fecundidade elevados, sendo, portanto, importante para a análise da fecundidade. No IDS, as mulheres e os homens entrevistados foram inquiridos sobre o seu estado civil actual. O termo “casada(o)” refere-se à união matrimonial legal ou formal, civil ou religiosa. Se os parceiros vivem juntos, numa relação consensual durável mas sem nunca terem oficializado a relação, trata-se duma união informal aqui designada por união marital ou casamento tradicional. Neste âmbito, encontros sexuais ocasionais não foram incluídos na categoria de “em união marital”. As mulheres que na altura do inquérito teriam declarado que estavam vivendo com o namorado, foram consideradas como “vivendo em união marital”. Por seu turno, as mulheres que declararam ter um namorado, mas nunca viveram com ele, foram consideradas solteiras e não em união. Assim, neste inquérito o estado civil dos entrevistados foi classificado em seis categorias: casado, em união, solteiro, viúvo, divorciado, e separado. Ao longo deste capítulo, as duas primeiras categorias são combinadas e referidas como “actualmente casadas” ou “actualmente em união”. O Quadro 6.1.1 apresenta a distribuição percentual dos entrevistados, segundo o seu estado civil e por grupos quinquenais de idades. O Quadro 6.1.2 apresenta os resultados por características seleccionadas. | Outros Determinantes Próximos da Fecundidade 88 · No país, 70 por cento das mulheres entre os 15 e 49 anos encontram-se casadas ou em união marital, enquanto que 16 por cento são solteiras e 13 por cento são separadas. As percentagens das mulheres vivendo em união ultrapassam os 80 por cento nas mulheres com idades compreendidas entre os 20 e 39 anos. · Pouco mais da metade das adolescentes (15-19 anos) são solteiras. Como seria de esperar, as percentagens de mulheres separadas ou viúvas aumentam com a idade. · Os dados mostram que há mais homens solteiros (31 por cento) que mulheres solteiras (16 por cento); por outro lado a percentagem dos homens separados (4 por cento) é inferior que a das mulheres (13 por cento). Há mais homens casados (33 por cento, contra 16 por cento das mulheres) e mais mulheres em união marital (55 por cento, contra 31 por cento dos homens). · As mulheres das áreas rurais são mais propensas ao casamento que a das áreas urbanas; de facto, 79 por cento das mulheres da área rural encontram-se casadas ou vivendo em união marital, contra 56 por cento das que vivem na área urbana. Por outro lado, a percentagem das solteiras é superior na área urbana (27 por cento, contra apenas 10 por cento da área rural). No entanto, a percentagem das mulheres separadas é mais elevada na área urbana (16 por cento, contra 11 por cento da área rural. Esta tendência também se observa em relação aos homens. · Em termos de províncias, observa-se que as províncias da região sul, sobretudo Maputo Cidade apresentam percentagens comparativamente baixas de mulheres casadas ou em união marital, e em contrapartida, apresentam as percentagens mais elevadas de mulheres separadas. Em todas as províncias das regiões centro e norte do País as percentagens das mulheres casadas ou em união ultrapassam a fasquia dos 70 por cento. · A percentagem das mulheres casadas ou em união marital baixa com a escolaridade, de 83 por cento entre as mulheres sem nenhum nível, para 38 por cento entre as mulheres com o nível secundário. Esta tendência também se observa em relação aos homens. Quadro 6.1.1 Estado civil actual por idade e sexo Distribuição percentual das mulheres e dos homens, por estado civil actual, segundo idade, Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Estado civil ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Número União Divor- Sepa- de Idade e sexo Solteira(o) Casada(o) consensual ciada(o) rada(o) Viúva(o) Total pessoas –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– MULHERES –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 15-19 56.7 6.4 31.8 0.1 5.0 0.0 100.0 2,454 20-24 15.6 13.8 57.3 0.2 13.1 0.0 100.0 2,456 25-29 4.9 16.1 65.4 0.1 13.1 0.5 100.0 2,224 30-34 1.9 20.8 62.7 0.2 13.7 0.7 100.0 1,792 35-39 1.4 20.1 62.0 1.1 14.4 1.1 100.0 1,411 40-44 1.1 19.0 58.5 1.1 17.5 2.8 100.0 1,126 45-49 1.3 21.3 53.6 0.7 18.8 4.3 100.0 954 Total 15.8 15.5 54.8 0.4 12.6 0.9 100.0 12,418 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– HOMENS –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 15-19 94.5 2.4 2.5 0.0 0.6 0.0 100.0 673 20-24 47.6 20.3 28.2 0.5 3.4 0.0 100.0 404 25-29 14.8 34.6 42.9 1.3 5.9 0.5 100.0 378 30-34 6.0 45.8 39.6 1.6 7.0 0.0 100.0 329 35-39 1.0 53.2 40.0 0.7 5.1 0.0 100.0 265 40-44 2.2 46.4 48.4 0.6 2.4 0.0 100.0 221 45-49 0.0 51.6 42.0 1.0 4.8 0.5 100.0 221 50-54 0.0 46.9 48.4 1.2 2.9 0.6 100.0 176 55-59 0.0 56.4 31.0 6.4 4.6 1.7 100.0 124 60-64 0.0 54.5 38.5 0.0 7.0 0.0 100.0 111 Total 31.4 32.8 30.8 1.0 3.8 0.2 100.0 2,900 Outros Determinantes Próximos da Fecundidade | 89 Quadro 6.1.2 Estado civil actual por características seleccionadas Distribuição percentual das mulheres e dos homens por estado civil actual, segundo características seleccionadas, Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Estado civil ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Número União Divor- Sepa- de Característica Solteira(o) Casada(o) consensual ciada(o) rada(o) Viúva(o) Total pessoas –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– MULHERES –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Residência Rural 9.6 17.1 61.7 0.3 10.5 0.8 100.0 7,870 Urbana 26.5 12.8 43.0 0.4 16.2 1.1 100.0 4,548 Província Niassa 9.5 66.9 14.5 1.8 5.9 1.4 100.0 476 Cabo Delgado 7.6 27.3 52.2 0.7 11.9 0.4 100.0 1,071 Nampula 9.1 12.0 67.0 0.5 10.9 0.5 100.0 2,403 Zambézia 12.5 30.1 44.9 0.6 9.2 2.7 100.0 1,906 Tete 13.5 18.7 56.5 0.1 11.0 0.2 100.0 1,025 Manica 13.3 5.6 70.7 0.0 9.3 1.1 100.0 809 Sofala 12.4 4.9 66.5 0.0 15.6 0.5 100.0 865 Inhambane 18.5 3.6 63.0 0.3 14.1 0.6 100.0 1,088 Gaza 17.5 2.0 62.0 0.0 17.8 0.6 100.0 666 Maputo 27.8 3.7 48.9 0.0 18.8 0.8 100.0 1,050 Maputo Cidade 39.1 7.9 35.8 0.3 16.6 0.4 100.0 1,059 Nível de escolaridade Nenhum 4.9 18.1 64.5 0.3 11.2 1.1 100.0 5,100 Primário 19.4 13.7 51.6 0.3 14.2 0.8 100.0 6,347 Secundário 49.8 12.9 25.5 1.4 9.4 1.0 100.0 940 Superior [ 45.2 [ 34.0 [ 19.3 [ 0.0 [ 1.5 [ 0.0 [ 100.0 30 Total 15.8 15.5 54.8 0.4 12.6 0.9 100.0 12,418 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– HOMENS –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Residência Rural 21.5 41.6 33.9 0.6 2.2 0.3 100.0 1,705 Urbana 45.6 20.1 26.5 1.5 6.2 0.2 100.0 1,195 Província Niassa 25.6 67.4 3.4 0.0 3.6 0.0 100.0 116 Cabo Delgado 22.4 45.9 27.9 0.7 2.2 0.8 100.0 274 Nampula 29.7 42.4 24.0 2.3 1.5 0.0 100.0 693 Zambézia 15.1 77.9 4.2 1.9 0.9 0.0 100.0 463 Tete 29.8 14.5 53.4 0.0 1.4 0.9 100.0 222 Manica 44.3 2.0 49.6 0.0 3.9 0.3 100.0 192 Sofala 38.5 0.9 56.0 0.0 4.6 0.0 100.0 226 Inhambane 31.9 12.8 51.4 0.0 3.8 0.0 100.0 164 Gaza 36.6 0.1 55.4 0.0 7.1 0.9 100.0 90 Maputo 42.5 4.5 36.6 0.0 16.3 0.0 100.0 197 Maputo Cidade 52.1 8.8 30.7 0.5 7.7 0.3 100.0 261 Nível de escolaridade Nenhum 12.1 49.5 32.7 2.5 3.2 0.1 100.0 501 Primário 31.3 31.3 32.5 0.7 3.9 0.3 100.0 1,940 Secundário 53.1 20.9 21.6 0.0 4.2 0.2 100.0 437 Superior [ 48.3 [ 19.3 [ 21.3 [ 6.0 [ 5.1 [ 0.0 [ 100.0 22 Total 31.4 32.8 30.8 1.0 3.8 0.2 100.0 2,900 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Percentagem precedida por parêntese está baseada em 25-49 casos não ponderados. A distribuição percentual baseada em menos de 25 casos não ponderados não é apresentada (*). | Outros Determinantes Próximos da Fecundidade 90 6.2 POLIGAMIA A poligamia (ter mais que uma esposa) tem implicações para a frequência da exposição à actividade sexual e fecundidade. A extensão da poligamia no País foi avaliada inquirindo os respondentes em união, às mulheres perguntou-se quantas mulheres tinha o marido para além da entrevistada e, aos homens questionou-se, com quantas mulheres vivia em união. No Quadro 6.2 pode-se avaliar a distribuição percentual das mulheres em união entrevistadas por número de co-esposas, e homens em união entrevistados por número de esposas, segundo características seleccionadas. Quadro 6.2 Número de esposas e co-esposas Distribuicão percentual das mulheres e dos homens actualmente em união por número de co-esposas e de esposas, segundo características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Mulheres Homens ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Número de co-esposas Número de esposas –––––––––––––––––––––––––––––––– ––––––––––––––––––––––– Duas Não sabe/ Número Três Número Ne- ou sem infor- de Só ou de Característica nhuma Outra mais mação Total mulheres uma Duas mais Total homens ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 76.2 11.9 11.6 0.2 100.0 936 [ 100.0 [ 0.0 [ 0.0 [ 100.0 33 20-24 73.5 15.3 10.9 0.4 100.0 1,747 98.8 1.2 0.0 100.0 196 25-29 66.5 18.9 14.4 0.2 100.0 1,812 91.3 8.4 0.3 100.0 293 30-34 69.1 18.3 12.4 0.3 100.0 1,495 91.5 8.1 0.4 100.0 281 35-39 64.1 18.5 17.2 0.3 100.0 1,158 80.7 14.2 5.1 100.0 247 40-44 62.0 21.0 16.9 0.1 100.0 872 82.7 16.1 1.1 100.0 209 45-49 63.7 18.6 17.4 0.3 100.0 715 79.9 17.4 2.7 100.0 207 50-54 na na na na na na 76.8 19.5 3.7 100.0 168 55-59 na na na na na na 75.6 18.0 6.3 100.0 108 60-64 na na na na na na 82.2 13.9 3.8 100.0 103 Residência Rural 67.3 19.0 13.6 0.2 100.0 6,199 83.7 13.9 2.5 100.0 1,287 Urbana 71.1 13.7 14.8 0.4 100.0 2,537 91.0 7.6 1.4 100.0 557 Província Niassa 72.3 16.7 10.1 0.9 100.0 387 77.7 21.0 1.3 100.0 82 Cabo Delgado 70.6 19.9 9.2 0.2 100.0 851 85.7 12.7 1.5 100.0 202 Nampula 65.8 16.5 17.4 0.2 100.0 1,898 86.0 12.3 1.7 100.0 460 Zambézia 77.9 5.7 15.9 0.5 100.0 1,430 91.1 8.4 0.5 100.0 381 Tete 71.6 22.0 6.3 0.0 100.0 771 82.4 12.8 4.8 100.0 151 Manica 58.9 25.3 15.5 0.3 100.0 617 75.3 13.0 11.6 100.0 99 Sofala 64.0 25.8 10.2 0.1 100.0 617 81.3 16.9 1.8 100.0 129 Inhambane 59.0 22.0 18.9 0.1 100.0 724 85.7 11.0 3.2 100.0 106 Gaza 67.3 24.5 8.0 0.1 100.0 426 89.5 9.4 1.0 100.0 50 Maputo 77.4 17.0 5.5 0.0 100.0 552 85.2 14.8 0.0 100.0 81 Maputo Cidade 60.1 11.3 28.3 0.3 100.0 462 92.6 7.0 0.4 100.0 103 Nível de escolaridade Nenhum 65.4 19.3 15.0 0.3 100.0 4,212 83.6 13.5 2.9 100.0 412 Primário 70.8 16.3 12.6 0.2 100.0 4,147 85.5 12.6 1.9 100.0 1,238 Secundário 74.2 9.6 16.0 0.1 100.0 362 93.3 4.7 2.0 100.0 186 Secundário * * * * * 16 * * * * 9 Quintil de riqueza Mais baixo 68.5 18.5 7.4 5.6 100.0 2,265 84.5 12.3 3.2 100.0 541 Segundo 67.3 19.5 6.4 6.7 100.0 1,660 85.2 13.3 1.5 100.0 357 Médio 67.6 17.3 8.6 6.6 100.0 1,857 82.9 13.8 3.3 100.0 392 Quarto 68.6 18.4 6.8 6.3 100.0 1,457 86.0 12.7 1.3 100.0 245 Mais elevado 70.3 12.9 3.9 12.9 100.0 1,498 92.8 7.1 0.2 100.0 309 Total 68.4 17.4 13.9 0.3 100.0 8,736 85.9 12.0 2.1 100.0 1,844 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Percentagem precedida por parêntese está baseada em 25-49 casos não ponderados. A distribuição percentual baseada em menos de 25 casos não ponderados não é apresentada (*). na = Não se aplica Outros Determinantes Próximos da Fecundidade | 91 · Cerca de um terço das mulheres actualmente unidas vivem numa situação de poligamia, das quais 17 por cento tem uma co-esposa e 14 por cento tem duas ou mais co-esposas. · A poligamia, situação que é mais frequente na área rural, aumenta com a idade e diminui com a escolaridade, tanto nas mulheres como nos homens. · Em relação aos quintís de riquezas, nota-se que entre as mulheres as percentagens das que vivem em poligamia são inversamente proporcionais aos quintís de riqueza. Nos homens, as percentagens não apresentam qualquer tendência. 6.3 IDADE NA PRIMEIRA UNIÃO Mesmo com a existência das relações sexuais pré-maritais, pode-se considerar o casamento como o início da exposição regular à probabilidade de gravidez, sendo portanto essencial para a compreensão da fecundidade. Uma idade muito jovem ao primeiro casamento aumenta o período de exposição das mulheres ao risco de gravidez pelo que se encontra sempre associada a níveis elevados de fecundidade, particularmente quando as taxas de prevalência de uso de contracepção são baixas. No Quadro 6.3, pode-se observar a percentagem de mulheres e de homens alguma vez unidos por idades específicas, exactas e idade mediana na primeira união, como uma medida da tendência central . A mediana aqui é definida como a idade em que a metade da coorte das mulheres ou homens se tornaram casados. A mediana é preferida em relação à média como uma medida da tendência central, porque ao contrário da média, pode ser estimada para todas as coortes onde pelo menos a metade de inquiridos, foram casados alguma vez até a altura do inquérito. As tendências por coorte em relação à idade do casamento podem ser descritas pela comparação de distribuições percentuais acumulativas para sucessivos grupos de idades, como mostra o Quadro 6.3. Para cada coorte as percentagens acumuladas terminam no limite inferior de idades, para evitar o censoramento do dados. Por exemplo, para a coorte de idade actual de 20-24 anos, a acumulação deve terminar com a percentagem dos casados na idade exacta de 20 anos. Na elaboração de conclusões sobre tendências, os dados das coortes de idades mais avançadas devem ser interpretados cautelosamente, porque os inquiridos podem não se recordar com exactidão das datas dos seus casamentos ou as suas idades, particularmente onde são comuns uniões informais.6 Uma vez que os resultados ao nível nacional apresentados no Quadro 6.3 escondem tendências e diferenças de subgrupos, no Quadro 6.4 são estudadas as variações na idade mediana da primeira união, entre mulheres de 20-49 anos e homens de 25-64 anos, por características seleccionadas. · De acordo com os resultados, em Moçambique as mulheres casam-se em média 4 anos mais cedo que os homens, sendo a idade média á primeira união de 17.5 anos para as mulheres e 21.8 anos para os homens. Nas mulheres alguma vez unidas 23 por cento já se encontravam casadas ou unidas aos 15 anos. Esta percentagem eleva-se para 55 aos 18 anos, atingindo 72 por cento aos 20 anos. Para os homens, apenas 3 por cento encontravam –se casados aos 15 anos. Até aos 20 anos apenas cerca de um terço dos homens (32 por cento) é que se encontravam casados. · Em geral, as pessoas entram na vida conjugal cedo em Moçambique; e as mulheres por seu turno, envolvem-se mais cedo ainda em relação aos homens. Esta tendência é visível não só nas diferenças entre as idades medianas na primeira união entre ambos sexos (17.5 para mulheres de 25-49 anos, e 21.8 para os homens de 25-64 anos); como também na superioridade das percentagens das mulheres (em relação às dos homens) em todos os grupos etários e cada uma das colunas de idade específica a primeira união. 6Outra forma de estimar tendências, que é muitas vezes mais confiável, é através de comparações de percentagens dos casados alguma vez por grupos quinquenais de idade, com dados similares aos do censos e inquéritos realizados previamente. A idade média ao casamento pode também ser calculada a partir de diversas fontes e comparada ao longo do tempo. | Outros Determinantes Próximos da Fecundidade 92 · A análise das idades medianas das mulheres e dos homens, revela que, embora a idade mediana na primeira união seja sempre superior nos homens, em ambos os sexos as tendências são semelhantes, isto é, a idade mediana na primeira união é superior na área rural, em comparação com a urbana; aumenta com a escolaridade e com os quintís de riqueza. 6.4 IDADE AO PRIMEIRO CONTACTO SEXUAL A idade com que se inicia actividade sexual é um importante indicador para as iniciativas de saúde reprodutiva, incluindo HIV/SIDA. Embora a idade ao primeiro casamento seja geralmente utilizada como indicador aproximado de exposição à actividade sexual, os dois eventos não coincidem. No IDS 2003 avaliou-se a idade que tinham os entrevistados, de ambos os sexos, aquando do seu primeiro contacto sexual, pois é sabido que, frequentemente, a actividade sexual se inicia antes do casamento, especialmente se elas ou eles adiam a idade em que se devem casar. Os Quadros 6.5.1 e 6.5.2 mostram a idade no primeiro contacto sexual, segundo grupos quinquenais de idade. A informação sobre a idade da primeira relação sexual assemelha-se à informação sobre a idade do primeiro casamento nos Quadros 6.3 e 6.4. Os Quadros 6.6.1, 6.6.2 e 6.6.3 mostram a idade mediana no primeiro contacto sexual, segundo grupos quinquenais de idade e características seleccionadas. O Gráfico 6.1 mostra as medianas por características seleccionadas. Quadro 6.3 Idade na primeira união Percentagem de mulheres e dos homens que se uniram pela primeira vez até às idades especificadas e idade mediana na primeira união, por idade actual, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Percentagem de pessoas que se uniram Idade pela primeira vez até às idade específica: Número mediana ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nunca de na 1a Idade atual 15 18 20 22 25 unidas pessoas união ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– MULHERES ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 15-19 14.0 na na na na 56.7 2,454 a 20-24 18.3 55.9 74.9 na na 15.6 2,456 17.5 25-29 21.2 56.4 74.7 86.1 93.1 4.9 2,224 17.5 30-34 25.2 55.8 72.9 82.6 92.1 1.9 1,792 17.4 35-39 22.2 54.2 69.9 81.9 91.1 1.4 1,411 17.5 40-44 23.6 55.9 73.1 83.4 91.7 1.1 1,126 17.4 45-49 21.7 49.4 65.7 77.6 87.3 1.3 954 18.1 20-49 21.7 55.1 72.7 na na 5.7 9,964 17.5 25-49 22.8 54.9 72.0 83.0 91.5 2.5 7,508 17.5 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– HOMENS ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 15-19 0.9 na na na na 94.5 673 a 20-24 1.3 13.6 32.2 na na 47.6 404 a 25-29 4.8 15.1 35.4 59.9 80.5 14.8 378 21.2 30-34 2.7 17.5 32.0 51.7 73.8 6.0 329 21.8 35-39 3.4 16.2 33.1 52.7 77.0 1.0 265 21.8 40-44 1.0 9.5 29.5 47.7 66.2 2.2 221 22.3 45-49 2.9 15.8 36.3 56.0 70.4 0.0 221 21.4 50-54 1.1 8.6 22.5 a a 0.0 176 22.6 55-59 1.5 6.0 24.2 45.4 59.8 0.0 124 23.1 60-64 0.5 10.7 30.4 50.5 65.2 0.0 111 21.9 20-64 2.4 13.6 31.6 51.6 68.4 12.3 2,227 a 25-64 2.7 13.6 31.5 52.4 72.0 4.6 1,824 21.8 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– na = Não se aplica a = Omitido porque menos de 50 por cento dos entrevistados se uniram pela primeira vez até à idade especificada. Outros Determinantes Próximos da Fecundidade | 93 · Se na secção anterior foi constatado que as mulheres entram mais cedo na vida conjugal que os homens, é legítimo esperar que elas iniciem a sua vida sexual mais cedo que os homens. Esta tendência é reiterada nos Quadros apresentados em seguida. Os dados revelam que, em média, as mulheres começam a sua vida sexual dois anos antes que os homens. · A idade mediana ao primeiro contacto sexual é de 16.1 anos para mulheres e 17.8 anos para homens, com diferença não muito significativas segundo grupos quinquenais de idade. · As mulheres que residem em áreas rurais têm o primeiro contacto sexual o mais cedo que as mulheres das áreas urbanas (15.8 anos contra 16.6 anos) e mulheres com ensino secundário têm-no dois anos mais tarde que as mulheres sem educação (17.8 contra. 15.8). · As mulheres da região Norte tiveram o seu contacto sexual ligeiramente mais cedo que as restantes, destacando-se Cabo Delgado com 15.1 anos, enquanto na Cidade de Maputo, com 17.1 anos, destaca-se como a divisão administrativa onde as mulheres iniciaram a sua experiência sexual tardiamente. · As diferenças por área de residência, educação, e estado civil na idade em termos de início da vida sexual nos homens são pequenas. Porém, os homens de Cabo Delgado tiveram a primeira experiência sexual dois anos mais cedo que os homens de Sofala (16.3 anos contra. 18.8 anos). Quadro 6.4 Idade mediana na primeira união Idade mediana na primeira união entre mulheres de 20-49 anos e homens 25-64 anos, por a idade actual, segundo características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade atual Mulheres Homens ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 20-49 25-64 Característica 20-24 25-29 30-34 35-39 40-44 45-49 anos anos ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Residência Rural 16.8 17.0 17.0 17.3 17.1 18.0 17.0 21.4 Urbana 18.9 18.3 18.1 17.9 18.0 18.2 18.3 22.9 Província Niassa 16.2 16.2 17.9 16.6 18.4 19.4 17.1 21.6 Cabo Delgado 16.2 16.0 15.5 16.1 16.0 16.0 16.0 20.7 Nampula 16.0 15.9 15.9 16.4 15.7 15.7 15.9 20.5 Zambézia 16.7 17.1 17.1 19.3 17.4 19.9 17.4 21.7 Tete 17.6 18.0 17.5 17.5 17.8 18.0 17.7 22.9 Manica 17.3 17.3 18.4 17.2 17.1 19.8 17.5 23.2 Sofala 17.6 17.0 17.7 16.9 17.5 19.2 17.5 22.8 Inhambane 18.0 18.9 18.6 18.3 17.6 18.3 18.4 22.8 Gaza 18.2 18.6 19.2 18.7 17.7 19.1 18.5 21.9 Maputo 19.7 19.5 18.8 18.8 18.8 18.8 19.2 22.8 Maputo Cidade a 21.8 20.0 19.1 18.9 19.3 19.7 1 23.7 Nível de escolaridade Nenhum 16.7 16.9 17.4 17.1 17.0 18.0 17.0 21.5 Primário 17.5 17.5 17.1 17.7 17.7 17.9 17.5 21.4 Secundário a 22.5 21.2 20.1 19.5 20.9 21.2 1 24.7 Quintil de riqueza Mais baixo 16.7 16.9 16.8 17.2 17.2 18.0 16.9 21.4 Segundo 16.8 16.7 17.1 17.0 17.3 18.0 16.9 21.4 Médio 17.0 16.9 16.7 17.2 16.8 18.0 17.0 21.3 Quarto 17.6 17.7 17.4 17.5 16.8 17.6 17.5 21.8 Mais elevado 19.9 19.0 18.7 18.7 18.8 19.1 19.1 23.6 Total 17.5 17.5 17.4 17.5 17.4 18.1 17.5 21.8 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– a = Omitido porque menos de 50 por cento dos entrevistados se uniram pela primeira vez antes do começo do grupo etário. 1Mulheres 25-49 anos | Outros Determinantes Próximos da Fecundidade 94 Gráfico 6.1 Idade Mediana à Primeira Relação Sexual entre Mulheres, por Área de Residência, Província, e Nível de Escolaridade 17.9 16.1 15.9 17.1 16.6 16.8 16.0 16.6 16.3 16.4 15.7 15.7 15.1 15.9 16.6 15.8 16.1 13 14 15 16 17 18 19 Secundária Primária Nenhum ESCOLARIDADE Maputo Cidade Maputo Gaza Inhambane Sofala Manica Tete Zambézia Nampula Cabo Delgado Niassa PROVÍNCIA Urbana Rural RESIDÊNCIA Total Idade mediana em anos Gráfico 6.1 Idade Mediana à Primeira Relação Sexual entre Mulheres, por Área de Residência, Província, e Nível de Escolaridade 17.9 16.1 15.9 17.1 16.6 16.8 16.0 16.6 16.3 16.4 15.7 15.7 15.1 15.9 16.6 15.8 16.1 13 14 15 16 17 18 19 Secundária Primária Nenhum ESCOLARIDADE Maputo Cidade Maputo Gaza Inhambane Sofala Manica Tete Zambézia Nampula Cabo Delgado Niassa PROVÍNCIA Urbana Rural RESIDÊNCIA Total Idade mediana em anos Quadro 6.5.1 Idade na primeira relação sexual das mulheres Percentagem de mulheres que tiveram relações sexuais pela primeira vez até às idades especificadas e idade mediana na primeira relação, por idade actual, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Percentagem de mulheres que tiveram relações Percentagem Idade sexuais pela primeira vez até à idade específica: que nunca Número mediana ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– teve relação de na 1a Idade atual 15 18 20 22 25 sexual mulheres relação ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 15-19 27.7 na na na na 26.8 2,454 a 20-24 28.3 78.7 92.3 na na 1.7 2,456 16.0 25-29 30.3 77.2 90.5 95.1 96.3 0.2 2,224 16.0 30-34 32.2 72.7 86.5 92.5 94.4 0.0 1,792 16.0 35-39 30.9 73.5 86.7 93.2 95.4 0.1 1,411 16.1 40-44 30.4 70.8 85.6 91.8 94.5 0.0 1,126 16.1 45-49 27.6 63.3 80.2 89.0 92.0 0.0 954 16.6 20-49 29.9 74.2 88.2 na na 0.5 9,964 16.1 25-49 30.5 72.7 86.8 92.9 94.9 0.1 7,508 16.1 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– na = Não se aplica a = Omitido porque menos de 50 por cento das mulheres tiveram relações sexuais pela primeira vez antes do começo do grupo etário. Outros Determinantes Próximos da Fecundidade | 95 Quadro 6.5.2 Idade na primeira relação sexual dos homens Percentagem de homenss que tiveram relações sexuais pela primeira vez até às idades especificadas e idade mediana na primeira relação, por idade actual, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Percentagem de homens que tiveram relações Percentagem Idade sexuais pela primeira vez até à idade específica: que nunca Número mediana ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– teve relação de na 1a Idade atual 15 18 20 22 25 sexual homens relação ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 15-19 31.3 na na na na 31.1 673 a 20-24 18.4 64.1 89.0 na na 2.9 404 16.9 25-29 19.6 65.6 89.7 94.9 98.1 0.5 378 16.8 30-34 12.7 59.5 83.5 92.6 95.7 0.9 329 17.3 35-39 11.1 52.5 80.1 91.9 97.5 0.0 265 17.9 40-44 4.8 46.8 73.1 89.0 95.2 0.0 221 18.2 45-49 4.2 40.9 79.8 91.2 94.1 0.0 221 18.3 50-54 3.5 36.6 65.4 a a 0.0 176 18.9 55-59 1.9 27.4 53.8 85.2 92.4 0.0 124 19.7 60-64 1.3 25.2 58.6 85.3 89.9 0.0 111 19.6 20-64 11.2 52.1 79.4 91.5 95.4 0.7 2,227 17.8 25-64 9.6 49.5 77.3 90.7 95.4 0.3 1,824 18.0 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– na = Não se aplica a = Omitido porque menos de 50 por cento dos homens tiveram relações sexuais pela primeira vez antes do começo do grupo etário. Quadro 6.6.1 Idade mediana na primeira relação sexual das mulheres Idade mediana na primeira relação sexual entre mulheres de 20-49 anos, por idade actual, segundo características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade actual Mulheres –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 20-49 Característica 20-24 25-29 30-34 35-39 40-44 45-49 anos ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Residência Rural 15.7 15.8 15.8 15.8 15.9 16.4 15.8 Urbana 16.6 16.6 16.7 16.6 16.6 16.8 16.6 Província Niassa 15.4 15.3 15.2 16.0 17.3 19.4 15.9 Cabo Delgado 15.2 15.2 14.9 15.1 15.0 15.5 15.1 Nampula 15.9 15.6 15.9 16.0 15.4 15.2 15.7 Zambézia 15.4 15.6 15.7 15.9 16.3 17.6 15.7 Tete 16.4 16.4 16.5 15.9 16.5 16.8 16.4 Manica 16.1 16.1 17.0 16.1 16.4 18.1 16.3 Sofala 16.6 16.3 16.7 16.2 16.5 18.3 16.6 Inhambane 16.2 16.0 16.0 15.9 15.9 16.2 16.0 Gaza 16.4 16.8 16.7 17.0 16.6 18.0 16.8 Maputo 16.8 16.8 16.5 16.3 16.5 16.4 16.6 Maputo Cidade 16.8 17.3 17.2 17.0 17.1 17.8 17.1 Nível de escolaridade Nenhum 15.7 15.8 16.0 15.8 15.9 16.5 15.9 Primário 16.0 16.0 15.9 16.2 16.3 16.5 16.1 Secundário 17.5 18.3 17.8 17.7 18.4 19.2 17.9 Quintil de riqueza Mais baixo 15.7 15.7 15.9 15.9 16.3 16.8 15.9 Segundo 15.7 15.7 15.8 15.6 15.7 16.1 15.7 Médio 15.8 15.8 15.6 16.0 15.9 17.0 15.9 Quarto 16.1 15.9 16.2 16.0 15.8 15.9 16.0 Mais elevado 16.8 16.9 16.9 16.9 17.1 17.1 16.9 Total 16.0 16.0 16.0 16.1 16.1 16.6 16.1 | Outros Determinantes Próximos da Fecundidade 96 Quadro 6.6.2 Idade mediana na primeira relação sexual dos homens por área de residência Idade mediana na primeira relação sexual entre homens de 20-64 anos, por idade actual, segundo área de residência, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade actual Homens –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 20-64 Residência 20-24 25-29 30-34 35-39 40-44 45-49 50-54 55-59 60-64 anos ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Rural 16.9 16.5 17.2 17.8 17.8 18.3 19.1 19.4 19.8 17.7 Urbana 16.9 17.3 17.8 18.1 18.6 18.4 18.5 20.2 19.0 18.0 Total 16.9 16.8 17.3 17.9 18.2 18.3 18.9 19.7 19.6 17.8 Quadro 6.6.3 Idade mediana na primeira relação sexual dos homens por caracte- rísticas seleccionadas Idade mediana na primeira relação sexual entre homens de 20-64 anos, por idade actual, segundo características seleccionadas, Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade actual Homens ––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 20-64 Característica 20-24 25-29 30-34 35-39 anos –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Província Niassa 15.0 * 16.8 * 17.1 Cabo Delgado 15.9 15.5 15.8 * 16.5 Nampula 16.4 16.3 16.3 18.0 18.0 Zambézia 16.6 17.2 17.7 17.6 17.5 Tete 18.0 16.4 18.3 18.6 18.4 Manica 18.5 18.4 18.4 19.3 19.0 Sofala 18.1 18.3 19.8 18.6 19.0 Inhambane * * * * 18.0 Gaza 16.7 * * * 18.2 Maputo 18.1 * * * 17.6 Maputo Cidade 16.9 16.9 * * 17.4 Nível de escolaridade Nenhum 16.6 16.2 17.2 18.1 17.8 Primário 16.8 16.9 17.4 17.8 17.9 Secundário 17.4 16.9 17.3 17.8 17.9 Quintil de riqueza Mais baixo 16.8 16.5 17.6 17.6 17.6 Segundo 16.2 16.9 17.2 18.3 18.1 Médio 16.9 16.0 16.9 18.1 18.1 Quarto 16.8 17.4 16.9 17.1 17.9 Mais elevado 17.2 17.1 17.7 18.1 17.7 Estado civil Solteiro 17.4 17.7 17.9 18.2 17.6 Casado 16.3 16.6 17.1 17.8 17.8 União consensual 16.8 16.6 17.8 18.0 18.0 Divorciado/separado * * * * * Total 16.9 16.8 17.3 17.9 17.8 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: A mediana baseada em menos de 25 casos não ponderados não é apresentada (*). Outros Determinantes Próximos da Fecundidade | 97 6.5 ACTIVIDADE SEXUAL RECENTE O risco de exposição a uma gravidez é significativo nas sociedades onde as taxas de prevalência de uso de contraceptivos modernos são baixas, directamente relacionado com a actividade sexual. Assim, a informação sobre a actividade sexual pode ser usada para refinar medidas de protecção de gravidezes. No entanto, nem todas as mulheres que já tiveram relações sexuais são sexualmente activas. No IDS 2003, foi recolhida a informação sobre a actividade sexual recente, nas quatro semanas que precederam o inquérito. Os Quadros 6.7.1 e 6.7.2 apresentam dados sobre o momento da última relação sexual, por características sócio demográficas seleccionadas, para as mulheres e para os homens respectivamente. As mulheres são consideradas sexualmente activas se elas tiverem tido relações sexuais, pelo menos uma vez, nas quatro semanas anteriores ao inquérito. Uma parte das mulheres que não são sexualmente activas podem estar se abstendo de relações sexuais por se encontrarem em período após um parto (abstenção pós-parto, indicada como a principal razão para mulheres numa união não serem sexualmente activas), ou por várias outras razões (separação com o marido, doença etc.). · Em termos de actividade sexual recente, os dados revelam que os homens foram mais activos sexualmente (66 por cento) do que as mulheres (53 por cento), nas últimas 4 semanas anteriores ao inquérito. · As percentagens das pessoas sexualmente activas aumentam com a idade, embora nos homens haja pequenas flutuações. · Tanto nas mulheres como nos homens, a análise por estado civil mostra que o grupo dos casados(as)/unidos(as) maritalmente é o que apresenta as percentagens mais elevadas de pessoas sexualmente activas. · Em termos de escolaridade, em ambos os sexos, nota-se que o grupo de pessoas sem escolaridade apresentam percentagens mais elevadas de indivíduos sexualmente activos em comparação com as pessoas dos restantes níveis de escolaridade. · Os dados apresentam tendências de actividade sexual recente diferentes nas mulheres quando analisados em função da área de residência (54 por cento da área urbana contra 53 por cento da área rural), enquanto que nos homens a percentagem de actividade sexual é superior na área rural (69 por cento, contra 63 por cento da área urbana). · No que concerne às províncias, observa-se as mulheres de Niassa (63 por cento) foram as mais activas, enquanto que as de Gaza (36 por cento) foram as menos activas sexualmente. Quanto aos homens, a percentagem mais elevada registou-se em Cabo Delgado (86 por cento), enquanto que a mais baixa registou-se Manica (42 por cento). | Outros Determinantes Próximos da Fecundidade 98 Quadro 6.7.1 Actividade sexual recente por características seleccionadas: mulheres Distribuição percentual das mulheres que já tiveram relações sexuais, por tempo desde a última relação sexual, segundo características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Tempo desde a última relação sexual –––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nunca Sem tiveram Número Últimas Último infor- relações de Característica 4 semanas ano1 1+ anos mação sexuais Total mulheres ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 39.0 25.9 5.5 2.8 26.8 100.0 2,454 20-24 52.1 31.6 9.9 4.7 1.7 100.0 2,456 25-29 54.5 28.6 11.6 5.2 0.2 100.0 2,224 30-34 59.9 25.3 10.9 3.8 0.0 100.0 1,792 35-39 60.9 22.9 13.2 3.0 0.1 100.0 1,411 40-44 64.0 18.9 16.1 1.0 0.0 100.0 1,126 45-49 56.1 20.5 21.6 1.8 0.0 100.0 954 Estado civil Solteira 28.8 27.5 6.1 1.9 35.7 100.0 1,961 Casada/união marital 63.8 24.1 8.5 3.6 0.1 100.0 8,736 Alguma vez unida 29.1 34.4 31.5 5.0 0.0 100.0 1,721 Duraçao de casamento2 (em anos) Casada só uma vez 0-4 57.0 30.4 6.3 6.0 0.4 100.0 1,643 5-9 58.5 27.3 9.8 4.5 0.0 100.0 1,454 10-14 61.0 26.1 9.2 3.8 0.0 100.0 1,128 15-19 64.7 24.4 8.6 2.4 0.0 100.0 789 20-24 72.0 18.7 7.8 1.5 0.0 100.0 556 25+ 69.3 17.9 11.0 1.8 0.0 100.0 582 Casada várias vezes 69.0 19.8 8.5 2.8 0.0 100.0 2,584 Residência Rural 53.0 25.8 12.9 4.0 4.2 100.0 7,870 Urbana 54.2 26.4 8.5 2.7 8.2 100.0 4,548 Província Niassa 63.3 20.5 8.8 4.7 2.7 100.0 476 Cabo Delgado 57.5 19.2 15.5 5.0 2.8 100.0 1,071 Nampula 56.5 24.0 10.7 3.5 5.3 100.0 2,403 Zambézia 62.6 19.6 8.5 4.7 4.6 100.0 1,906 Tete 55.6 21.8 11.4 3.8 7.4 100.0 1,025 Manica 40.4 29.8 17.8 3.7 8.2 100.0 809 Sofala 48.1 27.5 13.2 5.0 6.1 100.0 865 Inhambane 43.9 35.1 13.2 3.8 4.0 100.0 1,088 Gaza 35.9 43.5 13.4 1.2 6.0 100.0 666 Maputo 56.4 28.8 7.5 0.9 6.4 100.0 1,050 Maputo Cidade 51.6 28.6 8.5 1.7 9.6 100.0 1,059 Nível de escolaridade Nenhum 55.6 24.2 13.8 4.1 2.2 100.0 5,100 Primário 51.7 27.0 10.2 3.5 7.7 100.0 6,347 Secundário 53.5 29.5 4.7 0.8 11.6 100.0 940 Superior [ 54.0 [ 29.8 [ 11.1 [ 0.0 [ 5.1 100.0 30 Quintil de riqueza Mais baixo 54.2 24.8 13.7 4.0 3.2 100.0 2,814 Segundo 51.9 24.3 13.7 5.5 4.5 100.0 2,166 Médio 55.8 24.0 12.2 3.2 4.8 100.0 2,333 Quarto 49.2 30.2 11.8 3.0 5.8 100.0 2,251 Mais elevado 55.2 26.9 5.9 2.3 9.7 100.0 2,854 Método usado actualmente Esterilização feminina 65.6 21.9 12.5 0.0 0.0 100.0 90 Pílula 80.5 17.7 0.8 1.0 0.0 100.0 674 DIU * * * * * * 18 Preservativo masculino 61.6 37.3 1.1 0.0 0.0 100.0 464 Abstinência periódica 29.2 32.4 27.6 10.7 0.0 100.0 336 Outro método 42.0 33.0 18.3 6.6 0.0 100.0 1,596 Não usa 53.7 24.7 10.8 3.1 7.6 100.0 9,239 Total 53.4 26.0 11.3 3.5 5.7 100.0 12,418 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Percentagem precedida por parênteses está baseada em 25-49 casos não ponderados. A distribuição percentual baseada em menos de 25 casos não ponderados não é apresentada (*). 1Exclui mulheres com actividade sexual nas últimas quatro semanas 2Só mulheres actualmente casadas/unidas Outros Determinantes Próximos da Fecundidade | 99 Quadro 6.7.2 Actividade sexual recente por características seleccionadas: homens Distribuição percentual dos homens que já tiveram relações sexuais, por tempo desde a ultima relação sexual, segundo características seleccionadas, Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Tempo desde a ultima relação sexual Nunca ––––––––––––––––––––––––––––––– tiveram Número Últimas Último relações de Característica 4 semanas ano1 1+ anos sexuais Total homens –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 36.6 25.7 6.6 31.1 100.0 673 20-24 70.2 22.8 4.1 2.9 100.0 404 25-29 78.7 16.1 4.7 0.5 100.0 378 30-34 72.8 20.0 6.3 0.9 100.0 329 35-39 76.2 14.5 9.3 0.0 100.0 265 40-44 80.9 15.2 3.6 0.0 100.0 221 45-49 81.0 12.5 6.5 0.0 100.0 221 50-54 80.0 16.0 4.0 0.0 100.0 176 55-59 68.8 23.5 7.6 0.0 100.0 124 60-64 65.4 24.9 9.7 0.0 100.0 111 Estado civil Solteiro 42.6 26.6 6.3 24.6 100.0 911 Casado/união marital 79.2 16.4 4.3 0.1 100.0 1,844 Alguma vez unido 52.0 21.9 26.1 0.0 100.0 145 Duraçao de casamento2 (em anos) Casado só uma vez 0-4 anos 77.3 19.2 2.9 0.6 100.0 258 5-9 79.1 15.1 5.8 0.0 100.0 267 10-14 83.9 11.5 4.2 0.0 100.0 167 15-19 76.8 17.7 5.5 0.0 100.0 146 20-24 88.8 8.7 2.5 0.0 100.0 119 25+ 83.1 13.1 3.9 0.0 100.0 259 Casado várias vezes 75.9 19.6 4.5 0.0 100.0 628 Residência Rural 68.5 17.8 6.7 7.0 100.0 1,705 Urbana 63.3 22.8 5.0 8.8 100.0 1,195 Província Niassa 75.9 15.0 6.2 2.9 100.0 116 Cabo Delgado 85.9 11.4 1.6 1.1 100.0 274 Nampula 58.1 27.0 8.1 6.8 100.0 693 Zambézia 76.7 11.6 3.8 7.9 100.0 463 Tete 66.6 17.2 7.7 8.6 100.0 222 Manica 42.4 28.3 13.6 15.6 100.0 192 Sofala 50.9 32.4 5.9 10.8 100.0 226 Inhambane 74.7 14.5 6.5 4.3 100.0 164 Gaza 74.6 10.1 5.6 9.7 100.0 90 Maputo 63.3 20.4 3.3 13.0 100.0 197 Maputo Cidade 70.1 18.1 3.8 7.8 100.0 261 Nível de escolaridade Nenhum 68.8 17.6 9.1 4.5 100.0 501 Primário 65.8 19.6 5.6 9.0 100.0 1,940 Secundário 64.9 24.3 4.3 6.5 100.0 437 Superior [ 87.5 [ 10.6 [ 1.9 [0.0 [ 100.0 22 Quintil de riqueza Mais baixo 69.8 16.3 8.4 5.5 100.0 660 Segundo 66.4 19.6 5.8 8.2 100.0 483 Médio 67.6 19.7 6.0 6.8 100.0 528 Quarto 62.0 19.9 6.5 11.5 100.0 489 Mais elevado 65.2 23.3 3.7 7.8 100.0 741 Total 66.3 19.9 6.0 7.8 100.0 2,900 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Percentagem precedida por parênteses está baseada em 25-49 casos não ponderados. 1Exclui homens com actividade sexual nas últimas quatro semanas 2Só homens actualmente casados/unidos | Outros Determinantes Próximos da Fecundidade 100 Quadro 6.8 Amenorréia, abstinência e insuscetibilidade pós- parto Percentagem de nascimentos nos últimos três anos cujas mães estão em amenorréia, abstinência e insuscetibilidade pós-parto, por número de meses desde o último nascimento e durações mediana e média, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Percentagem de nascimentos cujas mães estão em: Meses desde –––––––––––––––––––––––––––– Número o último Amenor- Absti- Insusceti- de nascimento réia nência bilidade1 nascimentos ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– < 2 95.5 97.7 98.0 331 2-3 91.9 92.7 98.3 405 4-5 85.0 84.3 94.0 379 6-7 82.4 72.1 91.4 391 8-9 67.7 60.5 79.4 370 10-11 69.0 56.2 77.6 331 12-13 53.7 45.7 68.0 362 14-15 46.9 42.1 59.4 389 16-17 37.3 41.6 55.2 360 18-19 30.9 32.0 46.9 349 20-21 22.4 34.9 43.3 320 22-23 21.5 21.5 31.8 305 24-25 10.5 15.4 20.3 322 26-27 7.5 12.6 17.9 330 28-29 9.3 12.5 18.7 352 30-31 8.3 8.6 14.5 374 32-33 9.9 14.9 18.5 266 34-35 3.5 2.9 6.3 269 Total 43.9 43.4 54.4 6,205 Mediana 13.7 11.8 18.0 6,205 Média 15.3 15.2 19.1 na ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: As estimativas das médias e medianas são baseadas na condição atual (momento do inquérito). na = Não se aplica 1Inclui nascimentos para os quais as mães estão ainda amenorreicas ou se abstendo (ou em ambas situações) após o parto, e por isso, insuscetíveis no pós-parto. 6.6 AMENORRÉIA, ABSTINÊNCIA E INSUSCETIBILIDADE PÓS-PARTO Em Moçambique, como nos países onde o uso de contraceptivos modernos é baixo, a protecção face a uma nova gravidez no período pós-parto ocorre através de dois factores: aleitamento materno e abstinência sexual. Enquanto o aleitamento materno prolonga o período de amenorréia, a abstinência sexual pós-parto reduz o risco de gravidez. Classificou-se, assim, como insuscetível a mulher que não está exposta ao risco de gravidez, quer por amenorréia, quer por estar a praticar a abstinência pós-parto. No IDS foi avaliada a percentagem de mulheres que deram parto nos últimos três anos e que ainda estavamem amenorréia, em abstinência ou insuscetíveis (Veja-se o Quadro 6.8). Os dados foram agregados em intervalos de 2 meses, para diminuir possíveis flutuações. · Pouco mais da metade das mulheres que deram parto nos últimos três anos encontravam-se na condição de insuscetibilidade pós–parto no momento do inquérito, 44 por cento encontravam-se em amenorréia e 43 por cento em abstinência. · As percentagens das mulheres que deram parto nos últimos três anos e que se encontravam em amenorréia, abstinência e insusceptibilidade no momento do inquérito baixa quando aumenta o número de meses desde o último nascimento. O Quadro 6.9 mostra as durações medianas da amenorréia, abstinência e e insusceptibilidade pós- parto, segundo características seleccionadas. Na ausência de contraceptivos, as variações na amenorreia pós-parto e abstinência são os mais importantes determinantes dos intervalos entre nascimentos e portanto, em última instancia, da fecundidade em geral. Em algumas populações, as diferenciais nos subgrupos da duração de amenorreia pós-parto e abstinência pode também indicar mudanças incipientes nas práticas tradicionais pós-parto. O Gráfico 6.1 mostra a duração mediana da insuscetibilidade pós- parto por área de residência, província, e nível de escolaridade. As estimativas das médias e medianas são baseadas nas proporções dos estatutos actuais em cada momento desde o nascimento (grupo de duração). Estão também inclusas as crianças que não sobreviveram. A distribuição de proporções de nascimento por mês de nascimento da criança são análogas à coluna lx da tabela de vida sintética. Com o propósito de fornecer alguma estabilidade às proporções, os dados de nascimento estão agrupados em intervalos de dois meses. Os valores de lx decrescem com a duração mas o pequeno tamanho de amostra causa algumas irregularidades. Antes de se estimar a mediana, a distribuição foi suavizada através de uma média móvel de três grupos. A primeira idade (duração) para a qual a proporção está abaixo de 0.50 foi usado para o cálculo da mediana por interpolação linear entre esse grupo de idade e o próximo grupo mais novo. Para se estimar a idade mediana onde o grupo de idade mais nova contém uma proporção menor que 0.50, o valor de 1.00 vai ser usado para o grupo de idade precedente. O espaçamento do primeiro intervalo vai ser de 1.50 meses (usando 0.50 meses para crianças nascidas no mês do inquérito). Outros Determinantes Próximos da Fecundidade | 101 A estimação das durações médias foram feitas usando as proporções dos estatutos actuais somando o produto da proporção (não em percentagem) e a amplitude do intervalo de idade (duração). Adicionou-se a esta soma um meio da amplitude do intervalo de duração mais baixo (i.e. 0.75). · Os dados mostram que para as três variáveis (amenorreia, abstinência e insuscetibilidade pós-parto) o número mediano de meses na área rural é superiores que o da área urbana. · A nível de províncias, em relação a abstinência não se vislumbra nenhuma tendência, enquanto em relação à amenorreia e insuscetibi-lidade pós- parto, observa-se que, as províncias nortenhas apresentam os números medianos de meses mais altos, enquanto que nas do sul acontece o contrário. · A amenorreia, abstinência e insusceti- bilidade pós-parto são inversamente proporcionais á escolaridade e quintís de riqueza no que diz respeito ao número mediano de meses. · Um encurtamento do período da insuscetibilidade pós-parto tem implicações na provisão dos serviços de planeamento familiar para as novas mães. Como será visto no Capítulo 10, a duração de amamentação ou aleitamento (que está ligada à amenorreia) diminui à medida que o nível de instrução das mães aumenta. Como resultado, a duração da amenorreia para as mães instruídas é também mais curta. 6.7 TÉRMINO DA EXPOSIÇÃO À GRAVIDEZ A partir de aproximadamente 30 anos de idade, o risco de gravidez começa a decrescer com a idade. Enquanto o começo da infertilidade é difícil de determinar para qualquer mulher individualmente, há formas de estimá-lo para uma determinada população. O Quadro 6.10 apresenta um indicador importante da menopausa, medida através da percentagem, entre todas as mulheres, das que não estão grávidas e não estão em amenorreia pós-parto, para as quais o último período menstrual ocorreu 6 ou mais meses anteriores ao inquérito. Quadro 6.9 Duração mediana da insuscetibilidade pós-parto, por carac- terísticas seleccionadas Número mediano de meses em amenorréia, abstinência e insusce- tibilidade pós-parto depois dos nascimentos nos últimos três anos, por características seleccionadas, Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Duração mediana da: ––––––––––––––––––––––––––––– Número Amenor- Absti- Insusceti- de Característica réia nência bilidade1 nascimentos –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-29 13.2 11.9 17.9 4,089 30-49 14.8 11.6 18.3 2,117 Residência Rural 14.2 12.7 19.2 4,402 Urbana 12.0 10.8 15.6 1,804 Província Niassa 16.6 6.7 16.9 311 Cabo Delgado 16.3 21.8 21.9 573 Nampula 16.3 17.3 20.3 1,323 Zambézia 12.8 7.5 14.6 952 Tete 11.9 6.4 12.8 619 Manica 11.5 19.6 20.0 490 Sofala 14.6 13.6 18.7 462 Inhambane 14.1 13.7 18.2 470 Gaza 14.4 10.3 16.1 322 Maputo 11.0 9.1 13.2 376 Maputo Cidade 10.0 7.0 14.8 307 Nível de escolaridade Nenhum 14.3 12.3 19.5 2,863 Primário 13.8 11.4 17.1 3,078 Secundário 7.8 11.2 13.0 255 Superior * * * 10 Quintil de riqueza Mais baixo 14.3 12.2 18.9 1,660 Segundo 15.1 17.2 20.2 1,197 M édio 13.5 10.8 19.4 1,331 Quarto 13.8 10.3 18.4 1,052 Mais elevado 8.3 8.9 14.2 965 Total 13.7 11.8 18.0 6,205 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: As medianas são basadas na condição actual (momento do inquérito). A mediana baseada em menos de 25 casos não ponderados não é apresentada (*). 1Inclui nascimentos para os quais as mães estão ainda em amenorréia ou se abstendo (ou em ambas situações) após o parto, e por isso, insusceptíveis no pós-parto. | Outros Determinantes Próximos da Fecundidade 102 A outra faceta da perda de exposição à gravidez não apresentada no Quadro 6.10 é a separação terminal, divórcio e viuvez onde a mulher não volta a casar antes do fim do período reprodutivo. O IDS 2003 não recolheu informação suficiente sobre a história do casamento para definir um indicador preciso e razoável sobre este aspecto. Algumas indicações podem, no entanto ser identificadas no Quadro 6.10. O terceiro factor que afecta o término da fecundidade é a não exposição resultante da abstinência prolongada entre as mulheres casadas. Muitas dessas mulheres não vão, provavelmente, recomeçar a ter relações sexuais. Esta informação foi apresentada no Quadro 6.8. · Cerca de uma em cada dez mulheres entre os 30-49 anos encontram-se na menopausa. · A percentagem das mulheres que estão na menopausa aumenta rapidamente com a idade, de 2 por cento entre as mulheres de 35-39 anos até 45 por cento entre as mulheres do grupo etário 48-49 anos). Quadro 6.10 Menopausa Percentagem de mulheres com 30-49 anos de idade que estão na menopausa, por idade, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Percentagem Número que estão na de Idade menopausa1 mulheres ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 30-34 1.1 1,792 35-39 2.4 1,411 40-41 6.4 459 42-43 12.9 492 44-45 19.6 420 46-47 31.0 298 48-49 44.9 410 Total 9.5 5,284 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 1Percentagem de todas as mulheres que não estão grávidas e não estão com amenorreia pós-parto para as quais o último período menstrual ocorreu 6 ou mais meses antes do inquérito Gráfico 6.2 Duração Mediana da Insuscetibilidade Pós-parto por Área de Residência, Província, e Nível de Escolaridade 13.0 17.1 19.5 14.8 13.2 16.1 18.2 18.7 20.0 12.8 14.6 20.3 21.9 16.9 15.6 19.2 18.0 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 Secundária Primária Nenhum ESCOLARIDADE Maputo Cidade Maputo Gaza Inhambane Sofala Manica Tete Zambézia Nampula Cabo Delgado Niassa PROVÍNCIA Urbana Rural RESIDÊNCIA TOTAL Duração mediana em anos Gráfico 6.2 Duração Mediana da Insuscetibilidade Pós-parto por Área de Residência, Província, e Nível de Escolaridade 13.0 17.1 19.5 14.8 13.2 16.1 18.2 18.7 20.0 12.8 14.6 20.3 21.9 16.9 15.6 19.2 18.0 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 Secundária Primária Nenhum ESCOLARIDADE Maputo Cidade Maputo Gaza Inhambane Sofala Manica Tete Zambézia Nampula Cabo Delgado Niassa PROVÍNCIA Urbana Rural RESIDÊNCIA TOTAL Duração mediana em anos Intenções Reprodutivas | 103 INTENÇÕES REPRODUTIVAS 7 O IDS 2003 incluiu várias perguntas para investigar as preferências da população entrevistada em relação à reprodução: desejo de ter mais filhos, período de tempo que gostaria de esperar antes de ter outro filho e número de filhos considerado ideal. Tais dados permitem quantificar as intenções reprodutivas e, combinados com informações sobre o uso de métodos contraceptivos, permitem estimar a demanda por contracepção, quer para espaçar, quer para limitar nascimentos. A informação sobre a fecundidade desejada e não desejada permite ainda a estimativa do possível impacto que a prevenção dos nascimentos não desejados poderia ter nas taxas globais de fecundidade existentes. 7.1 DESEJO DE TER MAIS FILHOS As perguntas sobre o tamanho ideal da família foram feitas a todos os entrevistados, de ambos os sexos, enquanto que as demais perguntas foram feitas aos respondentes não esterilizados e actualmente em união. Para fazer aflorar o desejo de ter filhos, perguntou-se aos inquiridos se queriam outro filho ou preferiam não ter mais filhos. Aos que confirmaram o desejo de ter mais filhos perguntou-se-lhes quanto tempo queriam esperar antes do nascimento de outro filho. Ambas as perguntas foram adaptadas para o caso em que o entrevistado ainda não tinha filhos. E, para o caso em que as mulheres entrevistadas ou os cônjuge dos homens entrevistados estivessem grávidas, indagou-se se gostariam de ter mais filhos após aquela criança. O Quadro 7.1.1 mostra-nos a distribuição percentual das mulheres actualmente em união, não esterilizadas, por número de filhos vivos, segundo intenção ou não de ter mais filhos. No Quadro 7.1.2 a intenção de ter ou não mais filhos é apresentada segundo área de residência e província. A percentagem de mulheres que desejam limitar o número de filhos (não querem ter mais ou foram esterilizadas) é apresentada no Quadro 7.2, segundo características seleccionadas. Os resultados básicos sobre preferências de fecundidade estão resumidos no Gráfico 7.1 e o Gráfico 7.2 sintetiza as intenções reprodutivas das mulheres casadas/unidas maritalmente, segundo área de residência e província. · Apenas uma em cada cinco mulheres reportou não querer mais filhos e pouco mais de cinco por cento declararam-se estéreis. A proporção de mulheres que declararam não querer mais crianças incrementa rapidamente à medida que aumenta o número de crianças vivas ? de 5 por cento entre mulheres com uma só criança para 61 por cento entre as que têm 6 ou mais filhos. Apenas 13 por cento de mulheres em Niassa afirmaram não querer ter mais filhos. Em Maputo Cidade a percentagem de mulheres que não querem mais filhos é de cerca de 46 por cento, a mais elevada comparativamente à das restantes províncias. · Importa salientar ainda que 70 por cento de mulheres actualmente casadas querem ter outra criança, subdividindo-se estas quase igualmente entre querer ter outra criança cedo (34 por cento) e querer esperar por 2 ou mais anos (31 por cento). Em Cabo Delgado, apenas 17 por cento de mulheres querem esperar 2 ou mais anos e 16 por cento estão indecisas sobre quando ter outra criança. | Intenções Reprodutivas 104 Quadro 7.1.2 Preferências reprodutivas por características seleccionadas Distribuição percentual das mulheres actualmente casadas/unidas maritalmente por desejo de mais filhos, segundo características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Não quer mais/ Desejo de mais filhos esterilizada ––––––––––––––––––––––––––––––––– –––––––––––––––– Ter Ter Ter Indecisa Não outro outro outro, quanto quer Declarou- Número em depois não sabe a ter mais Este- se de Característica 2 anos de 2 anos quando outro filhos rilizada1 infértil Total mulheres ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Residência Rural 34.4 32.0 4.5 1.2 20.7 0.5 6.6 100.0 6,199 Urbana 31.2 29.3 3.3 1.0 29.9 1.7 3.3 100.0 2,537 Província Niassa 30.4 47.0 2.7 0.3 13.1 0.4 5.8 100.0 387 Cabo Delgado 38.5 17.3 15.9 1.8 17.3 0.1 9.0 100.0 851 Nampula 37.9 29.7 1.8 0.6 23.3 0.2 6.2 100.0 1,898 Zambézia 30.5 21.6 5.6 2.1 27.3 0.9 12.0 100.0 1,430 Tete 25.1 48.4 0.4 2.7 18.5 1.0 3.9 100.0 771 Manica 30.2 48.8 2.7 0.4 16.6 0.1 1.1 100.0 617 Sofala 38.8 37.7 4.6 1.3 15.3 0.0 2.3 100.0 617 Inhambane 40.3 28.5 0.4 0.2 24.4 1.3 5.0 100.0 724 Gaza 33.7 34.9 1.6 0.2 26.6 1.1 1.8 100.0 426 Maputo 33.2 28.0 4.3 0.0 30.7 2.7 1.0 100.0 552 Maputo Cidade 19.1 23.1 5.3 1.5 45.8 4.0 0.8 100.0 462 Nível de escolaridade Nenhum 34.3 29.8 4.7 1.2 21.0 0.5 8.4 100.0 4,212 Primário 33.6 31.9 3.8 1.1 25.0 1.1 3.3 100.0 4,147 Secundário 23.6 38.5 3.1 0.1 32.2 1.6 0.9 100.0 362 Superior * * * * * * * * 16 Total 33.5 31.2 4.2 1.1 23.4 0.9 5.7 100.0 8,736 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: A distribuição percentual baseada em menos de 25 casos não ponderados não é apresentada (*). 1Inclui mulheres e homens esterilizados Quadro 7.1.1 Intenções reprodutivas por número de filhos vivos Distribuição percentual das mulheres actualmente casadas/unidas por desejo de ter filhos, segundo o número de filhos vivos, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Número de filhos vivos1 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Desejo de ter filhos 0 1 2 3 4 5 6+ Total ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Quer mais filhos Ter outro logo 2 85.4 45.2 35.1 29.1 22.2 16.4 8.8 33.5 Ter outro mais tarde3 4.1 40.2 44.2 40.3 34.0 23.0 13.8 31.2 Ter outro, mas indecisa quando 2.2 5.5 4.8 4.3 4.7 4.7 2.3 4.2 Indecisa quanto a ter outro 0.4 0.8 0.8 0.9 1.5 1.6 1.9 1.1 Não quer mais filhos/esterilizada Não quer mais filhos 0.7 4.9 10.9 19.3 30.6 45.7 60.7 23.4 Esterilizada4 0.1 0.1 0.4 1.1 0.9 1.2 2.4 0.9 Declarou-se estéril 7.2 3.3 3.5 4.9 5.9 7.3 9.9 5.7 Não respondeu 0.0 0.0 0.3 0.1 0.3 0.0 0.0 0.1 Total 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 Número de mulheres 837 1,632 1,571 1,412 1,157 893 1,234 8,736 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 1Inclui gravidez actual 2Deseja o próximo nascimento dentro de 2 anos 3Deseja espaçar o próximo nascimento 2 ou mais anos 4Inclui mulheres e homens esterilizados Intenções Reprodutivas | 105 23 1 24 34 31 70 0 10 20 30 40 50 60 70 Percentagem de mulheres Não esterilizada Esterilizada NÃO QUER MAIS Ter outro logo Ter outro mais tarde QUER MAIS FILHOS Gráfico 7.1 Preferência de Fecundidade das Mulheres Casadas/em União 23 1 24 34 31 70 0 10 20 30 40 50 60 70 Percentagem de mulheres Não esterilizada Esterilizada NÃO QUER MAIS Ter outro logo Ter outro mais tarde QUER MAIS FILHOS Gráfico 7.1 Preferência de Fecundidade das Mulheres Casadas/em União Gráfico 7.2 Desejo de Ter Outro Filho entre Mulheres Casadas/em União, por Área de Residência e Província 23 28 35 29 38 49 48 22 30 17 47 29 32 31 19 33 34 40 39 30 25 31 38 39 30 31 34 34 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 Maputo Cidade Maputo Gaza Inhambane Sofala Manica Tete Zambézia Nampula Cabo Delgado Niassa PROVÍNCIA Urbana Rural RESIDÊNCIA TOTAL Percentagem de mulheres em união marital Cedo Mais tarde Gráfico 7.2 Desejo de Ter Outro Filho entre Mulheres Casadas/em União, por Área de Residência e Província 23 28 35 29 38 49 48 22 30 17 47 29 32 31 19 33 34 40 39 30 25 31 38 39 30 31 34 34 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55 Maputo Cidade Maputo Gaza Inhambane Sofala Manica Tete Zambézia Nampula Cabo Delgado Niassa PROVÍNCIA Urbana Rural RESIDÊNCIA TOTAL Percentagem de mulheres em união marital Cedo Mais tarde | Intenções Reprodutivas 106 Quadro 7.2 Desejo de não ter mais filhos Percentagem de mulheres actualmente casadas/unidas que não querem mais filhos por número de filhos vivos, segundo características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Número de filhos vivos1 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Característica 0 1 2 3 4 5 6+ Total ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Residência Rural 0.7 4.1 9.5 17.6 24.6 40.6 58.8 21.2 Urbana 1.0 7.1 15.6 27.8 48.1 64.7 73.5 31.6 Província Niassa 0.0 1.4 6.4 5.9 10.3 23.3 41.3 13.5 Cabo Delgado 2.3 3.3 5.3 19.3 22.4 36.5 57.0 17.4 Nampula 0.0 7.2 8.7 17.2 30.1 44.1 61.2 23.5 Zambézia [ 0.0 6.2 13.1 26.9 33.9 53.0 58.0 28.2 Tete 0.0 1.2 4.8 10.1 9.7 33.6 61.0 19.5 Manica 1.1 1.7 4.6 8.4 18.2 29.9 58.5 16.7 Sofala 0.0 3.9 4.0 12.6 25.3 24.9 48.2 15.3 Inhambane 1.7 4.8 18.3 20.8 43.9 60.9 68.9 25.7 Gaza 2.3 1.4 15.6 25.3 39.5 70.6 92.7 27.7 Maputo [ 0.0 8.8 13.1 32.1 52.1 [ 75.7 89.5 33.4 Maputo Cidade 0.0 10.0 35.2 52.7 77.6 95.9 94.6 49.8 Nível de escolaridade Nenhum 1.4 4.5 10.3 16.8 22.8 37.2 57.3 21.5 Primário 0.1 4.9 10.6 21.5 35.9 56.5 69.6 26.1 Secundário [ 0.0 7.8 25.1 54.9 73.4 77.5 75.7 33.8 Superior * * * * * * * * Quintil de riqueza Mais baixo 0.5 3.2 10.8 16.1 21.9 33.4 51.6 18.8 Segundo 1.1 5.4 6.9 16.0 23.0 45.0 55.8 21.0 Médio 0.0 3.6 9.2 18.3 24.2 38.1 61.8 21.6 Quarto 0.4 7.3 11.3 17.8 36.5 54.8 71.8 27.4 Mais elevado 2.4 6.5 18.7 35.4 59.5 77.9 84.1 36.1 Total 0.8 5.0 11.3 20.4 31.5 46.9 63.2 24.2 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: As mulheres esterilizadas estão incluídas nas percentagens de mulheres que não querem mais filhos. Percentagem precedida por parêntese está baseada em 25-49 casos não ponderados. A distribuição percentual baseada em menos de 25 casos não ponderados não é apresentada (*). 1Inclui a gravidez actual · Enquanto que, em Maputo Cidade e Zambézia, somente uma em cada cinco mulheres querem esperar dois ou mais anos para ter outra criança, quase metade das mulheres em Niassa, em Tete, e Manica declararam que querem esperar dois ou mais anos antes de ter a próxima criança (vide Quadro 7.1.2). Note-se, porém, que nestas últimas três províncias a percentagem de mulheres que não querem mais filhos varia entre 13 e 19 por cento, enquanto que, cerca de 46 por cento em Maputo Cidade não querem ter mais filhos. Em Maputo Província, o grosso das mulheres subdivide-se entre as que querem ter outro em dois anos (33 por cento) e as que não querem mais filhos (quase 31 por cento). · O desejo de não ter mais filhos aparenta relação positiva com o nível de escolaridade, pois à medida que o nível de escolaridade se eleva, aumenta a percentagem de mulheres sem intenção de ter mais filhos. · A percentagem de mulheres que não querem mais filhos é relativamente mais elevada na área urbana que na rural. Porém, a proporção das que querem mais filhos comporta-se de forma inversa. Intenções Reprodutivas | 107 7.2 NECESSIDADE INSATISFEITA E PROCURA DE PLANEAMENTO FAMILIAR A avaliação das necessidades existentes no contexto do planeamento familiar, assim como a avaliação da extensão da procura que foi satisfeita, é uma análise essencial para a gestão dos programas de planeamento familiar. Um aspecto importante desta análise é a identificação de grupos em que o grau de procura satisfeita é menor e que constituem prioridades na implementação do programa. Foi anteriormente mencionado que a procura e utilização de planeamento familiar visa o espaçamento , quando o objectivo é aumentar o intervalo entre nascimentos sucessivos, ou a limitação, quando o desejo é não ter mais filhos. As componentes da necessidade insatisfeita em relação ao planeamento familiar estão representadas no Gráfico 7.3. Definiu-se como necessidade não satisfeita de planeamento familiar o grupo de mulheres não estéreis que declararam que não desejam mais crianças ou querem esperar dois ou mais anos até voltar a engravidar, mas não estão a utilizar nenhum método contraceptivo. Foram incluídas neste grupo as entrevistadas que se encontravam grávidas na altura da entrevista, caso a gravidez fosse indesejada ou desejada para mais tarde. De igual modo, foram também incluídas neste grupo as mulheres em amenorreia cujo último filho não era almejado ou era desejado para mais tarde. O grupo de mulheres que estavam a utilizar métodos contraceptivos na altura do inquérito, constitui a categoria de mulheres com necessidade satisfeita de planeamento familiar. Finalmente, ao somatório da necessidade satisfeita e com a não satisfeita, foi dada a designação de procura total de planeamento familiar. O Quadro 7.3 (vide também o Gráfico 7.4) evidencia as necessidades não satisfeita e satisfeita (uso actual) e a procura total de planeamento familiar por parte das mulheres casadas/em união marital, segundo características seleccionadas. O referido quadro inclui também a percentagem da procura que é satisfeita. · Os dados contidos no quadro em questão mostram que enquanto as mulheres mais jovens usam a contracepção para espaçar os nascimentos, a partir dos 35 anos, as mulheres tendem a procurar serviços de planeamento familiar com intuito de limitar os nascimentos. · O uso da contracepção tanto para espaçar como para limitar os nascimentos é maior entre as mulheres com nível superior (28 e 26 por cento, respectivamente) e entre as residentes em Maputo Cidade (21 e 28 por cento, respectivamente). Em Niassa, a maior parte das mulheres usa a contracepção para mais para espaçar os nascimentos (20 por cento) do que para limitar (4 por cento). · A percentagem total de mulheres com necessidade insatisfeita para espaçar ou limitar os nascimentos é de 18 por cento (11 por cento entre as mulheres que querem espaçar os nascimentos). A diferença por área de residência no que concerne à necessidade insatisfeita não parece significativa. Por província, o menor nível de necessidade insatisfeita observa-se em Nampula e Niassa (13 e 14 por cento, respectivamente) e o maior em Gaza (27 por cento). · A procura de serviços de contracepção é satisfeita em cerca de 47 por cento. E, como era de esperar, a área urbana goza de maior privilégio em termos de grau de satisfação da procura de serviços de planeamento familiar (59 por cento), comparativamente à rural (40 por cento). · O grau de satisfação da procura de serviços de planeamento familiar tende a aumentar à medida que se eleva o nível de escolaridade das entrevistadas e à medida que se sobe no escalão de riqueza. · Maputo Cidade apresenta maior grau de satisfação da procura (70 por cento), seguida por Niassa (64 por cento) e Maputo Província (61 por cento). Menor grau de satisfação verifica-se em Manica (30 por cento). O grau de satisfação da procura em Cabo Delgado é também baixo (33 por cento). | Intenções Reprodutivas 108 Quadro 7.3 Necessidade insatisfeita e procura por contracepção entre mulheres casadas/em união Percentagem de mulheres casadas/em união com necessidade insatisfeita ou satisfeita e procura por contracepção, segundo características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Necessidade Necessidade satisfeita insatisfeita por contracepção Procura total Per- por contracepção1 (usuárias atuais)2 por contracepção3 centagem ––––––––––––––––––––– ––––––––––––––––––––– –––––––––––––––––––– da Número Para Para Para Para Para Para procura de Característica espaçar limitar Total espaçar limitar Total espaçar limitar Total satisfeita4 mulheres ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 16.2 0.6 16.7 10.0 1.1 11.0 26.2 1.6 27.8 39.7 936 20-24 15.3 1.9 17.2 13.2 2.1 15.4 28.5 4.1 32.6 47.2 1,747 25-29 12.1 3.1 15.2 12.6 3.6 16.2 24.7 6.7 31.5 51.6 1,812 30-34 10.3 8.2 18.5 10.2 7.4 17.5 20.5 15.6 36.1 48.7 1,495 35-39 7.8 12.3 20.1 5.8 14.3 20.1 13.6 26.7 40.2 50.0 1,158 40-44 4.8 18.3 23.1 1.8 20.4 22.2 6.6 38.7 45.3 49.0 872 45-49 3.2 19.3 22.4 0.2 11.5 11.7 3.4 30.7 34.1 34.2 715 Residência Rural 10.8 7.0 17.8 6.8 4.9 11.7 17.6 11.9 29.5 39.6 6,199 Urbana 10.8 8.9 19.7 14.5 13.6 28.1 25.4 22.4 47.8 58.8 2,537 Província Niassa 9.6 4.4 14.1 20.4 4.3 24.7 30.0 8.7 38.8 63.8 387 Cabo Delgado 14.0 6.3 20.3 5.9 4.0 9.9 19.9 10.3 30.2 32.7 851 Nampula 5.6 7.8 13.3 5.5 4.8 10.3 11.1 12.6 23.7 43.6 1,898 Zambézia 8.8 8.0 16.8 3.8 7.2 11.0 12.6 15.2 27.8 39.5 1,430 Tete 13.8 6.6 20.3 15.8 6.9 22.6 29.5 13.5 43.0 52.7 771 Manica 14.7 5.9 20.6 5.7 3.1 8.8 20.4 9.0 29.4 30.0 617 Sofala 11.5 3.6 15.1 12.9 5.5 18.4 24.4 9.1 33.5 54.9 617 Inhambane 14.6 10.0 24.5 5.5 7.0 12.4 20.0 16.9 37.0 33.7 724 Gaza 16.1 11.1 27.1 8.1 7.1 15.2 24.2 18.1 42.3 35.8 426 Maputo 12.4 8.1 20.5 16.5 15.8 32.3 28.9 23.9 52.7 61.2 552 Maputo Cidade 10.6 11.2 21.8 21.4 28.3 49.7 32.0 39.5 71.5 69.5 462 Nível de escolaridade Nenhum 9.6 7.8 17.4 5.3 4.0 9.3 14.9 11.8 26.6 34.8 4,212 Primário 12.1 7.6 19.7 11.0 9.4 20.4 23.2 16.9 40.1 50.8 4,147 Secundário 9.9 4.1 14.0 28.3 25.5 53.8 38.2 29.6 67.8 79.3 362 Superior * * * * * * * * * * 6 Quintil de riqueza Mais baixo 9.9 6.8 16.6 4.9 4.1 8.9 14.7 10.8 25.6 34.9 2,265 Segundo 11.1 6.9 18.1 6.5 3.5 10.0 17.6 10.4 28.1 35.6 1,660 Médio 11.6 6.7 18.4 8.2 5.1 13.4 19.9 11.9 31.8 42.1 1,857 Quarto 11.3 9.8 21.1 7.9 7.2 15.1 19.2 17.0 36.1 41.7 1,457 Mais elevado 10.5 8.2 18.7 20.3 19.9 40.2 30.8 28.2 58.9 68.2 1,498 Total 10.8 7.5 18.4 9.0 7.4 16.5 19.9 15.0 34.8 47.2 8,736 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: A distribuição percentual baseada em menos de 25 casos não ponderados não é apresentada (*). 1Necessidade insatisfeita para espaçar refere-se às mulheres grávidas cuja gravidez não foi planeada ou prevista, às mulheres em amenorreia que não estão a usar contracepção e cujo último nascimento não foi intencional e às mulheres férteis não grávidas e não usuárias de contracepção que afirmaram querer esperar pelo menos 2 anos ou mais para ter o próximo filho. Estão também incluídas na necessidade insatisfeita por espaçamento as mulheres férteis que não usam nenhum método de planeamento familiar e afirmam não estar certas se querem ter outro filho ou que querem outro filho mas estão inseguras sobre quando ter o filho, a não ser que elas digam que não seria um problema se viessem a saber que estão grávidas nas próximas semanas. Necessidade insatisfeita para limitar refere-se às mulheres grávidas e em amenorreia, cuja gravidez não foi desejada e às mulheres férteis, não usuárias de contracepção, que não querem ter mais filhos. Estão excluídas da categoria necessidade insatisfeita as mulheres grávidas e em amenorreia que engravidaram usando um método contraceptivo, embora estejam inclusas na procura total de contracepção (estas mulheres necessitam um método mais eficaz). Também são excluídas as mulheres que atingiram a fase da menopausa. 2Uso para espaçar refere-se às mulheres que estão usando métodos contraceptivos e que declararam querer esperar 2 anos ou mais para ter o seu próximo filho. Uso para limitar refere-se àquelas mulheres que usam métodos com o objectivo de não ter mais filhos. O tipo de método não é levado em conta. 3A procura total inclui as mulheres grávidas e em amenorreia que engravidaram usando um método (falha do método) 4A estimativa da procura satisfeita de contracepção é a razão entre a prevalência de uso de métodos, mais a percentagem de mulheres que estão grávidas ou em amenorreia, mais aquelas cuja gravidez aconteceu por falha do método, e a procura total Intenções Reprodutivas | 109 Gráfico 7.4 Necessidade Insatisfeita para o Planeamento Familiar por Área de Residência, Província, e Nível de Escolaridade 14 20 17 22 21 27 25 15 21 20 17 13 20 14 20 18 18 0 5 10 15 20 25 30 Secundária Primária Nenhum ESCOLARIDADE Maputo Cidade Maputo Gaza Inhambane Sofala Manica Tete Zambézia Nampula Cabo Delgado Niassa PROVÍNCIA Urbana Rural RESIDÊNCIA TOTAL Percentagem de mulheres Gráfico 7.4 Necessidade Insatisfeita para o Planeamento Familiar por Área de Residência, Província, e Nível de Escolaridade 14 20 17 22 21 27 25 15 21 20 17 13 20 14 20 18 18 0 5 10 15 20 25 30 Secundária Primária Nenhum ESCOLARIDADE Maputo Cidade Maputo Gaza Inhambane Sofala Manica Tete Zambézia Nampula Cabo Delgado Niassa PROVÍNCIA Urbana Rural RESIDÊNCIA TOTAL Percentagem de mulheres Gráfico 7.3 Componentes da Necessidade Insatisfeita para o Planeamento Familiar MULHERES CASADAS/UNIDAS QUE NÃO ESTÃO A USAR MÉTODOS DE PLANEAMENTO FAMILIAR ? Mulheres grávidas e em amenorreia: 39.9% Mulheres não grávidas e não em amenorreia: 60.0% ? Mulheres férteis: 49.7% Não férteis ? ? Gravidez não foi desejada ou engravidaram usando um método 33.3% Gravidez não foi planeada ou prevista 5.2% (espaçar) Gravidez não foi desejada 1.4% (limitar) Não querem ter mais filhos 6.1% (limitar) Quer esperar 2 anos ou mais 5.6% (espaçar) Quer outro logo 38.0% Não férteis 10.3% ? ? ? ? NECESSIDADE INSATISFEITA: 18.4% | Intenções Reprodutivas 110 7.3 NÚMERO IDEAL DE FILHOS E FILHOS EXISTENTES No presente inquérito, procurou-se saber dos entrevistados que número de filhos consideravam como ideal. Para tal, aos que já tinham filhos perguntou-se: Se pudesse voltar atrás, para o tempo em que não tinha nenhum filho e se pudesse escolher o número de filhos para ter toda a vida, quantos desejaria ter? Para o caso de entrevistados ainda sem filhos, a primeira parte da questão “Se pudesse voltar atrás para o tempo em que não tinha nenhum filho” foi omitida, tendo sido feita apenas a última parte da pergunta. O Quadro 7.4 mostra o número ideal de filhos declarado por mulheres e homens entrevistados, de acordo com o número de filhos vivos que têm (incluiu-se a gravidez actual) e o Quadro 7.5 apresenta o número médio ideal de filhos, por idade dos inquiridos, segundo características seleccionadas (lugar de residência, nível de educação, quintil de riqueza e nível de escolaridade). Geralmente, existe uma correlação entre o número real e o número ideal de crianças. Duas razões explicam essa correlação: Primeiro, desde que as mulheres possam implementar as suas preferências reprodutivas, as que querem famílias maiores tenderão a consegui-las. Segundo, as mulheres podem ajustar o tamanho ideal de suas famílias ao tamanho real, caso este aumente. Este último aspecto relaciona-se com o efeito da racionalização, segundo o qual as mulheres tendem a ajustar o número ideal de filhos ao número real. Apesar da probabilidade de ocorrência de alguma racionalização, é comum constatar-se que os inquiridos declarem tamanhos ideais inferiores ao número real de crianças que possuem. O Quadro 7.4, que mostra o número real de filhos segundo o número ideal, permite a classificação dos inquiridos em três categorias: os que declararam tamanho ideal de filhos maior que o tamanho real; os que reportaram tamanho ideal menor que o tamanho real; e aqueles cujo tamanho ideal é similar ao tamanho real. Em princípio, a soma da segunda e terceira categorias deveria ser igual a percentagem de mulheres que não querem ter mais filhos (vide Quadro 7.1 ou 7.2). A segunda categoria é considerada de particular interesse por tratar-se de um indicador de excedente ou de fecundidade não desejada. Este tópico será objecto de atenção num dos quadros subsequentes (Quadro 7.7). · O número ideal de filhos vai aumentando á medida que se sobre na escala etária, o que revela que as mulheres mais velhas tendem a desejar um tamanho maior de família comparativamente às mais novas. · Para o caso das mulheres, Maputo Cidade apresenta o menor número médio ideal de filhos (3.6) relativamente às restantes províncias. Porém, para o caso dos homens, Maputo Província (3.9) tende a evidenciar uma posição relativamente mais vantajosa que Maputo Cidade (4.0), embora o número médio de filhos apresentado pelas duas províncias seja quase similar. · Contrastando a situação anteriormente descrita, a Província de Niassa apresenta o mais elevado número médio ideal de filhos (6.6), para o caso das mulheres. Em relação aos homens, é a Província de Cabo Delgado (8.2) que expressa o maior número médio ideal de filhos. · O nível de escolaridade aparenta ter uma relação negativa com o número médio ideal de filhos, posto que quanto maior for o nível de escolaridade, menor é o número médio ideal de filhos, tanto para os homens como para as mulheres. · Os inquiridos que residem em áreas rurais apresentam um número médio ideal de filhos mais elevado que o indicado pelos entrevistados residentes em áreas urbanas, em particular entre os homens. · O nível de bem-estar aparenta ter uma relação negativa com o número médio ideal de filhos, tanto no caso das mulheres como no dos homens. Intenções Reprodutivas | 111 Quadro 7.4 Número ideal de filhos Distribuição percentual dos entrevistados e número médio ideal de filhos para todos os entrevistados e para os entrevistados actualmente casados/unidos, por número ideal de filhos, segundo o número de filhos vivos, Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Número de filhos vivos1 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Número ideal de filhos 0 1 2 3 4 5 6+ Total –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– MULHERES –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 0 1.0 0.0 0.1 0.3 0.7 0.8 0.6 0.5 1 1.8 1.8 0.3 0.5 0.6 0.4 0.8 1.0 2 20.8 12.0 7.7 3.3 3.8 2.2 2.9 9.2 3 16.9 16.2 8.8 6.7 3.0 3.0 2.8 9.8 4 27.1 29.0 31.9 24.2 18.1 10.7 11.4 23.7 5 13.0 17.2 19.4 18.8 13.1 13.3 9.8 15.3 6+ 18.1 22.4 30.5 43.9 58.1 67.7 69.7 38.9 Resposta não numérica 1.4 1.3 1.1 2.3 2.5 1.8 2.0 1.7 Total 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 Número de mulheres 2,521 2,379 1,983 1,732 1,361 1,030 1,411 12,418 Número médio ideal de filhos 2 Todas as mulheres 4.1 4.5 4.9 5.4 6.0 6.6 7.1 5.3 Número 2,486 2,348 1,961 1,692 1,328 1,011 1,383 12,209 Mulheres unidas 5.0 4.7 5.1 5.5 6.1 6.7 7.1 5.7 Número 825 1,602 1,551 1,379 1,124 875 1,208 8,564 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– HOMENS –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 0 0.9 0.4 0.4 0.0 0.5 1.6 1.8 0.9 1 1.5 0.2 0.4 0.0 0.7 0.0 0.2 0.7 2 16.3 9.5 4.8 6.5 3.8 3.5 2.1 8.9 3 15.9 11.0 4.2 6.4 4.8 3.9 2.5 9.0 4 27.5 27.1 29.9 21.4 12.0 10.3 8.7 21.2 5 14.5 16.0 16.7 9.9 13.3 14.5 8.5 13.3 6+ 22.4 34.3 43.1 54.0 61.7 65.6 73.0 44.3 Resposta não numérica 1.2 1.5 0.7 1.8 3.3 0.5 3.2 1.7 Total 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 Número de homens 1,016 335 303 276 257 207 506 2,900 Número médio ideal de filhos 2 Todos os homens 4.5 5.5 5.6 6.1 6.7 7.3 9.5 6.1 Número 1,004 330 301 271 249 206 490 2,850 Homens unidos 5.3 5.6 5.7 6.1 6.7 7.4 9.7 7.1 Número 113 251 275 257 238 198 474 1,806 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 1Número de filhos vivos inclui gravidez actual 2O número médio exclui mulheres que deram respostas não numéricas | Intenções Reprodutivas 112 7.4 PLANEAMENTO DOS NASCIMENTOS Tendo em consideração que a análise da gravidez inoportuna e da fecundidade indesejada é importante, foram incluídas no inquérito perguntas que permitissem uma avaliação quantitativa da fecundidade não desejada. Procurou-se saber de todas as mulheres que se encontravam grávidas ou tinham tido um filho nos últimos cinco anos precedentes ao inquérito, se o nascimento tinha sido planificado (desejado para essa altura), não planificado (desejado para mais tarde), ou não desejado (não queria mais filhos). As respostas a este conjunto de questões dão indicação do grau de sucesso dos casais no controle da sua fecundidade. Para além disso, os dados obtidos podem ser usados para estimar o efeito da prevenção das gravidezes não desejadas durante o período fértil. Importa referir, no entanto, que a qualidade das respostas obtidas depende da recordação que a entrevistada tem sobre a situação vivida anos atrás e da honestidade com que a reportou, pois a sua atitude pode ter sido influenciada por factores culturais, religiosos ou outros. De notar ainda que as mulheres com gravidezes não planificadas ou partos não desejados tendem a racionalizar tais nascimentos e a declararem-nos como desejados, uma vez nascidos os filhos. Deste modo, pode-se assumir que os valores encontrados para a gravidez não desejada tenham sido subestimados. Quadro 7.5 Número médio ideal de filhos por características seleccionadas Número médio ideal de filhos por idade actual das mulheres e número médio ideal de filhos para todas as mulheres e todos os homens inquiridos, segundo características seleccionadas, Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade actual da mulher Todas as Todos os ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– mulheres homens Característica 15-19 20-24 25-29 30-34 35-39 40-44 45-49 15-49 15-64 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Residência Rural 4.5 5.0 5.5 6.0 6.3 6.6 7.3 5.7 7.0 Urbana 3.6 4.1 4.5 5.0 5.5 5.7 6.2 4.6 4.9 Província Niassa 5.4 5.7 6.4 7.6 7.9 6.6 7.5 6.6 7.0 Cabo Delgado 4.5 5.3 5.6 6.5 7.1 7.8 [ 8.3 6.0 8.2 Nampula 4.6 5.2 5.6 6.1 6.4 6.1 7.8 5.8 6.8 Zambézia 3.9 4.6 5.2 5.5 5.5 6.2 6.6 5.2 5.8 Tete 4.0 4.7 5.2 5.6 6.3 7.0 7.4 5.4 6.4 Manica 4.5 5.3 5.9 6.5 7.3 6.8 7.3 5.8 6.2 Sofala 4.8 5.1 6.1 6.1 7.3 8.1 7.9 6.1 5.7 Inhambane 3.9 4.5 4.9 5.1 5.6 6.0 6.6 5.0 7.3 Gaza 3.6 4.2 4.2 4.6 4.8 4.8 5.6 4.3 5.2 Maputo 3.3 3.7 4.1 4.4 4.8 6.1 5.5 4.2 3.9 Maputo Cidade 3.0 3.2 3.4 3.8 4.5 4.5 4.4 3.6 4.0 Nível de escolaridade Nenhum 4.8 5.1 5.7 6.0 6.5 6.6 7.2 5.9 7.0 Primário 4.0 4.6 5.0 5.6 5.9 6.2 6.7 5.0 6.4 Secundário 3.0 3.2 3.4 3.8 4.2 3.9 [ 3.8 3.4 4.2 Superior * * * * * * * [ 2.7 3.0 Quintil de riqueza Mais baixo 4.7 5.3 5.7 6.2 6.4 6.9 7.6 5.9 7.2 Segundo 4.7 5.0 5.7 6.1 6.6 6.4 7.5 5.8 7.1 Médio 4.4 5.1 5.5 6.0 6.6 6.9 7.1 5.7 6.9 Quarto 4.0 4.5 5.1 5.5 6.1 6.4 7.0 5.1 5.6 Mais elevado 3.3 3.6 4.0 4.3 4.6 5.0 5.0 4.0 4.4 Total 4.1 4.6 5.2 5.7 6.1 6.3 7.0 5.3 6.1 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Número médio precedido por parêntese está baseado em 25-49 casos não ponderados. Número médio baseado em menos de 25 casos não ponderados não é apresentado (*). Intenções Reprodutivas | 113 O Quadro 7.6 mostra-nos a distribuição percentual dos nascimentos dos últimos cinco anos por condição de planeamento da fecundidade, segundo a ordem de nascimento da criança e a idade da mãe ao nascimento da criança. Os dados nele contidos são baseados em nascimentos e não nas mulheres. A informação proporcionada pode ser considerada como o mais útil indicador do grau de controle reprodutivo bem sucedido, praticado por casais num passado mais recente. Recomenda-se uma distinção entre gravidezes não desejadas e nascimentos não desejados, pois quando o aborto induzido é comum, as gravidezes não desejadas são em maior número que os nascimentos não desejados. · Cerca de 80 por cento dos nascimentos foram planificados. Todavia, 16 por cento não haviam sido previstos e 4 por cento foram nascimentos não desejados. · Depois do primeiro filho, as mulheres tendem a ser mais cuidadosas na planificação dos nascimentos. Porém, depois do terceiro filho, os nascimentos não desejados aumentam consideravelmente. · Os nascimentos não desejados aparentam uma relação positiva com a idade da mãe ao primeiro nascimento, visto que à medida que incrementa a idade, vai aumentando a percentagem de mulheres cujos nascimentos não são desejados. Importa ressaltar que o potencial impacto demográfico da prevenção da fecundidade não desejada pode ser estimado através do cálculo da taxa de fecundidade desejada. Esta taxa é calculada da mesma maneira que a taxa global de fecundidade, mas excluindo do numerador os nascimentos não desejados. Para este cálculo, usa-se o método Lightbourne. De acordo com este método, os nascimentos não desejados são definidos como aqueles que excedem o número considerado ideal pelos inquiridos (para os inquiridos que não reportaram nenhum tamanho ideal de família assume-se que todos os seus nascimentos foram desejados). Esta taxa representa o nível de fecundidade que teria prevalecido nos três anos precedentes ao inquérito se todas os nascimentos não desejados tivessem sido prevenidos. A comparação entre a taxa global de fecundidade e a taxa de fecundidade não desejada sugere o potencial impacto Quadro 7.6 Planeamento dos nascimentos Distribuição percentual dos nascimentos ocorridos nos últimos cinco anos anteriores à pesquisa, por condição de planeamento, segundo ordem de nascimento da criança e idade da mãe na época do nascimento, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Planeamento do nascimento Número –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– de Ordem de nascimento/ Não Não Desco- nasci- idade da mãe Planeado 1 previsto2 desejado3 nhecido Total mentos ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Ordem de nascimento 1 76.6 21.7 1.1 0.6 100.0 2,544 2 82.3 16.6 0.6 0.5 100.0 2,172 3 85.2 12.9 1.4 0.6 100.0 1,880 4+ 78.2 14.1 7.2 0.5 100.0 5,257 Idade da mãe na época do nascimento <20 75.4 22.9 1.2 0.6 100.0 2,611 20-24 84.2 14.5 0.7 0.6 100.0 3,269 25-29 82.9 14.2 2.1 0.7 100.0 2,720 30-34 80.1 13.6 6.0 0.4 100.0 1,711 35-39 74.8 13.7 11.4 0.1 100.0 983 40-44 67.0 12.5 20.4 0.1 100.0 429 45-49 61.3 16.7 22.0 0.0 100.0 130 Total 79.7 16.0 3.7 0.5 100.0 11,853 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Na ordem de nascimento inclui-se gravidez actual 1Nascimento planeado e ocorrido na época prevista 2Nascimento desejado, mas que deveria ocorrer numa época futura 3Nascimento que representa um excesso em relação ao número total de filhos desejados | Intenções Reprodutivas 114 Quadro 7.7 Taxa global de fecundidade desejada e real Taxa global de fecundidade desejada e taxa global de fecundidade real para os três anos anteriores à pesquisa, por características seleccio- nadas, Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Taxa global Taxa global de de fecundidade fecundidade Característica desejada real –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Residência Rural 5.5 6.1 Urbana 3.8 4.4 Província Niassa 6.8 7.2 Cabo Delgado 5.5 5.9 Nampula 5.5 6.2 Zambézia 4.7 5.3 Tete 6.0 6.9 Manica 6.1 6.6 Sofala 5.6 6.0 Inhambane 4.2 4.9 Gaza 4.4 5.4 Maputo 3.3 4.1 Maputo Cidade 2.5 3.2 Nível de escolaridade Nenhum 5.7 6.3 Primário 4.6 5.3 Secundário 2.6 2.9 Quintil de riqueza Mais baixo 5.8 6.3 Segundo 5.6 6.1 Médio 5.6 6.3 Quarto 4.5 5.2 Mais elevado 3.0 3.8 Total 4.9 5.5 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: As taxas são baseadas nos nascimentos ocorridos entre mulheres de 15-49 anos no período de 1-36 meses antes da pesquisa. As taxas globais de fecundidade real são iguais às taxas apresentadas no Quadro 4.2. demográfico da supressão dos nascimentos não desejados. A taxa de fecundidade desejada avaliada no inquérito deve, no entanto, ser considerada uma subestimação da situação real, devido à prudente relutância existente no país em admitir como não desejados os filhos vivos, como já foi anteriormente mencionado. O Quadro 7.7 mostra as taxas de fecundidade desejada e real, para os três anos que antecederam o inquérito, segundo características sócio-demográficas seleccionadas. Ambas as taxas estão baseadas em nascimentos entre mulheres de 15-49 anos no período de 1-36 meses antes do inquérito e as taxas globais de fecundidade são as mesmas que foram apresentadas no Quadro 4.2. Há diferença entre o tamanho ideal da família e as taxas de fecundidade desejada, posto que a taxa de fecundidade desejada toma a fecundidade observada como ponto de partida e nunca pode ser superior à actual taxa global de fecundidade; os tamanhos ideais totais podem ser ? e geralmente são? maiores que o número de crianças nascidas. Esta característica da taxa de fecundidade desejada tem uma vantagem e uma desvantagem. A vantagem é que pode ser a medida mais realista da fecundidade, pois toma em consideração o facto de que a impossibilidade de conceber impede algumas mulheres de ter nascimentos desejados e de atingir o tamanho desejado de família. Contudo tem a desvantagem de complexidade na interpretação e de, como qualquer medida relativa a um determinado período, ser altamente vulnerável a influências temporárias sobre o nível da fecundidade recente. · A taxa global de fecundidade desejada é inferior à taxa global de fecundidade real, o que indica que o número de filhos existentes ultrapassada o desejado. · Para as Província s de Niassa, Cabo Delgado e Sofala, a diferença entre o número desejado e real de filhos não parece ser muito significativa. Esta constatação é aplicável também a mulheres cujo nível de escolaridade atingido é o secundário. 7.5 NÚMERO IDEAL DE FILHOS, NECESSIDADE INSATISFEITA E ESTATUTO DA MULHER A elevação do estatuto mulher e da sua emancipação são reconhecidas como sendo importantes no âmbito dos esforços para a redução da fecundidade, dada a sua negativa associação com o tamanho desejado de família e a sua positiva relação com a capacidade de a mulher ter as suas próprias metas em relação ao tamanho da família, através do uso eficaz de contraceptivos. O Quadro 7.8 mostra como o tamanho ideal da família e as necessidades não satisfeitas em relação à contracepção variam, tendo em conta 3 indicadores da emancipação da mulher – o número de decisões nas quais a mulher tem a última palavra, o números de razões pelas quais a mulher pode recusar relações sexuais com o seu marido e o número de razões nas quais a mulher considera justa a agressão física pelo seu marido ? definidos em detalhes no Capítulo 3. O primeiro indicador, cujos valores opcionais variam de 0 a 5, está positivamente associado à emancipação da mulher e reflecte o grau de controle que as mulheres podem exercer na tomada de decisões em áreas que afectam as suas próprias vidas e o ambiente em que vivem. O segundo indicador é o numero total de circunstâncias, de entre quatro especificadas (vide o Quadro 3.13 para a lista de circunstâncias), nas quais o inquirido sente que está justificada a recusa da mulher em ter relações Intenções Reprodutivas | 115 sexuais com o marido. Este indicador reflecte a percepção sobre os papéis sexuais e os direitos da mulher sobre o seu corpo e relaciona-se positivamente com o senso de auto-estima e o grau de emancipação da mulher. O último indicador é o numero total de razões, dentre cinco específicas (vide lista de razões no Quadro 3.12 ), para as quais os inquiridos acham que se justifica o marido bater em sua esposa. Um valor baixo neste indicador é interpretados como reflexo de um maior senso de poder, auto-estima e estatuto da mulher. · Embora as diferenças não pareçam significativas, o número médio ideal de filhos por mulher reduz com o aumento do número de razões por ela apresentadas para a recusa de sexo com o seu marido · Similarmente, a percentagem de mulheres com necessidades insatisfeitas no que se refere ao espaçamento dos filhos tende a reduzir com o aumento do número de razões para a recusa de sexo com o marido. · Apesar de as diferenças aparentarem pouca significação, o número médio ideal de filhos tende a aumentar com o incremento do numero de razões apresentadas pelas mulheres como sendo as que justificam que o marido bata em sua esposa. Quadro 7.8 Número médio ideal de filhos e necessidade insatisfeita por estatuto da mulher Número médio ideal de filhos para todas as mulheres e percentagem de mulheres casadas/unidas com necessidade insatisfeita, por indicadores de estatuto da mulher, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Número ideal de filhos Necessidade insatisfeita de planeamento familiar1 –––––––––––––––––––– –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Número Número de Para Para de Indicador de estatuto da mulher Média2 mulheres espaçar limitar Total mulheres ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Número de decisões nas quais a mulher tem a última palavra3 0 5.5 689 16.3 6.6 22.9 697 1-2 5.7 2,488 11.6 6.5 18.1 2,529 3-4 5.6 3,001 11.0 8.8 19.8 3,064 5 5.7 2,386 8.3 7.2 15.5 2,445 Número de razões para a recusa do sexo com o marido 0 5.9 698 10.4 9.7 20.1 726 1-2 5.8 2,512 8.9 6.6 15.5 2,569 3-4 5.6 5,355 11.8 7.7 19.5 5,442 Número de razões que justificam que o marido bata na mulher 0 5.6 3,749 10.9 8.1 18.9 3,865 1-2 5.7 1,818 11.1 7.2 18.4 1,848 3-4 5.7 1,725 10.6 6.3 17.0 1,749 5 5.7 1,272 10.6 8.0 18.6 1,274 Total 5.7 8,564 10.8 7.5 18.4 8,736 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Os Quadros 3.10-3.13 mostram os diferentes tipos de decisões e razões. 1Veja o Quadro 7.3 para a definição de necessidade insatisfeita de planeamento familiar 2Excluídas as mulheres que não deram resposta numérica 3A entrevistada ou junto com alguém mais | Intenções Reprodutivas 116 Mortalidade Infanto-Juvenil, Adulta e Materna | 117 MORTALIDADE INFANTO-JUVENIL, ADULTA E MATERNA 8 8.1 INTRODUÇÃO As taxas de mortalidade infantil e infanto-juvenil são considerados como importantes indicadores sociais que servem para monitorar os programas de desenvolvimento sócio-económico dos países. A consideração da mortalidade infantil e infanto-juvenil como importantes indicadores sociais, deve-se pelo facto de o nível das suas taxas estarem intrinsecamente inter ligados às condições demográficas, sócio- económicas, culturais e ambientais em que vive determinado grupo populacional dentro dos países. Na política da população elaborada em 1999 em Moçambique, as taxas de mortalidade infantil que o país apresenta são identificadas como sendo um dos principais problemas populacionais que o País tem por resolver. Neste contexto, o conhecimento da mortalidade infantil e infanto-juvenil através da identificação dos factores que concorrem para o seu alto grau é indispensável para a tomada de decisões na implementação de programas e políticas públicas na área de saúde. Este capítulo, apresenta breve análise dos níveis, tendências e diferenciais da mortalidade infantil e na infância. Esta informação poderá servir de elemento guia na identificação dos sectores populacionais expostos a altos riscos de mortalidade. Apresenta-se também uma análise das relações entre os riscos de sobrevivência destes grupos de crianças e a fecundidade das mães em idades jovens e mais velhas, incluindo os efeitos dos intervalos curtos entre os nascimentos e a alta parturição sobre essa mesma sobrevivência. O capítulo conclui com uma análise da mortalidade materna e do adultos. Deste modo, a informação aqui apresentada é de extrema importância para a tomada de decisões e implementação de programas e políticas públicas na área de saúde, pois, ela permite identificar sectores da população expostos a maiores riscos da mortalidade infantil, que é um dos indicadores sintéticos da mortalidade. 8.2 METODOLOGIA Esta análise dos níveis e tendências da mortalidade infantil e na infância, está baseada na informação sobre a história de nascimentos recolhida nas mulheres de 15 a 49 anos entrevistadas no IDS 2003. Durante o inquérito, perguntou-se à cada mulher o número total de filhos que ela teve em toda sua vida, isto é, o número de filhos e filhas que viviam com ela, e aqueles que residiam noutro lugar e o número de filhos (as) que já faleceram. Além disso, as mulheres foram perguntadas para prestar a informação mais detalhada sobre toda a história da sua vida reprodutiva, cobrindo a informação sobre idade, sexo, tipo de parto (simples ou multiplo), o estado de sobrevivência de cada filho, a idade corrente de cada nascido vivo e se o filho (a) não estava vivo, perguntou-se a idade em que ocorreu a morte. A informação assim recolhida permite calcular directamente para períodos determinados, os seguintes indicadores: • Mortalidade neo-natal (NN): probabilidade de morrer durante o primeiro mês de vida, (de 0 a 30 dias); • Mortalidade pós-neonatal (PNN): probabilidade de morrer depois do primeiro mês de vida, porém antes de completar o primeiro aniversário (1-11 meses); • Mortalidade infantil (1q0): probabilidade de morrer durante o primeiro ano de vida (0-11 meses); | Mortalidade Infanto-Juvenil, Adulta e Materna 118 • Mortalidade pós-infantil (4q1): probabilidade de morrer entre o primeiro e o quinto aniversário (12-59 meses); • Mortalidade infanto-juvenil (5q0): probabilidade de morrer antes de completar cinco anos de vida (0-59 meses). 8.3 QUALIDADE DOS DADOS A qualidade dos resultados do cálculo das taxas de mortalidade depende da exactitude com que a informação foi recolhida. De salientar, que a informação proveniente da história de nascimentos recolhida neste inquérito pode ter vários tipos de erros que podem constituir problemas durante a análise. O primeiro problema que pode estar relacionado com os dados, é que a informação foi fornecida apenas por mulheres que estão vivas, o que quer dizer que não existe a informação das crianças cujas as mães morreram (Dzekedzeke, 2003). Se as crianças das mães falecidas, representar uma significativa proporção, então a mortalidade calculada a partir desta informação poderá estar afectada por omissão. O outro problema que pode afectar os cálculos da mortalidade é o erro cometido durante a declaração dos eventos, principalmente no que diz respeito a data e a idade em que ocorreu a morte, e a declaração completa das crianças falecidas. Neste contexto, a omissão dos nascimentos e de mortes afecta duma forma directa as estimativas de mortalidade. Sendo assim, a má declaração das datas em que ocorreram as mortes irá afectar o acompanhamento das tendências da mortalidade; e a má declaração da idade irá afcetar o padrão da mortalidade. Nos inquéritos realizados em outros países, observou-se uma tendência das mães arredondarem a idade do filho ao morrer para 1 ano (ou 12 meses), embora o filho não tenha falecido exactamente aos 12 meses, mas sim nos meses próximos à essa idade. Esse arredondamento para o décimo segundo mês tem produzido uma grande concentração de óbitos para este mês. No caso, concreto do IDS 2003, a concentração de óbitos no décimo segundo mês ocorreu abaixo da média (veja-se Apendice C, Quadro C.6). Este erro de declaração pode resultar por exemplo, se o evento ocorreu aos 10 ou 11 meses de vida, e é arredondamento para o décimo Segundo mês, pode resultar na subestimativa da mortalidade infantil (1q0) e uma sobrestimativa da mortalidade pós-infantil (4q1). Como a recolha de dados teve lugar entre Setembro e Dezembro de 2003 as taxas de mortalidade foram calculadas em períodos quinquenais correspondentes aos anos calendários 1988-1993, 1993-1998 e 1998-2003. 8.4 NÍVEIS E TENDÊNCIAS DA MORTALIDADE O Quadro 8.1 apresenta as taxas de mortalidade neonatal, pós neonatal, infantil, pós- infantil e infanto-juvenil, para os três períodos quinquenais que precederam ao inquérito, o que permite ver a tendência daqueles indicadores nos últimos 15 anos. No Gráfico 8.1 mostra-se a tendência da mortalidade infantil utilizando os dados dos dois inquéritos realizados em 1997 e em 2003. É muito difícil estabelecer uma tendência da mortalidade durante os 15 anos que precederam o inquérito. Mesmo tomando em consideração dos últimos 15 anos em que este inquérito se refere, uma aparente interpretação da tendência da mortalidade deverá ser tomada com muita atenção. Primeiro, os dados podem estar afectados por diferenças na declaração do número de mortes por causa do tempo que precede o inquérito ser muito longo. Em segundo lugar, a declaração correcta da idade e a data em que decorreu determinada morte pode estar deteriorada com o passar do tempo. Neste contexto, sem uma avaliação detalhada da qualidade de informação da história de nascimentos, que nem foi tentado neste relatório, as conclusões sobre as mudanças da mortalidade ao longo de tempo devem ser considerado como sendo preliminaries. Mortalidade Infanto-Juvenil, Adulta e Materna | 119 · Durante o período mais recente (1998-2003), quase 2 em cada 10 crianças (153 por mil) morreram antes de atingir o seu quinto aniversário de vida. Em cada mil nascidos vivos, 101 morreram antes de completar o seu primeiro ano de vida e 58 faleceram entre o primeiro e o quinto aniversário. A probabilidade de morrer durante o primeiro mês de vida é de 37 por mil, enquanto que morrer entre o primeiro e o décimo segundo mês é de 64 por mil. · De um modo geral, nos últimos 10 anos, a mortalidade observou reduções consideráveis. 8.5 DIFERENCIAIS DA MORTALIDADE Para a análise dos diferenciais da mortalidade é recomendável ampliar o período de referência para um período de 10 anos anteriores à data do inquérito (1993-2003), devido a que o tamanho da amostra é insuficiente para proporcionar estimativas confiáveis para um período de 5 anos nalgumas caracteísticas estudadas. Os resultados por características sócio-económicas são apresentadaos no Quadro 8.2 e no Gráfico 8.2. Os resultados por características bio-demográficas também apresentam-se no Quadro 8.2. Quadro 8.1 Mortalidade infantil e na infância Taxas de mortalidade neo-natal, pós neo-natal, infantil, pós-infantil e infanto-juvenil para períodos quinquenais anteriores ao inquérito, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Anos Mortalidade Mortalidade Mortalidade Mortalidade Mortalidade anteriores Anos neonatal pós-neonatal1 infantil pós-infantil infanto-juvenil ao inquérito calendários (NN) (PNN) (1q0) (4q1) (5q0) ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 0-4 1998-2003 37 64 101 58 153 5-9 1993-1998 60 89 149 68 207 10-14 1988-1993 59 92 151 88 226 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 1Calculada com a diferença entre as taxas de mortalidade infantil e as da mortalidade neonatal Gráfico 8.1 Evolução da Mortalidade Infantil, IDS 1997 e IDS 2003 136 161 135 151 149 101 80 100 120 140 160 180 1984 1986 1988 1990 1992 1994 1996 1998 2000 2002 P o r m il n as ci d o s vi vo s IDS 1997 IDS 2003 Gráfico 8.1 Evolução da Mortalidade Infantil, IDS 1997 e IDS 2003 136 161 135 151 149 101 80 100 120 140 160 180 1984 1986 1988 1990 1992 1994 1996 1998 2000 2002 P o r m il n as ci d o s vi vo s IDS 1997 IDS 2003 | Mortalidade Infanto-Juvenil, Adulta e Materna 120 · Como era de esperar, os níveis de mortalidade são mais elevados nas áreas rurais do que nas urbanas e nas crianças cujas mães têm baixo nível de escolarização. Por exemplo, a mortalidade infantil é de 95 por mil nascimentos nas áreas urbanas contra 135 das zonas rurais; é de 65 por mil entre as mulheres com nível secundário contra 142 das que não possuem nenhum grau de escolaridade. · A mortalidade também é diferencial por províncias de acordo com o seu desenvolvimento sócio- económico. Assim, Maputo Cidade —a mais urbanizada do País— apresenta níveis de mortalidade mais baixos comparativamente às restantes províncias. Tomando-se o exemplo da mortalidade infantil, constata-se que os níveis extremos situam-se entre 51 por mil em Maputo Cidade e 178 por mil na Província de Cabo Delgado. Outras províncias com taxas de mortalidade infantil altas são Nampula (164 por 1,000), Sofala (150 por mil) e Niassa (140 por mil). · A mortalidade é diferencial por grupos sociais classificados na base de quintís de riqueza. Assim, a mortalidade infantil dos grupos considerados pobres, isto é, o quintil mais baixo e o segundo é mais elevada, 143 e 147 por mil, respectivamente; do que a do quintil mais elevado, 71 por mil. Gráfico 8.2 Taxa de Mortalidade Infantil nos Dez Anos que Antecederam ao Inquérito, por Área de Residência, Província e Nível de Escolaridade 65 110 142 51 61 92 91 149 128 125 89 164 178 140 95 135 124 0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200 Secundário Primário Nenhum NÍVEL DE ESCOLARIDADE Maputo Cidade Maputo Gaza Inhambane Sofala Manica Tete Zambézia Nampula Cabo Delgado Niassa PROVÍNCIA Urbana Rural ÁREA DE RESIDÊNCIA T O T A L Taxas de mortalidade infantil (por 1,000 nascimentos) Gráfico 8.2 Taxa de Mortalidade Infantil nos Dez Anos que Antecederam ao Inquérito, por Área de Residência, Província e Nível de Escolaridade 65 110 142 51 61 92 91 149 128 125 89 164 178 140 95 135 124 0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200 Secundário Primário Nenhum NÍVEL DE ESCOLARIDADE Maputo Cidade Maputo Gaza Inhambane Sofala Manica Tete Zambézia Nampula Cabo Delgado Niassa PROVÍNCIA Urbana Rural ÁREA DE RESIDÊNCIA T O T A L Taxas de mortalidade infantil (por 1,000 nascimentos) Mortalidade Infanto-Juvenil, Adulta e Materna | 121 Quadro 8.2 Mortalidade infantil e na infância por características sócio-económicas e demográficas Taxas de mortalidade neo-natal, pós neo-natal, infantil, pós-infantil e infanto-juvenil para o período de dez anos anteriores à pesquisa, por características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Mortalidade Mortalidade Mortalidade Mortalidade Mortalidade neonatal pós-neonatal1 infantil pós-infantil infanto-juvenil Característica (NN) (PNN) (1q0) (4q1) (5q0) ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Residência Rural 53 82 135 66 192 Urbana 35 60 95 53 143 Província Niassa 57 82 140 77 206 Cabo Delgado 62 115 178 77 241 Nampula 74 90 164 66 220 Zambézia 31 59 89 37 123 Tete 42 83 125 92 206 Manica 47 81 128 64 184 Sofala 40 109 149 66 205 Inhambane 35 56 91 64 149 Gaza 38 54 92 71 156 Maputo 31 30 61 50 108 Maputo Cidade 22 29 51 40 89 Níve l de escolaridade da mãe Nenhum 53 89 142 68 200 Primário 44 66 110 60 163 Secundário 30 34 65 24 87 Quintil de riqueza Mais baixo 59 84 143 63 196 Segundo 55 92 147 62 200 Médio 48 81 128 86 203 Quarto 38 68 106 54 155 Mais elevado 29 42 71 40 108 Sexo da criança Masculino 50 78 127 61 181 Feminino 46 74 120 64 176 Idade da mãe na época do nascimento <20 62 101 163 73 224 20-29 42 74 116 63 172 30-39 48 58 106 52 152 40-49 39 41 80 53 129 Número de ordem 1 61 90 151 67 208 2-3 38 77 114 67 174 4-6 43 67 111 54 158 7+ 61 69 130 61 183 Intervalo do nascimento anterior2 <2 81 115 196 80 260 2 anos 40 67 107 69 169 3 anos 26 49 75 47 118 4+ anos 21 44 65 32 95 Tamanho ao nascer3 Pequeno/Muito pequenho 68 81 148 na na Médio ou grande 27 58 85 na na Total 48 76 124 62 178 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– na = Não se aplica 1Calculada com a diferença entre as taxas de mortalidade infantil e as da mortalidade neonatal 2Exclui os primeiros nascimentos 3Para o período de cinco anos anteriores à pesquisa | Mortalidade Infanto-Juvenil, Adulta e Materna 122 · Os resultados confirma a importância do espaçamento dos nascimentos na sobrevivência da criança. No geral, as crianças nascidas por mães muito jovens apresentam elevadas taxas de mortalidade infantil, do que as crianças nascidas por mães com idade compreendida entre 20 a 39 anos. Os primeiros nascimentos e as crianças nascidas em mães com muitos filhos (elevada fecundidade) também apresenta elavadas taxas de mortalidade neonatal do que as crianças nascidas em mães que têm entre 2 a 6 crianças. Os intervalos curtos entre os nascimentos, também apresentam altas taxas de mortalidade durante e depois da infância. 8.6 MORTALIDADE INFANTIL E NA INFÂNCIA POR ESTATUTO DA MULHER A capacidade de obter informação, de tomar decisões e agir efectivamente em beneficio dos seus próprios interesses, ou para o benefício dos seus dependentes, são aspectos essenciais da emancipação da mulher. Isto resulta que, se as mulheres que são as principais zeladoras das crianças, são emancipadas, a saúde e a sobrevivência das suas crianças estarão melhoradas. De facto, a emancipação da mulher encaixa-se no quadro analítico sobre a sobrevivência da criança como uma variável de nível individual que afecta a sobrevivência da criança através de determinantes próximos. O Quadro 8.4, mostra a informação sobre o impacto do estatuto da mulher medida através de três indicadores específicos: participação na tomada de decisões no agregado familiar, atitude em relação a recusa de ter relações sexuais com o marido, e a atitude em relação a agressão pelo marido. · Embora não se regista uma relação muito evidenciada, os dados mostram uma tendência de a mortalidade diminuir quando a mulher tiver maior poder decisivo no agregado familiar. · Por exemplo, nos agregados familiares onde a mulher não tem a palavra, isto é, com a decisão zero (0) na útlima palavra a mortalidade infantil é 164 por mil, contra 108 por mil em situações em que a mulher tomam deciões em cinco ocasiões. Quadro 8.3 Mortalidade infantil e na infância por estatuto da mulher Taxas de mortalidade neo-natal, pós neo-natal, infantil, pós-infantil e infanto-juvenil para o período de dez anos anteriores à pesquisa, por indicadores do estatuto da mulher, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Mortalidade Mortalidade Mortalidade Mortalidade Mortalidade Indicador do neonatal pós-neonatal1 infantil pós-infantil Infanto-juvenil estatuto da mulher (NN) (PNN) (1q0) (4q1) (5q0) ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Número de decisões nas quais a mulher tem a última palavra2 0 49 115 164 71 223 1-2 52 83 135 67 193 3-4 52 68 120 64 177 5 39 68 108 56 158 Número de razões para recusar de ter relações sexuais com o marido 0 58 81 139 49 181 1-2 45 81 126 69 186 3-4 47 73 120 61 174 Número de razões que justificam que o marido bata na mulher 0 50 71 121 61 174 1-2 46 85 132 65 188 3-4 49 78 127 65 183 5 41 75 116 62 171 Total 48 76 124 62 178 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Os Quadros 3.10-3.13 mostram-se os diferentes tipos de decisões e razões 1Calculada com a diferença entre as taxas de mortalidade infantil e as da mortalidade neonatal 2A entrevistada ou junto com alguém mais Mortalidade Infanto-Juvenil, Adulta e Materna | 123 8.7 MORTALIDADE PERINATAL A distinção entre um nado morto e a morte prematura do recém-nascido é frequentemente subtil, dependendo da observação e seguida da recordação do evento que por vezes é dificultada por fracos sinais de vida depois do parto. As causas de nados mortos e de mortes prematuras de recém-nascidos estão estreitamente ligadas, e examinar apenas um ou outro pode levar a que se subestime o verdadeiro nível de mortalidade durante o parto. Por esta razão as mortes relacionadas com o parto estão combinadas com a taxa de mortalidade perinatal. A informação sobre nados mortos para os cinco anos antes do inquérito, está disponível nos questionários do IDS 2003 em forma de calendários reprodutivos. O Quadro 8.5 mostra o nível de mortalidade perinatal para Moçambique como um todo, por área de residência, por província, por nível educacional, e por características demográficas seleccionadas. Note que a informação sobre mortalidade perinatal por gravidez não esteve incluída no questionário atual do IDS. Quadro 8.5 Mortalidade perinatal Número de nados mortos e de mortes de recém-nascidos, e a taxa de mortalidade perinatal do período dos cinco anos antes do inquérito, por características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Número Número Taxa Número de de de mortes de gravidezes nados de recém- mortalidade de sete ou Característica mortos1 nascidos2 perinatal3 mais meses ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade da mãe na época do nascimento <20 69 84 63 2,450 20-29 85 108 36 5,423 30-39 44 45 36 2,454 40-49 13 14 52 505 Intervalo do nascimento anterior Primeiro filho 76 84 70 2,264 <15 meses 19 12 78 405 15-26 meses 37 63 44 2,268 27-38 meses 35 63 32 3,013 39+ meses 45 30 26 2,882 Residência Rural 143 177 42 7,676 Urbana 68 75 45 3,155 Província Niassa 10 14 44 537 Cabo Delgado 26 34 60 994 Nampula 54 87 61 2,304 Zambézia 14 22 22 1,636 Tete 18 23 37 1,114 Manica 13 13 31 833 Sofala 20 16 45 814 Inhambane 13 14 33 835 Gaza 16 14 54 555 Maputo 17 7 35 684 Maputo Cidade 10 8 34 526 Nível de escolaridade da mãe Nenhum 85 118 41 4,991 Primário 111 128 44 5,426 Secundário 14 5 47 400 Superior 1 0 * 14 Quintil de riqueza Mais baixo 50 74 43 2,872 Segundo 35 40 36 2,085 Médio 41 60 43 2,327 Quarto 39 43 45 1,814 Mais elevado 46 35 47 1,733 Total 211 251 43 10,831 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Indicador baseado em menos de 25 casos não ponderados não é apresentado (*). 1Nados mortos são mortes de fetos em gravidezes de sete ou mais meses 2Morte prematura de recém-nascido são mortes de nados vivos na idade dos 0-6 dias 3A soma do número de nados mortos e de morte de recém-nascidos dividido pelo número de gravidezes de sete ou mais meses. | Mortalidade Infanto-Juvenil, Adulta e Materna 124 · Embora os dados não apresente uma relação consistente com as variáveis patentes no Qaudro 8.5, eles revelam que a mortalidade perinatal é elevada nas mulheres com idade inferior a 20 anos e de idade superior a 39 anos. É também elevada nos primeiros nascimentos e nascimentos antecedidos de intervalos muito curtos. · Entre as províncias, destacam-se as Províncias de Nampula e de Cabo Delgado, que apresentam taxas de mortalidade perinatal acima de 60 por mil nados vivos. 8.8 GRUPOS DE ALTO RISCO REPRODUTIVO Estudos feitos em muitos países comprovaram a existência da relação entre o padrão da fecundidade maternal e os riscos da sobreviência da criança. Foi provado que o risco de morrer na infância é alto nas crianças nascidas por mães muito jovens e muito adultas. Também a mortalidade de crianças é elevada quando o nascimento é precedido de um curto intervalo e nas crianças cujas as mães tiveram muitos filhos. Este estudo, considera mãe muito jovem quando esta tiver tido um nascimento com idade inferior a 18 anos e muito velha com idade superior a 34 anos no momento do parto. Considera-se intervalo curto quando a separação entre os nascimentos é inferior a 24 meses e também considera-se mulheres tendo muitos filhos quando tiverem mais de 3 filhos no momento do parto. Apesar de que os primeiros nascimentos apresentam, em muitas populações, riscos elevados de mortalidade, não foram incluídos no total das categorias de elevado risco porque são considerados como sendo um risco inevitável e tão pouco são levados em conta no cálculo do denominador para as razões de risco Tomando em conta estes grupos foram construídas categorias especiais de risco, individuais ou combinando duas ou mais. Para avaliar o risco suplementar de morrer a que estão sujeitos as crianças decorrente de certos comportamentos reprodutivos das mães, calculou-se a razão de risco. Os resultados são apresentados no Quadro 8.6, que mostra a percentagem de crianças que nasceram durante os cinco anos antes do inquérito por factores de risco. Na primeira coluna apresenta-se a percentagem de nascimentos ocorridos durante os cinco anos precedntes ao inquérito em cada uma das categorias de risco. A Segunda coluna apresenta-se a razão da proporção da morte de cada categoria de alto risco em relação a proporção de morte entre as crianças que se encontram na categoria de não alto risco de morte. As categorias onde o risco de morrer excede a 1.0, são considerados como sendo de elevado risco de morte. · Os resultados são similares a os encontrados em IDS 1997. Apenas 27 por cento de nascimentos ocorridos nos últimos cinco anos precedentes à data do inquérito correspondem à nenhuma categoria de risco elevado, 13 por cento à categoria de risco inevitável, ou seja, a ordem de primeiro nascimento, e a maioria (60 por cento) correspondem à categorias de risco de mortalidade (dos quais 41 por cento pertencem às categorias de risco único e 19 por cento à de riscos múltiplos). Entre os nascimentos com um único risco de mortalidade, a maior percentagem (26 por cento) observa-se entre as mães cuja ordem de nascimentos dos filhos é superior a três. Seguem em importância como categoria de riso elevado os nascimentos de mães cuja a idade é inferior a 18 anos (10 por cento). · Entre as categorias de riscos múltiplos, os maiores riscos encontram-se nas mães com idade superior a 34 anos e uma ordem de nascimentos superior a 3 filhos (11 por cento) seguido daquelas com intervalo inter genésico inferior a 24 meses e uma ordem de nascimentos superior a 3 filhos (6 por cento). · O risco de morrer antes do quinto aniversário das crianças em categorias de risco elevado é 60 por cento mais elevado que o duma criança que não pertence a uma categoria de risco. As crianças cujas mães têm uma idade inferior a 18 anos registam um risco casi duas vezes superior ao das que não pertencem a uma categoria de risco elevado. Para as crianças nascidas com nascidas com um intervalo de nascimento inferior a 24 meses o risco es 70 por cento mais elevado. Mortalidade Infanto-Juvenil, Adulta e Materna | 125 · Em relação aos riscos múltiplos, constata-se que a maior razão de risco regista-se entre as crianças cujas mães têm uma idade inferior a 18 anos e o intervalo inter genésico é inferior a 24 meses: o risco de morrer duma criança nascida nesta situação é casi três vezes (2.7) superior ao de outra que não pertence a uma categoria de risco elevado, pero apenas el 1 por cento dos nascimentos pertencem a esta categoria. · De acordo com os resultados do inquérito, três quartos das mulheres entrevistadas (76 por cento) estão em risco de conceber um nascimento de elevado risco, nitidamente superior ao daquelas sem risco elevado (18 por cento). 8.9 MORTALIDADE MATERNA E ADULTA O IDS 2003 recolheu a informação sobre a sobrevivência dos irmãos nascidos da mesma mãe a partir de mulheres entrevistas. Esta informação permite estimar a mortalidade adulta, o que por sua vez poderá avaliar o impacto do HIV/SIDA em Moçambique. A informação sobre se as mortes das irmãs das respondentes estava relacionada com as causas maternas, permite fazer estimativas da mortalidade materna. Quadro 8.6 Grupos de alto risco reprodutivo Percentagem de crianças nascidas nos últimos cinco anos com risco elevado de mortalidade e percentagem de mulheres actualmente unidas em risco de conceber uma criança com risco elevado de mortalidade, segundo as categorias que aumentam o risco, considerando-se que tivessem concebido na época do inquérito, Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nascimentos nos últimos 5 anos anteriores à inquérito ––––––––––––––––––––– Percentagem Razão Percentagem de de de mulheres Categoria de risco elevado nascimentos risco unidas1 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Sem risco elevado 27.2 1.0 17.9a Risco não evitáveis Primeiro nascimento mães 18-34 anos 12.9 1.6 6.4 Categorias de risco evitáveis 60.0 1.4 75.7 Categorias simples de risco 40.7 1.3 34.1 Idade da mãe < 18 9.9 1.9 1.9 Idade da mãe > 34 0.5 0.9 4.9 Intervalo de nascimento < 24 4.7 1.7 9.0 Ordem de nascimento > 3 25.7 1.0 18.4 Categorias de riscos múltiplos 19.2 1.5 41.5 Idade <18 e intervalo de nascimento <242 1.0 2.7 0.7 Idade >34 e intervalo de nascimento <24 0.0 na 0.0 Idade >34 e ordem de nascimento (ON) >3 11.1 0.8 23.7 Idade >34, intervalo de nascimento <24 e ON >3 1.3 2.4 4.4 Intervalo de nascimento <24 e ON >3 5.8 2.2 12.7 Total 100.0 na 100.0 Número 10,620 na 8,736 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– na = Não se aplica Nota: O risco é a razão entre a proporção de crianças falecidas pertencentes a alguma categoria específica de risco elevado e a proporção daquelas que não pertencem a nenhuma categoria específica do risco elevado. 1As mulheres foram classificadas na categoria de risco elevado de acordo com a condição em que se encontrariam por ocasião do nascimento do filho, considerando-se que tivessem concebido na época do inquérito com idade menor que 17 anos e 3 meses e maior que 34 anos e 2 meses, o último nascimento vivo ocorreu durante os últimos 15 meses e último nascido vivo era de ordem 3 ou maior. 2Inclui as categorias combinadas idade < 18 e ordem de nascimento > 3 aInclui mulheres esterilizadas | Mortalidade Infanto-Juvenil, Adulta e Materna 126 Gráfico 8.3 Nascimentos nos Últimos Cinco Anos e Mulheres nas Categorias de Comportamento de Fecundidade de Alto Risco 42 18 9 5 2 34 6 18 19 26 5 1 9 41 13 27 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 CATEGORIAS DE RISCOS MÚLTIPLOS Ordem de nascimento (ON) >3 Intervalo de nascimento <24 Idade da mulher <18 Idade da mulher >34 CATEGORIAS SIMPLES DE RISCO RISCO NÃO EVITÁVEIS SEM RISCO ELEVADO Percentagem Nascimentos Mulheres unidas Gráfico 8.3 Nascimentos nos Últimos Cinco Anos e Mulheres nas Categorias de Comportamento de Fecundidade de Alto Risco 42 18 9 5 2 34 6 18 19 26 5 1 9 41 13 27 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 CATEGORIAS DE RISCOS MÚLTIPLOS Ordem de nascimento (ON) >3 Intervalo de nascimento <24 Idade da mulher <18 Idade da mulher >34 CATEGORIAS SIMPLES DE RISCO RISCO NÃO EVITÁVEIS SEM RISCO ELEVADO Percentagem Nascimentos Mulheres unidas Procedimentos de Recolha de Dados No IDS 2003, as mulheres foram perguntadas sobre a sobrevivência de todos os nascimentos das respectivas mães biológicas. Para obter estes dados, cada entrevistada foi pedido para que desse o número total de nascimentos vivos da sua progenitora (mãe). A pergunta estava direcionada de maneira que a entrevistada providenciasse a lista das crianças nascidas da sua mãe começando pelo primeiro filho. Para cada irmão (irmã) que constava na lista, perguntou-se o seu estado de sobrevivência à data desta pesquisa. Para os irmãos vivos foi recolhida a informação sobre a idade actual e para os falecidos, recolheu-se a informação sobre a idade na data da morte, e a idade que teria se estivesse vivo. Os inquiridores foram instruídos para que quando uma entrevistada não pudesse dar informação precisa a cerca de idade ou em anos atrás, que pudessem captar as respostas aproximadas. Para as irmãs que morreram na idade de 12 ou mais anos, foram feitas mais três perguntas adicionais para determinar se a morte estava relacionada com maternidade. Estas perguntas foram: “ O [NOME DE IRMÃ] quando morreu, ela estava grávida?” Se a resposta fosse negativa, então perguntava- se se “ela morreu durante o parto ou por complicações ou perda de gravidez?” E se a resposta fosse também negativa, por último pergunta-se “ela morreu dentro de dois meses depois do nascimento de uma criança ou terminação de gravidez?” Este procedimento, é ligeiramente diferente de como a OMS recolhe a informação e define uma morte materna, que é aquela que foi originada por uma causa obstétrico ocorrida durante a gravidez ou até 42 dias depois do parto. O propósito desta definição mais geral está baseada na noção de que os respondentes não poderão diferenciar a mortalidade por causas maternas e a referência de um período exacto de 42 dias. Mortalidade Infanto-Juvenil, Adulta e Materna | 127 O método para cálculo directo da mortalidade materna e adulta maximiza o uso destes dados para calcular a mortalidade adulta.7 O número de pessoa-anos expostos ao risco de mortalidade para todos os irmãos e o número de mortes de irmãs se agrega para períodos de calendários definidos. As taxas de mortalidade materna e adulta são obtidas para períodos de calendários dividindo as mortes maternas ou adultas, por pessoa-anos expostas ao risco de morrer (Rutenberg e Sullivan, 1991). Avaliação de Qualidade de Dados No lugar de excluir o número pequeno de irmãos e com dados perdidos para análise adicional, informações sobre a ordem de nascimentos de irmãos junto com outra informação, foi usada para procedimento de imputação de dados em falta.8 Os dados de sobrevivência de irmãos, inclusive casos com valores imputados, foram usados na estimação directa da mortalidade adulta. A cobertura da informação sobre os irmãos é representada no Quadro 8.7. Estimaçao Direta da Mortalidade Adulta O Quadro 8.8 apresenta as taxas específicas da mortalidade feminina e masculina (das pessoas com idade compreendida entre 15 a 49 anos) durante o período de dez anos anteriores ao IDS 2003. O centro do período de referência para as estimativas são os anos civis de 1998-1999. · Os resultados do quadro indicam que, como previsto, a taxa de mortalidade adulta acima do intervalo de idade largo 15-49 anos durante o período de dez anos anteriores ao IDS 2003, era um pouco mais alta entre homens que as mulheres (5.8 mortes por 1,000 contra 5.4 por 1,000, respectivamente). 7O método direto é uma das variantes principais do método de irmandade. O método de irmandade indirecto original requere a informação proveniente dos respondentes utilizando apenas quatro perguntas simples, sobre quanto das irmãs alcançaram maior idade, quantos morreram e se essas que morreram estavam grávidas ao redor do tempo de morte. No método directo, são pedidos para os entrevistados dar informação mais detalhada sobre as irmãs, inclusive os números que alcançam maioridade, o número que morreu, a idade na altura de morte, o ano no qual a morte aconteceu e os anos desde a morte. 8O procedimento de imputação está baseado na suposição de que o nascimento informado que ordena irmãos na história está correto. O primeiro passo é calcular datas de aniversário. Para cada irmão vivo com uma idade informada e cada irmão falecido com informação completa em ambas as idades a morte e anos desde morte, foi calculada a data de aniversário. Para um irmão que perde estes dados, uma data de aniversário foi imputada dentro da gama definida pelas datas de aniversário dos irmãos pondo entre parênteses. No caso de irmãos vivos, uma idade foi calculada então da data de aniversário imputada. No caso de irmãos falecidos, se ou a idade a morte ou anos desde que morte foi informada, que informação foi combinada com a data de aniversário para produzir a informação perdida. Se ambos os pedaços de informação estivessem perdendo, a distribuição das idades a morte para irmãos para quem o ano desde que morte era não relatada, mas envelhece a morte foi informado, era usado como uma base por imputar a idade a morte. Quadro 8.7 Cobertura da informação sobre os irmãos Número de irmãs e irmãos reportados por entrevistados do sexo feminino, e cobertura dos dados sobre a idade, idade ao morrer (IM) e anos desde a morte (ADM) de irmãs e irmãos, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Irmãs Irmãos Total ––––––––––––––––– –––––––––––––––––– –––––––––––––––––– Percen- Percen- Percen- Característica Número tagem Número tagem Número tagem ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Total irmãs/irmãos 31,094 100.0 31,684 100.0 62,778 100.0 Vivos 24,966 80.3 24,496 77.3 49,461 78.8 Falecidos 6,098 19.6 7,135 22.5 13,232 21.1 Sem informação 31 0.1 54 0.2 85. 0.1 Total vivos 24,966 100.0 24,496 100.0 49,461 100.0 Idade disponível 99.6 24,417 99.7 49,294 99.7 Idade não disponível 88 0.4 79 0.3 167 0.3 Total falecidos 6,098 100.0 7,135 100.0 13,232 100.0 IM e ADM disponível 5,648 92.6 6,631 92.9 12,279 92.8 IM não disponível 36 0.6 85 1.2 121 0.9 ADM não disponível 241 3.9 210 2.9 451 3.4 IM e ADM não disponível 173 2.8 208 2.9 382 2.9 | Mortalidade Infanto-Juvenil, Adulta e Materna 128 · Para ambos sexos, as taxas de mortalidade sobem rapidamente com idade. A elevação é mais íngreme para mulheres do que para homens nas idades mais jovens; porém, os níveis são mais altos para homens do que para as mulheres nas idades mais velhas. Ambos os padrões são consistentes com as diferenças de género nos padrões de idade esperados por causa da infecção de HIV (i.e., níveis de infecção são mais altos para mulheres que os homens nas idades mais jovens e mais altos para homens do que as mulheres nas idades mais avançadas). 8.9 ESTIMAÇÃO DA MORTALIDADE MATERNA Os dados coleccionados de casos reportados de irmãs sobreviventes foram usados para derivar as estimativas directas de mortalidade materna. As informações básicas para obtenção das estimativas são detalhados no Quadro 8.9: número de inquiridos, irmãs a que atingiram os 15 anos, irmãs que morreram com idade de 15 anos ou mais, número de mortes maternas, e percentagem de irmãs mortas por causas maternais, por idade actual do inquirido. Quadro 8.8 Taxa de mortalidade adulta Estimativas directas de taxas de mortalidade específicas para homens e mulheres dos 15 a 49 anos de idade para os dez anos anteriores ao inquérito, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Mulheres entrevistadas Estimativas para homens Estimativas para mulheres –––––––––––––––––––– ––––––––––––––––––––––––––––––– ––––––––––––––––––––––––––––––– Número Distri- Número Anos-pessoa Taxas de Número Anos-pessoa Taxas de de buição de expostos ao mortalidade de expostos ao mortalidade Idade mulheres percentual mortes risco de morrer (por 1,000) mortes risco de morrer (por 1,000) ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 15-19 2,454 19.8 230.3 77,453.8 2.97 131.4 39,421.0 3.33 20-24 2,456 19.8 289.6 81,536.1 3.55 156.4 41,225.2 3.80 25-29 2,224 17.9 346.5 71,473.5 4.85 180.8 35,906.5 5.04 30-34 1,792 14.4 354.0 55,506.9 6.36 164.0 27,998.8 5.86 35-39 1,411 11.4 280.0 37,867.0 7.40 111.8 19,179.3 5.83 40-44 1,126 9.1 214.5 21,677.4 9.90 98.2 10,972.4 8.95 45-49 954 7.7 111.5 11,032.5 10.11 55.2 5,616.1 9.83 Total 12,418 100.0 1,825.5 356,547.4 5.12 897.8 180,319.4 4.98 Taxa ajustada1 5.80 5.39 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 1Padronizada usando a distribuição da idade actual dos inquiridos Quadro 8.9 Dados básicos para a estimação da mortalidade materna Número de inquiridos, irmãs a que atingiram os 15 anos, irmãs que morreram com idade de 15 anos ou mais, mortes maternas, e percentagem de irmãs mortas por causas maternais, por idade actual do inquirido, Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Irmãs que Irmãs que Número de mortes maternas Percentagem Número atingiram morreram –––––––––––––––––––––––––––– de irmãs Idade atual de os com idade Sem mortas por do inquirido inquiridos 15 anos 15 anos ou mais Total informação1 Ajustada causas maternas –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 15-19 2,454 3,045 141 31.9 7.9 33.7 23.9 20-24 2,456 4,279 172 18.3 14.9 19.9 11.6 25-29 2,224 4,326 216 39.9 18.0 43.3 20.1 30-34 1,792 3,740 280 56.8 18.3 60.5 21.6 35-39 1,411 3,030 266 44.8 23.7 48.8 18.3 40-44 1,126 2,281 242 38.7 20.2 41.9 17.3 45-49 954 1,850 266 43.0 10.0 44.6 16.8 Total 12,418 22,551 1,583 273.5 113.0 293.0 18.5 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 1Não há nenhuma informação disponível sobre as datas destas mortes: durante a gravidez, parto ou até dois meses antes depois parto. Depois de uma análise detalhada dos dados, das 113 mortes com falta de informação, 20 foram classificadas como mortes maternais. Mortalidade Infanto-Juvenil, Adulta e Materna | 129 · O número total de mulheres entrevistadas (12,418) forneceu informação sobre 22,551 irmãs que alcançaram idade 15 anos. Destes, 1,583 irmãs morreram entre 15 e 50 anos de idade. · No total, foram reportadas 293 mortes por causas maternas, o que representa 19 por cento de todas as mortes entre irmãs respondentes. Como se pode ver no quadro, o número de mortes femininas que acontecem durante a gravidez, ou durante o parto, ou dentro de 42 dias depois do parto não é grande. Por esta razão, as estimativas de mortalidade materna estão tipicamente sujeitas a erros de amostragem maiores do que aquilo que são os dos dados de mortalidade adulta no geral. Deste modo, como um procedimentos padrão dos IDSs, são estimaidas taxas de mortalidade materna para um período de sete ou de dez anos anteriores ao inquérito. Estimativas de mortalidade materna durante um período de dez anos antes do inquérito são apresentadas no Quadro 8.10. O período de dez anos é centrado entre os anos 1998-1999. · As taxas específicas da mortalidade materna exibem um padrão plausível, embora não o padrão (mais alto no cume de mulheres na idade de reprodução de 20 e 30 anos do que nos grupos de idade mais jovem e mais velha). · Com base nos dados do IDS 2003, a taxa de mortalidade associada com a gravidez e parturientes é de 79 por 100,000. Esta estimativa está baseada em 144 mortes maternas reportadas para os dez anos anteriores ao inquérito. · A taxa de mortalidade materna de 79 por 100,000 mulheres pode ser convertida a uma razão de mortalidade materna e pode ser expressada por 100,000 nascimentos vivos, dividindo a taxa de mortalidade materna pela taxa de fecundidade geral de 193 nascimentos por 1,000 mulheres que prevaleceram durante o mesmo período de tempo. E deste modo, o risco obstetrício de gravidez e de serviço de parto é sublinhado. Usando o procedimento acima referido, a razão de mortalidade materna durante o período de dez-anos anteriore ao IDS 2003 foi estimada em 408 mortes maternas em cada 100,000 nascimentos vivos. · A estimativa da mortalidade materna deve ser interpretada com precaução devido a magnitude de erro de amostragem, que foi estimado em 10.1 por cento (veja -se Apéndice B). Isto implica erro padrão de 41 (quer dizer, 408*0.101) e um intervalo de confiança de 327-492 quando se utilizam 2 erros de desvio padrão. Resumindo, a razão da mortalidade materna foi estimada em 408 mortes maternas em cada cem mil nascimentos, mas este valor pode se situar entre 327 e 492 com 95 por cento de confiança. Quadro 8.10 Estimativa directa da mortalidade materna Estimativas de mortalidade materna durante o período de dez anos anteriores ao inquérito, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Mortes Anos- Taxa de Fecundidade Número maternas pessoa mortalidade durante o Distribuição total de durante os expostos ao materna período percentual mortes últimos risco de (por 100,000 (por 1,000 por idade das Idade maternas dez anos morrer mulheres) mulheres) inquiridas ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 15-19 33.7 20.2 39,421.0 51.2 185 19.8 20-24 19.9 31.1 41,225.2 75.5 265 19.8 25-29 43.3 28.6 35,906.5 79.6 246 17.9 30-34 60.5 29.5 27,998.8 105.3 205 14.4 35-39 48.8 21.2 19,179.3 110.5 155 11.4 40-44 41.9 13.2 10,972.4 120.6 95 9.1 45-49 44.6 0.6 5,616.1 11.0 47 7.7 Total 15-49 293.0 144.4 180,319.4 80.1 203 100.0 Taxa ajustada 78.8 193 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: A taxa de fecundidade para mulheres dos 15-49 anos (203) é a taxa geral de fecundidade que corresponde à uma taxa global de fecundidade de 6.0. Contudo, a taxa de mortalidade e de fecundidade para o grupo de 15-49 anos, é primeiro padronizada usando a distribuição actual de idades dos entrevistados. Esta distribuição de idades é aplicada às taxas de mortalidade e fecundidade para grupos de idade especificos para obter a “taxa padronizada”. | Mortalidade Infanto-Juvenil, Adulta e Materna 130 Saúde Materno-Infantil | 131 SAÚDE MATERNO-INFANTIL 9 Esta secção apresenta dados para três áreas de importância fundamental para a saúde da mulher e da criança: assistência pré-natal e ao parto, vacinação e doenças na infância, como diarreia, infecções respiratórias agudas. O IDS 2003 recolheu informações de todos os nascidos vivos desde Janeiro de 1998, isto é, um período de aproximadamente cinco anos antes do inquérito. Define-se como o acompanhamento pré-natal, o número de visitas pré-natais, o estágio da gravidez aquando da primeira visita e o número de doses da vacina antitetânica que a mulher recebeu. O atendimento ao parto, por sua vez, está definido segundo o tipo de profissional que assistiu ao nascimento e o local em que este ocorreu. Combinados com os resultados das taxas de mortalidade neo-natal e infantil, esses dados podem ser utilizados para identificar subgrupos de mulheres cujos filhos nascidos vivos estão em risco devido ao não uso de serviços de saúde, informação importante para a planificação da ampliação da cobertura de serviços de saúde. Os dados recolhidos sobre práticas de tratamento e contacto com os serviços de saúde, para crianças com diarreia e infecções respiratórias agudas (IRA) auxiliam na avaliação do impacto dos programas nacionais de combate a essas doenças. 9.1 ATENÇÃO PRÉ-NATAL O cuidado pré-natal é definido de acordo com o tipo de provedor dos serviços de saúde, o número de consultas durante a gravidez, o estágio da gravidez na altura da primeira consulta, e o conteúdo das consultas pré-natais. Isto inclui, a informação sobre os sinais de complicações de gravidez, onde ir, se receberam vacina contra tétano e o número de dozes recebidas. Um bebe é considerado protegido se a mãe tiver recebido duas doses de vacinação contra tétano durante a gravidez, sendo a segunda dose dada pelo menos duas semanas antes do parto. Porém, se uma mulher tiver tido uma vacinada numa gravidez anterior, poderá necessitar apenas uma dose na gravidez actual. Um dos principais objectivos da assistência médica pré-natal é monitorar a mulher durante o período de gestação, reduzindo os riscos de morbilidade e mortalidade materna e infantil. Contribui, ainda, para reduzir a incidência de prematuridade e de mortalidade perinatal. Segundo as normas do Ministério da Saúde, uma mulher é considerada assistida no programa pré-natal quando ela comparece a cinco consultas no decorrer da gravidez. Além do número de consultas pré-natais, a época em que a gestante inicia o acompanhamento da gravidez é também importante. As normas recomendam que a primeira consulta seja realizada no terceiro mês da gestação. O Quadro 9.1 mostra-nos a distribuição percentual dos nados vivos nos últimos cinco anos, por tipo de profissional que prestou o atendimento e segundo características sócio-demográficas maternas seleccionadas. Foram registados todos os profissionais que prestaram assistência a gravidez. Para efeitos de análise, no caso em que a gravidez tenha sido assistida por mais de profissional, foi considerado o de maior qualificação. · Oitenta e cinco por cento de mulheres grávidas recebem cuidados pré-natais de um profissional de saúde desde os primeiros dias de gravidez. O nível de cuidados pré-natais é ligeiramente mais alto para as mães jovens e as mulheres que deram parto pela primeira vez. · As mulheres urbanas têm maior probabilidade de receber cuidados pré-natais de um profissional de saúde do que as mulheres rurais, 97 por cento contra 79 por cento, respectivamente. Os cuidados pré-nataais são quase universais na Cidade de Maputo e nas Províncias de Maputo e Gaza, enquanto que na Província de Zambézia estão disponíveis para 58 por cento de mulheres. | Saúde Materno-Infanti 132 · Assistência pré-natal tende a ser menor entre as mulheres com nenhum nível de escolaridade (75 por cento) e é quase universal entre as mulheres que têm o nível secundário. Por grupos sociais, regista-se que assistência pré-natal é elevada entre as mulheres do quintil mais elevado (97 por cento) do que as do quintil mais baixo (67 por cento). Quadro 9.1 Assistência pré-natal Distribuição percentual dos nados vivos nos cinco anos anteriores ao inquérito, por o tipo de pessoa que prestou o atendimento pré-natal durante a gravidez do filho mais recente, segundo características seleccionadas, Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Parteira Sem ou pré-natal/ Número enfermeira Parteira não Não de Característica Médico do SMI tradicional lembra respondeu Total nascimentos –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade da mãe na época do nascimento <20 1.7 85.5 0.1 12.1 0.5 100.0 1,464 20-34 2.3 81.7 0.4 15.2 0.3 100.0 4,626 35-49 3.5 80.1 0.5 15.8 0.2 100.0 1,089 Ordem de nascimento 1 3.2 86.7 0.2 9.5 0.4 100.0 1,456 2-3 2.4 82.2 0.1 14.9 0.3 100.0 2,400 4-5 1.7 80.2 0.6 17.1 0.4 100.0 1,716 6+ 2.1 80.4 0.6 16.5 0.3 100.0 1,606 Residência Rural 0.6 78.3 0.5 20.2 0.4 100.0 4,940 Urbana 6.2 90.8 0.1 2.5 0.4 100.0 2,239 Província Niassa 0.3 81.0 1.3 17.0 0.4 100.0 326 Cabo Delgado 0.5 88.1 0.5 11.0 0.0 100.0 638 Nampula 1.7 84.4 0.2 12.9 0.8 100.0 1,458 Zambézia 1.0 56.9 0.7 40.9 0.5 100.0 1,118 Tete 1.1 84.8 0.5 13.3 0.3 100.0 694 Manica 0.3 89.8 0.4 9.2 0.3 100.0 535 Sofala 1.1 81.3 0.0 17.5 0.1 100.0 524 Inhambane 3.8 88.8 0.3 6.8 0.2 100.0 576 Gaza 0.0 97.2 0.2 2.5 0.0 100.0 381 Maputo 4.7 95.2 0.0 0.1 0.0 100.0 519 Maputo Cidade 16.3 83.2 0.0 0.2 0.3 100.0 409 Nível de escolaridade Nenhum 0.9 74.1 0.3 24.4 0.2 100.0 3,177 Primário 2.1 89.4 0.4 7.6 0.5 100.0 3,666 Secundário 15.9 82.7 0.5 0.7 0.2 100.0 325 Superior * * * * * * 11 Quintil de riqueza Mais baixo 0.4 66.7 0.6 32.1 0.3 100.0 1,832 Segundo 0.6 81.9 0.6 16.9 0.0 100.0 1,361 Médio 0.3 85.7 0.3 13.0 0.7 100.0 1,471 Quarto 2.8 94.1 0.2 2.7 0.2 100.0 1,232 Mais elevado 8.9 89.4 0.1 1.0 0.6 100.0 1,282 Total 2.3 82.2 0.4 14.7 0.4 100.0 7,179 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Se a mulher inquirida mencionou mais de um atendimento, só foi considerado o agente mais qualificado. A distribuição percentual baseada em menos de 25 casos não ponderados não é apresentada (*). Saúde Materno-Infantil | 133 Os cuidados pré-natais são mais efectivos quando são prestados no início da gravidez, e se continuarem até ao parto. Segundo as normas do Ministério da Saúde, uma mulher é considerada assistida no programa pré-natal quando ela comparecer a cinco consultas no decorrer da gravidez. Além do número de consultas pré-natais, a época em que a gestante inicia o acompanhamento da gravidez é também importante. As normas recomendam que a primeira consulta seja realizada no terceiro mês da gestação. As visitas regulares permitem uma monitorização apropriada da mãe e da criança durante a gravidez. A vantagem em começar os cuidados pré-natais dentro dos primeiros três meses de gravidez é de que se pode avaliar uma linha de base da saúde normal da mulher, o que vai permitir que se detecte com antecedência as anomalias duma forma mais fácil. No Quadro 9.2.1 pode-se observar a distribuição percentual dos nados vivos nos últimos cinco anos por número de consultas pré-natais atendidas e tempo de gestação na altura da primeira consulta, por área de residência. A informação sobre o número de visitas feitas pela mulher grávida e o estágio da gravidez na altura da primeira visita é resumida no Gráfico 9.1. O Quadro 9.2.2 apresenta os resultados por província. · Os resultados mostram que 71 por cento das mulheres das áreas urbanas, tiveram mais de 4 consultas pré-natis durante a gravidez do filho mais recente, contra apenas 45 por cento das mulheres das áreas rurais. · Quanto ao período da gestão na primeira consulta, os dados revelam que apenas 18 por cento das mulheres se apresentaram a primeira consulta quando a gravidez tinha menos de quatro meses. A maioria das mulheres se apresentou quando a gravidez tinha 4 a 7 meses (22 por ciento a los 6-7 meses). · Na Província de Zambézia 41 por cento de mulheres não tiveram nenhuma consulta pré-natal da gravidez do filho mais recente. Com excepção das Províncias de Zambézia e Nampula, as restantes províncias mais de 50 por cento de mulheres tiveram quatro ou mais consultas pré-natais durante a gravidez do filho mais recente, salientando-se as Províncias de Maputo e Maputo Cidade que tiveram acima de 75 por cento. · Quanto ao período da gestação em que as mulheres se apresentaram nas consultas pré-natais durante a gravidez do filho mais recente, a maioria de mulheres quase em todas as províncias se apresentou quando a gravidez tinha 4 a 5 meses. Quadro 9.2.1 Número de consultas pré-natais e período da gestação na primeira consulta, por residência Distribuição percentual dos nados vivos nos cinco anos antes do inquérito, por o número de consultas pré-natais para o nascimento mais recente e período da gestação em que ocorreu a primeira consulta, segundo residência, Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Consultas pré-natais/ Residência período da gestação –––––––––––––––––––––––––– na primeira consulta Rural Urbana Total –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Número consultas pré-natais Nenhuma 20.2 2.5 14.7 1 3.4 2.2 3.0 2-3 30.2 22.6 27.9 4+ 45.2 70.7 53.1 Não sabe/não respondeu 1.0 2.1 1.3 Total 100.0 100.0 100.0 Período da gestação na primeira consulta Sem pré-natal 20.2 2.5 14.7 Menos de 4 meses 15.7 22.5 17.8 4-5 meses 41.6 48.0 43.6 6-7 meses 20.3 24.3 21.6 8+ meses 1.3 2.1 1.6 Não sabe/não respondeu 0.9 0.6 0.8 Total 100.0 100.0 100.0 Mediana 5.2 5.0 5.1 Número de mulheres 4,940 2,239 7,179 | Saúde Materno-Infanti 134 Quadro 9.2.2 Número de consultas pré-natais e período da gestação na primeira consulta, por província Distribuição percentual dos nados vivos nos cinco anos anteriores ao inquérito, por o número de consultas pré-natais para o nascimento mais recente e período da gestação em que ocorreu a primeira consulta, segundo província, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Consultas pré-natais/ período da gestação Cabo Nam- Zam- Inham- Maputo na primeira consulta Niassa Delgado pula bézia Tete Manica Sofala bane Gaza Maputo Cidade Total ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Número consultas no pré-natal Nenhuma 17.0 11.0 12.9 40.9 13.3 9.2 17.5 6.8 2.5 0.1 0.2 14.7 1 2.1 5.3 4.2 2.0 3.2 1.6 3.5 4.4 1.6 0.7 1.5 3.0 2-3 21.4 27.4 34.5 27.1 32.3 25.4 21.7 31.3 28.3 19.9 20.5 27.9 4+ 57.8 54.6 47.4 28.8 51.1 62.5 55.7 56.4 65.7 77.2 75.2 53.1 Não sabe/não respondeu 1.7 1.8 0.9 1.2 0.1 1.3 1.6 1.1 1.8 2.2 2.7 1.3 Total 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 Período da gestação na primeira consulta Sem pré-natal 17.0 11.0 12.9 40.9 13.3 9.2 17.5 6.8 2.5 0.1 0.2 14.7 Menos de 4 meses 10.3 16.6 23.2 12.6 14.6 18.1 13.7 20.6 17.8 16.8 28.5 17.8 4-5 meses 45.4 47.3 40.3 33.4 43.2 46.2 41.2 48.1 52.6 52.8 50.3 43.6 6-7 meses 23.7 21.0 21.2 12.1 26.3 24.6 24.6 23.3 24.2 27.6 19.4 21.6 8+ meses 1.7 1.8 1.6 0.3 2.4 1.2 2.9 1.1 1.9 2.3 1.1 1.6 Não sabe/não respondeu 1.9 2.3 0.9 0.8 0.2 0.8 0.2 0.1 1.0 0.3 0.6 0.8 Total 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 100.0 Mediana 5.4 5.3 5.0 4.7 5.5 5.2 5.5 5.0 5.1 5.1 4.7 5.1 Número de mulheres 326 638 1,458 1,118 694 535 524 576 381 519 409 7,179 2 3 . 2 4 3 . 6 17 .8 1 4 . 7 5 3 . 1 0 1 0 2 0 3 0 4 0 5 0 6 0 P e r c e n t a g e m d e m u l h e r e s 6 + m e s e s 4 - 5 m e s e s < 4 m e s e s M E S E S D E G R A V I D E Z N A P R I M E I R A V I S I T A N ã o v i s i t a s Q u a t r o o m a i s N Ú M E R O D E V I S I T A S G r á f i c o 9 . 1 V i s i t a s d e C u i d a d o s P r é - n a t a i s e M e s e s d e G r a v i d e z n o P e r í o d o d a P r i m e i r a V i s i t a p o r M u l h e r e s c o m N a d o s V i v o s d u r a n t e o s C i n c o A n o s a n t e s d o I n q u é r i t o 2 3 . 2 4 3 . 6 17 .8 1 4 . 7 5 3 . 1 0 1 0 2 0 3 0 4 0 5 0 6 0 P e r c e n t a g e m d e m u l h e r e s 6 + m e s e s 4 - 5 m e s e s < 4 m e s e s M E S E S D E G R A V I D E Z N A P R I M E I R A V I S I T A N ã o v i s i t a s Q u a t r o o m a i s N Ú M E R O D E V I S I T A S G r á f i c o 9 . 1 V i s i t a s d e C u i d a d o s P r é - n a t a i s e M e s e s d e G r a v i d e z n o P e r í o d o d a P r i m e i r a V i s i t a p o r M u l h e r e s c o m N a d o s V i v o s d u r a n t e o s C i n c o A n o s a n t e s d o I n q u é r i t o Saúde Materno-Infantil | 135 Tipos de Cuidados Pré-natais Avaliação do tipo de cuidados pré-natais prestados é importante para monitorar o programa de saúde materno-infantil. Certos tipos de cuidados foram seleccionados e incluídos no questionário da IDS 2003 para analisar o nível de cuidados pré-natais requeridos. As complicações de gravidez são uma fonte importante da mortalidade materna e infantil e da invalidez. Consequentemente, tanto a informação sobre sinais de complicações e testes de complicações devem ser rotineiramente incluídos em todos os cuidados pré-natais. Além disso, em muitos países, o tétano nos recém-nascidos, malária e anemia materna são maiores causas de mortalidade de recém-nascidos. O objectivo do Quadro 9.3 é de mostrar a natureza dos cuidados pré-natais prestados às mulheres durante a gravidez. As inquiridas foram questionadas se tinham recebido cada tipo de serviço durante pelo menos uma das visitas de consulta pré-natal. A informação sobre suplementos de ferro e comprimidos anti-malária foi recolhida e reportada para o nascimento mais recente dos últimos cinco anos anteriores ao inquérito, independentemente de a mãe ter ou não consultado ou visto alguém para os cuidados pré-natais. · Do total de mulheres que foram aos cuidados pré-natais, 52 por cento foram informadas sobre as complicações de gravidez. As Províncias de Sofala (81 por cento), Niassa (71 por cento) e Manica (70 por cento) são as que apresenta maior parte de mulheres informadas sobre sinais de complicações de gravidez e as províncias com percentagens mais baixas são as de Nampula, Zambézia e Tete. No que diz respeito a medição do peso, as percentagens estão acima de 90 por cento, e quanto a medição da altura, as percentagens são muito baixas. · A percentagem de mulheres que entregaram amostra de urina é muito baixa, apenas 38 por cento a nível nacional. Exceptuando as mulheres das áreas urbanas (59 por cento), as mulhers do quintil mais elevado (65 por cento), as mulheres com o nível secundário (68 por cento) e Cidade de Maputo (70 por cento), as percentagens de mulheres que entregaram amostra de urina não ultrapassa a 50 por cento. Um pouco mais de metade de mulheres que ficaram gravidas do filho mais recente nos últimos 5 anos anteriores ao inquério entregaram amostra de sangue durante os cuidados pré-natais. Maputo Província e Maputo Cidade são as que apresenta maiores percentagens com 90 por cento; enquanto que as províncias de Cabo Delgado e Tete apresentam as percentagens mais baixas. · Entre todas as mulheres com um nado vivo nos últimos cinco anos anteriores ao IDS, 60 por cento receberam comprimidos ou xarope de ferro. A distribuição deste medicamento é diferencial por províncias, assim, as províncias de Maputo Cidade e Maputo Província, mais de 90 por cento de mulheres receberam comprimidos ou xarope de ferro e a Província de Zambézia é a que teve menor percentagem de mulheres que receberam esse medicamento, apenas 31 por cento. | Saúde Materno-Infanti 136 Imunização Anti-tetânica A estratégia actual do Programa Alargado de Vacinação, para a prevenção do Tétano Neonatal, importante causa de mortalidade neonatal em Moçambique, é a administração de Vacinação Anti- Tetânica (VAT) a todas as mulheres em idade fértil que visitarem uma unidade sanitária, para consulta pré-natal, tratamento ou por outro motivo de saúde. Devido à fraca utilização do Cartão de Saúde da Mulher, apenas é possível avaliar a Vacinação Anti-Tetânica (VAT) através da história das entrevistadas. Estas foram perguntadas se tinham recebido alguma injecção no braço, durante a gravidez dos nados vivos dos últimos cinco anos e, no caso de Quadro 9.3 Tipos dos cuidados pré-natais Percentagem de mulheres com nados vivos nos cinco anos antes do inquérito que receberam cuidados pré-natais específicos do filho mais recente, e a percentagem das mulheres com um nado vivo nos cinco anos antes do inquérito que receberam comprimidos de sal ferroso e ácido fólico, por características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Tipo dos cuidados para mulheres que receberam Entre todas as mulheres cuidados pré-natais (CPN) para o nascimento com um nado vivo mais recente nos últimos 5 anos nos últimos 5 anos1 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– –––––––––––––––––––––– Número Recebeu Mulheres Informadas Amostra de mulheres compri- com um de sinais de Pressão de Amostra que midos nado vivo complicações Peso Altura sanguínea urina de sangue receberam ou xarope nos últimos Característica na gravidez medido medida medida tirada tirada CPN de ferro 5 anos ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade da mãe na época do nascimento <20 48.7 95.8 50.9 75.8 38.7 54.3 1,278 62.4 1,464 20-34 52.8 96.1 47.5 71.6 36.6 49.8 3,905 59.7 4,626 35-49 52.2 95.4 44.6 73.9 40.7 47.2 915 59.5 1,089 Ordem de nascimento 1 49.6 94.7 53.3 76.0 39.5 56.7 1,311 66.1 1,456 2-3 52.1 97.4 47.7 73.1 38.2 52.4 2,035 59.9 2,400 4-5 52.9 96.2 46.9 70.3 37.6 48.1 1,417 57.8 1,716 6+ 52.5 94.6 43.2 71.9 35.1 43.4 1,336 57.9 1,606 Residência Rural 49.2 94.4 41.6 64.8 25.6 34.2 3,922 50.9 4,940 Urbana 56.5 98.7 58.9 87.3 59.4 79.6 2,176 80.9 2,239 Província Niassa 71.1 95.8 57.4 77.3 35.5 39.4 269 57.9 326 Cabo Delgado 64.9 96.0 70.6 76.8 20.1 29.9 568 67.1 638 Nampula 33.0 96.2 39.9 63.0 44.1 41.5 1,257 49.9 1,458 Zambézia 34.8 93.4 48.8 55.2 38.4 36.5 655 31.3 1,118 Tete 45.5 97.6 31.4 75.2 34.3 32.0 600 60.0 694 Manica 70.1 97.1 55.0 67.0 24.9 68.9 485 67.3 535 Sofala 80.8 98.1 55.9 83.9 40.8 67.7 432 68.9 524 Inhambane 44.3 88.2 36.7 62.8 29.7 39.9 536 60.0 576 Gaza 64.4 98.9 23.7 86.3 20.9 45.9 371 69.7 381 Maputo 53.8 98.6 47.2 91.6 49.5 90.3 518 93.7 519 Maputo Cidade 58.9 97.4 76.3 91.7 70.1 89.7 406 96.1 409 Nível de escolari dade Nenhum 48.3 94.8 41.3 65.0 28.7 36.7 2,395 46.8 3,177 Primário 54.0 96.4 50.6 76.3 41.0 56.3 3,370 69.1 3,666 Secundário 54.9 99.4 65.9 93.1 67.6 88.1 322 90.2 325 Superior * * * * * * 11 * 11 Quintil de riqueza Mais baixo 46.3 92.9 45.3 62.3 26.1 33.7 1,238 40.4 1,832 Segundo 48.5 95.3 40.9 61.3 23.5 32.4 1,132 52.0 1,361 Médio 50.4 95.8 42.5 68.6 29.5 36.0 1,271 56.6 1,471 Quarto 56.5 96.8 47.6 80.5 42.7 63.0 1,196 73.3 1,232 Mais elevado 57.3 98.7 61.9 90.4 65.2 85.3 1,262 88.8 1,282 Total 51.8 95.9 47.8 72.8 37.7 50.4 6,098 60.2 7,179 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: A distribuição percentual baseada em menos de 25 casos não ponderados não é apresentada (*). 1Inclui só no nascimento mais recente Saúde Materno-Infantil | 137 resposta afirmativa, perguntou-se o número de injecções recebidas. É considerado protegido o recém- nascido cuja mãe recebeu duas doses de VAT durante a gravidez. Também se considera protegido o recém-nascido cuja mãe recebeu uma dose de VAT na gravidez em causa e outra na gravidez anterior. Considera-se que atingiu uma protecção para toda a vida a mulher que tiver recebido cinco doses de VAT. O Quadro 9.4 mostra-nos a distribuição percentual dos nascidos vivos nos últimos cinco anos por número de doses de VAT recebidas pelas mães durante a gravidez, e segundo características seleccionadas. A percentagem de mulheres que receberam duas ou mais vacinas contra o tétano está resumida no Gráfico 9.2 por área de residência e província. O Gráfico apresenta também a percentagem de mulheres que receberam cuidados pré-natais dum profissional de saúde. Quadro 9.4 Vacinação antitetânica Distribuição percentual das mulheres com nados vivos nos cinco anos anteriores ao inquérito que receberam vacina antitetânica durante a gravidez do filho mais recente, por número de doses recebidas, segundo características seleccionadas, Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Número de doses de vacina antitetânica Pelo –––––––––––––––––––––––––––––––– Não sabe/ menos Número Uma 2 doses não uma de Característica Nenhuma1 dose ou mais respondeu Total vacina mulheres –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade da mãe na época do nascimento <20 16.6 15.3 65.1 3.0 100.0 80.4 1,464 20-34 21.7 19.5 56.0 2.8 100.0 75.5 4,626 35-49 27.8 18.7 51.5 2.0 100.0 70.2 1,089 Ordem de nascimento 1 14.6 16.3 66.1 3.0 100.0 82.4 1,456 2-3 19.9 18.8 58.4 2.9 100.0 77.2 2,400 4-5 24.7 19.6 53.3 2.5 100.0 72.9 1,716 6+ 26.9 19.0 51.4 2.6 100.0 70.4 1,606 Residência Rural 26.7 17.1 53.8 2.4 100.0 70.9 4,940 Urbana 10.2 21.8 64.6 3.4 100.0 86.4 2,239 Província Niassa 25.8 17.3 56.1 0.9 100.0 73.4 326 Cabo Delgado 13.9 20.5 59.3 6.3 100.0 79.8 638 Nampula 21.4 18.7 59.0 0.9 100.0 77.7 1,458 Zambézia 43.7 7.2 46.9 2.2 100.0 54.1 1,118 Tete 24.7 20.2 54.2 0.9 100.0 74.4 694 Manica 18.3 26.9 52.7 2.2 100.0 79.6 535 Sofala 23.2 19.9 54.5 2.5 100.0 74.4 524 Inhambane 9.3 19.0 67.8 3.8 100.0 86.8 576 Gaza 11.8 14.9 70.7 2.7 100.0 85.6 381 Maputo 9.3 27.3 57.8 5.6 100.0 85.1 519 Maputo Cidade 8.9 23.3 62.3 5.5 100.0 85.6 409 Nível de escolaridade Nenhum 31.1 17.4 49.3 2.2 100.0 66.7 3,177 Primário 14.5 19.1 63.3 3.1 100.0 82.4 3,666 Secundário 7.2 22.5 66.2 4.0 100.0 88.7 325 Superior * * * * * * 11 Quintil de riqueza Mais baixo 37.6 16.5 44.0 1.8 100.0 60.5 1,832 Segundo 25.0 16.1 57.1 1.8 100.0 73.2 1,361 Médio 18.3 18.8 60.4 2.5 100.0 79.2 1,471 Quarto 10.2 21.4 65.2 3.2 100.0 86.6 1,232 Mais elevado 9.6 20.9 64.7 4.8 100.0 85.6 1,282 Total 21.6 18.5 57.2 2.7 100.0 75.7 7,179 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: A distribuição percentual baseada em menos de 25 casos não ponderados não é apresentada (*). 1Na categoria nenhuma estão incluidos os nados vivos cujas mães não tiveram atendimento pré-natal e por isto não foram inquiridas sobre a vacinação antitetânica | Saúde Materno-Infanti 138 Gráfico 9.2 Vacinação Antitetânica (Uma o Mais Doses) e Assistência Prê-natal por Profissionais de Saúde, por Área de Residência e Província 100 100 97 93 82 90 86 58 86 89 91 97 79 85 90 90 88 91 76 82 75 55 78 85 76 89 73 78 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Maputo Cidade Maputo Gaza Inhambane Sofala Manica Tete Zambézia Nampula Cabo Delgado Niassa PROVÍNCIA Urbana Rural ÁREA DE RESIDÊNCIA TOTAL Percentagem de mães Vacinação Antitetânica Assistência Prê-natal Gráfico 9.2 Vacinação Antitetânica (Uma o Mais Doses) e Assistência Prê-natal por Profissionais de Saúde, por Área de Residência e Província 100 100 97 93 82 90 86 58 86 89 91 97 79 85 90 90 88 91 76 82 75 55 78 85 76 89 73 78 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Maputo Cidade Maputo Gaza Inhambane Sofala Manica Tete Zambézia Nampula Cabo Delgado Niassa PROVÍNCIA Urbana Rural ÁREA DE RESIDÊNCIA TOTAL Percentagem de mães Vacinação Antitetânica Assistência Prê-natal · Entre mulheres que tiveram parto nos cinco anos que precederam ao inquérito, 78 por cento receberam pelo menos uma vacina contra tétano para o parto mais recente e 57 por cento receberam pelo menos duas vacinas. A cobertura diminui rapidamente de acordo com a ordem crescente de nascimentos, com a idade da mãe na altura do parto e o nível de escolaridade. · São observados os níveis mais altos de pelo menos uma vacinação contra tétano em Inhambane, Cidade de Maputo, Província de Maputo, e Gaza, ao redor de 90 por cento; os níveis mais baixos são observados na Província da Zambézia com 55 por cento. 9.2 ASSISTÊNCIA AO PARTO Contrariamente a informação sobre cuidados pré-natais que se recolheu apenas para o ultimo nado vivo, para assistência ao parto se perguntou para todos nados vivos ocorridos nos últimos cinco anos anteriores ao inquérito. Perguntou-se sobre qual tinha sido o local onde se realizarou o parto e que tipo de profissional assistiu ao parto. Em relação aos cuidados pós-partos, os inquiridores foram instruídos para registar todas as respostas se o parto foi assistido por mais de uma pessoa. Porém, se o parto tenha sido assistido por mais de uma pessoa, para esta análise, se considerada apenas a pessoa altamente qualificada. Saúde Materno-Infantil | 139 O tipo de assistência que uma mulher recebe durante o nascimento da criança depende do lugar onde se dá o parto. Os partos que se dão em casa são menos prováveis de serem assistidos por pessoal médico, ao passo que, partos que acontecem numa instituição de saúde têm maior probabilidade de ser assistidos por pessoal médico treinado. A qualidade do atendimento ao parto é essencial para a diminuição da mortalidade materna e peri-natal. Deste modo, uma das estratégias prioritárias é a realização dos partos nas unidades sanitárias, priorizando os partos de Alto Risco Obstétrico e a realização de partos higiénicos em casa, através da capacitação das Parteiras Tradicionais existentes nas comunidades. O Quadro 9.5 mostram a distribuição percentual dos nados vivos nos últimos cinco anos, por local onde se realizou o parto e segundo características maternas seleccionadas, ao passo que o Quadro 9.6 apresenta a distribuição percentual dos partos por tipo de profissional que prestou assistência. Os níveis de partos com ajuda de assistentes tradicionais e profissionais de saúde estão resumidos no Gráfico 9.3. Quadro 9.5 Local do parto Distribuição percentual dos nados vivos nos cinco anos antes do inquérito, por o local do parto, segundo características seleccionadas, Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Partos institucionais ––––––––––––––––– Não sabe/ Número Sector Sector não de Característica privado público Domicílio Outro respondeu Total nascimentos –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade da mãe na época do nascimento <20 53.3 0.2 44.7 1.3 0.4 100.0 2,380 20-34 46.1 0.2 51.8 1.4 0.4 100.0 6,865 35-49 43.7 0.2 54.4 1.9 0.0 100.0 1,375 Ordem de nascimento 1 57.7 0.4 39.8 1.6 0.5 100.0 2,303 2-3 47.9 0.3 50.4 1.2 0.1 100.0 3,650 4-5 43.5 0.0 54.3 1.5 0.6 100.0 2,483 6+ 40.1 0.1 57.9 1.7 0.2 100.0 2,184 Residência Rural 33.8 0.1 64.3 1.5 0.3 100.0 7,533 Urbana 80.6 0.4 17.2 1.4 0.4 100.0 3,087 Província Niassa 45.9 0.1 52.6 1.3 0.2 100.0 527 Cabo Delgado 29.6 0.0 69.3 0.9 0.3 100.0 968 Nampula 36.8 0.0 61.6 1.4 0.3 100.0 2,250 Zambézia 32.6 0.1 63.9 2.4 0.9 100.0 1,622 Tete 47.4 0.0 51.1 1.3 0.2 100.0 1,096 Manica 55.7 0.3 41.8 1.7 0.5 100.0 820 Sofala 51.4 0.2 47.8 0.5 0.1 100.0 794 Inhambane 49.6 0.2 48.8 1.4 0.0 100.0 822 Gaza 62.6 0.6 35.2 1.6 0.0 100.0 539 Maputo 84.8 0.6 12.5 2.1 0.0 100.0 667 Maputo Cidade 88.2 1.9 8.4 0.6 0.8 100.0 516 Nível de escolaridade da mãe Nenhum 31.0 0.0 67.6 1.1 0.2 100.0 4,906 Primário 59.1 0.3 38.4 1.8 0.4 100.0 5,315 Secundário 94.6 0.9 3.7 0.7 0.2 100.0 387 Superior * * * * * * 13 Quintil de riqueza Mais baixo 24.9 0.1 73.2 1.5 0.3 100.0 2,822 Segundo 33.1 0.0 64.9 1.8 0.2 100.0 2,050 Médio 41.7 0.1 56.4 1.3 0.5 100.0 2,286 Quarto 67.9 0.3 30.3 1.3 0.3 100.0 1,775 Mais elevado 88.7 0.8 8.7 1.3 0.5 100.0 1,687 Número consultas no prénatal1 Nenhuma 5.0 0.0 92.9 2.1 0.0 100.0 1,055 1-3 consultas 44.9 0.1 53.6 1.4 0.0 100.0 2,215 4+ consultas 64.9 0.4 33.3 1.5 0.0 100.0 3,814 Não sabe/sem informação 61.0 1.5 26.6 3.7 7.1 100.0 95 Total 47.4 0.2 50.6 1.5 0.3 100.0 10,620 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: A distribuição percentual baseada em menos de 25 casos não ponderados não é apresentada (*). 1Inclui só no nascimento mais recente nos cinco anos antes do inquérito | Saúde Materno-Infanti 140 · Apenas 47 por cento dos nascimentos que tiveram lugar nos cinco anos que precederam o inquérito ocorreram em uma unidade sanitária (veja Quadro 9.5). Uma proporção similar de crianças nascidas durante esse período foi assistida por profissionais de saúde (veja Quadro 9.6). · Os diferenciais segundo características seleccionadas são maiores neste aspecto comparando com os cuidados pré-natais. Por exemplo, 95 por cento das mães com nível secundário foram assistidos por um profissional de saúde durante o parto, mas somente 31 por cento de mães sem educação tiveram essa assistência. No que se refere aos cuidados pré natais, as percentagens correspondentes às mulheres com nível secundário e sem nenhum nível são 98 e 75 por cento, respectivamente. · Os diferenciais por província são dramáticos: só em Maputo Cidade e Maputo Província, 85 por cento dos partos recebem devidos cuidados médicos. Nas restantes províncias, com a excepção da de Gaza, a proporção de crianças que tiveram cuidados médicos durante o parto é inferior a 60 por cento. Na Zambézia, a proporção é de 32 por cento e, em Cabo Delgado, de 31 por cento. Quadro 9.6 Assistência durante o parto Distribuição percentual dos nados vivos nos cinco anos antes do inquérito, por o tipo de assistência durante o parto, segundo características seleccionadas, Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Assistência ao parto –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Parteira ou Não sabe/ Número enfermeira Parteira Parentes/ não de Característica Médico do SMI tradicional Outros Ninguém respondeu Total nascimentos –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade da mãe na época do nascimento <20 2.8 50.5 10.8 34.8 0.7 0.5 100.0 2,380 20-34 3.0 43.6 11.2 39.2 2.6 0.5 100.0 6,865 35-49 3.5 40.4 10.0 39.4 6.7 0.0 100.0 1,375 Ordem de nascimento 1 4.3 53.6 9.1 31.8 0.6 0.6 100.0 2,303 2-3 3.2 45.1 12.4 37.3 1.8 0.1 100.0 3,650 4-5 2.2 41.7 11.5 40.5 3.3 0.8 100.0 2,483 6+ 2.2 38.1 9.8 43.9 5.7 0.3 100.0 2,184 Residência Rural 0.7 33.4 14.2 48.1 3.1 0.4 100.0 7,533 Urbana 8.5 72.2 3.1 14.1 1.7 0.4 100.0 3,087 Província Niassa 0.8 46.2 3.9 47.7 0.5 0.9 100.0 527 Cabo Delgado 0.8 30.7 16.0 47.3 4.8 0.4 100.0 968 Nampula 2.7 35.4 6.0 54.1 1.4 0.3 100.0 2,250 Zambézia 1.0 31.2 36.2 29.5 1.3 0.9 100.0 1,622 Tete 1.1 45.7 9.5 37.9 5.6 0.2 100.0 1,096 Manica 1.2 54.6 7.1 33.8 2.5 0.6 100.0 820 Sofala 1.1 49.9 1.4 43.7 3.7 0.2 100.0 794 Inhambane 2.8 46.2 7.2 41.2 2.7 0.0 100.0 822 Gaza 2.1 58.5 5.5 31.2 2.8 0.0 100.0 539 Maputo 9.9 75.3 0.3 10.7 3.7 0.0 100.0 667 Maputo Cidade 19.0 70.3 0.5 7.3 2.2 0.8 100.0 516 Nível de escolaridade da mãe Nenhum 1.0 30.4 14.4 50.1 3.7 0.3 100.0 4,906 Primário 3.5 55.7 8.5 29.9 1.9 0.5 100.0 5,315 Secundário 18.9 75.8 0.6 3.9 0.7 0.2 100.0 387 Superior * * * * * * * 13 Quintil de riqueza Mais baixo 0.2 24.6 17.5 54.6 2.8 0.4 100.0 2,822 Segundo 0.5 33.0 13.3 49.9 3.2 0.2 100.0 2,050 Médio 1.1 41.5 10.7 43.0 3.1 0.7 100.0 2,286 Quarto 3.2 65.3 7.5 20.9 2.8 0.3 100.0 1,775 Mais elevado 13.2 75.4 1.2 8.5 1.2 0.5 100.0 1,687 Total 3.0 44.7 11.0 38.2 2.7 0.4 100.0 10,620 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Se a entrevistada reportou mais de um profissional, levou-se em conta o mais qualificado. A distribuição percentual baseada em menos de 25 casos não ponderados não é apresentada (*). Saúde Materno-Infantil | 141 Gráfico 9.3 Assistência ao Parto por uma Parteira Tradicional e por um Profissional de Saúde, por Área de Residência e Província 8 9 8 5 6 1 4 9 51 56 4 7 3 2 3 8 3 1 4 7 8 1 3 4 4 8 1 0 6 7 1 7 10 3 6 6 16 4 3 14 11 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Maputo Cidade Maputo Gaza Inhambane Sofala Manica Tete Zambézia Nampula Cabo Delgado Niassa PROVÍNCIA Urbano Rural ÁREA DE RESIDÊNCIA TOTAL Percentagem de mães Parteira tradicional Profissional de saúde Gráfico 9.3 Assistência ao Parto por uma Parteira Tradicional e por um Profissional de Saúde, por Área de Residência e Província 8 9 8 5 6 1 4 9 51 56 4 7 3 2 3 8 3 1 4 7 8 1 3 4 4 8 1 0 6 7 1 7 10 3 6 6 16 4 3 14 11 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Maputo Cidade Maputo Gaza Inhambane Sofala Manica Tete Zambézia Nampula Cabo Delgado Niassa PROVÍNCIA Urbano Rural ÁREA DE RESIDÊNCIA TOTAL Percentagem de mães Parteira tradicional Profissional de saúde Características do Parto No inquérito, as entrevistadas que tiveram filhos nos últimos cinco anos antes do inquérito, foram perguntadas sobre o tipo de parto de cada criança (se foi parto normal ou cesariana), pois a proporção de cesarianas pode constituir uma medida indirecta da qualidade da assistência médica ao parto. Foi ainda solicitado às entrevistadas para fazerem uma estimativa do peso e tamanho do recém-nascido, e os inquiridores foram instruidos para que copiassem o peso ao nascer registado no Cartão de Saúde de criança, caso existisse. O Baixo Peso à Nascença é um indicador sensível do estado de nutrição materno e tem consequências importantes para a mortalidade infantil, uma vez que as crianças deste grupo possuem um risco de morbi-mortalidade mais elevado. O Quadro 9.7 mostra a percentagem de partos por cesariana e distribuição percentual por peso e tamanho à nascença, segundo características seleccionadas. · No País apenas 2 por cento de partos foram a cesariana tendo a área urbana tido mais de 5 por cento. Por províncias, destacam-se as províncias de Maputo Cidade com 10 por cento de partos a cesariana, seguida de Maputo Província com 6 por cento. Pode-se distinguir que os partos cesarianas se registam entre as mulheres do quintil mais elevado. · Quanto ao registo de peso de crianças ao nascer os dados mostram que 49 por cento das crianças não foram registadas o peso ano nascer. A percentagem de crianças sem registo do peso ao nascer vai aumentando com a idade da mãe, número de ordem do nascimento e vai diminuindo segundo, quando aumenta o nível de escolaridade e o quintil de riqueza. As Províncias de Cabo Delgado, Nampula e Zambézia, apresentam mais de 60 por cento de crianças sem reisto de peso a nascença. | Saúde Materno-Infanti 142 · O registo de peso é muito elevado na Província de Maputo (90 por cento) e quase universais em Maputo Cidade. 9.3 CUIDADOS PÓS-PARTO Os cuidados pós-parto são importantes tanto para a saúde da mãe assim como para a criança. Estes cuidados permitem tratar as complicações surgidas durante o parto bem como fornecer a informação à mãe sobre como cuidar-se e também como cuidar da criança. O período pós-parto é definido como o tempo entre a retirada da criança da placenta e 42 dias (6 semanas) depois do parto. O momento dos cuidados pós-partos é muito importante, fundamentalmente nos primeiros dois dias depois do parto porque, muitas mortes maternas e de recém nascidos ocorrem durante este período. Nos países onde os Quadro 9.7 Características do parto Entre os nascimentos nos cinco anos anteriores ao inquérito, percentagem de partos por cesariana e distribuição percentual por peso e tamanho à nascença, segundo a idade da mãe na época do nascimento, ordem de nascimento e outras características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Peso ao nascer Tamanho da criança ao nascer Percen- –––––––––––––––––––––––––––––––––––––– –––––––––––––––––––––––––––––––– tagem Não Não Mais Não Número de nasci- peso Menos 2.5 kg sabe/ pequeno Médio sabe/ de mentos por ao de ou sem in - Muito que a ou sem in - nasci- Característica cesariana nascer 2.5 kg mais formacão Total pequeno média maior formacão Total mentos ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade da mãe na época do nascimento <20 2.3 44.5 8.8 41.8 4.9 100.0 2.5 21.6 75.0 0.9 100.0 2,380 20-34 1.8 50.2 5.4 40.1 4.2 100.0 1.4 16.9 81.2 0.5 100.0 6,865 35-49 2.0 53.2 4.2 37.8 4.8 100.0 2.1 16.7 81.1 0.1 100.0 1,375 Ordem de nascimento 1 3.5 39.7 10.3 44.9 5.1 100.0 2.9 22.7 73.4 0.9 100.0 2,303 2-3 2.1 48.8 5.5 41.4 4.3 100.0 1.4 16.8 81.4 0.4 100.0 3,650 4-5 0.9 52.8 4.8 38.7 3.6 100.0 1.0 17.5 80.8 0.6 100.0 2,483 6+ 1.1 56.4 3.9 35.0 4.7 100.0 1.9 15.2 82.6 0.4 100.0 2,184 Residência Rural 0.5 63.9 3.9 27.6 4.6 100.0 1.6 18.9 79.0 0.6 100.0 7,533 Urbana 5.3 13.8 11.3 70.9 4.0 100.0 2.2 15.6 81.7 0.5 100.0 3,087 Província Niassa 0.7 54.7 2.9 26.8 15.6 100.0 1.8 11.4 85.1 1.7 100.0 527 Cabo Delgado 0.7 64.1 4.2 25.9 5.8 100.0 2.1 22.2 75.2 0.5 100.0 968 Nampula 2.3 60.0 6.0 31.0 3.0 100.0 1.8 23.0 74.9 0.3 100.0 2,250 Zambézia 0.5 63.0 3.4 29.7 3.9 100.0 1.5 15.6 81.7 1.3 100.0 1,622 Tete 0.5 52.1 6.2 38.2 3.5 100.0 1.4 16.3 81.9 0.4 100.0 1,096 Manica 0.8 42.6 7.3 46.1 4.1 100.0 1.1 15.3 83.2 0.5 100.0 820 Sofala 1.2 46.0 6.1 41.0 7.0 100.0 1.2 12.2 86.4 0.3 100.0 794 Inhambane 1.0 51.4 4.7 41.6 2.3 100.0 1.4 20.7 77.8 0.1 100.0 822 Gaza 1.9 36.2 5.9 52.4 5.5 100.0 3.2 16.9 79.9 0.0 100.0 539 Maputo 6.3 7.7 12.7 77.8 1.8 100.0 1.6 14.8 83.6 0.0 100.0 667 Maputo Cidade 9.8 1.2 12.4 84.4 2.0 100.0 3.9 18.7 76.2 1.2 100.0 516 Nível de escolaridade da mãe Nenhum 0.9 66.3 3.7 24.5 5.5 100.0 1.5 19.4 78.6 0.5 100.0 4,906 Primário 2.2 37.3 7.7 51.4 3.6 100.0 2.0 16.5 80.8 0.6 100.0 5,315 Secundário 9.7 1.8 13.5 83.2 1.6 100.0 1.8 18.7 79.1 0.4 100.0 387 Superior * * * * * * * * * * * 13 Quintil de riqueza Mais baixo 0.3 73.8 2.4 20.0 3.9 100.0 1.3 19.4 78.8 0.5 100.0 2,822 Segundo 0.2 63.6 4.2 26.7 5.5 100.0 1.5 19.6 78.5 0.4 100.0 2,050 Médio 0.6 55.6 5.6 33.6 5.1 100.0 2.0 16.6 80.5 0.9 100.0 2,286 Quarto 2.3 27.8 8.8 59.3 4.1 100.0 1.7 17.3 80.6 0.4 100.0 1,775 Mais elevado 8.1 5.3 12.1 79.4 3.2 100.0 2.4 15.8 81.1 0.7 100.0 1,687 Total 1.9 49.4 6.0 40.2 4.4 100.0 1.8 17.9 79.8 0.6 100.0 10,620 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: A distribuição percentual baseada em menos de 25 casos não ponderados não é apresentada (*). Saúde Materno-Infantil | 143 cuidados pós-parto são geralmente baixos e onde uma percentagem muito baixa de mães recebem cuidados dentro dos primeiros dois dias de nascimento, é importante ver se as mães receberam os cuidados pré-natais dentro de uma semana depois do parto. Um período arbitrário de uma semana pode ser importante para gerir o programa porque o acesso aos cuidados de saúde em muitos países é pobre. Além disso, onde muitos partos não são institucionais, pode não ser realistico esperar que as mães adiram aos cuidados pós-parto dentro dos primeiros dois dias de nascimento. O Quadro 9.8, apresenta o momento do primeiro controle das mulheres que tiveram filhos nos cinco anos anteriores ao inquérito para o nascimento mais recente não institucional, por características seleccionadas. · Os dados ilustram que 60 por cento de mulheres do País que tiveram parto não institucional, não tiveram nenhum cuidado pós-parto. As diferenças entre as províncias são muito grandes, exceptuando a Província de Maputo (72 por cento) e Maputo Cidade (75 por cento), as restantes províncias, a maioria de mulheres com partos não instituicionais não teve nenhum controle pós- parto até dois dias depois do parto. Quadro 9.8 Cuidado pós-parto Distribuição percentual de mulheres que tiveram nados vivos nos partos não institucionais nos cinco anos antes do inquérito, por momento de recepção de cuidados pós-parto para o mais recente nascimento não institucional, segundo características seleccionadas, Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Momento do primeiro control pós-parto –––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Até Não Não 2 dias 3-6 dias 7-41 dias sabe/ teve Número depois após o após o sem control de Característica parto parto parto informação pós-parto1 Total mulheres –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade da mãe na época do nascimento <20 12.1 9.7 18.5 2.0 57.7 100.0 629 20-34 11.8 8.1 18.6 1.1 60.4 100.0 2,350 35-49 13.1 8.4 15.7 1.4 61.4 100.0 601 Ordem de nascimento 1 13.0 8.6 18.3 2.5 57.6 100.0 543 2-3 13.8 8.7 18.5 0.8 58.1 100.0 1,174 4-5 9.7 7.3 16.8 1.5 64.6 100.0 918 6+ 11.5 9.0 18.7 1.2 59.6 100.0 945 Residência Rural 10.0 8.0 18.4 1.4 62.2 100.0 3,177 Urbana 28.2 11.6 15.6 0.7 43.9 100.0 402 Província Niassa 5.5 5.5 13.7 1.0 74.2 100.0 167 Cabo Delgado 10.8 12.3 19.8 2.1 55.0 100.0 440 Nampula 8.2 9.6 19.2 0.6 62.4 100.0 897 Zambézia 4.5 5.9 18.1 2.7 68.7 100.0 738 Tete 11.3 6.1 15.2 0.9 66.5 100.0 359 Manica 23.9 9.9 16.6 0.3 49.4 100.0 215 Sofala 8.2 2.4 15.4 2.0 71.8 100.0 226 Inhambane 9.8 7.0 20.2 0.7 62.4 100.0 290 Gaza 34.0 27.1 29.0 0.2 9.6 100.0 132 Maputo 71.6 4.4 12.0 0.0 12.1 100.0 71 Maputo Cidade 74.5 0.0 4.0 0.0 21.4 100.0 44 Nível de escolaridade Nenhum 9.2 7.2 17.5 1.1 65.0 100.0 2,156 Primário 15.8 10.3 19.0 1.8 53.1 100.0 1,408 Secundario * * * * * * 15 Superior * * * * * * 1 Quintil de riqueza Mais baixo 7.7 6.2 16.0 1.6 68.5 100.0 1,371 Segundo 10.1 7.4 19.5 1.6 61.4 100.0 896 Médio 10.6 9.6 19.0 0.9 59.9 100.0 819 Quarto 23.1 18.0 19.4 0.9 38.7 100.0 365 Mais elevado 49.8 4.9 22.3 0.0 23.1 100.0 129 Total 12.1 8.4 18.1 1.3 60.1 100.0 3,580 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: A distribuição percentual baseada em menos de 25 casos não ponderados não é apresentada (*). 1Inclui mulheres com control pós-parto 42 dias o mais após o parto | Saúde Materno-Infanti 144 9.4 CUIDADOS DE SAÚDE REPRODUTIVA POR ESTATUTO DA MULHER O Quadro 9.9 analisa o uso de serviços pré-natais, pós-parto, e a percentagem de partos assistidos por profissionais de saúde, segundo o nível de emancipação da mulher, medido através de três indicadores definidos no Capítulo 3. Em sociedades onde os cuidados de saúde têm uma ampla cobertura, a condição da mulher podem não afectar o seu acesso aos serviços de saúde reprodutiva. No entanto, em todas as sociedades,o nível de emancipação da mulher pode estar associado com o aumento da sua capacidade de procurar e utilizar os serviços de saúde. O primeiro indicador do poder da mulher apresentado no Quadro 9.9 é positivamente relacionado com assistência das mulheres aos cuidados pré-natais e pós-parto e a ocorrência de partos assistidos por profissionais de saúde. Isto reflecte o grau de controle na tomada de decisões por parte das mulheres que o que mostra que são capazes de tomar decisões em áreas que afectam as suas próprias vidas em ambientes familiares. O segundo indicador que reflecte a percepção do papel sexual e direitos da mulher sobre os seus corpos, tem uma relação positiva com os cuidados pré-natais, pós-parto e a ocorrência de partos assistidos por proffissionais de saúde. Quadro 9.9 Cuidados de saúde reprodutiva por estatuto da mulher Percentagem de mulheres com nados vivos nos cinco anos antes do inquérito que receberam cuidados pré- natais e pós-partos de um profissional de saúde para o mais recente nascimento, e percentagem de nascimentos nos cinco anos antes do inquérito onde as mães receberam cuidados de parto de pessoal profissional, por indicador do estatuto da mulher, segundo indicadores de estatuto da mulher, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Para o mais recente nascimento Total de nascimentos nos últimos cinco anos nos últimos cinco anos –––––––––––––––––––––––––––––––––––– –––––––––––––––––––––––– Percentagem de Percentagem mulheres com que recebeu Percentagem cuidados pré- cuidados pós-parto de nascimentos natais de um dentro dos Número assistidos por Número profissional primeiros 2 dias de um profissional de Indicador de estatuto da mulher de saúde1 após o parto 2 mulheres de saúde2 nascimentos ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Número de decisões nas quais a mulher tem a última palavra3 0 83.2 58.0 717 47.3 984 1-2 85.8 55.0 2,056 45.2 3,115 3-4 86.2 56.3 2,204 48.6 3,342 5 82.3 56.5 2,201 49.3 3,180 Número de razões para a recusa do sexo com o marido 4 0 86.1 43.6 556 36.9 836 1-2 83.6 54.1 2,025 44.5 3,073 3-4 84.8 58.6 4,598 50.5 6,710 Número de razões que justificam que o marido bata na mulher5 0 84.8 58.5 3,183 50.6 4,680 1-2 87.5 56.8 1,568 47.5 2,295 3-4 86.1 54.7 1,407 45.4 2,106 5 77.3 50.0 1,020 42.5 1,538 Total 84.6 56.1 7,179 47.7 10,620 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 1Médico, enfermeira o parteira/octor, parteira tradicional 2Inclui partos institucionais 3A entrevistada ou junto com alguém mais. Os Quadro 3.10 mostra dos diferentes tipos de decisões 4O Quadro 3.12.1 mostra dos diferentes tipos de decisões 5O Quadro 3.13 mostra dos diferentes tipos de razões Saúde Materno-Infantil | 145 O último indicador que indica a percepção da mulher sobre os papéis do género, relaciona-se negativamente com os cuidados pré-natais, pós-parto e a ocorrência de partos assistidos por proffissionais de saúde. O maior número de razoes que a mulher entender como justificação a agressão física do do marido, menor é a frequência da mulher aos cuidados de saúde materno-infantil. · Segundo os resultados, o número de razões nas quais a mulher tem a última palavra parece não ter efeito sobre os níveis de atenção pré-natal ou pós parto. · Contrariamente ao esperado, os niveles de atenção pré-natal diminuem ligeiramente a medida que a mulher considera um maior número de razões para negar de ter relações sexuais com o marido. No entanto, a atenção pós parto e por profissional de saúde é maior entre as mulheres que mencionaram mais razões de negar de ter relações sexuais. · Os cuidados pós-parto e assistência de partos por profisionais de saúde, aumenta de 44 por cento e 37 por cento quando a mulher não tem razão para negar ter relações sexuais, para 59 por cento e 51 por cento, respectivamente, quando a mulher tiver 3 a 4 razões de negar ter as relações sexuais com o marido. 9.5 IMUNIZAÇÃO INFANTIL No inquérito, foi avaliada a vacinação de todas as crianças que nasceram nos últimos cinco anos anteriores ao inquérito e se encontravam vivas na altura da entrevista. A informação foi recolhida de duas maneiras: pediu-se o Cartão de Saúde de todas as crianças e, no caso em que este existia, foram copiadas todas as datas de vacinação nele registadas. Em seguida, perguntou-se as inquiridas sobre vacinações que a criança tivesse recebido e que não estivessem registadas no Cartão, estas também foram anotadas. No caso em que não tivsse sido apresentado o Cartão de Saúde, se fez as perguntas às mães para obter a vacinação efectuada por história, que incluía o BCG, DTP e AP, com o número de doses, e Sarampo. Vacinação à Data do Inquérito O Quadro 9.10 apresenta a percentagem de crianças de 12 a 23 meses que receberam vacinas até a data do inquérito de acordo com a informação do cartão de vacinação ou informação da mãe. O Quadro 9.11 mostra a percentagem de crianças que estavam vacinadas na altura do inquérito, de acordo com o cartão de vacinação ou o relato da mãe, por características seleccionadas. Esta informação dá uma ideia do grau de alcance do programa de vacinação nos diversos grupos da população. A comparação da cobertura de imunização entre os anos 1997 e 2003 para vacinas específicas é descrita no Gráfico 9.4. A cobertura de imunização para todas as vacinas é descrita no Gráfico 9.5, por área de residência, província e nível de educação da mãe. · Como era de esperar, a taxa de cobertura de crianças entre 12-23 meses de idade à data do inquérito a é muito mais alta do que a cobertura durante o primeiro ano de vida. Sessenta e três por cento de crianças receberam todas as vacinas. A percentagem de crianças que receberam todas as vacinas está acima de 90 por cento nas Províncias de Inhambane, Maputo Província e Maputo Cidade, e está a baixo de 50 por cento nas Províncias do Niassa e Zambézia. O nível de cobertura para BCG no País é 87 por cento, sendo muito mais alta nas províncias da região Sul do País, onde quase todas as crianças receberam esta vacina. · As primeiras doses de DPT e de Pólio é de cerca de 87 por cento e também são mais elevadas nas províncias do sul do País. A taxa de desistência entre a primeira e terceira doses de vacinas é actualmente mais baixa comparativamente à de 1997, dado que quase 70 por cento de crianças com um ano de idade receberam a terceira dose dessas vacinas. | Saúde Materno-Infanti 146 Quadro 9.10 Vacinação por fonte de informação Percentagem de crianças entre 12 e 23 meses de idade que receberam vacinas específicas, segundo informação fornecida pelo cartão de vacinação ou pela mãe, Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Percentagem de crianças que receberam: –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Tríplice Pólio1 Número ––––––––––––––––– ––––––––––––––––––––––– Saram- Ne- de Fonte de informação BCG 1 2 3 0 1 2 3 po Todas2 nhuma crianças –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Cartão de vacinação 74.8 76.1 72.0 65.7 65.3 75.8 71.6 65.6 65.7 60.0 0.2 1,507 Informação da mãe 12.6 11.5 9.2 5.9 4.3 11.3 7.4 4.0 11.0 3.2 8.5 425 Ambas fontes de informação 87.4 87.6 81.2 71.6 69.6 87.1 79.1 69.6 76.7 63.3 8.7 1,933 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 1Pólio 0 e pólio à nascença 2Crianças com vacinas completas (BCG, sarampo e três doses de tríplice e pólio) Gráfico 9.4 Cobertura Vacinal em Qualquer Momento de Crianças entre 12-23 Meses de Idade, 1997 e 2003 58 55 63 76 61 60 67 76 78 47 77 70 79 87 70 72 81 88 87 63 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Sarampo Polio 3 Polio 2 Polio 1 Polio 0 DPT3 DPT2 DPT1 BCG Todas Percentagem de crianças com vacinas específicas IDS 2003 IDS 1997 Gráfico 9.4 Cobertura Vacinal em Qualquer Momento de Crianças entre 12-23 Meses de Idade, 1997 e 2003 58 55 63 76 61 60 67 76 78 47 77 70 79 87 70 72 81 88 87 63 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Sarampo Polio 3 Polio 2 Polio 1 Polio 0 DPT3 DPT2 DPT1 BCG Todas Percentagem de crianças com vacinas específicas IDS 2003 IDS 1997 Saúde Materno-Infantil | 147 Quadro 9.11 Vacinação por características seleccionadas Percentagem de crianças entre 12 e 23 meses de idade que receberam vacinas específicas com informação fornecida pelo cartão de vacinação ou pela mãe, por características seleccionadas, Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Percentagem de crianças que receberam: Percentagem –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– com Tríplice Pólio 1 cartão Número –––––––––––––––––– –––––––––––––––––––––––– Ne- de vaci- de Característica BCG 1 2 3 0 1 2 3 Sarampo Todas2 nhuma nação crianças –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Residência Rural 83.6 83.8 76.2 65.3 60.6 83.8 73.8 63.1 70.8 56.0 11.5 74.5 1,358 Urbana 96.5 96.6 92.9 86.6 90.7 95.1 91.4 84.8 90.8 80.5 2.2 86.2 575 Província Niassa 81.4 82.2 68.0 54.6 65.2 82.3 65.6 52.2 51.9 46.6 16.9 69.5 78 Cabo Delgado 85.3 89.2 78.7 68.9 55.4 88.8 74.9 66.4 80.2 57.9 6.8 85.5 169 Nampula 83.5 81.9 75.0 61.8 68.5 83.5 76.4 62.4 69.1 53.9 10.3 81.4 411 Zambézia 71.9 73.4 65.0 53.0 49.8 75.5 65.4 50.0 63.3 44.7 20.4 51.6 277 Tete 88.3 84.4 76.2 63.6 48.6 81.5 67.8 59.9 72.0 55.0 9.9 72.4 202 Manica 93.1 94.5 85.3 73.6 81.6 89.2 79.0 68.5 81.5 61.6 4.8 79.2 157 Sofala 86.2 88.1 85.5 77.1 74.4 84.4 78.9 73.8 74.7 63.9 10.6 78.1 138 Inhambane 99.1 99.1 96.8 93.6 83.0 99.1 97.1 93.3 92.9 90.6 0.9 93.3 147 Gaza 97.1 98.2 96.3 90.4 88.7 97.7 94.2 88.0 91.7 82.3 1.4 90.5 122 Maputo 100.0 100.0 99.6 98.0 98.4 100.0 98.9 97.0 95.2 92.5 0.0 90.7 127 Maputo Cidade 99.7 99.7 97.3 97.0 91.7 99.7 97.1 94.2 96.9 91.3 0.3 85.7 106 Nível de escolaridade Nenhum 80.0 80.8 71.9 59.0 56.8 79.6 68.8 56.9 65.6 48.6 14.2 70.4 875 Primário 93.0 92.6 88.0 80.7 78.6 92.9 86.6 78.6 84.9 73.6 4.5 83.2 977 Secundário 00.0 100.0 100.0 98.6 98.4 99.1 98.5 97.6 99.1 97.6 0.0 96.2 77 Quintil de riqueza Mais baixo 74.6 73.9 65.3 52.4 52.0 75.4 64.2 51.4 60.8 45.2 19.9 63.5 509 Segundo 85.9 86.2 77.2 63.8 64.1 84.8 73.9 60.6 67.5 53.6 7.9 80.4 362 Médio 88.4 89.1 82.4 72.1 63.5 87.9 78.4 69.5 77.9 60.9 7.4 78.3 416 Quarto 95.7 97.3 92.0 86.2 84.9 96.2 91.0 84.5 91.2 78.7 2.3 86.0 329 Mais elevado 99.8 99.0 98.4 95.6 96.1 98.2 97.3 93.7 96.4 90.3 0.2 89.8 317 Sexo da criança Masculino 87.9 87.9 81.5 72.6 70.6 86.7 79.0 69.8 77.4 63.8 8.3 78.8 999 Feminino 86.9 87.2 80.8 70.5 68.5 87.6 79.2 69.4 76.0 62.7 9.1 77.1 934 Ordem de nascimento 1 93.5 89.8 85.2 81.2 78.5 89.2 81.9 77.7 85.6 73.3 4.2 79.1 375 2-3 86.6 87.8 81.8 74.5 68.6 86.8 80.7 72.3 78.1 66.6 10.2 76.3 649 4-5 85.5 87.9 78.3 65.1 65.6 87.1 75.5 63.7 72.5 56.3 8.1 77.8 486 6+ 85.4 84.8 79.9 66.2 67.7 85.9 78.1 64.9 71.6 57.1 11.1 79.8 422 Total 87.4 87.6 81.2 71.6 69.6 87.1 79.1 69.6 76.7 63.3 8.7 78.0 1,933 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 1Pólio 0 e pólio à nascença 2Crianças com vacinas completas (BCG, sarampo e três doses de tríplice e pólio) | Saúde Materno-Infanti 148 Gráfico 9.5 Crianças entre 12-23 Meses com Todas as Vacinas Completas em Qualquer Momento antes do Inquérito, por Área de Residência, Província e Nível de Escolaridade da Mãe 98 74 49 91 93 82 91 64 62 55 45 54 58 47 81 56 63 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Secundário Primário Nenhum NÍVEL DE ESCOLARIDADE Maputo Cidade Maputo Gaza Inhambane Sofala Manica Tete Zambézia Nampula Cabo Delgado Niassa PROVÍNCIA Urbana Rural ÁREA DE RESIDÊNCIA TOTAL Percentagem de nascimentos nos cincos anteriores ao IDS Gráfico 9.5 Crianças entre 12-23 Meses com Todas as Vacinas Completas em Qualquer Momento antes do Inquérito, por Área de Residência, Província e Nível de Escolaridade da Mãe 98 74 49 91 93 82 91 64 62 55 45 54 58 47 81 56 63 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Secundário Primário Nenhum NÍVEL DE ESCOLARIDADE Maputo Cidade Maputo Gaza Inhambane Sofala Manica Tete Zambézia Nampula Cabo Delgado Niassa PROVÍNCIA Urbana Rural ÁREA DE RESIDÊNCIA TOTAL Percentagem de nascimentos nos cincos anteriores ao IDS Vacinação Durante os Primeiros 12 Meses de Idade O calendário de vacinação em Moçambique segue as normas recomendadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Segundo a OMS, ao completar 12 meses, as crianças devem ter recebido à nascença, uma dose de AP, contra a poliomielite, e uma dose de BCG, contra a tuberculose; três doses de AP e de DTP, respectivamente, contra a poliomielite e contra a difteria, o tétano e tosse convulsa (Pertussis) na 6, 10 e 14 semanas; e uma dose de Sarampo, contra a doença do mesmo nome, aos 9 meses de idade. O Quadro 9.12.1 apresenta a percentagem de crianças de 12 a 23 meses que receberam vacinas durante os primeiros 12 meses de idade, de acordo com a informação do cartão de vacinação ou informação da mãe segundo área de residência e sexo da criança. O numerador para as taxas de imunização é a soma das crianças vacinadas durante os primeiros 12 meses de vida (0-11 meses) como indicado no cartão de saúde, mais uma estimativa da proporção de crianças vacinadas aos 12 meses de idade de acordo com a declaração da mãe. Esta estimativa é obtida da seguinte maneira: quando a informação é baseada na declaração da mãe, a proporção de vacinação dada durante o primeiro ano de vida é assumida como sendo igual à de crianças com datas de vacinação registadas no cartão. O denominador para todas as linhas no Quadro 9.12.1 é constituído por todas as crianças no grupo etário de 12-23meses. Saúde Materno-Infantil | 149 Por sua vez, o Quadro 9.12.2 apresenta-se a percentagem de crianças entre um e quatro anos de idade vacinadas ao completar 12 meses de idade, segundo informação obtida do Cartão de Saúde ou por história materna. O quadro tenciona ilustrar mudanças no programa de vacinação ao longo do tempo comparando as taxas de vacinação para crianças em diferentes grupos de idades. · A nível nacional, somente 53 por cento de crianças entre 12 e 23 meses de idade são imunizados completamente durante o primeiro ano de vida. A cobertura alcança 75 por cento de crianças em áreas urbanas mas é de apenas 44 por cento nas áreas rurais. · O nível de cobertura de BCG é de 86 por cento e a das primeiras doses de DPT e Pólio é de 85 por cento mas a proporção de crianças que recebem a terceira dose de DPT e Pólio baixa para aproximadamente 66 por cento. Somente duas em cada três crianças (63 por cento) receberam a vacina contra o sarampo e uma entre dez (11 por cento) não recebeu nenhuma vacina durante o primeiro ano de vida. Quadro 9.12.2 Vacinação no primeiro ano de vida por idade actual da criança Percentagem de crianças entre um e quatro anos de idade com cartão de vacinação e percentagem de crianças que receberam vacinas específicas durante o primeiro ano de vida, por idade actual da criança, Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Percentagem de crianças que receberam: Percentagem –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– com Tríplice Pólio 1 cartão Número Idade actual –––––––––––––––––– –––––––––––––––––––––––– Ne- de vaci- de em meses BCG 1 2 3 0 1 2 3 Sarampo Todas2 nhuma nação crianças –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 12-23 86.0 85.2 77.6 66.6 69.0 84.6 75.5 64.6 63.0 53.2 10.8 78.0 1,933 24-35 80.0 77.1 68.8 56.7 57.9 75.5 65.7 52.4 54.1 41.2 17.3 65.0 1,677 36-47 75.2 73.3 64.1 53.0 51.5 71.0 59.5 48.3 51.4 37.8 21.5 52.6 1,977 48-59 76.2 73.8 64.8 52.4 50.5 72.4 60.5 47.2 56.3 38.2 21.8 45.7 1,714 Total 12-59 79.6 77.7 69.1 57.6 57.4 76.2 65.6 53.6 56.6 43.0 17.5 60.5 7,300 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Informação obtida pelo cartão de vacinação ou pela mãe, no caso de não existir o cartão. Considerou-se que o padrão etário de vacinação, para crianças cuja informação foi dada pela mãe, foi o mesmo que para aquelas que tinham o cartão. 1Polio 0 e pólio à nascença 2Crianças com vacinas completas (BCG, sarampo e três doses de tríplice e pólio) Quadro 9.12.1 Vacinação no primeiro ano de vida Percentagem de crianças entre 12 e 23 meses de idade com cartão de vacinação e percentagem de crianças que receberam vacinas específicas durante o primeiro ano de vida, por área de residência e sexo da criança, Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Percentagem de crianças que receberam: Percentagem –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– com Tríplice Pólio 1 cartão Número Sexo da criança –––––––––––––––––– –––––––––––––––––––––––– Ne- de vaci- de e residência BCG 1 2 3 0 1 2 3 Sarampo Todas2 nhuma nação crianças –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Masculino 86.0 85.8 77.8 66.8 69.9 84.4 75.4 64.0 61.4 51.8 10.7 78.8 999 Rural 81.5 81.9 72.2 59.1 61.5 80.7 69.4 56.8 52.7 42.4 13.6 75.8 693 Urbana 96.3 94.7 90.4 84.1 89.1 92.8 88.8 80.4 80.4 72.9 4.0 85.6 306 Feminino 86.0 84.4 77.4 66.4 68.0 84.9 75.8 65.2 64.8 54.8 10.9 77.1 934 Rural 82.4 80.2 71.2 59.0 58.8 81.2 69.5 57.2 56.0 45.7 13.8 73.1 665 Urbana 94.9 94.8 92.5 84.7 90.8 93.9 91.1 84.7 86.1 77.0 3.9 86.9 269 Total 86.0 85.2 77.6 66.6 69.0 84.6 75.5 64.6 63.0 53.2 10.8 78.0 1,933 Rural 81.9 81.1 71.7 59.0 60.1 81.0 69.5 57.0 54.3 44.0 13.7 74.5 1,358 Urbana 95.6 94.7 91.4 84.4 89.9 93.3 89.9 82.4 83.1 74.9 4.0 86.2 575 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Informação obtida pelo cartão de vacinação ou pela mãe, no caso de não existir o cartão. Considerou-se que o padrão etário de vacinação, para crianças cuja informação foi dada pela mãe, foi o mesmo que para aquelas que tinham o cartão. 1Polio 0 e pólio à nascença 2Crianças com vacinas completas (BCG, sarampo e três doses de tríplice e pólio) | Saúde Materno-Infanti 150 · A análise da evolução da vacinação nas crianças de 1 a 4 anos permite concluir que houve importantes melhorias nos níveis de vacinação durante o primeiro ano, de 38 por cento há cinco anos atras para 53 por cento no actual inquérito. As melhorias mais assinaláveis se apresentam na terceira dose de pólio e DPT. 9.6 INFECÇÕES RESPIRATÓRIAS AGUDAS, FEBRE E DIARREIA No inquérito, foram estudadas as maiores causas de morbi-mortalidade nas crianças menores de cinco anos: diarreia, infecções respiratórias agudas (IRA) e febre, uma vez que a malária é endémica no País. As infecções respiratórias agudas (IRA) são uma das principais causas de morbi-mortalidade, principalmente no primeiro ano de vida. A maioria destes óbitos podem ser prevenidos se for feito o diagnóstico precoce da infecção e o tratamento com o antibiótico correcto. A prevalência de IRA foi estimada, inquirindo todas as mães sobre a ocorrência de sintomas de IRA: tosse, respiração rápida ou difícil e febre nas crianças menores de 3 anos, nas duas semanas anteriores ao inquérito. No caso afirmativo, foi investigado se tinha sido procurada a unidade sanitária para o tratamento da infecção. A todas as mães com crianças menores de cinco anos, foi lhes perguntada a ocorrência de episódios de diarreia nas duas últimas semanas anteriores ao inquérito. Caso a resposta fosse positiva, perguntou-se se a diarreia tinha sangue e que tipo de tratamento a mãe teria procurarado. Devido à sazonalidade da diarreia, como já foi anteriormente referido, a prevalência obtida poderá ser diferente da prevalência anual. Prevalência e Tratamento de IRA e Febre O Quadro 9.13 mostram a percentagem de crianças menores de cinco anos que estiveram com tosse acompanhada de respiração rápida (sintomas de IRA) ou febre durante as últimas duas semanas precedentes ao inquérito e a percentagem que foi à unidade sanitária para o tratamento. Como no questionário não se distinguia se o tratamento procurado era para os sintomas de IRA ou febre, o quadro mostra uma única coluna, a percentagem de crianças com sintomas de IRA e/ou febre que procuraram tratamento. · Dez por cento de crianças com idade inferior a cinco anos estiveram doentes, apresentando sintomas de IRA, nas duas semanas que precederam o inquérito e 27 por cento tinham febre. · Os níveis mais baixos de prevalência para as duas categorias de doenças foram observados em Tete (5 e 14 por cento, respectivamente). A percentagem de crianças com sintomas de IRA na Cidade de Maputo é cinco vezes superior à de crianças em Tete. · As crianças que tiveram sintomas de IRA e febre, 51 por cento procurou o tratamento nas unidades sanitárias. · Os níveis mais altos de tratamento de IRA e/ou febre foram registados na Província de Manica (66 por cento), e os mais baixos nas Províncias de Zambézia e Niassa, com 37 e 42 por cento, respectivamente. Saúde Materno-Infantil | 151 Quadro 9.13 Prevalência e tratamento das infecções respiratórias agudas e febre Percentagem de crianças menores de cinco anos de idade que estiveram doentes com tosse acompanhada de dificuldade respiratória, no período das duas semanas anteriores ao inquérito; percentagem de crianças que estiveram doentes com febre; e percentagem de crianças doentes que procurou tratamento na unidade sanitária, por características seleccionadas, Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Prevalência das IRA e febre para Tratamento das crianças com crianças menores de cinco anos de idade síntomas do IRA e/ou febre –––––––––––––––––––––––––––––––––––– –––––––––––––––––––––––– Percen- Percen- tagem- Percen- tagem que com tagem Número procurou Número síntomas com de cuidados de de Característica do IRA febre crianças saúde1 crianças –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade da crianca em meses <6 9.3 19.2 1,082 54.7 252 6-11 14.7 38.6 1,018 57.4 442 12-23 10.8 37.1 1,933 53.2 778 24-35 9.5 29.5 1,677 46.7 558 36-47 10.0 20.5 1,977 48.9 501 48-59 6.0 17.0 1,714 48.8 345 Sexo Masculino 10.2 26.8 4,622 49.3 1,415 Feminino 9.4 26.6 4,778 53.5 1,461 Residência Rural 8.8 26.8 6,636 46.6 2,001 Urbana 12.1 26.4 2,765 62.4 876 Província Niassa 7.5 16.3 455 41.8 97 Cabo Delgado 10.8 36.8 806 54.8 327 Nampula 9.3 38.4 1,966 50.7 820 Zambézia 6.3 18.1 1,473 37.0 293 Tete 4.7 14.2 948 51.5 143 Manica 7.9 20.0 740 65.7 186 Sofala 7.2 23.0 688 54.6 178 Inhambane 19.6 36.5 741 48.8 325 Gaza 11.1 28.6 483 59.7 161 Maputo 7.3 20.2 613 51.4 140 Maputo Cidade 26.1 29.2 487 56.1 206 Nível de escolaridade da mãe Nenhum 8.4 25.3 4,290 44.4 1,233 Primário 10.7 28.1 4,740 55.4 1,530 Secundário 14.6 25.1 357 74.5 111 Superior * * 13 * 3 Quintil de riqueza Mais baixo 7.8 25.2 2,492 42.4 702 Segundo 11.2 27.4 1,780 44.7 562 Médio 7.6 27.9 2,001 48.9 617 Quarto 10.0 29.1 1,589 62.0 519 Mais elevado 13.9 24.1 1,538 64.5 477 Estatuto de fumar da mãe Usa cigarros/tabaco 8.6 29.1 391 40.2 130 Naão usa cigarros/tabaco 9.8 26.6 9,001 52.0 2,747 Total 9.8 26.7 9,400 51.4 2,877 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: A distribuição percentual baseada em menos de 25 casos não ponderados não é apresentada (*). ARI = Infecções respiratórias agudas 1Exclui farmácias, lojas e pessoal tradicional | Saúde Materno-Infanti 152 9.7 MALÁRIA: USO DE REDES MOSQUITEIRAS E MEDICAMENTOS ANTI-MALÁRIA Tal como em outros países Africanos, a malária é uma das maiores preocupações de saúde pública em Moçambique. O plasmodium falciparum, transmitido pelo mosquito, é responsável pela grande parte das mortes de malária. Os grupos com maior risco são as crianças menores de cinco anos de idade e as mulheres grávidas. As mulheres grávidas são vulneráveis porque a sua imunidade natural é reduzida. Assim elas têm uma probabilidade quatro vezes maior de sofrerem de complicações de malária que as mulheres não grávidas. A malária é uma das causas de abortos, nados mortos, nascimentos de baixo peso, e mortalidade de recém nascidos. Indivíduos com poucas células e outros grupos com fraca imunidade estão também em alto risco. Posse de Redes Mosquiteiras O IDS 2003 questionou a todas as mulheres com crianças menores de cinco anos de idade se possuíam uma rede mosquiteira, e se sim, há quanto tempo estava usando a rede. O Quadro 9.14.1 mostra a percentagem de mulheres que possuem uma rede mosquiteira (tratada ou não tratada), e a distribuição de percentual de mulheres que possuem uma rede por tempo de uso de acordo com a área de residência e província. A posse de redes mosquiteiros tratados é apresentado no Quadro 9.14.2. · Os dados mostram que apenas 18 por cento de mulheres de 15 a 49 anos com crianças menores de 5 anos possuem a rede mosquiteira, das quais cerca de 66 por cento estavam a utilizar por mais de 12 meses. Quarenta por cento de mulheres na Província de Gaza possuem a rede mosquiteira, comparando com apenas 9 por cento de mulheres da Província de Manica. · Das mulheres que possuem rede mosquiteiro, 42 por cento tem rede tratada. As Províncias de Gaza, Manica, Zambézia, Tete e Sofala, são as que apresentam a maioria de redes mosquiteiros tratadas. Quadro 9.14.1 Posse de redes mosquiteiras (tratadas e não tratadas) Entre mulheres de 15-49 anos de idade, percentagem de quem possui uma rede mosquiteira tratada ou não tratada; e distribuição percentual de mulheres com redes mosquiteiras por tempo de uso, segundo área de residência e província, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Posse de redes mosquiteiras tratadas e não tratadas Tempo de uso ––––––––––––––––––––– ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Percentagem de quem Não Número de possui Número sabe/ mulheres Residência/ uma rede de 0-2 3-5 6-11 12+ sem infor- quem possui província mosquiteira mulheres meses meses meses meses mação Total redes ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Residência Rural 12.2 7,870 11.8 8.6 11.9 64.8 2.9 100.0 961 Urbana 28.1 4,548 12.4 8.7 8.0 67.1 3.7 100.0 1,278 Província Niassa 22.3 476 8.4 4.1 5.8 76.3 5.4 100.0 106 Cabo Delgado 12.6 1,071 8.2 2.0 9.3 77.6 2.9 100.0 135 Nampula 14.7 2,403 19.8 14.6 8.4 55.9 1.3 100.0 353 Zambézia 16.6 1,906 11.2 10.7 19.5 54.2 4.4 100.0 317 Tete 16.9 1,025 12.1 6.2 7.5 72.6 1.6 100.0 173 Manica 9.2 809 8.3 15.8 10.2 65.2 0.6 100.0 74 Sofala 24.6 865 11.1 6.2 8.0 70.5 4.2 100.0 212 Inhambane 14.0 1,088 7.9 6.2 10.0 74.8 1.1 100.0 152 Gaza 40.2 666 8.9 5.1 5.0 76.9 4.0 100.0 268 Maputo 17.7 1,050 18.7 10.3 8.7 55.3 7.0 100.0 186 Maputo Cidade 24.8 1,059 9.8 8.9 9.5 68.3 3.6 100.0 263 Total mulheres 18.0 12,418 12.2 8.7 9.7 66.1 3.3 100.0 2,239 Mulhers con crianças menores de 5 anos 17.8 6,766 11.7 8.1 10.7 66.2 3.3 100.0 1,204 Saúde Materno-Infantil | 153 Uso de Redes Mosquiteiras No IDS 2003, os inquiridos foram perguntados sobre o uso de rede mosquiteira por mulheres de 15-49 anos e crianças menores de cinco anos. O uso da rede mosquiteira por mulheres grávidas e crianças menores de cinco anos é de interesse especial para a saúde pública. Já que prevalência de mosquitos transportadores de malária varia sazonalmente, com mais intensidade durante o período imediatamente a seguir a caída das chuvas, o uso de rede mosquiteiro vai seguir o mesmo padrão sazonal. Uma parte significativa do trabalho de campo para o IDS 2003 decorreu de Setembro a Dezembro. Assim a recolha de dados coincidiu com o período em que as redes mosquiteiras são mais prováveis de serem usadas. O Quadro 9.14.3 mostra a percentagem de crianças menores de cinco anos e mulheres de 15-49 anos de idade que dormiram sob a protecção de rede mosquiteira nà noite anterior ao inquérito, por local de residência. Quadro 9.14.2 Posse de redes mosquiteiras tratadas Entre mulheres de 15-49 anos de idade, percentagem de quem possui uma rede mosquiteira tratada; e distribuição percentual de mulheres com redes mosquiteiras tratadas por tempo de uso, segundo área de residência e província, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Posse de redes mosquiteiras tratadas Tempo de uso ––––––––––––––––––––––– –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Percentagem Número de de mulheres Número de Não mulheres quem possui mulheres sabe/ quem possui Residência/ redes que possui 0-2 3-5 6-11 12+ sem infor- redes província tratadas redes meses meses meses meses mação Total tratadas ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Residência Rural 44.5 961 35.4 26.2 15.7 14.7 8.0 100.0 427 Urbana 40.5 1,278 44.2 19.6 13.5 13.7 9.1 100.0 517 Província Niassa 31.2 106 23.2 31.3 15.3 10.2 20.0 100.0 33 Cabo Delgado 25.2 135 43.0 40.1 7.2 0.0 9.7 100.0 34 Nampula 29.8 353 59.8 21.9 9.5 7.0 1.8 100.0 105 Zambézia 55.6 317 47.1 30.1 10.1 5.6 7.1 100.0 176 Tete 53.1 173 40.6 27.2 7.6 19.5 5.1 100.0 92 Manica 63.1 74 35.2 20.1 24.8 17.1 2.8 100.0 47 Sofala 51.9 212 35.6 12.7 24.9 15.9 10.9 100.0 110 Inhambane 41.0 152 64.6 16.3 9.0 2.9 7.2 100.0 62 Gaza 67.7 268 17.9 18.7 23.4 28.2 11.8 100.0 181 Maputo 22.0 186 22.4 33.9 4.3 20.3 19.0 100.0 41 Maputo Cidade 23.8 263 58.3 10.5 9.1 14.0 8.1 100.0 63 Total 42.2 2,239 40.2 22.5 14.5 14.2 8.6 100.0 945 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: A distribuição percentuales para Cabo Delgado e para Maputo están baseadas em 25-49 casos não ponderados. Quadro 9.14.3 Uso de redes mosquiteiras por mulheres e crianças Percentagem de mulheres de 15-49 anos de idade com crianças menores de cinco anos de idade e percentagem de crianças menores de cinco anos que dormiram sob a protecção de rede mosquiteira, por área de residência e província, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Mulheres Crianças ––––––––––––––– ––––––––––––––– Residência/ Percen- Percen- província tagem Número tagem Número ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Residência Rural 8.5 4,663 7.2 7,009 Urbana 21.3 2,103 15.7 2,878 Província Niassa 9.9 304 10.2 485 Cabo Delgado 9.1 586 8.8 865 Nampula 10.2 1,351 5.2 2,064 Zambézia 15.2 1,078 14.4 1,525 Tete 14.0 660 11.6 981 Manica 6.7 510 6.6 775 Sofala 19.2 490 4.1 718 Inhambane 7.0 550 5.4 830 Gaza 21.7 357 22.2 526 Maputo 9.8 485 9.6 627 Maputo Cidade 18.6 394 18.1 491 Total 12.5 6,766 9.7 9,887 | Saúde Materno-Infanti 154 · Uma pequena parte de mulheres e de crianças dormiu nà noite que antecedeu a entrevista sub a protecção de rede mosquiteira, sendo 13 por cento e 10 por cento, respectivamente. A Província de Gaza apresenta um pouco mais de um quinto de mulheres e de crianças que dormiram sub protecção de rede mosquiteira nà noite anterior do IDS, enquanto que em Manica e em Inhambane, apenas 7 por cento usaram rede. Tratamento de Crianças com Febres Como a principal manifestação da malária é a febre, as mães foram perguntadas se as crianças menores de cinco anos de idade tinham tido febres, convulsões, ou ataques nas duas últimas semanas anteriores ao inquérito. Caso a resposta fosse afirmativa, perguntou-se, se a criança tinha tomado algum medicamento. O Quadro 9.15 mostra a percentagem de crianças menores de cinco anos que tiveram febre nas duas últimas semanas antes do inquérito e, entre as crianças doentes de febre, a percentagem das que tomaram medicamento anti-malárico, e as que tomaram medicamentos no mesmo dia ou no dia seguinte. O Quadro 9.16 mostra a distribuição percentual dos meios de protecção contra o mosquito por área de residência e província. · Do total das crianças que tiveram febres nas últimas duas semanas anteriores ao inquérito 15 por cento tomou um medicamento anti-malárico, sendo a percentagem um pouco elevada se resgistadfo na Província de Tete, com 27 por cento. A Cloroquina foi o anti-malárico mais tomado, com 15 por cento, seguindo-se Fansidar e Quinine com 11 por cento. · Entre as mulheres que possui redes, 32 por cento utilizam insecticidas para se proteger contra mosquitos e 56 por cento não utiliza nada. As diferenças entre as províncias são grandes, em Maputo Cidade, 56 por cento de mulheres utilizam insecticidas contra mosquitos, enquanto que no Niassa, 84 por cento não utiliza nada. Quadro 9.15 Uso de medicamentos específicos pelas crianças Entre crianças com febre, percentagem das que tomaram medicamento anti-malárico (AM) ou outros medicamentos, por área de residência e província, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Tomaram medicamento anti-malárico Outros medicamentos ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– ––––––––––––––––––– Número Tomou AM de Total no mesmo crianças Residência/ Chloro- tomou dia/ Aspi- Para- com província quine Fansidar Quinine AM dia seguinte rine cetamol Outra febre ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Residência Rural 15.7 11.3 11.3 15.8 9.4 6.9 6.7 2.0 1,778 Urbana 12.7 9.2 9.2 12.7 5.7 7.4 10.9 1.7 731 Província Niassa 7.9 6.0 6.2 8.1 2.7 6.3 4.2 6.2 74 Cabo Delgado 12.7 9.5 9.5 12.7 7.9 4.0 7.7 1.5 296 Nampula 14.6 10.7 10.7 14.6 8.4 9.8 6.9 0.4 755 Zambézia 14.9 10.0 10.0 14.9 10.7 4.7 2.3 0.7 267 Tete 26.6 21.6 22.3 26.6 12.6 11.1 18.5 2.0 135 Manica 13.8 3.3 3.3 13.8 10.5 4.6 6.2 0.3 148 Sofala 13.0 10.6 10.6 13.0 6.8 7.1 1.3 0.5 158 Inhambane 16.4 10.1 9.7 16.8 7.8 8.6 10.3 6.8 271 Gaza 17.3 15.7 15.7 17.3 11.4 6.5 12.2 1.7 138 Maputo 14.2 10.3 10.3 14.2 6.4 3.0 13.8 1.3 124 Maputo Cidade 11.5 10.8 10.8 11.5 1.8 3.0 11.5 5.1 142 Total 14.9 10.7 10.7 14.9 8.3 7.0 7.9 1.9 2,509 Saúde Materno-Infantil | 155 9.8 DIARREIA: PREVALÊNCIA E TRATAMENTO Em Moçambique, a diarreia e consequente desidratação constituem ainda uma das importantes causas da mortalidade infantil e dos menores de cinco anos. Para além disso, episódios repetidos de diarreia são um dos factores etiológicos mais importantes da malnutrição calórico-protéica grave. O Programa de Controle de Doenças Diarreicas, tem desenvolvido um programa activo para diminuição da morbi-mortalidade por esta doença, baseando-se a sua estratégia no aumento da ingestão de líquidos e na continuação da alimentação durante os episódios de diarreia. Foi amplamente divulgada a utilização da Terapêutica de Rehidratação Oral (TRO), quer com os pacotes de Sais de Rehidratação Oral (SRO), quer com a preparação de misturas caseiras apropriadas. Os pacotes de SRO são distribuídos em todas as unidades sanitárias do País, farmácias e agentes de saúde comunitários, como os APEs e as Parteiras Tradicionais capacitadas pelo SNS. A todas as mães com crianças menores de cinco anos, foi lhes perguntada a ocorrência de episódios de diarreia nas duas semanas anteriores ao inquérito. No caso afirmativo, perguntou-se se a diarreia tinha sangue e que tipo de tratamento a mãe teria procurado. Devido à sazonalidade da diarreia, como foi anteriormente referido, a prevalência obtida poderá ser diferente da prevalência anual. Tratamento de Fezes A desidratação provocada por uma diarreia severa é uma das maiores causas de morbidez e de mortalidade de crianças em Moçambique. O tratamento apropriado de fezes das crianças é extremamente importante para prevenir que a doença se propague. Se os excrementos são deixados destapados, as doenças vão se espalhar por contacto directo ou através do contacto com os animais. O Quadro 9.17 apresenta as informações sobre o tratamento de excrementos de crianças, por características seleccionadas e tipo de instalação sanitária no agregado. Quadro 9.16 Meios de protecção contra mosquitos Entre mulheres com redes mosquiteiros, distribuição percentual de métodos usados para a protecção contra mosquitos, por área de residência e província, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Não sabe/ Número sem de Residência/ Insecti- Plantas/ infor- mulheres província cidas ervas Outro Nada mação Total com redes ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Residência Rural 13.2 11.4 0.5 74.2 0.7 100.0 961 Urbana 46.1 5.7 5.0 43.1 0.1 100.0 1,278 Província Niassa 14.0 0.5 0.2 84.2 1.2 100.0 106 Cabo Delgado 20.8 3.1 3.3 72.1 0.7 100.0 135 Nampula 25.4 14.2 8.1 52.3 0.0 100.0 353 Zambézia 6.3 20.7 0.2 72.2 0.6 100.0 317 Tete 27.4 4.5 0.9 66.8 0.3 100.0 173 Manica 54.2 3.3 0.6 41.9 0.0 100.0 74 Sofala 40.5 3.5 1.1 54.8 0.0 100.0 212 Inhambane 53.1 4.0 2.0 40.8 0.0 100.0 152 Gaza 27.9 11.9 0.6 59.3 0.2 100.0 268 Maputo 46.4 1.9 3.6 46.9 1.2 100.0 186 Maputo Cidade 56.4 1.1 7.2 35.3 0.0 100.0 263 Total 32.0 8.2 3.1 56.4 0.3 100.0 2,239 | Saúde Materno-Infanti 156 · No total, 33 por cento de mães tratam as fezes duma forma adequada, isto é, usam sempre a pia ou latrina ou deitam na pia ou latrina. Quase um quarto de mães enterram as fezes das suas crianças dentro do quintal. · Por províncias, regista-se que a Cidade de Maputo com 80 por cento e Maputo Província com 60 por cento são as que tratam as fezes duma maneira adequada, enquanto que a Província de Zambézia, apenas 8 por cento de mães tratam as fezes das suas crianças adequadamente. Quadro 9.17 Tratamento de fezes das crianças Distribuição percentual das mães cujo filho mais novo menor de cinco anos de idade vive com ela, por meio através do qual as fezes são tratadas, segundo características seleccionadas, Mocambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Fezes das crianças contidas Fezes das crianças não contidas ––––––––––––––––––––––––– ––––––––––––––––––––––––––––––––––– Usa Deita Deita Deita Não sabe/ sempre na Enterra fora da fora Deita Não sem Número pia/ pia/ no resi- do no faz Usa infor- de Característica latrina latrina quintal dência1 quintal mato nada fralda Outro mação Total mães ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Residência Rural 4.2 17.1 27.2 2.6 20.6 6.9 0.7 17.3 2.2 1.1 100.0 4,597 Urbana 13.2 45.5 19.0 1.9 5.5 1.6 0.3 11.1 1.0 0.8 100.0 2,025 Província Niassa 11.5 41.3 0.8 1.8 15.3 0.1 0.2 25.3 0.0 3.6 100.0 299 Cabo Delgado 12.4 45.3 16.3 2.0 9.6 12.7 0.0 1.5 0.2 0.0 100.0 566 Nampula 2.0 28.7 34.6 0.8 13.7 6.5 1.6 8.9 0.8 2.5 100.0 1,326 Zambézia 2.3 6.1 44.8 3.5 31.3 8.2 0.0 2.9 0.0 0.9 100.0 1,067 Tete 6.1 11.3 2.3 5.0 14.0 1.3 1.0 45.2 13.2 0.5 100.0 655 Manica 4.6 25.9 15.3 5.3 12.8 9.2 0.4 24.8 1.2 0.4 100.0 510 Sofala 6.2 4.9 37.8 0.8 24.7 3.3 0.3 19.8 1.9 0.4 100.0 486 Inhambane 5.4 25.5 21.4 2.1 20.9 4.6 0.2 19.4 0.0 0.7 100.0 525 Gaza 8.2 27.4 32.6 0.2 3.6 1.5 0.5 25.5 0.1 0.4 100.0 348 Maputo 17.7 42.4 15.8 1.5 6.4 1.0 0.7 13.0 1.3 0.1 100.0 468 Maputo Cidade 19.5 60.2 7.9 3.2 3.5 0.0 0.0 4.5 0.5 0.7 100.0 373 Nível de escolaridade Nenhum 2.9 16.4 30.7 2.1 21.6 6.2 0.7 16.3 2.1 1.0 100.0 2,927 Primário 9.2 31.3 21.3 2.5 12.3 5.0 0.5 15.2 1.8 0.9 100.0 3,386 Secundário 20.9 55.1 5.8 3.2 2.9 0.0 0.2 9.6 0.0 2.3 100.0 299 Quintil de riqueza Mais baixo 0.8 1.9 36.8 2.4 29.3 10.9 0.4 15.1 1.3 1.0 100.0 1,715 Segundo 2.1 12.0 32.8 3.2 21.7 7.8 1.2 16.0 2.6 0.5 100.0 1,254 Médio 6.2 32.0 18.9 2.1 11.8 3.6 0.5 19.3 3.5 2.0 100.0 1,370 Quarto 9.9 42.5 17.7 2.0 7.8 1.3 0.4 16.3 1.2 0.9 100.0 1,129 Mais elevado 19.4 52.6 11.6 2.2 2.9 0.1 0.3 9.7 0.4 0.6 100.0 1,154 Tipo de facililade sanitário Latrina simples (de buraco) 12.0 48.6 12.0 1.9 6.2 0.7 0.2 15.8 1.7 1.0 100.0 3,096 Latrina melhorada 26.5 51.9 6.2 1.9 0.8 0.0 1.5 11.3 0.0 0.0 100.0 91 Retrete com autociclismo 30.5 48.9 2.5 5.4 1.1 0.0 0.0 7.8 0.6 3.0 100.0 128 Outra 0.8 2.9 38.0 2.8 26.2 9.9 0.9 15.5 2.1 1.0 100.0 3,307 Total 7.0 25.8 24.7 2.4 16.0 5.3 0.6 15.4 1.8 1.0 100.0 6,623 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 1Inclui a resposta “deita na lata de lixo” Saúde Materno-Infantil | 157 Prevalência de Diarreia e Tratamento O Quadro 9.18 apresenta a prevalência da diarreia entre crianças menores de cinco anos durante as duas semanas anteriores do inquérito. Os resultados são apresentados por características seleccionadas incluindo a fonte de água potável. A estimativa é afectada pela fiabilidade e na habilidade de a mãe se recordar quando é que se deu a diarreia. O IDS 2003 também tentou captar a informação sobre os conhecimentos acerca do tratamento da diarreia, e averigua se as crianças tiveram cuidados médicos quando a diarreia ocorreu. Os resultados sobre o conhecimento de pacotes de sais de reidratação oral (SRO) são apresentados no Quadro 9.19. O tratamento das ocorrências de diarreia (terapia de re-hidratação oral e outros tratamentos) é apresentado no Quadro 9.20. Atenção particular foi focalizada no que diz respeito ao tratamento com 1) pacotes de SRO, 2) soluções caseiras recomendadas, ou baseadas em cereais ou feitos de sal e água, e 3) aumento na quantidade de fluidos ingeridos. Foram também colocadas questões sobre práticas alimentares das mães durante o momento em que a criança se encontrava com diarreia (o montante de líquidos e de comida oferecida comparando com o da situação normal). Recomenda- se que se deve dar muitos líquidos às crianças quando estiverem com diarreia e que não se deve reduzir a quantidade de alimentos sólidos. O Quadro 9.21 apresenta a montante de líquidos e de comida oferecida segundo área de residência, província e nível de escolaridade. · Catorze por cento de crianças com idade inferior a cinco anos estavam doentes com diarreia (veja Quadro 9.18). · Do mesmo modo que IRA e febre, os níveis mais baixos de prevalência da diarreia foram observados em Tete, 7 por cento. Depois de Tete as provincias de Gaza, Zambézia e Maputo menos de 10 por cento de crianças estavam com diarrea. A proporção de crianças com diarreia na Cidade de Maputo e em Nampula (21 por cento) é três vezes maior que a de crianças em Tete. · A Zambézia é também a província com a mais baixa percentagem de mães com conhecimento sobre pacotes de SRO (68 por cento). Este conhecimento é quase universal em muitas das províncias, exceptuando as de Niassa, Nampula, e Manica (veja Quadro 9.19). Quadro 9.18 Prevalência da diarreia Percentagem de crianças menores de cinco anos de idade que tiveram diarreia no período das duas semanas anteriores ao inquérito, por características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Total Número com de Característica diarreia crianças ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade em meses <6 11.2 1,082 6-11 26.5 1,018 12-23 23.0 1,933 24-35 13.6 1,677 36-47 9.1 1,977 48-59 5.0 1,714 Sexo Masculino 14.6 4,622 Feminino 13.6 4,778 Residência Rural 13.4 6,636 Urbana 15.9 2,765 Província Niassa 11.6 455 Cabo Delgado 18.3 806 Nampula 21.8 1,966 Zambézia 9.5 1,473 Tete 7.0 948 Manica 14.0 740 Sofala 12.4 688 Inhambane 13.3 741 Gaza 9.6 483 Maputo 8.7 613 Maputo Cidade 21.2 487 Nível de escolaridade da mãe Nenhum 14.3 4,290 Primário 13.9 4,740 Secundário 16.2 357 Superior * 13 Quintil de riqueza Mais baixo 14.8 2,492 Segundo 13.0 1,780 Médio 14.3 2,001 Quarto 13.3 1,589 Mais elevado 14.9 1,538 Fonte de agua para beber Canalizada 15.6 1,917 Poço protegido 12.1 1,446 Poço aberto 14.7 4,255 Superfície 12.4 1,633 Outro/sem informação 16.4 148 Total 14.1 9,400 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Percentagem baseada em menos de 25 casos não ponderados não é apresentada (*). | Saúde Materno-Infanti 158 · No que diz respeito ao tratamento da diarreia, 49 por cento de crianças que tinham diarreia foram procurar o tratamento na unidade sanitária (veja Quadro 9.20). Entre as que tiveram diarreia, 49 por cento receberam pacotes de sais de reidratação oral (SRO) e 71 por cento receberam terapia de rehidratação oral (TRO). Quando a doença persiste, além de SRO, são incluídos líquidos como tratamento da diarreia. · Foram registados níveis mais altos de tratamento da diarreia em unidades sanitárias em Manica, Nampula e Cabo Delgado, com 60, 57 e 57 por cento, respectivamente; e os mais baixos em Zambézia e Niassa, 27 e 31 por cento, respectivamente. Na Zambézia, apenas 23 por cento de crianças menores de cinco que estavam com diarreia receberam SRO, em comparação com 73 por cento em Maputo. Quadro 9.19 Conhecimiento do SRO Percentagem de mães com nascimentos nos cinco anos anteriores ao inquérito que conhecem SRO para tratamento do diarreia das crianças, por área de residência, segundo características seleccionadas, Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Residência rural Residência urbana Total –––––––––––––––––––––– ––––––––––––––––––––––– ––––––––––––––––––––––– Percentagem Percentagem Percentagem de mães Número de mães Número de mães Número que conhece de que conhece de que conhece de Característica SRO mães SRO mães SRO mães –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 76.9 526 92.1 307 82.5 833 20-24 82.7 1,227 96.7 637 87.5 1,864 25-29 85.6 1,236 96.7 506 88.8 1,742 30-34 82.6 911 94.4 357 85.9 1,268 35-49 85.5 1,039 93.1 432 87.7 1,472 Província Niassa 74.6 253 90.0 73 78.1 326 Cabo Delgado 90.4 514 100.0 124 92.3 638 Nampula 79.2 974 85.3 484 81.3 1,458 Zambézia 67.6 998 95.0 120 70.6 1,118 Tete 95.8 605 96.5 90 95.9 694 Manica 76.0 351 94.1 185 82.3 535 Sofala 92.6 313 98.9 212 95.1 524 Inhambane 90.0 469 96.0 107 91.1 576 Gaza 99.2 275 100.0 106 99.4 381 Maputo 99.8 189 99.7 330 99.7 519 Maputo Cidade na na 98.5 409 98.5 409 Nível de escolaridade Nenhum 78.1 2,700 88.6 477 79.7 3,177 Primário 89.6 2,201 96.4 1,465 92.3 3,666 Secundário [ 95.1 38 98.4 286 98.0 325 Superior * 0 * 11 * 11 Quintil de riqueza Mais baixo 73.9 1,738 89.9 95 74.8 1,832 Segundo 85.3 1,225 85.3 136 85.3 1,361 Médio 88.0 1,253 92.1 218 88.6 1,471 Quarto 94.2 626 94.4 605 94.3 1,232 Mais elevado 98.5 98 97.4 1,185 97.5 1,282 Total 83.4 4,940 95.0 2,239 87.0 7,179 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Percentagem precedida por parêntese está baseada em 25-49 casos não ponderados. Percentagem baseada em menos de 25 casos não ponderados não é apresentada (*). na = Não se aplica ORS = Pacotes de sais de reidratação oral Saúde Materno-Infantil | 159 · Relativamente a prácticas alimentares durante a diarrea, 47 por cento de crianças com diarrea foram lhes administradas mais líquidos em comparação com a prática normal e 36 por cento receberam menos líquidos (veja Quadro 9.21). · Apenas 27 por cento de crianças com diarreia em Cabo Delgado e 37 por cento na provincia da Zambézia e em Inhambane foram oferecidos mais líquidos. Estas cifras para a Cidade de Maputo e Maputo Província são, 65 e 71 por cento, respectivamente. Quadro 9.20 Tratamento da diarreia Nas crianças menores de cinco anos com diarreia nas duas semanas antes do inquérito, percentagem que foi à unidade sanitária para tratamento, percentagem que recebeu Terapêutica de Rehidratação Oral (TRO), e percentagem que recebeu outros tratamentos, por características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Recebeu Terapêutica de Rehidratação Oral (TRO) Recebeu outros tratamentos –––––––––––––––––––––––––––––––––––– ––––––––––––––––––––––––––––––––––– Percen- SRO SRO/ Não Número tagem ou Aumen- mistura/ Compri- Não sabe/ de levada a mis- to- aumento mido Solução fez sem crianças unidade Pacote Mistura tura de de ou Injec- intra- Remédio trata- infor- com Característica sanitária1 SRO caseira caseira líquidos liquidos xarope ção venosa caseiro mento mação diarreia ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade em meses <6 37.7 40.9 10.6 48.8 40.7 66.3 24.8 0.0 0.0 22.3 0.0 20.9 121 6-11 57.2 54.6 13.2 61.4 38.3 69.9 29.5 0.1 0.9 11.2 0.0 15.3 269 12-23 50.2 53.2 11.2 56.8 47.5 70.3 34.5 0.1 0.6 16.8 0.7 17.2 445 24-35 44.7 44.8 11.5 50.1 49.5 71.5 26.9 0.3 0.0 14.7 0.0 16.6 227 36-47 44.0 40.4 12.9 49.9 55.9 73.2 26.6 1.5 0.7 24.6 0.0 11.6 179 48-59 47.6 42.1 6.2 44.0 51.2 70.4 38.6 4.1 0.0 13.9 0.2 14.2 86 Sexo Masculino 48.9 47.3 11.7 53.4 44.8 67.4 29.7 0.4 0.8 16.1 0.2 19.0 675 Feminino 48.2 49.8 11.3 54.8 48.7 73.6 31.3 0.8 0.2 17.3 0.2 13.0 652 Residência Rural 46.3 41.7 7.7 46.3 38.8 62.0 31.2 0.5 0.2 18.0 0.2 20.6 887 Urbana 53.1 62.2 19.2 69.8 62.7 87.4 29.1 0.6 1.1 14.0 0.4 7.0 440 Província Niassa 30.6 42.9 2.2 43.1 42.5 56.3 32.8 0.0 0.0 13.8 0.4 18.9 53 Cabo Delgado 57.0 50.4 8.5 50.4 27.2 60.2 40.7 0.2 1.2 7.3 1.0 22.3 147 Nampula 57.3 55.6 8.4 57.6 50.2 77.2 31.8 0.8 0.2 15.8 0.0 9.2 429 Zambézia 26.5 22.8 18.5 35.7 37.1 59.4 7.1 0.0 0.0 25.2 0.0 35.1 140 Tete 38.6 41.9 15.5 50.6 47.1 59.0 26.8 0.0 0.0 18.1 0.0 17.3 66 Manica 60.2 30.5 12.8 39.8 52.5 66.7 38.9 3.1 0.4 8.7 0.0 19.8 104 Sofala 44.4 37.3 18.6 55.2 42.4 66.0 34.9 0.3 0.4 8.7 0.0 25.5 86 Inhambane 39.8 45.9 9.0 51.8 36.7 60.0 28.7 0.0 0.7 27.5 0.0 16.5 99 Gaza 53.1 68.1 7.0 75.1 57.4 82.7 23.4 0.0 0.0 22.0 0.0 11.7 47 Maputo 52.3 72.9 12.6 74.3 70.9 95.3 42.7 0.0 0.0 14.0 0.0 4.7 53 Maputo Cidade 41.7 66.4 18.1 73.6 65.2 86.0 30.5 0.0 1.9 25.9 1.4 3.6 103 Nível de escolaridade da mãe Nenhum 45.8 40.7 9.2 46.0 38.4 64.7 25.9 1.0 0.5 18.1 0.0 20.6 612 Primário 49.0 53.2 11.5 58.6 52.5 73.5 34.2 0.1 0.5 16.0 0.5 13.1 658 Secundário 72.2 76.5 36.1 89.4 68.4 97.0 37.6 0.0 0.0 9.9 0.0 1.9 58 Quintil de riqueza Mais baixo 41.6 35.3 8.3 39.9 37.4 60.9 24.7 0.7 0.3 18.7 0.0 21.8 369 Segundo 45.0 38.9 7.0 43.7 41.7 63.3 29.6 0.8 0.1 18.6 0.6 18.7 232 Médio 60.0 51.1 12.1 58.0 42.5 68.1 33.8 0.2 0.0 13.0 0.1 17.3 286 Quarto 52.0 65.6 12.3 70.3 51.2 79.1 37.4 0.0 1.0 14.4 0.0 13.0 212 Mais elevado 48.1 60.5 19.8 67.7 67.9 88.0 30.3 1.0 1.2 18.1 0.6 5.5 229 Total 48.5 48.5 11.5 54.1 46.7 70.5 30.5 0.6 0.5 16.7 0.2 16.1 1,328 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: A terapêutica de rehidratação oral (TRO) inclui a solução preparada con pacotes de sais de rehidratação (SRO), as misturas caseiras e aumento de liquidos. 1Exclui farmácias, lojas e pessoal tradicional | Saúde Materno-Infanti 160 9.9 CUIDADOS DE SAÚDE DA CRIANÇA E ESTATUTO DA MULHER O estatuto e o respeito próprio podem ser os principais determinantes da capacidade das mães em obter cuidados de saúde adequados para os seus filhos. No Quadro 9.22 são apresentados aspectos preventivos e curativos dos cuidados de saúde de acordo com os três indicadores do estatuto da mulher: número de decisões nas quais a mulher tem a última palavra, número de razões que justificam a agressão física do marido, e número de razões para recusa de sexo com o marido. Aspectos preventivos incluem vacinação completa das crianças e crianças com febre e/ou IRA levadas a um provedor de serviços de saúde. Aspectos curativos relacionam-se com a incidência de crianças com diarreias que foram levadas à instituição de saúde. · Duma forma geral não se regista uma clara relação entre aspectos preventivos e curativos das crianças com os aspectos da emancipação da mulher. Quadro 9.21 Padrão de alimentação durante a diarreia Distribuição percentual das crianças menores de cinco anos com diarreia nas duas semanas antes do inquérito por padrão de alimentação durante a diarreia, segundo características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Mesma Mais Um Não sabe/ Número de quanti- pouco Muito sem in- de Característica sempre dade menos menos Nada formação Total crianças ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– LÍQUIDOS ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Residência Rural 11.8 38.8 24.0 19.7 4.4 1.3 100.0 887 Urbana 11.7 62.7 13.1 8.7 3.3 0.5 100.0 440 Província Niassa 21.8 42.5 24.8 7.2 3.4 0.4 100.0 53 Cabo Delgado 6.0 27.2 36.1 26.9 1.9 1.8 100.0 147 Nampula 11.1 50.2 17.8 18.5 2.4 0.0 100.0 429 Zambézia 16.0 37.1 17.0 19.6 4.0 6.3 100.0 140 Tete 8.9 47.1 28.7 6.7 8.6 0.0 100.0 66 Manica 17.1 52.5 17.3 8.9 4.1 0.0 100.0 104 Sofala 10.5 42.4 11.5 31.6 4.0 0.0 100.0 86 Inhambane 7.0 36.7 27.4 16.2 12.7 0.0 100.0 99 Gaza 14.8 57.4 20.3 5.2 2.3 0.0 100.0 46 Maputo 10.0 70.9 18.0 0.0 1.1 0.0 100.0 53 Maputo Cidade 13.3 65.2 10.9 3.1 5.5 2.0 100.0 103 Nível de escolaridade Nenhum 12.2 38.4 22.6 20.7 4.9 1.2 100.0 612 Primário 11.1 52.5 19.8 12.0 3.5 1.0 100.0 658 Secundário 13.6 68.4 3.7 12.4 1.9 0.0 100.0 58 Total 11.8 46.7 20.4 16.0 4.1 1.0 100.0 1,328 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– SÓLIDOS ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Residência Rural 19.8 14.2 29.9 23.1 11.4 1.5 100.0 887 Urbana 18.7 24.2 21.2 22.0 9.7 4.3 100.0 440 Província Niassa 31.1 12.9 25.5 15.3 13.7 1.5 100.0 53 Cabo Delgado 10.1 4.5 34.1 29.1 19.5 2.8 100.0 147 Nampula 16.6 21.2 24.2 26.3 7.9 3.8 100.0 429 Zambézia 25.0 22.6 26.9 15.0 4.7 5.7 100.0 140 Tete 15.8 14.4 26.6 23.9 19.3 0.0 100.0 66 Manica 24.0 30.5 28.4 12.3 4.8 0.0 100.0 104 Sofala 20.3 11.0 15.5 48.7 4.5 0.0 100.0 86 Inhambane 20.2 11.9 35.8 15.3 16.7 0.0 100.0 99 Gaza 24.5 13.9 35.0 14.6 12.0 0.0 100.0 46 Maputo 28.7 20.0 24.1 10.0 17.2 0.0 100.0 53 Maputo Cidade 20.7 16.2 27.5 19.1 14.1 2.5 100.0 103 Nível de escolaridade Nenhum 19.6 15.8 28.2 24.9 10.1 1.4 100.0 612 Primário 19.5 16.7 27.6 21.4 12.2 2.6 100.0 658 Secundário 17.8 44.4 8.5 15.5 3.3 10.5 100.0 58 Total 19.5 17.5 27.0 22.8 10.9 2.4 100.0 1,328 Saúde Materno-Infantil | 161 9.10 PROBLEMAS NOS CUIDADOS DE SAÚDE: ACESSO E TABACO Problemas no Acesso a Cuidados de Saúde Factores diferentes podem impedir na mulher de ter aconselhamento e tratamento médico. No IDS 2003, todas as mulheres foram perguntadas se conseguir uma consulta ou tratamento médico para elas próprias era um grande problema ou não, tendo em conta seguintes aspectos: saber onde ir; ter permissão para ir ao tratamento; ter dinheiro necessário para o tratamento; distância do posto médico; ter de apanhar um transporte; não querer ir sozinha; e preocupação de que pode não ser uma mulher a atende- las. O Quadro 9.23 apresenta problemas da mulher no acesso aos cuidados de saúde para as sete razões específicas de acordo com as características seleccionadas, incluindo o emprego. O quadro fornece também um indicador de resumo com a percentagem de mulheres que reportaram uma das sete razões específicas. · Mais de 57 por cento de mulheres apontaram onde obter dinheiro para ir ao tratamento como sendo um problema de acesso aos serviços de saúde, sendo as percentagens mais elevadas para esta categoria se registado nas Províncias de Zambézia (79 por cento) e Nampula (72 por cento). Table 9.22 Cuidados de saúde da criança e estatuto da mulher Percentagem de crianças entre 12 e 23 meses de idade com vacinas completas; e percentagem de crianças menores de cinco anos de idade com diarreia ou que estiveram doentes com febre ou com sintomas de ARI no período das duas semanas anteriores ao inquérito que procurou tratamento na unidade sanitária, por indicadores do estatuto da mulher, Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Crianças entre Crianças menores de 5 anos Crianças menores de 5 anos 12 e 23 meses de idade com síntomas do IRA e/ou febre com diarreia –––––––––––––––––––– ––––––––––––––––––––––––– –––––––––––––––––––––– Percen- Percen- Percen- tagem- tagem que tagem que com Número procurou Número procurou Número Indicador do vacinas de cuidados de de cuidados de de estatuto da mulher completas1 crianças saúde2 crianças saúde2 crianças –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Número de decisões nas quais a mulher tem a última palavra3 0 61.1 187 49.4 300 48.3 134 1-2 65.1 560 51.5 842 45.5 410 3-4 64.9 643 50.9 950 46.8 451 5 60.1 543 52.7 785 54.8 332 Número de razões para a recusa do sexo com o marido 0 61.9 157 39.2 266 49.3 114 1-2 64.0 548 50.3 808 48.9 391 3-4 63.1 1,227 53.7 1,803 48.3 823 Número de razões que justificam que o marido bata na mulher 0 61.6 819 53.1 1,191 47.4 559 1-2 66.8 424 51.4 652 47.3 305 3-4 65.0 398 50.1 643 53.8 295 5 60.5 291 48.4 391 45.5 169 Total 63.3 1,933 51.4 2,877 48.5 1,328 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Os Quadros 3.10-3.13 mostram dos diferentes tipos de decisões e razões. 1BCG, sarampo e três doses de tríplice e pólio 2Exclui farmácias, lojas e pessoal tradicional 3A entrevistada ou junto com alguém mais | Saúde Materno-Infanti 162 Quadro 9.23 Problemas no acesso a cuidados de saúde Percentagem de mulheres que disseram que tem grandes problemas no acesso a cuidados de saúde para elas mesmas quando estão doentes, por tipo de problemas e segundo caracteristicas seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Problemas no acesso a cuidados de saúde –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Saber Obter Obter Preocupação Qualquer onde permissão dinheiro Distancia Não de não dos ir para para ir para o para Ter que querer encontrar problemas Número trata- fazer trata- o provedor apanhar ir um provedor espe- de Característica mento tratamento mento de saúde t ransporte sozinha feminino cificados mulheres –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 11.8 11.7 50.0 43.8 41.6 22.5 12.6 66.4 2,454 20-29 13.2 9.3 56.8 52.4 50.5 19.7 8.8 71.6 4,680 30-39 11.3 8.0 60.0 55.1 53.5 19.6 8.7 73.7 3,203 40-49 12.6 6.4 62.0 53.9 52.4 17.5 8.4 75.0 2,081 Número da crianças sobreviventes 0 12.6 12.4 49.4 43.3 41.9 22.7 11.5 66.5 2,816 1-2 11.9 8.8 56.8 51.9 50.1 19.8 9.0 71.6 4,265 3-4 12.8 7.2 59.9 55.4 53.2 19.1 9.8 73.5 3,029 5+ 12.1 7.4 63.7 56.5 54.7 17.5 7.4 76.1 2,308 Estado civil Solteira 10.8 11.3 47.6 35.7 35.7 21.4 14.3 62.2 1,961 Casada/união consensual 13.1 9.2 58.0 56.4 53.7 20.3 8.7 73.5 8,736 Alguma vez unida 10.4 5.3 64.0 45.5 46.4 15.8 7.7 73.8 1,721 Residência Rural 15.3 10.2 65.6 68.1 64.6 24.4 10.6 81.4 7,870 Urbana 7.2 6.8 42.6 23.1 24.3 12.0 7.5 55.0 4,548 Província Niassa 9.8 7.9 43.2 49.0 42.4 22.8 9.5 59.5 476 Cabo Delgado 8.2 6.6 56.8 43.3 47.2 19.8 5.1 68.5 1,071 Nampula 16.1 15.5 71.7 62.4 58.5 20.8 8.8 86.1 2,403 Zambézia 32.6 17.6 78.8 77.6 78.5 30.9 18.3 87.9 1,906 Tete 2.3 3.5 53.7 59.8 61.8 14.9 7.7 74.9 1,025 Manica 12.2 8.6 54.8 44.6 46.1 26.6 9.0 67.0 809 Sofala 2.2 0.8 22.5 33.2 30.4 4.2 1.1 45.4 865 Inhambane 9.4 8.7 62.2 62.0 53.7 32.0 16.2 79.4 1,088 Gaza 6.9 1.4 57.3 50.2 46.4 10.1 1.5 70.4 666 Maputo 3.5 4.7 39.0 31.9 26.9 11.1 7.7 53.2 1,050 Maputo Cidade 5.6 3.2 38.1 12.4 12.7 11.1 8.1 52.0 1,059 Nível de escolaridade Nenhum 18.7 12.6 68.2 66.8 64.1 24.7 11.7 82.8 5,100 Primário 8.6 6.8 52.7 44.6 43.5 17.1 7.9 67.0 6,347 Secundário 3.2 3.9 28.5 18.1 16.8 12.4 8.4 45.4 940 Superior [ 2.8 [ 1.8 [ 10.2 [ 14.3 [ 7.1 [ 9.4 [ 5.5 [ 30.2 30 Quintil de riqueza Mais baixo 22.0 13.1 73.7 79.0 76.5 28.4 12.7 88.7 2,814 Segundo 15.3 12.3 69.6 68.4 66.6 24.0 10.4 83.3 2,166 Médio 11.5 7.9 60.3 58.3 55.6 21.4 9.2 76.2 2,333 Quarto 6.6 5.8 50.0 35.9 34.8 15.1 8.0 64.3 2,251 Mais elevado 5.7 5.7 34.4 18.9 18.0 10.7 7.0 48.5 2,854 Tipo de emprego Sem emprego 10.5 11.4 51.2 37.1 37.2 19.1 9.3 63.1 3,181 Com pagamento em dinheiro 7.2 3.9 46.0 37.9 37.9 15.4 5.8 62.6 2,496 Sem pagamento em dinheiro 15.1 9.7 64.2 63.8 60.5 21.8 10.9 79.3 6,692 Não sabe/sem informação 9.6 5.0 46.4 40.5 31.6 20.7 10.0 66.0 49 Total 12.3 9.0 57.1 51.6 49.8 19.8 9.5 71.7 12,418 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Percentagem precedida por parêntese está baseada em 25-49 casos não ponderados. Saúde Materno-Infantil | 163 · A distância onde se situa o centro de saúde, também constitui um dos problemas de acesso a saúde por parte das mulheres, 52 por cento do total do País, destacando-se as Províncias da Zambézia com 78 por cento, e Nampula e Inhambane, com 62 por cento. · O outro problema de maior relevo, é de ter que apanhar transporte reportado por quase 50 por cento de mulheres. Entre as províncias, mais uma vez a Província de Zambézia aparece com a percentagem muito alta de mulheres que consideraram o aspecto de transporte como um problema de acesso aos serviços de saúde, com 79 por cento, seguido das Províncias de Tete (62 por cento), Nampula (59 por cento) e Inhambane (54 por cento). Consumo de Tabaco Fumar durante a gravidez aumenta os riscos de se ter um bebé pequenino ou com baixo peso à nascença. O seu uso em outros momentos afecta a condição de saúde das mulheres e pode afectar a saúde das crianças especialmente aumentar a incidência de doenças respiratórias. O Quadro 9.24 apresenta a prevalência de consumo de cigarros, cachimbo ou outros tipos de tabaco entre mulheres e a frequência do consumo do cigarro entre fumadores nas últimas 24 horas. · Os dados mostram que no geral o consumo de tabaco entre as mulheres em Moçambique não é elevado, 7 por cento de mulheres entrevistadas teriam fumado um cigarro ou qualquer outro tipo de tabaco nas últimas 24 horas. · A percentagem das fumadoras é de 17 por cento na idade de 35 a 39 anos; e as províncias que se destacam são as de Nampula e Cabo Delgado, com 15 por cento e 12 por cento, respectivamente. Quadro 9.24 Habito de fumar tabaco Distribuição percentual por habito de fumar tabaco, segundo características seleccionadas, Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Usa tabaco ––––––––––––––– Não Número Outro usa de Característica Cigarros tabaco tabaco Total mulheres –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 0.1 0.2 99.6 100.0 2,454 20-34 1.1 3.1 95.7 100.0 6,472 35-49 3.4 14.0 82.6 100.0 3,492 Residência Rural 1.4 7.6 91.0 100.0 7,870 Urbana 1.9 2.1 95.9 100.0 4,548 Província Niassa 0.1 3.6 96.1 100.0 476 Cabo Delgado 2.2 9.3 88.4 100.0 1,071 Nampula 2.5 12.8 84.7 100.0 2,403 Zambézia 2.8 5.5 91.3 100.0 1,906 Tete 0.5 7.2 92.3 100.0 1,025 Manica 0.2 2.2 97.6 100.0 809 Sofala 1.5 4.8 93.7 100.0 865 Inhambane 0.3 1.1 98.6 100.0 1,088 Gaza 0.2 0.7 99.2 100.0 666 Maputo 0.7 0.8 98.4 100.0 1,050 Maputo Cidade 2.3 0.4 97.1 100.0 1,059 Nível de escolaridade Nenhum 2.0 9.5 88.4 100.0 5,100 Primário 1.1 3.3 95.5 100.0 6,347 Secundário 1.9 0.0 98.1 100.0 940 Superior [ 18.1 [ 0.0 [ 81.9 100.0 30 Quintil de riqueza Mais baixo 2.4 10.1 87.4 100.0 2,814 Segundo 1.7 9.3 88.8 100.0 2,166 Médio 1.3 5.8 92.9 100.0 2,333 Quarto 0.8 2.6 96.6 100.0 2,251 Mais elevado 1.5 0.4 97.9 100.0 2,854 Estatuto maternal Grávida 0.6 3.9 95.5 100.0 1,233 Amamanta (não grávida) 0.8 3.8 95.3 100.0 3,932 Outro 2.2 6.8 90.9 100.0 7,252 Total 1.6 5.6 92.8 100.0 12,418 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Percentagem precedida por parêntese está baseada em 25-49 casos não ponderados. | Saúde Materno-Infanti 164 Amamentação da Criança, Nutrição Infantil e da Mãe | 165 AMAMENTAÇÃO DA CRIANÇA, NUTRIÇÃO INFANTIL E DA MÃE 10 Este capítulo ocupa-se de aspectos relacionados com o estado nutricional das crianças nascidas nos últimos cinco anos anteriores ao inquérito. O inquérito recolheu dados relativos às práticas de amamentação, introdução de alimentação suplementar, peso dos recém-nascidos, antropometria das crianças e suas respectivas mães. A importância desta análise é óbvia se considerarmos o papel que a nutrição joga no estado de saúde das crianças menores de cinco anos de idade e, em particular, nos primeiros dois anos de vida. 10.1 AMAMENTAÇÃO AO PEITO E SUPLEMENTOS ALIMENTARES Existe uma relação entre o estado nutricional da criança, a morbilidade e mortalidade. A amamentação ao peito tem uma influência positiva no estado nutricional da criança e por conseguinte na morbilidade e mortalidade infantil. Em geral, uma nutrição inadequada (em quantidade e ou qualidade) está casualmente associada à etiologia de doenças particularmente as de origem infecciosa e por sua vez estas condicionam o estado nutricional por interferirem negativamente nos processos fisiológicos do crescimento corporal e alimentação adequada da criança. Início da Amamentação O início e a duração da amamentação são factores que podem ter influência no desenvolvimento somático. Sabe-se que o leite materno goza de propriedades fisiológicas importantes para a criança dentre as quais se destaca a presença de anticorpos maternos importantes para a prevenção de infecções. Por outro lado, o leite materno está sempre à temperatura ideal, é estéril e está sempre disponível. A amamentação proporciona uma ligação afectiva entre a mãe e a criança que é importante para o desenvolvimento psicomotor da criança. Por outro lado, a amamentação ao peito tem por via hormonal efeitos sobre a fertilidade pós-parto, o que pode contribuir para o espaçamento dos nascimentos. Pelo contrário, o uso de biberão comporta um risco acrescido de transmissão de doenças sobretudo nas áreas rurais e suburbanas onde os padrões de higiene não são apropriados. O início precoce da amamentação ao peito tem benefícios fisiológicos tanto para a mãe como para a criança. Sob influência do estímulo que a sucção da criança proporciona aos receptores do mamilo, a hipófise liberta oxitocina, hormona que exerce um efeito construtor sobre a musculatura lisa do útero e por conseguinte no controle da hemorragia pós-parto. A oxitocina estimula por sua vez a produção de prolactina, uma hormona que favorece a produção do leite materno e a sua ejecção pelo mamilo. A composição do leite (colostro) das primeiras mamadas é rica em anticorpos e vitamina A, ambos importantes para a prevenção e combate às infecções. O Quadro 10.1 mostra a percentagem das crianças que foram amamentadas. As percentagens das crianças que começaram a mamar dentro de uma hora e um dia depois do nascimento, são mostradas também no Quadro 10.1 (veja também Gráfico 10.1). Recomenda-se que as crianças sejam alimentadas de colostrum (o primeiro leite do peito) imediatamente depois de nascerem e continuarem a ser alimentados exclusivamente do peito mesmo se o leite regular do peito não tiver começado a sair. O Quadro 10.1 mostra também a percentagem dos que receberam alimentos pré-lácteos, i.e., crianças que tomaram algo que não fosse leite do peito durante os primeiros três dias de vida antes de as suas mães começarem a amamentar-lhes regularmente. | Amamentação da Criança, Nutrição Infantil e da Mãe 166 Quadro 10.1 Início da amamentação Percentagem das crianças nascidas nos cinco anos anteriores do inquérito que foram amamentadas; e entre crianças que já mamaram, percentagem das que começaram a mamar dentro de uma hora e dentro de um dia de nascimento, e percentagem das que receberam uma alimentação pré-lactea, por características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Todas as crianças: Crianças que foram amamentadas: –––––––––––––––––––––––– ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Percentagem Receberam Número das crianças Número Na No uma de que foram de primeira primeiro alimentação crianças Característica amamentadas crianças hora dia1 pré-lactea2 amamentadas ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Sexo Masculino 98.3 5,241 63.6 91.6 15.5 5,154 Feminino 98.3 5,379 65.8 92.3 16.1 5,288 Residência Rural 98.8 7,533 67.7 92.2 16.1 7,440 Urbana 97.2 3,087 57.3 91.2 15.1 3,002 Província Niassa 98.1 527 86.0 98.4 9.6 517 Cabo Delgado 99.2 968 56.4 70.5 26.1 960 Nampula 97.7 2,250 69.8 93.6 32.9 2,199 Zambézia 98.2 1,622 65.6 90.0 10.6 1,593 Tete 98.7 1,096 61.4 97.1 18.4 1,082 Manica 99.0 820 84.5 97.5 4.8 812 Sofala 97.8 794 66.2 92.6 7.7 777 Inhambane 99.0 822 60.1 98.1 3.5 813 Gaza 98.6 539 51.0 98.3 2.1 531 Maputo 98.0 667 67.0 94.2 6.5 653 Maputo Cidade 97.8 516 25.5 84.5 14.9 504 Nível de escolaridade da mãe Nenhum 98.7 4,906 68.5 92.5 15.4 4,843 Primário 98.0 5,315 62.8 91.9 15.2 5,209 Secundário 97.4 387 43.5 86.3 28.1 377 Superior * 13 * * * 13 Quintil de riqueza Mais baixo 98.8 2,822 69.7 92.9 15.0 2,788 Segundo 98.5 2,050 68.3 93.2 15.3 2,020 Médio 98.5 2,286 67.2 91.0 18.3 2,252 Quarto 98.3 1,775 64.0 92.7 12.8 1,744 Mais elevado 97.0 1,687 49.0 89.3 17.5 1,637 Assistência ao parto Pessoal de saúde 97.7 5,066 62.1 93.7 13.8 4,948 Parteira tradicional 98.9 1,163 64.8 90.5 14.1 1,150 Outro 98.9 4,060 68.8 91.2 18.9 4,017 Nenhuma 98.3 287 59.4 89.4 15.6 282 Local do parto Unidade sanitária 97.7 5,058 61.7 93.8 13.9 4,940 Em casa 98.9 5,370 68.0 90.9 17.6 5,312 Não respondeu/não sabe 98.6 155 60.1 89.4 21.0 153 Total 98.3 10,620 64.7 91.9 15.8 10,441 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Os números referem-se aos nascimentos ocorridos no período de 0-59 meses antes do inquérito, independentemente da condição de sobrevivência na época da entrevista. Percentagem baseada em menos de 25 casos não ponderados não é apresentada (*). 1Inclui crianças que começaram a mamar até uma hora depois do nascimento 2Crianças que receberam algo que não seja o leite do peito durante os primeiros três dias de vida antes de começarem a mamar das suas mães regularmente. 3Médico, enfermeira/parteira, ou auxiliar de parteira. Amamentação da Criança, Nutrição Infantil e da Mãe | 167 · Quase todas as crianças nascidas nos últimos cinco anos anteriores ao inquérito foram amamentadas (98 por cento). Das crianças que foram amamentadas, 65 por cento foram amamentadas com o leite materno logo na primeira hora depois do nascimento e 92 por cento foram amamentadas um dia depois do nascimento. Entre as províncias, Maputo Cidade, é a que apresenta menor percentagem de crianças que foram amamentadas uma hora depois do nascimento (25 por cento), enquanto que as outras províncias apresentam percentagens acima 50 (destacando-se as de Mánica com 85 por cento e Cabo Delgado com 86 per cento). · Quanto as crianças que receberam nos primeiros três dias de vida algo que não seja o leite do peito, destacam-se as Províncias de Nampula com 33 por cento e Cabo Delgado com 26 por cento, e as crianças cujas as mães têm ensino secundário, com 28 por cento. Gráfico 10.1 Primeira Amamentação entre Crianças com Menos de Cinco Anos de Idade, por Área de Residência e Província 85 94 98 98 93 98 97 90 94 71 98 91 92 92 26 67 51 60 66 85 61 66 70 56 86 57 68 65 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Maputo Cidade Maputo Gaza Inhambane Sofala Manica Tete Zambézia Nampula Cabo Delgado Niassa PROVÍNCIA Urbana Rural RESIDÊNCIA Total Percentagem de crianças Na primeira hora No primeiro dia Gráfico 10.1 Primeira Amamentação entre Crianças com Menos de Cinco Anos de Idade, por Área de Residência e Província 85 94 98 98 93 98 97 90 94 71 98 91 92 92 26 67 51 60 66 85 61 66 70 56 86 57 68 65 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Maputo Cidade Maputo Gaza Inhambane Sofala Manica Tete Zambézia Nampula Cabo Delgado Niassa PROVÍNCIA Urbana Rural RESIDÊNCIA Total Percentagem de crianças Na primeira hora No primeiro dia | Amamentação da Criança, Nutrição Infantil e da Mãe 168 Condição de Amamentação por Idade A alimentação da criança sofre mudanças ao longo do seu crescimento. Aconselha-se que a criança seja exclusivamente alimentada do leite do peito até aos 6 meses de idade altura em que se recomenda a introdução de alimentos suplementares tais como, papinhas, frutas, sopas e outros alimentos semi-sólidos disponíveis que a mãe pode preparar. No inquérito, perguntou-se às mães sobre a prática corrente (nas 24 horas precedentes ao inquérito) de alimentação das crianças vivas com menos de três anos. O indicador padrão para a amamentação exclusiva é a percentagem de crianças com menos de seis meses de idade que só foram alimentados do leite do peito. E também se considera como indicador padrão do momento oportuno para alimentação complementar, a percentagem de crianças dos 6-9 meses que foram amamentadas e receberam alimentação complementar. A introdução do outro tipo de leite é aceitável depois dos seis meses, mas recomenda-se a continuação do leite materno até aos dois anos de vida. Entende-se como estado de amamentação ao período de 24 horas (ontem e à noite passada). Portanto, considerara-se crianças estando em estado de amamentação aquelas que somente estavam sendo amamentadas ou teriam bebido simples água e que não tinham nenhum outro tipo de suplemento. As categorias de não amamentadas, exclusivamente amamentadas, amamentadas e deram água, água misturada com outros ingredientes, leite, e comida complementar (sólidos e semi-sólidos) são hierarquicamente e mutuamente exclusivos. Por isso, as suas percentagens somam 100 por cento. Portanto, as crianças que receberam o leite do peito, água e outros ingredientes e que não receberam alimentos suplementares, foram classificadas na categoria de líquidos baseados em água, mesmo que tenham recebido simples água. Toda a criança que recebeu alimentos suplementares foi classificada também como sendo amamentada. O Quadro 10.2 mostra a distribuição percentual de crianças vivas menores de três anos vivendo com as suas mães por estado de amamentação, segundo a idade. O quadro pode ser utilizado para derivar a percentagem das crianças predominantemente amamentadas (a soma das exclusivamente amamentadas, amamentadas mais água ou água misturada com outros líquidos/sumos). O quadro também mostra a percentagem de crianças usando o biberão no dia anterior da entrevista. · Entre crianças menores de três anos de idade, 98 por cento foram amamentadas durante pelo menos um ano, mas entre as crianças que deveriam ser exclusivamente amamentadas (as crianças menores de 6 meses), apenas 30 por cento tiveram amamentação exclusiva. · Embora a introdução de comida complementar é recomendada entre 6 e 9 meses, os dados mostram que 22 por cento de crianças menores de 6 meses receberam outras comidas além de leite do peito. Duração Mediana e Frequência da Amamentação O Quadro 10.3 mostra a duração mediana da amamentação nas diferentes categorias, nomeadamente, por algum período, exclusiva e completa (amamentação ao peito e água como único suplemento ao leite materno). As estimativas das médias e medianas estão baseadas na proporção do estatuto actual de cada grupo de “tempo-desde-o-nascimento” (duração). Estas distribuições (última criança nascida nos três anos antes do inquérito que vive actualmente com a mãe) são análogas à coluna lx numa tabela de vida sintética. Estes valores devem decrescer com a duração da amamentação, mas por causa de amostras pequenas podem causar algumas irregularidades. Amamentação da Criança, Nutrição Infantil e da Mãe | 169 Antes de estimar a duração mediana, a distribuição é “suavizada” através de uma média móvel de três grupos. A primeira idade (duração) para a qual a proporção cai abaixo de 0.50 vai ser usada para o cálculo da mediana por interpolação linear entre aquele grupo de idade e a próxima idade mais nova. Para a estimação da idade mediana onde o grupo de idade mais novo contém uma proporção menos de 0.50, o valor para o grupo anterior vai ser a proporção das crianças que foram amamentadas que nasceram durante os 36 meses antes do inquérito. A amplitude do primeiro intervalo vai ser considerada 1.50 meses (usando 0.50 meses para crianças nascidas no mês da entrevista). A estimação da duração média usa a proporção de estatuto actual pela soma do produto da proporção (não em percentagem) e a amplitude do intervalo da idade (duração). A esta soma irá se adicionar o seguinte valor: a proporção daqueles que amamentaram em algum momento multiplicada por metade da amplitude do intervalo de duração mais curta (i.e., 0.75). O Quadro 10.3 mostra também a percentagem de crianças menores de seis meses que vivem com as suas mães e que foram amamentadas seis ou mais vezes nas últimas 24 horas antes do inquérito, e o número médio de vezes de consumo de dia e de noite, por características seleccionadas. · A duração mediana da amamentação é de 22 meses. A duração curta regista-se na Cidade de Maputo, com 20 meses e a mais curta encontra-se entre as crianças cujas as mães têm o nível secundário. · No geral quase todas as crianças actualmente amamentadas foram amamentadas 6 ou mais vezes durante as últimas 24 horas. A média de consumo de dia e de noite é quase igual (8.4 vezes e 8.1 vezes, respectivamente). As províncias que apresentam menor média de consumo à noite são Maputo (5.6), Sofala (6.3) e Niassa (6.5). Quadro 10.2 Condição da amamentação, por idade Distribuição percentual das crianças vivas com menos de três anos de idade e que vivem com sua mãe, por condição da amamentação e percentagem de crianças que usaram biberão, segundo a idade das crianças em meses e área de residência, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Amamentadas e: Não Exclusi- –––––––––––––––––––––––––––––––––– Percen- Número foram vamente Água Número tagem de amamen- amamen- pura Líquidos/ Outros Comple- de uso crianças Idade em meses tadas tadas somente sumos leites mentação Total crianças1 biberão2 vivas ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Área rural <4 0.0 41.4 42.0 2.5 1.1 13.1 100.0 501 2.3 505 <6 0.3 32.1 37.9 3.2 1.2 25.2 100.0 766 3.3 776 6-9 0.5 4.1 14.5 1.4 0.0 79.4 100.0 491 5.7 501 Área urbana <4 1.6 30.7 43.2 6.9 13.5 4.1 100.0 206 18.3 213 <6 1.8 24.6 41.5 6.2 11.7 14.3 100.0 299 21.2 307 6-9 3.8 2.0 9.9 1.8 2.3 80.2 100.0 216 20.8 217 Total <2 0.2 49.8 35.9 4.1 1.9 8.0 100.0 323 6.7 327 2-3 0.7 28.6 47.7 3.5 7.0 12.5 100.0 385 7.3 392 4-5 1.2 13.7 32.1 4.7 3.1 45.2 100.0 358 10.9 364 6-7 0.7 5.2 16.8 2.0 1.0 74.2 100.0 372 8.0 377 8-9 2.4 1.6 9.0 1.0 0.4 85.7 100.0 335 12.8 341 10-11 2.1 1.4 1.9 0.0 0.7 93.9 100.0 297 7.6 300 12-15 6.0 1.0 1.3 0.2 0.0 91.6 100.0 682 7.9 700 16-19 14.9 0.4 1.9 0.0 0.0 82.8 100.0 645 6.4 665 20-23 35.5 0.2 0.1 0.0 0.1 64.1 100.0 549 6.0 568 24-27 68.4 1.0 0.3 0.0 0.0 30.3 100.0 502 6.9 589 28-31 79.8 0.2 0.4 0.0 0.0 19.5 100.0 479 4.4 633 32-35 87.2 0.2 0.5 0.0 0.0 12.1 100.0 297 4.3 455 <4 0.5 38.3 42.4 3.8 4.7 10.5 100.0 707 7.0 719 <6 0.7 30.0 38.9 4.1 4.2 22.1 100.0 1,065 8.3 1,082 6-9 1.5 3.5 13.1 1.5 0.7 79.7 100.0 707 10.3 718 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 1Somente as crianças mais novas 2Baseado em todas as crianças | Amamentação da Criança, Nutrição Infantil e da Mãe 170 10.2 ALIMENTOS SUPLEMENTARES O Quadro 10.4, apresenta a percentagem de crianças menores de três anos de idade que vivem com as suas mães, que consumiram alimentos específicos de dia ou de noite antes do inquérito por condição de amamentação e idade. Os alimentos são classificados em categorias nutricionais mas as percentagens de crianças por tipo de alimento não são exclusivas. É possível calcular a percentagem de crianças que mamaram e receberam alimentação complementar entre as crianças de uma certa idade multiplicando a percentagem de crianças amamentadas (100 menos a percentagem dos que não mamaram) do Quadro 10.2 pela percentagem dos que receberam qualquer alimentação sólida e semi- sólida entre as crianças que mamaram (primeiro painel do Quadro 10.4) e dividir por 100. A frequência do tipo de alimentos suplementares que as mães forneceram de dia ou de noite antes do inquérito são apresentadas no Quadro 10.4 para as crianças actualmente amamentadas com leite materno e para as que não eram amamentadas pelo peito na altura do inquérito. Quadro 10.3 Duração mediana e frequência da amamentação Duração mediana da amamentação em crianças com menos de três anos de idade, por o tipo de amamentação; e percentagem de crianças menores de 6 meses que vivem com as mães que foram amamentadas 6 ou mais vezes nas 24 horas que precederam a entrevista, segundo características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Duração mediana em meses Crianças com menos de 6 meses em crianças com menos de três anos1 atualmente amamentadas2 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––– ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Duração Mediana da Mediana da Amamentadas Média de Média de mediana da amamen- amamen- Número 6+ vezes vezes do vezes do Número amamen- tação tação de nas últimas consumo consumo de Característica tação exclusiva completa3 crianças 24 horas de dia de noite crianças ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Sexo Masculino 22.2 0.7 4.4 3,130 98.3 8.4 8.0 511 Feminino 22.1 0.7 4.3 3,194 99.1 8.3 8.2 545 Residência Rural 22.9 1.0 4.5 4,483 99.0 8.3 8.1 760 Urbana 20.6 0.6 3.9 1,840 98.1 8.5 8.0 295 Província Niassa 23.5 1.6 3.3 316 98.6 8.4 6.5 46 Cabo Delgado 22.4 1.2 5.7 583 94.6 8.2 7.5 94 Nampula 23.4 0.5 4.2 1,345 99.1 9.7 8.5 224 Zambézia 20.4 1.1 4.6 966 99.4 7.9 10.1 187 Tete 23.7 0.4 0.8 633 98.8 6.3 7.7 82 Manica 22.0 2.4 3.0 501 98.8 7.3 8.0 102 Sofala 21.4 2.6 5.2 472 97.5 7.9 6.3 80 Inhambane 22.0 2.1 6.3 483 100.0 9.8 8.7 72 Gaza 22.0 2.3 5.2 330 100.0 8.7 7.5 52 Maputo 20.5 0.6 5.2 379 99.7 7.3 5.6 73 Maputo Cidade 19.9 0.5 3.1 314 100.0 10.0 9.1 45 Nível de escolaridade da mãe Nenhum 22.5 0.8 4.2 2,922 98.6 8.5 8.7 470 Primário 22.0 0.7 4.6 3,132 98.8 8.3 7.6 544 Secundário 16.4 0.6 2.3 259 [ 100.0 [ 7.6 [ 7.4 38 Superior * * * 10 * * * 3 Quintil de riqueza Mais baixo 23.5 1.5 4.3 1,693 99.0 8.2 8.5 308 Segundo 22.8 1.1 4.8 1,212 98.2 8.9 8.3 174 Médio 22.8 0.7 4.4 1,358 97.7 8.1 7.9 234 Quarto 21.5 1.1 4.3 1,071 99.0 8.2 7.5 170 Mais elevado 19.5 0.5 3.8 990 100.0 8.7 8.0 170 Total 22.1 0.7 4.3 6,323 98.7 8.4 8.1 1,056 Média para total 21.9 2.7 5.6 na na na na na ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: As medianas e médias estão baseadas na condição actual da amamentação. Percentagem precedida por parêntese está baseada em 25-49 casos não ponderados. Indicador baseado em menos de 25 casos não ponderados não é apresentado (*). na = Não se aplica 1Assume-se que todas as crianças que não vivem com a mãe não estão a ser actualmente amamentadas 2Exclui crianças que não tenham uma resposta válida sobre o número de vezes que foram amamentadas 3Somente leite materno e/ou leite materno com água, líquidos baseados em água e/ou simplesmente sumo (exclui leites) Amamentação da Criança, Nutrição Infantil e da Mãe | 171 Além disso, a frequência de consumo de alimentos (o número médio de vezes) durante o dia ou de noite antes do inquérito está representada no Quadro 10.5 de acordo com o estatuto de amamentação (crianças que mamaram e as que não mamaram) e a idade em meses. O número médio de dias em que alimentos específicos foram consumidos por crianças nos sete dias antes do inquérito é detalhado no Quadro 10.6. As categorias de alimentos nos dois quadros são mais detalhadas que nos quadros anteriores e incluem uma divisão de frutas e hortícolas ricos em vitamina A. · Das crianças menores de três anos que foram amamentadas nas últimas 24 horas antes do inquérito, a maioria recebeu também alimentos feitos de grão/aveia/cereal, principalmente a partir dos 8 aos 35 meses, seguindo-se fruta/horticola, comida feita de óleo/gordura/manteiga e frutas e horticolas ricas em Vitamina A. A mesma ordem de produtos suplementares dadas as crianças amamentadas, também foram consumidas por crianças não amamentadas. · Quanto ao número de vezes de alimentos específicos consumidos pelas crianças amamentadas e não amamentadas nas últimas 24 horas, destacam-se produtos como grão/aveia/cereal, frutas/horticolas, que no geral foram consumidos aproximadamente 2 vezes nas últimas 24 horas. Quadro 10.4 Condição de amamentação e alimentação específica Percentagem de crianças mais novas menores de três anos vivendo com as mães que receberam alimentação específica nas últimas 24 horas, por condição da amamentação e idade em meses, Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Liquidos Sólidos/semisólidos ––––––––––––––––––––––– ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Comida Fruitas e Qualquer Outros Comida feita de horticolas comida leites/ Grão/ Fruitas/ Tubér- baseada Carne oleo/ ricas em sólida Número Idade Fórmula queijo/ Outros aveia/ horti- culo/ em peixe/ gordura/ vitamina ou semi- de (meses) infantil iogurte líquidos1 cereal colas2 raiz legumes ovo manteiga A3 sólida crianças –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– CRIANÇAS AMAMENTADAS –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– <2 3.1 0.2 5.1 7.2 0.3 0.8 0.0 0.0 0.0 0.3 10.8 322 2-3 7.4 0.0 5.3 12.6 1.1 0.0 0.2 0.0 0.6 1.1 16.0 382 4-5 3.8 0.9 9.5 44.0 9.0 2.5 2.4 1.3 10.2 6.3 55.7 354 6-7 6.7 2.9 14.9 70.9 19.9 5.2 4.1 5.5 19.6 15.2 79.4 370 8-9 7.4 3.3 18.8 82.0 43.9 14.3 8.4 15.9 30.2 38.0 92.0 327 10-11 3.9 3.1 24.4 88.8 65.2 17.6 18.5 35.6 47.1 58.7 96.1 292 12-15 3.1 3.8 27.8 91.4 70.5 25.8 20.3 33.2 51.7 65.7 97.2 644 16-19 2.8 4.2 35.2 90.8 76.2 27.8 18.1 33.6 57.5 69.4 97.8 551 20-23 2.1 4.4 31.3 89.7 77.7 35.2 21.7 34.3 54.2 73.8 99.3 356 24-35 1.0 1.0 16.4 85.7 72.6 29.4 23.7 34.6 50.7 71.0 98.6 295 <6 4.9 0.3 6.6 21.5 3.5 1.1 0.9 0.4 3.6 2.6 27.7 1,058 6-9 7.0 3.1 16.7 76.1 31.2 9.5 6.1 10.4 24.5 25.9 85.3 697 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– CRIANÇAS NÃO AMAMENTADAS –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 12-15 29.3 24.4 50.6 88.0 75.4 29.6 9.4 28.8 52.8 67.7 100.0 [ 38 16-19 13.9 19.7 47.6 88.0 73.5 31.8 25.1 51.1 57.6 61.1 96.0 93 20-23 8.1 9.7 54.1 92.0 78.0 28.1 22.5 39.3 56.5 70.5 98.6 194 24-35 4.5 8.1 44.4 93.4 79.2 33.9 19.9 40.0 55.2 73.3 98.0 982 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: A amamentação se refere ao período de 24 horas anterior à entrevista. Percentagem precedida por parêntese está baseada em 25-49 casos não ponderados. Percentagem para crianças não amamentadas menores de 12 meses não é apresentada por estar baseadas em menos de 25 casos não ponderados. 1Não inclui água simples 2Inclui frutas e hortícolas ricos em vitamina A 3Inclui abóbora, inhames vermelhos ou amarelos, cenoura, batata doce alaranjada, vegetais verdes, mangas papaias, e outras frutas e hortícolas locais ricos em vitamina A | Amamentação da Criança, Nutrição Infantil e da Mãe 172 · No que diz respeito a frequência dos alimentos consumidos por crianças nos últimos 7 dias, regista- se que tanto as crianças amamentadas como as não amamentadas, em média foram dadas água simples durante 6 dias, seguindo comida baseada em grãos cuja frequência foi de 4.5 dias para as crianças amamentadas e 6 dias para as crianças não amamentadas. O consumo de alimentos ricos em Vitamina A em crianças menores de três anos foi muito fraco nos últimos sete dias que antecederam o inquérito, quase um dia entre as crianças amamentadas e 1.6 dia entre as crianças não amamentadas. Quadro 10.5 Frequência de alimentos consumidos por crianças nas últimas 24 horas O número médio de vezes que alimentos específicos foram consumidos nas últimas 24 horas por crianças mais novas, menores de três anos de idade que vivem com as suas mães, por o estatuto de amamentação e idade em meses, Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Liquidos Sólidos/semisólidos ––––––––––––––––––––––– ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Comida Fruitas e Outros Comida feita de horticolas leites/ Grão/ Fruitas/ Tubér- baseada Carne oleo/ ricas en Número Idade Fórmula queijo/ Outros aveia/ horti- culo/ em peixe/ gordura/ vitamina de (meses) infantil iogurte líquidos1 cereal colas2 raiz legumes ovo manteiga A3 crianças –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– CRIANÇAS AMAMENTADAS –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– <2 0.1 0.0 0.1 0.1 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 322 2-3 0.1 0.0 0.1 0.2 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 382 4-5 0.1 0.0 0.2 0.7 0.2 0.0 0.0 0.0 0.1 0.1 354 6-7 0.1 0.0 0.3 1.3 0.4 0.1 0.1 0.1 0.3 0.2 370 8-9 0.1 0.1 0.3 1.5 0.9 0.2 0.1 0.2 0.6 0.7 327 10-11 0.1 0.0 0.4 1.8 1.5 0.2 0.2 0.5 0.8 1.2 292 12-15 0.1 0.1 0.5 1.9 1.7 0.4 0.2 0.5 0.9 1.4 644 16-19 0.1 0.1 0.6 2.0 1.9 0.4 0.2 0.5 1.1 1.5 551 20-23 0.0 0.1 0.5 1.9 2.0 0.6 0.3 0.5 1.1 1.7 356 24-35 0.0 0.0 0.3 1.9 1.8 0.4 0.3 0.5 0.9 1.6 295 <6 0.1 0.0 0.1 0.3 0.1 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 1,058 6-9 0.1 0.0 0.3 1.4 0.6 0.1 0.1 0.1 0.4 0.5 697 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– CRIANÇAS NÃO AMAMENTADAS –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 12-15 0.7 0.4 1.1 2.1 2.6 0.4 0.1 0.4 1.2 1.9 [ 38 16-19 0.3 0.3 1.2 1.9 1.9 0.4 0.3 0.7 1.1 1.4 93 20-23 0.2 0.2 1.2 2.2 2.4 0.4 0.3 0.7 1.1 1.9 194 24-35 0.1 0.1 0.9 2.2 2.3 0.5 0.3 0.6 1.1 1.8 982 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: A amamentação e alimentos específicos consumidos se refere ao período de 24 horas anterior à entrevista (no dia ou nà noite antes do inquérito). Percentagem para crianças não amamentadas menores de 12 meses não é apresentada por estar baseadas em menos de 25 casos não ponderados. Percentagem precedida por parêntese está baseada em 25-49 casos não ponderados. 1Não inclui água simples 2Inclui frutas e hortícolas ricos em vitamina A 3Inclui abóbora, inhames vermelhos ou amarelos, cenoura, batata doce alaranjada, vegetais verdes, mangas papaias, e outras frutas e hortícolas locais ricos em vitamina A Amamentação da Criança, Nutrição Infantil e da Mãe | 173 10.3 QUANTIDADES DE MICRONUTRIENTES ENTRE CRIANÇAS E MÃES Os micronutrientes são necessários para o funcionamento normal do corpo e jogam um papel importante para a garantia de uma boa saúde. A deficiência dos micro-nutrientes é um sério contribuinte da morbidilidade e mortalidade na infância. As crianças podem receber os micronutrientes a partir dos alimentos, alimentos fortificados e através duma suplementação directa. O IDS 2003 recolheu vários dados úteis para a avaliação de micronutrientes por mulheres e crianças menores. Uso de Sal Iodado pelos Agregado Familiares As desordens causadas por uma deficiência de iodo na dieta constitui uma grande preocupação nutricional. A falta de iodo suficiente pode provocar goiter, hipotiroidismo, atraso no desenvolvimento físico e mental, e a diminuição do rendimento escolar. A deficiência do iodo no feto leva ao aumento de taxas de aborto, nados mortos, anomalias congenitais, cretinismo, defeitos psicomotores, e mortalidade de recém nascidos. A deficiência do iodo pode ser evitada usando sal fortificado com iodo (sal iodado). O Quadro 10.7 mostra a percentagem de agregados que usam sal iodado. Quadro 10.6 Frequência de alimentos consumidos por crianças nos últimos sete dias O número médio de dias em que alimentos específicos foram consumidos nos sete dias antes da entrevista por crianças mais novas, menores de três anos de idade que vivem com as suas mães, por o estatuto de amamentação e idade em meses, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Liquidos Alimentos sólidos/semisólidos –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Frutas e hortícolas ricas em vitamina A –––––––––––––––––––– Frutas Abobora/ Manga/ e inhames papaia/ hortí- Comida vermelhos outras Comida colas Carne/ baseada ou amarelos frutas Comida na não Comida peixe/ em squash/ locais Idade Sumo baseada base de ricas em baseada mariscos/ óleos/ cenoura/ Vege- ricas em Número da criança Água Fórmula Outros de Chá Outros em raízes/ vitamina em Queijo/ aves/ gordura/ batata doce tais vitamina de em meses simples infantil leites fruta verde líquidos grãos tubérculos A legumes iogurte ovos manteiga alaranjada verdes A crianças ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– CRIANÇAS AMAMENTADAS ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– <2 2.7 0.2 0.0 0.0 0.3 0.0 0.5 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 322 2-3 4.6 0.4 0.0 0.0 0.3 0.0 0.8 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 0.0 382 4-5 5.5 0.3 0.0 0.1 0.4 0.1 2.7 0.1 0.1 0.1 0.0 0.1 0.6 0.1 0.2 0.2 354 6-7 6.3 0.4 0.0 0.2 0.7 0.1 4.7 0.3 0.5 0.2 0.1 0.4 1.2 0.2 0.6 0.2 370 8-9 6.5 0.4 0.2 0.4 0.9 0.1 5.1 0.9 0.8 0.7 0.1 1.1 2.0 0.5 1.5 0.8 327 10-11 6.6 0.2 0.1 0.2 1.2 0.2 5.8 1.1 0.9 1.0 0.1 1.6 2.6 0.7 2.7 1.1 292 12-15 6.7 0.2 0.2 0.3 1.6 0.2 5.9 1.3 1.1 1.0 0.1 1.7 3.0 0.8 2.7 1.2 644 16-19 6.7 0.1 0.2 0.4 2.0 0.2 5.9 1.4 1.3 1.0 0.1 1.7 3.3 0.7 3.0 1.4 551 20-23 6.7 0.1 0.2 0.3 1.7 0.2 6.0 1.9 1.2 1.2 0.1 1.6 3.1 0.7 3.5 1.5 356 24-35 6.5 0.1 0.0 0.1 1.0 0.1 5.9 1.5 0.8 1.2 0.0 1.6 2.8 0.7 3.1 1.6 295 <6 4.3 0.3 0.0 0.0 0.3 0.1 1.3 0.1 0.0 0.0 0.0 0.0 0.2 0.0 0.1 0.1 1,058 6-9 6.4 0.4 0.1 0.3 0.8 0.1 4.9 0.6 0.6 0.4 0.1 0.7 1.5 0.3 1.0 0.5 697 Total 6.0 0.2 0.1 0.2 1.1 0.2 4.5 0.9 0.7 0.7 0.1 1.1 2.0 0.5 1.8 0.9 3,893 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– CRIANÇAS NÃO AMAMENTADAS ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 12-15 6.8 2.0 0.7 1.2 2.3 0.4 6.4 1.3 2.0 0.6 1.1 1.4 3.3 1.1 2.5 1.5 [ 38 16-19 6.7 0.9 0.9 1.0 2.6 0.6 6.2 1.8 2.1 1.1 0.5 2.7 3.5 1.2 2.8 1.5 93 20-23 6.7 0.5 0.5 0.6 3.1 0.4 6.1 1.4 1.6 1.1 0.1 2.1 3.3 1.0 3.2 1.6 194 24-35 6.6 0.3 0.4 0.5 2.6 0.4 6.1 1.7 1.7 1.1 0.1 1.9 3.4 1.1 3.2 1.7 982 Total 6.6 0.5 0.5 0.6 2.7 0.4 6.1 1.6 1.7 1.1 0.2 2.0 3.4 1.1 3.2 1.6 1,331 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: A amamentação se refere ao período de 24 horas anterior à entrevista (no dia ou nà noite antes do inquérito). Percentagem para crianças não amamentadas 12-15 está baseada em 25-49 casos não ponderados. Percentagem para crianças não amamentadas menores de 12 meses não é apresentada por estar baseadas em menos de 25 casos não ponderados. Percentagem precedida por parêntese está baseada em 25-49 casos não ponderados. | Amamentação da Criança, Nutrição Infantil e da Mãe 174 · Cerca de 54 por cento de agregados familiares em Moçambique usam sal iodado, estando a área rural com maior percentagem que a urbana, 55 por cento e 50 por cento, respectivamente. Entre as províncias, destacam-se as Províncias de Zambézia, Tete e Manica onde mais ou menos 70 por cento de agregados familiares usam sal iodado e as percentagens mais baixas encontram-se em Cabo Delgado e Maputo Cidade. Quantidades de Micronutrientes entre Crianças O Quadro 10.8 mostra a percentagem de crianças menores de três anos vivendo com as suas mães que consumiram frutas e vegetais ricos em Vitamina A durante os sete dias anteriores à data do inquérito e a percentagem de crianças com idade entre 6-59 meses que foram suplementadas com vitamina A durante os seis meses que antecederam o inquérito, segundo características seleccionadas. Os mesmos resultados estão resumidos no Gráfico 10.2. · Metade das crianças menores de três anos consumiram frutas e vegetais ricos em vitamina A durante os 7 dias anteriores ao inquérito e outra metade de crianças de 6-59 meses foram reportadas como tendo recebido o suplemento da vitamina A durante os seis meses precedentes ao inquérito. · O consumo de frutas e vegetais ricos em vitamina A aumenta à medida que a idade avança. O nível de consumo mais elevado regista-se nas Províncias de Sofala e Gaza (64 e 61 por cento, respectivamente). · Quase 80 por cento de crianças de Maputo Cidade receberam o suplemento da vitamina A, mas somente 37 por cento da Província do Niassa tiveram igual sorte. Quantidades de Micronutrientes entre Mães Na amamentação, as crianças beneficiam de suplementos que as mães recebem, especialmente, a vitamina A. O estado nutricional da mãe durante gravidez é importante tanto para o desenvolvimento intra-uterino da criança como para a protecção contra a morbidez e a mortalidade materna. A cegueira nocturna é tida como um indicador sério da deficiência da vitamina A, da qual as mulheres grávidas são especialmente propensas. O Quadro 10.9 apresenta indicadores seleccionados sobre as quantidades de micronutrientes entre mães, particularmente a percentagem de mulheres que deram à luz nos cinco anos anteriores ao inquérito e que receberam a dose de vitamina A nos primeiros dois meses depois do parto, a percentagem que sofreu de cegueira nocturna durante a gravidez, e a percentagem que tomou comprimidos ou xarope de sal ferroso durante um número específico de dias, segundo características seleccionadas. O resumo destes indicadores é apresentado no Gráfico 10.2. Quadro 10.7 Iodização do sal dos agregado familiares Percentagem de agregados com sal testado para iodo e percentagem de agregados com sal iodizado, por área de residência, província e quintil de riqueza, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Agregados com Agregados com sal testado sal iodizados ––––––––––––––––– –––––––––––––––––– Número Número de Percen- de Percen- agregados Característica tagem agregados tagem testados ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Residência Rural 89.9 8,710 55.4 7,834 Urbana 93.2 3,605 49.9 3,361 Província Niassa 91.7 642 55.2 588 Cabo Delgado 68.3 1,248 37.4 852 Nampula 95.0 2,524 43.2 2,399 Zambézia 99.0 2,270 66.3 2,247 Tete 93.8 1,054 69.2 988 Manica 94.1 691 68.5 650 Sofala 95.8 769 59.9 737 Inhambane 96.9 1,056 50.3 1,024 Gaza 50.7 606 58.1 307 Maputo 96.7 814 42.9 787 Maputo Cidade 96.0 642 39.9 617 Quintil de riqueza Mais baixo 94.6 2,466 58.3 2,334 Segundo 91.2 2,878 50.7 2,624 Médio 88.5 2,603 55.4 2,304 Quarto 86.9 2,451 52.6 2,130 Mais elevado 94.0 1,917 51.4 1,802 Total 90.9 12,315 53.7 11,195 Amamentação da Criança, Nutrição Infantil e da Mãe | 175 · Somente uma em cada cinco mulheres recebeu vitamina A depois do parto, existindo uma pequena diferença por idade da mãe e número de filhos nascidos vivos. No entanto, existem grandes diferenças por nível de educação e por área de residência. · Quarenta e um por cento de mulheres com nível secundário receberam a vitamina A depois do parto, compara- tivamente a apenas 16 por cento das mulheres sem nenhum nível de educação. · Por outro lado, a percentagem de mães residentes nas áreas urbanas que receberam vitamina A após o parto é superior à das que vivem em áreas rurais, 30 por cento contra 17 por cento. · As diferenças por províncias são impressionantes. Excluindo Maputo Cidade, onde cerca de 67 por cento de mães receberam a dose de vitamina A nos primeiros dois meses após o parto, os níveis mais elevados observam-se na Zambézia (37 por cento) e Manica (cerca de 34 por cento). Em Inhambane e Gaza, somente 1 por cento de mães receberam a dose de vitamina A depois do parto. · Cerca de 39 por cento de mulheres não tomaram em nenhum dia comprimidos ou xarope de ferro. A percentagem é elevada entre as mulheres sem nenhum nível de educação, 53 por cento, as mulheres do quintil mais baixo, 60 por cento. Entre as províncias, a de Zambézia é a que apresenta a percentagem mais elevada de mulheres que em nenhum dia tomaram comprimidos ou xarope de ferro, seguido de Nampula e Niassa. Quadro 10.8 Quantidades de micronutrientes entre crianças Percentagem de crianças mais novas menores de três anos vivendo com as mães que consumiram frutas e vegetais ricas em vitamina A durante os sete dias que precederam o inquérito e percentagem de crianças com idade entre 6-59 meses que receberam o suplemento de vitamina A durante os seis meses antes do inquérito, por características seleccionadas, Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Crianças menores Crianças entre de três anos 6-59 meses –––––––––––––––––––––– –––––––––––––––––––– Consumiu Número Número frutas e de Consumiu de vegetais crianças suplemento crianças ricas em menores de de dos 6-59 Característica vitamina A1 três anos vitamina A meses –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade em meses <6 2.6 1,065 na na 6-9 26.4 707 44.7 718 10-11 59.2 297 61.2 300 12-23 68.7 1,876 61.3 1,933 24-35 72.8 1,277 52.3 1,677 36-47 na na 45.0 1,977 48-59 na na 40.0 1,714 Ordem de nascimento 1 49.0 1,008 52.4 1,745 2-3 48.9 1,797 50.1 2,910 4-5 51.3 1,288 49.5 1,941 6+ 50.9 1,132 47.0 1,723 Sexo da criança Masculino 49.4 2,588 48.9 4,098 Feminino 50.5 2,636 50.7 4,220 Amamentação Amamenta 42.6 3,893 54.4 2,949 Não amamenta 71.6 1,286 47.7 5,116 Sem informação 68.1 [ 44 37.8 253 Idade da mãe ao nascimento <20 47.1 1,038 51.7 1,810 20-24 49.5 1,390 51.8 2,304 25-29 49.8 1,228 48.3 1,896 30-34 49.7 808 46.7 1,192 35-49 55.2 760 48.5 1,117 Residência Rural 50.6 3,707 43.4 5,860 Urbana 48.3 1,516 65.0 2,458 Província Niassa 57.8 247 36.5 398 Cabo Delgado 45.3 469 47.8 713 Nampula 41.4 1,084 46.7 1,741 Zambézia 46.7 814 49.8 1,283 Tete 51.4 515 46.8 865 Manica 55.0 425 56.0 637 Sofala 63.8 385 42.4 607 Inhambane 51.1 399 41.7 668 Gaza 60.5 282 54.7 431 Maputo 52.7 333 62.2 540 Maputo Cidade 48.3 272 77.0 435 Nível de escolaridade da mãe Nenhum 49.9 2,372 40.3 3,812 Primário 50.0 2,616 56.5 4,180 Secundário 50.7 226 76.0 316 Superior * 9 * 10 Quintil de riqueza Mais baixo 45.8 1,387 38.6 2,181 Segundo 53.6 998 41.9 1,601 Médio 49.5 1,120 49.2 1,761 Quarto 53.6 893 57.9 1,417 Mais elevado 49.2 827 69.5 1,359 Total 49.9 5,224 49.8 8,318 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: A informação sobre a vitamina A está baseada na memória da mãe. Percentagem precedida por parêntese está baseada em 25-49 casos não ponderados. Percentagem baseada em menos de 25 casos não ponderadas não é apresentada (*). na = Não aplicável 1Inclui abóbora, pera/maçã vermelha ou amarela, cenoura, batata reno ou doce, vegetais com folhas verdes, manga, papaia e outras frutas e vegetais locais ricos em vitamin A | Amamentação da Criança, Nutrição Infantil e da Mãe 176 Quadro 10.9 Quantidades de micronutrientes entre as mães Percentagem de mulheres que tiveram parto durante os cinco anos anteriores ao inquérito que receberam a dose de vitamina A nos dois meses depois do parto, percentagem das mulheres que tiveram visão turva nas noites durante a gravidez e percentagem das que tomaram comprimidos e xarope de ferro durante dias específicos, por características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Receberam Tiveram dificuldade Distribuição percentual do número de dias dose de de visão à noite em que a mulher tomou comprimidos de vitamina A durante a gravidez ferro/ácido fólico durante a gravidez Número após o –––––––––––––––––––– ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– de Característica parto 1 Reportada Ponderada 2 Nenhum <60 60-89 90+ Sem inf. Total mulheres ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade ao nascimento <20 21.2 5.4 1.6 37.6 30.9 14.6 13.9 3.0 100.0 1,468 20-24 21.3 5.7 1.6 38.5 29.4 15.3 14.0 2.8 100.0 1,904 25-29 20.6 5.5 1.4 41.8 27.3 13.0 14.8 3.2 100.0 1,604 30-34 21.7 4.6 0.9 38.9 27.8 16.1 13.4 3.8 100.0 1,110 35-49 18.6 5.0 1.2 40.2 25.2 15.4 15.3 4.0 100.0 1,093 Número de filhos nascidos vivos 1 22.8 5.9 1.7 33.4 31.2 14.9 16.6 3.8 100.0 1,456 2-3 20.7 5.0 1.6 39.7 27.5 14.8 14.9 3.1 100.0 2,400 4-5 19.7 5.0 0.8 41.6 28.5 12.9 13.6 3.3 100.0 1,716 6+ 20.2 5.6 1.5 41.8 26.9 16.6 11.8 2.9 100.0 1,606 Residência Rural 16.6 4.9 1.4 48.7 25.0 13.4 10.5 2.4 100.0 4,940 Urbana 30.0 6.2 1.4 18.6 35.8 17.9 22.6 5.1 100.0 2,239 Província Niassa 20.7 4.2 0.8 41.5 36.7 15.2 5.3 1.3 100.0 326 Cabo Delgado 20.8 4.5 1.4 32.9 23.1 23.5 18.2 2.4 100.0 638 Nampula 5.9 8.2 1.7 49.2 21.9 11.8 15.9 1.3 100.0 1,458 Zambézia 36.7 8.0 3.1 67.9 20.7 7.1 2.9 1.5 100.0 1,118 Tete 23.9 1.6 0.2 39.7 31.3 14.4 12.7 1.9 100.0 694 Manica 33.8 2.7 0.5 32.7 42.5 14.1 9.1 1.6 100.0 535 Sofala 13.4 4.6 1.1 30.6 30.8 21.2 15.7 1.6 100.0 524 Inhambane 1.4 5.6 1.7 39.9 30.4 17.0 10.5 2.2 100.0 576 Gaza 1.1 1.8 0.6 30.2 38.4 18.6 11.2 1.5 100.0 381 Maputo 17.8 4.1 1.1 6.3 29.2 13.7 33.5 17.3 100.0 519 Maputo Cidade 66.5 5.1 0.6 3.5 34.3 20.5 31.9 9.8 100.0 409 Nível de escolaridade Nenhum 15.5 6.4 1.7 52.7 22.1 13.4 9.8 2.0 100.0 3,177 Primário 23.5 4.6 1.2 30.5 33.5 15.8 16.1 4.1 100.0 3,666 Secundário 41.1 2.2 0.9 9.6 31.9 18.3 34.1 6.1 100.0 325 Superior * * * * * * * * * 11 Quintil de riqueza Mais baixo 15.8 6.7 2.0 59.1 20.6 11.9 7.2 1.1 100.0 1,832 Segundo 16.1 5.6 1.6 47.9 25.9 14.1 10.8 1.2 100.0 1,361 Médio 20.9 3.8 0.8 42.8 29.3 13.2 11.8 2.9 100.0 1,471 Quarto 19.6 5.0 1.1 26.3 33.1 18.4 17.9 4.4 100.0 1,232 Mais elevado 33.8 5.3 1.3 10.6 36.4 18.0 27.3 7.8 100.0 1,282 Total 20.8 5.3 1.4 39.3 28.4 14.8 14.3 3.3 100.0 7,179 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Para mulheres com dois ou mais filhos nascidos vivos no período de cinco anos a data refere-se aos filho mais recente. A distribuição percentual baseada em menos de 25 casos não ponderados não é apresentada (*). 1Nos dois primeiros meses depois do parto 2Mulheres que declararam cegueira nocturna, mas que não tinham dificuldades de visão durante o dia Amamentação da Criança, Nutrição Infantil e da Mãe | 177 10.4 ESTADO NUTRICIONAL DAS CRIANÇAS É sabido hoje que o estado nutricional da criança é um factor determinante da sua susceptibilidade à doença. O estado nutricional é a função, dentre outros aspectos, dos hábitos, costumes e práticas alimentares e é também negativamente influenciado por doenças, particularmente as infecciosas que, dum modo geral, são excessivamente frequentes nos países menos desenvolvidos. As alterações do estado nutricional podem ser agudas ou crónicas, necessitando em certas circunstâncias de tratamento médico para restaurar o estado nutricional e o crescimento normal da criança. Uma das maiores contribuições do IDS 2003 para o estudo do estatuto de saúde das crianças são os dados antropométricos recolhidos em todas as crianças com menos de cinco anos de idade. Para cada uma dessas crianças foram obtidas medições de altura e de peso. Tradicionalmente, o estado nutricional é avaliado com base em medidas antropométricas relacionadas com a idade da criança. A tábua Shorr de medição utilizada está equipada de uma extensão que permite medir adultos, enquanto que a balança digital SECA com a escala de 100 gramas de precisão foi utilizada para obter os pesos para as crianças e as respectivas mães. Os dados permitem calcular os seguintes indicadores do estatuto nutricional: altura por idade (A/I), peso por altura (P/A) e peso por idade (P/I), índices utilizados para classificar o estado nutricional da criança comparando o valor obtido com os valores de uma população de referência, considerada bem nutrida. No presente inquérito, foram usadas as recomendações da OMS referentes a inquéritos nutricionais e os resultados obtidos foram comparados com a população de referência definida pelo CDC Gráfico 10.2 Micronutrientes Ingeridas por Crianças e por Mães, por Área de Residência e Província 67 18 1 1 13 34 24 37 6 21 21 30 17 21 77 62 55 42 42 56 47 50 47 48 37 65 43 50 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Maputo Cidade Maputo Gaza Inhambane Sofala Manica Tete Zambézia Nampula Cabo Delgado Niassa PROVÍNCIA Urbana Rural ÁREA DE RESIDÊNCIA TOTAL Percentagem de crianças (suplementos) e mulheres (Vitamina A) Vitamina A pós-parto Suplementos de Vitamina A Gráfico 10.2 Micronutrientes Ingeridas por Crianças e por Mães, por Área de Residência e Província 67 18 1 1 13 34 24 37 6 21 21 30 17 21 77 62 55 42 42 56 47 50 47 48 37 65 43 50 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Maputo Cidade Maputo Gaza Inhambane Sofala Manica Tete Zambézia Nampula Cabo Delgado Niassa PROVÍNCIA Urbana Rural ÁREA DE RESIDÊNCIA TOTAL Percentagem de crianças (suplementos) e mulheres (Vitamina A) Vitamina A pós-parto Suplementos de Vitamina A | Amamentação da Criança, Nutrição Infantil e da Mãe 178 (Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos da América) e NCHS (Centro Nacional de Estatística de Saúde dos Estados Unidos da América). Apesar das variações na altura e peso que se podem prever numa dada população espera-se que se essa população for suficientemente grande a distribuição seja mais próxima à curva Gaussiana. O índice A/I é um indicador que reflecte uma situação de desnutrição passada. Um afastamento deste indicador abaixo de -2 desvios padrões (DP) indica que a criança tem uma altura pequena para a sua idade e por conseguinte está cronicamente sub-nutrida. Um desvio abaixo de -3 DP indica uma situação mais severa de subnutrição crónica. Por conseguinte o índice A/I mede os efeitos de uma subnutrição prolongada. Por esta razão não serve para avaliar mudanças bruscas ou sazonais da disponibilidade de alimentos. O índice P/A é um indicador do estado nutricional presente ou actual. Ele mede a massa corporal em relação à altura do indivíduo. Um índice de P/A situado abaixo de -2 DP indica que a criança é magra e por conseguinte sofre de desnutrição aguda. Esta situação pode ser reflexo de doença aguda ou de aporte nutricional insuficiente no período recente antecedente ao estudo. O índice P/I dá indicações do peso em relação à idade. Uma criança com um índice P/I abaixo de -2 DP é considerada “pequena para a idade” ou seja com peso insuficiente. É um indicador útil para monitorizar intervenções clínicas em casos de mal-nutrição e na reabilitação nutricional. A validade dos índices nutricionais é determinada pela cobertura da população de crianças a serem estudadas e a padronização dos procedimentos de medição. Por exemplo, apesar de o termo “altura” ser usado aqui, crianças com menos 24 meses são medidas deitadas na régua de medição; a altura vertical é o padrão para medição de crianças mais velhas. No IDS 2003, todas as crianças abaixo de cinco anos de idade cujas mães foram entrevistadas foram qualificadas para estarem inclusas na recolha de dados antropométricos. Algumas tabulações que dizem respeito à qualidade dos dados são inclusas no Apêndice C. O Quadro 10.10 mostra a percentagem de crianças menores de 5 anos classificadas por estado de subnutrição de acordo com os índices de altura para a idade, peso para a altura e peso para a idade por grupos de idade e também por características demográficas seleccionadas. O Quadro 10.11 mostra os resultados por características socio-económicas seleccionadas. Os quadros apresentam a percentagem de crianças que estão abaixo de mais de 2 desvios padrões e abaixo da mediana da população de referência. A percentagem de crianças que são severamente malnutridas, isto é, que caem para além de 3 desvios padrões abaixo da mediana da população de referência é também ilustrada. O Gráfico 10.3 mostra a condição nutricional de crianças menores de cinco anos, de acordo com a idade, e o Gráfico 10.4 mostra a proporção de crianças com baixo peso e desnutrição crónica por área de residência e província. O Gráfico 10.5 compara a informação sobre o peso recolhida no IDS 1997 e 2003. No entanto a informação sobre altura em 1997 foi recolhida somente para crianças menores de 3 anos. · Quatro em cada dez crianças (41 por cento) menores de 5 anos são baixas em relação a sua idade ou sofrem de subnutrição crónica, e 4 por cento sofrem da subnutrição aguda (baixo peso para a altura). · Como era de esperar, a malnutrição crónica cresce com a idade e é relativamente baixa entre as crianças cujas as mães têm o nível Secundário (15 por cento). · As crianças das áreas rurais são mais vulneráveis à subnutrição crónica do que as das urbanas (46 contra 29 por cento). · O nível mais baixo da subnutrição crónica encontram-se em Maputo Cidade e Maputo Província (21 por cento e 24 por cento, respectivamente). Em Cabo Delgado, 56 por cento das crianças menores de cinco anos são consideradas baixas em relação à sua idade. Amamentação da Criança, Nutrição Infantil e da Mãe | 179 · Quase um quarto de crianças são consideradas com insuficiência de peso e 6 por cento estão muito abaixo do peso. O nível mais baixo de peso observa-se nas crianças com 10 e 11 meses de idade (37 por cento), 12-23 meses de idade (35 por cento) e em Cabo Delgado (34 por cento). Quadro 10.10 Estado nutricional das crianças menores de cinco anos por características demográficas Entre as crianças menores de cinco anos, percentagem classificada como desnutrida de acordo com altura por idade, peso por idade e peso por altura, segundo características demográficas seleccionadas, Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Altura para a idade Peso para a altura Peso para a idade (subnutrição crónica) (subnutrição aguda) (insuficiência do peso) –––––––––––––––––– ––––––––––––––––––– –––––––––––––––––– Percen- Percen- Percen- Percen- Percen- Percen- tagem tagem tagem tagem tagem tagem Número -3 DP -2 DP -3 DP -2 DP -3 DP -2 DP de Característica ou mais ou mais1 ou mais ou mais1 ou mais ou mais1 crianças –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade da criança <6 2.3 12.0 0.1 1.3 1.0 5.4 912 6-9 10.9 26.2 0.7 3.3 6.2 19.7 651 10-11 13.2 33.6 0.7 7.4 10.1 36.9 259 12-23 21.6 47.9 1.7 7.3 10.6 34.5 1,780 24-35 18.7 43.6 1.3 4.7 9.5 28.5 1,599 36-47 22.5 49.4 0.8 3.4 5.0 22.3 1,871 48-59 20.9 44.5 0.5 1.6 3.0 18.3 1,625 Sexo Masculino 19.3 42.6 0.9 4.0 6.7 24.7 4,314 Feminino 16.9 39.4 1.0 4.0 6.2 22.6 4,384 Ordem de nascimento 2 1 17.8 41.7 1.1 4.9 6.4 23.9 1,477 2-3 18.1 41.0 0.7 3.5 6.3 23.6 2,740 4-5 16.1 39.0 1.3 4.4 6.3 23.2 1,914 6+ 20.7 42.7 0.6 3.6 6.8 25.6 1,719 Intervalo de nascimento en meses2 Primeiro filho3 17.8 41.8 1.1 4.9 6.4 23.9 1,483 <24 23.8 48.8 0.8 3.0 7.3 26.7 923 24-47 18.3 42.3 1.0 3.8 6.5 24.5 3,917 48+ 14.5 32.3 0.5 4.4 5.7 21.3 1,526 Tamanho da criança ao nascer2 Muito pequeno 32.9 52.5 1.2 5.7 14.2 40.8 101 Mais pequeno que a média 23.3 49.1 0.8 4.3 9.9 33.5 1,311 Médio uo maior 16.8 39.1 0.9 3.9 5.6 21.8 6,416 Idade da mãe4 15-19 17.9 40.3 1.5 4.7 8.2 27.2 787 20-24 19.2 42.2 1.0 4.1 7.0 23.8 2,219 25-29 17.3 40.4 1.7 4.9 6.5 23.1 2,214 30-34 17.6 39.2 0.4 3.1 4.5 22.5 1,645 35-49 18.3 42.0 0.2 3.2 6.6 23.7 1,833 Estatuto da mãe Mãe entrevistada 18.1 41.0 0.9 4.0 6.4 24.0 7,850 Mãe não entrevistada Presente 16.2 36.7 1.0 3.9 7.0 23.6 350 Ausente5 18.6 43.5 1.2 3.5 6.1 18.1 486 Total 18.1 41.0 0.9 4.0 6.4 23.7 8,697 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Informação baseada nas crianças que passaram à noite no agregado nà noite anterior ao inquérito. Cada índice expressa-se em termos de desvio padrão (DP) da mediana da população de referência internacional recomendada pelo NCHS/CDC/OMS. As crianças classificam-se como desnutridas quando se encontram 2 ou mais desvios padrão (2 DP) abaixo da mediana da população de referência. Foram consideradas as crianças com data de nascimento válida (mês e ano) e mediadas de peso e altura também válidos. 1Inclui as crianças que estão 3 desvios padrão (3 DP) ou mais abaixo da mediana da população de referência 2Exclui crianças cujas mães não foram entrevistadas 3Gémeos (trigémeos, etc.) primogénitos são contados como primeiros nascimentos, porque não têm um intervalo de nascimento anterior 4A informação, para as mulheres que não foram entrevistadas, é tirada dos questionários do agregado familiar. Exclui crianças cujas mães não estão listadas na composição da família. 5Inclui crianças cujas mães já faleceram | Amamentação da Criança, Nutrição Infantil e da Mãe 180 Quadro 10.11 Estado nutricional das crianças menores de cinco anos por características socio-económicas Entre as crianças menores de cinco anos, percentagem classificada como desnutrida de acordo com altura por idade, peso por idade e peso por altura, segundo características sócio-económicas seleccionadas, Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Altura para a idade Peso para a altura Peso para a idade (subnutrição crónica) (subnutrição aguda) (insuficiência do peso) –––––––––––––––––– ––––––––––––––––––– –––––––––––––––––– Percen- Percen- Percen- Percen- Percen- Percen- tagem tagem tagem tagem tagem tagem Número -3 DP -2 DP -3 DP -2 DP -3 DP -2 DP de Característica ou mais ou mais1 ou mais ou mais1 ou mais ou mais1 crianças –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Residência Rural 21.2 45.7 1.0 4.3 7.6 27.1 6,190 Urbana 10.4 29.2 0.7 3.1 3.6 15.2 2,507 Província Niassa 24.0 47.0 0.6 1.3 4.6 25.1 384 Cabo Delgado 30.4 55.6 0.9 4.1 9.2 34.2 693 Nampula 18.7 42.1 1.7 6.0 8.0 28.2 1,823 Zambézia 24.6 47.3 0.8 5.2 8.9 26.9 1,353 Tete 18.1 45.6 0.3 1.6 5.8 25.1 948 Manica 16.8 39.0 0.6 2.8 5.8 22.9 678 Sofala 17.4 42.3 2.9 7.6 8.7 26.2 624 Inhambane 12.3 33.1 0.1 1.3 2.0 12.8 740 Gaza 11.7 33.6 1.0 6.7 6.0 22.6 504 Maputo 5.3 23.9 0.0 0.5 2.3 9.2 543 Maputo Cidade 5.9 20.6 0.1 0.8 1.4 7.9 407 Nível de escolaridade Nenhum 20.2 46.9 0.3 3.9 10.6 31.1 141 Primário 18.5 41.8 0.9 4.0 6.5 24.4 7,739 Secundário 5.2 15.0 2.0 4.4 3.7 12.1 311 Superior * * * * * * 11 Quintil de riqueza Mais baixo 24.5 49.3 1.7 5.6 9.9 30.8 2,235 Segundo 20.6 46.7 0.7 4.3 7.1 27.3 1,670 Médio 20.8 46.2 0.7 3.0 5.8 25.8 1,851 Quarto 13.6 35.2 0.5 3.9 5.5 19.9 1,571 Mais elevado 6.0 20.0 0.8 2.5 2.0 8.9 1,370 Total 18.1 41.0 0.9 4.0 6.4 23.7 8,697 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Informação baseada nas crianças que passaram à noite no agregado nà noite anterior ao inquérito. Cada índice expressa-se em termos de desvio padrão (DP) da mediana da população de referência internacional recomendada pelo NCHS/CDC/OMS. As crianças classificam-se como desnutridas quando se encontram 2 ou mais desvios padrão (2 DP) abaixo da mediana da população de referência. Foram consideradas as crianças com data de nascimento válida (mês e ano) e mediadas de peso e altura também válidos. Percentagem baseada em menos de 25 casos não ponderadas não é apresentada (*). 1Inclui as crianças que estão 3 desvios padrão (3 DP) ou mais abaixo da mediana da população de referência Amamentação da Criança, Nutrição Infantil e da Mãe | 181 G r á f i c o 1 0 . 3 C o n d i ç ã o N u t r i c i o n a l d e C r i a n ç a s c o m M e n o s d e C i n c o A n o s , d e A c o r d o c o m a I d a d e 1 2 26 3 4 48 4 4 49 4 5 1 3 7 7 5 3 2 5 20 3 7 35 2 9 22 1 8 0 5 1 0 1 5 2 0 2 5 3 0 3 5 4 0 4 5 5 0 < 6 6 -9 1 0 - 1 1 12 -23 24 -35 36 -47 4 8 - 5 9 I d a d e e m m e s e s P er ce n ta g em d e cr ia n ça s S u b n i t r a ç ã o c r ó n i c a S u b n i t r a ç ã o a g u d a I n s u f i c i ê n c i a d e p e s o G r á f i c o 1 0 . 3 C o n d i ç ã o N u t r i c i o n a l d e C r i a n ç a s c o m M e n o s d e C i n c o A n o s , d e A c o r d o c o m a I d a d e 1 2 26 3 4 48 4 4 49 4 5 1 3 7 7 5 3 2 5 20 3 7 35 2 9 22 1 8 0 5 1 0 1 5 2 0 2 5 3 0 3 5 4 0 4 5 5 0 < 6 6 -9 1 0 - 1 1 12 -23 24 -35 36 -47 4 8 - 5 9 I d a d e e m m e s e s P er ce n ta g em d e cr ia n ça s S u b n i t r a ç ã o c r ó n i c a S u b n i t r a ç ã o a g u d a I n s u f i c i ê n c i a d e p e s o Gráfico 10.4 Crianças Menores de Cinco Anos Malnutridas ou com Baixo Peso, por Área de Residência e Província 8 9 23 13 26 23 25 27 28 34 25 15 27 24 21 24 34 33 42 39 46 47 42 56 47 29 46 41 0 10 20 30 40 50 60 70 80 Maputo Cidade Maputo Gaza Inhambane Sofala Manica Tete Zambézia Nampula Cabo Delgado Niassa PROVÍNCIA Urbana Rural ÁREA DE RESIDÊNCIA TOTAL Percentagem de crianças Malnutrição crónica Baixo peso Gráfico 10.4 Crianças Menores de Cinco Anos Malnutridas ou com Baixo Peso, por Área de Residência e Província 8 9 23 13 26 23 25 27 28 34 25 15 27 24 21 24 34 33 42 39 46 47 42 56 47 29 46 41 0 10 20 30 40 50 60 70 80 Maputo Cidade Maputo Gaza Inhambane Sofala Manica Tete Zambézia Nampula Cabo Delgado Niassa PROVÍNCIA Urbana Rural ÁREA DE RESIDÊNCIA TOTAL Percentagem de crianças Malnutrição crónica Baixo peso | Amamentação da Criança, Nutrição Infantil e da Mãe 182 10.5 ESTADO NUTRICIONAL DAS MULHERES A altura da mãe está associada à condição sócio-económica de gerações e é importante para identificar risco nutricional na mulher. Além disso, a altura materna é usada para diagnosticar o risco de dificuldade no parto, porque uma estatura baixa está relacionada com tamanho pequeno da bacia ou pélvis. O risco de nascimento de baixo peso também parece ser maior para crianças de mães de estatura baixa. O nível de altura a partir do qual a mãe pode ser considerada em risco nutricional varia entre diferentes populações mas é provável de estar entre 140-150 centímetros. Por outro lado, o baixo peso de gravidez está geralmente associada com gravidez problemáticas, se bem que deve-se ter em conta o peso materno.9 O estado nutricional das mães foi avaliado em mulheres com crianças menores de cinco anos com base nas seguintes medidas antropométricas: altura e índice de massa corporal (IMC). Já que o peso depende da idade e da altura, usou-se um Índice de Massa do Corpo (BMI) para avaliar emagrecimento ou obesidade. O índice mais comum usado é o Índice de Quetelet definido como o peso em quilogramas dividido por altura ao quadrado em metros. O ponto crítico de 19.5 foi recomendado pelo Grupo Consultivo Internacional de Energia Diética para a definição de deficiência energética crónica. A obesidade, por outro lado, não foi claramente definida; porém, foi sugerido que mulheres com IMC acima de 30.0 são consideradas obesas. A partir destes dados foram estimadas as percentagens de mulheres com altura média inferior a 145 cm, considerado nível crítico da altura de uma mulher em idade fértil e com IMC inferior a 18.5 nos diferentes grupos etários. As médias e a percentagem de mulheres abaixo do ponto critico de altura (tido 9A identificação de grupos de riscos é feita seguindo recomendacões de um encontro sobre antropometria materna realizado em 1990 sobre a questão do prognóstico de condições de gravidez (veja K. Krasovec e M.A. Anderson (eds). 1991. Maternal Nutrition and Pregnancy Outcomes: Anthropometric Assessment. Scientific Publication No. 529. Washington, D.C.: Pan American Health Organization). Gráfico 10.5 Crianças Menores de Três Anos com Malnutrição Crónica, por Área de Residência e Província, 1997 e 2003 2 2 16 3 0 2 6 3 9 4 1 4 6 3 7 3 8 57 55 2 7 3 9 3 6 2 2 2 4 3 0 2 9 4 1 3 4 4 1 4 1 3 7 50 4 0 2 7 4 1 3 7 0 10 20 30 40 50 60 70 80 M a p u t o C i d a d e M a p u t o Gaza Inhambane Sofa la M a n i c a T e t e Zambézia Nampula Cabo De lgado N i a s s a P R O V I N C E Urban R u r a l R E S I D E N C E T o t a l Percentagem de crianças IDS 2003 IDS 1997 Gráfico 10.5 Crianças Menores de Três Anos com Malnutrição Crónica, por Área de Residência e Província, 1997 e 2003 2 2 16 3 0 2 6 3 9 4 1 4 6 3 7 3 8 57 55 2 7 3 9 3 6 2 2 2 4 3 0 2 9 4 1 3 4 4 1 4 1 3 7 50 4 0 2 7 4 1 3 7 0 10 20 30 40 50 60 70 80 M a p u t o C i d a d e M a p u t o Gaza Inhambane Sofa la M a n i c a T e t e Zambézia Nampula Cabo De lgado N i a s s a P R O V I N C E Urban R u r a l R E S I D E N C E T o t a l Percentagem de crianças IDS 2003 IDS 1997 Amamentação da Criança, Nutrição Infantil e da Mãe | 183 como 145cms) de acordo com características seleccionadas são apresentados no Quadro 10.12. A distribuição bem como a média do peso e o índice de massa do corpo (BMI) são também apresentados no quadro. Indicadores baseados no peso da mulher não são mostrado para mulheres actualmente grávidas. Como exemplo, uma mulher com 147 cms estaria em risco se pesasse menos de 40 kgs; se a altura é 160 cms, e pesar menos de 47.4 kgs seria considerada também em risco. · A média de altura entre as mulheres que tiveram filhos nos últimos três anos anteriores ao inquérito é 155.2 centímetros. A Província de Cabo Delgado apresenta 10 por cento de mulheres com altura inferior a 145 centímetros, seguindo as Províncias de Zambézia e Nampula com 8 por cento. · Mais de 77 por cento de mulheres apresentam índice de massa corporal (IMC) normal, a percentagem ultrapassa os 80 por cento nas Províncias de Niassa, Cabo Delgado, Nampula, Zambézia, Manica e Sofala, enquanto que as de Maputo Cidade e Maputo Província apresentam percentagens abaixo de 70 por cento. Estas últimas províncias, apresentam mais de um terço de mulheres com IMC muito pesada. Quadro 10.12 Situação nutricional das mães Entre as mulheres que tiveram um filho nos três anos antes do inquérito, altura média e percentagem de mulheres com altura menor de 145 centímetros, média de Índice de Massa Corporal (IMC), e percentagem com nível específico de IMC, por características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Altura Índice de Massa Corporal IMC1 (kg/m2) –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Percen- Normal Magra Muito pesada/obesa (PO) tagem –––––––– ––––––––––––––––––––––––––––––––– –––––––––––––––––––––––– com 18.5- 17.0-18.4 16.0-16.9 <16.0 menos Número Média 24.9 <18.5 (ligeira- (moderada- (severa- =25.0 25.0-29.9 30.0 Número Valor de de de (IMC (total mente mente mente (total (muito ou mais de Característica medio 145 cm1 mulheres IMC normal magra) magra) magra) magra) PO) pesada) (obesa) mulheres ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 154.5 5.9 2,263 21.3 79.1 12.6 9.5 2.3 0.8 8.3 7.2 1.1 1,969 20-24 155.1 5.1 2,321 21.6 82.2 8.9 7.4 1.4 0.0 9.0 7.6 1.3 1,916 25-29 155.2 6.2 2,115 22.0 80.0 6.8 5.6 0.6 0.5 13.2 10.8 2.4 1,736 30-34 155.5 4.5 1,715 22.5 76.7 6.7 5.2 0.9 0.6 16.6 11.7 4.9 1,497 35-39 155.8 4.0 1,340 22.8 72.9 7.4 5.9 1.1 0.5 19.7 12.7 7.0 1,217 40-44 156.1 2.2 1,072 23.0 69.6 8.0 5.9 1.3 0.9 22.4 13.8 8.6 1,021 45-49 155.5 4.0 905 22.6 73.4 8.3 6.1 2.0 0.1 18.3 11.7 6.6 882 Residência Rural 154.6 5.8 7,553 21.4 81.9 10.0 7.6 1.8 0.5 8.1 6.9 1.2 6,477 Urbana 156.4 3.3 4,178 23.3 69.4 6.2 5.2 0.7 0.4 24.4 15.9 8.4 3,762 Província Niassa 153.8 4.8 414 21.7 85.2 6.5 5.6 0.6 0.2 8.3 6.9 1.4 344 Cabo Delgado 152.9 10.3 961 21.2 80.9 12.2 9.3 1.6 1.2 7.0 6.0 1.0 840 Nampula 153.9 7.6 2,299 21.6 80.3 10.0 7.4 2.2 0.4 9.7 7.2 2.5 2,030 Zambézia 153.5 7.7 1,873 21.4 81.3 11.0 8.3 2.1 0.7 7.7 6.1 1.6 1,613 Tete 155.9 2.8 1,021 21.6 79.0 10.6 8.9 1.0 0.7 10.4 8.7 1.7 864 Manica 155.4 3.0 735 21.8 82.6 6.1 4.7 1.2 0.3 11.3 9.9 1.3 586 Sofala 155.2 3.6 782 21.5 84.6 8.6 7.4 0.8 0.5 6.8 5.1 1.6 652 Inhambane 156.9 2.0 1,038 22.8 76.7 4.8 4.1 0.5 0.2 18.5 14.6 3.9 944 Gaza 157.6 1.5 659 21.7 74.5 12.6 9.3 2.4 0.9 12.8 10.4 2.4 577 Maputo 157.5 1.5 977 24.2 64.5 3.7 3.3 0.3 0.1 31.8 20.3 11.4 885 Maputo Cidade 158.4 1.1 972 24.3 61.7 4.4 3.6 0.7 0.1 33.9 20.6 13.3 903 Nível de escolaridade Nenhum 154.4 6.6 4,875 21.5 82.6 9.3 7.2 1.6 0.5 8.1 6.8 1.3 4,197 Primário 155.5 3.9 5,974 22.4 74.7 8.2 6.6 1.2 0.5 17.1 12.2 4.8 5,216 Secundário 157.9 1.9 855 23.6 66.4 7.4 5.7 1.4 0.3 26.2 15.5 10.8 800 Superior [ 162.0 [ 0.0 [ 27 [ 23.0 [ 80.0 [ 0.6 [ 0.6 [ 0.0 [ 0.0 [ 19.4 [ 18.5 [ 0.9 26 Quintil de riqueza Mais baixo 154.0 6.9 2,727 21.1 83.8 10.2 7.6 1.8 0.8 6.0 5.5 0.6 2,318 Segundo 154.3 6.5 2,093 21.3 82.5 11.5 9.2 1.9 0.3 6.0 5.2 0.8 1,778 Médio 154.8 5.2 2,205 21.4 82.4 9.7 7.8 1.3 0.6 8.0 7.3 0.7 1,879 Quarto 155.7 3.7 2,104 22.3 77.1 7.3 5.7 1.2 0.3 15.7 12.5 3.2 1,862 Mais elevado 157.3 2.1 2,603 24.1 63.4 5.1 4.0 0.8 0.3 31.5 19.2 12.3 2,401 Total 155.2 4.9 11,731 22.1 77.3 8.6 6.7 1.4 0.5 14.1 10.3 3.9 10,239 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Percentagem precedida por parêntese está baseada em 25-49 casos não ponderados. 1O Indice da Massa do Corpo (IMC) é expresso como a taxa do peso em kilogramas pelo quadrado da altura em metros (kg/m2). Foram excluídas as mulheres grávidas e aquelas que tiveram um filho nos últimos 2 meses. | Amamentação da Criança, Nutrição Infantil e da Mãe 184 HIV/SIDA e Outras Doenças de Transmissão Sexual | 185 HIV/SIDA E OUTRAS DOENÇAS DE TRANSMISSÃO SEXUAL 11 No IDS 2003, recolheu-se informação detalhada sobre o Síndroma de Imunodeficiência Adquirida (SIDA), doença causada pela infecção do vírus de imunodeficiência humana (HIV). O SIDA tornou-se na última década num dos mais importantes problemas de saúde a nível mundial e em particular nos países Africanos e do Terceiro Mundo, dadas as suas características epidemiológicas peculiares: é uma doença que afecta maioritariamente a população economicamente activa, é invariavelmente fatal, a sua progressão é do tipo geométrico e, actualmente, contribui significativamente no peso global da doença no continente Africano. A prevalência do HIV em Moçambique tem vindo a aumentar consideravelmente, em particular nas províncias centrais de Manica, Tete, Sofala e Zambézia. Em 1996 a OMS estimava que a prevalência média da infecção pelo HIV fosse cerca de 8 por cento a nível nacional. Dados actuais, provenientes da Ronda 2002, apontam para uma prevalência de 14 por cento. O sistema de vigilância epidemiológica do HIV em Moçambique funciona desde 1992. Neste momento funcionam em todo o país 36 postos sentinela. O presente capitulo fornece informações sobre os seguintes assuntos: i) Conhecimentos e atitudes relacionados com o HIV/SIDA; ii) Comunicação, estigma e discriminação relacionados com HIV/SIDA; iii) Reconhecimento de outras DTS além do HIV/SIDA, auto declaração de DTS e respostas a DTS; iv) Experiência a atitude em relação ao teste de HIV; v) Comportamento sexual e acesso a e uso de preservativo. Duas secções do questionário do IDS 2003 foram dedicadas a assuntos de HIV/SIDA/DTS: a Secção 5, que tem perguntas sobre comportamento sexual, acesso e uso de preservativo masculino, e a Secção 8, que trata especificamente de HIV/SIDA e outras doenças de transmissão sexual. De notar que o questionário inclui também uma série de perguntas sobre morbidilidade e consumo de álcool que podem ser utilizadas para fazer cruzamentos com outros comportamentos de risco. Informação sobre a idade à primeira relação sexual, um indicador importante para muitas iniciativas da saúde reprodutiva incluindo os que estão envolvidos no HIV/SIDA, foi apresentada no Capítulo 6 sobre actividades maritais e sexuais. 11.1 CONHECIMENTOS E INFORMAÇÃO SOBRE SIDA O conhecimento básico sobre HIV/SIDA e aceitação de que a sua transmissão pode ser controlada e evitada são necessários. A experiência de muitos países mostra que o conhecimento geral tende a ser muito alto, mas o conhecimento das formas de evitar HIV/SIDA tende a ser menor. O questionário do IDS 2003 foi desenhado para recolher informação sobre conhecimentos relacionados com HIV/SIDA de duas formas específicas: 1) através de questões abertas, a serem respondidas de forma espontânea pelos inquiridos que declararam que “sabem algo sobre o SIDA” e “como se pode evitar”; 2) colocando questões mais directas sobre medidas específicas para evitar a transmissão do HIV. O questionário continha também uma pergunta destinada à avaliação do impacto da epidemia do SIDA a nível pessoal, que era: “Você conhece pessoalmente alguma pessoa que tem o vírus da SIDA, ou que tenha morrido de SIDA?” Presume-se que um aumento na personalização do impacto esteja associado a uma maior motivação para a mudança do comportamento, no sentido de se adoptar práticas sexuais mais seguras. | HIV/SIDA e Outras Doenças de Transmissão Sexual 186 Quadro 11.1 Conhecimento de HIV/SIDA Percentagem de mulheres e homens que ouviram a falar HIV/SIDA; percentagem dos que acreditam que existem formas de evitar HIV/SIDA; e percentagem dos que conhecem alguém que tenha SIDA ou que tenha morrido de SIDA, por características seleccionadas, Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Mulheres 15-49 Homens 15-49 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Ouviu Acredita Conhece alguém Ouviu Acredita Conhece alguém falar que há que tenha falar que há que tenha de formas SIDA ou que Número de formas SIDA ou que Número HIV/ de evitar tenha morrido de HIV/ de evitar tenha morrido de Característica SIDA HIV/SIDA de SIDA mulheres SIDA HIV/SIDA de SIDA homens –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 96.0 66.8 44.9 2,454 97.9 77.1 34.5 673 20-24 94.7 63.7 45.5 2,456 99.3 82.9 47.9 404 25-29 95.9 64.0 42.9 2,224 97.1 75.3 44.9 378 30-39 95.6 62.4 42.0 3,203 96.9 77.7 39.5 594 40-49 96.1 62.3 46.7 2,081 98.2 79.6 43.2 442 15-24 95.4 65.2 45.2 4,910 98.4 79.3 39.5 1,077 Estado civil Solteira(o) 96.2 73.8 46.5 1,961 97.8 79.9 38.8 911 Já teve sexo 97.9 79.4 51.5 1,261 99.1 83.2 43.6 687 Nunca teve sexo 93.2 63.7 37.6 700 94.0 69.7 24.1 224 Casada(o)/união consensual 95.3 61.2 42.9 8,736 97.7 76.4 41.7 1,466 Alguma vez unida(o) 97.0 65.6 48.3 1,721 99.5 91.1 49.3 113 Residência Rural 93.7 55.4 38.9 7,870 96.2 72.9 36.5 1,423 Urbana 99.1 78.4 53.5 4,548 99.9 85.6 47.0 1,067 Província Niassa 93.8 50.5 49.4 476 99.4 96.6 45.3 99 Cabo Delgado 96.9 30.8 29.1 1,071 100.0 37.8 14.0 237 Nampula 95.3 65.3 31.3 2,403 99.8 68.2 28.9 574 Zambézia 83.7 35.2 32.8 1,906 88.1 63.1 38.4 401 Tete 99.6 81.5 70.6 1,025 100.0 98.8 67.6 188 Manica 99.0 70.3 51.2 809 100.0 90.4 80.3 172 Sofala 98.7 70.5 43.4 865 98.7 94.4 52.7 201 Inhambane 97.8 56.3 45.6 1,088 99.3 92.8 33.4 136 Gaza 100.0 86.5 57.0 666 99.5 94.8 59.4 75 Maputo 99.8 91.6 56.5 1,050 100.0 94.8 49.4 174 Maputo Cidade 99.7 89.7 55.3 1,059 99.7 97.8 32.4 232 Nível de escolaridade Nenhum 91.7 50.1 35.1 5,100 90.1 57.4 24.5 342 Primário 98.2 69.5 48.6 6,347 99.0 77.7 39.5 1,708 Secundário 100.0 98.2 62.9 940 99.2 96.8 58.7 420 Superior [ 100.0 [ 100.0 [ 86.0 30 [ 100.0 [ 100.0 [ 77.0 20 Quintil de riqueza Mais baixo 90.5 45.5 31.7 2,814 93.1 70.2 32.6 537 Segundo 93.7 53.0 37.0 2,166 96.3 66.0 38.0 404 Médio 95.9 62.1 43.9 2,333 99.6 72.8 40.3 445 Quarto 98.7 68.7 49.4 2,251 99.8 85.9 44.8 426 Mais elevado 99.7 87.6 58.2 2,854 100.0 91.1 47.4 678 Total 15-49 95.7 63.8 44.2 12,418 97.8 78.4 41.0 2,490 Total 15-64 na na na na 97.7 77.1 41.2 2,900 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Percentagem precedida por parêntese está baseada em 25-49 casos não ponderados. na = Não se aplica O Quadro 11.1 apresenta a percentagem de mulheres e homens que ouviram falar de SIDA, a percentagem dos que acreditam que existem formas de evitar a transmissão de HIV/SIDA e a dos que conhecem alguém que tenha SIDA ou que tenha morrido de SIDA, segundo características seleccionadas. Este quadro é usado como uma introdução ao capítulo e será usado em combinação com dados de inquéritos previamente realizados, para documentar o progresso na consciencialização geral da população de referência. HIV/SIDA e Outras Doenças de Transmissão Sexual | 187 · O conhecimento do HIV/SIDA é quase universal: cerca de 96 por cento de mulheres e 98 por cento de homens ouviram falar de SIDA. Como resultado disso, diferenciais de acordo com características de base são quase insignificantes. · Há, contudo, diferenças notáveis por sexo, na percentagem de entrevistados que acreditam que existem formas de evitar HIV/SIDA — aproximadamente 64 por cento de mulheres e 78 por cento de homens. · Diferenças se observam também quando os dados são confrontados por nível de escolaridade: quase todos os entrevistados com nível secundário acreditam que existem meios para evitar o HIV/SIDA, mas apenas metade dos sem nível algum de educação crêem na existência de formas prevenção do vírus do SIDA. · A percentagem de mulheres na Província de Maputo (92 por cento) e em Maputo Cidade (90 por cento) que acreditam que há vias para evitar o HIV/SIDA é três vezes maior que a das de Cabo Delgado (31 por cento). De notar que a Província de Cabo Delgado apresenta também menor percentagem de homens que admitem a existência de maneiras de evitar o HIV/SIDA (38 por cento). · Cerca de 4 em cada 10 entrevistados declararam conhecer alguém que tenha SIDA ou que tenha morrido de SIDA. De notar, no entanto, que os dados sobre conhecimento de alguém com SIDA apresentam importantes variações por província: de três em cada 10 mulheres em Cabo Delgado, Nampula e Zambézia a 7 em cada 10 mulheres em Tete. Entre os homens, os valores extremos correspondem a Cabo Delgado (14 por cento) e Manica (80 por cento). Gráfico 11.1 Entrevistados que Acreditam que Existem Formas de Evitar HIV/SIDA, por Área de Residência e Província 98 95 95 93 94 90 99 63 68 38 97 86 73 78 90 92 87 56 71 70 82 35 65 31 51 78 55 64 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Maputo Cidade Maputo Gaza Inhambane Sofala Manica Tete Zambézia Nampula Cabo Delgado Niassa PROVÍNCIA Urbana Rural ÁREA DE RESIDÊNCIA TOTAL Percentagem Mulheres 15-49 Homens 15-49 Gráfico 11.1 Entrevistados que Acreditam que Existem Formas de Evitar HIV/SIDA, por Área de Residência e Província 98 95 95 93 94 90 99 63 68 38 97 86 73 78 90 92 87 56 71 70 82 35 65 31 51 78 55 64 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Maputo Cidade Maputo Gaza Inhambane Sofala Manica Tete Zambézia Nampula Cabo Delgado Niassa PROVÍNCIA Urbana Rural ÁREA DE RESIDÊNCIA TOTAL Percentagem Mulheres 15-49 Homens 15-49 | HIV/SIDA e Outras Doenças de Transmissão Sexual 188 As mensagens dos programas de prevenção de HIV/SIDA centram-se nos seguintes meios de importância programática para evitar o HIV/SIDA: abstinência sexual dos jovens (atraso no inicio da prática sexual em jovens), uso da camisinha e redução do número de parceiros. O tipo de respostas a questões sobre medidas para prevenir a transmissão do HIV/SIDA indica a importância relativa das diferentes formas de prevenção. O Quadro 11.2.1 apresenta a distribuição percentual de mulheres e homens por conhecimento das formas de evitar o HIV/SIDA: a percentagem de entrevistados que deram informação sobre nenhum, um, dois ou três destes modos para evitar o HIV/SIDA. Esta informação é baseada em respostas a questões directas. Quadro 11.2.1 Conhecimento de número de meios de importância programática para evitar o HIV/SIDA Distribuição percentual de mulheres e homens por número de meios de importância programática para evitar o HIV/SIDA que conhecem, segundo características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Mulheres 15-49 Homens 15-49 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––– –––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Dois ou Número Dois ou Número Nenhum Um três de Nenhum Um três de Característica meio1 meio meios Total mulheres meio1 meio meios Total homens ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 33.2 10.8 56.0 100.0 2,454 23.1 9.8 67.1 100.0 673 20-24 36.3 10.6 53.1 100.0 2,456 17.1 6.4 76.6 100.0 404 25-29 36.2 9.0 54.8 100.0 2,224 24.7 6.8 68.5 100.0 378 30-39 37.6 8.2 54.2 100.0 3,203 22.5 5.8 71.7 100.0 594 40-49 37.9 12.0 50.0 100.0 2,081 20.5 6.1 73.2 100.0 442 15-24 34.7 10.7 54.5 100.0 4,910 20.9 8.5 70.7 100.0 1,076 Estado civil Solteira(o) 26.1 11.2 62.6 100.0 1,961 20.3 8.7 71.1 100.0 911 Já teve sexo 20.5 11.5 67.8 100.0 1,261 16.9 8.4 74.7 100.0 687 Nunca teve sexo 36.2 10.5 53.3 100.0 700 30.6 9.5 59.9 100.0 224 Casada(o)/união consensual 38.9 9.8 51.3 100.0 8,736 23.7 6.1 70.2 100.0 1,466 Alguma vez unida(o) 34.6 9.5 55.9 100.0 1,721 8.9 9.3 81.8 100.0 113 Residência Rural 44.7 9.9 45.3 100.0 7,870 27.2 5.9 67.0 100.0 1,423 Urbana 21.6 10.0 68.3 100.0 4,548 14.6 8.9 76.4 100.0 1,067 Província Niassa 49.6 8.3 42.0 100.0 476 3.4 16.7 80.0 100.0 99 Cabo Delgado 69.1 7.1 23.6 100.0 1,071 63.7 10.8 25.6 100.0 237 Nampula 34.8 16.1 49.1 100.0 2,403 31.8 5.9 62.3 100.0 574 Zambézia 65.1 5.4 29.4 100.0 1,906 36.9 3.0 60.1 100.0 401 Tete 18.5 3.2 78.2 100.0 1,025 1.5 2.1 96.4 100.0 188 Manica 29.7 4.4 65.9 100.0 809 9.6 1.6 88.7 100.0 172 Sofala 29.5 18.1 52.3 100.0 865 5.6 10.3 84.2 100.0 201 Inhambane 43.7 9.8 46.6 100.0 1,088 7.2 8.0 84.8 100.0 136 Gaza 13.5 7.5 78.9 100.0 666 5.2 5.1 89.7 100.0 75 Maputo 8.4 9.7 81.8 100.0 1,050 5.2 4.8 90.0 100.0 174 Maputo Cidade 10.3 13.9 75.5 100.0 1,059 1.9 17.1 80.7 100.0 232 Nível de escolaridade Nenhum 50.0 11.5 38.5 100.0 5,100 42.6 6.7 50.8 100.0 342 Primário 30.5 9.2 60.3 100.0 6,347 22.5 7.8 69.7 100.0 1,708 Secundário 1.8 7.1 91.0 100.0 940 3.2 5.1 91.7 100.0 420 Superior [ 0.0 [ 8.8 [ 91.2 [ 100.0 30 [ 0.0 [ 5.5 [ 94.5 [ 100.0 20 Quintil de riqueza Mais baixo 54.5 10.0 35.5 100.0 2,814 29.8 7.4 62.8 100.0 537 Segundo 47.2 10.3 42.5 100.0 2,166 34.2 4.6 61.2 100.0 404 Médio 38.0 10.5 51.5 100.0 2,333 27.3 4.9 67.8 100.0 445 Quarto 31.3 9.3 59.3 100.0 2,251 14.6 7.3 77.8 100.0 426 Mais elevado 12.4 9.8 77.6 100.0 2,854 8.9 9.8 81.2 100.0 678 Total 15-49 36.3 10.0 53.7 100.0 12,418 21.8 7.2 71.0 100.0 2,490 Total 15-64 na na na na na 23.1 7.5 69.4 100.0 2,900 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Percentagem precedida por parêntese está baseada em 25-49 casos não ponderados. na = Não se aplica 1Aqueles que ainda não ouviram falar de HIV/SIDA ou que não conhecem nenhum método programático importante para evitar HIV/SIDA HIV/SIDA e Outras Doenças de Transmissão Sexual | 189 · Cerca de trinta e seis por cento de mulheres e 22 por cento de homens não conhecem nenhum dos três métodos importantes para evitar HIV/SIDA. A percentagem dos que não conhecem nenhum meio em Cabo Delgado é superior a dois terços (69 por cento para o caso de mulheres e 64 por cento para o caso de homens e é a mais elevada, comparativamente às restantes províncias. Contrariamente, Maputo Província e Maputo Cidade apresentam as percentagens mais baixas de mulheres (8 por cento e 10 por cento, respectivamente) e homens (5 por cento e 2 por cento, respectivamente) que não conhecem nenhum método de prevenção de HIV/SIDA. · Embora a percentagem de mulheres sem conhecimento de quaisquer do três modos de importância programática para evitar HIV/SIDA seja também muito elevada em Zambézia (65 por cento), a percentagem de homens em situação similar é muito mais baixa (37 por cento). · Exceptuando as Províncias de Cabo Delgado, Zambézia e Nampula, nas restantes províncias, a percentagem de homens que não têm conhecimento de nenhum dos três modos de prevenção do HIV/SIDA é inferior a 10 por cento. · Se forem excluídas as três províncias acima citadas, o conhecimento de dois ou três meios para prevenir HIV/SIDA entre homens, a nível provincial, é relativamente alto, variando de 80 por cento em Niassa a 96 por cento em Tete. · Entre mulheres, os diferenciais por província são maiores: a percentagem dos que conhecem dois ou três meios varia de 24 por cento em Cabo Delgado para a 82 por cento em Maputo Província. Gráfico 11.2 Conhecimento de Dois ou Três Formas de Evitar o HIV/SIDA, por Área de Residência e Província 81 90 90 85 84 89 96 60 62 26 80 76 87 71 76 82 79 47 52 66 78 29 49 24 42 68 45 54 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Maputo Cidade Maputo Gaza Inhambane Sofala Manica Tete Zambézia Nampula Cabo Delgado Niassa PROVÍNCIA Urbana Rural ÁREA DE RESIDÊNCIA TOTAL Percentagem Mulheres Homens | HIV/SIDA e Outras Doenças de Transmissão Sexual 190 · O conhecimento de dois ou três formas de prevenção do HIV/SIDA tende a ser maior na área urbana (76 por cento para homens e 68 por cento para mulheres) que na rural (67 por cento e 45 por cento, para homens e para mulheres, respectivamente). · O nível de escolaridade e de riqueza tendem a demonstrar uma relação positiva com o conhecimento de meios para evitar a propagação do HIV/SIDA. · A idade não parece evidenciar influência no conhecimento dos métodos para prevenir a transmissão do HIV/SIDA Resultados detalhados sobre o conhecimento das três formas programáticas de prevenção contra a infecção do HIV ? uso do preservativo, limitação do número de parceiros sexuais e abstinência sexual? são apresentados no Quadro 11.2.2. · Quando sondados, aproximadamente 45 por cento de mulheres e 61 por cento de homens mencionaram dois modos específicos para evitar o HIV/SIDA —uso de preservativo e limitação do número de parceiros sexuais. · Entre mulheres, o conhecimento do preservativo (camisinha) como um modo específico para evitar HIV/SIDA é especialmente baixo em duas províncias, Cabo Delgado (24 por cento) e Zambézia (29 por cento). · Entre homens, o conhecimento do preservativo como meio específico de prevenção de HIV/SIDA parece ser maior e mais uniforme, embora apenas 23 por cento de homens em Cabo Delgado e 49 por cento em Zambézia o tenham mencionado. · O nível de escolaridade está fortemente relacionado com o conhecimento de modos de prevenir a transmissão de HIV, pois a percentagem de mulheres e homens com ensino secundário que conhecem modos de prevenir HIV/SIDA é quase duas vezes superior à dos entrevistados sem nível de educação. · Entre os entrevistados solteiros, a experiência sexual denota influência no conhecimento de métodos de prevenção de HIV/SIDA, pois a percentagem de entrevistados sem experiência que mencionou métodos específicos para evitar o contágio é inferior à dos que já tinham experiência sexual. 11.2 DEBATES SOBRE HIV/SIDA COM O PARCEIRO As mudanças de comportamento relacionadas ao SIDA podem estar associadas à habilidade de negociação de prática sexual segura. Os padrões de comunicação passados com parceiros reflectem tanto progresso como desafios no desenvolvimento de uma abertura na sociedade e nas uniões maritais para a mudança de padrões “tradicionais” que contribuíram para a propagação do HIV. O Quadro 11.2.3 apresenta a distribuição percentual dos inquiridos actualmente casados/maritalmente unidos, por situação de debate com os seus parceiros sobre HIV/SIDA. · Apenas cerca de metade das mulheres e 58 por cento dos homens declararam ter alguma vez debatido com os parceiros em matéria de HIV/SIDA. · O debate sobre HIV/SIDA com o parceiro é mais frequente na área urbana que na rural. Maputo Cidade (71 por cento) apresenta maior percentagem de mulheres que tiveram ocasião de debater com seus parceiros sobre assuntos relativos ao HIV/SIDA. A percentagem mais elevada de homens que debateram alguma vez temas sobre HIV/SIDA é expressa pela Província de Sofala (86 por cento). HIV/SIDA e Outras Doenças de Transmissão Sexual | 191 Quadro 11.2.2 Conhecimento de formas específicas de evitar o HIV/SIDA Percentagem de mulheres e homens que, com resposta a uma questão directa, afirmaram que as pessoas podem reduzir o risco de contrair SIDA através de uso de preservativo, de limitação de parceiros sexuais e de abstinência sexual, por características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Mulheres 15-49 Homens 15-49 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Usar Usar Limitar camisinha Limitar camisinha número e limitar número e limitar de número Absti- Número de número Absti- Número Usar parceiros de parceiros nência de Usar parceiros de parceiros nência de Característica camisinha sexuais sexuais1 sexual mulheres camisinha sexuais sexuais1 sexual homens ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 58.8 53.5 48.3 48.4 2,454 71.7 63.1 59.6 62.3 673 20-24 54.0 52.4 45.1 43.8 2,456 78.1 70.7 67.5 68.0 404 25-29 53.9 52.6 45.5 45.3 2,224 67.3 66.6 61.1 58.6 378 30-39 52.0 53.0 45.5 46.9 3,203 66.3 64.4 57.1 60.9 594 40-49 47.7 51.6 40.9 46.5 2,081 69.2 70.6 62.4 67.4 442 50-64 na na na na na 15-24 56.4 52.9 46.7 46.1 4,910 74.1 65.9 62.6 64.5 1,076 Estado civil Solteira(o) 67.6 58.2 53.9 52.7 1,961 74.9 66.4 63.4 64.1 911 Já teve sexo 73.5 62.8 58.6 53.8 1,261 78.3 68.9 66.3 66.5 687 Nunca teve sexo 57.0 50.0 45.5 50.9 700 64.2 58.6 54.7 57.0 224 Casada(o)/união consensual 49.6 51.3 42.9 44.7 8,736 66.7 66.2 59.1 61.9 1,466 Alguma vez unida(o) 56.3 53.4 47.0 46.5 1,721 81.4 72.3 67.1 73.8 113 Residência Rural 44.1 46.1 38.0 41.6 7,870 63.4 64.2 57.1 59.5 1,423 Urbana 69.4 64.0 57.6 54.2 4,548 79.6 69.6 66.2 68.3 1,067 Província Niassa 40.6 45.1 37.1 37.4 476 71.8 86.6 66.6 77.7 99 Cabo Delgado 24.1 23.6 18.7 16.2 1,071 23.0 15.7 12.4 16.3 237 Nampula 45.4 55.5 39.5 48.1 2,403 64.4 63.8 60.0 61.4 574 Zambézia 29.0 29.8 25.5 22.7 1,906 48.5 47.7 38.3 45.9 401 Tete 71.7 66.6 63.0 70.4 1,025 95.2 92.3 89.3 89.7 188 Manica 63.0 65.6 59.4 64.5 809 87.6 88.7 87.0 69.0 172 Sofala 48.8 54.4 38.9 53.9 865 83.9 87.8 77.3 69.3 201 Inhambane 51.4 41.2 39.1 31.0 1,088 87.3 85.8 80.7 78.3 136 Gaza 79.2 74.6 69.7 66.4 666 94.6 87.7 87.4 85.8 75 Maputo 85.9 77.4 73.0 59.3 1,050 89.5 88.7 83.9 90.9 174 Maputo Cidade 82.7 69.0 64.5 65.2 1,059 93.3 58.4 56.5 71.7 232 Nível de escolaridade Nenhum 36.4 41.5 31.1 37.8 5,100 47.2 47.2 41.8 44.8 342 Primário 60.9 57.0 51.4 49.5 6,347 69.3 66.1 59.9 61.8 1,708 Secundário 92.6 82.8 78.5 68.6 940 92.4 82.7 80.1 82.6 420 Superior [ 100.0 [ 84.7 [ 84.7 [ 88.1 30 [ 93.0 [ 87.3 [ 85.9 [ 93.8 20 Quintil de riqueza Mais baixo 33.3 38.9 29.5 33.9 2,814 59.0 59.5 50.7 56.9 537 Segundo 39.8 43.6 34.3 40.4 2,166 57.0 57.9 52.8 51.6 404 Médio 50.2 51.9 43.1 48.3 2,333 62.2 66.5 58.2 58.8 445 Quarto 61.2 55.9 51.4 47.4 2,251 79.9 73.5 69.9 68.5 426 Mais elevado 79.7 71.2 65.8 60.2 2,854 86.6 72.8 70.3 74.8 678 Total 15-49 53.3 52.7 45.2 46.2 12,418 70.3 66.5 61.0 63.3 2,490 Total 15-64 na na na na na 68.5 65.6 59.8 62.3 2,900 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Percentagem precedida por parêntese está baseada em 25-49 casos não ponderados. na = Não se aplica 1Corresponde ao Indicador 1 de Conhecimento da UNAIDS “Conhecimento dos meios de prevenção” | HIV/SIDA e Outras Doenças de Transmissão Sexual 192 · A percentagem de mulheres que alguma vez debateram questões inerentes ao HIV/SIDA nas Províncias de Niassa, Nampula, Zambézia, Manica e Inhambane é inferior a 50 por cento, variando de 39 por cento (Nampula) a 48 por cento (Manica). No caso dos homens, são as Províncias de Cabo Delgado (49 por cento) e Zambézia (33 por cento) que denotam percentagens que não atingem os 50 por cento. · O nível de escolaridade sugere uma forte relação com o debate em matéria de HIV/SIDA entre parceiros, pois à medida que se eleva o nível educacional dos inquiridos, aumenta consideravelmente a percentagem dos que alguma vez debateram questões relativas ao HIV/SIDA. · A percentagem de mulheres que nunca ouviram falar de HIV/SIDA corresponde ao dobro da dos homens em situação similar. Quadro 11.2.3 Debate sobre HIV/AIDS com o pareceiro Distribuição percentual dos inquiridos actualmente casados/unidos maritalmente por situação de debate com os seus parceiros sobre HIV/SIDA, segundo características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Mulheres 15-49 Homens 15-49 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Alguma vez Nunca Não Alguma vez Nunca Não debateram debateram ouviu debateram debateram ouviu prevenção prevenção falar de Número prevenção prevenção falar de Número HIV/AIDS HIV/AIDS HIV/ de HIV/AIDS HIV/AIDS HIV/ de Característica com parceiro com parceiro SIDA Total mulheres com parceira com parceira SIDA Total homens ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 41.0 53.8 4.8 100.0 936 [ 27.9 [ 65.1 [ 0.0 [ 100.0 33 20-24 50.1 43.8 5.9 100.0 1,747 54.4 42.7 1.5 100.0 196 25-29 48.6 46.6 4.4 100.0 1,812 57.8 38.6 2.6 100.0 293 30-39 53.6 41.7 4.4 100.0 2,653 57.0 39.8 2.9 100.0 528 40-49 47.9 48.2 3.9 100.0 1,588 63.4 34,1 1.7 100.0 416 15-24 46.9 47.3 5.5 100.0 2,683 50.6 46.0 1.3 100.0 229 Residência Rural 45.1 48.5 6.2 100.0 6,199 52.2 43.8 3.3 100.0 1,019 Urbana 60.3 38.4 1.0 100.0 2,537 71.2 27.6 0.0 100.0 447 Província Niassa 40.3 53.2 6.2 100.0 387 65.3 34.7 0.0 100.0 65 Cabo Delgado 50.8 45.6 3.4 100.0 851 49.4 50.6 0.0 100.0 166 Nampula 39.1 55.5 4.9 100.0 1,898 55.9 43.8 0.0 100.0 348 Zambézia 41.6 41.9 16.3 100.0 1,430 32.8 57.1 10.0 100.0 323 Tete 66.0 33.4 0.3 100.0 771 76.2 23.4 0.0 100.0 117 Manica 48.1 51.1 0.8 100.0 617 80.6 19.4 0.0 100.0 82 Sofala 57.9 40.6 1.2 100.0 617 86.0 14.0 0.0 100.0 104 Inhambane 43.1 54.7 2.2 100.0 724 58.5 28.8 1.3 100.0 77 Gaza 60.4 39.5 0.0 100.0 426 77.6 22.4 0.0 100.0 38 Maputo 60.9 39.1 0.0 100.0 552 78.1 20.5 0.0 100.0 68 Maputo Cidade 71.0 28.5 0.0 100.0 462 68.3 30.7 0.0 100.0 76 Nível de escolaridade Nenhum 39.3 52.4 8.1 100.0 4,212 34.6 54.6 10.5 100.0 264 Primário 56.8 41.2 1.6 100.0 4,147 59.2 39.2 0.5 100.0 1,024 Secundário 82.1 17.4 0.0 100.0 362 84.8 14.3 0.0 100.0 170 Superior * * * * 16 * * * * 7 Quintil de riqueza Mais baixo 38.5 51.9 9.3 100.0 2,265 43.5 49.5 6.8 100.0 426 Segundo 41.9 52.1 6.0 100.0 1,660 51.8 45.9 1.6 100.0 283 Médio 50.6 45.0 4.1 100.0 1,857 63.3 36.3 0.0 100.0 313 Quarto 53.5 45.0 1.4 100.0 1,457 67.7 30.6 0.0 100.0 191 Mais elevado 69.2 30.2 0.2 100.0 1,498 75.4 22.6 0.0 100.0 252 Total 15-49 49.5 45.6 4.7 100.0 8,736 58.0 38.9 2.3 100.0 1,466 Total 15-64 na na na na na 57.0 39.8 2.3 100.0 1,844 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: A distribuição percentual baseada em menos de 25 casos não ponderados não é apresentada (*). Os detalhes por características não são mostrados para “não sabe/sem informação” (0.3 por cento para mulheres e 0.9 por cento para homens). na = Não se aplica HIV/SIDA e Outras Doenças de Transmissão Sexual | 193 11.3 CRENÇAS SOBRE HIV/SIDA Os Quadros 11.3.1 e 11.3.2 mostram a distribuição das mulheres e homens de acordo com as suas respostas às questões para avaliar aspectos importantes do conhecimento pessoal sobre HIV/SIDA. A questão “Pode uma pessoa aparentemente saudável ter vírus de HIV,” tem sido colocada nos inquéritos sobre SIDA há já algum tempo, o que torna possível uma boa análise de tendências. Esta questão capta o nível de compreensão do inquiridos em relação a que o HIV é uma infecção que leva algum tempo antes de se transformar em SIDA. Os inquiridos foram indagados se achavam possível que alguém aparentemente saudável tivesse o vírus de SIDA. Os resultados a este respeito são apresentados nos Quadros 11.3.1 e 11.3.2 por características seleccionadas. O IDS 2003 questionou também sobre as concepções erradas a respeito da transmissão do HIV e do SIDA. Os referidos quadros apresentam a percentagem da população que sabe que a pessoa não pode apanhar SIDA através da picada do mosquito, ou por partilhar os alimentos com alguém que tenha SIDA. População que sabe, portanto, que a transmissão por via do mosquito e por partilha de alimentos são concepções erradas a respeito da propagação do HIV/SIDA. · O mito de que o HIV/SIDA pode ser transmitido por picada de mosquito e por partilha de alimentos continua forte, em particular entre as mulheres. De notar que apenas 37 por cento de mulheres afirmou que o SIDA não pode ser transmitido por picada de mosquito e 45 por cento acredita que a compartilha de alimentos não é via de transmissão do HIV/SIDA. Para o caso dos homens de 15-49 anos de idade, as percentagens correspondentes são 49 por cento e 59 por cento, respectivamente, portanto, superiores às das mulheres. · Essas duas concepções erradas de transmissão do HIV/SIDA são mais comuns na área rural que na urbana, em particular entre as mulheres, e denotam particular peso na Província de Cabo Delgado, onde apenas 9 por cento de mulheres e 14 por cento de homens rejeitam as duas concepções erradas. · O nível de escolaridade favorece grandemente a identificação e rejeição de concepções erradas sobre a transmissão de HIV/SIDA. · Entre jovens com 15-24 anos de idade, a proporção dos que rejeitam os dois conceitos errados mais comuns sobre a transmissão de SIDA e sabem que uma pessoa saudável pode ter o vírus da SIDA não é muito diferente da verificada na população em geral: 25 por cento entre mulheres e 39 por cento entre homens. Se se adicionar o conhecimento de que as pessoas podem proteger-se a si próprias usando preservativo e tendo um parceiro não infectado, estas proporções reduzem-se, ligeiramente, para 20 por cento entre mulheres e 33 por cento entre homens. Estas cifras correspondem ao Indicador de Prevenção 1 do Plano Presidencial de Emergência para o Alívio do SIDA, que não é mostrado nos quadros. | HIV/SIDA e Outras Doenças de Transmissão Sexual 194 Quadro 11.3.1 Crenças sobre o SIDA: mulheres Percentagem de mulheres 15-49 anos de idade que sabem que pessoas aparentemente bem de saúde podem ter o vírus do SIDA, e que rejeitam o conceito errado sobre a transmissão do SIDA, por características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Percentagem de mulheres que sabem que: Percentagem das ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– que rejeitam as duas Uma pessoa não concepções erradas Uma pessoa O SIDA não se pode infectar por mais comuns e aparentemente pode ser compartilhar comida dizem que uma pessoa saudável transmitido com alguém aparentemente Número pode ter o vírus por picada que tenha o vírus saudável pode ter de Característica do SIDA de mosquito do SIDA o vírus do SIDA1 mulheres ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 65.7 40.0 49.3 26.0 2,454 20-24 63.9 37.2 46.0 24.4 2,456 25-29 61.1 36.2 44.1 21.4 2,224 30-39 61.4 35.0 42.3 22.5 3,203 40-49 60.3 34.1 41.7 21.3 2,081 15-24 64.8 38.6 47.6 25.2 4,910 Estado civil Solteira 71.8 46.5 58.8 34.5 1,961 Já teve sexo 77.3 49.7 63.9 38.4 1,261 Nunca teve sexo 61.9 40.9 49.8 27.7 700 Casada/união consensual 59.5 34.2 41.5 20.4 8,736 Alguma vez unida 67.5 36.5 44.5 24.1 1,721 Residência Rural 55.3 29.0 35.1 15.2 7,870 Urbana 75.0 49.4 61.3 37.0 4,548 Província Niassa 47.9 32.8 31.5 18.5 476 Cabo Delgado 43.4 19.5 18.3 8.8 1,071 Nampula 52.2 27.2 33.8 13.2 2,403 Zambézia 48.7 21.9 24.7 12.9 1,906 Tete 64.0 50.9 64.2 25.1 1,025 Manica 74.7 39.0 45.7 28.9 809 Sofala 64.1 46.9 50.9 26.5 865 Inhambane 63.4 38.2 42.7 23.7 1,088 Gaza 91.5 44.0 62.3 35.9 666 Maputo 85.5 56.5 74.1 44.5 1,050 Maputo Cidade 82.9 51.8 74.8 42.4 1,059 Nível de escolaridade Nenhum 50.5 26.0 31.6 12.7 5,100 Primário 67.7 39.2 48.2 25.1 6,347 Secundário 91.0 73.2 90.3 64.3 940 Superior [ 100.0 [ 95.5 [ 100.0 [ 95.5 30 Quintil de riqueza Mais baixo 48.7 23.1 27.3 11.3 2,814 Segundo 52.7 26.9 32.2 13.0 2,166 Médio 57.5 32.8 40.4 16.8 2,333 Quarto 68.4 40.6 47.4 26.3 2,251 Mais elevado 83.0 56.6 72.5 45.3 2,854 Total 62.5 36.5 44.7 23.2 12,418 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Os dois mais comuns conceitos errados a respeito da transmissão: SIDA pode ser transmitido via mosquito ou por medidas supernaturais. Percentagem precedida por parêntese está baseada em 25-49 casos não ponderados. 1Corresponde ao Indicador 2 de Conhecimento da UNAIDS “Nenhuma crença incorrecta sobre SIDA” HIV/SIDA e Outras Doenças de Transmissão Sexual | 195 11.4 ASPECTOS SOCIAIS DO HIV/SIDA A estigmatização à volta do HIV/SIDA é o maior obstáculo para muitos dos programas que têm como objectivo prevenir a futura expansão do HIV e a atenuar o impacto do SIDA. Os resultados apresentados nos Quadros 11.4.1 (mulheres) e 11.4.2 (homens) tentam evidenciar diferentes dimensões deste fenómeno social. Os referidos quadros mostram, para mulheres e homens que já ouviram falar do SIDA, a percentagem com respostas específicas para questões sobre vários aspectos sociais relacionados com o HIV/SIDA, nomeadamente: se os inquiridos estariam dispostos a cuidar de membros da família com HIV em casa; se aceitariam comprar vegetais frescos dum vendedor com vírus de SIDA; se acham que uma professora com SIDA deveria ser permitida a continuar a ensinar; e se iam querer que o estatuto de um membro de família com SIDA se mantivesse em segredo. Quadro 11.3.2 Crenças sobre o SIDA: homens Percentagem de homens 15-49 anos de idade que sabem que pessoas aparentemente bem de saúde podem ter o vírus do SIDA, e que rejeitam o conceito errado sobre a transmissão do SIDA, por características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Percentagem de homens que sabem que: Percentagem dos ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– que rejeitam as duas Uma pessoa não concepções erradas Uma pessoa O SIDA não se pode infectar por mais comuns e aparentemente pode ser compartilhar comida dizem que uma pessoa saudável transmitido com alguém aparentemente Número pode ter o vírus por picada que tenha o vírus saudável pode ter de Característica do SIDA de mosquito do SIDA o vírus doSIDA1 homens ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 78.9 49.1 57.3 36.2 673 20-24 87.5 52.6 66.0 43.7 404 25-29 78.4 47.4 56.2 37.8 378 30-39 82.8 49.5 57.2 39.4 594 40-49 83.3 47.3 58.1 39.6 442 15-24 82.1 50.4 60.6 39.0 1,076 Estado civil Solteiro 81.0 51.2 63.0 40.1 911 Já teve sexo 84.0 52.1 66.6 42.4 687 Nunca teve sexo 72.0 48.6 52.2 33.1 224 Casado/união consensual 82.6 47.3 55.1 38.0 1,466 Alguma vez unido 80.4 57.2 69.7 43.5 113 Residência Rural 77.7 46.4 50.1 34.5 1,423 Urbana 87.5 52.9 70.1 45.0 1,067 Província Niassa 80.3 49.7 56.6 33.9 99 Cabo Delgado 70.9 19.4 27.0 14.4 237 Nampula 81.6 41.4 46.5 31.2 574 Zambézia 71.2 48.8 45.2 35.5 401 Tete 85.0 87.3 93.0 75.7 188 Manica 96.0 64.3 68.8 55.2 172 Sofala 88.8 49.5 72.0 39.0 201 Inhambane 84.0 48.7 72.4 41.5 136 Gaza 88.5 42.8 60.9 32.9 75 Maputo 90.8 50.5 71.5 41.7 174 Maputo Cidade 84.0 58.3 80.2 48.6 232 Nível de escolaridade Nenhum 68.0 30.6 36.2 23.7 342 Primário 81.7 46.7 55.2 34.8 1,708 Secundário 93.4 72.2 89.0 66.2 420 Superior [ 100.0 [ 90.6 [ 100.0 [ 90.6 20 Quintil de riqueza Mais baixo 74.6 44.4 50.6 34.4 537 Segundo 75.1 42.1 43.1 31.5 404 Médio 83.0 45.2 50.6 34.6 445 Quarto 89.8 53.7 61.7 41.4 426 Mais elevado 86.1 57.0 77.8 48.5 678 Total 15-49 81.9 49.2 58.7 39.0 2,490 Total 15-64 80.8 48.2 56.8 37.6 2,900 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Os dois mais comuns conceitos errados a respeito da transmissão: SIDA pode ser transmitido via mosquito ou por medidas supernaturais. Percentagem precedida por parêntese está baseada em 25-49 casos não ponderados. 1Corresponde ao Indicador 2 de Conhecimento da UNAIDS “Nenhuma crença incorrecta sobre SIDA” | HIV/SIDA e Outras Doenças de Transmissão Sexual 196 Os resultados podem ser usados para avaliar se as mensagens sobre a prevenção do SIDA e do HIV difundidas pelos meios de comunicação de massas são consideradas aceitáveis. Mais importante ainda, estes resultados são importantes como medida da falta de abertura da sociedade (ou estigmatização) a respeito do HIV/SIDA. Os resultados podem ser usados como evidências para apoiar a expansão de campanhas sobre o SIDA. · Tanto entre mulheres como entre homens, quatro em cada cinco inquiridos declararam que estariam dispostos a cuidar de membros da família com HIV/SIDA, em casa. · A atitude dos inquiridos em relação a uma professora com HIV/SIDA é mais positiva que a atitude em relação a um vendedor de hortícolas. Quadro 11.4.1 Atitudes de aceitação em relação aos que vivem com o HIV: mulheres Percentagem de mulheres 15-49 anos de idade que expressam atitude de aceitação em relação a pessoas com HIV, por características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Percentagem de mulheres que: ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Comprariam Crêem que uma Crêem que a Estão hortícolas professora informação de que Percentagem Número de dispostas a cuidar frescas com HIV um membro que expressam mulheres de membros da de um deve ser da família tem atitude de que ouviram família com vendedor permitida a HIV não precisa aceitação sobre Característica HIV, em casa com SIDA continuar a ensinar de continuar secreta em todas1 HIV/SIDA ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 79.1 33.6 65.0 41.3 9.8 2,356 20-24 82.3 33.4 59.0 42.0 8.1 2,327 25-29 82.4 29.3 55.6 44.6 6.9 2,132 30-39 80.0 27.2 52.8 46.4 7.6 3,063 40-49 80.4 26.9 51.2 47.3 6.9 2,000 15-24 80.7 33.5 62.0 41.6 8.9 4,683 Estado civil Solteira 84.5 44.0 72.0 41.2 14.5 1,886 Já teve sexo 87.0 48.2 74.8 42.3 16.6 1,234 Nunca teve sexo 79.7 36.0 66.8 39.3 10.4 653 Casada/união consensual 79.3 26.7 53.1 45.7 6.4 8,324 Alguma vez unida 83.9 30.8 57.0 41.1 8.1 1,669 Residência Rural 77.0 21.6 47.1 46.5 4.4 7,373 Urbana 87.0 43.9 72.4 40.9 13.7 4,506 Província Niassa 77.5 15.7 62.2 74.0 5.0 446 Cabo Delgado 65.6 12.1 40.1 49.2 2.5 1,038 Nampula 64.6 15.1 42.8 52.4 4.6 2,290 Zambézia 82.4 16.1 31.5 46.2 4.3 1,596 Tete 87.9 47.7 70.3 26.2 5.5 1,021 Manica 88.1 38.2 75.9 29.6 4.1 800 Sofala 91.1 24.9 60.0 26.8 5.2 853 Inhambane 77.8 23.8 49.9 59.3 7.2 1,065 Gaza 94.3 39.5 74.4 36.7 10.5 666 Maputo 94.5 61.3 78.9 38.2 17.6 1,048 Maputo Cidade 89.8 57.1 81.9 45.5 24.0 1,056 Nível de escolaridade Nenhum 77.2 18.6 44.5 46.9 3.7 4,677 Primário 81.3 31.8 60.1 42.3 7.4 6,232 Secundário 94.4 73.5 92.7 45.1 30.7 940 Superior [ 93.5 [ 78.2 [ 100.0 [ 57.5 [ 43.4 30 Quintil de riqueza Mais baixo 75.2 14.5 40.1 48.2 2.5 2,546 Segundo 76.6 20.5 45.3 43.7 3.1 2,030 Médio 76.8 24.7 51.3 47.6 4.8 2,236 Quarto 81.8 32.0 60.1 41.2 7.1 2,222 Mais elevado 91.0 53.4 81.2 41.3 19.3 2,845 Total 15-49 80.8 30.0 56.7 44.4 7.9 11,879 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Percentagem precedida por parêntese está baseada em 25-49 casos não ponderados. 1Corresponde ao Indicador 1 de Estigmatização e Discriminação da UNAIDS “Atitude de aceitação em relação a pessoas com HIV” e ao Indicador Reforço de Politicas e Sistemas (Capacitação/Formação)” do Plano Presidencial de Emergência para o Alívio do SIDA HIV/SIDA e Outras Doenças de Transmissão Sexual | 197 · Dum modo geral, há, relativamente, mais homens que mulheres com atitudes positivas face a pessoas com HIV/SIDA. · As Províncias do Centro do País e a de Maputo tendem a apresentar percentagens mais elevadas de homens dispostos a cuidar de membros da família com HIV/SIDA ? variando de 92 por cento (Zambézia) a 97 por cento (Tete e Manica). · Maputo Cidade apresenta maior percentagem de homens com atitude positiva em relação ao vendedor de hortícolas (73 por cento) e à professora (82 por cento). Para o caso das mulheres, é a Província de Maputo que exibe maior percentagem de entrevistadas com atitude positiva em relação ao vendedor de hortícolas (61 por cento) e Maputo Cidade destaca-se em relação à atitude positiva para com a professora (82 por cento). · O nível de escolaridade denota uma relação positiva com as atitudes face a pessoas com HIV/SIDA. Quadro 11.4.2 Atitudes de aceitação em relação aos que vivem com o HIV: homens Percentagem de homens 15-49 anos de idade que expressam atitude de aceitação em relação a pessoas com HIV, por características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Percentagem de homens que: ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Comprariam Crêem que uma Crêem que a Estão hortícolas professora informação de que Percentagem Número de dispostos a cuidar frescas com HIV um membro que expressam homens de membros da de um deve ser da família tem atitude de que ouviram família com vendedor permitida a HIV não precisa aceitação sobre Característica HIV, em casa com SIDA continuar a ensinar de continuar secreta em todas1 HIV/SIDA ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 80.8 46.3 67.0 49.2 14.5 659 20-24 83.6 44.5 72.4 52.1 19.0 401 25-29 82.9 38.1 66.9 55.0 15.1 367 30-39 81.1 35.7 57.9 56.8 12.6 575 40-49 86.2 43.5 59.7 56.4 20.6 434 15-24 81.9 45.6 69.0 50.3 16.2 1,059 Estado civil Solteiro 83.5 49.9 72.2 49.1 17.5 891 Já teve sexo 83.2 51.5 73.9 48.5 17.7 681 Nunca teve sexo 84.2 44.8 66.6 51.0 16.9 210 Casado/união consensual 82.4 36.2 59.4 56.0 14.4 1,432 Alguma vez unido 78.9 48.5 66.6 59.7 24.0 113 Residência Rural 79.8 32.3 56.9 53.1 9.2 1,369 Urbana 86.2 53.9 74.1 54.4 24.6 1,066 Província Niassa 85.4 37.5 65.0 68.1 13.6 99 Cabo Delgado 82.6 23.8 25.2 42.0 3.6 237 Nampula 59.4 24.2 53.4 57.1 8.3 573 Zambézia 92.0 31.5 80.4 54.9 12.5 353 Tete 96.9 51.2 63.8 70.5 23.7 188 Manica 96.9 67.3 77.8 20.6 5.5 172 Sofala 95.3 46.9 69.3 40.8 17.0 198 Inhambane 82.3 46.0 71.5 48.7 14.4 135 Gaza 60.3 44.9 69.6 69.7 31.3 75 Maputo 94.6 59.6 72.2 67.0 40.1 174 Maputo Cidade 89.8 73.1 82.0 58.2 32.3 232 Nível de escolaridade Nenhum 80.9 24.6 53.8 56.5 9.4 308 Primário 79.7 37.5 59.2 52.2 11.6 1,690 Secundário 94.8 69.4 91.8 57.9 37.2 417 Superior [ 100.0 [ 87.2 [ 100.0 [ 46.3 [ 41.9 20 Quintil de riqueza Mais baixo 77.6 30.4 57.7 55.2 8.6 500 Segundo 77.3 26.1 49.7 50.4 7.9 389 Médio 79.3 32.1 55.5 54.4 9.2 443 Quarto 84.6 45.0 65.0 50.7 14.8 425 Mais elevado 90.3 63.5 83.2 55.8 31.2 678 Total 15-49 82.6 41.8 64.4 53.6 16.0 2,435 Total 15-64 81.8 39.7 61.0 53.8 15.1 2,832 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Percentagem precedida por parêntese está baseada em 25-49 casos não ponderados. 1Corresponde ao Indicador 1 de Estigmatização e Discriminação da UNAIDS: “Atitude de aceitação em relação a pessoas com HIV” e ao Indicador Reforço de Politicas e Sistemas (Capacitação/Formação)” do Plano Presidencial de Emergência para o Alívio do SIDA | HIV/SIDA e Outras Doenças de Transmissão Sexual 198 11.5 CONHECIMENTO SOBRE TRANSMISSÃO DE MÃE PARA FILHO O Quadro 11.5 mostra a percentagem dos inquiridos que sabem que o HIV pode ser transmitido de mãe para filho através da amamentação. Para obter a informação abarcada pelo referido quadro, perguntou-se aos inquiridos se eles achavam que o vírus do SIDA podia ser transmitido de mãe para filho durante a gravidez (em questões separadas), durante o parto e durante a amamentação. Intervenções para reduzir a transmissão do HIV de mãe para o filho (TMPF) são cada vez mais importantes e o conhecimento sobre TMPF é bastante crucial para o sucesso de campanhas de comunicação em matéria de Saúde. Quadro 11.5 Conhecimento sobre a prevenção da transmissão do HIV de mãe para o filho Percentagem de mulheres e homens que sabem que o HIV pode ser transmitido de mãe para o filho através da amamentação e que o risco de transmissão do HIV de mãe para o filho (TMPF) pode ser reduzido se a mãe tomar medicamentos especiais durante a gravidez, por características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Mulheres 15-49 Homens 15-49 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– O HIV pode ser O HIV pode ser Risco transmitido através Risco transmitido através de TMPF da amamentação de TMPF da amamentação pode ser e o risco de pode ser e o risco de reduzido se TMPF pode ser reduzido se TMPF pode ser O HIV pode a mãe tomar reduzido se a mãe O HIV pode a mãe tomar reduzido se a mãe ser transmitido medicação tomar medicamentos Número ser transmitido medicação tomar medicamentos Número através da durante a especiais durante de através da durante a especiais durante de amamentação gravidez a gravidez1 mulheres amamentação gravidez a gravidez1 homens ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 49.7 32.9 27.6 2,454 44.5 41.0 28.8 673 20-24 52.4 32.1 26.5 2,456 57.6 45.1 35.0 404 25-29 49.2 30.2 25.4 2,224 50.1 37.6 27.3 378 30-39 50.1 29.5 25.0 3,203 50.8 42.6 33.0 594 40-49 49.2 30.0 26.3 2,081 52.8 43.2 36.0 442 15-24 51.1 32.5 27.0 4,910 49.4 42.5 31.1 1,076 Estado civil Solteira(o) 53.0 40.1 32.5 1,961 47.9 44.8 31.6 911 Já teve sexo 56.8 43.4 34.7 1,261 50.4 47.1 33.2 687 Nunca teve sexo 46.3 34.1 28.5 700 40.2 37.7 26.7 224 Casada(o)/união consensual 48.8 28.0 23.9 8,736 51.8 39.5 31.4 1,466 Alguma vez unida(o) 54.1 35.3 30.0 1,721 53.2 50.0 40.2 113 Residência Rural 45.8 23.5 20.9 7,870 47.7 29.4 25.2 1,423 Urbana 57.7 43.7 35.1 4,548 54.1 58.6 40.8 1,067 Província Niassa 35.3 17.9 13.0 476 47.9 28.0 23.8 99 Cabo Delgado 31.3 8.9 7.9 1,071 31.1 6.7 5.5 237 Nampula 49.6 28.0 22.8 2,403 57.2 47.3 37.8 574 Zambézia 32.2 21.7 20.0 1,906 25.8 22.4 19.1 401 Tete 82.4 42.5 41.4 1,025 87.8 27.0 26.3 188 Manica 66.4 51.6 45.8 809 57.7 68.9 51.9 172 Sofala 44.8 20.7 17.9 865 63.5 59.5 47.3 201 Inhambane 47.2 23.3 17.8 1,088 31.4 19.3 10.4 136 Gaza 45.8 23.5 16.0 666 66.5 26.4 17.9 75 Maputo 67.6 52.1 44.2 1,050 71.5 86.4 70.4 174 Maputo Cidade 59.1 54.9 42.4 1,059 40.4 65.7 33.9 232 Nível de escolaridade Nenhum 40.5 21.1 18.0 5,100 34.3 16.6 15.4 342 Primário 55.0 33.2 28.3 6,347 51.1 40.1 31.8 1,708 Secundário 69.2 67.0 52.9 940 60.6 68.0 45.0 420 Superior [ 79.6 [ 90.0 [ 78.2 30 [ 59.3 [ 80.9 [ 45.1 20 Quintil de riqueza Mais baixo 37.8 19.5 16.4 2,814 41.5 26.1 22.9 537 Segundo 44.7 22.2 19.9 2,166 48.9 32.6 29.4 404 Médio 51.1 25.6 22.9 2,333 55.2 33.7 27.7 445 Quarto 54.0 33.1 27.8 2,251 53.3 47.2 35.0 426 Mais elevado 62.8 51.3 41.5 2,854 53.5 62.0 41.2 678 Total 15-49 50.2 30.9 26.1 12,418 50.5 41.9 31.9 2,490 Total 15-64 na na na na 50.5 41.1 31.6 2,900 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Percentagem precedida por parêntese está baseada em 25-49 casos não ponderados. na = Não se aplica 1Corresponde ao Indicador 5 de Conhecimento da UNAIDS “Conhecimento da transmissão do HIV da mãe para o filho” HIV/SIDA e Outras Doenças de Transmissão Sexual | 199 · A nível nacional, cerca de metade das mulheres e dos homens sabem que o HIV/SIDA pode ser transmitido através da amamentação. · O conhecimento da transmissão durante a amamentação é maior na área urbana, comparativamente à rural, em particular entre as mulheres (58 por cento de mulheres na área urbana e 46 por cento na rural declararam que sabem que o HIV pode ser transmitido por meio da amamentação) · A Província de Tete ostenta a maior percentagem de entrevistados que conhecem a transmissão de HIV/SIDA de mãe para filho, via amamentação, tanto para o caso de mulheres (82 por cento) como para o de homens (88 por cento). · Contrariamente, a Província de Zambézia apresenta a percentagem mais baixa de homens com conhecimento sobre transmissão por meio da amamentação (26 por cento). Para o caso das mulheres, a percentagem mais baixa é exibida pela Província de Cabo Delgado (31 por cento), seguindo-se-lhe a de Zambézia, com apenas 32 por cento de mulheres com conhecimento da transmissão através da amamentação. · O nível de escolaridade está positivamente relacionado com o conhecimento da transmissão de HIV/SIDA via amamentação, pois a percentagem de entrevistados com conhecimento aumenta com a elevação do nível de educação. · Menos de um terço das mulheres, confirmou que o risco de transmissão vertical pode ser reduzido se a mãe tomar medicamentos durante a gravidez (porém, apenas 8 por cento em Cabo Delgado). A percentagem de homens que confirmaram a redução do risco através de medicação é de 42 por cento (todavia, apenas 9 por cento em Cabo Delgado). 11.6 TESTE DE HIV E ACONSELHAMENTO O IDS 2003 perguntou a todos os inquiridos que tinham ouvido falar do SIDA, se já tinham sido testados para a doença; para os que foram testados, indagou-se há quanto tempo foram testados e se receberam os resultados logo a seguir ao teste. Os resultados obtidos das respostas dos inquiridos são apresentados no Quadro 11.6. · Cerca de quatro por cento de mulheres e homens fizerem teste de HIV/SIDA. Contudo, somente pouco mais de dois por cento de mulheres e aproximadamente três por cento de homens foram testados e receberam os resultados no decurso dos doze meses que antecederam o inquérito. · Há maior possibilidade de se fazer teste de HIV na área urbana do que na rural, tanto para o caso de mulheres como para o de homens. · Maputo Cidade parece ser a província em que as pessoas têm maior probabilidade de realizar o teste de HIV (17 por cento para mulheres e 13 por cento para homens). · A hipótese de ter sido testado e recebido os resultados tem uma forte correlação positiva com o nível de educação e residência em Maputo Cidade. · A maioria da população (aproximadamente nove em cada dez pessoas) nunca fez o teste de HIV. As consultas pré-natais durante a gravidez são uma oportunidade apropriada que pode aumentar educação das mulheres sobre HIV/SIDA. O Quadro 11.7 mostra a percentagem de mulheres que receberam alguma informação ou aconselhamento a respeito do DTS/SIDA durante uma visita pré-natal, do parto mais recente, entre mulheres que deram parto durante os dois anos antes do inquérito. O quadro mostra também a percentagem das mulheres que fizeram teste de HIV voluntariamente nos dois anos antes do inquérito, não necessariamente durante a consulta de cuidados pré-natais; e entre mulheres aconselhadas e testadas, a percentagem das que conheciam os resultados. | HIV/SIDA e Outras Doenças de Transmissão Sexual 200 Quadro 11.6 População que fez teste de HIV e recebeu resultados Distribuição percentual de mulheres e homens por estatuto de testagem do HIV; e percentagem de mulheres e homens que fizeram teste de HIV e receberam resultados no decurso dos 12 meses que precederam o inquérito, segundo características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Mulheres 15-49 Homens 15-49 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Percentagem Percentagem que fizeram que fizeram Alguma vez teste de HIV Alguma vez teste de HIV foram testados Não e receberam foram testados Não e receberam –––––––––––––––– Nunca sabe/ resultados Número ––––––––––––––– Nunca sabe/ resultados Número Recebeu Não foram sem infor- nos últimos de Recebeu Não foram sem infor- nos últimos de Característica resultados1 recebeu testados mação Total 12 meses2 mulheres resultados1 recebeu testados mação Total 12 meses2 homens ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 4.4 0.3 91.3 4.0 100.0 3.5 2,454 2.0 0.6 95.3 2.1 100.0 1.8 673 20-24 5.0 0.5 89.3 5.3 100.0 3.1 2,456 5.4 0.6 93.1 0.9 100.0 4.8 404 25-29 3.5 0.6 91.8 4.2 100.0 2.1 2,224 4.6 0.3 92.2 2.9 100.0 2.8 378 30-39 3.6 0.1 91.9 4.4 100.0 2.3 3,203 3.7 0.5 92.8 3.1 100.0 2.7 594 40-49 1.5 0.1 94.5 3.9 100.0 0.8 2,081 3.4 0.9 93.9 1.8 100.0 2.0 442 15-24 4.7 0.4 90.3 4.6 100.0 3.3 4,910 3.2 0.6 94.5 1.7 100.0 2.9 1,076 Estado civil Solteira(o) 6.5 0.4 89.2 3.9 100.0 4.8 1,961 4.0 0.9 92.9 2.2 100.0 3.4 911 Já teve sexo 9.6 0.6 87.6 2.2 100.0 6.9 1,261 5.2 1.2 92.7 1.0 100.0 4.4 687 Nunca teve sexo 1.1 0.0 92.1 6.8 100.0 0.9 700 0.4 0.0 93.5 6.0 100.0 0.4 224 Casada(o)/união consensual 2.9 0.3 92.1 4.8 100.0 1.8 8,736 2.9 0.3 94.4 2.3 100.0 2.0 1,466 Alguma vez unida(o) 4.2 0.4 92.4 3.0 100.0 2.5 1,721 8.6 2.0 88.9 0.5 100.0 4.7 113 Residência Rural 0.9 0.2 92.5 6.4 100.0 0.4 7,870 0.7 0.3 95.2 3.8 100.0 0.6 1,423 Urbana 8.4 0.5 90.2 0.9 100.0 5.8 4,548 7.3 1.0 91.5 0.1 100.0 5.4 1,067 Província Niassa 2.2 1.3 90.4 6.2 100.0 1.2 476 1.2 0.0 98.2 0.6 100.0 0.6 99 Cabo Delgado 0.1 0.0 96.4 3.5 100.0 0.0 1,071 1.4 0.0 98.6 0.0 100.0 1.0 237 Nampula 1.2 0.2 93.9 4.7 100.0 0.5 2,403 0.3 0.0 99.5 0.2 100.0 0.3 574 Zambézia 0.3 0.1 83.4 16.3 100.0 0.2 1,906 1.7 0.0 86.3 11.9 100.0 1.2 401 Tete 3.8 0.3 95.5 0.4 100.0 1.8 1,025 3.5 0.0 96.5 0.0 100.0 2.1 188 Manica 4.1 0.2 94.7 1.0 100.0 3.4 809 4.9 0.0 95.1 0.0 100.0 4.7 172 Sofala 5.8 0.7 92.2 1.3 100.0 4.4 865 2.8 0.4 95.5 1.3 100.0 1.9 201 Inhambane 2.3 0.3 95.3 2.2 100.0 1.8 1,088 6.0 1.7 91.5 0.7 100.0 4.8 136 Gaza 3.6 0.4 96.0 0.0 100.0 2.7 666 8.5 0.0 91.1 0.5 100.0 6.3 75 Maputo 5.5 0.2 94.1 0.2 100.0 3.2 1,050 6.2 3.0 90.8 0.0 100.0 4.3 174 Maputo Cidade 16.8 0.7 82.2 0.4 100.0 11.3 1,059 12.7 2.8 83.9 0.6 100.0 9.5 232 Nível de escolaridade Nenhum 0.5 0.1 91.1 8.3 100.0 0.3 5,100 0.5 0.0 89.6 9.9 100.0 0.2 342 Primário 3.4 0.4 94.3 1.9 100.0 2.4 6,347 2.0 0.3 96.7 1.0 100.0 1.5 1,708 Secundário 20.8 0.6 78.5 0.1 100.0 12.9 940 10.8 1.9 86.4 0.9 100.0 8.3 420 Superior [ 49.2 [ 5.1 [ 45.7 [ 0.0 [ 100.0 [ 23.3 30 [ 35.4 [ 12.6 [ 52.0 [ 0.0 [ 100.0 [ 24.7 20 Quintil de riqueza Mais baixo 0.3 0.1 90.1 9.5 100.0 0.1 2,814 0.2 0.0 93.0 6.9 100.0 0.2 537 Segundo 0.8 0.5 92.5 6.3 100.0 0.5 2,166 0.4 0.0 95.9 3.7 100.0 0.4 404 Médio 1.3 0.1 94.3 4.3 100.0 0.6 2,333 1.1 0.0 98.5 0.4 100.0 0.5 445 Quarto 3.2 0.2 95.4 1.3 100.0 2.0 2,251 5.2 0.9 93.8 0.2 100.0 4.0 426 Mais elevado 11.5 0.6 87.6 0.4 100.0 7.8 2,854 8.8 1.6 89.5 0.1 100.0 6.6 678 Total 15-49 3.7 0.3 91.7 4.4 100.0 2.4 12,418 3.6 0.6 93.6 2.2 100.0 2.7 2,490 Total 15-64 na na na na na na na 3.3 0.5 93.9 2.4 100.0 2.4 2,900 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Percentagem precedida por parêntese está baseada em 25-49 casos não ponderados. na = Não se aplica 1Corresponde ao Indicador 1 de Aconselhamento e Testagem Voluntária da UNAIDS “População requerendo um teste de HIV, foi testada e recebeu resultados” 2Corresponde ao Indicador 1 “Aconselhamento e Testagem” do Plano Presidencial de Emergência para o Alívio do SIDA HIV/SIDA e Outras Doenças de Transmissão Sexual | 201 Quadro 11.7 Mulheres grávidas aconselhadas e testadas para o HIV Entre as mulheres que deram parto nos dois anos anteriores ao inquérito, percentagem das que receberam aconselhamento sobre HIV e lhes foi oferecido teste de HIV durante a consulta pré-natal do parto mais recente; e percentagem das que aceitaram fazer o teste e receberam o resultado, por características seleccionadas, Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Aconselhadas Testada para o HIV Aconselhadas, Número de para o HIV durante a consulta pré-natal testada mulheres que durante a –––––––––––––––––––––– para o HIV, deram parto consulta Receberam Não e conhece nos últimos Característica pré-natal o resultado resultado resultados1 2 anos –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 49.9 3.1 0.2 2.7 666 20-24 52.7 3.0 0.5 2.6 1,198 25-29 50.4 2.3 0.7 2.1 998 30-39 51.2 2.4 0.1 2.2 1,140 40-49 53.4 1.9 0.1 0.8 244 15-24 51.7 3.0 0.4 2.6 1,864 Estado civil Solteira 52.7 6.0 0.2 5.5 232 Casada/união consensual 50.3 2.4 0.3 2.0 3,596 Alguma vez unida 59.4 3.1 1.0 3.1 417 Residência Rural 43.8 0.6 0.3 0.6 3,014 Urbana 69.9 7.5 0.5 6.5 1,231 Província Niassa 58.0 2.0 2.4 1.6 207 Cabo Delgado 58.0 0.0 0.0 0.0 366 Nampula 53.5 0.4 0.1 0.4 913 Zambézia 26.5 0.0 0.0 0.0 646 Tete 40.7 2.8 0.4 2.4 425 Manica 58.5 3.3 0.2 2.4 336 Sofala 46.3 5.1 0.3 5.1 311 Inhambane 41.3 1.0 0.4 1.0 315 Gaza 67.9 3.7 0.9 3.0 232 Maputo 76.5 4.3 0.2 3.2 272 Maputo Cidade 80.7 18.8 0.9 16.5 222 Nível de escolaridade Nenhum 39.0 0.5 0.1 0.4 1,929 Primário 60.3 2.8 0.6 2.4 2,132 Secundário 78.2 20.3 0.6 18.7 175 Superior * * * * 8 Quintil de riqueza Mais baixo 33.4 0.3 0.1 0.3 1,168 Segundo 44.9 0.4 0.8 0.4 803 Médio 50.8 0.9 0.2 0.8 896 Quarto 64.9 2.8 0.1 2.2 715 Mais elevado 76.9 11.6 0.7 10.2 664 Total 51.4 2.6 0.4 2.3 4,245 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Percentagem baseada em menos de 25 casos não ponderados não é apresentada (*). 1Corresponde ao Indicador 1 de Transmissão do HIV da Mãe para o Filho da UNAIDS “Mulheres grávidas aconselhadas e testadas para o HIV” · Pouco mais de 50 por cento das mulheres receberam aconselhamento sobre HIV/SIDA durante as consultas pré-natais. · Apenas 3 por cento de mulheres grávidas fizeram teste de HIV durante a consulta pré-natal. · Parece haver maior probabilidade de aconselhamento em Maputo Cidade, comparativamente às restantes províncias. A Província de Zambézia apresenta a percentagem mais baixa de mulheres que foram objecto de aconselhamento (27 por cento). · O nível de escolaridade e residência em Maputo Cidade aparentam influir positivamente na proporção de beneficiários do aconselhamento. | HIV/SIDA e Outras Doenças de Transmissão Sexual 202 11.7 NEGOCIAÇÃO DE SEXO SEGURO, ATITUDES E COMUNICAÇÃO Num esforço de avaliar a habilidade das mulheres em negociar uma relação sexual segura com o esposo ou parceiro que tem uma doença de transmissão sexual (DTS), foram colocadas duas questões relacionados com a atitude a todas as inquiridas. Perguntou-se se uma mulher tem razão ao recusar o sexo com o seu marido se ela sabe que o seu marido tem uma DTS, e se tal mulher tem razão se pedir ao marido para usar preservativo. Quadro 11.8 Atitudes em relação à negociação para sexo seguro com o esposo ou parceiro Percentagem de mulheres e homens que crêem que, se um marido ou parceiro tem uma ITS, a sua mulher pode recusar o sexo ou propor o uso do preservativo, por características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Mulheres 15-49 Homens 15-49 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––– ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– É justificável que uma mulher: É justificável que uma mulher: –––––––––––––––––––––––––––––––––––––– ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Recuse fazer Recuse fazer Proponha sexo ou Proponha sexo ou Recuse o uso do proponha o Número Recuse o uso do proponha o Número fazer preser- uso do de fazer preser- uso do de Característica sexo vativo preservativo1 mulheres sexo vativo preservativo1 homens ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 76.4 72.4 86.6 2,454 79.5 84.1 95.0 673 20-24 80.6 72.8 88.6 2,456 85.0 83.9 96.9 404 25-29 82.2 71.8 90.9 2,224 85.1 78.4 93.0 378 30-39 78.3 70.5 89.1 3,203 79.1 75.8 93.4 594 40-49 82.3 66.4 90.5 2,081 83.6 77.6 92.8 442 15-24 78.5 72.6 87.6 4,910 81.6 84.0 95.7 1,076 Estado civil Solteira(o) 75.6 77.8 87.4 1,961 81.1 84.7 95.6 911 Já teve sexo 81.2 84.9 93.3 1,261 80.7 86.4 95.9 687 Nunca teve sexo 65.6 65.1 76.8 700 82.3 79.5 94.6 224 Casada/união consensual 79.9 68.6 88.8 8,736 82.1 77.5 93.5 1,466 Alguma vez unida(o) 83.5 74.5 92.2 1,721 84.8 76.2 93.2 113 Residência Rural 78.7 65.2 87.2 7,870 81.7 74.9 93.3 1,423 Urbana 81.5 80.7 92.3 4,548 82.1 86.9 95.5 1,067 Província Niassa 83.8 63.3 90.5 476 91.0 78.4 93.2 99 Cabo Delgado 70.7 46.1 76.9 1,071 76.9 46.4 80.7 237 Nampula 68.6 69.0 85.3 2,403 78.5 89.2 96.7 574 Zambézia 67.5 63.6 77.7 1,906 72.6 66.0 88.5 401 Tete 85.2 84.4 96.3 1,025 90.1 82.1 97.7 188 Manica 90.8 61.2 93.6 809 95.3 94.0 96.9 172 Sofala 89.5 53.8 92.2 865 98.6 77.2 100.0 201 Inhambane 92.1 74.5 96.5 1,088 56.5 81.3 97.5 136 Gaza 89.4 91.7 96.8 666 98.4 94.2 99.4 75 Maputo 91.7 92.8 98.4 1,050 93.3 97.9 100.0 174 Maputo Cidade 81.8 86.5 95.1 1,059 77.4 89.0 94.2 232 Nível de escolaridade Nenhum 77.1 60.5 85.3 5,100 83.1 69.1 91.7 342 Primário 80.8 75.7 90.7 6,347 80.1 78.9 93.8 1,708 Secundário 86.3 93.9 98.4 940 87.5 93.0 97.9 420 Superior [ 82.3 [ 95.2 [ 95.9 30 [ 96.5 [ 100.0 [ 100.0 20 Quintil de riqueza Mais baixo 76.0 59.7 82.6 2,814 81.5 73.8 93.7 537 Segundo 76.2 62.4 87.2 2,166 70.9 64.7 88.1 404 Médio 78.8 66.9 88.0 2,333 84.4 80.5 94.3 445 Quarto 82.9 77.7 92.1 2,251 85.4 88.5 97.4 426 Mais elevado 84.3 86.2 95.4 2,854 84.8 88.6 96.2 678 Total 15-49 79.7 70.9 89.1 12,418 81.9 80.1 94.2 2,490 Total 15-64 na na na na 81.8 79.1 94.2 2,900 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Percentagem precedida por parêntese está baseada em 25-49 casos não ponderados. na = Não se aplica 1Corresponde ao Indicador 1 de Negociação para Sexo Seguro da UNAIDS “Habilidade das mulheres em negociar uma relação sexual segura com o esposo ou parceiro” HIV/SIDA e Outras Doenças de Transmissão Sexual | 203 · Quatro em cada cinco mulheres ou homens acham justo que uma mulher recuse fazer sexo com seu marido caso ele tenha contraído uma doença de transmissão sexual (DTS). · Aproximadamente 71 por cento de mulheres e 80 por cento de homens consideram justo que a mulher proponha o uso de preservativo ao seu marido quando este tiver uma DTS. · As Províncias de Zambézia (68 por cento) e Nampula (69 por cento) apresentam percentagens mais baixas de mulheres que concordam com a recusa de sexo quando o marido tiver DTS. Em contrapartida, Inhambane e Maputo Província (92 por cento) ostentam a percentagem mais elevada. Para o caso dos homens, é a Província de Gaza que sobressai, com 98 por cento de homens que estão a favor da recusa de sexo em caso de DTS, ficando Inhamabane em último plano, com 57 por cento. · A Província de Maputo aparece com a percentagem mais elevada de mulheres (93 por cento) e homens (98 por cento) que confirmam ser justificável o uso de preservativo quando o marido tiver contraído uma DTS e a de Cabo Delgado apresenta a menor (cerca de 46 por cento, tanto no caso de homens como no de mulheres). 11.8 NÚMERO DE PARCEIROS SEXUAIS No contexto da prevenção do HIV/SIDA, a actividade sexual é tipicamente classificada como sendo de alto ou baixo risco. Por isso, nos programas de intervenção tem-se tomado em consideração este aspecto. Sexo de alto risco ou “não regular” é um foco particular de intervenções programáticas. Assim, a tónica principal desses programas tem sido o conselho de início tardio de actividade sexual para os jovens, redução do número de parceiros e uso da camisinha. Os Quadros 11.9.1 e 11.9.2 mostram a percentagem de mulheres e de homens casados e não casados de 15-49 anos de idade, por número de parceiros não regulares nos últimos 12 meses antes do inquérito. O Quadro 11.9.2 inclui ainda a actividade sexual extraconjugal de homens casados, isto é, sexo com alguém que não seja a sua esposa. À semelhança do que acontece na maior parte dos países, o nível de relações extraconjugais declaradas por mulheres é inferior a 5 por cento, embora seja geralmente assumido que relações sexuais extraconjugais são sub-reportadas pelas mulheres inquiridas. Os Quadros 11.9.1 e 11.9.2 apresentam também informação sobre outra categoria abrangente de sexo irregular: o número de parceiros sexuais das mulheres e homens não casados, que inclui principalmente sexo pré-marital, mas também sexo reportado por informantes anteriormente em união. A informação sobre actividade sexual de mulheres e homens não casados é um importante indicadores para os programas que visam retardar o início da actividade sexual e reduzir a incidência de HIV. A maioria das novas infecções de HIV em mulheres são contraídas antes dos 25 anos de idade. A percentagem da entrevistados não casados que tiveram sexo nos 12 meses que precedem ao inquérito é descrita no Gráfico 12.3 por área de residência e província. · Exceptuando a Província de Maputo, dum modo geral, a percentagem de homens não casados que tiveram relações sexuais nos 12 meses anteriores ao inquérito é superior à de mulheres em situação similar. · Cerca de quatro por cento de mulheres casadas e 26 por cento de homens casados tiveram relações sexuais com pelo menos uma pessoa diferente do parceiro regular nos 12 meses que precederam o inquérito. · Os homens de 30 anos ou mais velhos e os que vivem nas zonas rurais ou nas Províncias de Zambézia, Tete, Manica e Niassa manifestam menor probabilidade de ter parceiros fora de casa. Os homens em Gaza, Cabo Delgado, Cidade de Maputo, e Província de Maputo têm maior possibilidade ter dois ou mais parceiros fora de casa. | HIV/SIDA e Outras Doenças de Transmissão Sexual 204 · Entre os entrevistados solteiros, 54 por cento de mulheres e 69 por cento de homens, aproximadamente, tiveram relações sexuais nos 12 meses que antecederam o inquérito. Entre as mulheres não casadas com parceiros, a maioria teve somente um parceiro, mas 30 por cento de homens solteiros tiveram 2 ou mais parceiros sexuais. · A percentagem de mulheres solteiras em Manica e Tete que tiveram sexo nos 12 meses que precederam o inquérito é inferior à de outras províncias. Cabo Delgado, Inhambane e Maputo Província são as províncias que apresentam maior proporção de mulheres com dois ou mais parceiros sexuais nos 12 meses anteriores ao inquérito (12 a 15 por cento). · Os homens solteiros em Gaza, Cabo Delgado e Inhambane revelam maior percentagem com dois ou mais parceiros sexuais nos 12 meses que precederam o inquérito (46 a 50 por cento), comparativamente a outras províncias. Quadro 11.9.1 Mulheres casadas e não casadas por número de parceiros sexuais Percentagem de mulheres casadas com apenas um parceiro sexual; distribuição percentual de mulheres não casadas por número de parceiros sexuais nos últimos 12 meses; e número médio de parceiros sexuais, segundo características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Mulheres casadas Mulheres não casadas ––––––––––––––– –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Apenas Número Número de parceiros sexuais Número Número médio um de ––––––––––––––––––––––– de de parceiros Característica parceiro mulheres 0 1 2+ Total mulheres sexuais ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 93.4 936 51.4 42.3 6.2 100.0 1,517 0.5 20-24 95.9 1,747 31.3 58.3 10.4 100.0 709 0.8 25-29 95.8 1,812 35.4 50.0 14.6 100.0 412 0.8 30-34 96.5 1,495 38.6 53.8 7.3 100.0 297 0.7 35-39 96.6 1,158 47.5 38.9 13.3 100.0 254 0.7 40-44 97.8 872 53.3 39.6 6.7 100.0 254 0.5 45-49 98.2 715 69.8 26.7 3.5 100.0 239 0.3 15-24 95.0 2,683 45.0 47.4 7.5 100.0 2,227 0.6 Estado civil Solteira na na 44.3 48.6 7.1 100.0 1,961 0.6 Casada/união consensual 96.2 8,736 na na na na na na Alguma vez unida na na 47.4 42.6 9.9 100.0 1,721 0.6 Residência Rural 96.7 6,199 57.0 35.9 7.1 100.0 1,671 0.5 Urbana 94.8 2,537 36.4 54.0 9.5 100.0 2,011 0.7 Província Niassa 98.1 387 53.3 38.9 7.5 100.0 89 0.5 Cabo Delgado 90.3 851 39.9 45.4 14.7 100.0 220 0.8 Nampula 94.1 1,898 52.6 40.5 6.9 100.0 505 0.6 Zambézia 98.4 1,430 61.0 32.2 6.9 100.0 476 0.5 Tete 99.7 771 72.1 24.3 3.4 100.0 254 0.3 Manica 99.3 617 69.2 28.2 2.6 100.0 192 0.4 Sofala 98.5 617 54.4 40.3 5.0 100.0 248 0.5 Inhambane 93.1 724 34.2 53.5 12.2 100.0 364 0.8 Gaza 97.8 426 42.1 54.0 3.9 100.0 240 0.6 Maputo 97.3 552 27.2 59.0 13.6 100.0 498 0.9 Maputo Cidade 96.3 462 30.5 60.2 9.2 100.0 597 0.8 Nível de escolaridade Nenhum 97.1 4,212 61.4 32.0 6.4 100.0 889 0.4 Primário 95.6 4,147 44.3 46.7 8.9 100.0 2,201 0.7 Secundário 92.6 362 27.7 62.6 9.7 100.0 578 0.8 Superior * * * * * * 14 * Quintil de riqueza Mais baixo 98.1 2,265 65.5 30.3 4.0 100.0 549 0.4 Segundo 95.5 1,660 56.8 33.3 9.9 100.0 507 0.5 Médio 96.9 1,857 59.0 35.2 5.9 100.0 475 0.5 Quarto 95.5 1,457 40.1 51.1 8.9 100.0 794 0.7 Mais elevado 93.8 1,498 32.3 57.3 10.2 100.0 1,357 0.8 Total 96.2 8,736 45.8 45.8 8.4 100.0 3,682 0.6 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: A distribuição percentual e o número medio baseadas em menos de 25 casos não ponderados não são apresentadas (*). na = Não se aplica HIV/SIDA e Outras Doenças de Transmissão Sexual | 205 A informação apresentada nos Quadros 11.9.1 e 11.9.2 corresponde a todos os inquiridos, tenham ou não tido actividades sexuais nos 12 meses antecedentes ao inquérito. O Quadro 11.9.3 mostra a percentagem de mulheres e de homens sexualmente activos de 15-49 anos de idade que tiveram sexo com mais que um parceiro nos 12 meses anteriores ao inquérito, por características seleccionadas, incluindo actividade sexual extraconjugal de mulheres e homens casados, isto é, sexo com alguém que não seja o(a) esposo(a). Quadro 11.9.2 Homens casados e não casados por número de parceiras sexuais Distribuição percentual de homens 15-49 anos de idade actualmente casados e não casados por número de parceiras sexuais nos 12 meses anteriores ao inquérito, e número médio de parceiras sexuais, segundo características seleccionadas, Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Homens casados 15-49 Homens não casados 15-49 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– –––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Número de parceiras sexuais Número de parceiras sexuais –––––––––––––––––––––––– Número –––––––––––––––––––––––– Número Apenas Número médio Número médio esposa/ de de de de Característica companheira 1 2+ Total homens parceiras 0 1 2+ Total homens parceiras –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 [ 66.1 [ 17.3 [ 16.6 [ 100.0 33 0.7 39.2 38.6 22.1 100.0 640 1.0 20-24 61.0 25.4 13.7 100.0 196 0.8 11.8 45.4 41.9 100.0 208 1.8 25-29 69.2 22.5 8.3 100.0 293 0.6 6.9 42.1 50.1 100.0 85 1.9 30-39 76.6 15.9 7.3 100.0 528 0.4 30.7 28.8 40.1 100.0 66 1.6 40-49 80.2 14.3 5.3 100.0 416 0.3 [ 46.8 [ 13.7 [ 39.5 [ 100.0 26 [ 1.0 15-24 61.7 24.2 14.1 100.0 229 0.8 32.5 40.3 26.9 100.0 848 1.2 Estado civil Solteiro na na na na na na 30.8 39.8 29.0 100.0 911 1.3 Alguma vez unido na na na na na na 28.7 33.0 38.0 100.0 113 1.5 Residência Rural 78.9 15.3 5.8 100.0 1,019 0.4 40.2 34.9 24.4 100.0 404 1.1 Urbana 62.4 24.4 12.9 100.0 447 0.6 24.4 41.7 33.7 100.0 620 1.4 Província Niassa 89.3 9.5 1.2 100.0 65 0.1 19.6 44.5 34.2 100.0 34 1.3 Cabo Delgado 53.2 27.2 19.7 100.0 166 1.1 7.0 44.6 48.3 100.0 70 2.0 Nampula 70.9 20.7 8.3 100.0 348 0.4 31.4 40.5 27.5 100.0 226 1.4 Zambézia 95.0 5.0 0.0 100.0 323 0.1 57.7 28.8 13.5 100.0 77 0.6 Tete 92.5 7.0 0.5 100.0 117 0.1 39.0 44.9 16.1 100.0 71 0.8 Manica 90.8 8.2 1.0 100.0 82 0.1 48.1 46.2 5.7 100.0 90 0.6 Sofala 75.1 13.7 10.5 100.0 104 0.4 31.0 36.4 31.6 100.0 97 1.1 Inhambane 51.3 39.0 9.7 100.0 77 0.7 16.2 38.2 45.6 100.0 59 1.8 Gaza 48.6 23.7 27.8 100.0 38 1.6 31.3 18.5 50.2 100.0 38 2.1 Maputo 38.8 45.6 15.6 100.0 68 1.0 33.1 34.9 32.0 100.0 106 1.3 Maputo Cidade 47.0 33.8 18.2 100.0 76 0.8 18.5 41.1 40.0 100.0 156 1.5 Nível de escolaridade Nenhum 83.6 13.6 2.9 100.0 264 0.2 50.7 28.9 20.4 100.0 78 0.9 Primário 74.6 17.1 8.2 100.0 1,024 0.5 33.4 39.6 26.6 100.0 684 1.2 Secundário 54.5 30.6 14.5 100.0 170 0.7 18.2 40.3 41.1 100.0 250 1.5 Superior * * * * 7 * * * * * 13 * Quintil de riqueza Mais baixo 85.0 12.3 2.7 100.0 426 0.2 45.0 28.9 25.8 100.0 111 0.9 Segundo 81.0 11.9 7.0 100.0 283 0.3 45.6 27.9 26.5 100.0 121 1.1 Médio 78.5 15.2 6.3 100.0 313 0.5 34.7 42.3 22.5 100.0 132 1.0 Quarto 60.9 27.8 10.8 100.0 191 0.6 34.2 39.8 26.0 100.0 235 1.1 Mais elevado 51.0 30.8 17.9 100.0 252 0.8 19.4 43.4 36.7 100.0 426 1.6 Total 15-49 73.8 18.1 8.0 100.0 1,466 0.5 30.6 39.0 30.0 100.0 1,024 1.3 Total 15-64 77.5 15.8 6.6 100.0 1,844 0.4 31.3 39.2 29.2 100.0 1,056 1.3 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Percentagem precedida por parêntese está baseada em 25-49 casos não ponderados. A distribuição percentual e o número medio baseadas em menos de 25 casos não ponderados não são apresentadas (*). na = Não se aplica | HIV/SIDA e Outras Doenças de Transmissão Sexual 206 · Seis por cento de mulheres e 33 por cento de homens tiveram vários parceiros sexuais nos 12 meses que precederam o inquérito. Tanto para mulheres como para homens, o nível de actividade sexual com múltiplos parceiros aumenta com o nível de educação e com o quintil de riqueza. Por outro lado, o nível de entrevistados com dois ou mais parceiros sexuais diminui, em geral, com a idade, desde um nível máximo de 10 por cento entre as mulheres de 15-19 anos a 3 por cento entre as de 40-49 anos; e de um máximo de 44 por cento entre os homens de 20-24 anos a 22 por cento entre os de 40-49 anos. · Os níveis de actividade sexual com mais de um parceiro são maiores na área urbana que na rural. Quanto às províncias, os maiores níveis de actividade sexual com vários parceiros entre as mulheres se observam em Cabo Delgado (24 por cento) e Inhambane (11 por cento) e, para os homens, em Gaza (60 por cento), Maputo Província (53 por cinto) e Maputo Cidade (51 por cento). · As Províncias de Tete e Manica apresentam baixa actividade sexual com parceiros múltiplos, tanto entre as mulheres (menos de 2 por cento) como entre os homens (13 e 10 por cento, respectivamente). Contudo, Zambézia é a província na qual se observa a menor proporção de homens com mais de um parceiro (8 por cento). Gráfico 11.3 Mulheres e Homens Não Casados que Tiveram Relações Sexuais nos 12 Meses que Precedem o Inquérito, por Área de Residência e Província 81 67 69 84 68 52 61 42 68 93 79 75 59 69 69 73 58 66 45 31 28 39 47 60 46 64 43 54 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Maputo Cidade Maputo Gaza Inhambane Sofala Manica Tete Zambézia Nampula Cabo Delgado Niassa PROVÍNCIA Urbana Rural ÁREA DE RESIDÊNCIA TOTAL Percentagem Mulheres 15-49 Homens 15-49 Gráfico 11.3 Mulheres e Homens Não Casados que Tiveram Relações Sexuais nos 12 Meses que Precedem o Inquérito, por Área de Residência e Província 81 67 69 84 68 52 61 42 68 93 79 75 59 69 69 73 58 66 45 31 28 39 47 60 46 64 43 54 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Maputo Cidade Maputo Gaza Inhambane Sofala Manica Tete Zambézia Nampula Cabo Delgado Niassa PROVÍNCIA Urbana Rural ÁREA DE RESIDÊNCIA TOTAL Percentagem Mulheres 15-49 Homens 15-49 HIV/SIDA e Outras Doenças de Transmissão Sexual | 207 11.9 SEXO DE ALTO RISCO E USO DE PRESERVATIVO De acordo com a definição internacionalmente reconhecida, considera-se relação sexual de baixo risco a que envolve sexo entre os casados ou maritalmente unidos. Todas as outras relações sexuais são consideradas de alto risco em termos de transmissão de uma DTS. Para uma pessoa tenha sexo com alguém que não seja seu cônjuge, i.e., que não coabita com ele, o risco de contrair HIV pode ser reduzido usando o preservativo. A monitorização do uso de preservativo no seio da população é a chave para monitorar e avaliar os programas de HIV/SIDA. Entre as mulheres, a declaração de relações sexuais extraconjugais pode ser omitida por causa das normas vigentes em algumas sociedades. Para algumas categorias de análise, o número de casos poderá ser muito pequeno, impossibilitando o estudo do uso do preservativo. Quadro 11.9.3 Multiplos parceiros sexuais entre mulheres e homens sexualmente activos Entre mulheres e homens sexualmente activos, percentagem dos que tiveram sexo com mais que um parceiro nos últimos 12 meses, por características seleccionadas, Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Mulheres 15-49 Homens 15-49 ––––––––––––––––––––––––– ––––––––––––––––––––––––– Percentagem Número Percentagem Número dos que tiveram 2 de dos que tiveram 2 de ou mais parceiros mulheres ou mais parceiros homens nos últimos sexualmente nos últimos sexualmente Característica 12 meses activas 12 meses activos –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 9.8 1,588 36.3 419 20-24 7.0 2,049 43.5 375 25-29 7.3 1,852 37.0 358 30-39 5.4 2,680 27.4 545 40-49 3.4 1,655 21.8 419 15-24 8.2 3,638 39.7 795 Residência Rural 5.1 6,158 25.8 1,212 Urbana 8.7 3,666 41.5 905 Província Niassa 3.4 391 20.9 89 Cabo Delgado 14.4 791 48.6 230 Nampula 7.4 1,925 34.6 472 Zambézia 3.5 1,587 7.5 355 Tete 1.4 796 12.9 156 Manica 1.7 557 10.4 121 Sofala 3.2 666 34.1 164 Inhambane 11.2 852 53.0 121 Gaza 3.6 514 60.3 64 Maputo 9.3 889 53.2 142 Maputo Cidade 8.2 857 50.5 202 Nível de escolaridade Nenhum 4.3 4,053 20.5 290 Primário 7.6 4,968 30.8 1,434 Secundário 10.6 779 48.1 374 Superior * 25 * 20 Quintil de riqueza Mais baixo 3.0 2,189 20.1 461 Segundo 7.5 1,663 25.3 338 Médio 4.5 1,827 25.3 382 Quarto 7.6 1,777 39.6 341 Mais elevado 9.7 2,369 47.0 594 Total 15-49 6.4 9,824 32.6 2,117 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: A distribuição percentual baseada em menos de 25 casos não ponderados não é apresentada (*). | HIV/SIDA e Outras Doenças de Transmissão Sexual 208 O Quadro 11.10 mostra a percentagem de mulheres e homens que tiveram sexo com um parceiro que não é seu marido/mulher, ou que não vive com ele/ela, entre as mulheres e homens que afirmaram ter tido sexo em algum momento nos 12 meses anteriores ao inquérito. Aos entrevistados que tiveram relações sexuais com alguém que não é seu cônjuge, com quem não coabitam se perguntou se haviam usado preservativo na última vez que tiveram sexo com tal parceiro. E o uso de preservativo durante a última relação sexual com o esposo ou parceiro com quem coabita é também apresentado no Quadro 11.10. O uso de preservativo na última relação sexual com um parceiro com quem não coabitam é resumido no Gráfico 11.4, tanto para o homens como para a mulheres. · Entre as pessoas sexualmente activas, 24 por cento de mulheres e 52 por cento de homens tiveram relaciones sexuais de alto risco nos 12 meses que precederam o inquérito. Quase todas as mulheres solteiras sexualmente activas e 85 por cento das mulheres que já foram casadas/unidas maritalmente estiveram envolvidas em actividades sexuais de alto risco. Apenas 4 por cento de mulheres actualmente casadas/em união marital tiveram sexo de alto risco. · Metade das mulheres em Maputo Cidade tiveram relações sexuais de alto risco mas apenas 9 por cento das mulheres em Tete denotam envolvimento nesse tipo de relações. Entre os homens, cerca de 80 por cento dos que vivem na Província do Maputo e Cidade de Maputo tiveram relações sexuais de alto risco, comparativamente a apenas 15 por cento na Zambézia. · Apenas 24 por cento de mulheres e 33 por cento de homens usaram um preservativo durante na última relações sexuais de alto risco (extraconjugal). · Tanto para homens como para mulheres, o uso de preservativo é maior em áreas urbanas, entre os solteiros e entre os entrevistados com nível de educação elevado. O uso de preservativo é também maior entre mulheres mais jovens. Gráfico 11.4 Uso do Preservativo na Última Relação Sexual Extraconjugal, por Área de Residência e Província 60 43 29 38 43 54 42 33 17 6 29 43 19 33 42 34 10 16 22 33 30 15 12 9 22 34 8 24 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Maputo Cidade Maputo Gaza Inhambane Sofala Manica Tete Zambézia Nampula Cabo Delgado Niassa PROVÍNCIA Urbana Rural ÁREA DE RESIDÊNCIA TOTAL Percentagem Mulheres Homens Gráfico 11.4 Uso do Preservativo na Última Relação Sexual Extraconjugal, por Área de Residência e Província 60 43 29 38 43 54 42 33 17 6 29 43 19 33 42 34 10 16 22 33 30 15 12 9 22 34 8 24 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Maputo Cidade Maputo Gaza Inhambane Sofala Manica Tete Zambézia Nampula Cabo Delgado Niassa PROVÍNCIA Urbana Rural ÁREA DE RESIDÊNCIA TOTAL Percentagem Mulheres Homens HIV/SIDA e Outras Doenças de Transmissão Sexual | 209 · Observam-se diferenças importantes no uso de preservativo por província. O nível mais alto do uso de preservativo regista-se na Cidade de Maputo (42 por cento entre as mulheres e cerca de 60 por cento entre os homens), mas também é relativamente alto em Maputo Província e Manica para mulheres (34 e 33 por cento, respectivamente) e em Manica para homens (54 por cento). · Em Cabo Delgado e Gaza, somente uma em cada dez mulheres usou preservativo numa relação extraconjugal. Em Nampula, uma em cada oito mulheres usou preservativo. O uso de preservativo em relações sexuais de alto risco pelos homens em Cabo Delgado é muito mais baixo que em outras províncias —somente 6 por cento. Quadro 11.10 Sexo de alto risco e uso de preservativo na última relação sexual de alto risco Entre homens e mulheres que reportaram actividade sexual nos 12 meses que antecederam o inquérito, percentagem dos que tiveram relações extraconjugais/com alguém com que não coabita (sexo de alto risco) nos últimos 12 meses e, entre estes, percentagem dos que usaram preservativo na última vez que tiveram sexo extraconjugal/com alguém com que não coabitam, por características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Mulheres 15-49 Homens 15-49 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Número das Número dos Percentagem Número Percentagem que tiveram Percentagem Número Percentagem que tiveram envolvida em de mulheres que usou sexo de envolvido em de homens que usou sexo de sexo de alto sexualmente preservativo alto risco sexo de alto sexualmente preservativo alto risco risco nos activas nos na última nos risco nos activos nos na última nos últimos últimos relação de últimos últimos últimos relação de últimos Característica 12 meses1 12 meses alto risco2 12 meses 12 meses1 12 meses alto risco2 12 meses ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 50.1 1,588 30.3 796 96.4 419 29.9 404 20-24 27.0 2,049 27.2 554 69.4 375 38.4 260 25-29 18.0 1,852 19.0 333 48.8 358 34.1 175 30-39 15.1 2,680 16.9 404 30.9 545 28.7 168 40-49 13.4 1,655 8.6 222 22.8 419 38.3 95 15-24 37.1 3,638 29.1 1,350 83.7 795 33.2 665 Estado civil Solteira(o) 99.5 1,091 34.0 1,086 100.0 630 35.5 630 Casada(o)/união consensual 4.2 7,664 15.8 320 28.1 1,398 30.8 393 Alguma vez unida(o) 84.5 1,070 13.7 904 91.1 89 26.0 81 Residência Rural 14.8 6,158 8.1 911 38.1 1,212 19.2 462 Urbana 38.1 3,666 33.6 1,398 70.9 905 43.2 642 Província Niassa 12.2 391 22.1 48 44.5 89 29.1 39 Cabo Delgado 27.1 791 9.2 214 64.1 230 6.1 148 Nampula 18.0 1,925 12.4 346 54.9 472 17.2 259 Zambézia 12.9 1,587 15.1 205 14.6 355 [ 32.6 52 Tete 8.9 796 29.9 71 33.6 156 41.8 52 Manica 11.4 557 33.0 63 41.8 121 54.0 51 Sofala 18.3 666 22.0 122 56.5 164 43.4 93 Inhambane 33.7 852 15.7 287 69.6 121 38.0 84 Gaza 28.8 514 10.0 148 71.1 64 28.8 45 Maputo 42.4 889 34.4 377 79.3 142 43.3 113 Maputo Cidade 50.1 857 42.2 429 82.5 202 59.8 167 Nível de escolaridade Nenhum 11.2 4,053 4.1 455 30.6 290 8.8 89 Primário 28.2 4,968 19.3 1,399 49.6 1,434 24.3 711 Secundário 57.1 779 55.7 444 76.9 374 59.2 287 Superior * 25 * 12 [ 79.5 20 * 16 Quintil de riqueza Mais baixo 10.5 2,189 4.0 230 26.7 461 14.8 123 Segundo 17.5 1,663 8.6 291 35.4 338 12.6 120 Médio 13.7 1,827 5.1 250 41.9 382 18.3 160 Quarto 30.1 1,777 15.8 534 67.4 341 33.4 230 Mais elevado 42.4 2,369 41.0 1,004 79.2 594 48.0 470 Total 15-49 23.5 9,824 23.5 2,309 52.1 2,117 33.1 1,103 Total 15-64 na na na na 46.2 2,500 32.4 1,155 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Percentagem precedida por parêntese está baseada em 25-49 casos não ponderados. Percentagem baseada em menos de 25 casos não ponderados não é apresentada (*). na = Não se aplica 1Corresponde ao Indicador 1 de Comportamento Sexual da UNAIDS “Sexo de alto risco nos últimos 12 meses” e ao “Indicador de Prevenção 5a” do Plano Presidencial de Emergência para o Alívio do SIDA 2Corresponde ao Indicador 2 de Comportamento Sexual da UNAIDS “Uso de preservativo para sexo de alto risco” e ao “Indicador de Prevenção 5” do Plano Presidencial de Emergência para o Alívio do SIDA | HIV/SIDA e Outras Doenças de Transmissão Sexual 210 O Quadro 11.11 apresenta a percentagem de homens que afirmaram ter tido sexo com um prostituta nos últimos 12 meses e, entre eles, a percentagem dos que usaram preser- vativo na última vez que tiveram relações sexuais com uma prostituta, por características seleccionadas. Da análise do quadro se pode inferir que: · Apesar de a as cifras serem baixas, o sexo com prostituta denota maior frequência entre os adolescentes (15- 19 anos) e os solteiros em geral (15 por cento). · O uso de preservativo na relação sexual com prostituta é muito baixo. Apenas um em cada cinco homens que tiverem sexo com uma prostituta usou preservativo na última relação. · Os homens com idade igual ou superior a 30 anos parecem ser um pouco mais prudentes, pois cerca de um quarto dos homens com essa idade usaram preservativo na última relação sexual com prostituta. De notar, porém, que esta cifra continua baixa. 11.10 COMPORTAMENTO SEXUAL DOS JOVENS A promoção da mudança de comportamento sexual é uma das características chave dos programas sobre a prevenção do HIV/SIDA. Aqueles que ainda não são sexualmente activos ou aqueles que tiveram a sua primeira relação sexual recentemente são considerados como sendo os que mais necessitam dos programas virados para a mudança de comportamento. Assim, vários dos quadros que se seguem têm o seu enfoque nos jovens de ambos sexos, dos 15-24 anos de idade, e no comportamento sexual que afecta o seu risco de exposição ao HIV. Uma das estratégias para a redução do risco de contrair uma DTS para os jovens é retardar a idade na qual se tornam sexualmente activos. Os Quadros 11.12.1 e 11.12.2 mostram a percentagem dos jovens que tiveram sexo pela primeira vez até às idades de 15 e 18 anos, por idade actual (Quadro 11.12.1) e por características seleccionadas (Quadro 11.12.2). Quadro 11.11 Sexo pago no ano anterior ao inquérito e uso de preservativo na última relação sexual paga Percentagem de homens 15-49 anos de idade que afirmam ter tido sexo com uma prostituta nos últimos 12 meses e, entre eles, percentagem dos que usaram preservativo a última vez que tiveram relações sexuais com uma prostituta, por características seleccionadas, Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Sexo com uma prostituta Usaram preservativo nos últ imos 12 meses1 última vez com prostituta2 ––––––––––––––––––– –––––––––––––––––––––– Número de homens que Número tiveram sexo Percen- de Percen- com uma Característica tagem homens tagem prostituta –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 16.0 673 17.3 108 20-24 14.6 404 18.5 59 25-29 14.6 378 13.4 55 30-39 12.3 594 24.8 73 40-49 7.6 442 * 33 15-24 15.5 1,076 17.7 167 Estado civil Solteiro 14.8 911 20.2 135 Casado/união consensual 12.0 1,466 22.6 176 Alguma vez unido 15.2 113 * 17 Residência Rural 13.8 1,423 12.0 197 Urbana 12.3 1,067 35.1 131 Província Niassa 21.8 99 [ 24.9 22 Cabo Delgado 40.4 237 10.8 96 Nampula 28.0 574 17.2 161 Zambézia 3.7 401 * 15 Tete 3.0 188 * 6 Manica 0.7 172 * 1 Sofala 7.8 201 * 16 Inhambane 1.1 136 * 2 Gaza 0.0 75 * 0 Maputo 4.3 174 * 8 Maputo Cidade 1.6 232 * 4 Nível de escolaridade Nenhum 11.7 342 [ 5.7 40 Primário 14.1 1,708 16.9 241 Secundário 10.7 420 [ 54.3 45 Superior [ 10.8 20 * 2 Quintil de riqueza Mais baixo 10.4 537 14.3 56 Segundo 14.6 404 12.0 59 Médio 15.4 445 12.8 69 Quarto 16.5 426 18.1 70 Mais elevado 11.0 678 44.6 74 Total 15-49 13.2 2,490 21.2 328 Total 15-64 11.8 2,900 21.2 342 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Percentagem baseada em menos de 25 casos não ponderados não é apresentada (*). Percentagem precedida por parêntese está baseada em 25-49 casos não ponderados. 1Corresponde ao Indicador 3 de Comportamento Sexual da UNAIDS “Sexo comercial no último ano” e ao “Indicador de Prevenção 6a” do Plano Presidencial de Emergência para o Alívio do SIDA 2Corresponde ao Indicador 4 de Comportamento Sexual, da UNAIDS “Uso de preservativo durante sexo comercial no último ano” e ao “Indicador de Prevenção 6” do Plano Presidencial de Emergência para o Alívio do SIDA HIV/SIDA e Outras Doenças de Transmissão Sexual | 211 Quadro 11.12.2 Idade à primeira relação sexual entre jovens de ambos sexos, por características seleccionadas Percentagem de mulheres e homens com 15-24 anos de idade que tiveram sexo pela primeira vez antes dos 15 anos, por características seleccionadas, Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Mulheres 15-24 Homens 15-24 –––––––––––––––––––––––––––––––– –––––––––––––––––––––––––––––––– Percentagem das que tiveram Número Percentagem dos que tiveram Número sexo pela primeira vez de sexo pela primeira vez de Característica antes dos 15 anos mulheres antes dos 15 anos homens –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 27.8 2,454 31.3 673 20-24 28.1 2,456 18.4 404 Estado civil Solteira(o) 15.1 1,774 27.2 828 Alguma vez unida(o) 35.3 3,136 24.0 249 Residência Rural 33.1 2,815 28.1 500 Urbana 21.0 2,095 24.9 577 Província Niassa 45.5 179 33.4 42 Cabo Delgado 45.0 416 42.7 88 Nampula 36.6 827 31.4 254 Zambézia 35.2 667 19.1 108 Tete 16.7 399 31.1 83 Manica 24.9 351 14.2 93 Sofala 22.2 349 21.1 94 Inhambane 25.1 436 35.0 54 Gaza 21.3 287 40.5 38 Maputo 17.3 466 15.0 90 Maputo Cidade 15.8 533 19.5 132 Nível de escolaridade Nenhum 36.6 1,494 30.8 96 Primário 27.4 2,848 28.5 740 Secundário 7.9 559 18.8 233 Superior * 10 * 8 Quintil de riqueza Mais baixo 33.7 974 21.6 173 Segundo 35.4 752 33.6 134 Médio 31.9 847 31.0 159 Quarto 29.7 975 29.4 232 Mais elevado 16.2 1,362 22.4 377 Total 15-24 28.0 4,910 26.4 1,077 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Percentagem baseada em menos de 25 casos não ponderados não é apresentada (*). Quadro 11.12.1 Idade da primeira relação sexual entre jovens de ambos sexos, por idade Percentagem de mulheres e homens com 15-24 anos de idade que tiveram sexo pela primeira vez até às idades especificadas, por idade actual, Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Mulheres 15-24 Homens 15-24 ––––––––––––––––––––––––––––––––– –––––––––––––––––––––––––––––––––– Percentagem que tiveram Percentagem que tiveram sexo pela primeira vez sexo pela primeira vez até à idade específica: Número até à idade específica: Número –––––––––––––––––––––– de –––––––––––––––––––––– de Idade 15 anos 18 anos mulheres 15 anos 18 anos homens –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– 15-19 27.8 a 2,454 31.3 a 673 15-17 28.1 a 1,385 33.5 a 422 18-19 27.5 87.8 1,069 27.5 85.6 251 20-24 28.1 78.8 2,456 18.4 64.1 404 20-22 27.8 80.8 1,393 20.8 62.5 247 23-24 28.6 76.1 1,063 14.4 66.6 156 Total 15-24 28.0 a 4,910 26.4 a 1,077 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– a = Não pode ser calculada porque os inquiridos dos 15-17 anos de idade ainda não atingiram os 18 anos de idade e assim não podem contribuir para o denominador. | HIV/SIDA e Outras Doenças de Transmissão Sexual 212 · Mais de um quarto dos jovens inicia a sua vida sexual antes dos 15 anos de idade. Entre as mulheres jovens de 18-19 anos, 88 por cento havia já iniciado a sua vida sexual antes dos 18 anos (entre os homens, a percentagem é de 86 por cento). Considerando a percentagem de jovens dos 15- 19 anos e a dos com superior (20-24 anos), pareceria haver um aumento na proporção de jovens que iniciaram a sua actividade sexual antes dos 18 anos. · Embora para o caso dos homens a diferença não pareça muito significativa, a percentagem dos jovens que iniciam a vida sexual antes dos 15 anos tende a ser maior na área rural que na urbana. · Há mais jovens em Niassa (46 por cento de mulheres) e Cabo Delgado (45 por cento de mulheres e 43 por cento de homens) que tiveram a primeira relação sexual antes dos 15 anos, comparativamente às restantes províncias. A percentagem de homens em Gaza que inicia a vida sexual antes dos 15 anos é também elevada (41 por cento). · O nível de escolaridade e o quintil de riqueza a que pertencem os entrevistados tende a demonstrar uma relação negativa com o início precoce da vida sexual, especialmente no caso dos homens. No IDS 2003 perguntou-se aos inquiridos se conheciam ou não um lugar onde se pode obter preservativos. O Quadro 11.13 apresenta estatísticas sobre se os jovens de ambos sexos de 15-24 anos de idade conhecem pelo menos uma fonte que não seja a sua família e amigos. · Cerca de 60 por cento de jovens do sexo feminino e 83 do sexo mascu- lino conhecem pelo menos uma fonte para obtenção de preservativo. · Maputo Cidade apresenta a percenta- gem mais elevada de mulheres que conhecem pelo menos uma fonte para consecução de preservativo (91 por cento). Para o caso dos homens, são cinco as províncias que ostentam percentagens superiores a 90 por cento: Tete (99 por cento), Sofala (98 por cento), Maputo Cidade (93 por cento), Manica (91 por cento) e Gaza (91 por cento). · O nível de escolaridade denota relação positiva com o conhecimento de pelo menos uma fonte para obtenção de preservativo. Quadro 11.13 Conhecimento sobre a fonte de preservativo entre os jovens Percentagem de jovens de 15-24 anos de idade que conhecem pelo menos uma fonte de obtenção de preservativo, por características seleccionadas, Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Mulheres 15-24 Homens 15-24 ––––––––––––––––––––– ––––––––––––––––––––– Conhecem Número Conhecem Número pelo menos de pelo menos de Característica uma fonte mulheres uma fonte homens –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 59.6 2,454 81.5 673 20-24 59.8 2,456 84.4 404 Estado civil Solteira(o) 67.0 1,774 84.7 828 Já teve sexo 74.5 1,079 88.3 609 Nunca teve sexo 55.3 695 74.8 219 Alguma vez unida(o) 55.6 3,136 75.5 249 Residência Rural 46.1 2,815 74.1 500 Urbana 78.0 2,095 90.0 577 Província Niassa 49.6 179 78.0 42 Cabo Delgado 37.1 416 62.9 88 Nampula 40.9 827 80.2 254 Zambézia 27.7 667 49.8 108 Tete 79.6 399 99.0 83 Manica 68.2 351 91.4 93 Sofala 69.3 349 97.7 94 Inhambane 53.9 436 89.6 54 Gaza 86.7 287 91.3 38 Maputo 84.9 466 87.2 90 Maputo Cidade 91.3 533 92.9 132 Nível de escolaridade Nenhum 37.0 1,494 56.8 96 Primário 64.4 2,848 81.0 740 Secundário 95.7 559 97.8 233 Superior * 10 * 8 Quintil de riqueza Mais baixo 34.5 974 64.3 173 Segundo 44.2 752 68.1 134 Médio 53.7 847 77.1 159 Quarto 66.5 975 91.5 232 Mais elevado 85.1 1,362 93.0 377 Total 15-24 59.7 4,910 82.6 1,077 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Exclui amigos, familiares e parceiro(a). Percentagem baseada em menos de 25 casos não ponderados não é apresentada (*). HIV/SIDA e Outras Doenças de Transmissão Sexual | 213 A percentagem de jovens que usaram preservativo na primeira relação sexual é apresentada no Quadro 11.14. · São poucos os jovens que usaram preservativo na sua primeira relação (apenas 8 por cento). · Maputo Cidade e Maputo Província exibem as percentagens mais elevadas de jovens, em particular mulheres, que usaram preservativo na primeira relação sexual. Contrariamente, a Província de Gaza (para as mulheres) e Província de Cabo Delgado (para homens) apresentam as proporções mais baixas de jovens que usaram preservativo na sua primeira relação sexual (cerca de dois por cento). · O nível de escolaridade influencia positivamente no uso de preservativo na primeira relação sexual, visto que è medida que o nível de escolaridade sobre, aumenta consideravelmente a percentagem de jovens que usaram preservativo nessa ocasião. Quadro 11.14 Uso de preservativo na primeira relação sexual entre os jovens Entre os jovens que já tiveram relações sexuais, percentagem dos que usaram preservativo na primeira relação sexual, por características seleccionadas, Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Mulheres 15-24 Homens 15-24 ––––––––––––––––––––––– ––––––––––––––––––––––– Usaram Usaram preservativo Número de preservativo Número de na primeira mulheres na primeira homens relação que já tiveram relação que já tiveram Característica sexual1 relações sexuais sexual1 relações sexuais –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 12.8 1,796 7.5 464 20-24 4.5 2,413 8.2 392 Estado civil Solteira(o) 22.4 1,079 10.2 609 Alguma vez unida(o) 3.1 3,130 2.0 247 Residência Rural 1.9 2,487 4.2 382 Urbana 16.9 1,723 10.8 474 Província Niassa 3.2 167 7.1 38 Cabo Delgado 3.6 386 1.8 85 Nampula 4.5 699 3.2 207 Zambézia 3.0 581 2.7 76 Tete 4.9 324 11.0 64 Manica 3.4 285 11.7 64 Sofala 6.3 296 7.3 69 Inhambane 7.7 392 [ 8.1 47 Gaza 2.3 248 4.3 29 Maputo 18.1 400 17.0 64 Maputo Cidade 27.3 433 16.4 112 Nível de escolaridade Nenhum 1.6 1,385 2.9 78 Primário 6.5 2,365 5.5 566 Secundário 36.1 451 15.0 204 Superior * 9 * 8 Quintil de riqueza Mais baixo 1.7 887 3.2 139 Segundo 1.7 654 1.6 95 Médio 1.9 736 6.4 124 Quarto 5.4 846 5.1 176 Mais elevado 23.3 1,087 13.7 322 Total 15-24 8.0 4,210 7.8 856 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Percentagem precedida por parêntese está baseada em 25-49 casos não ponderados. Percentagem baseada em menos de 25 casos não ponderados não é apresentada (*). 1Corresponde ao Indicador 6 de Comportamento Sexual dos Jovens da UNAIDS “Uso de preservativo na primeira relação” | HIV/SIDA e Outras Doenças de Transmissão Sexual 214 O Quadro 11.15 apresenta a percentagem dos jovens de ambos sexos que nunca se casaram e que tiveram relações sexuais nos 12 meses antes do inquérito, bem como a percentagem dos que usaram o preservativo na última vez que tiveram relações sexuais. · Embora o Quadro 11.15 não mostre o “Indicador de Prevenção 2” do Plano Presidencial de Emergência para o Alívio do SIDA, 39 por cento das mulheres com 15-24 anos de idade que nunca se casaram e 26 por cento dos homens com 15-24 anos de idade que nunca se casaram, nunca tiveram sexo. Entre jovens dos 15-19 anos as cifras mostram 47 e 33 por cento respectivamente. Entre jovens dos 20-24 anos, as cifras caem dramaticamente para 11 por cento entre mulheres e 6 por cento entre homens. Quadro 11.15 Prevalência de relações sexuais antes do casamento no ultimo ano e uso de preservativo durante o sexo antes do casamento entre jovens de ambos sexos Entre mulheres e homens de 15-24 anos de idade que nunca se casaram, percentagem dos que tiveram relações sexuais nos últimos 12 meses e, entre aqueles que tiveram sexo antes do casamento nos últimos 12 meses, percentagem dos que usaram preservativo na última relação sexual, por características seleccionadas, Moçambique 2003 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Mulheres 15-24 que nunca se casaram Homens 15-24 que nunca se casaram –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Número Número Número de mulheres Número de homens de Uso sexualmente de Uso sexualmente Teve sexo mulheres preservativo activas Teve sexo homens preservativo activos nos últimos que nunca na última nos últimos nos últimos que nunca na última nos últimos Característica 12 meses1 se casaram vez2 12 meses 12 meses1 se casaram vez2 12 meses –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 47.9 1,391 33.5 666 60.5 636 30.6 385 20-24 76.9 383 36.9 294 88.2 192 43.6 169 Residência Rural 44.3 683 13.9 302 58.5 339 20.3 198 Urbana 60.3 1,091 44.0 658 72.8 488 42.5 356 Província Niassa 63.0 39 24.5 24 83.3 28 [ 31.6 24 Cabo Delgado 57.7 77 [ 12.7 44 92.5 60 [ 0.0 56 Nampula 36.6 220 [ 14.6 80 67.5 194 20.5 131 Zambézia 50.2 201 17.7 101 [ 37.2 59 * 22 Tete 31.9 133 38.1 42 61.8 63 [ 36.4 39 Manica 31.8 102 38.3 32 52.1 82 60.8 43 Sofala 43.2 103 44.2 44 64.2 77 41.6 50 Inhambane 66.4 178 27.5 118 [ 82.0 43 [ 37.3 35 Gaza 53.5 101 16.8 54 61.4 30 34.8 18 Maputo 67.9 263 45.7 178 64.7 78 [ 40.7 50 Maputo Cidade 67.2 359 49.4 241 76.4 114 58.5 87 Nível de escolaridade Nenhum 40.5 211 12.9 86 [ 49.5 50 * 25 Primário 50.8 1,137 25.7 577 64.3 569 22.1 366 Secundário 69.7 418 57.5 292 77.7 202 65.6 157 Superior * 8 * 6 * 6 * 6 Quintil de riqueza Mais baixo 40.2 176 5.8 71 54.2 85 [ 12.2 46 Segundo 39.7 191 17.2 76 51.6 100 [ 10.0 51 Médio 38.4 206 7.3 79 63.2 115 23.6 72 Quarto 58.9 373 24.1 220 63.9 203 32.9 129 Mais elevado 62.2 827 49.7 515 78.2 326 47.5 255 Total 15-24 54.1 1,774 34.5 961 66.9 828 34.6 554 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Percentagem precedida por parêntese está baseada em 25-49 casos não ponderados. Percentagem baseada em menos de 25 casos não ponderados não é apresentada (*). 1Corresponde ao Indicador 2 de Comportamento Sexual dos Jovens, da UNAIDS “Relações sexuais antes do casamento” e ao “Indicador de Prevenção 3” do Plano Presidencial de Emergência para o Alívio do SIDA 2Corresponde ao Indicador 3 de Comportamento Sexual dos Jovens da UNAIDS “Uso de preservativo durante o sexo antes do casamento” HIV/SIDA e Outras Doenças de Transmissão Sexual | 215 · Mais de metade dos jovens solteiros do sexo feminino (54 por cento) e cerca de dois terços dos do sexo masculino (67 por cento) tiveram relações sexuais durante os 12 meses que antecederam o inquérito. · A proporção de mulheres solteiras em Maputo Cidade, Maputo Província, e Tete é ligeiramente superior a dois terços, variando de 66 por cento a 68 por cento. · Manica e Tete (32 por cento em cada uma) são as províncias com menor percentagem de mulheres solteiras, de 15 a 24 anos, que tiveram relações sexuais durante o ano precedente ao inquérito. · O nível de uso de preservativo na última relação sexual foi muito baixo. Apenas pouco mais de um terço dos jovens solteiros de ambos os sexos usaram preservativo por ocasião da última relação sexual. · Existem diferenciais por província no uso de preservativo na última relação sexual: Maputo Cidade é a província com percentagem mais elevada de mulheres solteiras de 15-24 anos que usaram preservativo na última relação sexual (49 por cento), seguida de Maputo Província (45 por cento) e Sofala (44 por cento). Para o caso dos homens, a percentagem mais elevada é exibida por Manica (50 por cento), seguindo-se-lhe a Cidade de Maputo (59 por cento). · O nível de escolaridade está positivamente relacionado com o uso de preservativo na última relação sexual. O contraste de idades nas relações sexuais é um factor muito importante na alastração do HIV/SIDA. Se uma pessoa mais nova, não infectada, tem relação sexual com um adulto infectado, este pode contagiar o vírus ao jovem e, por conseguinte, para uma outra coorte. O Quadro 11.16 apresenta a percentagem de mulheres dos 15-19 anos que tiveram relações sexuais extraconjugais com um homem 10 ou mais anos mais velho que elas nos últimos 12 meses que antecederam o inquérito. Os dados do referido quadro revelam que: · Três em cada cem adolescentes dos 15-19 anos tiveram relações sexuais com um homem dez ou mais anos mais velho em relação a elas. · As relações sexuais extraconjugais com homens mais velhos tende a ser mais frequente na área urbana que na rural. · A Província de Manica ostenta a percentagem mais elevada de adolescentes que tiveram relações sexuais extraconjugais com homens muito mais velhos que elas. · Em Cabo Delgado e Nampula, esse tipo de relações é quase inexistente. Quadro11.16 Contraste de idades nas relações sexuais Entre mulheres dos 15-19 anos de idade que tiveram relações sexuais extraconjugais nos últimos 12 meses, percentagem das que tiveram relações sexuais extraconjugais com um homem 10 ou mais anos mais velho que elas, por características seleccio- nadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Percentagem que Número de mulheres tiveram relações 15-19 anos de idade sexuais extraconjugais que tiveram relações com um homem sexuais extraconjugais 10 ou mais nos últimos Característica anos mais velho1 12 meses ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-17 3.3 473 18-19 2.8 323 Estado civil Solteira 3.0 663 Alguma vez unida 3.4 133 Residência Rural 2.0 299 Urbana 3.8 497 Província Niassa 1.2 23 Cabo Delgado 0.0 62 Nampula 0.0 109 Zambézia [ 5.2 58 Tete 2.9 39 Manica 12.7 30 Sofala [ 3.7 29 Inhambane 5.3 108 Gaza 2.2 49 Maputo 2.6 130 Maputo Cidade 3.3 159 Nível de escolaridade Nenhum 3.7 101 Primário 2.4 517 Secundário 4.7 177 Quintil de riqueza Mais baixo 3.6 62 Segundo 1.4 74 Médio 2.1 90 Quarto 3.0 211 Mais elevado 3.7 358 Total 15-19 3.1 796 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Percentagem precedida por parêntese está baseada em 25-49 casos não ponderados. 1Corresponde ao Indicador 7 de Comportamento Sexual dos Jovens, da UNAIDS “Contraste de idades nas relações sexuais” (entre últimos três parceiros nos últimos 12 meses) | HIV/SIDA e Outras Doenças de Transmissão Sexual 216 Os jovens que são sexualmente activos podem reduzir o risco de se exporem ao HIV, limitando o número de parceiros sexuais. O Quadro 11.17 mostra a percentagem de mulheres e homens dos 15-24 anos de idade que tiveram sexo com mais de um parceiro nos últimos 12 meses. · Os homens denotam maior probabilidade de ter mais de um parceiro: 39 por cento de homens dos 15-24 anos tiveram dois ou mais parceiros sexuais nos 12 meses precedentes ao inquérito, mas apenas 8 por cento de mulheres se encontram em situação similar. · Tanto homens como mulheres da área urbana tendem a ter mais parceiros sexuais que os da área rural. · As Províncias de Cabo Delgado e Inhambane são as que apresentam maior percentagem de mulheres dos 15-24 anos que tiveram dois ou mais parceiros sexuais nos 12 meses que antecederam o inquérito (16 e 14 por cento, respectivamente). Para o caso de homens, as províncias com percentagens mais elevadas são Gaza e Cabo Delgado (79 e 59 por cento, respectivamente). · Contrastando com as acima citadas, as Províncias de Manica e Zambézia (para o caso de mulheres) e Zambézia (para o caso de homens) apresentam as percentagens mais baixa de jovens que tiveram dois ou mais parceiros sexuais no período de referência (3 por cento e 7 por cento, respectivamente). O Quadro 11.18 apresenta a prevalência do sexo de alto risco entre jovens sexualmente activos e a proporção dos que usaram preservativo na última relação de alto risco. O sexo de alto risco é a relação sexual extra conjugal e com um parceiro com o qual não se coabita. · A probabilidade de envolvimento em sexo de alto risco é maior entre jovens do sexo masculino dos que entre os do feminino: a percentagem de jovens do sexo masculino nessa situação é superior ao dobro da apresentada pelos o feminino (84 por cento entre homens contra 37 por cento entre mulheres). · Os jovens da área urbana, estão mais expostos ao sexo de alto risco do que os da área rural. No caso das mulheres, a percentagem das jovens expostas a sexo de alto risco na área urbana mais que o dobro da observada na área rural (56 e 23 por cento, respectivamente). Quadro 11.17 Multiplos parceiros sexuais entre jovens de ambos sexos Entre mulheres e homens dos 15-24 sexualmente activos, percentagem dos que tiveram sexo com mais que um parceiro nos últimos 12 meses, por características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Mulheres 15-24 Homens 15-24 ––––––––––––––––––––––– –––––––––––––––––––––– Percentagem Percentagem dos que Número dos que Número tiveram 2 ou de tiveram 2 ou de mais parceiros mulheres mais parceiros homens nos últimos sexualmente nos últimos sexualmente Característica 12 meses1 activas 12 meses1 activos ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 9.7 1,588 36.3 419 20-24 6.8 2,049 42.4 375 Estado civil Solteira(o) 12.4 961 39.8 554 Alguma vez unida(o) 6.6 2,677 37.8 241 Residência Rural 6.1 2,086 32.5 352 Urbana 10.8 1,552 44.5 442 Província Niassa 5.5 152 33.9 37 Cabo Delgado 15.6 280 58.8 83 Nampula 9.3 584 41.1 188 Zambézia 3.2 541 7.1 71 Tete 4.1 285 22.6 57 Manica 2.8 235 13.0 53 Sofala 5.4 253 43.0 64 Inhambane 13.9 326 45.2 46 Gaza 4.6 211 78.5 26 Maputo 11.7 365 45.9 62 Maputo Cidade 9.8 404 48.0 105 Nível de escolaridade Nenhum 5.2 1,154 25.5 69 Primário 8.6 2,052 38.2 531 Secundário 13.1 423 46.2 188 Superior * 8 * 8 Quintil de riqueza Mais baixo 3.9 749 26.6 132 Segundo 8.2 542 31.9 84 Médio 5.7 613 37.0 117 Quarto 7.9 720 40.6 157 Mais elevado 12.7 1,012 46.6 304 Total 15-24 8.1 3,638 39.2 795 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: A distribuição percentual baseada em menos de 25 casos não ponderados não é apresentada (*). 1Corresponde ao Indicador 4 de Comportamento Sexual dos Jovens da UNAIDS: “Dois ou mais parceiros nos últimos 12 meses” HIV/SIDA e Outras Doenças de Transmissão Sexual | 217 · O envolvimento de jovens solteiros em sexo de alto risco é universal. · Os jovens da Cidade de Maputo praticam mais sexo de alto risco do que os das restantes províncias (71 por cento para mulheres e 97 por cento para homens). Importa referir, porém, que as Províncias de Maputo, Gaza e Cabo Delgado, para o caso doa homens, apresentam percentagens superiores a 90 por cento). · Contrariamente ao que seria de esperar, o nível de escolaridade denota uma relação positiva com o envolvimento em sexo de alto risco, possivelmente devido ao peso da área urbana em níveis de educação mais elevados. · O nível de uso de preservativo em relações sexuais de alto risco é muito baixo: 29 entre jovens do sexo feminino e 33 entre os do sexo masculino. Cabo Delgado é a província que apresenta níveis mais baixos de uso de preservativo em sexo de alto risco, em particular entre os homens (2 por cento). Quadro 11.18 Sexo de alto risco e uso de preservativo na última relação sexual de alto risco, no ano anterior ao inquérito, entre jovens de ambos sexos Entre os jovens sexualmente activos, com 15-24 anos de idade, percentagem dos que tiveram relações sexuais extraconjugais, com parceiros com quem não coabitaram nos últimos 12 meses; e entre homens e mulheres dos 15-24 que tiveram relações sexuais de alto risco nos últimos 12 meses, percentagem dos que dizem ter usado o preservativo na última vez que tiveram relações sexuais extra conjugais, com quem não coabitam, por características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Mulheres 15-24 Homens 15-24 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Percentagem Número Percentagem Mulheres Percentagem Número Percentagem Homens envolvida em de mulheres que usou que tiveram envolvido em de homens que usou que tiveram sexo de alto sexualmente preservativo sexo de sexo de alto sexualmente preservativo sexo de risco nos activas nos na última alto risco risco nos activas nos na última alto risco últimos 12 últimos relação sexual nos últimos últimos 12 últimos relação sexual nos últimos Característica meses 12 meses de alto risco1 12 meses meses 12 meses de alto risco1 12 meses ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 50.1 1,588 30.3 796 96.4 419 29.9 404 20-24 27.0 2,049 27.2 554 69.4 375 38.4 260 Estado civil Solteira(o) 99.5 961 34.7 956 100.0 554 34.6 554 Alguma vez unida(a) 14.7 2,677 15.4 394 46.0 241 26.5 111 Residência Rural 23.2 2,086 9.9 484 71.1 352 18.0 251 Urbana 55.8 1,552 39.8 866 93.6 442 42.5 414 Província Niassa 21.6 152 25.8 33 85.0 37 27.9 32 Cabo Delgado 39.0 280 8.7 109 91.8 83 1.6 77 Nampula 27.4 584 16.5 160 84.9 188 20.6 160 Zambézia 23.9 541 16.2 129 37.4 71 * 26 Tete 19.1 285 35.3 54 73.3 57 [ 37.1 42 Manica 19.3 235 30.9 45 84.2 53 58.8 45 Sofala 28.6 253 29.8 72 88.3 64 39.3 57 Inhambane 48.9 326 20.3 159 87.5 46 [ 36.9 41 Gaza 36.9 211 13.3 78 94.7 26 35.1 25 Maputo 61.2 365 42.3 223 95.8 62 41.5 60 Maputo Cidade 70.7 404 47.3 286 96.5 105 58.1 102 Nível de escolaridade Nenhum 16.2 1,154 6.9 187 59.9 69 [ 6.9 41 Primário 40.6 2,052 22.8 833 82.6 531 22.6 438 Secundário 76.4 423 57.2 323 94.5 188 62.6 178 Superior * 8 * 6 * 8 * 8 Quintil de riqueza Mais baixo 16.6 749 5.8 124 50.1 132 10.1 66 Segundo 26.0 542 9.7 141 69.6 84 8.8 59 Médio 21.7 613 5.3 133 84.3 117 18.5 98 Quarto 42.3 720 22.6 305 92.7 157 33.6 146 Mais elevado 63.9 1,012 45.7 647 97.1 304 48.0 296 Total 15-24 37.1 3,638 29.1 1,350 83.7 795 33.2 665 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Percentagem precedida por parêntese está baseada em 25-49 casos não ponderados. Percentagem baseada em menos de 25 casos não ponderados não é apresentada (*). 1Corresponde ao Indicador 5 de Comportamento Sexual dos Jovens da UNAIDS “Uso de preservativo na última relação sexual de alto risco” | HIV/SIDA e Outras Doenças de Transmissão Sexual 218 11.11 DOENÇAS DE TRANSMISSÃO SEXUAL E CIRCUNCISÃO Conhecimento sobre os Sintoma de DTS No IDS 2003 perguntou-se aos entrevistados se tinham conhecimento sobre os sintomas relacionados com as DTS em homens e mulheres. Este conhecimento básico é importante pelo facto de que permite à pessoa: a) procurar opções médicas apropriadas caso seja infectada, e b) adoptar comportamentos que parem ou inibam a propagação da DTS tanto para si (a partir do parceiro infectado) como para os outros parceiros. A todos os inquiridos do IDS 2003 perguntou-se também se já tinham ouvido falar de outras infecções, além do HIV, que podem ser transmitidas sexualmente. Depois, pediu-se aos que já tinham ouvido falar de uma DTS para mencionar os sintomas que um homem ou uma mulher com uma DTS (que não seja HIV) pode apresentar. As percentagens dos inquiridos com conhecimento de nenhum, um sintoma, dois ou mais sintomas são apresentadas nos Quadros 11.19.1 (mulheres) e 11.19.2 (homens). Os resultados podem ajudar a identificar grupos de indivíduos que necessitam de informação sobre como reconhecer uma DTS e quais são as alternativas para o tratamento. O Gráfico 11.5 mostra a percentagem de mulheres e homens sem nenhum conhecimento de sintomas associados às DTS. · São as mulheres que menos conhecem os sintomas associados às DTS no homem. Note-se que a percentagem de mulheres sem conhecimento dos sintomas é duas vezes superior à dos homens. · Embora haja poucos inquiridos que não conhecem os sintomas de DTS no homem em Cabo Delgado, esta província apresenta o maior diferencial por sexo. Outras províncias com grandes diferenciais por sexo são, Sofala, Manica, Nampula e Zambézia. Gráfico 11.5 Falta de Conhecimentos sobre os Sintomas Associados às DTS no Homen, por Sexo, de Acordo com a Área de Residência e Província 4 15 14 10 6 6 7 15 4 0.1 24 6 10 8 7 5 2 17 21 24 11 44 13 6 27 11 21 17 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 Maputo Cidade Maputo Gaza Inhambane Sofala Manica Tete Zambézia Nampula Cabo Delgado Niassa PROVÍNCIA Urbana Rural RESIDÊNCIA Total Percentagem de entrevistados Mulheres Homens Gráfico 11.5 Falta de Conhecimentos sobre os Sintomas Associados às DTS no Homen, por Sexo, de Acordo com a Área de Residência e Província 4 15 14 10 6 6 7 15 4 0.1 24 6 10 8 7 5 2 17 21 24 11 44 13 6 27 11 21 17 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 Maputo Cidade Maputo Gaza Inhambane Sofala Manica Tete Zambézia Nampula Cabo Delgado Niassa PROVÍNCIA Urbana Rural RESIDÊNCIA Total Percentagem de entrevistados Mulheres Homens HIV/SIDA e Outras Doenças de Transmissão Sexual | 219 · Em Gaza e Maputo Província, são os homens, comparativamente às mulheres, que menos conhecem os sintomas associados às DTS no homem. · O conhecimento de dois ou mais sintomas varia de acordo com a idade dos inquiridos: entre os mais velhos, a proporção dos que os conhecem tende a ser maior que entre os mais novos. · Os casados/unidos maritalmente e os que alguma vez estiveram unidos apresentam maior proporção dos que conhecem dois ou mais sintomas de DTS, comparativamente aos solteiros. Quadro 11.19.1 Conhecimento sobre os sintomas de DTS: mulheres Percentagem de mulheres com conhecimentos sobre os sintomas associados a doenças de transmissão sexual (DTS) na mulher e no homem, por características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Conhecimento sobre os sintomas Conhecimento sobre os sintomas de DTS no homem de DTS na mulher ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– –––––––––––––––––––––––––––––––––– Dois ou Dois ou Nenhum Nenhum Um mais Nenhum Um mais conheci- sintoma sintoma sintomas Sem sintoma sintoma sintomas Sem Número mento de mencio- mencio- mencio- infor- mencio- mencio- mencio- infor- de Característica DTSs nado nado nados mação nado nado nados mação mulheres ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 23.6 21.9 16.1 38.4 0.0 20.9 14.9 40.6 0.0 2,454 20-24 17.9 14.7 14.7 52.7 0.1 13.5 13.4 55.1 0.1 2,456 25-29 15.5 13.7 12.4 58.4 0.0 11.9 11.8 60.8 0.0 2,224 30-39 15.5 10.4 12.2 61.8 0.0 9.1 10.9 64.3 0.0 3,203 40-49 13.7 9.3 13.1 63.7 0.1 8.2 11.5 66.5 0.1 2,081 15-24 20.7 18.3 15.4 45.5 0.1 17.2 14.2 47.8 0.1 4,910 Estado civil Solteira 21.4 23.1 15.7 39.6 0.1 21.6 15.5 41.4 0.1 1,961 Já teve sexo 15.3 21.6 17.1 45.9 0.1 19.5 16.3 48.7 0.1 1,261 Nunca teve sexo 32.5 25.9 13.1 28.3 0.1 25.3 13.9 28.2 0.1 700 Casada/união consensual 17.2 12.0 13.4 57.4 0.0 11.0 11.9 59.8 0.0 8,736 Alguma vez unida 13.3 13.3 12.6 60.7 0.0 10.7 11.7 64.3 0.0 1,721 Residência Rural 21.1 10.2 12.3 56.3 0.0 9.5 11.2 58.3 0.0 7,870 Urbana 10.7 20.3 15.9 53.0 0.1 18.1 14.7 56.3 0.1 4,548 Província Niassa 27.2 18.8 15.9 38.1 0.0 17.7 15.3 39.7 0.0 476 Cabo Delgado 5.7 12.7 17.4 64.1 0.1 9.4 17.4 67.4 0.1 1,071 Nampula 13.4 13.7 11.6 61.2 0.0 13.6 9.4 63.6 0.0 2,403 Zambézia 43.5 1.7 5.5 49.4 0.0 1.6 6.9 48.0 0.0 1,906 Tete 11.0 12.3 6.8 69.9 0.0 12.3 6.6 70.2 0.0 1,025 Manica 23.8 15.4 9.0 51.9 0.0 14.9 8.9 52.5 0.0 809 Sofala 21.0 15.4 13.2 50.3 0.1 15.2 10.1 53.6 0.1 865 Inhambane 17.1 10.2 15.7 57.0 0.0 7.4 12.2 63.2 0.0 1,088 Gaza 1.5 13.5 29.4 55.6 0.0 9.9 26.8 61.8 0.0 666 Maputo 5.0 23.4 27.3 44.1 0.1 21.3 25.8 47.8 0.1 1,050 Maputo Cidade 6.6 29.5 13.2 50.4 0.4 26.5 11.5 55.0 0.4 1,059 Nível de escolaridade Nenhum 24.0 10.0 12.1 53.8 0.0 9.1 11.1 55.8 0.0 5,100 Primário 14.1 16.5 14.6 54.8 0.1 15.2 13.3 57.4 0.1 6,347 Secundário 3.2 18.2 15.6 63.0 0.1 15.2 14.4 67.1 0.1 940 Superior [ 0.0 [ 12.4 [ 9.1 [ 78.5 [ 0.0 [ 1.5 [ 18.2 [ 80.3 [ 0.0 30 Quintil de riqueza Mais baixo 29.4 9.1 9.9 51.6 0.0 8.6 9.0 52.9 0.0 2,814 Segundo 22.0 10.4 12.0 55.7 0.0 9.6 10.5 57.9 0.0 2,166 Médio 15.5 11.4 11.8 61.3 0.0 10.4 11.6 62.5 0.0 2,333 Quarto 13.1 14.5 18.4 54.0 0.0 13.0 16.1 57.9 0.0 2,251 Mais elevado 6.6 23.0 16.4 53.9 0.2 20.5 15.2 57.5 0.2 2,854 Total 17.3 13.9 13.6 55.1 0.1 12.6 12.5 57.5 0.1 12,418 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Percentagem precedida por parêntese está baseada em 25-49 casos não ponderados. | HIV/SIDA e Outras Doenças de Transmissão Sexual 220 · Surpreendentemente, tanto entre homens como entre mulheres, a proporção dos que conhecem dois ou mais sintomas de DTS é relativamente maior na área rural que na urbana. · A Província de Tete apresenta ostenta maior percentagem de mulheres com conhecimento de dois ou mais sintomas de DTS (70 por cento). Para o caso dos homens, é a Província de Cabo Delgado que denota maior proporção dos que conhecem do ou mais sintomas (95 por cento). · Como era de prever, o nível de escolaridade influi positivamente no conhecimento de sintomas de DTS. Quadro 11.19.2 Conhecimento sobre os sintomas de DTS: homens Percentagem de homens 15-49 anos de idade com conhecimentos sobre os sintomas associados a doenças de transmissão sexual (DTS) na mulher e no homem, por características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Conhecimento sobre os sintomas Conhecimento sobre os sintomas de DTS no homem de DTS na mulher ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Dois ou Dois ou Nenhum Nenhum Um mais Nenhum Um mais conheci- sintoma sintoma sintomas sintoma sintoma sintomas Número mento de mencio- mencio- mencio- mencio- mencio- mencio- de Característica DTSs nado nado nados nado nado nados homens ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 18.3 17.2 17.4 47.1 27.0 15.3 39.3 673 20-24 6.6 7.9 9.4 76.0 22.8 10.9 59.7 404 25-29 3.7 5.7 9.0 81.6 16.0 9.7 70.7 378 30-39 3.4 3.1 11.3 82.3 11.7 10.8 74.1 594 40-49 4.2 4.1 10.8 80.7 11.7 9.9 74.0 442 15-24 13.9 13.7 14.4 57.9 25.5 13.7 47.0 1,077 Estado civil Solteiro 14.9 15.8 14.8 54.5 28.2 13.8 43.0 911 Já teve sexo 9.0 14.7 14.8 61.5 29.4 14.7 46.9 687 Nunca teve sexo 33.2 19.1 14.7 33.0 24.5 11.2 31.1 224 Casado/união consensual 4.1 3.9 10.9 81.1 11.7 10.9 73.2 1,466 Alguma vez unido 5.1 4.5 8.5 81.8 23.5 5.4 66.0 113 Residência Rural 9.8 6.3 10.2 73.8 12.5 10.2 67.6 1,423 Urbana 5.9 10.9 14.9 68.2 26.1 13.7 54.2 1,067 Província Niassa 23.6 12.5 17.5 46.4 36.0 8.3 32.1 99 Cabo Delgado 0.1 0.5 3.9 95.4 0.5 5.4 94.0 237 Nampula 4.1 2.8 21.4 71.6 6.3 20.1 69.4 574 Zambézia 14.9 3.4 0.3 81.4 4.7 0.3 80.1 401 Tete 6.8 16.9 2.9 73.4 29.4 6.4 57.4 188 Manica 6.4 18.7 9.5 65.4 18.7 5.3 69.6 172 Sofala 6.4 11.9 2.9 78.9 11.9 2.9 78.9 201 Inhambane 10.1 6.7 45.6 37.6 32.0 43.7 14.3 136 Gaza 13.7 5.1 0.8 80.4 31.5 3.0 51.9 75 Maputo 14.6 9.6 8.6 67.3 37.6 11.8 36.1 174 Maputo Cidade 4.0 19.2 20.6 55.9 51.4 19.3 25.1 232 Nível de escolaridade Nenhum 10.9 4.6 10.6 73.9 8.6 9.6 70.8 342 Primário 8.7 9.0 12.4 69.8 18.9 11.8 60.6 1,708 Secundário 3.8 8.3 11.9 75.9 24.0 11.6 60.6 420 Superior [ 0.0 [ 2.8 [ 29.9 [ 67.3 [ 16.9 [ 44.8 [ 38.3 20 Quintil de riqueza Mais baixo 11.1 6.2 6.7 76.0 9.5 7.4 72.0 537 Segundo 8.7 7.0 16.0 68.3 10.4 14.3 66.6 404 Médio 6.0 6.5 10.8 76.7 13.6 9.5 70.9 445 Quarto 9.0 7.1 15.8 68.0 21.7 12.1 57.0 426 Mais elevado 6.3 12.5 13.0 68.2 31.0 14.7 48.0 678 Total 15-49 8.1 8.3 12.2 71.4 18.3 11.7 61.8 2,490 Total 15-64 7.9 7.7 12.2 72.2 17.3 11.5 63.2 2,900 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Percentagem precedida por parêntese está baseada em 25-49 casos não ponderados. HIV/SIDA e Outras Doenças de Transmissão Sexual | 221 Todos os inquiridos do IDS 2003 com experiência sexual foram indagados se tinham tido uma DTS nos últimos 12 meses. Foram também indagados se tinham tido alguma secreção genital anormal ou uma dor genital ou úlcera nos últimos 12 meses. É possível que estes dados subestimem a prevalência real do DTS, por vários motivos. Por exemplo, se os sintomas não forem óbvios ou prolongados, podem não ser reconhecidos como sintomas de uma DTS. Além disso, mesmo que os inquiridos saibam que têm uma DTS, podem ser relutantes em reportar, por causa de vergonha ou presumida estigmatização associada a tal infecção. O Quadro 11.20 mostra a percentagem de homens e mulheres, com experiência sexual, que declararam ter tido uma DTS ou sintomas de DTS nos 12 meses que antecederam o inquérito. Quadro 11.20 Declaração voluntária de doenças sexualmente transmitidas (DTS) e seus sintomas Entre mulheres e homens que já tiveram relações sexuais, percentagem de dos que fizeram declaração voluntária de uma DTS e/ou sintomas de DTS nos últimos 12 meses, por características seleccionadas, Moçambique 2003 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Mulheres 15-49 Homens 15-49 –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Percen- Percentagem Percen- DTS/ Número de Percen- Percentagem Percen- DTS/ Número de tagem com dor ao tagem com corrimento mulheres tagem com tagem com secreção homens com urinar/pus/ verrugas vagina/ que já com secreção verrugas genital/ que já uma corrimento ou úlcera dor/ fizeram uma genital ou úlcera verrugas/ fizeram Característica DTS vaginal genital/anal úlcera sexo DTS anormal genital/anal úlcera sexo ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Idade 15-19 2.4 9.3 3.6 11.2 1,796 5.0 5.1 3.4 8.5 464 20-24 3.4 9.5 2.9 11.1 2,413 6.5 7.5 4.3 10.6 392 25-29 1.8 6.9 1.5 7.6 2,220 7.2 6.2 5.1 9.3 376 30-39 1.6 4.6 1.5 5.6 3,201 5.7 3.9 3.1 8.6 591 40-49 1.0 4.1 1.0 4.5 2,081 3.4 2.4 2.3 4.3 442 15-24 2.9 9.4 3.2 11.1 4,210 5.7 6.2 3.8 9.5 856 Estado civil Solteira(o) 3.1 10.1 3.3 12.2 1,261 5.5 6.5 4.1 9.6 687 Casada(o)/união consensual 1.8 6.0 1.7 6.9 8,730 5.6 4.2 3.3 7.7 1,464 Alguma vez unida(o) 2.7 7.3 2.6 8.9 1,721 3.7 3.2 3.6 5.7 113 Residência Rural 1.4 5.8 1.8 6.6 7,538 5.3 3.6 3.0 6.8 1,303 Urbana 3.1 8.2 2.5 10.0 4,174 5.8 6.6 4.3 10.1 962 Província Niassa 1.8 2.3 1.3 3.3 463 1.5 1.7 1.7 2.6 96 Cabo Delgado 1.4 6.9 2.7 8.6 1,041 15.8 11.2 7.6 23.1 234 Nampula 1.1 3.4 1.9 4.6 2,275 4.8 3.6 1.2 5.9 527 Zambézia 1.1 4.5 1.7 5.1 1,819 6.2 6.1 4.8 7.8 364 Tete 0.9 1.7 0.4 1.9 949 5.2 3.2 1.8 6.2 169 Manica 1.1 4.9 1.7 5.5 742 1.0 0.0 7.8 7.8 142 Sofala 4.2 7.0 1.4 8.2 812 2.3 1.9 3.3 3.8 177 Inhambane 2.3 10.8 2.9 11.9 1,044 1.6 5.9 2.5 7.6 129 Gaza 2.7 16.3 3.0 17.4 626 5.1 3.7 3.1 5.4 67 Maputo 3.3 7.4 2.4 10.0 983 7.9 7.9 0.8 7.9 149 Maputo Cidade 4.8 14.8 2.9 16.0 958 3.2 4.9 4.8 7.4 212 Nível de escolaridade Nenhum 1.1 4.7 1.8 5.4 4,990 6.1 6.2 4.3 7.2 319 Primário 2.5 7.7 2.3 9.3 5,861 6.0 4.6 3.8 8.9 1,533 Secundário 4.3 10.7 1.3 11.6 832 3.0 5.1 1.8 6.3 392 Superior [ 0.0 [ 10.7 [ 4.8 [ 10.7 29 [ 4.4 [ 0.0 [ 4.4 [ 4.4 20 Quintil de riqueza Mais baixo 1.2 5.0 1.8 5.6 2,724 6.2 3.7 3.4 7.0 500 Segundo 1.4 6.0 1.4 6.6 2,068 5.4 2.9 2.1 6.7 364 Médio 1.1 4.2 1.8 5.2 2,221 4.2 2.8 4.7 7.3 409 Quarto 2.3 7.4 2.6 8.9 2,121 5.4 5.9 2.7 8.2 370 Mais elevado 4.0 10.5 2.5 12.4 2,578 5.9 7.7 4.2 10.5 621 Total 15-49 2.0 6.7 2.0 7.8 11,712 5.5 4.9 3.5 8.2 2,264 Total 15-64 na na na na na 4.7 4.2 3.1 7.1 2,675 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Nota: Percentagem precedida por parêntese está baseada em 25-49 casos não ponderados. na = Não se aplica | HIV/SIDA e Outras Doenças de Transmissão Sexual 222 · A percentagem de homens que declararam ter tido uma DTS nos 12 meses antecedentes ao inquérito é mais que o dobro da das mulheres em situação similar (6 por cento contra 2 por cento, respectivamente). · Os mais jovens são mais propensos a contrair uma DTS, comparativamente aos mais velhos. · Dentre as manifestações de DTS declaradas pelos inquiridos, a secreção genital anormal é a mais frequente, tanto entre os homens como entre as mulheres. · Os inquiridos da área urbana denotam maior probabilidade de contracção de DTS, comparativamente aos da área rural. · Entre as mulheres, Maputo Cidade (5 por cento) e Sofala (4 por cento) são as províncias que ostentam percentagens mais elevadas de inquiridas que tiveram DTS. Para o caso dos homens, maior proporção com DTS é exibida pela Província de Cabo Delgado (16 por cento). · Maior proporção de inquiridos que declararam ter tido corrimento/secreção genital anormal é manifestada pela Província de Gaza e Maputo Cidade para o caso das mulheres (16 e 15 por cento, respectivamente) e pela Província de Cabo Delgado, para o caso dos homens (11 por cento) · Maior proporção de inquiridos que tiveram verrugas ou úlcera na região genital ou anal encontra-se nas Províncias de Gaza, Maputo Cidade e Inhambane (3 por cento), para o caso das mulheres. No que concerne aos homens, maior percentagem (8 por cento) á ostentada pelas Províncias de Manica e Cabo Delgado. A conduta dos que tiveram DTS face ao tratamento e prevenção constitui factor importante no controle da propagação das DTSs. Daí que, aos inquiridos que declararam ter tido uma DTS ou secreção genital anormal, dores genitais, verrugas ou úlcera nos últimos 12 meses se indagou se já haviam procurado tratamento. Os resultados são apresentados no Quadro 11.21, incluindo a fonte de aconselhamento e de tratamento. É de particular interesse a percentagem de mulheres que não receberam nenhum aconselhamento ou tratamento, embora algumas das mulheres que reportaram uma secreção anormal (em particular) provavelmente não se tenham considerado doentes e, portanto, não tenham achado necessário algum tratamento ou aconselhamento. Ainda, é importante saber até que ponto as fontes não médicas ( i.e., curandeiros) são usadas para cura e aconselhamento. O quadro acima referido pretende evidenciar os baixos níveis de acesso aos serviços de tratamento de DTS. Presume-se que a úlcera não tratada ou determinado tipo específico de sífilis sejam factores de promoção da transmissão de HIV. · Para a maior parte dos inquiridos que declararam ter tido uma DTS e ter procurado tratamento ou aconselhamento, a fonte de tratamento/aconselhamento foi hospital, clínica ou consultório médico. · Dum modo geral, o curandeiro é a fonte de tratamento/aconselhamento menos frequente, tanto para o caso dos homens como para o de mulheres. · O curandeiro, como fonte de tratamento/aconselhamento em relação a DTS, é mais consultado na área rural que na urbana. Contrariamente, a farmácia é uma fonte mais comum na área urbana que na rural. · Para qualquer que seja a fonte consul